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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #2035  
  08/09 a 11/09/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 08/09: 251.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos. 

Em 1967, lançamento da sonda Surveyor 5. Aterrou no Mar da Tranquilidade 3 dias depois e enviou mais de 19.000 imagens para a Terra. 
Em 1999, passagem mais próxima do asteroide 699 Hela pela Terra (0,644 UA). 
Em 2000, lançamento da missão STS-106 do vaivém Atlantis
Em 2004, a sonda Genesis da NASA colide com a Terra quando o seu pára-quedas falha em abrir.
Em 2016, a NASA lança a OSIRIS-REx, a primeira missão de recolha de amostras de um asteroide da agência espacial. A sonda visitou 101955 Bennu e espera-se que regresse este mês de setembro de 2023 à Terra com amostras do astro.
HOJE, NO COSMOS:
Com setembro já bem encaminhado, o Grande Quadrado de Pégaso encontra-se já razoavelmente alto a este após o cair da noite, apoiado num canto.
Do canto esquerdo do Grande Quadrado estende-se uma grande linha de três estrelas de segunda magnitude, dirigindo-se para baixo à esquerda, que assinalam a cabeça, a espinha dorsal e a perna da constelação de Andrómeda (a linha de três inclui o canto do Quadrado, a sua cabeça). Para cima e para a esquerda do pé desta linha, encontra-se Cassiopeia, em forma de W, inclinada para cima.

 

DIA 09/09: 252.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
HOJE, NO COSMOS:
Com a Lua fora do céu (pelo menos durante as primeiras horas de escuridão), é uma boa altura para observar a Via Láctea sob um céu escuro. Quando Deneb atravessa o zénite (duas horas depois de Vega), também o faz a Via Láctea - correndo para cima desde o horizonte a sudoeste e descendo para o horizonte a nordeste.

 

DIA 10/09: 253.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.

Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteroide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce por volta das 3 da manhã, muito perto de Castor e de Pollux. Ao amanhecer estão alinhados verticalmente a este.

 

DIA 11/09: 254.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

HOJE, NO COSMOS:
Por volta das 23 horas, dois dos mais bem conhecidos do céu profundo estão bem visíveis: o enxame duplo de Perseu (logo abaixo de Cassiopeia) e a Grande Galáxia de Andrómeda (M31). Sabia que estão separados por apenas 22º?
Estão ambos catalogados como sendo de 4.ª magnitude, mas a olho nu parecem bastante diferentes, tanto mais quanto mais escuro for o céu. O céu tem demasiado poluição luminosa? Use binóculos!
Os dois enxames de Perseu, NGC 869 e NGC 884, estão a distâncias muito semelhantes, a cerca de 7600 anos-luz. M31, a 2,5 milhões de anos-luz, está cerca de 330 vezes mais longe.

 
 
   
A deteção mais distante do campo magnético de uma galáxia
 
Esta imagem mostra a orientação do campo magnético da galáxia distante 9io9, observada quando o Universo tinha apenas 20% da sua idade atual — a deteção mais distante do campo magnético de uma galáxia. As observações foram obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro. Os grãos de poeira no seio de 9io9 estão mais ou menos alinhados com o campo magnético da galáxia e, por isso, emitem luz polarizada, o que significa que as ondas de luz oscilam segundo uma direção privilegiada, em vez de aleatória. O ALMA detetou esta polarização, a partir da qual os astrónomos puderam determinar a orientação do campo magnético, que aqui mostramos como linhas curvas sobrepostas à imagem ALMA.
A luz polarizada emitida pela poeira magneticamente alinhada de 9io9 era extremamente fraca, representando apenas 1% do brilho total da galáxia, no entanto os astrónomos usaram um "truque" da natureza para obter este resultado: uma lente gravitacional. Apesar de 9io9 estar muito longe de nós, a sua luz aparece-nos distorcida e muito mais brilhante, uma vez que se curva por efeito da gravidade de um objeto muito maior que se encontra entre ela e a Terra.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/J. Geach et al.
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos detetaram o campo magnético de uma galáxia tão distante que a sua luz demorou mais de 11 mil milhões de anos a chegar até nós: estamos a observá-la quando o Universo tinha apenas 2,5 mil milhões de anos de idade. Este resultado forneceu aos astrónomos pistas cruciais sobre como é que se formaram os campos magnéticos de galáxias tais como a nossa Via Láctea.

Há imensos objetos no Universo que apresentam campos magnéticos, sejam eles planetas, estrelas ou galáxias. "As pessoas podem não se aperceber, mas na nossa Galáxia e noutras galáxias entrelaçam-se campos magnéticos com dimensões da ordem das dezenas de milhares de anos-luz," diz James Geach, professor de astrofísica na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e autor principal deste estudo publicado na revista Nature.

"Na realidade, sabemos muito pouco relativamente à formação destes campos magnéticos, apesar de serem fundamentais para compreendermos a evolução galáctica," acrescenta Enrique Lopez Rodriguez, investigador na Universidade de Stanford, EUA, que também participou no estudo. Não é claro quão cedo na vida do Universo, e quão rápido, é que os campos magnéticos se formaram nas galáxias, isto porque, até agora, os astrónomos apenas tinham mapeado campos magnéticos em galáxias próximas.

Agora, e com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é um parceiro, Geach e a sua equipa descobriram um campo magnético completamente formado numa galáxia distante, semelhante em estrutura àqueles observados em galáxias próximas. O campo é cerca de mil vezes mais fraco do que o campo magnético da Terra, mas estende-se ao longo de mais de 16.000 anos-luz.

"Esta descoberta dá-nos novas pistas sobre como é que os campos magnéticos se formam à escala galáctica," explica Geach. A observação de um campo magnético completamente desenvolvido tão cedo na história do Universo indica que os campos magnéticos que englobam galáxias inteiras podem formar-se rapidamente na altura em que as galáxias jovens ainda se estão a desenvolver.

 
Esta imagem infravermelha mostra a galáxia distante 9io9, que aqui vemos como um arco avermelhado que se curva em torno de uma galáxia brilhante próxima de nós. Esta galáxia próxima atua como uma lente gravitacional: a sua massa curva o espaço-tempo à sua volta, curvando assim os raios de luz que nos chegam de 9io9, que está ao fundo e, por isso, nos aparece com esta forma distorcida.
Esta imagem colorida resulta da combinação de imagens infravermelhas obtidas com o telescópio VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO, no Chile, e com o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), nos EUA.
Crédito: ESO/J. Geach et al.
 

A equipa pensa que a formação estelar intensa no Universo primordial poderá acelerar o desenvolvimento de campos magnéticos. Adicionalmente, estes campos podem, por sua vez, influenciar o modo como se formam as gerações seguintes de estrelas. Rob Ivison, coautor do trabalho e astrónomo do ESO, afirma que esta descoberta abre "uma nova janela para o funcionamento interno das galáxias, uma vez que os campos magnéticos estão ligados ao material que está a formar novas estrelas."

Para fazer esta deteção, a equipa observou a radiação emitida por grãos de poeira de uma galáxia distante, 9io9. As galáxias estão repletas de grãos de poeira e quando um campo magnético se encontra presente, estes grãos tendem a alinhar-se, fazendo com que a radiação que emitem seja polarizada. Isto significa que as ondas de luz oscilam segundo uma direção privilegiada, em vez de aleatória. Quando o ALMA detetou e mapeou um sinal polarizado emitido pela galáxia 9io9, confirmou-se pela primeira vez a presença de um campo magnético numa galáxia muito distante.

"Nenhum outro telescópio teria conseguido fazer esta observação," diz Geach. A esperança é que com esta e outras observações futuras de campos magnéticos distantes, começaremos a desvendar o mistério da formação destas estruturas galácticas fundamentais.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 267 Light: O campo magnético galáctico mais distante (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Science Alert
PHYSORG
ScienceDaily
Gizmodo

Galáxia 9io9:
Simbad
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
   
Descoberta uma vasta bolha de galáxias, a que foi dado um nome havaiano
 
Ilustração de Ho'oleilana. A região vermelha (à esquerda) mostra a concha fechada com galáxias individuais representadas como pequenas manchas luminosas (ver versão legendada).
Crédito: Frédéric Durillon, Animea Studio; Daniel Pomarède, IRFU, Universidade CEA Paris-Saclay
 

Uma equipa liderada pela Universidade do Hawaii (UH) descobriu uma imensa bolha a 820 milhões de anos-luz da Terra, que se pensa ser um fóssil remanescente do nascimento do Universo. O astrónomo Brent Tully, do Instituto de Astronomia da UH, e a sua equipa encontraram inesperadamente a bolha no interior de uma rede de galáxias. A entidade recebeu o nome de Ho'oleilana, um termo retirado do Kumulipo, um cântico de criação havaiano.

As novas descobertas, publicadas na revista The Astrophysical Journal, mencionam que estas estruturas massivas são previstas pela teoria do Big Bang, como resultado de ondulações 3D encontradas no material do Universo primitivo, conhecidas como Oscilações Acústicas de Bariões (OABs).

"Não estávamos à procura disto. É tão grande que se estende até aos limites do sector do céu que estávamos a analisar", explicou Tully. "Como um aumento na densidade das galáxias, é uma caraterística muito mais forte do que o esperado. O diâmetro muito grande de mil milhões de anos-luz está para além das expetativas teóricas. Se a sua formação e evolução estiverem de acordo com a teoria, esta OAB está mais próxima do que o previsto, o que implica um valor elevado para o ritmo de expansão do Universo."

Os astrónomos localizaram a bolha usando dados do Cosmicflows-4, que é, até à data, a maior compilação de distâncias precisas de galáxias. Tully copublicou o catálogo excecional no outono de 2022. A sua equipa de investigadores pensa que esta pode ser a primeira vez que os astrónomos identificaram uma estrutura individual associada a uma OAB. A descoberta poderá ajudar a reforçar o conhecimento dos cientistas sobre os efeitos da evolução das galáxias.

Enormes bolhas de matéria

Na teoria bem estabelecida do Big Bang, durante os primeiros 400.000 anos, o Universo é um caldeirão de plasma quente semelhante ao interior do Sol. No interior de um plasma, os eletrões separaram-se dos núcleos atómicos. Durante este período, as regiões com densidade ligeiramente superior começaram a colapsar sob a ação da gravidade, mesmo quando o intenso banho de radiação tentava separar a matéria. Esta luta entre a gravidade e a radiação fez com que o plasma oscilasse ou ondulasse e se espalhasse para fora.

As maiores ondulações no Universo primitivo dependiam da distância que uma onda sonora podia percorrer. Estabelecida pela velocidade do som no plasma, esta distância era de quase 500 milhões de anos-luz e foi fixada quando o Universo arrefeceu e deixou de ser um plasma, deixando vastas ondulações tridimensionais. Ao longo das eras, as galáxias formaram-se nos picos de densidade, em enormes estruturas semelhantes a bolhas. Os padrões na distribuição das galáxias, devidamente discernidos, poderiam revelar as propriedades destes antigos mensageiros.

"Eu sou o cartógrafo do grupo e mapear Ho'oleilana em três dimensões ajuda-nos a compreender o seu conteúdo e a sua relação com o meio envolvente", disse o investigador Daniel Pomarede, da Universidade CEA Paris-Saclay, na França. "Foi um processo espantoso construir este mapa e ver como a estrutura da concha gigante de Ho'oleilana é composta por elementos que foram identificados no passado como sendo eles próprios algumas das maiores estruturas do universo."

Esta mesma equipa de investigadores também identificou o Superenxame de Laniākea em 2014. Essa estrutura, que inclui a Via Láctea, é pequena em comparação. Estendendo-se a um diâmetro de cerca de 500 milhões de anos-luz, Laniākea prolonga-se até à orla desta bolha muito maior.

Descobrindo uma única OAB

A equipa de Tully descobriu que Ho'oleilana tinha sido assinalada num trabalho de investigação de 2016 como a mais proeminente de várias estruturas semelhantes a conchas observadas no SDSS (Sloan Digital Sky Survey). No entanto, o trabalho anterior não revelou toda a extensão da estrutura e essa equipa não concluiu que tinha encontrado uma OAB.

Usando o catálogo Cosmicflows-4, os investigadores foram capazes de ver uma concha esférica completa de galáxias, de identificar o seu centro e de mostrar que há um aumento estatístico na densidade de galáxias em todas as direções a partir desse centro. Ho'oleilana engloba muitas estruturas bem conhecidas anteriormente encontradas pelos astrónomos, como a Grande Muralha [de Harvard/Smithsonian] que contém o Enxame de Coma, o Enxame de Hércules e a Grande Muralha Sloan. O Superenxame de Boieiro reside no seu centro. O histórico Vazio de Boieiro, uma enorme região esférica vazia, encontra-se no interior de Ho'oleilana.

// Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
// Universidade de Queensland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Ho'oleilana - Uma Oscilação Acústica de Bariões (Daniel Pomarède via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
ScienceDaily

OABs (Oscilações Acústicas de Bariões):
NASA
Wikipedia

Superenxame de Laniākea:
Wikipedia

Grande Muralha [de Harvard/Smithsonian]:
Wikipedia

Enxame de Coma:
Wikipedia

Enxame de Hércules:
Wikipedia

Grande Muralha Sloan:
Wikipedia

Vazio de Boieiro:
Wikipedia

 
   
Experiência de produção de oxigénio, MOXIE, conclui a sua missão marciana
 
A experiência MOXIE (Mars Oxygen In-situ Resource Utilization Experiment) é colocada no chassis do rover Perseverance da NASA em 2019. Durante a missão, o instrumento MOXIE extraiu oxigénio da atmosfera marciana 16 vezes, testando uma forma de os futuros astronautas poderem fabricar o combustível do foguetão que os lançaria de volta à Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Quando os primeiros astronautas aterrarem em Marte, poderão ter de agradecer aos descendentes de um aparelho do tamanho de um micro-ondas pelo ar que respiram e pelo combustível do foguetão que os levará para casa. Esse aparelho, chamado MOXIE (Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment), gerou oxigénio pela 16.ª e última vez a bordo do rover Perseverance da NASA. Depois do instrumento se ter revelado muito mais bem-sucedido do que os seus criadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) esperavam, as suas operações estão a terminar.

"O desempenho impressionante do MOXIE mostra que é possível extrair oxigénio da atmosfera de Marte - oxigénio que poderia ajudar a fornecer ar respirável ou combustível para foguetões aos futuros astronautas", disse a administradora adjunta da NASA, Pam Melroy. "O desenvolvimento de tecnologias que nos permitam utilizar recursos na Lua e em Marte é fundamental para construir uma presença lunar a longo prazo, criar uma economia lunar robusta e permitir-nos apoiar uma primeira campanha de exploração humana a Marte."

Desde que o Perseverance aterrou em Marte em 2021, o MOXIE gerou um total de 122 gramas de oxigénio - aproximadamente o que um cão pequeno respira em 10 horas. No seu estado mais eficiente, o MOXIE foi capaz de produzir 12 gramas de oxigénio por hora - o dobro dos objetivos originais da NASA para o instrumento - com 98% de pureza ou mais. Na sua 16.ª experiência, a 7 de agosto, o instrumento produziu 9,8 gramas de oxigénio. O MOXIE cumpriu com sucesso todos os seus requisitos técnicos e funcionou numa variedade de condições durante um ano completo em Marte, permitindo aos criadores do instrumento aprender muito sobre a tecnologia.

"Estamos orgulhosos por termos apoiado uma tecnologia inovadora como o MOXIE, que pode transformar recursos locais em produtos úteis para futuras missões de exploração", disse Trudy Kortes, diretora de demonstrações tecnológicas do STMD (Space Technology Mission Directorate) na sede da NASA em Washington, que financia a demonstração do MOXIE. "Ao provar esta tecnologia em condições reais, aproximamo-nos de um futuro em que os astronautas 'viverão da terra' no Planeta Vermelho."

O MOXIE produz oxigénio molecular através de um processo eletroquímico que separa um átomo de oxigénio de cada molécula de dióxido de carbono bombeado da fina atmosfera de Marte. À medida que estes gases passam pelo sistema, são analisados para verificar a pureza e a quantidade do oxigénio produzido.

O primeiro do género

Ao passo que muitas das experiências do Perseverance abordam os objetivos científicos primários da missão, o instrumento MOXIE centrou-se na futura exploração humana. O MOXIE serviu como a primeira demonstração de sempre de tecnologia que os humanos poderiam utilizar para sobreviver no Planeta Vermelho e para sair dele. Um sistema de produção de oxigénio poderia ajudar as futuras missões de várias formas, mas a mais importante seria como fonte de propulsor de foguetões, que seria necessário em quantidades industriais para lançar foguetões com astronautas para a sua viagem de regresso a casa.

Em vez de levarem grandes quantidades de oxigénio para Marte, os futuros astronautas poderiam viver da terra, utilizando materiais que encontrassem na superfície do planeta para sobreviver. Este conceito - denominado ISRU (in-situ resource utilization) - evoluiu para uma área de investigação em crescimento.

"O MOXIE serviu claramente de inspiração para a comunidade ISRU", disse o investigador principal do instrumento, Michael Hecht do MIT. "Mostrou que a NASA está disposta a investir neste tipo de tecnologias futuras. E tem sido um porta-estandarte que tem influenciado a excitante indústria dos recursos espaciais."

Foco no futuro

O próximo passo não será a construção do MOXIE 2.0 - embora Hecht e a sua equipa tenham aprendido muito sobre como conceber uma versão mais eficiente do instrumento. Em vez disso, seria criar um sistema à escala real que incluísse um gerador de oxigénio como o MOXIE e uma forma de liquefazer e armazenar esse oxigénio.

Mas, acima de tudo, Hecht gostaria que outras tecnologias tivessem a sua vez em Marte. "Temos de tomar decisões sobre as coisas que precisam de ser validadas em Marte", disse Hecht. "Penso que há muitas tecnologias nessa lista; estou muito satisfeito por o MOXIE ter sido o primeiro."

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
07/02/2023 - Investigadores completam primeiro estudo, no mundo real, da dinâmica da poeira levantada pelo Ingenuity
03/02/2023 - Rover Perseverance completa depósito de amostras marcianas
27/12/2022 - Rover Perseverance deposita a sua primeira amostra à superfície de Marte
16/12/2022 - Cientistas gravam pela primeira vez o som de um diabo de poeira marciano
09/12/2022 - Rover Perseverance recolhe amostras de poeira marciana
29/11/2022 - Rover Perseverance deteta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida
01/11/2022 - Os cientistas escolheram as primeiras amostras marcianas dignas de viajarem para a Terra
20/09/2022 - Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte
30/08/2022 - Rover Perseverance faz novas descobertas na Cratera Jezero
15/07/2022 - Perseverance explora locais de aterragem para a campanha MSR
07/06/2022 - Rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero
29/04/2022 - Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Rover Perseverance:
NASA
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Instrumento MOXIE (NASA)
Instrumento MOXIE (Wikipedia)

Marte:
CCVAlg - Astronomia
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  JAXA e NASA lançam a missão XRISM (via NASA)
A missão XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy) da JAXA (agência espacial japonesa) e da NASA levantou voo num foguetão H-IIA a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, às 00:42 de 7 de setembro de 2023. O lançamento bem-sucedido marca o início de uma ambiciosa missão para explorar o crescimento dos enxames de galáxias, a composição química do Universo e os extremos do espaço-tempo. Ler fonte
     
  "Hack" de câmara permite que a Solar Orbiter observe mais profundamente a atmosfera do Sol (via ESA)
Os cientistas utilizaram a câmara EUI da Solar Orbiter num novo modo de funcionamento para registar uma parte da atmosfera do Sol em comprimentos de onda ultravioleta extremos que, até agora, era quase impossível de captar. Este novo modo de funcionamento foi possível graças a um "hack" de última hora da câmara e influenciará quase certamente novos instrumentos solares para futuras missões. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Cisne: Bolha e Crescente

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Abdullah Al-Harbi
 
Quando as estrelas morrem, criam nuvens. Duas nuvens, remanescentes estelares de gás e poeira, podem ser encontradas na direção da constelação de Cisne, à medida que se deslocam através de ricos campos de estrelas no plano da nossa Galáxia, a Via Láctea. Apanhadas neste campo de visão telescópico estão a Bolha de Sabão (em baixo à esquerda) e a Nebulosa Crescente (em cima à direita). Ambas se formaram na fase final da vida de uma estrela. Também conhecida como NGC 6888, a Nebulosa Crescente foi formada quando a sua estrela central Wolf-Rayet, brilhante e massiva, WR 136, libertou o seu invólucro exterior num forte vento estelar. Queimando combustível a um ritmo prodigioso, WR 136 está perto do fim de uma vida curta que deverá terminar com uma espetacular explosão de supernova. Descoberta em 2013, a Nebulosa da Bolha de Sabão é provavelmente uma nebulosa planetária, o último manto de uma estrela de baixa massa, de vida longa, semelhante ao Sol, destinada a tornar-se uma anã branca que arrefece lentamente. Ambas as nebulosas estelares estão a cerca de 5000 anos-luz de distância, com a Nebulosa Crescente, que é maior, a ter cerca de 25 anos-luz de diâmetro. Dentro de alguns milhões de anos, ambas se terão provavelmente dispersado.
 
   
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