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  Astroboletim #2119  
  28/06 a 01/07/2024  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 28/06: 180.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caem na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Em 2011, o Telescópio Espacial Hubble descobre outra lua em redor de Plutão, temporariamente denominada P4. A descoberta foi novamente verificada no dia 20 de julho do mesmo ano. O nome oficial da lua é agora Cérbero.
HOJE, NO COSMOS:
Alto a este, o Triângulo de Verão domina após o anoitecer. A sua estrela do topo é Vega, a mais brilhante neste lado do céu. A estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega é Deneb. Um pouco mais longe, mas para baixo e para a direita de Vega, temos Altair.
Sem Lua, podemos observar a Via Láctea (a partir de um local com pouca poluição luminosa) a correr pela parte inferior do Triângulo. Esta zona da Via Láctea inclui a Nuvem Estelar de Cisne, uma das regiões mais ricas. Porque quando observamos na direção da constelação de Cisne, estamos a observar através do braço local da nossa Galáxia.
Lua em Quarto Minguante, pelas 22:53.

 

DIA 29/06: 181.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1818, nascia Angelo Secchi, astrónomo italiano. Foi Diretor do Observatório da Universidade Gregoriana Pontifical durante 28 anos. Foi um pioneiro na espectroscopia astronómica, um dos primeiros cientistas a afirmar autoritariamente que o Sol era uma estrela.
Em 1868, nascia George Hale, astrónomo solar americano.

Foi quem sugeriu a Einstein (após este lhe ter perguntado) que a sua teoria da curvatura da luz devido à gravidade só poderia ser testada durante um eclipse solar total do Sol. 
Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir.
HOJE, NO COSMOS:
Após o cair da noite, procure a Ursa Maior a noroeste. As suas estrelas mais baixas, as Guias, apontam para a direita, na direção da modesta Estrela Polar, o fim da "pega" da Ursa Menor.
Esta é a altura do ano em que a pequena Ursa Menor, ao final do lusco-fusco, flutua para cima da Estrela Polar - como um balão, atado a um fio, que escapou de uma festa de verão. No entanto, através da poluição luminosa, tudo o que provavelmente conseguirá observar da Ursa Menor, será a Polar e Kochab, a ponta da "tampa da frigideira". O resto das suas estrelas são razoavelmente fracas com magnitudes 3 a 5.

 

DIA 30/06: 182.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1905, Albert Einstein publica o artigo "Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento", no qual introduz a relatividade especial.
Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.
Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas da Salyut 1. A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula. Permanecem os únicos humanos a não ter morrido na Terra.
Em 1972, é adicionado o primeiro segundo ao sistema UTC
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.

HOJE, NO COSMOS:
As estrelas centrais da constelação de Lira, que formam um pequeno triângulo e paralelograma, apoiam-se para baixo e para a direita de Vega a este. As duas estrelas mais brilhantes do padrão, depois de Vega, são as estrelas que perfazem a parte de baixo do paralelograma: Beta e Gamma Lyrae (Sheliak e Sulafat, respetivamente). Estão atualmente alinhadas na vertical. Beta é a que está no topo.

 

DIA 01/07: 183.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,2 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Em 2013, descoberta da lua Hipocampo de Neptuno.
HOJE, NO COSMOS:
Para observadores casuais ou para aqueles com uma vista impedida a norte, Cassiopeia em julho poderá soar tão errado quanto o Natal em julho. Mas Cassiopeia já passou a sua posição mais baixa no céu, deste ano, e está gradualmente a ganhar altitude em preparação para o outono e inverno que aí vêm. Procure a sua forma de "W" achatado baixa a norte-nordeste, já desnivelada.

 
 
   
Descoberta surpreendente de fosfato nas amostras do asteroide Bennu recolhidas pela OSIRIS-REx
 
Uma pequena fração da amostra do asteroide Bennu entregue pela missão OSIRIS-REx da NASA, vista em imagens de microscópio. O painel superior esquerdo mostra uma partícula escura de Bennu, com cerca de um milímetro de comprimento, com uma crosta exterior de fosfato brilhante. Os outros três painéis mostram vistas progressivamente ampliadas de um fragmento da partícula que se separou ao longo de um veio brilhante contendo fosfato, capturadas por um microscópio eletrónico de varrimento.
Crédito: Lauretta e Connolly et al. (2024), Meteoritics & Planetary Science
 

Desde que foi entregue à Terra, no outono passado, que os cientistas aguardam ansiosamente a oportunidade de se debruçarem sobre a amostra de 121,6 gramas do asteroide Bennu, recolhida pela missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, and Security – Regolith Explorer) da NASA. Esperava-se que o material contivesse segredos do passado do Sistema Solar e da química pré-biótica que poderia ter levado à origem da vida na Terra. Uma análise inicial da amostra de Bennu, publicada dia 26 de junho na revista Meteoritics & Planetary Science, demonstra que este entusiasmo era justificado.

A equipa de análise de amostras da OSIRIS-REx descobriu que Bennu contém os ingredientes originais que formaram o nosso Sistema Solar. A poeira do asteroide é rica em carbono e azoto, bem como em compostos orgânicos, todos eles componentes essenciais para a vida tal como a conhecemos. A amostra também contém fosfato de magnésio e sódio, o que foi uma surpresa para a equipa de investigação, porque não foi visto nos dados de deteção remota recolhidos pela nave espacial em torno de Bennu. A sua presença na amostra sugere que o asteroide pode ter-se separado de um pequeno mundo oceânico primitivo, há muito desaparecido.

Uma surpresa de fosfato

A análise da amostra de Bennu revelou informações intrigantes sobre a composição do asteroide. Dominada por minerais de argila, particularmente serpentina, a amostra reflete o tipo de rocha encontrada nas dorsais oceânicas da Terra, onde o material do manto, a camada por baixo da crosta terrestre, encontra água.

Esta interação não resulta apenas na formação de argila; também dá origem a uma variedade de minerais como carbonatos, óxidos de ferro e sulfuretos de ferro. Mas a descoberta mais inesperada é a presença de fosfatos solúveis em água. Estes compostos são componentes da bioquímica de toda a vida conhecida na Terra.

Embora um fosfato semelhante tenha sido encontrado na amostra do asteroide Ryugu entregue pela missão Hayabusa2 da JAXA em 2020, o fosfato de magnésio e sódio detetado na amostra de Bennu destaca-se pela sua pureza - ou seja, a ausência de outros materiais no mineral - e pelo tamanho dos seus grãos, sem precedentes em qualquer amostra de meteorito.

A descoberta de fosfatos de magnésio e sódio na amostra de Bennu levanta questões sobre os processos geoquímicos que concentraram estes elementos e fornece pistas valiosas sobre as condições históricas do asteroide.

"A presença e o estado dos fosfatos, juntamente com outros elementos e compostos em Bennu, sugerem um passado aquoso para o asteroide", disse Dante Lauretta, coautor do artigo e investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. "O asteroide Bennu poderia potencialmente ter feito parte de um mundo mais húmido. No entanto, esta hipótese requer mais investigação".

"A OSIRIS-REx deu-nos exatamente o que esperávamos: uma grande amostra de um asteroide prístino rico em azoto e carbono de um mundo anteriormente húmido", disse Jason Dworkin, coautor do artigo e cientista do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

De um Sistema Solar jovem

Apesar da sua possível história de interação com a água, Bennu continua a ser um asteroide quimicamente primitivo, com proporções elementares muito semelhantes às do Sol.

"A amostra que recebemos é o maior reservatório de material de asteroide inalterado na Terra neste momento", disse Lauretta.

Esta composição fornece um vislumbre dos primeiros tempos do nosso Sistema Solar, há mais de 4,5 mil milhões de anos. Estas rochas mantiveram o seu estado original, não tendo derretido nem resolidificado desde o seu início, afirmando as suas origens antigas.

Pistas dos blocos de construção da vida

A equipa confirmou que o asteroide é rico em carbono e azoto. Estes elementos são cruciais para compreender os ambientes de onde provêm os materiais de Bennu e os processos químicos que transformaram elementos simples em moléculas complexas, potencialmente lançando as bases para a vida na Terra.

"Estas descobertas sublinham a importância de recolher e estudar material de asteroides como Bennu - especialmente material de baixa densidade que normalmente arderia ao entrar na atmosfera da Terra", disse Lauretta. "Este material é a chave para desvendar os intrincados processos de formação do Sistema Solar e a química pré-biótica que pode ter contribuído para o aparecimento da vida na Terra."

O que se segue

Dezenas de outros laboratórios nos Estados Unidos e em todo o mundo receberão porções da amostra de Bennu do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston nos próximos meses, e muitos mais artigos científicos descrevendo análises da amostra do asteroide Bennu são esperados nos próximos anos pela equipa de análise da OSIRIS-REx.

"As amostras de Bennu são rochas extraterrestres de uma beleza tentadora", disse Harold Connolly, coautor do artigo e cientista de amostras da missão OSIRIS-REx na Universidade de Rowan em Glassboro, New Jersey. "Todas as semanas, a análise da equipa de amostras da OSIRIS-REx fornece novas e, por vezes, surpreendentes descobertas que estão a ajudar a colocar importantes restrições sobre a origem e evolução de planetas semelhantes à Terra".

Lançada no dia 8 de setembro de 2016, a nave espacial OSIRIS-REx viajou até ao asteroide próximo da Terra, Bennu, e recolheu uma amostra de rochas e poeiras da sua superfície. A OSIRIS-REx, a primeira missão dos EUA a recolher uma amostra de um asteroide, entregou-a à Terra no dia 24 de setembro de 2023.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Universidade Curtin (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Meteoritics & Planetary Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
13/10/2023 - Amostra do asteroide Bennu contém carbono e água
26/09/2023 - Cápsula da OSIRIS-REx, com amostras do asteroide Bennu, pousou com sucesso na Terra
05/09/2023 - NASA completa últimos testes da missão OSIRIS-REx antes da chegada das amostras do asteroide Bennu
29/04/2022 - NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteroide
08/10/2021 - As rochas altamente porosas são responsáveis pela superfície surpreendentemente irregular de Bennu
13/08/2021 - OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Notícias relacionadas:
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG

Asteroide Bennu:
NASA
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OSIRIS-REx:
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Webb fotografa enxames estelares no "arco Cosmic Gems"
 
O enxame de galáxias SPT-CL J0615−5746, que atua como uma forte lente gravitacional em galáxias mais distantes no plano de fundo.
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, L. Bradley (STScI), A. Adamo (Universidade de Estocolmo) e colaboração Cosmic Spring
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para descobrir enxames de estrelas ligadas gravitacionalmente quando o Universo tinha 460 milhões de anos. Esta é a primeira descoberta de enxames estelares numa galáxia jovem, menos de 500 milhões de anos após o Big Bang.

As galáxias jovens do Universo primitivo passaram por fases significativas de formação estelar explosiva, gerando quantidades substanciais de radiação ionizante. No entanto, devido às suas distâncias cosmológicas, os estudos diretos do seu conteúdo estelar têm-se revelado um desafio. Usando o Webb, uma equipa internacional de astrónomos detetou cinco jovens enxames estelares massivos no "arco Cosmic Gems" (SPT0615-JD1), uma galáxia sob um forte efeito de lente gravitacional que emitiu luz quando o Universo tinha cerca de 460 milhões de anos.

O arco Cosmic Gems foi inicialmente descoberto em imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA obtidas pelo programa RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey) do enxame de galáxias, com lentes, SPT-CL J0615-5746.

"Pensa-se que estas galáxias são a principal fonte da intensa radiação que reionizou o Universo primitivo", partilhou a autora principal Angela Adamo da Universidade de Estocolmo e do Centro Oskar Klein na Suécia. "O arco Cosmic Gems é especial porque, graças à lente gravitacional, podemos resolver a galáxia até à escala de parsecs!"

Com o Webb, a equipa científica pode agora ver onde as estrelas se formaram e como estão distribuídas, de forma semelhante à utilizada pelo Telescópio Espacial Hubble para estudar as galáxias locais. A visão do Webb fornece uma oportunidade única para estudar a formação estelar e o funcionamento interno de galáxias infantis a uma distância sem precedentes.

 
À direita, o campo do enxame de galáxias SPT-CL J0615-5746. À esquerda, uma imagem de uma parte desse campo, mostrando duas galáxias distantes e distintas que sofrem efeito de lente. É possível ver vários enxames de estrelas. Ver apenas a imagem da esquerda, sem rótulos.
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, L. Bradley (STScI), A. Adamo (Universidade de Estocolmo) e colaboração Cosmic Spring
 

"A incrível sensibilidade e resolução angular do Webb nos comprimentos de onda do infravermelho próximo, combinadas com a lente gravitacional proporcionada pelo enorme enxame de galáxias em primeiro plano, permitiram esta descoberta", explicou Larry Bradley, do STScI (Space Telescope Science Institute) e investigador principal do programa de observação do Webb que captou estes dados. "Nenhum outro telescópio poderia ter feito esta descoberta".

"A surpresa e o espanto foram incríveis quando abrimos as imagens do Webb pela primeira vez", acrescentou Adamo. "Vimos uma pequena cadeia de pontos brilhantes, espelhados de um lado para o outro - estas joias cósmicas são enxames de estrelas! Sem o Webb não teríamos sabido que estávamos a olhar para enxames de estrelas numa galáxia tão jovem!"

Na nossa Via Láctea vemos antigos enxames globulares, que estão ligados pela gravidade e que sobreviveram durante milhares de milhões de anos. São relíquias antigas da intensa formação de estrelas no Universo primitivo, mas não se sabe bem onde e quando é que estes enxames se formaram. A deteção de enxames massivos de estrelas jovens no arco Cosmic Gems dá-nos uma excelente visão das fases iniciais de um processo que pode vir a formar enxames globulares. Os enxames recém-detetados no arco são massivos, densos e localizados numa região muito pequena da sua galáxia, mas também contribuem com a maior parte da luz ultravioleta proveniente da sua galáxia hospedeira. Os enxames são significativamente mais densos do que os enxames estelares mais próximos. Esta descoberta ajudará os cientistas a compreender melhor como é que as galáxias infantis formaram as suas estrelas e onde se formaram os enxames globulares.

A equipa salienta que esta descoberta liga uma variedade de campos científicos. "Estes resultados fornecem evidências diretas que indicam que os protoenxames globulares se formaram em galáxias ténues durante a era da reionização, o que contribui para a nossa compreensão de como estas galáxias conseguiram reionizar o Universo", explicou Adamo. "Esta descoberta também coloca restrições importantes na formação dos enxames globulares e nas suas propriedades iniciais. Por exemplo, as altas densidades estelares encontradas nos enxames fornecem-nos a primeira indicação dos processos que ocorrem nos seus interiores, fornecendo novos conhecimentos sobre a possível formação de estrelas muito massivas e de 'sementes' dos buracos negros, que são ambos importantes para a evolução das galáxias."

No futuro, a equipa espera construir uma amostra de galáxias para as quais seja possível obter resoluções semelhantes. "Estou confiante de que há outros sistemas como este à espera de serem descobertos no Universo primitivo, permitindo-nos aprofundar a nossa compreensão das galáxias primitivas", disse Eros Vanzella do INAF-OAS (Istituto Nazionale di Astrofisica - Osservatorio di astrofisica e scienza dello spazio) de Bolonha, Itália, um dos principais colaboradores do trabalho.

Entretanto, a equipa está a preparar-se para mais observações e espetroscopia com o Webb. "Planeamos estudar esta galáxia com os instrumentos NIRSpec e MIRI do Webb no Ciclo 3," acrescentou Bradley. "As observações do NIRSpec permitir-nos-ão confirmar o desvio para o vermelho da galáxia e estudar a emissão ultravioleta dos enxames de estrelas, que será usada para estudar as suas propriedades físicas em mais pormenor. As observações MIRI permitirão estudar as propriedades do gás ionizado. As observações espetroscópicas também nos permitirão mapear espacialmente o ritmo de formação estelar".

Estes resultados foram publicados na revista Nature. Os dados Webb foram obtidos no âmbito do programa de observação #4212.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// Universidade do Estado do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Panorâmica do enxame de galáxias SPT-CL J0615-5746 (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

SPT0615-JD1:
Wikipedia

Enxames globulares:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Enxames galácticos:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Três potenciais super-Terras em torno de uma estrela próxima
 
Impressão artística do sistema planetário HD48948 que se encontra a uma distância de 55 anos-luz da Terra. A nave espacial Voyager 1, à sua velocidade atual, levaria quase um milhão de anos para alcançar HD48948.
Crédito: Soumita Samanta
 

Os astrónomos descobriram três potenciais "super-Terras" em órbita de uma estrela anã laranja relativamente próxima. Esta descoberta inovadora foi feita por uma equipa internacional de investigadores liderada pela Dra. Shweta Dalal da Universidade de Exeter, Inglaterra.

Os exoplanetas estão a orbitar a estrela HD 48498, localizada a cerca de 55 anos-luz da Terra. Estes planetas completam uma órbita em torno da sua estrela hospedeira a cada 7, 38 e 151 dias terrestres, respetivamente. Nomeadamente, o candidato mais externo a exoplaneta reside na zona habitável da sua estrela hospedeira, onde as condições poderiam permitir a existência de água líquida sem esta ferver ou congelar. Esta região é considerada ideal para potencialmente suportar vida.

Os investigadores sublinham a importância desta descoberta, referindo que esta estrela laranja é algo semelhante ao nosso Sol e representa o sistema planetário mais próximo com uma Super-Terra na zona habitável em torno de uma estrela parecida com o Sol.

O estudo que detalha estas descobertas foi publicado no passado dia 24 de junho na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A Dra. Dalal afirmou: "A descoberta desta Super-Terra, na zona habitável em torno de uma estrela cor de laranja, é um passo excitante na nossa busca por planetas habitáveis em torno de estrelas do tipo solar."

Estas potenciais super-Terras, planetas com uma massa superior à da Terra mas significativamente inferior à dos gigantes gelados do Sistema Solar, Úrano e Neptuno, foram identificadas através do programa HARPS-N Rocky Planet Search. Ao longo de uma década, a equipa recolheu cerca de 190 medições altamente precisas de velocidade radial usando o espetrógrafo HARPS-N montado no TNG (Telescopio Nazionale Galileo) de 3,58 metros no Observatório Roque de los Muchachos em La Palma, Canárias.

As medições da velocidade radial, que acompanham os movimentos subtis da estrela causados pelos planetas em órbita, são cruciais para estas descobertas. Ao analisar o espetro da luz estelar, os investigadores podem determinar se esta se está a mover na nossa direção (desvio para o azul) ou para longe de nós (desvio para o vermelho). Para garantir a precisão das suas descobertas, a equipa utilizou várias metodologias e análises comparativas.

A investigação revelou três candidatos planetários com massas mínimas que variam entre 5 e 11 vezes a da Terra. A equipa sugere que a proximidade da estrela, combinada com a órbita favorável do planeta mais exterior, faz deste sistema um alvo promissor para futuras imagens diretas de alto contraste e estudos espetroscópicos de alta resolução.

A Dra. Dalal acrescentou: "Esta descoberta realça a importância da monitorização a longo prazo e de técnicas avançadas para desvendar os segredos de sistemas estelares distantes. Estamos ansiosos por continuar as nossas observações e procurar outros planetas no sistema".

Esta descoberta abre novas portas para a compreensão dos sistemas planetários e do potencial da vida para além do nosso Sistema Solar.

// Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

TNG (Telescopio Nazionale Galileo):
INAF
Wikipedia
HARPS-N (INAF)

 
   
Também em destaque
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  A atmosfera superior de Júpiter surpreende os astrónomos (via ESA)
Utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, os cientistas observaram a região acima da icónica Grande Mancha Vermelha de Júpiter e descobriram uma variedade de características nunca antes vistas. A região, que anteriormente se pensava ser de natureza comum, alberga uma variedade de estruturas e atividades complexas. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
A Nebulosa da "Doodad" Escura

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh e Rocco Sung
 
O que é aquela estranha faixa castanha no céu? Quando observam o enxame NGC 4372, os observadores notam frequentemente uma estranha faixa escura nas proximidades, com cerca de três graus de comprimento. A faixa, na verdade uma longa nuvem molecular, ficou conhecida como a Nebulosa da "Doodad" Escura. ("Doodad" é um termo inglês para "coisa") Na imagem, a Nebulosa da "Doodad" Escura atravessa o centro de um campo estelar rico e colorido. A sua cor escura provém de uma elevada concentração de poeira interestelar que dispersa preferencialmente a luz visível. O enxame globular NGC 4372 é visível como a mancha branca e difusa à esquerda, enquanto a brilhante estrela azul Gamma Muscae está para cima e para a direita do aglomerado. A Nebulosa da "Doodad" Escura pode ser encontrada com binóculos potentes na direção da constelação austral da Mosca.
 
   
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