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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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ciencia viva verao 2024
 
  Astroboletim #2140  
  10/09 a 12/09/2024  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
 

Observação solar na ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha de Tavira
12/09/2024, 09:30 - Inscrição

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
13/09/2024, 21:00

(sem inscrição obrigatória)

 

Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 10/09: 254.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.
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Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteroide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
HOJE, NO COSMOS:
Assim que as estrelas começam a aparecer, procure a alaranjada Antares cerca de 6º para a direita da Lua.

 

DIA 11/09: 255.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 07:06.
Logo para a esquerda da Lua encontra-se o "bule de chá" de Sagitário.
Já conseguimos ver, nas estrelas, que a estação está a mudar: chegámos àquela altura do ano em que, após o cair da noite, Cassiopeia já está um pouco mais alta a nordeste que a Ursa Maior a noroeste.
Cassiopeia marca o céu alto a norte, ao início da noite, durante a fria metade outono-inverno do ano. A Ursa Maior substitui Cassiopeia durante as noites mais quentes de primavera e verão.
Quase no ponto médio entre as duas constelações, e um pouco para cima, está a Estrela Polar, que assinala o ponto cardeal norte.

 

DIA 12/09: 256.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14), torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.
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Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira missão (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra. 
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite). 
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher afro-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2013, a NASA confirma que a sonda Voyager 1 se tornou no primeiro objeto feito pelo homem a entrar no espaço interestelar.
HOJE, NO COSMOS:
Esta noite a Lua brilha na direção do "bule de chá" de Sagitário. Cubra o nosso satélite natural com a ponta do seu dedo para ajudar a revelar as estrelas à sua volta.

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Os detritos do impacto da DART podem chegar à Terra
 
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Impressão de artista da pluma criada pelo impacto da DART no asteroide Dimorphos.
Crédito: ESA
 

Em 2022, a nave espacial DART da NASA fez história e mudou o Sistema Solar para sempre, ao colidir com o asteroide Dimorphos e ao deslocar de forma significativa a sua órbita em torno do maior asteroide Didymos. No processo, uma nuvem de detritos foi projetada para o espaço.

A mais recente modelação, disponível no site de pré-impressão arXiv e aceite para publicação no volume de setembro da revista The Planetary Science Journal, mostra como pequenos meteoroides provenientes desses detritos podem, eventualmente, atingir Marte e a Terra - potencialmente de uma forma observável (embora bastante segura).

No dia 26 de setembro de 2022, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirect Test) da NASA, com cerca de meia tonelada, embateu no asteroide Dimorphos, com 151 m de diâmetro, a uma velocidade aproximada de 6,1 km/s, encurtando a sua órbita em torno de Didymos em mais de meia hora, durante a primeira parte de uma colaboração internacional de defesa planetária.

A nave espacial Hera da ESA será lançada no próximo mês de outubro para alcançar Dimorphos e efetuar uma "investigação da cena do acidente", recolhendo dados sobre a massa, a estrutura e a composição do asteroide, para tornar este método de impacto cinético de defesa planetária numa técnica bem compreendida e repetível.

"O impacto da DART fornece uma oportunidade rara para investigar a entrega de detritos a outros corpos celestes, graças ao facto de sabermos o local do impacto e de este impacto ter sido observado pelo italiano LICIACube, libertado da DART, bem como por observadores terrestres", explica o coautor e cientista da missão Hera da ESA, Michael Kueppers.

"Nós simulámos a ejeção de modo a corresponder às observações do LICIACube, utilizando três milhões de partículas agrupadas em três populações de tamanhos - 10 cm, 0,5 cm e 30 μm, ou milésimos de milímetro - que se deslocam a velocidades de 1 a 1000 m/s ou a uma velocidade superior de até 2 km/s."

O autor principal do estudo, Eloy Peña-Asensio, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial do Politécnico de Milão, explica: "Identificámos órbitas de detritos compatíveis com o envio de partículas produtoras de meteoros tanto para Marte como para a Terra. Os nossos resultados indicam a possibilidade de material ejetado atingir o campo gravitacional de Marte daqui a 13 anos para velocidades de lançamento da ordem dos 450 m/s, enquanto que detritos mais rápidos lançados a 770 m/s podem atingir a sua vizinhança em apenas sete anos. As partículas que se deslocam a mais de 1,5 km/s podem chegar ao sistema Terra-Lua numa escala de tempo semelhante".

 
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A missão Hera estuda a cratera de impacto da DART.
Crédito: ESA
 

Eloy acrescenta: "Nas próximas décadas, as campanhas de observação de meteoros serão cruciais para determinar se fragmentos de Dimorphos, resultantes do impacto da DART, vão atingir o nosso planeta."

"Se isto acontecer, assistiremos à primeira chuva de meteoros de origem humana."

Josep M. Trigo-Rodríguez, do CSIC/IEEC (Consejo Superior de Investigaciones Científicas/Instituto de Estudios Espaciales de Cataluña), apoiou o estudo da evolução dinâmica dos detritos gerados pelo impacto da DART no âmbito da sua contribuição para a missão, acrescentando: "Ficámos espantados ao descobrir que é possível que algumas partículas de tamanho centimétrico atinjam o sistema Terra-Lua e produzam uma nova chuva de meteoros".

O facto de os meteoroides se dirigirem para a Terra ou para Marte depende da sua posição na pluma de impacto em forma de cone da DART - o material do lado norte tem mais probabilidades de se dirigir para Marte, enquanto o material do sudoeste tem mais probabilidades de chegar à Terra.

O maior destes meteoroides teria apenas o tamanho de uma bola de softbol. É certo que se queimariam na atmosfera da Terra, embora possam conseguir atravessar a mais fina atmosfera marciana.

Em todo o caso, parece que apenas as partículas mais pequenas poderão chegar à Terra, pois são as que foram lançadas a maior velocidade. Não podemos ainda determinar se estas partículas serão suficientemente grandes para produzir meteoros observáveis, pelo que será essencial uma monitorização contínua do céu noturno.

Michael acrescenta: "O nosso conhecimento exato do local de impacto e das propriedades do impactor em termos de tamanho, massa e velocidade, bem como as observações da ejeção, foram o que nos permitiu estimar o destino a longo prazo do material que sai do sistema de Didymos".

"Combinado com a próxima investigação do asteroide alvo pela sonda Hera, acabaremos por ficar na situação única de ter informação completa sobre o impactor, o asteroide alvo e o material ejetado."

Há mais de 1000 fluxos de meteoroides conhecidos a atravessar a órbita da Terra, ligados a famosas chuvas de meteoros anuais, como as recentes Perseidas e as Táuridas no outono.

Os astrónomos tornaram-se hábeis em rastrear a origem dos meteoros até determinados fluxos de meteoroides ou corpos de cometas ou asteroides. Este estudo envolve o mesmo tipo de cálculo, mas em sentido inverso, para prever as características e os tempos prováveis dos meteoros ligados ao impacto da DART.

Michael explica: "O que é excitante é a probabilidade de identificar e observar meteoros ligados ao impacto da DART, quer na Terra, quer talvez um dia em Marte, com o seu brilho e cor a revelarem detalhes da sua composição".

"O nosso estudo inclui as características orbitais distintas que distinguem estes meteoros de outros comparáveis. Os potenciais meteoros criados pela DART seriam de movimento lento, visíveis principalmente a partir do hemisfério sul e com maior probabilidade de ocorrer em maio."

A Hera foi recentemente transportada da Europa para Cabo Canaveral, nos EUA, para ser lançada a bordo de um Falcon 9 da SpaceX em outubro. Deverá chegar ao asteroide Dimorphos e iniciar a sua investigação no final de 2026.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Impacto da DART impressiona (ESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
02/08/2024 - Missão DART lança nova luz sobre o sistema de asteroides que teve como alvo
22/03/2024 - O impacto da DART mudou a órbita e a forma do asteroide Dimorphos
24/03/2023 - Primeiros resultados do VLT do rescaldo do impacto da sonda DART com Dimorphos
03/03/2023 - Dados da DART validam técnica de impacto cinético como método de defesa planetária
27/12/2022 - Resultados iniciais da missão DART
04/11/2022 - Experiência ajuda a prever os efeitos do impacto da DART
14/10/2022 - NASA confirma que o impacto da missão DART mudou o movimento do asteroide Dimorphos pelo espaço
27/09/2022 - A missão DART atinge o asteroide Dimorphos; é o primeiro teste de defesa planetária
09/09/2022 - DART já vê o seu destino, o asteroide Didymos e a pequena lua Dimorphos
13/11/2018 - Trabalho de detetive cósmico: a importância das rochas espaciais

Didymos e Dimorphos:
Didymos (Wikipedia)
Dimorphos (Wikipedia)

DART (Double Asteroid Redirection Test):
NASA
JHUAPL
Wikipedia

Missão Hera:
ESA
Página oficial
Wikipedia

 
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Planeta anão Ceres: originário da cintura de asteroides?
 
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Impressão de artista da sonda Dawn manobrando acima de Ceres graças ao seu sistema de propulsão iónica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
 

O planeta anão Ceres tem um diâmetro de quase 1000 quilómetros e está localizado na cintura de asteroides. Na série televisiva "The Expanse", Ceres ganhou nova fama como a principal base dos chamados "belters": nesta série, que se baseia na física real, os seres humanos colonizam a cintura de asteroides para exploração mineira. Ceres também não é menos proeminente no mundo real. No entanto, durante muito tempo, não se sabia ao certo se o planeta anão se tinha formado na cintura de asteroides ou se tinha migrado para o interior a partir da orla do Sistema Solar. Uma equipa de investigação liderada pelo Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, em Gotinga, Alemanha, encontrou depósitos ricos em amónio na cratera Consus, em dados da sonda espacial Dawn da NASA, que revelam muito sobre a origem de Ceres.

O planeta anão Ceres é um "habitante" invulgar da cintura de asteroides. Com um diâmetro de cerca de 960 quilómetros, não é apenas o maior corpo entre as órbitas de Marte e Júpiter; ao contrário dos seus "companheiros" bastante simples, é também caracterizado por uma geologia extremamente complexa e variada. Há alguns anos, a sonda espacial Dawn, da NASA, descobriu depósitos de amónio generalizados na superfície de Ceres. Alguns investigadores assumem que o amónio gelado desempenhou um papel na formação do planeta anão. No entanto, o amónio só é estável no Sistema Solar exterior, o que indica uma origem longe da cintura de asteroides. No entanto, novas descobertas na cratera Consus contrariam esta hipótese.

Criovulcanismo

Ceres parecia ter sido palco de um criovolcanismo único até há pouco tempo - e provavelmente ainda é. Os dados subjacentes foram obtidos pela sonda espacial Dawn da NASA, que estudou Ceres de perto entre 2015 e 2018. Os dados apontam para um passado conturbado, em que Ceres mudou e evoluiu ao longo de milhares de milhões de anos. Depósitos de sal esbranquiçados podem ser encontrados em várias crateras de impacto. Os depósitos na cratera Consus podem indicar material rico em amónio que chegou à superfície a partir das profundezas do planeta anão devido ao vulcanismo de Ceres. Mais precisamente, os investigadores pensam que os depósitos são restos de uma salmoura que se infiltrou à superfície a partir de uma camada líquida entre o manto e a crosta ao longo de milhares de milhões de anos. As imagens e os dados de medição da cratera Consus, que a equipa analisou com mais pormenor do que nunca, mostram agora esse material de cor amarelada. A presença de amónio não indica, portanto, necessariamente uma origem no Sistema Solar exterior - Ceres pode ter sido formado onde hoje orbita.

Uma cratera dentro de uma cratera

 
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A cratera Consus está localizada no hemisfério sul do planeta anão Ceres. A estrutura mais marcante do seu interior é uma cratera mais pequena na sua metade oriental. Uma montanha central plana ergue-se no centro da Cratera Consus.
Crédito: MPS
 

A cratera Conus está localizada no hemisfério sul de Ceres. Com um diâmetro de cerca de 64 quilómetros, não é uma das crateras de impacto particularmente grandes do planeta anão. As imagens obtidas pelo sistema de câmaras científicas da Dawn, que foi desenvolvido e construído sob a direção do instituto alemão, mostram uma parede circunferencial da cratera que se eleva cerca de 4,5 quilómetros acima do chão e que sofreu uma erosão parcial para o interior. Esta encerra uma cratera mais pequena que cobre uma área de cerca de 15 quilómetros por 11 quilómetros e que domina a metade oriental do fundo da cratera Consus. O material amarelado e brilhante encontra-se em manchas isoladas exclusivamente na borda da cratera mais pequena e numa área ligeiramente a leste da mesma.

Como sugere a nova análise dos dados do sistema de câmaras e do espetrómetro VIR, o material amarelado e brilhante da cratera Consus é rico em amónio. Em vestígios, o composto, que difere do amoníaco por um ião de hidrogénio adicional, é quase omnipresente na superfície de Ceres sob a forma de minerais ricos em amónio. No passado, os cientistas acreditavam que estes minerais só se podiam ter formado através do contacto com o amónio gelado no frio da orla exterior do Sistema Solar, onde o amónio gelado é estável durante longos períodos de tempo. Na proximidade do Sol, evapora-se rapidamente. Por conseguinte, Ceres deve ter-se formado na orla do Sistema Solar e só mais tarde se "deslocou" para a cintura de asteroides, deduziram. O estudo atual mostra agora, pela primeira vez, uma ligação entre o amónio e a salmoura salgada do interior de Ceres. A equipa argumenta que, por conseguinte, a origem do planeta anão não tem necessariamente de estar no Sistema Solar exterior. Ceres pode também ser verdadeiramente originário da cintura de asteroides.

Amónio das profundezas

 
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O material brilhante amarelado, marcado aqui como "yBM", encontra-se exclusivamente na borda da cratera mais pequena e na sua vizinhança imediata a leste.
Crédito: MPS
 

Os investigadores assumem que os componentes do amónio já estavam contidos nos blocos de construção originais de Ceres. Como o amónio não se combina com os minerais típicos do manto de Ceres, foi-se acumulando gradualmente numa espessa camada de salmoura que se estendia globalmente entre o manto e a crosta do planeta anão. A atividade criovulcânica fez com que a salmoura rica em amónio subisse repetidamente ao longo de milhares de milhões de anos, e o amónio que continha infiltrou-se gradualmente nos filossilicatos de grande escala da crosta de Ceres. Os filossilicatos, que se caracterizam por uma estrutura cristalina em camadas, estão também muito presentes na Terra, por exemplo, nos solos argilosos. "Os minerais da crosta de Ceres possivelmente absorveram o amónio ao longo de milhares de milhões de anos, como uma espécie de esponja", explica o Dr. Andreas Nathues, primeiro autor do presente estudo e antigo investigador principal da equipa do sistema de câmaras da Dawn.

Há muito a sugerir que a concentração de amónio é maior nas camadas mais profundas da crosta do que perto da superfície. Os poucos locais na superfície de Ceres onde se podem encontrar manchas conspícuas do material amarelado-brilhante, fora da Cratera Consus, estão também localizados dentro de crateras profundas. Como o presente estudo mostra em pormenor, o impacto que criou a pequena cratera oriental há apenas 280 milhões de anos terá provavelmente exposto material das camadas profundas, particularmente ricas em amónio, da Cratera Consus. As manchas amareladas e brilhantes a leste da cratera mais pequena são material que foi ejetado como resultado do impacto.

"Com 450 milhões de anos, a Cratera Consus não é particularmente antiga pelos padrões geológicos, mas é uma das mais antigas estruturas sobreviventes em Ceres. Devido à sua escavação profunda, dá-nos acesso a processos que tiveram lugar no interior de Ceres ao longo de milhares de milhões de anos - e é, portanto, uma espécie de janela para o passado do planeta anão", diz o Dr. Ranjan Sarkar, coautor do estudo.

// Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Journal of Geophysical Research: Planets)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão Dawn pelo CCVAlg - Astronomia:
14/08/2020 - Mistério resolvido: áreas brilhantes de Ceres vêm de água salgada por baixo
06/11/2018 - Missão Dawn chega ao fim
14/09/2018 - O legado da sonda Dawn, perto do fim da missão
16/06/2018 - Matéria orgânica em Ceres pode ser mais abundante do que se pensava inicialmente
15/12/2017 - Áreas brilhantes em Ceres sugerem atividade geológica
14/11/2017 - Dawn explora a evolução do interior de Ceres
31/10/2017 - Dawn encontra possíveis restos de um antigo oceano em Ceres
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07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
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11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
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23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
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03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides 

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
NASA
"Toolkit" da missão (NASA)
Wikipedia

 
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Sistema Solar exterior pode ser mais povoado do que se pensava
 
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O Telescópio Subaru (esquerda) e a sonda New Horizons (direita).
Crédito: NAOJ/SwRI
 

Observações, utilizando a câmara de campo ultralargo do Telescópio Subaru, revelaram que pode haver uma população de pequenos corpos ainda mais afastados, na Cintura de Kuiper, à espera de serem descobertos. Os resultados, que são importantes para compreender a formação do Sistema Solar, foram obtidos através de uma colaboração internacional entre o Telescópio Subaru e a nave espacial New Horizons que viaja pelo Sistema Solar exterior.

A nave espacial New Horizons da NASA foi lançada em 2006 com a missão crítica de observar de perto as superfícies de corpos do Sistema Solar exterior pela primeira vez na história da humanidade; completou com sucesso um "flyby" pelo sistema de Plutão em 2015 e em 2019 passou por um dos objetos da Cintura de Kuiper, (486958) Arrokoth. No total, cinco naves espaciais já entraram no Sistema Solar exterior, mas a New Horizons é a única que voou através da Cintura de Kuiper enquanto observava objetos da Cintura de Kuiper.

Quando observamos objetos da Cintura de Kuiper a partir do solo, só os podemos observar a pequenos ângulos de fase solar (o ângulo entre o Sol, o objeto e o observador). Por outro lado, quando se observa um objeto da Cintura de Kuiper a partir de uma nave espacial na Cintura de Kuiper, o mesmo objeto pode ser observado em vários ângulos de fase e as suas características de reflexão podem ser utilizadas para estimar as propriedades da superfície do objeto. Isto é algo que só a New Horizons pode fazer.

No entanto, a câmara da nave espacial tem um campo de visão estreito e não consegue descobrir objetos da Cintura de Kuiper por si só. É aqui que entra o Telescópio Subaru. O Telescópio Subaru utiliza a sua câmara de campo largo para encontrar muitos objetos da Cintura de Kuiper e depois restringir a lista de objetos por onde a nave espacial pode passar e observar. Esta colaboração entre a New Horizons e o Telescópio Subaru começou em 2004.

Nas observações realizadas durante 2004-2005 com a Suprime-Cam do Telescópio Subaru, devido à relação orbital entre Plutão e a nave espacial, uma área próxima do centro da Via Láctea ficou retida no fundo da área de busca por objetos da Cintura de Kuiper. Embora tivesse sido extremamente difícil procurar objetos do Sistema Solar com muitas estrelas de fundo, a equipa de investigação conseguiu encontrar 24 objetos da Cintura de Kuiper.

Infelizmente, os objetos da Cintura de Kuiper encontrados até agora durante esta observação requerem demasiado combustível para serem estudados de perto pela nave espacial, mas novos objetos a grande distância podem estar ao alcance do combustível disponível na New Horizons. Em 2020, começaram observações mais profundas com a HSC (Hyper Suprime-Cam) no Telescópio Subaru e, em 2023, tinham sido descobertos 239 objetos da Cintura de Kuiper.

"A parte mais excitante das observações da HSC foi a descoberta de 11 objetos a distâncias para lá da conhecida Cintura de Kuiper", diz o membro da equipa Dra. Fumi Yoshida (Centro de Investigação de Exploração Planetária, Instituto de Tecnologia de Chiba).

Muitos dos objetos descobertos com a HSC estão localizados a distâncias de 30-55 unidades astronómicas (UA) do Sol (1 UA corresponde à distância entre o Sol e a Terra) e pensa-se que estejam dentro da conhecida Cintura de Kuiper. Por outro lado, a equipa não estava à espera do que parece ser um aglomerado de objetos na região de 70-90 UA e um "vale" entre 55 UA e 70 UA (onde apenas um pequeno número de objetos está distribuído). Este "vale" não tinha sido registado noutras observações.

 
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Distribuição da distância dos objetos da Cintura de Kuiper descobertos pela HSC do Telescópio Subaru. O eixo horizontal representa a distância dos objetos ao Sol, medida em unidades astronómicas (UA; a distância entre a Terra e o Sol). O eixo vertical representa o número de objetos.
Crédito: Wesley Fraser
 

Poderá haver uma nova população de objetos da Cintura de Kuiper a 70-90 UA. "Se isto se confirmar, será uma grande descoberta. A nebulosa solar primordial era muito maior do que se pensava e isto pode ter implicações no estudo do processo de formação planetária no nosso Sistema Solar", diz a Dra. Yoshida.

O investigador principal da missão New Horizons, Dr. Alan Stern, afirma: "Esta é uma descoberta inovadora que revela algo inesperado, novo e excitante nos confins do Sistema Solar; esta descoberta provavelmente não teria sido possível sem as capacidades de classe mundial do observatório Subaru".

Para determinar as órbitas exatas dos objetos descobertos neste estudo, a equipa de investigação continua as observações com a HSC. "Penso que a descoberta de objetos distantes e a determinação da sua distribuição orbital são importantes para compreender a história da formação do Sistema Solar, para compará-la com sistemas exoplanetários e para compreender a formação de planetas em geral", afirma a Dra. Yoshida acerca da importância deste estudo.

A New Horizons está atualmente a viajar para mais longe, a 60 UA do Sol. Deve haver muitos mais objetos distantes que ainda não foram descobertos. A equipa de investigação está ansiosa por ver o que o Telescópio Subaru e a nave espacial New Horizons vão descobrir para além da Cintura de Kuiper.

// Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// JHUAPL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Cintura de Kuiper:
Centro de Planetas Menores da UAI
NASA 
Wikipedia

Telescópio Subaru:
NAOJ
Wikipedia
HSC (Telescópio Subaru)

New Horizons:
NASA
JHUAPL
X/Twitter
Wikipedia

 
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Também em destaque
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  ALMA deteta "agitação" característica da instabilidade gravitacional num disco de formação planetária (via Observatório ALMA)
Tradicionalmente, a formação planetária tem sido descrita como um processo "de baixo para cima", em que os grãos de poeira se juntam gradualmente em aglomerados maiores ao longo de dezenas de milhões de anos, de micrómetros para centímetros, para metros e para quilómetros. Em alternativa, outra teoria propõe que os planetas se podem formar rapidamente através de um processo "de cima para baixo", em que o material do disco circunstelar em braços espirais se fragmenta devido a instabilidade gravitacional. Numa poderosa combinação de técnica, instrumentação e alvo, uma equipa internacional de astrónomos observou o bem caracterizado disco protoplanetário em torno de AB Aurigae e encontrou evidências observacionais que correspondem à sequência teórica alternativa de "cima para baixo" da formação planetária. Ler fonte
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Álbum de fotografias
A Pequena Lua Deimos

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HiRISEMROLPL (U. Arizona)NASA
 
Marte tem duas pequenas luas, Fobos e Deimos, cujo nome deriva das figuras da mitologia grega Medo e Terror. Vistas detalhadas da superfície da lua mais pequena, Deimos, são mostradas em ambos os painéis. As imagens foram obtidas em 2009, pela câmara HiRISE a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), um dos satélites de internet interplanetária da NASA. A mais externa das duas luas marcianas, Deimos é uma das mais pequenas luas conhecidas do Sistema Solar, medindo apenas cerca de 15 quilómetros de diâmetro. Ambas as luas marcianas foram descobertas em 1877 por Asaph Hall, um astrónomo americano que trabalhava no Observatório Naval dos EUA em Washington D.C. Mas a sua existência foi postulada por volta de 1610 por Johannes Kepler, o astrónomo que deduziu as leis do movimento planetário. Neste caso, a previsão de Kepler não se baseou em princípios científicos, mas as suas ideias foram tão influentes que as duas luas marcianas são discutidas em obras de ficção como "As Viagens de Gulliver", de Jonathan Swift, escritas em 1726, mais de 150 anos antes da sua descoberta.
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