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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1886  
  05/04 a 07/04/2022  
     
 

Noites Astronómicas em Tavira
Data: 8 de abril
Hora: 21:00
Local: Forte do Rato
No dia 8 de abril realiza-se a sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato. Nesta sessão vamos ter oportunidade de observar a Lua e algumas constelações que nos acompanham nesta estação.
A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado. É necessário o uso de equipamento de proteção individual (máscara ou viseira) durante o decorrer da atividade.
Participe!
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes).
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

Apresentação às Estrelas | Abril estrelas mil!
Data: 14 de abril de 2022
Hora: 20:30-22:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Abril é o mês da Astronomia! E o tema desta sessão vai ser mesmo só "Estrelas", sejam elas verdadeiras ou alusivas. Celebramos o Global Astronomy Month (GAM) a maior celebração de Astronomia a nível global!
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 05/04: 95.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objetivo desta missão era obter medições raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
Observações: Esta noite, a Lua encontra-se perto de Aldebarã e das Híades.
Depois da hora de jantar, nesta altura do ano, Arcturo, a brilhante Estrela da Primavera subindo a este, está praticamente à mesma altura que Sirius, a brilhante Estrela de Inverno, descendo a sudoeste (para observadores a latitudes médias norte).
Estas são as duas estrelas mais brilhante do céu noturno de momento. Mas Capella fica muito perto em termos de brilho! Aviste-a alta a noroeste.

Dia 06/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, a supernova do Tipo II foi designada SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: A Lua brilha entre as estrelas que perfazem os chifres de Touro: Beta e a mais ténue Zeta Tauri.
Capella, alta a noroeste durante e após o anoitecer, tem uma pálida cor amarela idêntica à do Sol, o que significa que têm mais ou menos a mesma temperatura. Mas Capella é muito diferente. Consiste de duas estrelas gigantes amareladas que se orbitam uma à outra a cada 104 dias.
Além disso, para observadores telescópicos, estão acompanhadas por um par distante e íntimo de anãs vermelhas: Capella H e L, de magnitudes 10 e 13. Isso corresponde a um brilho 10.000 e 60.000 vezes inferior ao de Capella!

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
Observações:
Cada vez mais espessa e brilhante a cada noite, a Lua está agora quase no ponto médio entre Capella e Procyon para a esquerda e para a direita, respetivamente, a dois ou três punhos à distância do braço esticado de cada uma.
Bem acima da Ursa Maior por estas noites, passando perto do zénite, estão três pares de estrelas ténues mas visíveis a olho nu, todas de magnitude três ou quatro, que assinalam os pés da Ursa. São também conhecidas como os "Três Saltos da Gazela" na mitologia árabe. Formam uma linha longa este-oeste mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e a "foice" de Leão.
De acordo com a mitologia árabe, a gazela estava a beber num lago - o ténue mas grande enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu quando assustada pelo movimento da cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não estar ao corrente da sua potencial presa; está a olhar para o outro lado.

 
     
 
Curiosidades


O próximo eclipse lunar total visível de Portugal terá lugar dia 16 de maio. Começa a partir das 02:32, o máximo será pelas 05:11 e termina às 06:27 (já de dia).

 
 
   
O que os sons capturados pelo rover Perseverance revelam sobre Marte

Um novo estudo baseado em gravações feitas pelo rover Perseverance descobriu que a velocidade do som é mais lenta no Planeta Vermelho do que na Terra e que, sobretudo, prevalece um silêncio profundo.

Ouça atentamente os sons de Marte, registados pelo Perseverance da NASA: o "choramingar" e clicar mecânicos do rover num leve vento marciano; o zumbido dos rotores no Ingenuity, o helicóptero de Marte; o bater crepitante de um laser na rocha.

 
Esta ilustração indica a colocação dos dois microfones do Perseverance. O microfone no mastro faz parte do instrumento científico SuperCam. O microfone na lateral do rover destinava-se a captar os sons de entrada, descida, e aterragem para o envolvimento público.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Uma equipa internacional de cientistas fez precisamente isso, realizando a primeira análise da acústica no Planeta Vermelho. O seu novo estudo revela a rapidez com que o som percorre a atmosfera extremamente fina, sobretudo de dióxido de carbono, como Marte pode soar aos ouvidos humanos e como os cientistas podem usar gravações áudio para sondar alterações subtis da pressão do ar noutro mundo - e para avaliar a saúde do rover.

"É um novo sentido de investigação que nunca utilizámos antes em Marte," disse Sylvestre Maurice, astrofísico da Universidade de Toulouse na França e autor principal do estudo. "Espero que surjam muitas descobertas, utilizando a atmosfera como fonte de som e meio de propagação."

A maioria dos sons do estudo, publicado dia 1 de abril na revista Nature, foram gravados utilizando o microfone do instrumento SuperCam do Perseverance, montado na cabeça do mastro do rover. O estudo também se refere a sons gravados por outro microfone montado no chassis do rover. Este segundo microfone gravou recentemente os sopros e "pings" do gDRT (Gaseous Dust Removal Tool) do rover, que sopra aparas de rochas que o rover raspou para poder examinar.

O resultado das gravações: uma nova compreensão das características estranhas da atmosfera marciana, onde a velocidade do som é mais lenta do que na Terra - e varia com o tom (ou frequência). Na Terra, os sons viajam tipicamente a 343 metros por segundo. Mas em Marte, os sons graves viajam a cerca de 240 metros por segundo, enquanto os sons mais agudos se movem a 250 metros por segundo.

As velocidades variáveis do som no Planeta Vermelho são um efeito da fina e fria atmosfera de dióxido de carbono. Antes da missão, os cientistas esperavam que a atmosfera de Marte influenciasse a velocidade do som, mas o fenómeno nunca tinha sido observado até estas gravações terem sido feitas. Outro efeito desta atmosfera fina: os sons viajam apenas uma curta distância, e os tons mais agudos não viajam quase nada. Na Terra, o som pode cair após cerca de 65 metros; em Marte, vacila a apenas 8 metros, com os sons agudos a perderem-se completamente a essa distância.

As gravações do microfone do SuperCam também revelam variações de pressão anteriormente não observadas produzidas pela turbulência na atmosfera marciana à medida que a sua energia muda a escalas minúsculas. Também foram medidas rajadas de vento em escalas de tempo muito curtas.

Uma das características mais marcantes das gravações sonoras, disse Maurice, é o silêncio que parece prevalecer em Marte. "A dada altura, pensámos que o microfone estava avariado, era tudo tão silencioso," acrescentou.

Isso também é uma consequência de Marte ter uma atmosfera tão fina.

"Marte é muito silencioso devido à baixa pressão atmosférica," disse Baptiste Chide do Laboratório Nacional de Los Alamos, no estado norte-americano de Novo México, também coautor do estudo. "Mas a pressão muda com as estações do ano em Marte."

Isso significa que, nos próximos meses de outono, Marte poderá tornar-se mais ruidoso - e fornecer ainda mais informações sobre o seu ar e clima do outro mundo.

"Estamos a entrar numa estação de alta pressão," disse Chide. "Talvez o ambiente acústico em Marte seja menos silencioso do que era quando aterrámos."

Sons da Missão

A equipa acústica também estudou o que o microfone do instrumento SuperCam captou dos rotores duplos e giratórios do Ingenuity, o helicóptero marciano que é o companheiro de viagem do rover e o seu batedor aéreo. Girando a 2500 rotações por minuto, os rotores produzem "um som distinto e de baixa intensidade a 84 hertz," disse Maurice, referindo-se à medida acústica padrão das vibrações por segundo e à taxa de rotação para ambos os rotores.

Por outro lado, quando o laser do SuperCam, que vaporiza pedaços de rocha à distância para estudar a sua composição, atinge um alvo, faz faíscas que criam um ruído agudo acima dos 2 quilohertz.

O estudo dos sons gravados pelos microfones do rover não só revela detalhes da atmosfera marciana, mas também ajuda os cientistas e engenheiros a avaliar a saúde e funcionamento dos muitos sistemas do rover, tal como se pode notar um ruído perturbador ao conduzir um carro.

Entretanto, o instrumento-chave do estudo, o microfone do SuperCam, continua a exceder as expetativas.

"O microfone é agora utilizado várias vezes por dia e tem um desempenho extremamente bom; o seu desempenho global é melhor do que o que tínhamos modelado e até testado num ambiente semelhante ao de Marte na Terra," diz David Mimoun, professor no ISAE-SUPAERO (Institut Supérieur de l’Aéronautique et de l’Espace) e líder da equipa que desenvolveu a experiência do microfone. "Poderíamos até gravar o zumbido do helicóptero marciano a longa distância."

Mais sobre a Missão

Um objetivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

// NASA (comunicado de imprensa)
// JHUAPL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Os sons registados pelos microfones do Perseverance (NASA/JPL via YouTube)
// Ouça como sons familiares da Terra seriam em Marte (NASA)

 


Saiba mais

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Notícias relacionadas:
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O magma faz com que sismos abalem o Planeta Vermelho

Investigadores da Universidade Nacional Australiana sugerem que a atividade vulcânica sob a superfície de Marte pode ser responsável pelo desencadeamento de sismos repetitivos, semelhantes aos sismos na Terra, numa região específica do Planeta Vermelho.

Uma nova investigação publicada na revista Nature Communications mostra que cientistas da Universidade Nacional Australiana e da Academia Chinesa de Ciências de Pequim descobriram 47 sismos anteriormente não detetados sob a crosta marciana, numa área chamada Cerberus Fossae - uma região sismicamente ativa em Marte com menos de 20 milhões de anos.

 
A estrutura interna de Marte.
Crédito: Shutterstock/Vadim Sadovski
 

Os autores do estudo especulam que a atividade magmática no manto marciano, que é a camada interior de Marte que se encontra entre a crosta e o núcleo, é a causa destes sismos recentemente detetados.

Os resultados sugerem que o magma no manto marciano ainda está ativo e é responsável pelos sismos vulcânicos, ao contrário do pensamento anterior dos cientistas de que estes eventos são provocados por forças tectónicas marcianas.

Segundo o geofísico e professor Hrvoje Tkalčić, da Universidade Nacional Australiana, a natureza repetitiva destes tremores e o facto de terem sido todos detetados na mesma área do planeta sugere que Marte é mais sismicamente ativo do que os cientistas pensavam anteriormente.

"Verificámos que estes sismos ocorreram repetidamente em todas as alturas do dia marciano, enquanto os sismos detetados e relatados pela NASA no passado pareciam ter ocorrido apenas durante a calada da noite, quando o planeta está mais calmo," disse o professor Tkalčić.

"Portanto, podemos assumir que o movimento da rocha derretida no manto marciano é o gatilho para estes 47 sismos recentemente detetados sob a região de Cerberus Fossae."

O professor Tkalčić disse que a sismicidade contínua sugere que a região de Cerberus Fossae em Marte é "sismicamente muito ativa".

"Saber que o manto marciano ainda está ativo é crucial para a nossa compreensão de como Marte evoluiu como um planeta," disse.

"Pode ajudar-nos a responder a estas questões fundamentais sobre o Sistema Solar, sobre o estado do núcleo e do manto de Marte e sobre a evolução do seu campo magnético atualmente em falta."

Os investigadores utilizaram dados recolhidos a partir de um sismómetro ligado ao módulo InSight da NASA, que tem vindo a recolher dados sobre sismos, sobre o clima marciano e sobre o interior do planeta desde que pousou no Planeta Vermelho em 2018.

Usando um algoritmo único, os investigadores puderam aplicar as suas técnicas aos dados da NASA para detetar os 47 sismos anteriormente não descobertos.

Os autores do estudo dizem que enquanto os sismos teriam provocado alguns abalos em Marte, os eventos sísmicos eram relativamente pequenos em magnitude e mal seriam sentidos se tivessem ocorrido na Terra. Os tremores foram detetados durante um período de cerca de 350 sols - um termo usado para se referir a um dia solar em Marte - o que equivale a cerca de 359 dias na Terra.

De acordo com o professor Tkalčić, os achados sísmicos podem ajudar os cientistas a descobrir porque é que o Planeta Vermelho já não tem um campo magnético.

"Os sismos marcianos ajudam-nos indiretamente a compreender se a convecção está a ocorrer no interior do planeta e, se esta convecção estiver de facto a ocorrer, o que os nossos achados sugerem, então deve haver outro mecanismo em jogo que está a impedir que um campo magnético se desenvolva em Marte," explicou.

"Toda a vida na Terra é possível graças ao campo magnético da Terra e à sua capacidade de nos proteger da radiação cósmica, pelo que sem um campo magnético a vida como a conhecemos simplesmente não seria possível.

"Portanto, compreender o campo magnético de Marte, como evoluiu e em que fase da história do planeta parou, é obviamente importante para futuras missões e crítico se os cientistas esperam um dia estabelecer vida humana em Marte."

// Universidade Nacional Australiana (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


Saiba mais

Cobertura da missão InSight pelo CCVAlg - Astronomia:
30/11/2021 - A análise das vibrações induzidas pelo vento de Marte lança luz sobre as propriedades da subsuperfície do planeta
28/09/2021 - InSight "ouve" três grandes sismos marcianos, graças à limpeza dos seus painéis solares
27/07/2021 - InSight da NASA revela o interior de Marte
06/04/2021 - InSight da NASA deteta dois sismos consideráveis em Marte
19/01/2021 - "Toupeira" do InSight termina a sua viagem em Marte
22/12/2020 - Três coisas que aprendemos com o InSight da NASA
08/09/2020 - Surpresa em Marte
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22/10/2019 - "Toupeira" do InSight está a mover-se novamente
08/10/2019 - A estratégia da NASA para salvar a "toupeira" do InSight
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08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
19/02/2019 - InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte
08/02/2019 - Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte
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11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
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20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Marte:
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Movimentos estelares revelam "espinha dorsal" da Grande Nuvem de Magalhães

Usando dados do levantamento VMC (VISTA survey of the Magellanic Clouds system), os investigadores do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, em colaboração com cientistas da equipa do VMC, confirmaram a existência de órbitas alongadas que constituem a espinha dorsal do processo de formação de uma barra. O método utilizou observações repetidas para construir um mapa de velocidade das estrelas na região central da Grande Nuvem de Magalhães.

A Grande Nuvem de Magalhães (GNM) é visível a olho nu do hemisfério sul e é a galáxia satélite mais brilhante e massiva da Via Láctea. A GNM é rica em estrelas que abrangem uma grande faixa etária, desde estrelas recém-formadas até estrelas tão antigas quanto o Universo. Está classificada como uma galáxia irregular porque é caracterizada por um único braço em espiral e uma barra que está deslocada do centro do disco.

 
Órbitas observadas de estrelas dentro das partes centrais da Grande Nuvem de Magalhães. As estrelas na região central, ao longo da barra, seguem órbitas alongadas que se desviam de uma forma circular (contornos tracejados).
Crédito: Instituto Leibniz para Astrofísica de Postdam/F. Niederhofer, Levantamento VMC do VISTA
 

"As estruturas estelares de barra são uma característica comum das galáxias espirais. Pensa-se que se formem a partir de pequenas perturbações no interior do disco estelar que removem estrelas dos seus movimentos circulares e as forçam em órbitas alongadas," explica Florian Niederhofer, primeiro autor do estudo agora publicado. "Um tipo específico destas órbitas são as que estão alinhadas com o eixo principal da barra. Estas são consideradas como a 'espinha dorsal' das barras estelares e fornecem o principal suporte deste tipo de estrutura." O telescópio VISTA foi desenvolvido para vigiar o céu do hemisfério sul em comprimentos de onda do infravermelho próximo e estudar fontes que emitem preferencialmente neste domínio espectral, devido à sua natureza ou à presença de poeira. Usando dados do levantamento VMC, a equipa encontrou agora as primeiras evidências diretas destas órbitas dentro da barra da GNM. O VMC é um levantamento multiépoca do sistema de Magalhães e um projeto público do ESO, realizado entre 2010 e 2018, com o objetivo de estudar o conteúdo e a dinâmica estelar das nossas vizinhas extragaláticas mais próximas.

A equipa desenvolveu um método sofisticado para determinar com precisão os movimentos próprios das estrelas dentro das Nuvens de Magalhães. Num novo estudo, agora publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, este método foi aplicado às partes centrais da GNM. A partir dos valores medidos, os autores calcularam os movimentos estelares reais dentro do quadro da GNM, produzindo mapas detalhados da estrutura de velocidade da galáxia. "O impressionante nível de detalhe nos mapas de velocidade mostra o quanto o nosso método melhorou, em comparação com as medições iniciais há alguns anos atrás," diz Thomas Schmidt, coautor e estudante de doutoramento no Instituto Leibniz para Astrofísica. Para espanto dos investigadores, os seus mapas revelaram movimentos estelares alongados que seguem a estrutura e orientação da barra.

"Graças à sua proximidade de cerca de 163.000 anos-luz, podemos observar estrelas individuais dentro das Nuvens de Magalhães utilizando telescópios terrestres como o VISTA," diz Maria-Rosa Cioni, investigadora principal do projeto VMC e chefe da secção Galáxias Anãs e Halo Galáctico do mesmo instituto. "Assim, estas galáxias fornecem-nos um laboratório único para estudar em grande detalhe os processos que moldam e formam galáxias". De grande interesse são as dinâmicas das estrelas, uma vez que contêm informações valiosas sobre a formação e evolução das galáxias. No entanto, durante muito tempo, as velocidades unidimensionais (na linha de visão) das estrelas têm sido a única fonte de informação dinâmica. Estas velocidades podem ser rapidamente medidas por desvios espectroscópicos de Doppler, que dependem do efeito da luz observada de uma estrela parecer mais azulada ou avermelhada, dependendo se se aproxima ou se afasta de nós. A fim de obter as velocidades tridimensionais totais das estrelas, é necessário conhecer os movimentos próprios das estrelas, que são os movimentos bidimensionais das estrelas no plano do céu. Estes movimentos podem ser obtidos observando as mesmas estrelas várias vezes ao longo de um determinado período de tempo, normalmente vários anos. Os deslocamentos das estrelas são então determinados em relação a objetos de referência próximos (da perspetiva do céu). Estes objetos podem ser, por exemplo, galáxias muito distantes de fundo, que podem ser consideradas em repouso, dadas as suas grandes distâncias, ou estrelas com movimentos próprios já conhecidos.

 
A galáxia espiral barrada NGC 1300, considerada como prototípica das galáxias espirais barradas. As espirais barradas diferem das galáxias espirais normais na medida em que os braços da galáxia não entram em espiral até ao centro, mas estão ligados às duas extremidades de uma barra de estrelas que contém o núcleo no seu centro.
Crédito: NASA, ESA e Equipa do Legado Hubble (STScI/AURA)
 

Uma vez que os movimentos observados das estrelas, vistos da Terra, são minúsculos, as medições precisas continuam a ser um desafio. À distância das Nuvens de Magalhães, os movimentos observados das estrelas estão na ordem dos milissegundos de arco por ano - um milissegundo de arco é aproximadamente o tamanho de um astronauta na Lua, visto da Terra.

"A nossa descoberta fornece uma importante contribuição para o estudo das propriedades dinâmicas das galáxias barradas, uma vez que as Nuvens de Magalhães são atualmente as únicas galáxias onde tais movimentos podem ser investigados usando movimentos estelares próprios. Para galáxias mais distantes, isto ainda está para além das nossas capacidades técnicas," diz Florian Niederhofer. No total, foram precisos 9 anos de monitorização para acumular imagens suficientes para se poder medir estes pequenos movimentos. "Esta medição inesperada vem somar-se a uma série de resultados importantes obtidos pela equipa do VMC," acrescenta orgulhosamente Maria-Rosa Cioni.

// Instituto Leibniz para Astrofísica de Potsdam (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

Telescópio VISTA:
ESO
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Um planeta "regressou dos mortos" (via Universidade de Manchester)
Um novo estudo de uma equipa internacional de astrofísicos apresentou a espantosa nova descoberta de um gémeo quase idêntico de Júpiter orbitando uma estrela a uma distância colossal de 17.000 anos-luz da Terra. O exoplaneta, K2-2016-BLG-0005Lb, é quase idêntico a Júpiter em termos de massa e a sua distância ao Sol foi descoberta utilizando dados obtidos em 2016 pelo telescópio espacial Kepler da NASA. O sistema exoplanetário está duas vezes mais distante do que qualquer outro visto anteriormente pelo Kepler, que encontrou mais de 2.700 planetas confirmados antes de cessar as operações em 2018. Ler fonte
     
  Investigadores portugueses utilizam ferramenta da NASA para tentar resolver vários mistérios do Sistema Solar (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Uma equipa de investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) analisou observações da atmosfera de planetas do Sistema Solar, integradas com um simulador da abundância de compostos químicos, para ajudar a responder a perguntas sobre vida fora da Terra, vulcanismo em Vénus, ou a história da água em Marte. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Um Vórtice Auroral sobre a Islândia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Christophe Suarez
 
Não, o carro não estava em perigo de ser "aspirado" para o espaço pelo grande vórtice no céu. Por uma razão, o vórtice era realmente uma aurora e, uma vez que as auroras são criadas por partículas que atingem a Terra a partir do espaço, elas não criam um vácuo. Esta aurora em rápido desenvolvimento foi provocada por uma Ejeção de Massa Coronal do Sol que passou pela Terra suficientemente perto para causar uma ondulação na magnetosfera da Terra. As partes vermelhas superiores da aurora ocorrem a mais de 250 quilómetros de altura, com o seu brilho vermelho criado pelo oxigénio atómico atmosférico diretamente energizado pelas partículas que chegam. As partes verdes inferiores da aurora ocorrem a mais de 100 quilómetros de altura, com o seu brilho verde criado pelo oxigénio atómico atmosférico energizado indiretamente por colisões com o azoto molecular, que são energizados primeiro. Abaixo dos 100 quilómetros, há pouco oxigénio atómico, razão pela qual as auroras terminam abruptamente. Os cilindros concêntricos retratam uma dramática coroa auroral, vista de lado. A imagem em destaque foi criada a partir de uma única exposição de 3 segundos feita em meados de março acima do Lago Myvatn na Islândia.
 
   
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