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Edição n.º 1149
13/03 a 16/03/2015
 
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20/03/15 - OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE SOLAR
08:00 – 10:00 - Observação do eclipse solar de forma segura, com telescópio e outros meios, em simultâneo com outras zonas do país.
Público: Público em geral
Local: Mercado Municipal

20/03/15 - MEDIÇÃO DO RAIO DA TERRA NO EQUINÓCIO DA PRIMAVERA
12:00 – 13:30 - Cálculo do raio da Terra através de uma atividade de medição do comprimento de uma sombra, à semelhança do método usado por Eratóstenes em 250 a.C.
Local: Fórum Algarve

27/03/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/03: 72.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Urano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.
Em 1855, nascia Percival Lowell, astrónomo americano que alimentou a especulação da existência de canais em Marte, construídos por marcianos.

Lowell também fundou o Observatório Lowell e formou o começo do esforço que levaria à descoberta de Plutão 14 anos após a sua morte. A escolha do nome Plutão e do seu símbolo foram em parte influenciados pelas suas iniciais PL. 
Em 1930, a descoberta de Plutão é telegrafada para o Observatório Harvard College
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar. 
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 04:04 e as 07:01.
Eclipse de Europa, entre as 05:39 e as 08:36.
Antes do amanhecer, a Lua brilha para a esquerda de Saturno e da cabeça de Escorpião.
Lua em Quarto Minguante, pelas 17:48.
Eclipse de Ganimedes, entre as 19:02 e as 22:53.
Ocultação de Io, entre as 19:55 e as 22:17.
Eclipse de Io, entre as 20:43 e as 23:04.

Dia 14/03: 73.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1835, nascia Giovanni Schiaparelli, astrónomo italiano que observou Marte e afirmou que via grandes sistemas de canais em Marte. Foi também o primeiro a demonstrar que as Perseídas e as Leónidas estavam associadas com os cometas, e descobriu o asteróide 69 Hesperia.
Em 1879, nascia Albert Einstein.

Mundialmente famoso pela sua teoria da relatividade, e especificamente pela equivalência massa-energia. Recebeu em 1921 o Nobel da Física, graças à descoberta do efeito fotoeléctrico. 
Em 1995, o astronauta Norman Thagard torna-se o primeiro americano a ir para o espaço a bordo de um veículo de lançamento russo.
Observações:
Trânsito de Io, entre as 17:03 e as 19:24.
Trânsito de Europa, entre as 23:03 e as 02:01 (já de dia 15).
Entre o céu de inverno e o céu de primavera está a ténue constelação de Caranguejo, marcada este ano por Júpiter. Gémeos está para oeste e Leão da primavera está para este. Não se distraia muito por Júpiter, Caranguejo também tem o enxame do Presépio (M44). Encontra-se 6º para cima e para a direita de Júpiter, depois do anoitecer. Use binóculos.

Dia 15/03: 74.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713, nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.

Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Em 2004, foi anunciada a descoberta de 90377 Sedna, um dos objetos naturais mais longínquos já observados no Sistema Solar (além dos cometas de longo-período).
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 00:43 e as 03:40.
Trânsito de Calisto, entre as 01:27 e as 06:23.

Dia 16/03: 75.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1750, nascia Caroline Herschel, astrónoma e irmã de William Herschel, com quem trabalhou. A sua maior contribuição para a astronomia foi a descoberta de vários cometas e em particular o cometa periódico 35P/Herschel-Rigollet. Foi a primeira mulher a ser remunerada pela sua contribuição à ciência e recebeu vários prémios e honras internacionais.
Em 1918, nascia Frederick Reines, físico americano que recebeu em 1995 o Prémio Nobel da Física pela sua co-detecção do neutrinojuntamente com Clyde Cowan. Pode muito bem ser o único cientista na história "tão intimamente ligado à descoberta de uma partícula elementar e consequente investigação das suas propriedades fundamentais".
Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticabilidade dos foguetões e convence Goddard que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua. 

Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96,6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12,5 metros.
Em 1942, primeiro lançamento de teste do foguetão V-2. Explode na descolagem. 
Em 1966 era lançada a Gemini 8- o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejetado da Terra aquando do impacto com um objeto do tamanho de Marte.
Em 2005, a sonda Cassini descobre a atmosfera de Encélado.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 17:15 e as 20:10.
Eclipse de Europa, entre as 18:55 e as 21:54.
A estação está a mudar. Assim que as estrelas ficam visíveis, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste e está à mesma altura que Cassiopeia a noroeste. Durante a primavera e verão, a Ursa Maior sobe e Cassiopeia desce da sua posição alta de outono e inverno.

 
CURIOSIDADES


A ESA está a permitir com que escolas, clubes e outras organizações de jovens possam usar a câmara VMC a bordo da sonda Mars Express para fazer observações de Marte. Consulte os termos, condições e faça o seu registo aqui.

 
OBSERVAÇÕES DO HUBBLE SUGEREM EXISTÊNCIA DE OCEANO SUBTERRÂNEO EM GANIMEDES
Nesta impressão de artista, a lua Ganimedes orbita o planeta gigante Júpiter. O Telescópio Espacial Hubble observou auroras na lua geradas pelos campos magnéticos de Ganimedes. Um oceano salgado por baixo da crosta gelada é a melhor explicação para a deslocação angular das cinturas aurorais medida pelo Hubble.
Crédito: NASA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA recolheu a melhor evidência, até agora, de um oceano de água salgada em Ganimedes, a maior lua de Júpiter. Pensa-se que este oceano subterrâneo tem mais água que toda a água à superfície da Terra.

A identificação de água líquida é crucial na busca de mundos habitáveis para lá da Terra e na busca de vida como a conhecemos.

"Esta descoberta é um marco significativo, destacando o que somente o Hubble consegue fazer," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA na sua sede em Washington, EUA. "Durante os seus 25 anos em órbita, o Hubble fez muitas descobertas científicas no nosso próprio Sistema Solar. Um oceano profundo sob a crosta gelada de Ganimedes abre possibilidades ainda mais fascinantes para a vida fora da Terra."

Ganimedes é a maior lua do nosso Sistema Solar e a única com o seu próprio campo magnético. O campo magnético provoca auroras, "fitas" de gás eletrificado, quente e brilhante, em regiões que circundam os polos norte e sul da lua. Tendo em conta que Ganimedes está perto de Júpiter, está também embutido no campo magnético de Júpiter. Quando o campo magnético de Júpiter muda, as auroras em Ganimedes também mudam, "balançando" para a frente e para trás.

Ao observar o movimento balançante das duas auroras, os cientistas foram capazes de determinar que uma grande quantidade de água salgada por baixo da crosta de Ganimedes afeta o seu campo magnético.

Uma equipa de cientistas liderada por Joachim Saur da Universidade de Colónia, Alemanha, teve a ideia de usar o Hubble para aprender mais sobre o interior da lua.

Imagens das cinturas aurorais de Ganimedes pelo Telescópio Hubble sobrepostas numa imagem da lua capturada pela sonda Galileu. O "baloiçar" do campo magnético da lua sugere que tem um oceano salgado subsuperficial.
Crédito: NASA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Eu estava sempre pensando em como poderíamos usar um telescópio de outras maneiras," afirma Saur. "Será que existe um modo de espreitar o interior de um corpo planetário com um telescópio? Então pensei, as auroras! Dado que as auroras são controladas pelo campo magnético, caso observássemos as auroras de forma adequada, podíamos aprender mais sobre o campo magnético. Se conhecermos o campo magnético, então podemos aprender mais sobre o interior da lua."

Se um oceano de água salgada estivesse presente, então o campo magnético de Júpiter criaria um campo magnético secundário no oceano para contrariar o campo de Júpiter. Esta "fricção magnética" suprimiria o balanço das auroras. Este oceano combate o campo magnético de Júpiter tão fortemente que reduz o baloiçar das auroras em 2 graus, em vez dos 6 graus, caso o oceano não estivesse presente.

Os cientistas estimam que o oceano tem cerca de 100 km de espessura - 10 vezes a profundidade dos oceanos da Terra - e está enterrado sob uma crosta de 150 km constituída principalmente por gelo.

Os cientistas suspeitaram da existência de um oceano em Ganimedes pela primeira vez na década de 1970, com base em modelos do grande satélite natural. A missão Galileu da NASA mediu o campo magnético de Ganimedes em 2002, fornecendo a primeira evidência que apoiava estas suspeitas. A Galileu obteve medições breves do campo magnético em intervalos de 20 minutos, mas as suas observações eram demasiado curtas para apanhar definitivamente este baloiçar cíclico do campo magnético secundário do oceano.

As novas observações foram feitas no ultravioleta e só podem ser realizadas com um telescópio espacial bem acima da atmosfera da Terra, que bloqueia a maioria da radiação ultravioleta.

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA celebra 25 anos de ciência inovadora no dia 24 de Abril. Transformou a nossa compreensão do Sistema Solar e além, e ajudou-nos a encontrar o nosso lugar entre as estrelas.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
06/05/2014 - Ganimedes pode abrigar "sanduíche" de oceanos e gelo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Journal of Geophysical Research
NewScientist
SPACE.com
Science Daily
Popular Mechanics
PHYSORG
National Geographic
Discovery News
ars technica
BBC News

Ganimedes:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Sonda Galileu:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
CASSINI SUGERE ATIVIDADE HIDROTERMAL NO OCEANO DE ENCÉLADO
Esta imagem de Encélado é uma impressão de artista que ilustra a possível atividade hidrotermal no fundo oceânico - e por baixo - subterrâneo, com base em resultados publicados recentemente da missão Cassini.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Cassini da NASA forneceu aos cientistas a primeira evidência clara de que a lua de Saturno, Encélado, exibe sinais de atividade hidrotermal atual, que podem ser semelhantes ao que vemos nas profundezas dos oceanos da Terra. As implicações de tal atividade, num mundo que não o nosso, abrem possibilidades científicas sem precedentes.

"Estes resultados acrescentam força à possibilidade de que Encélado, que contém um oceano subterrâneo e que exibe notável atividade geológica, poderá conter ambientes adequados para organismos vivos," afirma John Grunsfeld, astronauta e administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Os locais no nosso Sistema Solar com ambientes extremos e em que a vida possa existir aproximam-nos da resposta à questão: estamos sozinhos no Universo?"

A atividade hidrotermal ocorre quando água do mar infiltra-se e reage com uma crosta rochosa e emerge como uma solução mineral e aquecida, uma ocorrência natural nos oceanos da Terra. De acordo com dois artigos científicos, os resultados são os primeiros indícios claros de que uma lua gelada pode ter processos ativos semelhantes.

O primeiro artigo, publicado esta semana na revista Nature, diz respeito a grãos microscópicos de rocha detetados pela Cassini no sistema saturniano. Uma análise extensa (ao longo de quatro anos) de dados da sonda, simulações computacionais e experiências de laboratório levam os cientistas a concluir que os minúsculos grãos formam-se mais provavelmente quando água quente, contendo minerais dissolvidos do interior rochoso da lua, viaja para cima, entrando em contato com água mais fria. As temperaturas necessárias para as interações que produzem os pequenos grãos de rocha são de pelo menos 90 graus Celsius.

"É muito emocionante podermos usar estes grãos minúsculos de rocha, expelidos para o espaço por geysers, para saber as condições no fundo do oceano - e por baixo - de uma lua gelada," afirma Sean Hsu, autor principal do estudo e investigador de pós-doutorado da Universidade do Colorado em Boulder, EUA.

Plumas dramáticas, tanto grandes como pequenas, expelem água gelada a partir de muitos locais ao longo das "listas de tigre" perto do pólo sul de Encélado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer) da Cassini detetou repetidamente partículas minúsculas de rocha ricas em silício, mesmo antes de entrar em órbita de Saturno em 2004. Pelo processo de eliminação, a equipa do CDA concluiu que estas partículas devem ser grãos de sílica, substância encontrada na areia e no quartzo mineral cá na Terra. O tamanho consistente dos grãos observados pela Cassini, os maiores dos quais rondam os 6-9 nanómetros, foi a pista que indicou aos cientistas que o responsável era provavelmente um processo em específico.

Na Terra, a maneira mais comum de formar grãos de sílica deste tamanho é a atividade hidrotermal sob uma gama específica de condições; ou seja, quando a água salgada e ligeiramente alcalina que está supersaturada com sílica sofre uma grande queda na temperatura.

"Nós procurámos metodicamente explicações alternativas para os grãos de nanosílica, mas cada novo resultado apontava para uma única origem mais provável," afirma Frank Postberg, coautor do artigo, cientista da equipa CDA da Cassini e da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

Hsu e Postberg trabalharam em estreita colaboração com colegas da Universidade de Tóquio que realizaram detalhadas experiências laboratoriais que validaram a hipótese de atividade hidrotermal. A equipa japonesa, liderada por Yasuhito Sekine, verificou as condições sob as quais os grãos de sílica se formam com o mesmo tamanho daqueles detetados pela Cassini. Os investigadores pensam que estas condições podem existir no fundo oceânico de Encélado, onde a água quente do interior encontra a água relativamente fria do fundo do oceano.

O tamanho extremamente pequeno das partículas de sílica também sugere que viajam para cima relativamente depressa a partir da sua origem hidrotermal até às fontes próximas da superfície dos geysers da lua. Do fundo do oceano até ao espaço, uma distância de aproximadamente 50 km, os grãos passam alguns meses até alguns anos em trânsito, caso contrário teriam tamanhos muito maiores.

Os autores salientam que as medições de gravidade da Cassini sugerem que o núcleo rochoso de Encélado é muito poroso, o que permitiria que a água do oceano se infiltrasse para o interior. Isso proporcionaria uma enorme área de superfície onde a água e a rocha podem interagir.

O segundo artigo, publicado recentemente na revista Geophysical Research Letters, sugere atividade hidrotermal como uma das duas fontes prováveis de metano na pluma de gás e partículas geladas que entram em erupção na região polar sul de Encélado. A descoberta é o resultado de uma ampla modelagem por cientistas franceses e americanos para descobrir o porquê do metano, anteriormente estudado pela Cassini, ser curiosamente tão abundante na pluma.

A equipa descobriu que, nas altas pressões esperadas no oceano da lua, podem formar-se materiais gelados, denominados clatratos, que aprisionam as moléculas de metano dentro de uma estrutura cristalina de água gelada. Os seus modelos indicam que este processo é tão eficiente a esgotar o metano do oceano que os investigadores ainda precisavam de uma explicação para a sua abundância na pluma.

Esta ilustração mostra as origens potenciais do metano encontrado na pluma de gás e gelo de Encélado, com base em pesquisas levadas a cabo por cientistas que trabalhavam com o instrumento INMS da Cassini.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Num cenário, os processos hidrotermais supersaturam o oceano com metano. Tal pode ocorrer se o metano é produzido mais rapidamente do que é convertido em clatratos. A segunda possibilidade é que os clatratos de metano oceânico são arrastados para as plumas em erupção e libertam o seu metano à medida que sobem, como bolhas que se formam quando a rolha salta de uma garrafa de champanhe.

Os autores concordam que provavelmente ocorrem ambos os cenários, mas sublinham que a presença de grãos de nanosílica, como documentado no outro artigo, favorece o cenário hidrotermal.

"Não esperávamos que o nosso estudo de clatratos no oceano de Encélado nos levasse à ideia de que o metano está a ser produzido ativamente por processos hidrotermais," afirma o autor principal Alexis Bouquet, estudante da Universidade do Texas em San Antonio, EUA. Bouquet. Bouquet trabalhou com o coautor Hunter Waite, que lidera a equipa do instrumento INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer) da Cassini no Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio.

A Cassini revelou processos geológicos ativos em Encélado pela primeira vez em 2005, com a evidência de um spray gelado oriundo da região polar sul da lua e temperaturas aí superiores ao esperado. Com o seu poderoso conjunto de instrumentos científicos, a missão logo revelou uma pluma imponente de gelo, vapor de água, sais e materiais orgânicos emitidos por fraturas relativamente quentes na superfície enrugada. Resultados científicos da gravidade publicados em 2014 sugerem fortemente a presença de um oceano com 10 km de profundidade por baixo de uma concha gelada com cerca de 30 a 40 km de espessura.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/04/2014 - Encélado tem um mar subterrâneo
24/06/2011 - Cassini captura spray oceânico em lua de Saturno
08/03/2011 - Cassini descobre que Encelado é um verdadeiro poço de energia
26/02/2010 - Cassini descobre pletora de plumas e zonas quentes em Encelado
26/06/2009 - Descoberta de sais pela Cassini aponta para oceano por baixo de Encelado
24/07/2009 - Lua de Saturno mostra evidências de amónia
29/11/2008 - Jactos de Encelado - molhados ou apenas selvagens?
26/08/2008 - Cassini observa fonte dos jactos em Encelado
13/08/2008 - Cassini revisita lua gelada de Saturno
09/08/2008 - Cassini prepara-se para passar novamente por Encelado
29/03/2008 - Cassini prova material orgânico de Encelado
15/03/2008 - Cassini voa pelas plumas de Encelado
14/03/2007 - Um começo quente pode explicar os geysers de Encelado
10/03/2006 - Cassini encontra sinais de água líquida em lua de Saturno
02/12/2005 - Vulcões de gelo em Encelado

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
Nature (H-W. Hsu et al.)
Geophysical Research Letters (A. Bouquet et al.)
SPACE.com
AstronomyNow
PHYSORG
Scientific American
NewScientist
Space Daily
POPULAR SCIENCE
astrobiology web
Popular Mechanics
Wired
ars technica
engadget
The Verge
Público
ZAP.aeiou

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

Clatrato:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
A GALÁXIA ONDULADA - VIA LÁCTEA PODE SER MAIOR DO QUE SE PENSAVA

De acordo com novos achados que revelam que o disco galáctico tem várias ondas concêntricas, a Via Láctea é pelo menos 50% maior do que se estimava. A pesquisa, conduzida por uma equipa internacional liderada pela Professora Heidi Jo Newberg do Instituto Politécnico Rensselaer, revisitou dados astronómicos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) que, em 2002, estabeleceram a presença de um anel saliente de estrelas para lá do plano conhecido da Via Láctea.

"Em essência, o que descobrimos é que o disco da Via Láctea não é apenas um disco de estrelas num plano achatado - é ondulado," afirma Heidi Newberg, professora de física, de física aplicada e de astronomia na Escola de Ciências de Rensselaer. "A partir da posição do Sol e para fora da Galáxia, vemos pelo menos quatro ondulações no disco da Via Láctea. Apesar de apenas podermos olhar para parte da Galáxia com estes dados, assumimos que este padrão encontra-se por todo o disco."

É importante ressaltar que os resultados mostram que as características previamente identificadas como anéis são na realidade parte do disco galáctico, estendendo-se pela dimensão conhecida da Via Láctea de 100.000 anos-luz até 150.000 anos-luz, afirma Yan Xu, cientista dos Observatórios Astronómicos Nacionais da China (parte da Academia Chinesa de Ciências em Pequim), ex-cientista visitante de Rensselaer e autor principal do artigo.

A Via Láctea "ondulada" pode ser 50% maior do que se pensava anteriormente.
Crédito: Instituto Politécnico Rensselaer
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Antes do início da pesquisa, os astrónomos já tinham observado que o número de estrelas da Via Láctea diminui rapidamente a cerca de 50.000 anos-luz do centro da Galáxia e, em seguida, aparece um anel de estrelas a cerca de 60.000 anos-luz do centro," acrescenta Xu. "O que vemos agora é que este anel aparente é na realidade uma ondulação no disco. E podem muito bem existir outras ondulações mais distantes que ainda não vimos."

A pesquisa foi financiada em parte pelo NSF (National Science Foundation) e publicada anteontem na revista The Astrophysical Journal. Newberg, Xu e colaboradores usaram dados do SDSS para mostrar uma assimetria oscilante na contagem de estrelas em sequência principal de cada lado do plano galáctico, começando a partir do Sol e olhando para o lado oposto ao do centro da Galáxia. Por outras palavras, quando olhamos para fora da Galáxia, o plano médio do disco é perturbado para cima, depois para baixo, depois para cima e novamente para baixo.

"É fundamentalmente importante alargar o nosso conhecimento da estrutura da Via Láctea," comenta Glen Langston, gerente do programa NSF. "Estamos orgulhosos por apoiar os esforços de mapear a forma da nossa Galáxia para lá dos limites até então desconhecidos."

A nova investigação baseia-se numa descoberta de 2002, na qual Newberg estabeleceu a existência do "Anel de Unicórnio" (ou Anel de Monoceros), um "excesso de densidade" estelar nas orlas exteriores da Galáxia que protrai para cima do plano galáctico. Na altura, Newberg notou evidências de outro excesso de densidade estelar, entre o Anel de Monoceros e o Sol, mas foi incapaz de continuar a investigação. Com mais dados disponíveis do SDSS, os cientistas recentemente debruçaram-se sobre este mistério.

A densidade da luz detetada na Via Láctea revela contornos ondulatórios.
Crédito: Instituto Politécnico Rensselaer
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Eu queria descobrir o que era este outro excesso de densidade," explica Newberg. "Estas estrelas eram anteriormente consideradas estrelas do disco, mas não coincidiam com a distribuição da densidade que seria de esperar para estrelas do disco, por isso pensei, 'bem, talvez seja outro anel, ou uma galáxia anã altamente perturbada.'"

Quando revisitaram os dados, encontraram quatro anomalias: um para norte do plano galáctico a 2 kpc (kiloparsecs; um parsec equivale a 3,26 anos-luz) do Sol, um para sul do plano a 4-6 kpc, um terceiro para norte a 8-10 kpc e evidências de um quarto para sul a 12-16 kpc do Sol. O Anel de Monoceros está associado com a terceira ondulação. Os investigadores descobriram ainda que as oscilações parecem alinhar com as posições dos braços espirais da Via Láctea. Newberg disse que as descobertas suportam outra pesquisa recente, incluindo uma constatação teórica de que uma galáxia anã ou que um "caroço" de matéria escura, passando pela Via Láctea, produziria um efeito semelhante de ondulação. De facto, as ondulações podem vir a ser utilizadas para medir a granulosidade da matéria escura na nossa Galáxia.

"É muito parecido com o que aconteceria se atirássemos uma pedra para água parada - as ondas irradiam para fora do ponto de impacto," explica Newberg. "Se uma galáxia anã passa pelo disco, puxa gravitacionalmente o disco para cima quando entra e puxa o disco para baixo quando atravessa, e isto cria um padrão ondulatório que se propaga para fora."

Newberg investiga atualmente a estrutura e evolução da nossa Galáxia, usando estrelas como marcadores do halo e do disco galáctico. Estas estrelas por sua vez são usadas para rastrear a distribuição de densidade da matéria escura na Via Láctea.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Politécnico Rensselaer (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
(e) Science News
PHYSORG
Discovery News
UPI

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Anel de Unicórnio (Monoceros):
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Novas galáxias anãs descobertas em órbita da Via Láctea (via Universidade de Cambridge)
Astrónomos descobriram uma rara "arca de tesouro" de galáxias satélite em órbita da nossa Via Láctea. As descobertas podem ser a chave para compreender a matéria escura, a misteriosa substância que mantém a nossa galáxia coesa. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Ao Longo da Muralha de Cisne
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jimmy Walker
 
A crista de emissão em forma de W aqui nesta impressionante paisagem celeste é conhecida como Muralha de Cisne. Parte de uma maior nebulosa de emissão com um contorno inconfundível e conhecido como Nebulosa América do Norte, este limite cósmico abrange cerca de 20 anos-luz. Construído com dados de banda estreita para realçar o brilho avermelhado e revelador dos átomos de hidrogénio ionizado recombinados com eletrões, o mosaico de duas imagens segue uma frente de ionização com detalhes finos de formas escuras e empoeiradas em silhueta. Esculpido por radiação energética de estrelas jovens, quentes e maciças da região, as formas escuras que habitam a imagem são nuvens de gás frio e poeira provavelmente com estrelas em formação aí dentro. A Nebulosa América do Norte propriamente dita, também chamada NGC 7000, está a cerca de 1500 anos-luz de distância.
 

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