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AJUSTE FINAL DA ROSETTA PARA 30 DE SETEMBRO
1 de julho de 2016

 


A Rosetta aproxima-se do seu cometa.
Crédito: sonda - ESA/ATG medialab; imagem do cometa - ESA/Rosetta/NavCam
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A Rosetta está prestes a completar a sua missão numa descida controlada à superfície do seu cometa no dia 30 de setembro.

A missão está a chegar ao fim como resultado do aumento da distância da aeronave do Sol e da Terra. Vai em direção à órbita de Júpiter, resultando numa significante redução da energia solar necessária para manobrar a aeronave e os seus instrumentos, e uma redução na largura de banda disponível para descarregar dados científicos.

Combinado com uma aeronave envelhecida e uma carga que suportou o ambiente hostil do espaço por mais de 12 anos – para além de dois anos perto de um cometa empoeirado – isto significa que a Rosetta está a chegar ao fim da sua vida natural.

Ao contrário do sucedido em 2011, quando a Rosetta foi colocada em hibernação durante 31 meses na parte mais distante da sua jornada, desta vez circula ao lado do cometa. A distância máxima do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko ao Sol (mais de 850 milhões de km) é mais do que a Rosetta tinha alguma vez viajado. Como resultado, não há energia suficiente no ponto mais distante que garanta que os aquecedores da Rosetta sejam capazes de a manter quente o suficiente para sobreviver.

Ao invés de arriscar uma hibernação mais longa da qual é provável que não sobrevivesse, e depois de consultar a equipa científica da Rosetta em 2014, foi decidido que a Rosetta seguiria o seu módulo de aterragem Philae, aterrando no cometa.

As horas finais de descida permitirão que a Rosetta faça medições únicas, incluindo imagens de alta resolução, dinamizando o retorno científico da Rosetta com dados muito valiosos realizáveis somente através deste desenlace sem igual.

As comunicações irão cessar, no entanto, assim que o satélite atinja a superfície, e as suas operações terminarão então.

"Estamos a tentar comprimir o máximo de observações possível antes que se esgote a energia solar," diz Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA. "O dia 30 de setembro marcará o fim das operações da aeronave, mas o início da fase onde o total foco das equipas recairá na ciência. Foi para isso que a missão Rosetta foi lançada, e temos muitos anos de trabalho à nossa frente, através da análise dos seus dados."

Os operadores da Rosetta começarão a alterar a trajetória em agosto antes do grande final, de tal modo que uma série de órbitas elípticas a irá levar progressivamente mais perto do cometa no seu ponto mais próximo.

"O planeamento desta fase é na verdade muito mais complexo do que o da aterragem do Philae," diz Sylvain Lodiot, gerente de operações da aeronave Rosetta da ESA. "As últimas semanas serão particularmente desafiantes porque voaremos órbitas excêntricas à volta do cometa – em muitos aspetos isto será mais arriscado do que a própria descida final."

"Quanto mais perto do cometa, maior a influência da sua gravidade não-uniforme, obrigando-nos a ter mais controlo sobre a trajetória e, portanto, mais manobras – os círculos de planeamento terão de ser executados em prazos muito mais curtos."

Um número de dedicadas manobras nos últimos dias da missão irão ser concluídas com uma mudança da trajetória final a uma distância de cerca de 20 km cerca de 20 minutos antes do impacto, colocando a aeronave na sua descida final.

A região alvo para o impacto da Rosetta está ainda em discussão, à medida que os operadores da aeronave e os cientistas examinam as várias compensações envolvidas, com várias trajetórias diferentes a serem examinadas.

Em termos gerais, contudo, espera-se que o impacto aconteça a cerca de 50 cm/s, mais ou menos metade da velocidade de aterragem do Philae em novembro de 2014.

Os comandos enviados uns dias antes assegurarão automaticamente que tanto o transmissor como todas as unidades de altitude, controlo de órbita e instrumentos serão desligados aquando do impacto, para preencher os requisitos de eliminação da aeronave.

Em qualquer caso, a antena de alto-ganho provavelmente não apontará para a Terra após o impacto, fazendo qualquer potencial comunicação virtualmente impossível.

Entretanto, a ciência continuará como normal, embora ainda existam muitos riscos adiante. No passado mês, a aeronave entrou em "modo de segurança" quando se encontrava a 5 km do cometa como resultado da poeira atrapalhar o sistema de navegação. A Rosetta recuperou, mas a equipa da missão não pode descartar que isto possa voltar a acontecer antes do final planeado da missão.

"Apesar de que faremos o melhor possível para manter até lá a Rosetta em segurança, sabemos por experiência própria de há quase dois anos no cometa que as coisas podem não correr como planeado. Como sempre, temos de estar preparados para o inesperável," acautela Patrick Martin, gerente da missão da Rosetta da ESA.

"Este é o último desafio para as nossas equipas e para a aeronave, e será a maneira apropriada para terminar a incrível e bem-sucedida missão Rosetta."

 


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A localização da Rosetta em relação ao Sol e a vários planetas do Sistema Solar no dia 30 de setembro de 2016. Neste dia, a Rosetta estará a cerca de 573 milhões de quilómetros do Sol e a 720 milhões de quilómetros da Terra. O sinal da Rosetta levará cerca de 40 minutos a chegar ao nosso planeta.
Além disso, a partir de 1 outubro, as equipas também esperariam comunicações reduzidas devido a "conjunção". Isto é, o cometa e a aeronave estarão por trás do Sol a partir da perspetiva da Terra - outro fator que contribuiu para a conclusão da missão nesta altura.
Crédito: ESA
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Durante a descida final da Rosetta, a aeronave vai fotografar a superfície do cometa em alta-resolução a poucas centenas de metros.
Esta imagem da câmara OSIRIS foi obtida no dia 28 de maio de 2016, quando a sonda estava a 5 km da superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A escala é de 0,13 m/pixel.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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A Rosetta enfrenta um ambiente poeirento como este todos os dias perto do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
A imagem foi obtida pela câmara OSIRIS no dia 1 de junho de 2016, quando a aeronave estava a 20 km do centro do cometa. A escala é de 0,36 m/pixel no cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Blog da Rosetta
PHYSORG
BBC News
Gizmodo

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ESA

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