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Edição n.º 1295
05/08 a 08/08/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegou ao gigante gasoso em julho de 2016.
Observações: A Lua Crescente posa com Júpiter baixo a oeste ao lusco-fusco.
A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste depois do cair de noite. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita para encontrar a Polar (não muito brilhante) piscando a norte, como sempre.
A Estrela Polar é a parte final da "pega" da Ursa Menor. As outras únicas partes da Ursa Menor de brilho modesto são as duas estrelas da outra extremidade da sua "frigideira". Durante estas noites de agosto, estão a cerca de punho e meio (à distância de um braço esticado) para cima e para a esquerda da Polar. São chamadas as Guardiãs do Polo, por circulam a Estrela Polar durante toda a noite e durante todo o ano.

Dia 06/08: 219.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte.

Observações: Hoje é o ponto médio do verão astronómico: o dia entre o solstício de junho e o equinócio de setembro (embora, tradicionalmente, o dia 1 de agosto seja celebrado). O ponto exato ocorre às 19:28, hora portuguesa.
E, como tal, a "estrela da primavera", Arcturo, brilha agora moderadamente alta a oeste depois do anoitecer, descendo em direção ao horizonte - enquanto o Grande Quadrado de Pégaso, emblema do outono, sobe ainda baixo a este. Procure o Grande Quadrado de Pégaso apoiado num canto.

Dia 07/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento do Explorer 6 que, com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra de órbita. 

Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10,5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. A descoberta foi, alguns anos depois, colocada em causa.
Observações: Esta noite a Lua está para a direita de Espiga, estrela de Virgem. Observe o fino crescente do nosso satélite natural, baixo a oeste-sudoeste ao cair da noite.

Dia 08/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1576, é colocada a pedra angular do observatório Uraniborg de Tycho Brahe, em Ven, Dinamarca.

Em 1977, a estação soviética Salyut 5 arde na atmosfera. Lançada no dia 22 de junho de 1976, a estação esteve tripulada durante 67 dias. 
Em 1989 era lançada a missão STS-28, a quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano.
Em 2001, lançamento da sonda Genesis, a primeira missão de recolha de material desde o programa Apollo, a primeira a enviar material desde para lá da órbita da Lua (amostras de vento solar).
Observações: Qual a posição da Lua, hoje, em relação à estrela mencionada ontem, Espiga? Está mesmo por cima da estrela mais brilhante da constelação de Virgem.

 
CURIOSIDADES


A NASA lançou um jogo para comemorar o quarto aniversário do lançamento do rover Curiosity. Os jogadores podem conduzir um rover através da superfície marciana, com desafios de navegação e de equilíbrio do veículo.

 
OUTRA TERRA? ASTRÓNOMOS DO KEPLER APONTAM PARA PROVÁVEIS CANDIDATOS

À procura de outra Terra? Uma equipa internacional de investigadores identificou quais dos mais de 4000 exoplanetas descobertos pela missão Kepler da NASA são mais suscetíveis de serem semelhantes com o nosso planeta.

A investigação detalhada num artigo que será publicado na revista The Astrophysical Journal, descreve 216 planetas localizados na "zona habitável" - a área em redor de uma estrela na qual a superfície de um planeta pode albergar água líquida. Desses, listam 20 que são os melhores candidatos a planetas rochosos habitáveis como a Terra.

"Este é o catálogo completo de todas as descobertas do Kepler que estão na zona habitável das suas estrelas hospedeiras," afirma Stephen Kane, professor associado de física e astronomia da Universidade Estatal de São Francisco e autor principal do estudo. "Isto significa que podemos focar-nos nos planetas do artigo e realizar estudos de acompanhamento para aprender mais sobre eles, inclusive se são realmente habitáveis."

Kepler-186f, visto aqui numa impressão de artista e descoberto em 2014 por uma equipa de astrónomos, entre eles Stephen Kane, é um dos mais de 200 exoplanetas que os cientistas dizem que estão situados na "zona habitável" das suas estrelas e pode, potencialmente, ter vida.
Crédito: Danielle Futselaar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A investigação também confirma que a distribuição dos planetas Kepler dentro da zona habitável é a mesma que a distribuição daqueles fora dela - uma evidência adicional de que o Universo está repleto de planetas e luas onde a vida pode, potencialmente, existir.

Os limites da zona habitável são críticos. Se um planeta está demasiado perto da sua estrela, sofre um efeito de estufa descontrolado, como Vénus. Mas se está demasiado longe, qualquer água aí presente congela, como em Marte. Kane e colegas ordenaram os planetas consoante uma interpretação mais conservativa, ou otimista, da zona habitável. Em seguida, ordenaram-nos novamente por tamanho: planetas pequenos e rochosos vs. gigantes gasosos.

As quatro categorias têm o objetivo de ajudar os astrónomos na sua investigação. Aqueles que procuram luas potencialmente habitáveis podem estudar exoplanetas nas categorias de gigantes gasosos, por exemplo.

Os 20 planetas na categoria mais restrita - superfície rochosa e uma zona habitável conservadora - são os mais propensos a serem parecidos com a Terra. Kane já começou a recolher dados adicionais sobre esses planetas, bem como de outros nas restantes categorias.

Esta tabela mostra a zona habitável de estrelas com diferentes temperaturas, bem como a posição de candidatos planetários de tamanho terrestre e planetas confirmados do Kepler descritos na nova investigação. Alguns dos planetas rochosos do Sistema Solar são também mostrados para comparação.
Crédito: Chester Harman
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo e a inventariação de mais de 4000 exoplanetas levou mais de três anos e envolveu investigadores da NASA, da Universidade Estatal do Arizona, do Caltech, da Universidade de Hawaii-Manoa, da Universidade de Bordéus, da Universidade de Cornell e do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

"É emocionante ver a enorme quantidade de planetas que existem por aí, o que nos faz pensar sobre a probabilidade de vida noutros lugares," afirma Michelle Hill, aluna australiana que estuda na Universidade Estatal de São Francisco e que esteve envolvida no estudo.

"Existem muitos candidatos planetários e o tempo de telescópio para os estudar é curto," comenta Kane. "Esta investigação é realmente um grande marco em direção a responder as perguntas-chave de quão comum é a vida no Universo e quão comuns são os planetas como a Terra."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Estatal de São Francisco (comunicado de imprensa)
Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
ScienceDaily
(e) Science News
PHYSORG
Science alert
Gizmodo

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
O QUE ESTÁ DENTRO DE CERES? NOVAS DESCOBERTAS A PARTIR DE DADOS DE GRAVIDADE
Esta impressão de artista mostra um diagrama de como o interior de Ceres pode estar estruturado, com base em dados sobre o campo gravitacional do planeta anão obtidos pela missão Dawn.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Nas dezenas de milhares de imagens transmitidas pela sonda Dawn da NASA, não é visível o interior de Ceres. Mas os cientistas têm dados poderosos para estudar a estrutura interna de ceres: o próprio movimento da Dawn.

Dado que a gravidade domina a órbita da Dawn em Ceres, os cientistas podem medir variações na gravidade de Ceres por meio de mudanças subtis no movimento do veículo espacial. Usando dados da Dawn, os cientistas mapearam as variações na gravidade de Ceres pela primeira vez num novo estudo publicado na revista Nature, que fornece pistas para a estrutura interna do planeta anão.

"Os novos dados sugerem que Ceres tem um interior fraco, e que a água e outros materiais leves separaram-se parcialmente da rocha durante uma fase de aquecimento no início da sua história", afirma Ryan Park, autor principal do estudo e supervisor do grupo de dinâmica do Sistema Solar no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

O campo gravitacional de Ceres é medido através da monitorização de sinais de rádio enviados até à Dawn e, em seguida, recebidos cá na Terra pela DSN (Deep Space Network) da NASA. Esta rede é uma coleção de grandes antenas situadas em três locais espalhados pelo mundo que comunicam com naves interplanetárias. Usando estes sinais, os cientistas podem medir a velocidade da sonda até uma precisão de 0,1 mm por segundo, e depois calcular os detalhes do campo de gravidade.

Ceres tem uma propriedade especial chamada "equilíbrio hidrostático", que foi confirmada neste estudo. Isto significa que o interior de Ceres é fraco o suficiente para que a sua forma seja regulada pela forma como gira. Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando o campo gravítico de Ceres com a sua forma. O equilíbrio hidrostático de Ceres é uma razão pela qual os astrónomos classificaram o corpo como planeta anão em 2006.

Os dados indicam que Ceres é "diferenciado", o que significa que tem camadas de composição distinta a diferentes profundidades, sendo a mais densa o núcleo. Os cientistas também descobriram que, como suspeitavam, Ceres é muito menos denso do que a Terra, a Lua, do que o gigante asteroide Vesta (o alvo anterior da Dawn) e outros corpos rochosos do nosso Sistema Solar. Além disso, há muito que se suspeitava que Ceres continha materiais de baixa densidade, como água gelada, que o estudo mostra que se separaram do material rochoso e subiram até à camada mais exterior juntamente com outros materiais leves.

"Nós descobrimos que as divisões entre camadas diferentes são menos pronunciadas no interior de Ceres do que na Lua e noutros planetas do nosso Sistema Solar," comenta Park. "A Terra, com o seu núcleo metálico, manto semifluido e crosta exterior, tem uma estrutura mais claramente definida do que Ceres".

Os cientistas também descobriram que as áreas de alta elevação de Ceres deslocam massa no interior. Isto é análogo ao modo como um barco flutua na água: a quantidade de água deslocada depende da massa do barco. Da mesma forma, os cientistas concluem que o manto fraco de Ceres pode ser puxado pela massa de montanhas e outra topografia elevada na camada externa, como se as áreas de alta elevação "flutuassem" sobre o material abaixo. Este fenómeno já foi observado noutros planetas, incluindo a Terra, mas este estudo é o primeiro a confirmá-lo em Ceres.

A estrutura de densidade interna, com base nos novos dados de gravidade, ensina aos cientistas mais sobre os processos internos que podem ter ocorrido no início da história de Ceres. Ao combinar esta nova informação com dados anteriores da composição superficial de Ceres pela Dawn, podem reconstruir essa história: a água deve ter estado móvel no antigo subsolo, mas o interior não aqueceu até às temperaturas em que os silicatos derretem e que um núcleo metálico se forma.

"Sabemos, graças a estudos anteriores da Dawn, que devem ter existido interações entre a água e a rocha no interior de Ceres," realça Carol Raymond, coautora e vice-investigadora principal da Dawn no JPL. "Isto, combinado com a nova estrutura de densidade, diz-nos que Ceres passou por uma complexa história térmica".

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
COSMOS

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Nova investigação revela atmosfera flutuante na lua vulcânica de Júpiter (via NASA)
Segundo um novo estudo por investigadores financiados pela NASA, Io, a lua vulcânica de Júpiter, tem uma fina atmosfera que colapsa à sombra de Júpiter, condensando-se como gelo. O estudo revela os efeitos gelados da sombra de Júpiter durante eclipses diários sobre os gases vulcânicos do satélite natural. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M63: Campo-Largo da Galáxia do Girassol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados - Deep Sky West, Processamento - John Vermette
 
A Galáxia do Girassol floresce perto do centro desta ampla visão telescópica. A cena abrange cerca de 2 graus ou 4 luas cheias na direção da constelação leal de Cães de Caça. Mais formalmente conhecida como Messier 63, o majestoso universo-ilha mede quase 100.000 anos-luz em diâmetro, aproximadamente o tamanho da nossa Via Láctea. Em torno do seu núcleo amarelado e brilhante estão vastos braços espirais entrelaçados com correntes de poeira cósmica e salpicados com regiões de formação estelar. Membro dominante de um grupo de galáxias conhecido, M63 tem características ténues, mas estendidas, que podem ser os remanescentes de galáxias satélites anãs, evidência de que grandes galáxias crescem por acreção de galáxias pequenas. M63 brilha em todo o espectro eletromagnético e pensa-se que tenha sofrido pulsos de intensa formação estelar.
 

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