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Edição n.º 975
09/07 a 11/07/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/07: 190.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, a sonda Voyager 2 efectuava o seu "flyby" por Júpiter.

A descoberta de actividade vulcânica no satélite Io foi provavelmente a maior descoberta da missão.
Observações: Saturno estacionário, pelas 05:00.
Se tiver acesso a um céu suficientemente escuro, a Via Láctea forma um magnífico arco no céu a Este após o anoitecer. Passa por Cassiopeia a Norte-Nordeste, dirige-se para cima passando por Cisne e pelo Triângulo de Verão, e desce atravessando o "Bule de Chá" de Sagitário a Sul.
Conjunção inferior de Mercúrio, pelas 20:00.

Dia 10/07: 191.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançado o Telstar, o primeiro satélite de comunicações a ser colocado em órbita.

Observações: Pouco depois do pôr-do-Sol, enquanto ainda existe claridade, procure a fina Lua Crescente, baixa no horizonte a Oeste, para baixo e para a esquerda de Vénus. Binóculos ajudam.

Dia 11/07: 192.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1735, cálculos matemáticos sugerem que neste dia Plutão moveu-se do nono para o oitavo planeta mais distante do Sol, pela última vez até 1979.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História. 
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.

A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco populada da parte Oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão.
Observações: À medida que anoitece, aviste a Lua Crescente baixa a Oeste. Vénus está cerca de 12º para a sua direita. Com o diminuir do brilho do Sol, observe o aparecimento de Régulo e Gamma Leonis (Algieba), para cima e para a direita da Lua.

 
CURIOSIDADES


O nosso planeta Terra tem uma atmosfera proporcionalmente mais fina que a casca de uma maçã.

 
ROVER CURIOSITY COMEÇA VIAGEM ATÉ MONTE SHARP

O rover Curiosity da NASA começou finalmente a sua viagem épica até às encostas do misterioso Monte Sharp - o destino principal da missão que paira supremo dentro do local de aterragem, a Cratera Gale. Os cientistas esperam descobrir assinaturas dos ingredientes químicos que são potencialmente marcadores de uma zona habitável de Marte, ao subir o Monte Sharp.

No passado dia 4 de Julho (Sol 324), o robot de seis rodas começou a afastar-se das áreas Glenelg e Yellowknife Bay, onde passou mais de meio ano a investigar o terreno e a perfurar rochas marcianas pela primeira vez na História. "Nós começámos a longa travessia até à base do Monte Sharp (Aeolis Mons), o objectivo a longo prazo da missão," anunciou Ken Herkenhoff do USGS, membro da equipa científica.

Até agora o rover da NASA já percorreu mais de 58 metros ao longo de duas excursões a 4 e 7 de Julho, na direcção oposta à da sua última campanha científica no afloramento de sedimentos Shaler. Está prevista para hoje outra viagem.

Esta vista da câmara de navegação (Navcam) esquerda do Curiosity olha para trás e observa as marcas das rodas feitas durante a primeira viagem para longe da área "Glenelg". A excursão marca o início de uma longa travessia até ao destino a longo-termo da missão: o Monte Sharp.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Milhares de milhões de anos de história geológica de Marte estão preservados nas camadas sedimentares do Monte Sharp - incluindo o período antigo em que o Planeta Vermelho era muito mais húmido e ameno do que é hoje e, portanto, mais hospitaleiro à vida. A enorme montanha eleva-se a 5,5 km no centro da Cratera Gale. É maior que o Monte Branco, a montanha mais alta dos Alpes e da União Europeia.

A viagem pode demorar quase um ano, ou até mais, até alcançar a base do Monte Sharp, dependendo do que o veículo de 1 tonelada vê durante o caminho. E os cientistas estão ansiosos por fazer o máximo possível de descobertas.

"O foco princpal da missão é a descoberta," afirma John Grotzinger do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA, que lidera a missão MSL (Mars Science Laboratory) do Curiosity. "Vamos até onde a ciência nos levar."

A NASA escolheu a Cratera Gale como local de aterragem especificamente para que o Curiosity investigasse as camadas sedimentares do Monte Sharp, tendo em conta que em estudos de Marte a partir de órbita, exibia assinaturas de minerais argilosos que se formam em água neutra e que podiam suportar a origem e evolução de formas simples de vida marciana, passada ou presente.

As câmaras do Curiosity mostram o Monte Sharp à distância. O rover começou a viagem até à base, seguindo a história geológica marciana à medida que sobe cada vez mais e examina no máximo 4,5 mil milhões de anos de material planetário.
Crédito: NASA/JPL
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"Nós temos um desejo real de chegar ao Monte Sharp porque vemos aí variações na mineralogia desde a base até níveis mais elevados e uma mudança no registo do ambiente," explica Joy Crisp do JPL, cientista do projecto Curiosity. "Se passarmos algo surpreendente e atraente podemos inverter a marcha e voltar atrás," afirma Crisp. "O desafio para a equipa de cientistas será a identificação dos mais importantes alvos ao longo do caminho, e o seu estudo sem atrasar demasiado o progresso da viagem," observa Herkenoff.

O Monte Sharp está a cerca de 8 km de distância - em linha recta. E o Curiosity também deverá passar por um campo de dunas potencialmente perigosas para lá chegar. "Nós estamos procurando o melhor caminho," afirma Jim Erickson, gestor do projecto Curiosity no JPL da NASA, numa recente conferência de imprensa.

Há 11 meses atrás, a 6 de Agosto de 2012, o Curiosity fez uma aterragem sem precedentes dentro da Cratera Gale, com o auxílio de um nunca antes usado sistema de propulsores e guindaste.

Muito antes de começar a rumar ao seu destino, o Monte Sharp, o Curiosity já tinha alcançado com sucesso o objectivo principal da missão, quando descobriu que a água líquida já fluiu neste local em Marte, que possui os ingredientes químicos essenciais para a vida e que já foi habitável no passado.

As recolhas de amostras do afloramento 'John Klein' em Yellowknife Bay, analisadas pelo par de laboratórios a bordo do Curiosity - SAM e CheMin - revelaram que este local contém argilas minerais necessárias para o suporte de formas de vida microbiana.

"Descobrimos um ambiente habitável [em John Klein] tão benigno e favorável à vida que, provavelmente, se essa água estivesse presente, e se nós estivéssemos no planeta, seria própria para consumo," afirma Grotzinger.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
PHYSORG
SPACE.com
BBC News
Discovery News
AstroPT
Quero Saber - SAPO

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Monte Sharp:
Wikipedia
Google Mars
Panorama - 360 cities
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YouTube - 2

 
HOLOFOTE DISTANTE MOSTRA COMO SE ALIMENTA UMA GALÁXIA
Impressão de artista duma galáxia a acretar material do meio circundante.
Crédito: ESO/L. Calçada/ESA/AOES Medialab
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Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos descobriram uma galáxia distante a alimentar-se vorazmente do gás que se encontra nos seus arredores. As observações mostram o gás a cair em direcção à galáxia, o que cria um fluxo que alimenta a formação estelar ao mesmo tempo que impulsiona a rotação da galáxia. Esta é a melhor evidência observacional directa até agora que apoia a teoria de que as galáxias atraem e devoram material próximo de modo a crescerem e formarem estrelas. Os resultados foram publicados na edição de 5 de Julho da revista Science.

Os astrónomos sempre suspeitaram que as galáxias crescem atraindo material do meio circundante, no entanto este processo tem-se revelado muito difícil de observar directamente. Agora o VLT do ESO foi utilizado para estudar um alinhamento muito raro entre uma galáxia longínqua e um quasar ainda mais longínquo - o centro extremamente brilhante de uma galáxia alimentado por um buraco negro de elevada massa. A radiação emitida pelo quasar passa através da matéria que circunda a galáxia, antes de chegar à Terra, o que permite explorar em detalhe as propriedades deste material. Estes novos resultados dão-nos a melhor visão de sempre de uma galáxia em pleno repasto.

"Este tipo de alinhamento é muito raro e permitiu-nos fazer observações únicas," explica Nicolas Bouché do Instituto de Investigação de Astrofísica e Planetologia (IRAP, sigla do francês) de Toulose, França, autor principal do novo artigo científico que descreve os resultados. "Usámos o VLT para observar tanto a galáxia propriamente dita como o gás que a rodeia, o que nos permitiu abordar um problema importante na formação galáctica: como é que as galáxias crescem e formam estrelas?"

À medida que formam novas estrelas, as galáxias esgotam rapidamente o seu reservatório de gás, por isso têm que, de alguma maneira, se reabastecer de forma contínua com gás novo para poderem continuar a produzir estrelas. Os astrónomos suspeitavam que a resposta a este problema estivesse na quantidade de gás frio que se situa nos arredores das galáxias, devido à sua atracção gravitacional. Neste cenário, a galáxia atrai o gás, o qual circula à sua volta, rodando com a galáxia antes de cair para o seu interior. Embora já tivessem sido observadas anteriormente algumas evidências dum tal processo de acreção, tanto o movimento do gás como as suas outras propriedades não tinham sido ainda completamente exploradas.

Os astrónomos usaram dois instrumentos, o SINFONI (Spectrograph for INtegral Field Observations in the Near Infrared) e o UVES (Ultraviolet and Visual Echelle Spectrograph), ambos montados no VLT no observatório do Paranal, no norte do Chile. As novas observações mostraram como é que a galáxia propriamente dita roda e revelaram igualmente a composição e o movimento do gás situado no exterior da galáxia.

"As propriedades deste enorme volume de gás circundante são exactamente as que esperávamos encontrar se o gás frio estivesse a ser atraído pela galáxia," diz o co-autor Michael Murphy (Swinburne University of Technology, Melbourne, Austrália). "O gás move-se como o esperado, a quantidade existente é também a esperada e tem a composição certa para ajustar os modelos de modo perfeito. É como a hora de comer dos leões no jardim zoológico - esta galáxia em particular tem um apetite devorador e nós descobrimos como é que se está a alimentar de modo a crescer tão depressa."

Os astrónomos encontraram já evidências de material em torno de galáxias no Universo primordial, mas esta é a primeira vez que puderam mostrar com clareza que este material se desloca para o interior e não para o exterior, tendo também determinado a composição deste combustível para futuras gerações de estrelas. Sem a luz do quasar a actuar como uma lupa, não teria sido possível detectar este gás circundante.

"Neste caso tivemos sorte em ter um quasar mesmo no lugar certo para que a sua luz passasse através do gás que se encontra a cair em direcção à galáxia. A próxima geração de telescópios extremamente grandes permitirá fazer este estudo com múltiplas linhas de visão por galáxia, fornecendo assim uma visão muito mais completa," conclui a co-autora Crystal Martin (University of California Santa Barbara, EUA).

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science (requer subscrição)
Sociedade Real Astronómica (requer subscrição)
SPACE.com
ScienceDaily
redOrbit
Universe Today
PHYSORG

Quasar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6384: Espiral Para Lá Das Estrelas
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Crédito: ESAHubbleNASA
 
O Universo está repleto de galáxias. Mas para as ver os astrónomos precisam olhar para lá das estrelas da nossa própria Galáxia, a Via Láctea. Este colorido retrato telescópico obtido pelo Hubble mostra a galáxia espiral NGC 6384, a cerca de 80 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Ofíuco. A esta distância, NGC 6384 mede uns estimados 150.000 anos-luz, enquanto a ampliação da região central da galáxia mede 70.000 anos-luz em diâmetro. A nítida imagem mostra detalhes nos brilhantes enxames azuis da galáxia distante, bem como faixas de poeira ao longo dos braços espirais, e um brilhante núcleo dominado por luz estelar amarelada. Ainda assim, as estrelas individuais vistas na imagem estão todas no relativamente perto plano da frente, bem dentro da nossa Galáxia. As estrelas mais brilhantes da Via Láctea mostram cruzes bem visíveis, ou picos de difração, provocadas pelo próprio telescópio.
 

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