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Edição n.º 996
20/09 a 23/09/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas.

Observações: À medida que o Verão chega ao fim, a laranja Antares pisca o seu adeus sazonal baixa a Sudoeste ao anoitecer. Procure-a bem para a esquerda de Vénus e talvez um pouco mais brilhante. Quanto mais para Norte se encontrar, mais cedo Antares desce para trás do horizonte.
Vénus e Saturno ainda fazem um bom par observacional.

Dia 21/09: 264.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio
Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de pó e gás (até à data).

Em 2003 termina a missão da Galileu, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.
Observações: Após as últimas luzes do dia, a cruz de Cisne flutua perto do zénite (para observadores a latitudes médias norte). Sem olhar: sabe para onde aponta o seu maior segmento de recta? Se respondeu sudoeste, acertou.
Este é o último dia completo de Verão para o Hemisfério Norte.

Dia 22/09: 265.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).

Observações: Equinócio de Outono, pelas 21:44.

Dia 23/09: 266.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contacto com a Mars Climate Orbiter

Observações: Esta é a altura do ano em que, após o anoitecer, a ténue Ursa Menor (precisa de um céu escuro) parece "deitar" água para a Ursa Maior.

 
CURIOSIDADES


A Astronomia é provavelmente a Ciência mais antiga, e remonta até às primeiras sociedades, que observavam os pontos luminosos que existiam nos céus e se questionavam sobre a origem e significado dos mesmos.

 
CURIOSITY NÃO DETECTA METANO EM MARTE

Dados do rover Curiosity da NASA revelaram que o ambiente marciano carece de metano. Esta é uma surpresa para os investigadores porque os dados anteriores relatados por cientistas norte-americanos e internacionais indicaram detecções positivas.

O laboratório itinerante realizou extensos testes para procurar vestígios de metano marciano. Saber se a atmosfera marciana contém traços do gás tem sido uma questão de grande interesse durante os últimos anos porque o metano pode ser um sinal potencial de vida, embora possa também ser produzido sem biologia.

"Este resultado importante ajudará a direccionar os nossos esforços para examinar a possibilidade de vida em Marte," afirma Michael Meyer, cientista da NASA para a exploração de Marte. "Reduz a probabilidade de micróbios marcianos produtores de metano, mas aborda apenas um tipo de metabolismo microbiano. Como sabemos, existem muitos tipos de micróbios terrestres que não geram metano."

Esta imagem mostra uma demonstração laboratorial da câmara interior do TLS (Tunable Laser Spectrometer), um instrumento que faz parte do SAM (Sample Analysis at Mars) a bordo do rover Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Curiosity analisou amostras da atmosfera marciana em busca de metano seis vezes, desde Outubro de 2012 até Junho deste ano e nunca detectou o gás. Dada a sensibilidade do instrumento usado, o TLS (Tunable Laser Spectrometer), e a sua não detecção, os cientistas calculam que a quantidade de metano na atmosfera marciana de hoje em dia deve ser menos do que 1,3 partes por milhar de milhão. Isto é cerca de um-sexto das estimativas anteriores. Os detalhes dos resultados aparecem na edição de ontem da Science Express.

"Teria sido emocionante encontrar metano, mas temos muita confiança nas nossas medições, e o progresso na expansão do conhecimento é que é realmente importante," afirma Chris Webster, o autor principal do artigo, do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Nós medimos várias vezes, desde a Primavera marciana até ao fim do Verão, mas sem detectar metano."

Webster é o cientista-chefe do espectrómetro, que faz parte do laboratório SAM (Sample Analysis at Mars) do Curiosity. Este pode ser ajustado especificamente para a detecção de vestígios de metano. O laboratório também pode concentrar qualquer metano para aumentar a capacidade de detecção do gás. A equipa do rover vai usar este método para procurar metano a concentrações bem abaixo de 1 parte por mil milhões.

O instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), o maior dos 10 instrumentos científicos a bordo do rover Curiosity, que examina amostras de rochas marcianas, solo e atmosfera para recolher informações sobre químicos importantes para a vida e outros indicadores químicos sobre os ambientes passados e presentes.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O metano, o hidrocarboneto mais abundante no nosso Sistema Solar, tem um átomo de carbono ligado a quatro átomos de hidrogénio em cada molécula. Os relatórios anteriores de concentrações de metano localizadas até 45 partes por cada milhar de milhão em Marte, que despertaram o interesse na possibilidade de uma fonte biológica em Marte, foram baseados em observações a partir da Terra e em órbita de Marte. No entanto, as medições do Curiosity não são consistentes com essas concentrações, mesmo se o metano se tenha dispersado globalmente.

"Não há nenhuma maneira conhecida para o metano desaparecer rapidamente da atmosfera," afirma um dos co-autores do artigo, Sushil Atreya da Universidade de Michigan, Ann Arbor. "O metano é persistente. Devia permanecer durante centenas de anos na atmosfera marciana. Sem um método de o remover mais rapidamente da atmosfera, as nossas medições indicam que não pode haver tanto metano sendo colocado na atmosfera por qualquer mecanismo, quer seja biologia, geologia ou por degradação ultravioleta de material orgânico entregue pela queda de meteoritos ou partículas de poeira interplanetária."

A concentração mais alta de metano que pode estar presente sem ser detectada por meio de medições do Curiosity até agora equivaleria a não mais de 10 a 20 toneladas por ano de metano entrando na atmosfera marciana, estima Atreya. Isto é cerca de 50 milhões de vezes menor do que a taxa de metano que entra na atmosfera da Terra.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
11/12/2009 - Teoria de vida em Marte impulsionada por novo estudo de metano
19/01/2009 - Metano revela que Marte não é um planeta morto
05/11/2008 - Metano em Marte permanece ainda um mistério
20/12/2005 - Bactérias marcianas podem encontrar-se por baixo do gelo
10/06/2005 - Metano de Marte explicado sem biologia
18/02/2005 - Uma lufada de vida em Marte
16/11/2004 - Marte, metano e cientistas

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science Express (requer subscrição)
Science
Nature
PHYSORG
SPACE.com
redOrbit
ScienceNews
New Scientist
Discover
POPSCI
National Geographic
UPI.com
BBC News
Reuters
The Verge
Euronews
Público

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Metano:
Wikipedia
Metano na atmosfera de Marte (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Lua stressada, Europa, teve provavelmente eixo inclinado (via NASA)
Ao analisar as rachas existentes na face gelada de Europa, os cientistas descobriram evidências que esta lua de Júpiter provavelmente girou em torno de si própria num eixo inclinado durante algum tempo da sua existência. Esta inclinação influencia cálculos da história de Europa gravada na sua concha gelada, quanto calor é gerado por marés no seu oceano e há quanto tempo é que o oceano se encontra em estado líquido. Ler fonte
     
  Novas moléculas detectadas na atmosfera de Io (via arXiv)
Io - a lua galileana mais interior de Júpiter - é o corpo mais activo geologicamente no Sistema Solar. Com mais de 400 vulcões activos, as plumas de enxofre podem subir até quase 500 km por cima da superfície. Uma equipa de astrónomos detectou o segundo isótopo mais abundante de enxofre (34-S) e tentativamente cloreto de potássio (KCl). Ler artigo científico
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M45: O Enxame Estelas das Plêiades
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Roberto Colombari
 
Já alguma vez viu o enxame estelar das Plêiades? Mesmo que já o tenha observado, provavelmente nunca o viu assim tão poeirento. Talvez o mais famoso aglomerado do céu, as estrelas brilhantes das Plêiades podem ser vistas sem binóculos até mesmo a partir de uma cidade com poluição luminosa. Com um local escuro e uma longa exposição, porém, a nuvem de poeira que rodeia o enxame das Plêiades torna-se muito evidente. A exposição acima tem uma duração de 20 minutos e cobre uma área no céu várias vezes o tamanho da Lua Cheia. Também conhecida como Sete Irmãs ou M45, as Plêiades estão situadas a cerca de 400 anos-luz de distância na direcção da constelação de Touro. Uma lenda com um "twist" moderno diz que uma das estrelas mais brilhantes desapareceu desde que o enxame tem nome, deixando para trás apenas seis estrelas visíveis a olho nu. O número real de estrelas visíveis das Plêiades, no entanto, pode ser mais ou menos que 7, dependendo da escuridão do céu em redor e da clareza da visão do observador.
 

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