AS MISTERIOSAS COLINAS FLUTUANTES DE PLUTÃO
9 de fevereiro de 2016
Montes de água gelada em Plutão "flutuam" num mar de azoto gelado e movem-se ao longo do tempo como icebergs no Oceano Ártico da Terra - outro exemplo da fascinante e abundante atividade geológica de Plutão.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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Os glaciares de azoto (ou nitrogénio) em Plutão parecem suportar uma carga interessante: vários montes isolados que podem ser fragmentos de água gelada das terras altas em redor. De acordo com imagens e dados obtidos pela missão New Horizons da NASA, estes montes medem, individualmente, entre um e vários quilómetros de diâmetro.
As colinas, situadas na vasta planície informalmente chamada Sputnik Planum, dentro do "coração" de Plutão, são provavelmente versões em miniatura das maiores montanhas na fronteira ocidental de Sputnik Planum. São mais um exemplo da fascinante e abundante atividade geológica de Plutão.
Dado que a água gelada é menos densa do que o gelo de azoto, os cientistas pensam que estes amontoados de água gelada flutuam num mar de azoto gelado e movem-se ao longo do tempo como icebergs no Oceano Ártico da Terra. As colinas são provavelmente fragmentos dos planaltos acidentados, que se quebraram e são movidos pelos glaciares de azoto até Sputnik Planum. Formam-se "cadeias" destas colinas à deriva ao longo dos fluxos dos glaciares. Quando os montes entram no terreno celular da região central de Sputnik Planum, ficam sujeitos aos movimentos convectivos do azoto gelado e são empurrados para as margens das células, formando grupos que medem até 20 km de comprimento.
No extremo norte da imagem, a característica informalmente apelidada de Challenger Colles - em honra à tripulação que perdeu a vida a bordo do vaivém espacial em 1986 - parece ser uma acumulação especialmente grande destes montes, medindo 60 por 35 quilómetros. Esta característica está localizada perto da fronteira com as terras altas, longe do terreno celular, e pode representar um local onde as colinas "deram à costa" (ficaram encalhadas) devido ao azoto gelado ser especialmente pouco profundo.
A imagem acima mostra a inserção em contexto com a uma visão mais abrangente que cobre a maioria do hemisfério do encontro com Plutão. A inserção foi obtida com o instrumento MVIC (Multispectral Visible Imaging Camera) da New Horizons. O Norte é para cima; a iluminação vem de cima e à esquerda da imagem. A foto tem uma resolução de aproximadamente 320 metros por pixel. Mede quase 500 km de comprimento e 340 km de largura. Foi captada a aproximadamente 16.000 km de Plutão, cerca de 12 minutos antes da maior aproximação da New Horizons a Plutão de dia 14 de julho de 2015.