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Edição n.º 1367
14/04 a 17/04/2017
 
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28/04/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
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EFEMÉRIDES

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na ótica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há alguns anos atrás aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias. 
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial Columbia completa o seu primeiro voo de testes. 
Em 2000, astrónomos detetam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.
Observações: Conjunção de Úrano, pelas 06:21.
Arcturo brilho alto a este por estas noites, para a esquerda e para cima do mais brilhante planeta Júpiter (a cerca de três punhos à distância do braço esticado). Arcturo forma o fim pontiagudo de um longo e estreito asterismo com a forma de papagaio-de-papel formado pelas estrelas mais brilhantes da constelação de Boieiro. O papagaio-de-papel está atualmente inclinado para o lado esquerdo de Arcturo. A cabeça do papagaio-de-papel, para a esquerda, está ligeiramente curvado para cima. Este asterismo tem 23º: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Trânsito de Ganimedes, entre as 22:46 e as 01:16 (já de dia 15).
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 23:18 e as 02:07 (já de dia 15).

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.

Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine
Observações: À medida que a primavera avança, a Ursa Maior continua alta a nordeste e a inclinar-se como que a "despejar" água na Ursa menor.

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1495 nascia Petrus Apianus, humanista alemão, conhecido pelos seus trabalhos na matemática, astronomia e cartografia.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua, a décima missão tripulada do programa Apollo, a quinta e a penúltima a aterrar no nosso satélite natural.

Observações: Antes e durante o amanhecer de domingo, procure Saturno para a esquerda da Lua.

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar atual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua. 
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.

Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 03:00 e as 05:32.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 03:25 e as 06:19.
A brilhante Vega está agora visível baixa a nordeste a partir das 21:30-22 horas (dependendo do que está a tapar o horizonte). Arcturo domina o céu alto a este. A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega está a ténue constelação da Coroa Boreal, com a sua única estrela de brilho moderado, Alphecca. A dois-terços entre Arcturo e Vega está a constelação de Hércules.

 
CURIOSIDADES


A fase de Lua Cheia é nove vezes mais brilhante que o Quarto Crescente ou Minguante.

 
MISSÕES DA NASA FORNECEM NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE "MUNDOS OCEÂNICOS" NO NOSSO SISTEMA SOLAR

Duas missões veteranas da NASA estão a fornecer novos detalhes sobre luas geladas e oceânicas de Júpiter e Saturno, aumentando ainda mais o interesse científico destes e de outros "mundos oceânicos" no nosso Sistema Solar e além. As descobertas foram divulgadas em artigos publicados ontem por investigadores da missão Cassini da NASA a Saturno e por investigadores do Telescópio Espacial Hubble.

Nos artigos, cientistas da Cassini anunciam que uma forma de energia química na qual a vida se pode alimentar parece existir na lua de Saturno, Encélado, e investigadores do Hubble anunciam evidências adicionais de plumas em erupção na lua de Júpiter, Europa.

"É o mais próximo que chegámos, até agora, da identificação de um local com alguns dos ingredientes necessários para um ambiente habitável," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado para o Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Estes resultados demonstram a natureza interconectada das missões científicas da NASA que nos estão a aproximar da resposta à pergunta se estamos realmente sozinhos ou não."

O artigo dos cientistas da missão Cassini, publicado na revista Science, indica que o hidrogénio gasoso, que potencialmente poderia fornecer uma fonte de energia química para a vida, está a ser despejado no oceano subsuperficial de Encélado graças a atividade hidrotermal no fundo do mar.

A ampla presença de hidrogénio no oceano da lua significa que os micróbios - se ali existirem - podem usá-lo para obter energia combinando o hidrogénio com o dióxido de carbono dissolvido na água. Esta reação química, conhecida como "metanogénese" porque produz metano como subproduto, está na raiz da árvore da vida na Terra e poderá até ter sido crítica para a origem da vida no nosso planeta.

Este gráfico ilustra o modo como os cientistas da Cassini pensam que a água interage com a rocha no chão do oceano da lua gelada de Saturno, Encélado, produzindo hidrogénio gasoso.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A vida como a conhecemos requer três ingredientes principais: água líquida; uma fonte de energia para o metabolismo; e os ingredientes químicos ideais, principalmente carbono, hidrogénio, azoto, oxigénio, fósforo e enxofre. Com esta descoberta, a Cassini mostrou que Encélado - uma pequena lua mais de mil milhões de quilómetros mais longe do Sol que a Terra - tem quase todos estes ingredientes para a habitabilidade. A Cassini ainda não encontrou fósforo e enxofre no oceano, mas os cientistas suspeitam que existem, visto que se pensa que o núcleo rochoso de Encélado seja quimicamente semelhante aos meteoritos que contêm os dois elementos.

"A confirmação de que a energia química para a vida existe dentro do oceano de uma pequena lua de Saturno é um marco importante na nossa busca por mundos habitáveis além da Terra," comenta Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

A nave espacial Cassini detetou o hidrogénio na pluma de gás e material gelado expelido por Encélado durante o seu último e mais profundo mergulho pela pluma de dia 28 de outubro de 2015. A Cassini também "provou" a composição da pluma durante "flybys" anteriores da missão. A partir dessas observações, os cientistas determinaram que quase 98% do gás na pluma é agua, cerca de 1% é hidrogénio e o resto é uma mistura de outras moléculas incluindo dióxido de carbono, metano e amónia.

A medição foi feita utilizando o instrumento INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer) da Cassini, que cheira gases para determinar a sua composição. O INMS foi desenhado para provar a atmosfera superior da lua de Saturno, Titã. Após a surpreendente descoberta de uma enorme nuvem de material gelado em 2005, emanada a partir de fissuras quentes perto do polo sul, os cientistas voltaram os seus detetores para a pequena lua.

A Cassini não foi construída para detetar sinais de vida na pluma de Encélado - de facto, os cientistas só descobriram a existência da pluma depois da sonda alcançar Saturno.

"Embora não possamos detetar vida, descobrimos que há uma fonte de alimento. Seria uma espécie de loja de doces para micróbios," explica Hunter Waiter, autor principal do estudo da Cassini.

As novas descobertas são uma linha independente de evidências da existência de atividade hidrotermal no oceano de Encélado. Os resultados anteriores, publicados em março de 2015, sugeriam que a água quente estava a interagir com a rocha por baixo do mar; os novos achados suportam essa conclusão e acrescentam que a rocha parece estar a reagir quimicamente para produzir o hidrogénio.

O artigo que divulga as novas descobertas do Telescópio Espacial Hubble, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, relata observações de 2016 de Europa nas quais uma provável pluma de material foi vista a entrar em erupção a partir da superfície da lua no mesmo lugar onde o Hubble encontrou evidências de uma pluma em 2014. Estas imagens reforçam as evidências de que as plumas de Europa podem ser um fenómeno real, acendendo-se intermitentemente na mesma região da superfície da lua.

Estas imagens mostram uma suspeita pluma de material em erupção com dois anos de diferença, no mesmo local da lua gelada de Júpiter, Europa. Ambas as plumas, fotografas no ultravioleta pelo Hubble, foram vistas em silhueta à medida que a lua passava em frente de Júpiter.
Crédito: NASA/ESA/STScI/USGS
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A pluma recém-observada sobe cerca de 100 quilómetros acima da superfície de Europa, enquanto a observada em 2014 tinha uma dimensão estimada em aproximadamente 50 km. Ambas correspondem à localização de uma região excecionalmente quente que contém características que parecem ser fissuras na crosta gelada da lua, vistas na década de 1990 pela sonda Galileo da NASA. Os cientistas especulam que, tal como Encélado, podem ser evidências de erupção de água a partir do interior da lua.

"As plumas de Encélado estão associadas com regiões mais quentes, de modo que depois do Hubble ter fotografado esta nova característica tipo-pluma em Europa, examinámos esse local no mapa térmico da sonda Galileo. Nós descobrimos que a candidata a pluma em Europa está situada exatamente na anomalia térmica," salienta William Sparks do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland, EUA. Sparks liderou os estudos da pluma de 2014 e da de 2016.

Os cientistas dizem que se as plumas e o local quente estiverem ligadas, isso pode significar que a água que está sendo expelida a partir do interior da crosta gelada da lua aquece a superfície circundante. Outra ideia é que a água ejetada pela pluma cai sobre a superfície como uma névoa fina, alterando a estrutura dos grãos à superfície e permitindo-lhes reter o calor durante mais tempo do que a paisagem em redor.

A oval verde realça as plumas observadas em Europa pelo Hubble. A área também corresponde a uma região quente à superfície da lua. O mapa tem por base observações da sonda Galileo.
Crédito: NASA/ESA/STScI/USGS
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Tanto para as observações de 2014 como para as de 2016, a equipa usou o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble para avistar as plumas na luz ultravioleta. À medida que Europa passa em frente de Júpiter, quaisquer características atmosféricas em redor da orla lunar bloqueiam parte da luz de Júpiter, permitindo com que o STIS observe as características em silhueta. Sparks e a sua equipa continuam a usar o Hubble para estudar Europa em busca de exemplos adicionais de candidatos a pluma na esperança de determinar a frequência com que aparecem.

A exploração futura de mundos oceânicos pela NASA é alcançável graças ao acompanhamento, pelo Hubble, da atividade da suposta pluma de Europa e pela investigação a longo prazo da pluma de Encélado pela Cassini. Em particular, ambos os estudos estão a lançar as bases para a missão Europa Clipper da NASA, com lançamento previsto para a década de 2020.

"Se existirem plumas em Europa, como agora fortemente suspeitamos, com a Europa Clipper estaremos prontos para elas," comenta Jim Green, Diretor de Ciência Planetária na sede da NASA.

A identificação, pelo Hubble, de um local que parece ter uma atividade de pluma persistente e intermitente, fornece um alvo tentador para a missão Europa investigar com o seu poderoso conjunto de instrumentos científicos. Além disso, alguns dos coautores de Sparks, nos estudos de Europa pelo Hubble, estão a preparar uma poderosa câmara ultravioleta para voar na Europa Clipper que fará medições semelhantes às do Hubble, mas milhares de vezes mais perto. E vários membros da equipa do INMS da Cassini estão a desenvolver uma versão extremamente requintada e de última geração do seu instrumento para voar na Europa Clipper.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg (Encélado):
10/05/2016 - Jatos de Encélado: surpresas na luz de uma estrela
20/10/2015 - Imagens mais próximas do norte de Encélado
18/09/2015 - Cassini descobre oceano global em Encélado
13/03/2015 - Cassini sugere atividade hidrotermal no oceano de Encélado
04/04/2014 - Encélado tem um mar subterrâneo
24/06/2011 - Cassini captura spray oceânico em lua de Saturno
08/03/2011 - Cassini descobre que Encélado é um verdadeiro poço de energia
26/02/2010 - Cassini descobre pletora de plumas e zonas quentes em Encélado
26/06/2009 - Descoberta de sais pela Cassini aponta para oceano por baixo de Encélado
24/07/2009 - Lua de Saturno mostra evidências de amónia
29/11/2008 - Jactos de Encélado - molhados ou apenas selvagens?
26/08/2008 - Cassini observa fonte dos jactos em Encélado
13/08/2008 - Cassini revisita lua gelada de Saturno
09/08/2008 - Cassini prepara-se para passar novamente por Encélado
29/03/2008 - Cassini prova material orgânico de Encélado
15/03/2008 - Cassini voa pelas plumas de Encélado
14/03/2007 - Um começo quente pode explicar os geysers de Encélado
10/03/2006 - Cassini encontra sinais de água líquida em lua de Saturno
02/12/2005 - Vulcões de gelo em Encélado

Núcleo de Astronomia do CCVAlg (Europa):
27/09/2016 - Hubble avista possíveis plumas de água em Europa
13/12/2013 - Hubble vê evidências de plumas de vapor de água em lua de Júpiter

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SwRI (comunicado de imprensa)
Artigo científico sobre Encélado (Science)
Artigo científico sobre Europa (The Astrophysical Journal Letters)
ScienceCasts: Ocean Worlds (ScienceAtNASA via YouTube)
NASA: ingredientes para a vida na lua de Saturno, Encélado (NASA/JPL via YouTube)
Vapor de água em Europa (NASA Goddard via YouTube)
Science
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
spaceref
New Scientist
Popular Mechanics
PHYSORG
Scientific American
National Geographic
BBC News
CNN
Gizmodo
The Verge
Observador

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Europa:
NASA
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Europa Clipper:
NASA
Wikipedia

 
PLANETAS "TATOOINE" DO TAMANHO DA TERRA PODEM SER HABITÁVEIS
Esta impressão de artista mostra um planeta hipotético, coberto de água, em torno do sistema binário Kepler-35 (estrelas A e B).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com dois sóis no céu, Tatooine, o planeta natal de Luke Skywalker, da saga "Guerra das Estrelas", parece um mundo arenoso e desértico. Na vida real, graças a observatórios como o Telescópio Espacial Kepler da NASA, sabemos que os sistemas binários podem, de facto, suportar planetas, embora os planetas descobertos, até agora, em estrelas duplas, sejam grandes e gasosos. Os cientistas perguntam-se: se um planeta do tamanho da Terra orbitar dois sóis, poderá suportar vida?

Ao que parece, um tal planeta poderá ser bastante hospitaleiro se localizado à distância ideal das suas duas estrelas e não teria, necessariamente, desertos. De acordo com um novo estudo publicado na revista Nature Communications, numa gama particular de distâncias em relação a duas estrelas-mãe parecidas com o Sol, um planeta coberto por água permaneceria habitável e manteria a sua água durante muito tempo.

"Isto significa que os sistemas binários do tipo aqui estudado são excelentes candidatos a hospedar planetas habitáveis, apesar das grandes variações na quantidade de luz estelar que esses planetas hipotéticos receberiam," comenta Max Popp, investigador associado da Universidade de Princeton em New Jersey, EUA, e do Instituto Max Planck de Meteorologia em Hamburgo, Alemanha.

Popp e Siegfried Eggl, investigador pós-doutorado do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, criaram um modelo para um planeta no sistema Kepler-35. Na realidade, o par estelar Kepler-35A e B albergam um planeta chamado Kepler-35b, um planeta gigante com cerca de oito vezes o tamanho da Terra e uma órbita de 131,5 dias terrestres. Para o seu estudo, os cientistas ignoraram a influência gravitacional deste planeta e adicionaram um hipotético planeta coberto de água, do tamanho da Terra, em redor das estrelas Kepler-35A e B. Eles examinaram como o clima desse planeta se comportaria à medida que orbitava as duas estrelas com períodos entre 341 e 380 dias.

"A nossa investigação foi motivada pelo facto de que a busca por planetas potencialmente habitáveis exige muito esforço, por isso é bom saber antecipadamente onde procurar," comenta Eggl. "Nós mostrámos que vale a pena ter como alvo os sistemas duplos."

Na pesquisa exoplanetária, os cientistas falam de uma região chamada "zona habitável", a gama de distâncias em redor de uma estrela onde um planeta terrestre tem mais probabilidade de albergar água líquida à sua superfície. Neste caso, dado que as duas estrelas estão em órbita uma da outra, a zona habitável depende da distância ao centro de massa que ambos os corpos estelares orbitam. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, um planeta em redor de duas estrelas não viajaria num círculo; em vez disso, a sua órbita oscilaria através da interação gravitacional com as duas estrelas.

Popp e Eggl descobriram que na margem mais distante da zona habitável do sistema duplo Kepler-35, o hipotético planeta coberto de água teria muita variação em termos de temperaturas superficiais. Dado que um planeta frio teria apenas uma pequena fração de vapor de água na sua atmosfera, as temperaturas médias globais da superfície iriam subir e descer até 2º C ao longo de um ano.

"Isto é análogo a como, na Terra, climas áridos como desertos passam por grandes variações de temperatura do dia para a noite," explica Eggl. "A quantidade de água no ar faz uma grande diferença".

Mas, mais perto das estrelas, perto do limite interior da zona habitável, as temperaturas médias globais da superfície, nesse mesmo planeta, permaneceriam quase constantes. Isto porque uma maior quantidade de vapor de água seria capaz de persistir na atmosfera do planeta hipotético, que atua como um "buffer" para manter as condições superficiais confortáveis.

Tal como acontece nos sistemas com uma única estrela, um planeta para lá da fronteira exterior da zona habitável dos seus dois sóis, acabaria eventualmente num chamado estado de "bola de neve", completamente coberto de gelo. Mais perto do que o limite interno da zona habitável, a atmosfera isolaria demais o planeta, criando um efeito estufa desenfreado e transformando o planeta num mundo parecido com Vénus, inóspito à vida como a conhecemos.

Outra característica do modelo climático deste estudo é que, em comparação com a Terra, um planeta coberto por água em torno de duas estrelas teria uma menor cobertura de nuvens. Isso significaria um céu mais limpo para a observação do pôr-do-Sol duplo nesses mundos exóticos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Communications
PHYSORG
UPI

Kepler-35:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
ALMA INVESTIGA "DEEDEE", UM MEMBRO DISTANTE E TÉNUE DO NOSSO SISTEMA SOLAR
Impressão de artista do corpo planetário 2014 UZ224, informalmente conhecido como DeeDee. O ALMA foi capaz de observar o ténue "brilho" milimétrico emitido pelo objeto, confirmando que tem cerca de 635 km de diâmetro. Com este tamanho, DeeDee deverá ter massa suficiente para ser esférico, o critério necessário para que os astrónomos o considerem um planeta anão, embora ainda tenha que receber essa designação oficial.
Crédito: Alexandra Angelich (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos revelaram detalhes extraordinários sobre um recém-descoberto e distante membro do nosso Sistema Solar, o corpo planetário 2014 UZ224, mais informalmente conhecido como DeeDee.

A cerca de três vezes a distância atual de Plutão ao Sol, DeeDee é o segundo objeto transneptuniano (OTN) mais distante com uma órbita confirmada, superada apenas pelo planeta anão Éris. Os astrónomos estimam que existam dezenas de milhares destes corpos gelados no Sistema Solar exterior para lá da órbita de Neptuno.

Os novos dados do ALMA revelam, pela primeira vez, que DeeDee tem aproximadamente 635 km de diâmetro, cerca de dois-terços do diâmetro do planeta anão Ceres, o maior membro da nossa cintura de asteroides. Com este tamanho, DeeDee deverá ter massa suficiente para ser esférico, o critério necessário para que os astrónomos o considerem um planeta anão, embora ainda tenha que receber essa designação oficial.

"Muito para lá de Plutão situa-se uma região surpreendentemente rica em corpos planetários. Alguns são muito pequenos, mas outros têm tamanhos que rivalizam com Plutão e que podem, possivelmente, até ser muito maiores," afirma David Gerdes, cientista da Universidade de Michigan e autor principal do artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Dado que estes objetos são tão distantes e ténues, é incrivelmente difícil detetá-los, quanto mais estudá-los em detalhe. O ALMA, no entanto, tem capacidades únicas que nos permitiram aprender detalhes excitantes sobre esses mundos distantes."

Imagem ALMA do ténue "brilho" milimétrico do corpo planetário 2014 UZ224, informalmente conhecido como DeeDee. A três vezes a distância de Plutão ao Sol, DeeDee é o segundo OTN mais distante conhecido com uma órbita confirmada.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Atualmente, DeeDee está a aproximadamente 92 UA (unidades astronómicas) do Sol. Uma unidade astronómica é a distância média da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros. A esta tremenda distância, DeeDee leva mais de 1100 anos a completar uma órbita. A luz de DeeDee demora quase 13 horas a chegar à Terra.

Gerdes e a sua equipa anunciaram a descoberta de DeeDee no outono de 2016. Descobriram-no usando o telescópio Blanco de 4 metros do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, como parte de observações do DES (Dark Energy Survey), um levantamento ótico de mais ou menos 12% do céu que procura compreender a força, ainda misteriosa, que está a acelerar a expansão do Universo.

O levantamento DES produz vastas quantidades de imagens astronómicas, que dão aos astrónomos a oportunidade de também procurar por objetos do Sistema Solar distante. A pesquisa inicial, que inclui quase 15.000 imagens, identificou mais de 1,1 mil milhões de objetos candidatos. A vasta maioria destes revelaram-se como estrelas de fundo e galáxias ainda mais distantes. No entanto, observou-se que uma pequena fração se movia lentamente através do céu ao longo de observações sucessivas, o sinal revelador de um OTN.

Um desses objetos foi identificado em 12 imagens separadas. Os astrónomos informalmente apelidaram-no de DeeDee, abreviatura de "Distant Dwarf" (anão distante).

Órbitas de objetos no nosso Sistema Solar, mostrando a posição atual do corpo planetário DeeDee.
Crédito: Alexandra Angelich (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados óticos do telescópio Blanco permitiram com que os astrónomos medissem a distância e as propriedades orbitais de DeeDee, mas não conseguiram determinar o seu tamanho ou outras características físicas. Era possível que DeeDee fosse um membro relativamente pequeno do nosso Sistema Solar, contudo, reflexivo o suficiente para ser detetado da Terra. Ou poderia ser invulgarmente grande e escuro, refletindo apenas uma pequena parte da fraca luz solar que lá chega; ambos os cenários produzem dados óticos idênticos.

Tendo em conta que o ALMA observa o universo frio e escuro, pode detetar o calor - sob a forma de radiação milimétrica - emitido naturalmente por objetos frios no espaço. A assinatura de calor de um objeto do Sistema Solar distante seria diretamente proporcional ao seu tamanho.

"Calculámos que este objeto seria incrivelmente frio, com apenas cerca de 30 Kelvin, um pouco acima do zero absoluto," comenta Gerdes.

Enquanto a luz visível refletida por DeeDee é apenas tão brilhante quanto uma vela vista a meio de caminho até à Lua, o ALMA poderia rapidamente focar-se na assinatura de calor do corpo planetário e medir o seu brilho nos comprimentos de onda milimétricos.

Comparação do tamanho de objetos no nosso Sistema Solar, incluindo o recém-descoberto corpo planetário DeeDee.
Crédito: Alexandra Angelich (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Isto permitiu com que os astrónomos determinassem que reflete apenas cerca de 13% da luz solar que o atinge.

Ao comparar estas observações do ALMA com os dados óticos anteriores, os astrónomos obtiveram as informações necessárias para calcular o tamanho do objeto. "O ALMA captou-o com bastante facilidade," comenta Gerdes. "Fomos então capazes de resolver a ambiguidade que tínhamos com apenas os dados óticos."

Objetos como DeeDee são restos cósmicos da formação do Sistema Solar. As suas órbitas e propriedades físicas revelam detalhes importantes sobre a formação dos planetas, incluindo a Terra.

Esta descoberta também é excitante porque mostra que é possível detetar objetos muito distantes e em movimento lento no nosso Sistema Solar. Os investigadores realçam que estas mesmas técnicas podem ser usadas para detetar o teórico "Planeta Nove" que poderá residir muito para lá de DeeDee e Éris.

"Ainda existem muitos novos mundos por descobrir no nosso quintal cósmico," conclui Gerdes. "O Sistema Solar é um lugar rico e complicado."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG

DeeDee (2014 UZ224):
Centro de Planetas Menores da UAI
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Investigadores captam primeira "imagem" de uma teia de matéria escura que liga galáxias (via Sociedade Astronómica Real)
Investigadores da Universidade de Waterloo foram capazes de obter a primeira composição de uma ponte de matéria escura que liga galáxias. A composição, que combina um número de imagens individuais, confirma previsões de que as galáxias no Universo estão ligadas por uma teia cósmica de matéria escura que, até agora, permanecia por observar. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Luas e Júpiter
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Göran Strand
 
No dia 10 de abril, a Lua e Júpiter partilharam este campo de visão. Ambos os astros estavam perto da oposição, a direção oposta à do Sol no céu da Terra. Captada quando uma nuvem passava em frente e diminuía ligeiramente o brilho do luar, esta única exposição revela o rosto familiar do satélite natural do nosso planeta, juntamente com uma fila das luas galileanas do gigante gasoso. De cima para baixo, os pequenos pontos de luz por cima do brilhante Júpiter são Calisto, Europa, Ganimedes e Io. Mais próximo e mais brilhante, o nosso próprio satélite natural parece grande. Mas Calisto, Ganimedes e Io são fisicamente maiores do que a Lua da Terra, enquanto o mundo de água Europa é apenas ligeiramente menor. De facto, dos seis maiores satélites planetários do Sistema Solar, só a lua de Saturno, Titã, está ausente da cena.
 

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