DIA 05/04: 96.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares.
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.
O objetivo desta missão era obter medições raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
Em 2010, o vaivém espacial Discovery é lançado na missão STS-131 para reabastecer a ISS. HOJE, NO COSMOS:
Depois da hora de jantar, nesta altura do ano, Arcturo, a brilhante Estrela da Primavera subindo a este, está praticamente à mesma altura que Sirius, a brilhante Estrela de Inverno, descendo a sudoeste (para observadores a latitudes médias norte).
Estas são as duas estrelas mais brilhante do céu noturno de momento. Mas Capella fica muito perto em termos de brilho! Aviste-a alta a noroeste.
DIA 06/04: 97.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.
A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, a supernova do Tipo II foi designada SN 1993J, a décima supernova do ano. HOJE, NO COSMOS:
As duas estrelas dos Cães ficam verticalmente alinhadas ao anoitecer. Sirius, em Cão Maior, é a estrela mais abaixo, e Procyon, de Cão Menor, está para cima.
Quando é que aparecem
exatamente na vertical?
DIA 07/04: 98.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação.
Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione. HOJE, NO COSMOS:
Bem acima da Ursa Maior por estas noites, passando perto do zénite, estão três pares de estrelas ténues mas visíveis a olho nu, todas de magnitude três ou quatro, que assinalam os pés da Ursa. São também conhecidas como os "Três Saltos da Gazela" na mitologia árabe. Formam uma linha longa este-oeste mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e a "foice" de Leão.
De acordo com a mitologia árabe, a gazela estava a beber num lago - o ténue mas grande enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu quando assustada pelo movimento da cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não estar ao corrente da sua potencial presa; está a olhar para o outro lado.
DIA 08/04: 99.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.
A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objetivos primários e secundários foram atingidos.
Em 1993, lançamento da missão STS-56 do vaivém Discovery.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço. HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 19:21.
Eclipse solar total não visível de Portugal (visível na América do Norte).
Webb estuda galáxia repleta de estrelas recém-nascidas
A galáxia "starburst" M82 foi observada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 2006, que mostrou o disco espiral da galáxia, nuvens retalhadas e hidrogénio gasoso quente. O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA observou o núcleo de M82, captando com um detalhe sem precedentes a estrutura do vento galáctico e caracterizando estrelas individuais e enxames de estrelas.
A imagem Webb foi obtida pelo seu instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera). Os filamentos vermelhos traçam a forma da componente fria do vento galáctico através dos HAPs (Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos). Os HAPs são grãos de poeira muito pequenos que sobrevivem a temperaturas mais frias mas são destruídos em condições quentes. A estrutura da emissão é semelhante à do gás ionizado, sugerindo que os HAPs podem ser reabastecidos a partir de material molecular mais frio à medida que este é ionizado.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Bolatto (UMD)
O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA observou a galáxia Messier 82 (M82), um pequeno, mas poderoso ambiente que contém uma rápida formação estelar. Ao olhar mais atentamente com as sensíveis capacidades infravermelhas do Webb, uma equipa de cientistas estudou o núcleo da galáxia, obtendo uma melhor compreensão da maneira como está a formar estrelas e de como esta atividade extrema está a afetar a galáxia como um todo.
Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para observar a galáxia Messier 82 (M82). Localizada a 12 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Ursa Maior, esta galáxia tem um tamanho relativamente compacto, mas acolhe um frenesim de formação estelar. Para comparação, M82 produz novas estrelas 10 vezes mais depressa do que a nossa Galáxia, a Via Láctea.
A equipa utilizou o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb para observar o centro da galáxia "starburst" (ou com formação estelar explosiva), num olhar mais atento no que toca às condições físicas que favorecem a formação de novas estrelas.
"M82 tem sido objeto de várias observações ao longo dos anos porque pode ser considerada como o protótipo de uma galáxia 'starburst'", disse Alberto Bolatto, autor principal do estudo. "Os telescópios espaciais Spitzer e Hubble já observaram este alvo. Com o tamanho e a resolução do Webb, podemos olhar para esta galáxia com formação estelar explosiva e ver todos estes novos e belos pormenores."
A formação estelar continua a ser um relativo mistério porque está envolta em cortinas de gás e poeira, criando um obstáculo à observação do processo. Felizmente, a capacidade do Webb para observar no infravermelho é uma mais-valia na navegação destas condições obscuras. Além disso, as imagens NIRCam do centro da galáxia "starburst" foram obtidas usando um modo de instrumento que evitou que a fonte muito brilhante sobrecarregasse o detetor.
Esta imagem do instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb mostra o centro de M82 com um nível de detalhe sem precedentes. Com a resolução do Webb, os astrónomos podem distinguir fontes compactas pequenas e brilhantes que são estrelas individuais ou enxames de estrelas. A obtenção de uma contagem exata das estrelas e enxames que compõem o centro de M82 pode ajudar os astrónomos a compreender as diferentes fases da formação estelar e a cronologia de cada etapa.
Nesta imagem, a luz a 2,12 micrómetros é vermelha, a 1,64 micrómetros verde e a 1,40 micrómetros azul (filtros F212N, 164N e F140M, respetivamente).
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Bolatto (UMD)
Apesar de, mesmo na imagem infravermelha, se verem "gavinhas" de poeira castanhas escuras no brilhante núcleo esbranquiçado de M82, o NIRCam do Webb revelou um nível de detalhe que historicamente estava escondido. Olhando mais detalhadamente para o centro, pequenas manchas representadas a verde denotam áreas concentradas de ferro, a maioria das quais são remanescentes de supernova. Pequenas manchas que aparecem a vermelho significam regiões onde o hidrogénio molecular está a ser iluminado pela radiação de uma estrela jovem próxima.
"Esta imagem mostra o poder do Webb", disse Rebecca Levy, segunda autora do estudo, da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. "Cada ponto branco nesta imagem é uma estrela ou um enxame de estrelas. Podemos começar a distinguir todas estas pequenas fontes pontuais, o que nos permite obter uma contagem exata de todos os enxames de estrelas desta galáxia."
Observando M82 em comprimentos de onda infravermelhos ligeiramente mais longos, podem ser vistas "gavinhas" grossas representadas a vermelho que se estendem acima e abaixo do plano da galáxia. Estas serpentinas de gás são o vento galáctico que sai do núcleo da galáxia com formação estelar explosiva.
Os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para olhar para o centro de M82, onde um vento galáctico está a ser lançado como resultado da rápida formação de estrelas e subsequentes supernovas. O estudo do vento galáctico pode dar uma ideia de como a perda de gás molda o futuro crescimento da galáxia.
Esta imagem do instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb mostra o vento galáctico de M82 através da emissão de moléculas químicas fuliginosas conhecidas como HAPs (Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos). Os HAPs são grãos de poeira muito pequenos que sobrevivem a temperaturas mais frias mas são destruídos em condições quentes. A estrutura da emissão assemelha-se à do gás quente e ionizado, sugerindo que os HAPs podem ser reabastecidos pela ionização contínua do gás molecular.
Nesta imagem, a luz a 3,35 micrómetros é vermelha, a 2,50 micrómetros verde e a 1,64 micrómetros azul (filtros F335M, F250M e F164N, respetivamente).
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Bolatto (UMD)
Uma das áreas de interesse desta equipa de investigação era compreender como é que este vento galáctico, que é causado pela rápida formação estelar e subsequentes supernovas, está a ser lançado e a influenciar o ambiente que o rodeia. Ao observar uma secção central de M82, os cientistas puderam examinar a origem do vento e compreender como os componentes quentes e frios interagem no interior do vento.
O instrumento NIRCam do Webb traçou a estrutura do vento galáctico através da emissão de moléculas químicas fuliginosas conhecidas como HAPs (Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos). Os HAPs podem ser considerados como grãos de poeira muito pequenos que sobrevivem a temperaturas mais frias, mas são destruídos em condições quentes.
Para surpresa da equipa, a visão do Webb da emissão de HAPs realça a estrutura fina do vento galáctico - um aspeto anteriormente desconhecido. Representada como filamentos vermelhos, a emissão estende-se para longe da região central, onde se situa o coração da formação estelar. Outra descoberta inesperada foi a semelhança entre a estrutura da emissão de HAPs e a do gás quente e ionizado.
"Foi inesperado ver que a emissão de HAPs se assemelha a gás ionizado", disse Alberto. "Não é suposto os HAPs viverem muito tempo quando expostos a um campo de radiação tão forte, por isso talvez estejam sempre a ser reabastecidos. Isto desafia as nossas teorias e mostra-nos que é necessária mais investigação".
As observações de M82 pelo JWST, no infravermelho próximo, também suscitam outras questões sobre a formação de estrelas, algumas das quais a equipa espera responder com dados adicionais recolhidos com o mesmo telescópio espacial, incluindo os de outra galáxia "starburst". Dois outros artigos científicos desta equipa, que caracterizam os enxames estelares e as correlações entre os componentes do vento de M82, estão quase terminados.
Num futuro próximo, a equipa terá observações espetroscópicas de M82 pelo Webb prontas para análise, bem como imagens complementares em grande escala da galáxia e do seu vento. Os dados espetrais ajudarão os astrónomos a determinar idades exatas para os enxames estelares e darão uma ideia da duração de cada fase de formação estelar no ambiente de uma galáxia "starburst". Numa escala mais alargada, a inspeção da atividade em galáxias como M82 pode aprofundar a compreensão dos astrónomos acerca do Universo primitivo.
"Com estas fantásticas imagens do Webb, e os nossos próximos espectros, podemos estudar exatamente como os fortes ventos e as frentes de choque de estrelas jovens e supernovas podem remover o gás e a poeira a partir dos quais se formam as novas estrelas", disse Torsten Böker, da ESA, coautor do estudo. "Uma compreensão pormenorizada deste ciclo de 'feedback' é importante para as teorias sobre a evolução do Universo primitivo, porque galáxias 'starburst' compactas, como M82, eram muito comuns num alto desvio para o vermelho".
Estes resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.
ALMA desvenda os segredos químicos de uma galáxia "starburst"
Impressão de artista do centro da galáxia "starburst" NGC 253.
Crédito: NRAO/AUI/NSF
Os astrónomos observaram, com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o centro de uma galáxia relativamente próxima conhecida como NGC 253, que produz estrelas a um ritmo muito elevado. Com mais de 300 horas de observação, detetaram mais de uma centena de espécies moleculares, muito mais do que estudos anteriores fora da Via Láctea haviam detetado. A alta sensibilidade do ALMA detetou, com sucesso, moléculas que representam várias fases da evolução estelar na região central de NGC 253, e a alta resolução angular do ALMA resolveu os locais onde estas fases estão a ocorrer. Este tesouro de dados permitiu aos astrónomos compreender melhor a física e a química deste tipo de galáxia. A atualização da sensibilidade de banda larga, como parte do quadro de referência de desenvolvimento do ALMA para 2030, tornará as observações de frequência larga, como este estudo, muito mais eficientes. Os cientistas esperam que a compreensão do mecanismo de formação estelar explosiva avance através da observação simultânea de mais moléculas.
No Universo, algumas galáxias formam estrelas muito mais depressa do que a Via Láctea (a nossa Galáxia). Estas galáxias são chamadas galáxias "starburst" (ou com formação estelar explosiva). Os fenómenos de formação estelar explosiva não duram para sempre. Continua a ser um mistério como pode ocorrer exatamente uma formação tão prolífica de estrelas e como termina. A possibilidade de formação estelar depende das propriedades da matéria-prima a partir da qual as estrelas nascem, como o gás molecular, um material gasoso constituído por várias moléculas. Por exemplo, as estrelas formam-se em regiões densas no interior de nuvens moleculares, onde a gravidade pode atuar mais eficazmente. Algum tempo depois da formação ativa de estrelas, as estrelas existentes e as explosões de estrelas moribundas transmitem energia ao meio circundante, o que pode impedir a futura formação de estrelas. Estes processos físicos têm impacto na química da galáxia e imprimem uma assinatura na intensidade dos sinais das moléculas. Dado que cada molécula emite a frequências específicas, as observações numa vasta gama de frequências permitem analisar as propriedades físicas e dar uma ideia do mecanismo "starburst".
Os astrónomos obtiveram uma nova compreensão dos fenómenos relacionados com o nascimento de estrelas numa galáxia "starburst". Detetaram mais de uma centena de espécies moleculares no centro de uma galáxia com formação estelar explosiva, NGC 253, localizada a cerca de 10 milhões de anos-luz de distância. Esta matéria-prima química é a mais rica encontrada fora da Via Láctea e inclui moléculas que foram detetadas pela primeira vez fora da Via Láctea, como o etanol e o composto PN (nitreto de fósforo). As observações foram efetuadas utilizando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), um radiotelescópio no Chile. Este estudo foi realizado no âmbito do ALCHEMI (ALMA Comprehensive High-resolution Extragalactic Molecular Inventory), liderado por Sergio Martín do ESO/Observatório ALMA, Nanase Harada do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e Jeff Mangum do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).
Topo: espetros do estudo ALCHEMI.
Em baixo: imagem esquemática do centro da galáxia "starburst" NGC 253, descrevendo os locais onde várias espécies moleculares estão em destaque, de acordo com o estudo ALCHEMI.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), N. Harada et al.
Em primeiro lugar, este estudo descobriu que o gás molecular de alta densidade irá provavelmente promover a formação ativa de estrelas nesta galáxia. Cada molécula emite em múltiplas frequências, e a intensidade relativa e absoluta do seu sinal muda de acordo com a densidade e a temperatura. Ao analisar vários sinais de algumas espécies moleculares, a quantidade de gás denso no centro de NGC 253 revelou-se mais de dez vezes superior à do centro da Via Láctea, o que poderia explicar porque é que NGC 253 está a formar estrelas cerca de 30 vezes mais eficazmente, até com a mesma quantidade de gás molecular.
Um mecanismo que poderia ajudar à compressão de nuvens moleculares em nuvens mais densas é uma colisão entre essas nuvens. No centro de NGC 253, as colisões de nuvens ocorrem provavelmente onde os fluxos de gás e estrelas se cruzam, gerando ondas de choque que viajam a velocidades supersónicas. Estas ondas de choque evaporam moléculas como o metanol e o HNCO (ácido isociânico), que se congelam em partículas geladas de poeira. Quando as moléculas se evaporam como gás, tornam-se observáveis por radiotelescópios como o ALMA.
Certas moléculas também rastreiam a formação estelar em curso. Sabe-se que as moléculas orgânicas complexas são abundantes à volta de estrelas jovens. Na galáxia NGC 253, este estudo sugere que a formação estelar ativa cria um ambiente quente e denso semelhante ao que se observa em torno de estrelas jovens individuais (protoestrelas) na Via Láctea. A quantidade de moléculas orgânicas complexas no centro de NGC 253 é semelhante à observada em redor das protoestrelas da nossa Galáxia.
Para além das condições físicas que podem promover a formação estelar, o estudo também revelou o ambiente hostil deixado pelas gerações anteriores de estrelas, que pode abrandar a formação de estrelas futuras. Quando as estrelas gigantes morrem, causam explosões massivas conhecidas como supernovas, que emitem partículas energéticas chamadas raios cósmicos. A composição molecular de NGC 253 revelou, a partir do aprimoramento de espécies como H3O+ e HOC+, que as moléculas nesta região tiveram alguns dos seus eletrões retirados pelos raios cósmicos a um ritmo pelo menos 1000 vezes superior ao que se verifica perto do Sistema Solar. Isto sugere um considerável input de energia oriundo das supernovas, o que dificulta a condensação do gás para assim formar estrelas.
Excertos do atlas ALCHEMI do centro de NGC 253. As diferentes cores representam a distribuição de gás molecular (azul), regiões de choque (vermelho), regiões de densidade relativamente alta (laranja), jovem formação estelar explosiva (amarelo), formação estelar explosiva desenvolvida (magenta) e gás molecular afetado por ionização de raios cósmicos (ciano).
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), N. Harada et al.
Finalmente, o estudo ALCHEMI forneceu um atlas de 44 espécies moleculares, duplicando o número disponível em estudos anteriores fora da Via Láctea. Aplicando uma técnica de aprendizagem de máquina a este atlas, os investigadores puderam identificar quais as moléculas que podem traçar mais eficazmente a história da formação estelar acima referida - do princípio ao fim. Tal como foi descrito acima com alguns exemplos, certas espécies moleculares rastreiam fenómenos como ondas de choque ou gás denso, que podem contribuir para a formação estelar. As jovens regiões de formação estelar albergam uma química rica, incluindo moléculas orgânicas complexas. Entretanto, a formação estelar explosiva mostra um aumento do radical ciano que indica a produção energética de estrelas massivas sob a forma de fotões UV, o que poderá também impedir a futura formação estelar. A descoberta destes rastreadores pode ajudar a planear futuras observações utilizando a atualização da sensibilidade de banda larga esperada para esta década como parte do quadro de referência de desenvolvimento do ALMA 2030, com o qual as observações simultâneas de múltiplas transições moleculares se tornarão muito mais fáceis de gerir.
"O ALMA é o único instrumento capaz de fornecer a sensibilidade e a resolução para este tipo de estudo. Graças à possibilidade de realizar grandes programas de observação (que requerem mais de 50 horas de observações), conseguimos compilar um estudo abrangente da química deste objeto extragalático que pode ser diretamente comparada com a encontrada na Via Láctea e no Sistema Solar", explica Sergio Martín, investigador principal deste estudo e chefe do Departamento de Operações Científicas do ALMA. "Com as novas atualizações previstas para esta década, conhecidas como WSU (Wideband Sensitivity Upgrade), seremos capazes de alargar este tipo de estudo a objetos mais fracos e mais distantes para compreender a evolução da química no Universo".
Rocha estudada pelo Perseverance personifica a razão pela qual o rover foi enviado para Marte
O 21.º núcleo rochoso obtido pelo Perseverance tem uma composição que o tornaria ótimo a reter e a preservar sinais de vida microbiana, caso alguma vez tenha existido. A amostra - que aqui se mostra a ser recolhida - foi extraída de "Bunsen Peak" no dia 11 de março, o 1088.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech
As análises efetuadas pelos instrumentos a bordo do rover Perseverance Mars da NASA indicam que a última rocha estudada pelo rover esteve mergulhada em água durante um longo período de tempo num passado distante, talvez como parte de uma antiga praia marciana. Recolhida a 11 de março, a amostra é a 24.ª do rover - uma contagem que inclui 21 tubos de amostragem com amostras de rocha, dois com rególito (rocha quebrada e poeira) e um com atmosfera marciana.
"Para simplificar, este é o tipo de rocha que esperávamos encontrar quando decidimos investigar a Cratera Jezero", disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Quase todos os minerais da rocha que acabámos de estudar foram produzidos em água; na Terra, os minerais depositados em água são muitas vezes bons a reter e a preservar material orgânico antigo e bioassinaturas. A rocha pode até dizer-nos mais acerca das condições climatéricas de Marte que estavam presentes quando se formou."
A presença destes minerais específicos é considerada promissora para preservar um registo rico de um antigo ambiente habitável em Marte. Estas coleções de minerais são importantes para guiar os cientistas até às amostras mais valiosas para um eventual envio à Terra pela campanha MSR (Mars Sample Return).
Na orla da Cratera
Apelidada de "Peak Bunsen" em homenagem à montanha do Parque Nacional de Yellowstone, a rocha - com cerca de 1,7 metros de largura e 1 metro de altura - intrigou os cientistas do Perseverance porque o afloramento é alto no meio do terreno circundante e tem uma textura interessante numa das suas faces. Também estavam interessados na superfície rochosa vertical de Peak Bunsen, que fornece uma boa secção transversal da rocha e, por não ser plana, é menos poeirenta e, portanto, mais fácil de investigar pelos instrumentos científicos.
Antes de recolher a amostra, o Perseverance analisou a rocha utilizando os espetrómetros SuperCam e o espetrómetro de raios X PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry). Em seguida, o rover utilizou o rotor na extremidade do seu braço robótico para triturar (ou raspar) parte da superfície e voltou a analisar a rocha. Os resultados: Peak Bunsen parece ser composta por cerca de 75% de grãos de carbonato cimentados por sílica quase pura.
Este mosaico mostra uma rocha chamada "Bunsen Peak", onde o rover Perseverance extraiu o seu 21.º núcleo e raspou uma zona circular para que investigasse a sua composição.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
"A sílica e partes do carbonato parecem ser microcristalinas, o que as torna extremamente boas para reter e preservar sinais de vida microbiana que possam ter vivido neste ambiente", disse Sandra Siljeström, uma cientista do Perseverance no RISE (Research Institutes of Sweden) em Estocolmo. "Isto faz com que esta amostra seja ótima para estudos de bioassinaturas caso seja enviada para a Terra. Além disso, a amostra pode ser um dos núcleos mais antigos recolhidos até agora pelo Perseverance, e isso é importante porque Marte era mais habitável no início da sua história." Uma potencial bioassinatura é uma substância ou estrutura que pode ser uma evidência de vida passada, mas também pode ter sido produzida sem a presença de vida.
A amostra de Peak Bunsen é a terceira que o Perseverance recolheu enquanto explorava "Margin Unit", uma área geológica que abraça a orla interior da Cratera Jezero.
"Ainda estamos a explorar a margem e a recolher dados, mas os resultados até agora podem apoiar a nossa hipótese de que as rochas, aqui, se formaram ao longo das margens de um lago antigo", disse Briony Horgan, cientista do Perseverance da Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana, EUA. "A equipa científica está também a considerar outras ideias para a origem de Margin Unit, uma vez que existem outras maneiras de formar carbonato e sílica. Mas independentemente do modo como esta rocha se formou, é muito excitante obter uma amostra".
O rover está a avançar para a parte mais ocidental de Margin Unit. Na base da orla da cratera Jezero, um local apelidado de "Bright Angel" é de interesse para a equipa científica porque pode fornecer o primeiro encontro com as rochas muito mais antigas que compõem a orla da cratera. Uma vez terminada a exploração de Bright Angel, o Perseverance dará início a uma subida de vários meses até ao topo da orla.
As galáxias tornam-se mais caóticas com a idade (via ASTRO 3D)
Uma equipa internacional revela que a idade é a força motriz que altera a forma como as estrelas se movem nas galáxias. As galáxias começam a vida com as suas estrelas a girar num padrão ordenado, mas em algumas o movimento das estrelas é mais aleatório. Até agora, os cientistas não sabiam ao certo qual a causa deste facto - possivelmente o ambiente circundante ou a massa da própria galáxia. Um novo estudo descobriu que o factor mais importante não é nenhum destes. O estudo mostra que a tendência das estrelas para se moverem aleatoriamente é determinada sobretudo pela idade da galáxia - as coisas vão-se tornando confusas com o tempo. Ler fonte
O que criou este invulgar fogo de artifício celeste? A nebulosa, denominada Pa 30, aparece na mesma direção do céu que uma brilhante "estrela convidada" no ano de 1181. Embora os filamentos de Pa 30 sejam semelhantes aos criados por uma nova (por exemplo, GK Per) e por uma nebulosa planetária (por exemplo, NGC 6751), alguns astrónomos propõem agora que foi criada por um tipo raro de supernova: uma termonuclear do Tipo Iax, e por isso é (também) chamada SN 1181. Neste modelo, a supernova não foi o resultado da detonação de uma única estrela, mas sim uma explosão que ocorreu quando duas estrelas anãs brancas entraram em espiral e acabaram por se fundir. Teoriza-se que o ponto azul no centro é uma estrela zombie, a anã branca remanescente que de alguma forma sobreviveu a esta explosão ao nível de uma supernova. A imagem em destaque combina imagens e dados obtidos no infravermelho (WISE), no visível (MDM, Pan-STARRS) e em raios X (Chandra, XMM). Futuras observações e análises poderão dizer-nos mais.
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