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Edição n.º 1530
06/11 a 08/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Maior elongação de Mercúrio, pelas 15:00.
Algures entre as 20:30 e as 22:00, dependendo do local onde o observador se encontra, a estrela de magnitude zero, Capella, sobe exatamente para a mesma altura a nordeste que a estrela de magnitude zero, Vega, desce a oeste-sudoeste. Consegue determinar a hora exata a que isto acontece? Não é necessário um astrolábio... mas ajuda.

Dia 07/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes. 
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Lua Nova, pelas 16:02.
Aviste a brilhante Altair, alta a sudoeste pouco depois do cair da noite. Para cima estão duas pequenas constelações distintas: Golfinho, a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair, e a mais fraca Sagitta (Seta ou Flecha), menos distante mas agora para cima e para a direita de Altair.

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (SiriusAldebarãBetelgeuse
 e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.
Em 2011, o asteroide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteróide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976.
Observações: Uma finíssima Lua Crescente situa-se perto de Júpiter, bem baixos perto do horizonte durante o lusco-fusco a oeste-sudoeste. Mercúrio, ainda mais ténue, está para a esquerda. É uma observação muito difícil devido à posição dos astros, perto do horizonte, e devido à luz do pôr-do-Sol.

 
CURIOSIDADES

A NASA tem um sistema de alertas de passagens da Estação Espacial Internacional (ISS) pelo céu e, com a devida configuração geográfica, poderá receber e-mails ou SMS destes eventos.
 
ANIMAÇÃO MOSTRA 25 ANOS NA VIDA DA SUPERNOVA 1987A

Desde que apareceu pela primeira vez no céu noturno do hemisfério sul no dia 24 de fevereiro de 1987, que a Supernova 1987A tem sido um dos objetos mais estudados na história da Astronomia.

A supernova foi a morte cataclísmica de uma estrela supergigante azul, a cerca de 168.000 anos-luz de distância da Terra, na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. Foi a supernova mais brilhante que apareceu nos nossos céus desde a supernova de Kepler em 1604 e a primeira desde a invenção do telescópio.

A brilhante nova estrela foi avistada pela primeira vez por dois astrónomos que trabalhavam no Observatório Las Campanas no norte do Chile, na noite de dia 24: Ian Shelton, da Universidade de Toronto e Oscar Duhalde, operador de telescópio no observatório.

Agora, Yvette Cendes, estudante da Universidade de Toronto e do Observatório de Leiden, criou uma animação que mostra as consequências da supernova ao longo de um período de 25 anos, de 1992 e 2017. As imagens mostram a onda de choque a expandir-se para fora e batendo nos escombros que cercaram a estrela original antes da sua morte.

Animação da supernova 1987A ao longo de 25 anos.
Crédito: Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto
 

Num artigo científico, publicado na revista The Astrophysical Journal no dia 31 de outubro, Cendes e colegas adicionam às evidências o facto de que o remanescente em expansão tem a forma, não de um anel como os de Saturno, mas de um donut, uma forma conhecida como toro.

Também confirmaram que a onda de choque atingiu agora a velocidade de aproximadamente 1000 quilómetros por segundo. A aceleração ocorreu porque o toro em expansão perfurou o anel de detritos.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/09/2017 - Morte por supernova revela vínculo com nascimento estelar
28/02/2017 - O alvorecer de uma nova era para a Supernova 1987A
07/01/2014 - ALMA descobre fábrica de poeira em supernova
06/08/2010 - Observando uma explosão estelar em 3D
18/07/2006 - Astrónomos vêm nossas origens em explosão com 20 anos

Notícias relacionadas:
Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Astronomy
Universe Today
ScienceDaily
PHYSORG
Discover
Gizmodo

SN 1987A:
SEDS
Wikipedia
The Electric Universe

Supernovas:
Wikipedia 
História da observação de supernovas (Wikipedia)

 
MISSÃO DAWN CHEGA AO FIM

A sonda Dawn da NASA ficou em silêncio, terminando uma missão histórica que estudou "cápsulas do tempo" do primeiro capítulo da história do Sistema Solar.

A Dawn falhou às sessões de comunicação programadas com a DSN (Deep Space Network) da NASA na quarta-feira, dia 31 de outubro, e quinta-feira, dia 1 de novembro. Depois da equipa de voo ter eliminado outras causas possíveis para as comunicações perdidas, os gerentes da missão concluíram que a nave finalmente ficou sem hidrazina, o combustível que permitia o controlo da orientação. A Dawn já não consegue manter as suas antenas apontadas para a Terra a fim de comunicar com o controlo da missão ou virar os seus painéis solares para o Sol para recarregar energia.

A sonda Dawn foi lançada há 11 anos para visitar os dois maiores objetos da cintura principal de asteroides. Atualmente, está em órbita do planeta anão Ceres, onde permanecerá durante décadas.

Esta fotografia de Ceres e das brilhantes regiões da Cratera Occator foi uma das últimas obtidas pela sonda Dawn. Na direção sul, foi captada no dia 1 de setembro de 2018 a uma altitude de 3370 km à medida que a sonda descia para a sua órbita elíptica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Hoje, celebramos o fim da nossa missão Dawn - os seus incríveis feitos técnicos, a ciência vital que nos deu e a equipa que possibilitou com que a nave fizesse essas descobertas," afirma Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. "As imagens e dados impressionantes que a Dawn recolheu de Vesta e de Ceres são fundamentais para entender a história e a evolução do nosso Sistema Solar."

A Dawn foi lançada em 2007 numa viagem que colocou cerca de 6,9 mil milhões de quilómetros no seu odómetro. Impulsionada a motores iónicos, a sonda alcançou muitos feitos ao longo do caminho. Em 2011, quando a Dawn chegou a Vesta, o segundo maior mundo da cintura principal de asteroides, tornou-se na primeira a orbitar um corpo na região entre Marte e Júpiter. Em 2015, quando a Dawn entrou em órbita de Ceres, um planeta anão que é também o maior corpo da cintura de asteroides, a missão tornou-se na primeira a visitar um planeta anão e a orbitar dois astros além da Terra.

"O facto de que na matrícula do meu carro está escrito, 'O meu outro veículo está na cintura principal de asteroides,' mostra o orgulho que tenho na Dawn," comenta Marc Rayman, diretor da missão e engenheiro-chefe no JPL da NASA. "As demandas que colocámos na Dawn foram tremendas, mas sempre enfrentou o desafio. É difícil dizer adeus a esta nave espacial incrível, mas está na hora."

Esta foto de Ceres e de um dos seus marcos da superfície, Ahuna Mons, foi uma das últimas a ser transmitida pela Dawn antes de completar a sua missão. A imagem, que mostra o sul, foi captada no dia 1 de setembro a uma altitude de 3570 km à medida que a nave descia para a sua órbita elíptica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados que a Dawn transmitiu para a Terra, recolhidos pelas suas quatro experiências científicas, permitiram com que os cientistas comparassem dois mundos semelhantes a planetas que evoluíram de maneira muito diferente. Entre os seus feitos, a Dawn mostrou como a localização era importante para o modo como os objetos no início do Sistema Solar se formaram e evoluíram. A Dawn também reforçou a ideia de que os planetas anões podem ter abrigado oceanos durante uma parte significativa da sua história - e potencialmente ainda abrigam.

"De muitas maneiras, o legado da Dawn está apenas a começar," comenta Carol Raymond, investigadora principal no JPL. "Os conjuntos de dados da Dawn serão profundamente explorados por cientistas que trabalham para determinar como os planetas crescem e se diferenciam, e quando e onde a vida se pode ter formado no nosso Sistema Solar. Ceres e Vesta também são importantes para o estudo de sistemas planetários distantes, pois fornecem um vislumbre das condições que podem existir em torno de estrelas jovens."

Dado que Ceres tem condições de interesse para os cientistas que estudam a química que leva ao desenvolvimento da vida, a NASA segue rígidos protocolos de proteção planetária para o descarte da nave espacial Dawn. A Dawn permanecerá em órbita pelo menos durante 20 anos e os engenheiros têm mais de 99% de confiança de que a órbita durará pelo menos 50 anos.

Assim, apesar do plano de missão não prever um mergulho final e ardente - como a sonda Cassini no ano passado, por exemplo - pelo menos isto é certo: a Dawn gastou todas as gotas de hidrazina a fazer observações científicas de Ceres e a transmiti-las para que pudéssemos aprender mais sobre o Sistema Solar a que chamamos casa.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/09/2018 - O legado da sonda Dawn, perto do fim da missão
16/06/2018 - Matéria orgânica em Ceres pode ser mais abundante do que se pensava inicialmente
15/12/2017 - Áreas brilhantes em Ceres sugerem atividade geológica
14/11/2017 - Dawn explora a evolução do interior de Ceres
31/10/2017 - Dawn encontra possíveis restos de um antigo oceano em Ceres
24/03/2017 - Gelo nas crateras permanentemente à sombra de Ceres ligado ao passado da inclinação axial
07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
21/02/2017 - Dawn descobre evidências de materiais orgânicos em Ceres
20/12/2016 - Onde está o gelo de Ceres? Novos achados da Dawn
05/08/2016 - O que está dentro de Ceres? Novas descobertas a partir de dados de gravidade
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides
 

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Dawn: missão da NASA à cintura de asteroides (NASA JPL via YouTube)
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceDaily
ScienceNews
Discover
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Science alert
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Popular Mechanics
CNN
METRO
ars technica
engadget
The Verge

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
"Toolkit" da missão (NASA)
Wikipedia

Ceres:
Wikipedia

Vesta:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Novas informações sobre as caudas dos cometas sopram ao vento solar (via NASA)
Engenheiros e cientistas reuniram-se em torno de um ecrã numa sala de operações do Laboratório de Investigação Naval em Washington, D.C., ansiosos por ver os primeiros dados da missão STEREO da NASA. Estávamos em janeiro de 2007, e os satélites gémeos, que haviam sido lançados meses antes, estavam a abrir os olhos pela primeira vez. Ler fonte
     
  Águas subterrâneas e precipitação forneceram água para formar os lagos ao longo da orla norte da Bacia Hellas (via SETI)
Um novo estudo revela que a região da orla norte da bacia de impacto Hellas, localizada no hemisfério sul de Marte, conteve vários lagos efémeros ao longo da história do planeta. Publicado na Astrobiology, examina a região onde depressões podem ter albergado água parada originária de várias fontes, incluindo precipitação, transporte fluvial e água subterrânea. Os sedimentos encheram parcialmente as depressões ou formaram depósitos dentro destes paleolagos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Concha do Remanescente de Supernova W63
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J-P Metsavainio (Astro Anarchy)
 
O fantasma de uma estrela morta há muito tempo, o remanescente de supernova W63 brilha como um fraco anel de fumaça cósmica ao longo do plano da Via Láctea na direção da constelação de Cisne. A sua aparência espectral é traçada contra o rico complexo de nuvens interestelares e poeira da região por um misterioso brilho azul. Abrangendo mais de quatro luas cheias no céu, esta bela imagem é um mosaico telescópico composto por doze exposições que combina 100 horas usando filtros de branda estreita. Mostra a luz característica dos átomos ionizados de enxofre, hidrogénio e oxigénio em tons de vermelho, verde e azul. Provavelmente a mais de 5000 anos-luz de distância, a parte visível da concha do remanescente de supernova, ainda em expansão, mede aproximadamente 150 anos-luz de diâmetro. Até agora não foi identificada nenhuma fonte como os restos da estrela original de W63. A luz da explosão da supernova teria alcançado a Terra há mais de 15.000 anos.
 

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