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Edição n.º 1248
23/02 a 25/02/2016
 
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26/02/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1583 nascia Jean-Baptiste Morin, astrólogo e astrónomo, conhecido por opôr-se a Galileu e às suas ideias.
Em 1950, descoberta do asteroide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuíu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de Dezembro), um objeto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objeto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar. 
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69.
SN1987A. Crédito: HST
Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objetos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (objetos naturais - o terceiro objeto em geral é agora a ISS).
Observações: A Lua e Júpiter brilham próximos um do outro, baixos a este depois do anoitecer. Embora pareçam formar um par, Júpiter está 1700 vezes mais distante. E é 40 vezes maior em diâmetro. Use binóculos para avistar as quatro maiores luas de Júpiter. Observe também a Lua aproximar-se a 2º de Júpiter durante o resto da noite.

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, nascia Brian Schmidt, astrónomo e astrofísico australiano que em 2011 partilhou com Saul Perlmutter e Adam Riess o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa em rádio. Hewish e Ryle, codiretores do projeto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 era lançada a sonda americana Mariner 6. A 31 de Julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento do satélite Solwind P78-1.
Em 1996 foi lançada a sonda POLAR para estudar a região dos pólos da Terra, uma região ativa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery.

Observações: Sirius brilha o mais alto a sul pelas 21:00. Usando binóculos, examine a mancha 4º para sul de Sirius (para baixo, ligeiramente para a esquerda). Quatro graus é mais ou menos o diâmetro do campo de visão de um telescópio. Consegue ver ali uma pequena mancha difusa? É o enxame aberto M41, a cerca de 2000 anos-luz de distância. Sirius, em comparação, está a apenas 8,6 anos-luz.

Dia 25/02: 56.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2007, a sonda Rosetta passa por Marte.

Observações: Alguma vez observou Canopus, a segunda estrela mais brilhante do céu noturno, depois de Sirius? Numa das mais interessantes coincidências que os observadores do céu conhecem, Canopus está situada quase exatamente para sul de Sirius, cerca de 36º. Está a sul o suficiente para não aparecer acima do horizonte a não ser que esteja abaixo da latitude 37º. E aí, precisa de um horizonte liso a sul. Canopus atravessa o ponto cardeal Sul apenas 21 minutos antes de Sirius. Quer tentar? Canopus está a sul quando Beta Canis Majoris - Mirzam, a estrela a poucos graus para a direita de Sirius, está no seu ponto mais alto a sul pelas 20:41. Nessa altura, olhe diretamente para sul.

 
CURIOSIDADES


Mais de 18.300 pessoas candidataram-se ao programa de astronautas de 2017 da NASA, quase três vezes o número de aplicações recebidas em 2012 para o mais recente programa, ultrapassando, de longe, o recorde anterior de 8000 em 1978.

 
CARONTE, A LUA "HULK" DE PLUTÃO: UM POSSÍVEL ANTIGO OCEANO?

A maior lua de Plutão pode ter ficado demasiado grande para a sua "pele".

As imagens obtidas pela missão New Horizons da NASA sugerem que a lua de Plutão, Caronte, teve um oceano subsuperficial que há muito tempo congelou e expandiu, empurrando para fora e fazendo com que a superfície da lua esticasse e se fraturasse numa escala massiva.

O lado da maior lua de Plutão, observado aquando da passagem da sonda New Horizons em julho de 2015, é caracterizado por um sistema de falhas tectónicas "separadas", expressas como cristas, escarpas e vales - esta última característica por vezes alcançando mais de 6,5 km de profundidade. A paisagem tectónica de Caronte mostra que, de alguma forma, a lua cresceu no seu passado e - tal como Bruce Banner que rasga a sua camisa quando se torna no Incrível Hulk - a superfície de Caronte fraturou-se e esticou-se.

A camada externa de Caronte é principalmente água gelada. Esta camada foi mantida quente quando Caronte era jovem por calor fornecido pelo decaimento de elementos radioativos, bem como pelo próprio calor interno da formação de Caronte. Os cientistas dizem que Caronte pode ter sido quente o suficiente para fazer com que a água gelada derretesse, criando um oceano subsuperficial. Mas à medida que Caronte arrefecia com o passar do tempo, este oceano congelou e expandiu-se (como acontece quando a água congela), levantando as camadas mais externas da lua e produzindo os enormes abismos que vemos hoje.

Ampliação dos desfiladeiros de Caronte, a grande lua de Plutão, obtida pela New Horizons durante a sua aproximação ao sistema de Plutão do passado mês de julho de 2015. Várias fotografias captadas pela New Horizons permitem medições "estéreo" da topografia de Caronte, visível na imagem colorida. A escala indica elevação relativa.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A parte superior desta imagem mostra parte da característica informalmente chamada Serenity Chasma, parte de uma vasta cintura equatorial de abismos em Caronte. Este sistema de falhas e fraturas mede pelo menos 1800 km de comprimento e em certos locais os abismos atingem 7,5 km de profundidade. Em comparação, o Grand Canyon mede 446 km de comprimento e apenas 1,6 km de profundidade.

A parte inferior da imagem mostra topografia colorida da mesma cena. As medições da forma desta característica informam os cientistas que a camada de água gelada de Caronte pode ter sido, pelo menos, parcialmente líquida no início da sua história e que, desde aí, congelou novamente.

Esta imagem foi obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) a bordo da New Horizons. O Norte é para cima: a iluminação vem do canto superior esquerdo da imagem. A resolução da imagem atinge os 394 metros por pixel. A imagem mede 386 km de comprimento e 175 km de largura. Foi obtida a aproximadamente 78.700 km de Caronte, cerca de uma hora e quarenta minutos antes da maior aproximação da New Horizons a Caronte de dia 14 de julho de 2015.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Astronomy
Astrobiology Magazine
POPULAR MECHANICS
redOrbit
PHYSORG

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
HUBBLE MEDE DIRETAMENTE ROTAÇÃO DE "SUPER-JÚPITER"

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, astrónomos mediram a taxa de rotação de um exoplaneta extremo, observando a variação de brilho na sua atmosfera. Esta é a primeira medição da rotação de um exoplaneta massivo usando imagens diretas.

"O resultado é muito emocionante", afirma Daniel Apai da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, líder da investigação do Hubble. "Dá-nos uma técnica única para estudar as atmosferas dos exoplanetas e para medir as taxas de rotação."

O planeta, chamado 2M1207b, tem aproximadamente quatro vezes a massa de Júpiter e é apelidado de "super-Júpiter". É companheiro de uma estrela falhada conhecida como anã castanha, orbitando o objeto a uma distância de 8 mil milhões de quilómetros. Em contraste, Júpiter está a aproximadamente 800 milhões de quilómetros do Sol. A anã castanha tem o nome 2M1207. O sistema está situado a 170 anos-luz da Terra.

Esta é uma impressão de artista do planeta com quatro vezes a massa de Júpiter que orbita a 8 mil milhões de quilómetros de uma anã castanha (o objeto avermelhado no pano de fundo). O planeta está a apenas 170 anos-luz de distância. O nosso Sol é uma estrela de fundo.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estabilidade, alto contraste e alta-resolução das imagens do Hubble permitiram com que os astrónomos medissem com precisão o brilho do planeta à medida que este gira. Os investigadores atribuem a variação de brilho aos complexos padrões de nuvens na atmosfera do planeta. As novas medições do Hubble não só verificam a presença destas nuvens, como também mostram que as camadas de nuvens são irregulares e incolores.

Os astrónomos observaram pela primeira vez este exoplaneta gigante há 10 anos atrás com o Hubble. As observações revelaram que a atmosfera do exoplaneta é quente o suficiente para ter nuvens de "chuva" compostas por silicatos: rocha vaporizada que arrefece para formar partículas minúsculas semelhantes àquelas no fumo dos cigarros. Nas profundezas da atmosfera formam-se gotículas de ferro que caem como chuva, eventualmente evaporando-se à medida que entram nos níveis mais baixos da atmosfera.

"A altitudes mais elevadas, chove vidro, e a altitudes mais baixas, chove ferro," comenta Yifan Zhou da Universidade do Arizona, autor principal do artigo científico. "As temperaturas atmosféricas situam-se entre os 1200 e os 1400 graus Celsius."

O super-Júpiter é tão quente que aparece mais brilhante no infravermelho. Os astrónomos usaram o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) para analisar o planeta no infravermelho e assim explorar as nuvens do objeto e medir a sua velocidade de rotação. O planeta é quente porque tem apenas 10 milhões de anos e ainda está a contrair e a arrefecer. Em comparação, Júpiter tem cerca de 4,5 mil milhões de anos.

No entanto, o planeta não irá manter estas temperaturas escaldantes. Ao longo dos próximos milhares de milhões de anos, o objeto vai arrefecer e desvanecer dramaticamente. À medida que a sua temperatura diminui, o ferro e as nuvens de silicatos também vão formar-se cada vez mais baixo na atmosfera até que, eventualmente, desaparecem de vista.

Este gráfico mostra mudanças no brilho infravermelho de 2M1207b, pelo Telescópio Espacial Hubble. Ao longo de 10 horas de observação, o planeta mostrou variações no brilho, sugerindo a presença de nuvens que influenciam a quantidade de radiação infravermelha observada à medida que o planeta gira.
Crédito: NASA, ESA, Y. Zhou (Universidade do Arizona) e P. Jeffries (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Zhou e a sua equipa também determinaram que o super-Júpiter completa uma rotação aproximadamente a cada 10 horas, girando mais ou menos à mesma taxa que Júpiter.

Este super-Júpiter é apenas cinco a sete vezes menos massivo que a sua anã castanha hospedeira. Por outro lado, o nosso Sol é aproximadamente 1000 vezes mais massivo que Júpiter. "Portanto, este é um bom indício de que o sistema 2M1207 que estudámos formou-se de maneira diferente do nosso próprio Sistema Solar," explicou Zhou. Os planetas que orbitam o nosso Sol formaram-se dentro de um disco circumestelar através de acreção. Mas o super-Júpiter e a sua companheira podem ter-se formado no colapso gravitacional de um par de discos separados.

"O nosso estudo demonstra que o Hubble e o seu sucessor, o Telescópio Espacial James Webb da NASA, será capaz de obter mapas de nuvens dos exoplanetas, com base na luz que recebemos deles," acrescenta Apai. De facto, este super-Júpiter é um alvo ideal para o telescópio Webb, um observatório espacial infravermelho com lançamento previsto para 2018. O Webb vai ajudar os astrónomos a melhor determinar a composição atmosférica do exoplaneta e a derivar mapas detalhados da variação de brilho com a nova técnica demonstrada com as observações do Hubble.

Os resultados deste estudo aparecem na edição de 11 de fevereiro da revista The Astrophysical Journal.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
03/05/2005 - Debate aquece em torno da 1.ª foto de um planeta extrasolar

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Universe Today
Astronomy Now
PHYSORG
redOrbit
(e) Science News

2M1207b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Onda a Sua Sombra Tem Companhia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPLExoplanet Travel Bureau
 
Quer tirar umas relaxantes férias interestelares? Considere visitar Kepler-16b, um mundo num sistema estelar binário. Na verdade, Kepler-16b foi o primeiro planeta circumbinário descoberto. Foi detetado numa grande órbita de 229 dias em redor de um par de estrelas frias e de baixa massa a cerca de 200 anos-luz de distância. As estrelas-mãe eclipsam-se uma à outra nas suas órbitas, o que resulta numa diminuição da luz das estrelas. Mas Kepler-16b, propriamente dito, foi descoberto seguindo a muito ligeira diminuição adicional produzida durante os seus trânsitos. Tal como o planeta Tatooine da saga "Guerra das Estrelas", os dois sóis põem-se no seu horizonte. Mesmo assim, Kepler-16b não é provavelmente um mundo desértico como Tatooine. Em vez disso, pensa-se que Kepler-16b seja um mundo frio e inabitável com aproximadamente a massa de Saturno e uma superfície gasosa... Por isso vista-se adequadamente. Ou, escolha outras "Visões do Futuro" como destino de férias. 
 

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