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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2118  
  25/06 a 27/06/2024  
     
 
OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA
Data: 28 de junho de 2024
Hora: 10:00-12:00
No dia 28 de Junho, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve iremos realizar mais uma Sessão de Observação do Sol, desta vez no Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira pelas 10h00.
A sessão é gratuita. Apareça!
Local: Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528
geral@cvtavira.pt
 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 25/06: 177.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.

No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km.
HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que as duas estrelas mais brilhantes do verão, Arcturo e Vega, estão aproximadamente à mesma altura no céu pouco depois do cair da noite: Arcturo a sudoeste, Vega a este.
Arcturo e Vega estão a 37 e 25 anos-luz de distância, respetivamente. Representam os dois tipos mais comuns de estrela visível a olho nu: uma gigante K amarela-alaranjada e uma estrela de sequência principal A esbranquiçada. São 150 e 50 vezes mais brilhantes do que o Sol, respetivamente - razão pela qual, em combinação com a sua proximidade, dominam o céu noturno.

 

DIA 26/06: 178.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1730 nascia Charles Messier.

Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objetos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1824 nascia Lord Kelvin, físico irlandês bastante conhecido pelo desenvolvimento das bases do zero absoluto e da unidade de medição da temperatura que tem o seu nome.
Em 1973, morrem 9 pessoas no Cosmódromo de Plesetsk devido a uma explosão de um foguetão Cosmos 3-M.
HOJE, NO COSMOS:
Mais sobre Arcturo e Vega: as cores das estrelas são na maioria subtis. Vega é esbranquiçada, com um toque de azul bebé. Arcturo é amarelo-alaranjada.
Uns binóculos ajudam a ver as cores das estrelas.

 

DIA 27/06: 179.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1949 era descoberto o asteroide Ícaro, com um telescópio de 48 polegadas que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteroide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta.
Em 1982 era lançada a missão STS-4 do vaivém Columbia.

Em 1995, lançamento da STS-71, do Atlantis, a primeira missão do vaivém espacial a atracar com a MIR.
Em 2013, a NASA lança a missão IRIS, uma sonda para observar o Sol.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua e o planeta Saturno nascem quase à mesma hora, perto das 01:00. Saturno está cerca de 5 ou 6 graus para a esquerda do nosso satélite natural.
Antes do amanhecer ambos os astros estão altos a sudeste.

 
 
   
Webb capta, pela primeira vez, uma imagem dos jatos alinhados de estrelas recém-nascidas
 
Nesta imagem da Nebulosa da Serpente, obtida pelo instrumento NIRCam (Ner-InfraRed Camera) do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, os astrónomos encontraram um grupo de jatos protoestelares alinhados numa pequena região (canto superior esquerdo). Na imagem do Webb, estes jatos são identificados por "listras" vermelhas brilhantes, que são ondas de choque causadas quando o jato atinge o gás e a poeira circundantes.
Esta região tem sido palco de outras descobertas coincidentes, incluindo a "Sombra do Morcego", que ganhou o seu nome quando dados do Telescópio Espacial Hubble NASA/ESA obtidos em 2020 revelaram que "batia as asas", que se deslocava. Esta característica é visível no centro da imagem do Webb.
À direita da "Sombra do Morcego" encontra-se outra característica intrigante - uma fenda em forma de olho, que parece ser atravessada por uma estrela. No entanto, os astrónomos dizem que a aparência pode ser enganadora. Pode ser apenas o local onde gases de diferentes densidades estão sobrepostos uns aos outros, à semelhança do que se vê nos famosos Pilares da Criação.
E, para a direita, uma mancha extremamente escura pode ser uma ocorrência semelhante. Aqui, o gás e a poeira são tão densos em comparação com o resto da região que não há passagem de luz no infravermelho próximo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, K. Pontoppidan (JPL da NASA), J. Green (STScI)
 

Pela primeira vez, um fenómeno que os astrónomos há muito esperavam poder fotografar diretamente foi captado pelo instrumento NIRCam (Near-InfraRed Camera) do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Nesta espantosa imagem da Nebulosa da Serpente, a descoberta situa-se na zona norte desta região de formação estelar jovem e próxima.

Os astrónomos encontraram um grupo intrigante de fluxos protoestelares, formados quando jatos de gás provenientes de estrelas recém-nascidas colidem com gás e poeira a alta velocidade. Normalmente, estes objetos têm uma variedade de orientações dentro de uma região. Aqui, no entanto, estão todos inclinados na mesma direção, no mesmo grau, como granizo quando cai durante uma tempestade.

A descoberta destes objetos alinhados, só possível graças à excelente resolução espacial e sensibilidade do Webb nos comprimentos de onda do infravermelho próximo, está a fornecer informações fundamentais da forma como as estrelas nascem.

Como, então, é que o alinhamento dos jatos estelares se relaciona com a rotação da estrela? Quando uma nuvem interestelar de gás colapsa sobre si própria para formar uma estrela, gira mais depressa. A única forma de o gás continuar a mover-se para o interior é remover alguma da rotação (conhecida como momento angular). Forma-se um disco de material à volta da jovem estrela para transportar o material para baixo, como um redemoinho à volta de um dreno. Os rodopiantes campos magnéticos no disco interno lançam algum do material em jatos gémeos que disparam para fora em direções opostas, perpendiculares ao disco de material.

Na imagem do Webb, estes jatos são identificados por listras vermelhas e brilhantes, que são ondas de choque causadas quando o jato atinge o gás e a poeira circundantes. Aqui, a cor vermelha indica a presença de hidrogénio molecular e monóxido de carbono. O Webb consegue obter imagens destas estrelas extremamente jovens e dos seus fluxos, anteriormente obstruídos em comprimentos de onda óticos.

Os astrónomos dizem que existem algumas forças que podem potencialmente mudar a direção dos fluxos durante este período da vida de uma estrela jovem. Uma delas é quando estrelas binárias giram à volta uma da outra e oscilam em termos de orientação, alterando ao longo do tempo a direção dos fluxos.

 
Esta imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA mostra uma parte da Nebulosa da Serpente, onde os astrónomos descobriram um grupo de jatos protoestelares alinhados. Estes jatos são assinalados por listras brilhantes e irregulares que aparecem a vermelho, que são ondas de choque do jato que atingem o gás e a poeira circundantes. Aqui, a cor vermelha representa a presença de hidrogénio molecular e monóxido de carbono.
Tipicamente, estes objetos têm uma variedade de orientações dentro de uma região. Aqui, no entanto, estão todos inclinados na mesma direção, no mesmo grau, como granizo a cair durante uma tempestade.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, K. Pontoppidan (JPL da NASA), J. Green (STScI)
 

Estrelas da Nebulosa da Serpente

A Nebulosa da Serpente tem apenas um ou dois milhões de anos, o que é muito jovem em termos cósmicos. É também o lar de um enxame particularmente denso de estrelas recém-formadas (com cerca de 100.000 anos) no centro desta imagem, algumas das quais acabarão por atingir a massa do nosso Sol.

É uma nebulosa de reflexão, o que significa que é uma nuvem de gás e poeira que não cria a sua própria luz, mas que brilha ao refletir a luz de estrelas próximas ou no seu interior.

Assim, em toda a região da imagem, filamentos e "madeixas" de diferentes tonalidades representam a luz estelar refletida de protoestrelas ainda em formação no interior da nuvem. Nalgumas áreas há poeira em frente da reflexão, que aparece aqui numa tonalidade laranja e difusa.

Esta região tem sido palco de outras descobertas coincidentes, incluindo a "Sombra do Morcego", que ganhou o seu nome quando dados do Telescópio Espacial Hubble NASA/ESA obtidos em 2020 revelaram que "batia as asas", que se deslocava. Esta característica é visível no centro da imagem do Webb.

Estudos futuros

A espantosa imagem e a descoberta fortuita dos objetos alinhados são, na verdade, apenas o primeiro passo deste programa científico. A equipa vai agora utilizar o NIRSpec (Near-InfraRed Spectrograph) do Webb para investigar a composição química da nuvem.

Os astrónomos estão interessados em determinar como os elementos químicos voláteis sobrevivem à formação das estrelas e dos planetas. Os voláteis são compostos que sublimam, ou transitam de um estado sólido diretamente para um estado gasoso, a uma temperatura relativamente baixa - incluindo a água e o monóxido de carbono. Depois irão comparar as suas descobertas com as quantidades encontradas em discos protoplanetários de estrelas de tipo semelhante.

Estas observações foram efetuadas no âmbito do programa 1611 do Webb GO (General Observer). Os resultados iniciais da equipa foram publicados na revista The Astrophysical Journal.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Space Sparks ep. 14 - primeira deteção do seu tipo, numa nova imagem do Webb (HubbleWebbESA via YouTube)
// Ampliando até à Nebulosa da Serpente (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

Nebulosa de reflexão:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Cientistas avistam companheiras "escondidas" de estrelas brilhantes
 
Impressão de artista de uma anã castanha a orbitar perto de uma estrela brilhante.
Crédito: ESA
 

A deteção de objetos ténues perto de estrelas brilhantes é incrivelmente difícil. No entanto, ao combinar dados do telescópio espacial Gaia da ESA com o instrumento GRAVITY do ESO no solo, os cientistas conseguiram exatamente isso. Capturaram os primeiros sinais da luz de ténues companheiras de oito estrelas luminosas, até agora invisíveis. A técnica abre a possibilidade tentadora de captar imagens de planetas que orbitam perto das suas estrelas hospedeiras.

Já alguma vez tentou fotografar um pirilampo junto a um candeeiro de rua? O mais provável é que tudo o que veja na sua fotografia seja o brilho do candeeiro. Este é o mesmo problema com que se deparam os astrónomos que procuram estrelas ténues e pequenas ou planetas junto a uma estrela brilhante.

Para resolver o problema, uma equipa internacional de astrónomos liderada por Thomas Winterhalder, cientista do ESO, começou por pesquisar o catálogo produzido pelo Gaia, que lista centenas de milhares de estrelas que se suspeita terem uma companheira. Embora os objetos companheiros não sejam suficientemente brilhantes para serem vistos diretamente pelo Gaia, a sua presença provoca pequenas oscilações nas trajetórias das estrelas hospedeiras mais luminosas, que só o Gaia consegue medir.

No catálogo de órbitas estelares do Gaia, a equipa identificou oito estrelas que foram alvo do GRAVITY, o interferómetro avançado para o infravermelho próximo do VLT (Very Large Telescope) do ESO, em Cerro Paranal, no Chile. O GRAVITY combina luz infravermelha de diferentes telescópios para captar pequenos detalhes em objetos ténues, numa técnica chamada interferometria.

Jackpot

Graças ao olho excecionalmente afiado e sensível do GRAVITY, a equipa captou o sinal luminoso de todas as oito companheiras previstas, sete das quais eram previamente desconhecidas. Três das companheiras são estrelas muito pequenas e ténues, enquanto as outras cinco são anãs castanhas. Estas são objetos celestes que se situam entre os planetas e as estrelas: mais massivas do que os planetas mais pesados, mas mais leves e mais ténues do que as estrelas mais leves.

Uma das anãs castanhas detetadas neste estudo orbita a sua estrela hospedeira à mesma distância que a Terra orbita o Sol. Esta é a primeira vez que uma anã castanha tão próxima da sua estrela hospedeira pode ser captada diretamente.

"Demonstrámos que é possível captar uma imagem de uma companheira ténue, mesmo quando orbita muito perto da sua brilhante hospedeira", explica Thomas. "Este feito realça a notável sinergia entre o Gaia e o GRAVITY. Só o Gaia pode identificar sistemas tão íntimos que albergam uma estrela e uma companheira 'escondida', e depois o GRAVITY pode assumir o controlo para obter imagens do objeto mais pequeno e mais ténue com uma precisão sem precedentes."

Num estudo anterior, os astrónomos utilizaram os dados do Gaia e de um observatório terrestre diferente para captar a imagem de um exoplaneta gasoso gigante. Este planeta orbita a sua estrela hospedeira a cerca de 17 vezes a distância da Terra ao Sol, traçando um ângulo no céu consideravelmente mais largo do que a separação típica das companheiras fotografadas pelo GRAVITY neste novo resultado.

As pequenas companheiras inferidas a partir das observações Gaia situam-se tipicamente em ângulos de separação minúsculos, de algumas dezenas de miliarcosegundos, o que corresponde ao tamanho de uma moeda de um euro vista a 100 km de distância.

"Nas nossas observações, os dados do Gaia atuam como uma espécie de placa de sinalização", continua Thomas. "A parte do céu que podemos ver com o GRAVITY é muito pequena, por isso precisamos de saber para onde olhar. As medições precisas e sem paralelo do Gaia, no que toca aos movimentos e posições das estrelas, são essenciais para apontar o nosso instrumento na direção certa no céu".

Equipa de sonho

 
Ilustração do satélite Gaia da ESA a observar a Via Láctea. A imagem de fundo do céu é compilada a partir de dados de mais de 1,8 mil milhões de estrelas. Mostra o brilho total e a cor das estrelas observadas pelo Gaia, divulgados como parte do EDR3 (Early Data Release 3) do Gaia em dezembro de 2020.
Crédito: satélite - ESA/ATG medialab; Via Láctea - ESA/Gaia/DPAC; reconhecimento - A. Moitinho
 

A complementaridade do Gaia e do GRAVITY vai além da utilização dos dados do telescópio espacial para planear observações de acompanhamento e permitir deteções. Ao combinar os dois conjuntos de dados, os cientistas conseguiram "pesar" os objetos celestes individuais separadamente e distinguir a massa da estrela hospedeira e a da respetiva companheira.

O GRAVITY também mediu o contraste entre a companheira e a estrela hospedeira numa série de comprimentos de onda infravermelhos. Em combinação com as estimativas da massa, este conhecimento permitiu à equipa avaliar a idade das companheiras. Surpreendentemente, duas das anãs castanhas revelaram-se menos luminosas do que seria de esperar dado o seu tamanho e idade. Uma possível explicação pode ser o facto das próprias anãs terem uma companheira ainda mais pequena.

À procura de exoplanetas

Tendo demonstrado o poder do conjunto Gaia-GRAVITY, os cientistas estão agora a procurar potenciais companheiros planetários das estrelas listadas no catálogo Gaia.

"A capacidade de detetar os pequenos movimentos de pares próximos no céu é única para a missão Gaia. O próximo catálogo, que será disponibilizado como parte do quarto lançamento de dados (DR4), conterá uma coleção ainda mais rica de estrelas com companheiras potencialmente mais pequenas", comenta Johannes Sahlmann, cientista Gaia da ESA. "Este resultado abre novos caminhos na procura de planetas na nossa Galáxia e promete-nos vislumbres de novos mundos distantes."

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
PHYSORG

Anãs castanhas:
Wikipedia
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia
VLTI (ESO)
GRAVITY (ESO)

 
   
Porque é que os cientistas estão intrigados com o ar nos tubos de amostras do rover Perseverance?
 
O rover Perseverance da NASA viu estes diabos de poeira a rodopiar pela superfície de Marte no dia 20 de julho de 2021. Os cientistas querem estudar o ar aprisionado em amostras que estão a ser recolhidas em tubos metálicos pelo Perseverance. Essas amostras de ar poderão ajudá-los a compreender melhor a atmosfera marciana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Os cientistas atmosféricos ficam um pouco mais entusiasmados com cada amostra rochosa que o rover Perseverance da NASA sela nos seus tubos de titânio, que estão a ser recolhidos para eventual entrega à Terra como parte da campanha MSR (Mars Sample Return). Até à data, foram recolhidas vinte e quatro amostras.

A maior parte dessas amostras consiste em núcleos de rocha ou rególito (rocha quebrada e poeira) que podem revelar informações importantes sobre a história do planeta e se a vida microbiana esteve presente há milhares de milhões de anos. Mas alguns cientistas estão igualmente entusiasmados com a perspetiva de estudar, nos tubos, o ar no espaço extra à volta do material rochoso.

Querem saber mais sobre a atmosfera marciana, que é composta maioritariamente por dióxido de carbono, mas que também pode incluir vestígios de outros gases que podem ter existido desde a formação do planeta.

"As amostras do ar de Marte dir-nos-ão não só mais sobre o clima e sobre a atmosfera atuais, mas também sobre como tem mudado ao longo do tempo", disse Brandi Carrier, cientista planetária do JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia. "Ajudar-nos-á a compreender como climas diferentes do nosso evoluem".

 
Esta imagem mostra um núcleo de rocha, com o tamanho aproximado de um pedaço de giz, num tubo de amostra alojado na broca do rover Perseverance da NASA. Assim que o rover sela o tubo, o ar fica preso no espaço extra - visto aqui no pequeno espaço vazio por cima da rocha.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

O valor do "espaço vazio"

Entre as amostras que podem ser trazidas para a Terra está um tubo cheio apenas com gás, colocado na superfície marciana como parte de um depósito de amostras. Mas a maior parte do gás da coleção do rover está no espaço vazio das amostras rochosas. Estas são únicas porque o gás estará a interagir com o material rochoso no interior dos tubos durante anos antes das amostras poderem ser abertas e analisadas em laboratórios na Terra. O que os cientistas recolherem destas amostras vai dar uma ideia da quantidade de vapor de água que paira perto da superfície marciana, um factor que determina a razão pela qual o gelo se forma onde se forma no planeta e como o ciclo da água em Marte tem evoluído ao longo do tempo.

Os cientistas também querem compreender melhor os gases vestigiais no ar de Marte. Os mais fascinantes, do ponto de vista científico, seriam a deteção de gases nobres (como o néon, o árgon e o xénon), que são tão pouco reativos que podem ter estado presentes, inalterados na atmosfera, desde a sua formação há milhares de milhões de anos. Se forem capturados, esses gases podem revelar se Marte começou com uma atmosfera (o antigo Marte tinha uma atmosfera muito mais espessa do que a atual, mas os cientistas não têm a certeza se esta esteve sempre presente ou se se desenvolveu mais tarde). Há também grandes questões sobre a comparação entre a atmosfera antiga do planeta e a da Terra primitiva.

Além disso, o espaço vazio permitiria avaliar o tamanho e a toxicidade das partículas de poeira - informação que ajudará os futuros astronautas em Marte.

"As amostras de gás têm muito para oferecer aos cientistas de Marte", disse Justin Simon, geoquímico do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, que faz parte de um grupo de mais de uma dúzia de especialistas internacionais que ajudam a decidir quais as amostras que o rover deve recolher. "Até os cientistas que não estudam Marte estariam interessados, porque isso vai lançar luz sobre a forma como os planetas se formam e evoluem."

 
Um tubo selado contendo uma amostra da superfície marciana recolhida pelo rover Perseverance da NASA, depois de ter sido depositado com outros tubos num "depósito de amostras". Outros tubos de amostras, cheios, estão armazenados no interior do rover.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Amostras de ar da Apollo

Em 2021, um grupo de investigadores planetários, incluindo cientistas da NASA, estudou o ar trazido da Lua num contentor de aço pelos astronautas da Apollo 17, cerca de 50 anos antes.

"As pessoas pensam que a Lua não tem ar, mas tem uma atmosfera muito ténue que interage com as rochas da superfície lunar ao longo do tempo", disse Simon, que estuda uma variedade de amostras planetárias no Centro Espacial Johnson. "Isto inclui os gases nobres que saem do interior da Lua e se acumulam na superfície lunar".

A forma como a equipa de Simon extraiu o gás para estudo é semelhante ao que poderia ser feito com as amostras de ar do rover Perseverance. Primeiro, colocaram o recipiente fechado numa caixa hermética. Depois, perfuraram o aço com uma agulha para extrair o gás para uma "armadilha fria" - essencialmente um tubo em forma de U que se estende para um líquido, como o azoto, com um ponto de congelação baixo. Ao alterar a temperatura do líquido, os cientistas capturaram alguns dos gases com pontos de congelação mais baixos no fundo da armadilha fria.

"Existem talvez 25 laboratórios no mundo que manipulam gases desta forma", disse Simon. Para além de ser utilizada para estudar a origem de materiais planetários, esta abordagem pode ser aplicada a gases de fontes termais e aos emitidos pelas paredes de vulcões ativos, acrescentou.

É claro que essas fontes fornecem muito mais gás do que o Perseverance tem nos seus tubos de amostragem. Mas se um único tubo não contiver gás suficiente para uma determinada experiência, os cientistas de Marte podem combinar gases de vários tubos para obter uma amostra agregada maior - mais uma forma de o espaço vazio oferecer uma oportunidade bónus para a ciência.

// NASA (comunicado de imprensa)
// As amostras marcianas do Perseverance (NASA)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
05/04/2024 - Rocha estudada pelo Perseverance personifica a razão pela qual o rover foi enviado para Marte
15/12/2023 - Rover Perseverance decifra a história antiga de lago marciano
03/10/2023 - Perseverance filma um diabo de poeira marciano
08/09/2023 - Experiência de produção de oxigénio, MOXIE, conclui a sua missão marciana
07/02/2023 - Investigadores completam primeiro estudo, no mundo real, da dinâmica da poeira levantada pelo Ingenuity
03/02/2023 - Rover Perseverance completa depósito de amostras marcianas
27/12/2022 - Rover Perseverance deposita a sua primeira amostra à superfície de Marte
16/12/2022 - Cientistas gravam pela primeira vez o som de um diabo de poeira marciano
09/12/2022 - Rover Perseverance recolhe amostras de poeira marciana
29/11/2022 - Rover Perseverance deteta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida
01/11/2022 - Os cientistas escolheram as primeiras amostras marcianas dignas de viajarem para a Terra
20/09/2022 - Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte
30/08/2022 - Rover Perseverance faz novas descobertas na Cratera Jezero
15/07/2022 - Perseverance explora locais de aterragem para a campanha MSR
07/06/2022 - Rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero
29/04/2022 - Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Notícias relacionadas:
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Rover Perseverance:
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MSR (Mars Sample Return):
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Marte:
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  O vento dos buracos negros pode influenciar o desenvolvimento das galáxias circundantes (via Universidade de Wisconsin-Madison)
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  Os sismos marcianos podem ajudar a revelar se existe água líquida no subsolo do Planeta Vermelho (via Universidade do Estado da Pensilvânia)
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  Na busca por uma segunda Terra, há que procurar planetas pequenos (via Universidade de Rochester)
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Álbum de fotografias
As Cores de Saturno, pela Cassini

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAJPLISSEquipa de Imagem da Cassini; processamento - Judy Schmidt
 
O que é que cria as cores de Saturno? A imagem de Saturno aqui apresentada exagera apenas ligeiramente o que um ser humano veria se estivesse a pairar perto do gigantesco "Senhor dos Anéis". A imagem foi obtida em 2005 pela sonda Cassini, que orbitou Saturno de 2004 a 2017. Aqui, os majestosos anéis aparecem diretamente apenas como uma linha curva, parecendo castanhos, em parte devido ao seu brilho infravermelho. Os anéis mostram melhor a sua complexa estrutura nas sombras escuras que criam na parte superior do planeta. O hemisfério norte de Saturno pode parecer parcialmente azul pela mesma razão que os céus da Terra podem parecer azuis - as moléculas nas porções sem nuvens das atmosferas de ambos os planetas são melhores a dispersar a luz azul do que a vermelha. No entanto, quando se olha profundamente para as nuvens de Saturno, a tonalidade dourada natural das nuvens de Saturno torna-se dominante. Não se sabe porque é que o hemisfério sul de Saturno não mostra a mesma tonalidade azul - uma hipótese diz que as nuvens, aí, são mais altas. Também não se sabe porque é que algumas das nuvens de Saturno são douradas.
 
   
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