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Edição n.º 1470
10/04 a 12/04/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 837, maior aproximação do Cometa Halley à Terra, cerca de 0,0342 UA (5,1 milhões de quilómetros).
Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial).

Este falhou no último momento quando os computadores "crasharam". Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Em 2013, o orçamento para a NASA de 2014 inclui um plano para capturar roboticamente um asteroide próximo da Terra e redirecioná-lo para uma órbita estável no sistema Terra-Lua, que os astronautas possam visitar e estudar.
Observações: Capella é a estrela mais brilhante alta a oeste-noroeste durante e após o anoitecer. A sua pálida cor amarelada coincide com a do Sol, o que signfica que têm mais ou menos a mesma temperatura. Mas, a não ser isso, Capella é muito diferente. São duas estrelas gigantes amarelas que se orbitam uma à outra a cada 104 dias. Além do mais, para observadores telescópicos, Capella está acompanhada por um par íntimo de anãs vermelhas: Capella H e L, magnitudes 10 e 13.

Dia 11/04: 101.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais. Diretor do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade (relatividade especial). 
Em 1960, era iniciada a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13, com a intenção de ser a terceira missão a aterrar na Lua.

No entanto, a explosão de um tanque de oxigénio dois dias depois põe a missão em modo de emergência e a nave perde energia, calor e água. Circum-navega a Lua sem aterrar e os astronautas regressam em segurança à Terra.
Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta passagem, a 30.ª vez que visita a nossa vizinhança planetária.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 01:55 e as 04:22.
Plutão na sua quadratura oeste, pelas 05:41.
Por estas noites, bem acima da Ursa Maior, passando quase pelo zénite para observadores a latitudes médias norte, estão três pares de ténues estrelas visíveis a olho nu, todas de 3.ª ou 4.ª magnitude, que assinalam o pé da Grande Ursa. São também conhecidas como os Três Saltos da Gazela, da antiga mitologia árabe. Formam uma linha longa mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e "foice" de Leão.
Segundo a mitologia árabe, a gazela bebia num lago - o grande mas ténue enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu rapidamente quando assustada pela cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não ter notado, pois está virado na outra direção.
Ocultação de Ganimedes, entre as 22:50 e as 00:45 (já de dia 12).

Dia 12/04: 102.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, começa o inquérito formal de Galileu pela Inquisição.
Em 1849, de Gasparis descobre o asteroide Hygiea.
Em 1851, nascia Edward Walter Maunder, astrónomo inglês famoso pelo seu estudo das manchas solares e do ciclo magnético solar, que levou à sua identificação do período entre 1645 e 1715 que é agora conhecido como Mínimo Maunder
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço. 

Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objetivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso e regressar à Terra em segurança.
Observações: Logo após o anoitecer, encontre Procyon bem alta por cima da brilhante Sirius a sudoeste. Para cima e para a esquerda de Procyon, cerca de 15º (mais ou menos punho e meio à distância do braço esticado), está a ténue cabeça de Hdira, a enorme Serpente Marinha. A sua cabeça perfaz um grupo de estrelas de terceira e quarta magnitudes com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Cerca de punho e meio, para baixo e para a esquerda da cabeça de Hidra, brilha Alphard, o seu coração alaranjado de segunda magnitude. O resto da constelação de Hidra faz "zig-zag" (tenuamente) desde Alphard até para baixo no horizonte a sudeste.
Eclipse de Europa, entre 21:04 e as 23:31.

 
CURIOSIDADES


Algumas curiosidades sobre a missão Gaia:
- Ao longo de toda a sua missão, o Gaia observa mil milhões de estrelas aproximadamente 70 vezes. É uma média de 40 milhões de observações por dia!
- Mil milhões de estrelas corresponde a mais ou menos 1% das estrelas que perfazem a Via Láctea;
- Das mil milhões de estrelas que o Gaia observa, 99% nunca tiveram as suas distâncias medidas com precisão;
- O Gaia transporta a maior câmara digital já lançada para o espaço, com quase mil milhões de pixéis;
- Para objetos 4000 vezes mais ténues do que o limite do olho humano, o Gaia mede posições até uma precisão de 24 microssegundos de arco, comparável a medir o diâmetro de um cabelo humano a 1000 km de distância;
- As estrelas mais próximas terão as suas distâncias medidas com uma extraordinária precisão de 0,001%. Até estrelas perto do Centro Galáctico, a 30.000 anos-luz de distância, terão as suas distâncias medidas com uma precisão de 20%;
- No final da missão, os dados do arquivo irão exceder 1 Petabyte (1 milhão de Gigabytes), o equivalente a mais ou menos 200.000 DVD's de dados.

 
EXOMARS PRONTO PARA COMEÇAR MISSÃO CIENTÍFICA
Impressão de artista do TGO do programa ExoMars em Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O orbitador ExoMars começará em breve a sua busca por gases que possam estar ligados a atividades geológicas ou biológicas ativas no Planeta Vermelho.

O TGO (Trace Gas Orbiter) chegou à sua órbita final depois de um ano de "aerotravagem" que terminou em fevereiro. Esta operação emocionante levou a nave a "raspar" o topo da atmosfera superior, usando arrasto nas suas asas solares para transformar a sua órbita inicial altamente elíptica de quatro dias (mais ou menos 200 por 98.000 km) numa órbita final muito mais baixa e quase circular a cerca de 400 km.

Circula agora Marte a cada duas horas e, após a calibração e instalação de novo software, começará a realizar observações científicas de rotina.

"Este é um marco importante para o nosso programa ExoMars e uma conquista fantástica para a Europa," comenta Pia Mitschdoerfer, gerente da missão TGO.

"Chegámos a esta órbita pela primeira vez através de aerotravagem e com o orbitador mais pesado já enviado para o Planeta Vermelho, pronto para começar a procurar sinais de vida a partir de órbita."

"Começaremos a nossa missão científica daqui a um par de semanas e estamos extremamente empolgados com o que as primeiras medições vão revelar," afirma Håkan Svedhem, cientista do projeto do orbitador.

O TGO ExoMars vai analisar a atmosfera marciana, em particular gases menos abundantes como o metano. Embora represente uma quantidade muito pequena do inventário atmosférico geral, o metano em particular contém pistas importantes do eventual estado de atividade do planeta.
Este gráfico ilustra algumas das maneiras possíveis de o metano ser adicionado ou removido da atmosfera. Uma possibilidade interessante é que o metano é produzido por micróbios. Se enterrado por baixo do solo, este gás pode ser armazenado em formações de gelo conhecidas como clatratos, e libertado para a atmosfera num momento muito posterior.
O metano também pode ser gerado por reações entre a água e rochas ricas em olivina, talvez em combinação com ambientes vulcânicos mais quentes. Novamente, pode estar armazenado no subsolo em "prisões" geladas e é libertado através de fissuras na superfície - ou através de vulcões.
A radiação ultravioleta tanto pode quebrar o metano como produzi-lo através de reações com outras moléculas ou material orgânico já na superfície, como poeira de cometas que caem sobre Marte.
O metano também pode ser rapidamente distribuído em redor do planeta por ventos fortes, "diluindo" o seu sinal e tornando difícil a identificação de fontes individuais.
Pensa-se que o metano em Marte tenha uma vida útil bastante curta - cerca de 400 anos - de modo que quaisquer deteções implicam que deve ter sido produzido ou libertado há relativamente pouco tempo. O TGO vai construir uma imagem da distribuição do metano ao longo do tempo, para entender as distribuições geográficas e sazonais e, eventualmente, determinar possíveis origens.
A nave tem a capacidade de detetar e analisar metano e traços de outros gases, mesmo em baixas concentrações, com uma precisão melhorada de três ordens de grandeza em comparação com medições anteriores. Além disso, será capaz de detetar os principais "isotopólogos" do metano e da água (isotopólogos são moléculas que têm pelo menos um átomo com um número diferente de neutrões em relação às espécies químicas-mãe) para ajudar a distinguir entre os diferentes cenários de formação.
Crédito: ESA/ATG medialab
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"Temos a sensibilidade para detetar gases raros em proporções minúsculas, com o potencial de descobrir se Marte é ainda hoje ativo - biologicamente ou geologicamente falando."

O objetivo principal é fazer um inventário detalhado dos gases menos abundantes - aqueles que perfazem menos de 1% do volume total da atmosfera do planeta. Em particular, a nave vai procurar evidências de metano e de outros gases que podem ser assinaturas de atividade ativa biológica ou geológica.

Na Terra, os organismos vivos libertam a grande parte do metano do planeta. É igualmente o principal componente dos reservatórios de gás natural de hidrocarbonetos, e parte da contribuição é também fornecida pela atividade vulcânica e hidrotermal.

Espera-se que o metano em Marte tenha uma vida útil bastante curta - cerca de 400 anos - porque é decomposto pela luz ultravioleta do Sol. Também reage com outros elementos na atmosfera e está sujeito a mistura e dispersão por ventos. Isto significa que, se detetado hoje, provavelmente foi criado ou libertado de um reservatório antigo há relativamente pouco tempo.

Foram sugeridas possíveis deteções de metano pela Mars Express da NASA e, mais recentemente, pelo rover Curiosity da NASA, mas ainda são objeto de muitos debates.

O orbitador TGO pode detetar e analisar o metano e traços de outros gases mesmo em concentrações extremamente baixas, com uma precisão melhorada de três ordens de grandeza em relação a medições anteriores. Também será capaz de ajudar a distinguir entre as diferentes possíveis origens.

O orbitador TGO ExoMars vai usar um detetor de neutrões - FREND (Fine Resolution Epithermal Neutron Detector) - para mapear o hidrogénio à subsuperfície até uma profundidade de 1 metro a fim de revelar depósitos de água gelada escondidos logo abaixo da superfície.
O gráfico ilustra uma representação simples do processo de deteção. Os raios cósmicos bombardeiam constantemente a superfície de Marte; expulsam neutrões dos átomos que encontram à superfície e abaixo. Se água ou gelo estiver presente, os átomos de hidrogénio podem provocar múltiplas reflexões nos seus percursos através do subsolo, diminuindo a velocidade dos neutrões. Enquanto alguns neutrões são capturados à subsuperfície, outros escapam para o espaço. As velocidades a que chegam ao detetor do TGO podem ajudar a determinar a natureza da subsuperfície: aqueles que interagiram com a água perderam alguma energia, e estarão a viajar a velocidades relativamente mais baixas do que os que não perderam energia.
Crédito: ESA/ATG medialab
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Os quatro instrumentos farão medições complementares da atmosfera, superfície e subsuperfície. A sua câmara vai ajudar a estudar características à superfície que podem estar relacionadas com fontes de gases.

Os seus instrumentos também vão procurar água gelada escondida logo abaixo da superfície, o que, juntamente com potenciais fontes de gases, pode guiar a escolha para locais de aterragem de futuras missões.

Também vai começar a ajudar às transmissões dos rovers Opportunity e Curiosity da NASA, antes da chegada do "lander" InSight da agência espacial lá mais para o fim do ano, e do rover e plataforma de ciência ExoMars em março de 2021.

Os testes preliminares com os rovers da NASA foram levados a cabo em novembro de 2016, logo após a chegada do satélite a Marte. Eventualmente, fornecerá várias retransmissões de dados por semana.

O programa ExoMars é um esforço conjunto entre a ESA e a Roscosmos.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
31/03/2017 - Escolhidos os dois locais de aterragem da ExoMars
25/11/2016 - Investigação do que aconteceu ao Schiaparelli faz progressos
22/11/2016 - Nova sonda ESA prepara-se para a primeira ciência
08/11/2016 - Local da colisão do Schiaparelli a cores
01/11/2016 - Imagens detalhadas do Schiaparelli e da sua maquinaria de descida em Marte
25/10/2016 - MRO observa local de atereragem do Schiaparelli
21/10/2016 - ExoMars 2016 - TGO em órbita de Marte; destino do Schiaparelli ainda por apurar
18/10/2016 - ExoMars preparada para o Planeta Vermelho
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Terminada a Aerotravagem (vídeo da ESA)

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

Rovers Spirit e Opportunity:
NASA
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
Facebook
Twitter
Wikipedia

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
O QUE ESPERAR DO SEGUNDO CONJUNTO DE DADOS DO GAIA
À espera do segundo catálogo de dados do Gaia.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

À medida que astrónomos de todo o mundo se preparam para explorar o segundo lançamento de dados do satélite Gaia da ESA, o Consórcio de Processamento e Análise de Dados anunciou quantas fontes serão incluídas no novo catálogo, que será divulgado ao público no dia 25 de abril.

Lançado em dezembro de 2013, o satélite Gaia está a catalogar mais de mil milhões de estrelas na nossa Via Láctea e em galáxias vizinhas, medindo as suas posições, paralaxes e movimentos próprios com um nível de precisão nunca antes atingido, muito abaixo de um milésimo de segundo de arco.

A paralaxe é um pequeno movimento na posição aparente de uma estrela provocada pela revolução anual da Terra em torno do Sol e depende da distância da estrela: com medições das posições e paralaxes estelares, os astrónomos podem posicionar as estrelas no espaço tridimensional. O movimento próprio é provocado pelo movimento real das estrelas através da Galáxia.

O Gaia está a compilar o maior catálogo astrométrico já criado, permitindo investigações sobre a origem e evolução da Via Láctea. E mais: o satélite está também a medir brilhos e cores estelares e tem vindo a captar espectros das mais brilhantes estrelas do seu levantamento.

A muito aguardada segunda versão dos dados do Gaia vai conter a posição e brilho no céu de 1.692.919.135 estrelas, bem como medições da paralaxe e movimento próprio de 1.331.909.727 estrelas.

Derivada de 22 meses de observações, entre 25 de julho de 2014 e 23 de maio de 2016, representa um grande avanço em relação ao primeiro lançamento de dados da missão. A primeira versão teve por base pouco mais de um ano de dados e listou posições de mais de mil milhões de estrelas, mas "apenas" dois milhões de paralaxes e movimentos próprios.

O segundo lançamento de dados do Gaia vai também incluir uma ampla gama de informações adicionais: as cores de 1,38 mil milhões de estrelas (1.381.964.755 estrelas medidas em comprimentos de onda azuis - 330-680 nm - e 1.383.551.713 estrelas medidas em comprimentos de onda vermelhos - 640-1050 nm); as velocidades radiais de 7.224.631 estrelas; informações sobre 550.737 fontes variáveis; uma estimativa da temperatura da superfície de 161.497.595 estrelas, a extinção - uma medida da quantidade de poeira ao longo da linha de visão - para 87.733.672 estrelas e o raio e luminosidade de 76.956.778 estrelas.

Mais perto de casa, o novo conjunto de dados vai conter a posição de 14.099 objetos conhecidos do Sistema Solar - principalmente asteroides - com base em mais de milhão e meio de observações.

Links:

Cobertura da missão Gaia pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/02/2018 - Sirius obscurecida revela o enxame Gaia 1
19/12/2017 - Gaia e as nossas vizinhas galácticas
21/11/2017 - Como é que encontramos um enxame de estrelas? Simples, basta contá-las
01/09/2017 - Encontros próximos do tipo estelar
27/06/2017 - Cérebro artificial ajuda Gaia a encontrar estrelas velozes
17/02/2017 - Estrelas desaparecidas da vizinhança solar revelam velocidade do Sol e distância do Centro da Via Láctea
10/02/2017 - Nuvens de Magalhães estão ligadas por uma "ponte" de estrelas
16/09/2016 - O mapa de mil milhões de estrelas do Gaia sugere um tesouro vindouro
28/08/2015 - O primeiro ano de observações científicas do Gaia
07/07/2015 - Contando estrelas com o Gaia
21/01/2014 - Dados do Gaia-ESO mostram que Via Láctea pode ter sido formada de dentro para fora
20/12/2013 - Lançamento do Observatório Gaia

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
UPI

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
O QUE ESTÁ A ACONTECER NA NEBULOSA CABEÇA DE CAVALO EM ORIONTE?
A Nebulosa Cabeça de Cavalo (também conhecida como Barnard 33 ou nebulosa de emissão IC 434) é uma nebulosa escura na direção da constelação de Orionte. A imagem é um mosaico obtido com 5 diferentes filtros.
Crédito: Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Duas equipas de investigação usaram um mapa obtido pelo SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA para descobrir mais informações sobre a formação estelar na icónica Nebulosa Cabeça de Cavalo na direção da constelação de Orionte. O mapa revela detalhes vitais para obter uma compreensão completa da poeira e do gás envolvidos na formação das estrelas.

A Nebulosa Cabeça de Cavalo está embebida na nuvem molecular gigante Orionte B e é extremamente densa, com massa suficiente para produzir cerca de 30 estrelas semelhantes ao Sol. Marca o limite entre a nuvem molecular fria circundante - com as matérias-primas necessárias para fabricar estrelas e sistemas planetários - e a área a oeste onde as estrelas massivas já se formaram. Mas a radiação das estrelas corrói essas matérias-primas. Enquanto as moléculas frias, como o monóxido de carbono, dentro da densa nebulosa, estão protegidas desta radiação, as moléculas à superfície estão expostas a ela. Isto desencadeia reações que podem afetar a formação estelar, incluindo a transformação das moléculas de monóxido de carbono em átomos e carbono e iões, a que chamamos ionização.

Uma equipa liderada por John Bally do Centro para Astrofísica e Astronomia Espacial, da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, queria aprender se a intensa radiação das estrelas vizinhas é forte o suficiente para comprimir o gás dentro da nebulosa e desencadear uma nova formação estelar. Combinaram dados do SOFIA com os de outros dois observatórios para obter uma visão multifacetada da estrutura e dos movimentos das moléculas.

A equipa de Bally descobriu que a radiação das estrelas próximas cria um plasma quente que comprime o gás frio no interior da Cabeça de Cavalo, mas a compressão é insuficiente para despoletar o nascimento de estrelas adicionais. No entanto, aprenderam detalhes importantes sobre a estrutura da nebulosa.

A radiação provocou uma onda destrutiva de ionização que caiu sobre a nuvem. Essa onda foi interrompida pela porção densa da nuvem da Cabeça de Cavalo, fazendo com que a onda a envolvesse. A Cabeça de Cavalo desenvolveu a sua forma icónica porque foi densa o suficiente para bloquear as forças destrutivas da onda de ionização.

"A forma da icónica Nebulosa Cabeça de Cavalo diz-nos mais sobre o movimento e velocidade deste processo," comenta Bally. "Ilustra realmente o que acontece quando uma nuvem molecular é destruída pela radiação ionizada."

A Nebulosa Cabeça de Cavalo vista em vermelho e verde com a região ionizada perto da nuvem em azul. As áreas avermelhadas são moléculas de monóxido de carbono protegidas na densa nebulosa e as áreas verdes são átomos e iões de carbono que foram afetados pela radiação de estrelas vizinhas.
Crédito: NASA/SOFIA/J. Bally et. al
 

Os investigadores estão a tentar entender como é que as estrelas se formaram na Nebulosa Cabeça de Cavalo - e por que estrelas adicionais não o fizeram - porque a sua proximidade com a Terra permite que os astrónomos a estudem em grande detalhe. Isto fornece pistas sobre como as estrelas se podem formar em galáxias distantes que estão demasiado distantes para observar claramente detalhes finos, até mesmo pelos telescópios mais poderosos.

"Em estudos como este, estamos a aprender que a formação estelar é um processo autolimitado," realça Bally. "As primeiras estrelas a se formarem numa nuvem podem impedir o nascimento de estrelas adicionais nas proximidades, destruindo partes adjacentes da nuvem."

Noutro estudo baseado no mapa do SOFIA, uma equipa de investigadores liderada por Cornelia Pabst, da Universidade de Leiden, Holanda, analisou a estrutura e brilho do gás em regiões escuras e frias no interior e nos arredores da Nebulosa Cabeça de Cavalo. Esta região tem muito pouca formação estelar em comparação com a Nuvem Orionte B ou com a Grande Nebulosa de Orionte, para sudoeste da Nebulosa Cabeça de Cavalo. Pabst e a sua equipa queriam entender as condições físicas na região escura que podem estar a afetar a taxa de formação estelar.

Descobriram que a forma, estrutura e brilho do gás na nebulosa não encaixam nos modelos existentes. São necessárias mais observações para explorar o porquê de os modelos não coincidirem com o que viram.

"Estamos apenas a começar a entender que, embora tenhamos observado apenas uma pequena parte desta nuvem molecular, tudo é mais complicado do que os modelos indicaram inicialmente," acrescenta Pabst. "Este mapa contém dados lindos e maravilhosos que podemos combinar com observações futuras para nos ajudar a entender como as estrelas se formam localmente, na nossa Galáxia, para que possamos relacioná-las com a investigação extragaláctica."

Os estudos foram publicados nas revistas The Astronomical Journal e Astronomy and Astrophysics.

O mapa da Nebulosa Cabeça de Cavalo, usado pelas duas equipas, foi criado usando o atualizado instrumento GREAT do SOFIA. Foi atualizado para usar 14 detetores simultaneamente. Assim sendo, o mapa foi produzido significativamente mais depressa do que poderia ter sido nos observatórios anteriores, que usavam apenas um único detetor.

"Nós não podíamos ter feito esta investigação sem o SOFIA e sem o seu instrumento atualizado, upGREAT," explica Bally. "Como aterra após cada voo, os seus instrumentos podem ser ajustados, atualizados e melhorados de maneiras impossíveis para observatórios espaciais. O SOFIA é fundamental para desenvolver instrumentos cada vez mais poderosos e confiáveis para uso futuro no espaço."

O SOFIA é um jato Boeing 747SP modificado para transportar um telescópio com uma abertura de 100 polegadas. É um projeto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, DLR.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Bally et. al (PDF)
The Astronomical Journal
Artigo científico - Pabst et. al (arXiv.org)
Astronomy & Astrophysics
Dados científicos da Nebulosa Cabeça de Cavalo pelo SOFIA
PHYSORG

Nebulosa Cabeça de Cavalo:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

SOFIA:
NASA
USRA
DLR
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  À procura de matéria escura nas galáxias mais pequenas do Universo (via Universidade de Surrey)
A matéria escura constitui a maior parte da massa do Universo, mesmo assim permanece elusiva. Dependendo das suas propriedades, pode estar densamente concentrada nos centros das galáxias, ou distribuída mais uniformemente em largas escalas. Ao comparar a distribuição da matéria escura em galáxias com modelos detalhados, os investigadores podem testar ou excluir diferentes candidatos a matéria escura. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 3324 em Quilha
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Esta brilhante nuvem cósmica foi esculpida por ventos estelares e radiação das jovens estrelas quentes do enxame aberto NGC 3324. Com nuvens de poeira em silhueta contra o seu gás atómico brilhante, a região de formação estelar em forma de bolso na verdade abrange cerca de 35 anos-luz. Fica a mais ou menos 7500 anos-luz de distância na direção da constelação rica em nebulosas do hemisfério sul, Quilha (ou Carina). Uma composição de dados de banda estreita, a imagem telescópica captura a emissão característica dos átomos ionizados de enxofre, hidrogénio e oxigénio, mapeados para tons vermelhos, verde e azuis na popular paleta Hubble. Para alguns, a paisagem celeste de brilhantes cristas de emissão cercada por poeira fria e obscurecida, ao longo do lado direito, cria uma face reconhecível de perfil. O nome popular da região é Nebulosa Gabriela Mistral, em honra à poetisa chilena vencedora do Prémio Nobel.
 

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