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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1990  
  04/04 a 06/04/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Olá, planeta Mercúrio!

Data: 13 de abril de 2023
Hora: 20:30-22:30
Não é todos os dias que vemos alguns planetas, e Mercúrio é talvez o que se mostra menos tempo acima do horizonte. Que segredos quererá ele esconder de nós? Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)

Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 26 de abril de 2023
Hora: 21:00
Local: Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 04/04: 94.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1968, era lançada a Apollo 6
Em 1983, o vaivém espacial Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço (STS-6).

Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR.
HOJE, NO COSMOS:
Nesta altura do ano, as duas estrelas mais brilhantes das duas constelações dos cães alinham-se verticalmente depois da hora de jantar. Olhe a sudoeste. A brilhante estrela Sirius, de Cão Maior, está em baixo, e Procyon, de Cão Menor, está bem para cima.

 

DIA 05/04: 95.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objetivo desta missão era obter medições raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
HOJE, NO COSMOS:
Depois do cair da noite, procure Espiga por baixo da Lua, praticamente Cheia, e a mais brilhante Arcturo várias vezes essa distância mas para a esquerda do nosso satélite natural.

 

DIA 06/04: 96.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, a supernova do Tipo II foi designada SN 1993J, a décima supernova do ano.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 05:35.
O nosso satélite natural nasce por volta da hora de jantar, desta vez para a esquerda de Espiga. Atravessam o céu juntos durante o resto da noite, afastando-se ligeiramente.
Aviste Arcturo a três punhos à distância do braço esticado para cima e para a esquerda.

 
 
   
Gaia descobre uma nova família de buracos negros

Utilizando dados da missão Gaia da ESA, os astrónomos descobriram não só o buraco negro mais próximo como também o segundo buraco negro mais próximo da Terra. Os buracos negros, Gaia BH1 e Gaia BH2, estão respetivamente a apenas 1560 anos-luz, na direção da constelação de Ofiúco, e a 3800 anos-luz na direção da constelação de Centauro. Em termos galácticos, estes buracos negros residem no nosso quintal cósmico.

 
A localização dos primeiros dois buracos negros descobertos pela missão Gaia da ESA na Via Láctea. Este mapa da nossa Galáxia também foi feito pela missão Gaia. Gaia BH1 está localizado a 1560 anos-luz de distância na direção da constelação de Ofiúco e Gaia BH2 a 3800 anos-luz na direção da constelação de Centauro.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

Os dois buracos negros foram descobertos através do estudo do movimento das suas estrelas companheiras. Uma estranha "oscilação" no movimento das estrelas no céu indicava que estão a orbitar um objeto muito massivo. Em ambos os casos, os objetos são aproximadamente dez vezes mais massivos do que o nosso Sol. Outras explicações para estes companheiros massivos, como sistemas binários, foram descartadas, uma vez que não parecem emitir qualquer luz.

Até recentemente, todos os buracos negros de que os astrónomos tinham conhecimento foram descobertos pela emissão de luz - geralmente raios-X e rádio - produzida por materiais que caíam na sua direção. Os novos buracos negros são verdadeiramente negros e só podem ser detetados pelos seus efeitos gravitacionais. A distância das estrelas ao buraco negro, e as órbitas das estrelas em seu redor, são muito maiores do que para outros sistemas binários conhecidos e compostos por um buraco negro e por estrelas. Esses pares mais íntimos de buraco negro e estrela, chamados binários de raios-X, tendem a ser muito brilhantes em raios-X e no rádio, e assim mais fáceis de encontrar. Mas as novas descobertas sugerem que os buracos negros em binários mais largos são mais comuns.

"O que diferencia este novo grupo de buracos negros dos que já conhecíamos é a sua ampla separação das estrelas companheiras. Estes buracos negros têm provavelmente uma história de formação completamente diferente dos binários de raios-X", explica Kareem El-Badry, descobridor dos novos buracos negros e investigador no Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian nos EUA e no Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha.

Movimento de milhares de milhões de estrelas

Os buracos negros foram descobertos utilizando dados do Gaia. O Gaia mede com precisão as posições e movimentos de milhares de milhões de estrelas. O movimento das estrelas contra o céu pode fornecer pistas essenciais sobre objetos que influenciam gravitacionalmente estas estrelas. Estes objetos podem incluir outras estrelas, exoplanetas e também buracos negros.

"A precisão dos dados do Gaia foi essencial para esta descoberta. Os buracos negros foram encontrados ao detetar a pequena oscilação da sua estrela companheira enquanto orbitava à sua volta. Nenhum outro instrumento é capaz de tais medições", diz Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA.

O Gaia fornece medições detalhadas do movimento em três direções, mas para compreender mais precisamente como as estrelas se afastaram e se moveram na nossa direção, foram necessárias medições adicionais da velocidade radial. Observatórios terrestres forneceram estas medições para os buracos negros recentemente encontrados, e isto deu aos astrónomos a pista final para concluir que tinham detetado buracos negros.

 
A "oscilação" de estrelas no céu é provocada pela atração gravitacional de outras estrelas, exoplanetas ou buracos negros. Nesta imagem, o objeto secundário é um exoplaneta.
Crédito: ESA
 

Buracos negros invisíveis

Os buracos negros muitas vezes não são completamente invisíveis. Quando o material cai na sua direção, podem emitir raios-X e ondas rádio. Para o segundo buraco negro do Gaia, o Observatório de raios-X Chandra da NASA e o radiotelescópio sul-africano MeerKAT procuraram esta luz, mas não foram capazes de detetar qualquer sinal.

"Apesar de não termos detetado nada, esta informação é incrivelmente valiosa porque diz-nos muito sobre o ambiente em redor de um buraco negro. Há muitas partículas a sair da estrela companheira sob a forma de vento estelar. Mas dado que não vemos ondas de rádio, isso diz-nos que o buraco negro não é um grande 'comedor' e que não há muitas partículas a atravessar o seu horizonte de eventos. Não sabemos porquê, mas queremos descobrir!", diz Yvette Cendes que ajudou a descobrir o segundo buraco negro e é astrónoma no Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian, EUA.

O novo tipo de buraco negro não emite qualquer luz, tornando-os praticamente invisíveis, provavelmente porque estão muito mais longe das suas estrelas companheiras. Gaia BH1 e Gaia BH2 têm as órbitas mais amplamente separadas de todos os buracos negros conhecidos. O facto de serem também os buracos negros conhecidos mais próximos da Terra sugere que podem existir muitos outros buracos negros em binários largos por descobrir.

"Isto é muito excitante porque implica agora que estes buracos negros em órbitas largas são na realidade comuns no espaço - mais comuns do que os binários onde o buraco negro e a estrela estão mais próximos. Mas o problema é detetá-los. A boa notícia é que o Gaia ainda está a obter dados e a sua próxima grande publicação (em 2025) vai conter muitas mais destas estrelas com misteriosos buracos negros como companheiros", explica Yvette.

A próxima divulgação de dados Gaia será baseada em 66 meses de observações e vai conter informação melhorada sobre as órbitas das estrelas. Entretanto, os astrónomos estarão ocupados a descobrir de onde vêm estes buracos negros com órbitas largas.

Kareem El-Badry salienta: "Suspeitávamos que poderiam existir buracos negros em sistemas mais largos, mas não tínhamos a certeza de como eles se teriam formado. A sua descoberta significa que temos de adaptar as nossas teorias sobre a evolução dos sistemas estelares binários, pois ainda não é claro como estes sistemas se formam".

"O consórcio de processamento e análise de dados do Gaia está a desenvolver métodos para identificar binários astrométricos com companheiros compactos. Esperamos fornecer uma boa amostra de candidatos na próxima publicação de dados do Gaia", diz Tsevi Mazeh, membro da equipa e da Universidade de Telavive. A comunidade científica aguarda com expetativa o crescimento desta nova população de buracos negros adormecidos.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Gaia descobre um buraco negro único (ESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
08/11/2022 - Astrónomos confirmam, inequivocamente, o buraco negro mais próximo da Terra
21/10/2022 - Investigadores descobrem novo buraco negro "praticamente no nosso quintal"

Gaia BH1:
Simbad
Wikipedia

Gaia BH2:
Simbad
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

MeerKAT:
SARAO
Wikipedia

 
   
Rover Perseverance recolhe primeira amostra da nova campanha científica
 
Esta imagem mostra o afloramento rochoso que a equipa científica do Perseverance chama "Berea", depois do rover ter extraído uma amostra rochosa (direita) e ter "raspado" uma zona circular (esquerda). A imagem foi capturada pelo instrumento Mastcam-Z do rover no dia 30 de março de 2023, o 749.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

O rover Perseverance da NASA recolheu e armazenou a primeira amostra da mais recente campanha científica da missão na passada quinta-feira, dia 30 de março. Em cada campanha, a equipa explora e estuda uma nova área. Nesta, o rover está a explorar o topo do delta da Cratera Jezero. O Perseverance recolheu um total de 19 amostras e três "tubos testemunha", e recentemente depositou 10 tubos na superfície marciana como reserva para a campanha MSR (Mars Sample Return) da NASA-ESA.

Os cientistas querem estudar amostras marcianas com poderoso equipamento de laboratório na Terra para procurar sinais de antiga vida microbiana e para melhor compreender o ciclo da água que moldou a superfície e o interior de Marte.

Recolhida de uma rocha que a equipa científica chama "Berea", esta mais recente é a 16.ª amostra rochosa da missão (também tem amostras de rególito - rocha quebrada e poeira - assim como da atmosfera de Marte). A equipa científica pensa que Berea se formou a partir de depósitos de rocha que foram transportados para este local por um antigo rio. Isso significaria que o material pode ter vindo de uma área muito além dos limites da Cratera Jezero e é uma das razões pelas quais a equipa considera a rocha tão promissora.

"A segunda razão é que a rocha é rica em carbonato", disse Katie Stack Morgan, cientista adjunta para o Perseverance no JPL da NASA no sul da Califórnia. "As rochas de carbonato podem ser boas a preservar formas fossilizadas de vida. A haver bioassinaturas nesta parte da Cratera Jezero, uma rocha como esta pode muito bem guardar os seus segredos".

 
Esta imagem mostra a amostra rochosa recolhida de "Berea" dentro da broca do rover Perseverance da NASA. Cada amostra que o rover recolhe tem aproximadamente o tamanho de um giz de sala de aula: 13 milímetros em diâmetro e 60 milímetros de comprimento.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

Um enigma climático

Um grande puzzle é a forma como o clima de Marte funcionava quando esta área estava coberta de água líquida. Tendo em conta que os carbonatos se formam devido a interações químicas na água líquida, podem proporcionar aos cientistas um registo a longo prazo das mudanças no clima do planeta. Ao estudar o carbonato na amostra de Berea, a equipa científica pode ajudar a preencher as lacunas.

"A amostra de Berea realça a beleza das missões dos rovers", disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech em Pasadena, EUA. "A mobilidade do Perseverance permitiu-nos recolher amostras ígneas do chão relativamente plano da cratera durante a primeira campanha, e depois viajar até à base do delta da cratera, onde encontrámos rochas sedimentares, compostas por grãos finos, depositadas num leito seco. Agora estamos a recolher amostras de um local geológico onde encontramos rochas sedimentares de granulometria grosseira depositadas num rio. Com esta diversidade de ambientes para observar e para recolher amostras, estamos confiantes de que estas amostras nos permitirão compreender melhor o que aconteceu aqui, na Cratera Jezero, há milhares de milhões de anos".

Com esta amostra mais recente armazenada em segurança num tubo situado na sua barriga, o rover com seis rodas vai continuar a subir o leque aluvial sedimentar de Jezero em direção à próxima curva no leito seco do rio, um local a que a equipa científica está a chamar de "Castell Henllys".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Perseverance da NASA perfura "Berea" (JPLraw via YouTube)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
03/02/2023 - Rover Perseverance completa depósito de amostras marcianas
27/12/2022 - Rover Perseverance deposita a sua primeira amostra à superfície de Marte
16/12/2022 - Cientistas gravam pela primeira vez o som de um diabo de poeira marciano
09/12/2022 - Rover Perseverance recolhe amostras de poeira marciana
29/11/2022 - Rover Perseverance deteta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida
01/11/2022 - Os cientistas escolheram as primeiras amostras marcianas dignas de viajarem para a Terra
20/09/2022 - Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte
30/08/2022 - Rover Perseverance faz novas descobertas na Cratera Jezero
15/07/2022 - Perseverance explora locais de aterragem para a campanha MSR
07/06/2022 - Rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero
29/04/2022 - Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Marte:
CCVAlg - Astronomia
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Cratera Jezero:
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Rover Perseverance:
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MSR (Mars Sample Return):
NASA
ESA
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Cientistas partilham mapa compreensivo dos vulcões em Vénus - cerca de 85.000

Tem interesse nos relatos de erupções vulcânicas recentes em Vénus? Os cientistas planetários Paul Byrne e Rebecca Hahn da Universidade de Washington em St. Louis querem que se utilize o seu novo mapa de 85.000 vulcões em Vénus para ajudar a localizar o próximo fluxo de lava ativo. O seu estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

"Este artigo científico fornece o mapa mais completo de todas as construções vulcânicas em Vénus alguma vez compilado", disse Byrne, professor associado de ciências da Terra e planetárias. "Fornece aos investigadores uma base de dados extremamente valiosa para a compreensão do vulcanismo naquele planeta - um processo planetário chave, mas para Vénus é algo sobre o qual sabemos muito pouco, apesar de ser um mundo do mesmo tamanho que o nosso".

 
Um novo artigo científico na revista Journal of Geophysical Research: Planets fornece o mapa mais compreensivo de todas as construções vulcânicas em Vénus jamais compilado.
Crédito: Rebecca Hahn, Universidade de Washington em St. Louis
 

Byrne e Hahn utilizaram imagens de radar da missão Magellan da NASA a Vénus para catalogar vulcões em Vénus a uma escala global. A sua base de dados resultante contém 85.000 vulcões, dos quais cerca de 99% têm menos de 5 km em diâmetro.

"Desde a missão Magellan da NASA na década de 1990 que temos muitas questões importantes sobre a geologia de Vénus, incluindo as suas características vulcânicas", disse Byrne. "Mas com a recente descoberta de vulcanismo ativo em Vénus, compreender exatamente onde os vulcões estão concentrados no planeta, quantos são, quão grandes são, etc., torna-se ainda mais importante - especialmente porque teremos novos dados sobre Vénus nos próximos anos".

"Tivemos a ideia de elaborar um catálogo global porque ninguém o tinha feito a esta escala antes", disse Hahn, estudante de ciências da Terra e planetárias na Universidade de Washington, autora principal do novo artigo científico. "Foi enfadonho, mas eu tinha experiência na utilização do software ArcGIS, que foi o que usei para construir o mapa. Essa ferramenta ainda não existia quando estes dados foram disponibilizados na década de 1990".

"As pessoas na altura desenhavam círculos, à mão, em torno dos vulcões, quando agora o posso fazer no meu computador".

"Esta nova base de dados vai permitir aos cientistas pensar onde mais procurar evidências de atividade geológica recente", disse Byrne, docente do Centro McDonnell para Ciências Espaciais da mesma universidade. "Podemos fazê-lo quer através da pesquisa de dados da Magellan, já com décadas de existência (como o novo artigo científico fez), quer analisando dados futuros e comparando-os com os da Magellan".

 
Sapas Mons, um grande vulcão em Marte, tem cerca de 400 km em diâmetro. Foi observado pela sonda Magellan.
Crédito: NASA/JPL
 

O novo estudo de Byrne e Hahn inclui análises detalhadas sobre onde se encontram os vulcões, onde e como estão agrupados e como as suas distribuições espaciais se comparam com as propriedades geofísicas do planeta, tais como a espessura da crosta.

No seu conjunto, este trabalho fornece a compreensão mais abrangente das propriedades vulcânicas de Vénus - e talvez do vulcanismo de qualquer mundo até agora.

Isto porque, embora saibamos muito sobre os vulcões na Terra que se encontram em terra, é provável que ainda existam muitos por descobrir sob os oceanos. Na ausência de oceanos, toda a superfície de Vénus pode ser vista com imagens de radar da Magellan.

Embora existam vulcões em quase toda a superfície de Vénus, os cientistas encontraram relativamente menos vulcões na faixa dos 20-100 km de diâmetro, que deduzem ser em função da disponibilidade de magma e do ritmo de erupções.

Byrne e Hahn também quiseram observar de perto os vulcões mais pequenos em Vénus, aqueles com menos de 5 km de diâmetro que foram ignorados por caçadores de vulcões anteriores.

"São a característica vulcânica mais comum no planeta: representam cerca de 99% do seu conjunto de dados", disse Hahn. "Analisámos a sua distribuição utilizando diferentes estatísticas espaciais para descobrir se os vulcões estão agrupados em torno de outras estruturas em Vénus, ou se estão agrupados em certas áreas".

 
Os vulcões mais pequenos à superfície de Vénus - como os agrupados aqui - são mais difíceis de detetar, mas constituem cerca de 99% das construções vulcânicas rastreadas numa nova e abrangente base de dados de vulcões por cientistas da Universidade de Washington. Estes vulcões foram observados pela nave espacial Magellan
Crédito: NASA/JPL, JGR Planets
 

O novo conjunto de dados sobre os vulcões de Vénus está alojado na Universidade de Washington e disponível livremente para a consulta por outros cientistas.

"Já sabemos de colegas que descarregaram os dados e que estão a começar a analisá-los - que é exatamente o que nós queremos", disse Byrne. "Outras pessoas vão levantar novas perguntas que nós não levantámos, sobre a forma, tamanho, distribuição dos vulcões, tempo de atividade em diferentes partes do planeta, etc. Estou entusiasmado por ver o que eles conseguem descobrir com a nova base de dados"!

E se 85.000 vulcões em Vénus parece ser um grande número, Hahn disse que na realidade é conservador. Ela pensa que existem centenas de milhares de características geológicas adicionais que têm algumas propriedades vulcânicas. São apenas demasiado pequenas para serem detetadas e confirmadas.

"Um vulcão com 1 quilómetro em diâmetro teria 7 pixéis nos dados da Magellan, o que é realmente difícil de ver", disse Hahn. "Mas com uma resolução melhorada, poderíamos ser capazes de resolver essas estruturas".

E é exatamente esse tipo de dados que as futuras missões a Vénus vão obter na década de 2030.

"A NASA e a ESA vão cada uma enviar uma missão a Vénus na década de 2030 para obter imagens de radar de alta resolução da superfície", disse Byrne. "Com essas imagens, poderemos procurar aqueles vulcões mais pequenos que prevemos que existam.

"Esta é uma das descobertas mais excitantes que fizemos em Vénus - com dados que têm décadas!", disse Byrne. "Mas há ainda um grande número de questões que temos sobre Vénus que não podemos responder, para as quais temos de alcançar as nuvens e a superfície.

"Estamos apenas a começar", disse.

// Universidade de Washington em St. Louis (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (JGR Planets)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
17/03/2023 - Dados da Magellan revelam atividade vulcânica em Vénus

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
PHYSORG
New Scientist

Vénus:
NASA
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Vulcanismo em Vénus (Wikipedia)
Conjunto de dados sobre os vulcões em Vénus (Universidade de Washington em St. Louis)

Sonda Magellan:
NASA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Moléculas precursoras da vida descobertas na Nuvem de Perseu (via IAC)
Um estudo liderado pela investigadora Susana Iglesias do Instituto de Astrofísica das Canárias detetou a presença de grandes quantidades de moléculas orgânicas complexas numa das regiões de formação estelar mais próximas do Sistema Solar. Ler fonte
     
  Previsões da NASA, utilizando inteligência artificial, podem dar mais tempo para nos prepararmos para as tempestades solares (via NASA)
Como uma sirene de tornado para tempestades que ameaçam a vida no coração dos EUA, um novo modelo de computador que combina inteligência artificial e dados de satélite da NASA poderia fazer soar o alarme para condições meteorológicas espaciais perigosas. O modelo utiliza IA para analisar as medições do vento solar (um fluxo implacável de material do Sol) e prever onde uma tempestade solar iminente irá atingir, em qualquer parte da Terra, com 30 minutos de aviso prévio. Isto poderia fornecer tempo suficiente para nos prepararmos para estas tempestades e prevenir impactos severos nas redes de energia e outras infraestruturas críticas. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
NGC 2442

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Nicolas RollandMartin Pugh
 
A galáxia distorcida NGC 2442 pode ser encontrada na direção da constelação do hemisfério sul do Peixe Voador. Localizada a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância, os dois braços espirais da galáxia que se estendem a partir de uma barra central pronunciada dão-lhe uma aparência semelhante a um gancho nesta imagem colorida de céu profundo, com estrelas "espigadas" em primeiro plano e espalhadas pelo campo de visão telescópico. A imagem também revela as faixas de poeira obscurecida da galáxia distante, jovens enxames estelares azuis e regiões avermelhadas de formação estelar que rodeiam um núcleo de luz amarelada emanada por uma população mais velha de estrelas. Mas as regiões de formação estelar parecem mais concentradas ao longo do braço espiral superior direito. A estrutura distorcida é provavelmente o resultado de um antigo encontro com a galáxia mais pequena vista perto da parte superior esquerda da imagem. As duas galáxias em interação estão separadas por cerca de 150.000 anos-luz à distância estimada de NGC 2442.
 
   
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