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Edição n.º 1207
02/10 a 05/10/2015
 
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09/10/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS (ESPECIAL: SEMANA DO ESPAÇO)
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: GRÁTIS
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

30/10/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 02/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Depois do cair da noite, olhe mesmo por cima do horizonte a nordeste - bem para baixo de Cassiopeia - em busca da brilhante Capella. A hora a que Capella nasce, e quão alta se encontra, depende da latitude. Quanto mais para norte está o observador, mais cedo e mais alto.

Dia 03/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: A Lua nasce por volta das 23:44, localizada no céu a este-nordeste. Para a sua direita está a constelação de Orionte. A primeira estrela que encontra ao observar a constelação, seguindo o caminho desde a Lua, é Betelgeuse, o ombro alaranjado do Caçador.

Dia 04/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de Outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de Outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 22:06.

Dia 05/10: 278.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1958, nasce Neil deGrasse Tyson, astrofísico, cosmólogo, autor e comunicador científico americano.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orionte. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: Pouco depois do anoitecer nesta altura do ano, cinco constelações formam uma linha que desce do zénite até ao horizonte a oeste-noroeste. Perto do zénite está a estrela Deneb: a cauda do Cisne. A seguir temos Lira com a brilhante Vega, depois o ténue Hércules, a pequena Coroa Boreal e finalmente o grande Boieiro com a brilhante estrela Arcturo baixa a oeste-noroeste.

 
CURIOSIDADES


Tycho Brahe (1546-1601) foi um dos grandes astrónomos observacionais da História da Astronomia. Aos 20 anos, ficou sem parte do nariz durante um duelo com outro estudante. O que levou ao duelo foi a legitimidade de uma fórmula matemática. Nada abalado, diz-se que Tycho construíu para si próprio um nariz de ouro, prata e cera. Em 2010, após a segunda exumação dos seus restos mortais, descobriu-se que a prótese era provavelmente feita de latão.

 
CARONTE, A GRANDE LUA DE PLUTÃO, REVELA UMA HISTÓRIA COLORIDA MAS VIOLENTA

A sonda New Horizons da NASA transmitiu a melhor imagem a cores e de alta resolução, até agora, da maior lua de Plutão, Caronte - e estas fotografias mostram uma história surpreendentemente complexa e violenta.

Caronte em cores reforçadas. A sonda New Horizons capturou esta imagem a cores e em alta-resolução de Caronte antes da maior aproximação do dia 14 de julho de 2015. O mosaico combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera); as cores foram processadas para melhor realçar as propriedades da superfície em Caronte. A paleta de cores não é tão diversa como a de Plutão; o tom mais avermelhado é o da região polar norte, informalmente conhecida como Mordor Macula. Caronte mede 1214 km de diâmetro; a imagem resolve detalhes tão pequenos quanto 2,9 km.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com metade do diâmetro de Plutão, Caronte é o maior satélite do Sistema Solar em tamanho relativo, quando comparado com o seu planeta. Muitos cientistas da New Horizons esperavam que Caronte fosse monótono, um mundo assolado por crateras; em vez disso, estão a descobrir uma paisagem coberta por montanhas, desfiladeiros, deslizamentos de terra, variações de cor à superfície e muito mais.

Nós pensávamos que a probabilidade de ver essas características tão interessantes neste satélite de um mundo tão distante no nosso Sistema Solar era baixa," afirma Ross Beyer, da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging) do Instituto SETI e do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, no estado americano da Califórnia, "mas eu não poderia estar mais satisfeito com o que vemos."

As imagens de alta resolução de Caronte foram obtidas pelo LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) a bordo da sonda New Horizons, pouco antes da maior aproximação de dia 14 de julho de 2015, e sobrepostas com cores reforçadas do instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera). As terras altas crateradas no topo estão partidas para uma série de desfiladeiros, e substituídas em baixo por planícies da informalmente conhecida Vulcan Planum. A cena cobre o diâmetro de Caronte, 1214 km, e resolve detalhes tão pequenos quanto 0,8 km.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As imagens de alta resolução do hemisfério de Caronte voltado para Plutão, obtidas pela New Horizons enquanto a sonda passava pelo sistema de Plutão no dia 14 de julho e transmitidas para a Terra no dia 21 de setembro, revelam detalhes de uma cintura de fraturas e desfiladeiros mesmo para norte do equador da lua. Este grande sistema de desfiladeiros estende-se por mais de 1600 km em toda a face de Caronte e provavelmente até para o outro lado do satélite. Quatro vezes maior que o Grande Canyon nos EUA, e em locais duas vezes mais profundo, estas fendas e desfiladeiros indicam uma perturbação geológica titânica no passado de Caronte.

"Parece que toda a crosta de Caronte foi rasgada," comenta John Spencer, vice-líder da equipa GGI no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano da Califórnia. "No que diz respeito ao seu tamanho em relação a Caronte, esta característica geológica é muito parecida com o vasto sistema de desfiladeiros Valles Marineris em Marte."

Esta composição de cores reforçadas de Plutão (em baixo, à direita) e Caronte (em cima, à esquerda) foi obtida pela sonda New Horizons quando passava pelo sistema plutoniano no dia 14 de julho de 2015. A imagem realça as diferenças entre Plutão e Caronte. As cores e o brilho, tanto de Plutão como de Caronte, foram processados de modo idêntico para permitir uma comparação direta das suas características à superfície, e para realçar a semelhança entre a região polar e avermelhada de Caronte e o terreno equatorial de Plutão. Plutão e Caronte são vistos aproximadamente com os seus tamanhos relativos corretos, mas a sua separação não está à escala. A fotografia combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC da sonda.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa também descobriu que as planícies ao sul dos desfiladeiros de Caronte - informalmente conhecidas como Vulcan Planum - têm menos crateras grandes do que as regiões para norte, indicando que são visivelmente mais jovens. A suavidade das planícies, bem como as suas ranhuras e sulcos leves, são sinais claros de material que retornou à superfície a larga-escala.

Uma possibilidade para a superfície lisa é um tipo de atividade vulcânica fria, chamada criovulcanismo. "A equipa está discutindo a possibilidade que um oceano interno de água pode ter congelado há muito tempo atrás, e que a resultante mudança de volume pode ter levado Caronte a rasgar-se, permitindo com que estas lavas à base de água alcançassem a superfície nessa época," explica Paul Schenk, membro da equipa da New Horizons e do Instituto Lunar e Planetário de Houston, EUA.

Imagens com ainda mais resolução e dados de composição de Caronte estão ainda por chegar à medida que a New Horizons transmite os dados armazenados na sua memória digital durante o próximo ano - e enquanto isso acontece, "eu prevejo que a história de Caronte se torne ainda mais espetacular!", exclama Hal Weaver, cientista do projeto da missão e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, no estado americano de Maryland.

A sonda New Horizons está atualmente a 5 mil milhões de quilómetros da Terra e todos os sistemas estão de boa saúde e operando normalmente.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Voando sobre Caronte (NASA via YouTube)
SPACE.com
POPULAR SCIENCE
PHYSORG
spaceref
BBC News
UPI
The Verge

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
EQUIPA DA DAWN PARTILHA NOVOS MAPAS E INFORMAÇÕES SOBRE CERES
Este mapa de Ceres foi criado com imagens obtidas pela Dawn durante a sua órbita de mapeamento a alta altitude, em agosto e setembro de 2015.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta semana, na Conferência Europeia de Ciência Planetária em Nantes, França, estão a ser debatidos os mistérios de Ceres. A sonda Dawn da NASA está a fornecer aos cientistas vistas tentadoras e outros dados sobre o intrigante planeta anão que continuam a analisar.

"Ceres continua a surpreender e a confundir, enquanto examinamos o nosso grande número de imagens, espectros e agora rajadas de partículas energéticas," afirma Chris Russell, investigador principal da Dawn na Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA.

Esta vista, feita com imagens obtidas pela sonda Dawn da NASA, mostra uma montanha alta em forma de cone em Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um novo mapa topográfico codificado a cores mostra mais de uma dúzia de nomes recentemente aprovados para características em Ceres, todos nomes de espíritos agrícolas, divindades e festivais de culturas por todo o mundo. Estes incluem Jaja, a deusa abecásia da colheita e Ernutet, a deusa egípcia da colheita com cabeça de cobra. Uma montanha com 20 quilómetros de diâmetro, perto do polo norte de Ceres, é agora chamado Ysolo Mons, o nome do festival albanês que assinala o primeiro dia da colheita da beringela.

Outro novo mapa de Ceres, em cores falsas, realça diferenças composicionais presentes à superfície. As variações são mais subtis do que em Vesta, o porto de escala anterior da Dawn. Também estão disponíveis novas imagens topográficas e codificadas por cores da cratera Occator, o lar das manchas brilhantes de Ceres, e de uma montanha com 6 km de altura em forma de cone. Os cientistas ainda estão a tentar identificar os processos que podem produzir estes e outros fenómenos únicos.

Esta vista, feita com imagens obtidas pela sonda Dawn da NASA, é um mapa topográfico codificado a cores da cratera Occator em Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As formas irregulares das crateras em Ceres são especialmente interessantes, assemelhando-se com crateras que vemos na lua gelada de Saturno, Reia," afirma Carol Raymond, vice-investigadora principal da Dawn no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "São muito diferentes das crateras em forma de tigela em Vesta."

Uma observação surpreendente veio do espectrómetro de raios-gama e neutrões da Dawn. O instrumento detetou três surtos de eletrões energéticos que podem resultar da interação entre Ceres e a radiação do Sol. A observação não é ainda totalmente compreendida, mas pode ser importante na formação de uma imagem completa de Ceres.

Este mapa codificado a cores obtido pela sonda Dawn da NASA mostra os altos e baixos da topografia à superfície do planeta anão Ceres. Está legendado com os nomes de características aprovados pela União Astronómica Internacional.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esta é uma observação muito inesperada para a qual estamos agora testando hipóteses," afirma Russell.

A Dawn está atualmente em órbita de Ceres, a uma altitude de 1470 km, e a sonda vai capturar imagens de toda a superfície do planeta anão até seis vezes nesta fase da missão. Cada ciclo de imagem demora 11 dias.

Consegue adivinhar o que está a criar as manchas brilhantes em Ceres? Vote aqui!
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Começando já em outubro e prolongando-se até dezembro, a Dawn vai descer até à sua órbita mais íntima e final, a uma altitude de 375 km. O orbitador continuará a fotografar Ceres e a obter outros dados com maiores resoluções. Permanecerá operacional, pelo menos, até meados de 2016.

A Dawn fez história como a primeira missão a alcançar um planeta anão e a primeira a orbitar dois alvos extraterrestres distintos, quando chegou a Ceres no dia 6 de março de 2015. Realizou observações extensas de Vesta em 2011 e 2012.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
PHYSORG
Discovery News
BBC News
Forbes
Engadget

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

Ceres:
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Vesta:
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UMA NOVA PERSPETIVA SOBRE UM EXTRAORDINÁRIO ENXAME GALÁCTICO
Composição do Enxame da Fénix. Os dados do Chandra estão a azul e os dados ópticos (vermelho, verde e azul) foram capturados pelo Hubble.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/MIT/M. McDonald et al.; ótico - NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os enxames galácticos são muitas vezes descritos com superlativos. Afinal de contas, são aglomerados enormes de galáxias, gás quente e matéria escura e representam as maiores estruturas no Universo, unidas pela gravidade.

Os enxames de galáxias tendem a ser pobres na produção de estrelas novas nos seus centros. Geralmente, têm uma galáxia gigante no meio que forma estrelas a uma taxa significativamente mais lenta do que a maioria das galáxias - incluindo a nossa Via Láctea. A galáxia central contém um buraco negro supermassivo com cerca de mil vezes a massa do buraco negro no centro da Via Láctea. Sem o aquecimento gerado pelos surtos deste buraco negro, as grandes quantidades de gás quente encontrado na galáxia quente devem arrefecer, permitindo a formação de estrelas a uma taxa elevada. Pensa-se que o buraco negro central age como um termostato, impedindo o arrefecimento rápido do gás quente e a formação estelar.

Novos dados fornecem mais detalhes sobre o enxame galáctico SPT-CLJ2344-4243, apelidado de Enxame da Fénix (nome da constelação onde se encontra), que desafia esta tendência. O enxame já quebrou vários recordes no passado: em 2012, os cientistas anunciaram que o Enxame da Fénix tinha a maior taxa de arrefecimento de gás quente e formação estelar jamais vista no centro de um enxame de galáxias e, de todos os enxames conhecidos, é o produtor mais poderoso de raios-X. A taxa a que o gás quente arrefece no centro do enxame é também a mais alta já observada.

Novas observações deste enxame galáctico em raios-X, no ultravioleta e no visível pelo Observatório de raios-X Chandra, pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio Clay-Magalhães localizado no Chile, estão a ajudar os astrónomos a melhor compreender este objeto notável. Os dados óticos do Clay-Magalhães revelam filamentos estreitos no centro do aglomerado onde as estrelas se estão formando. Estes gigantescos filamentos cósmicos de gás e poeira, a maioria dos quais nunca tinham sido detetados antes, estendem-se entre 160.000 e 330.000 anos-luz. Estes valores são superiores ao diâmetro da Via Láctea, o que os torna os filamentos mais longos alguma vez vistos num enxame de galáxias.

A localização das cavidades de raios-X.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/MIT/M. McDonald et al.; ótico - NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estes filamentos rodeiam grandes cavidades - regiões com emissões de raios-X muito reduzida - no gás quente. As cavidades de raios-X podem ser vistas na imagem composta, que mostra os dados do Chandra em azul e os dados óticos do Telescópio Espacial Hubble (vermelho, verde e azul). A localização das "cavidades internas" está indicada na segunda imagem deste texto. Os astrónomos pensam que as cavidades de raios-X foram esculpidas a partir do gás circundante por jatos de partículas altamente energéticas emanadas perto de um buraco negro supermassivo da galáxia central do enxame. À medida que a matéria espirala em direção a um buraco negro, é libertada uma grande quantidade de energia gravitacional. Observações de buracos negros supermassivos noutros enxames galácticos, no rádio e em raios-X, mostraram que uma fração significativa desta energia é libertada como jatos de manifestações intensas que podem chegar a durar milhões de anos. O tamanho observado das cavidades de raios-X em SPT-CLJ2344-4243 indica que o surto que as produziu foi um dos eventos mais energéticos já registados.

No entanto, o buraco central no Enxame da Fénix está a sofrer de uma espécie de crise de identidade, partilhando propriedades com "quasares", objetos muito brilhantes alimentados por material que cai para um buraco negro supermassivo, e com "galáxias de rádio" que contêm jatos de partículas energéticas que brilham no rádio, também alimentadas por buracos negros gigantes. Metade da produção de energia deste buraco negro surge de os jatos empurrarem mecanicamente o gás em redor (modo rádio) e a outra metade de radiação ótica, UV e raios-X provenientes de um disco de acreção (modo quasar). Os astrónomos sugerem que o buraco negro pode estar no processo de alternar entre estes dois estados.

As cavidades de raios-X localizadas mais longe do centro do enxame fornecem evidências de surtos fortes do buraco negro central há cerca de cem milhões de anos atrás (desprezando o tempo de viagem da luz até ao enxame). Isto implica que o buraco negro pode ter estado no modo rádio, com surtos, há cerca de cem milhões de anos atrás, depois mudou para o modo quasar, e depois mudou novamente para o modo rádio.

Pensa-se que pode ter ocorrido um rápido arrefecimento entre estes dois surtos, despoletando a formação estelar em grupos e filamentos por toda a galáxia central a uma taxa de 610 massas solares por ano. Em comparação, apenas um par de novas estrelas se formam a cada ano na nossa Via Láctea. As propriedades extremas do sistema do Enxame da Fénix estão a fornecer novas informações sobre vários problemas astrofísicos, incluindo a formação de estrelas, o crescimento das galáxias e dos buracos negros, e a coevolução dos buracos negros e do seu ambiente.

O artigo que descreve estes resultados, liderado por Michael McDonald (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Astronomy
PHYSORG
Astronomy Now

Enxame da Fénix:
Wikipedia

Enxames galácticos:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia
O que é um buraco negro (Hubblesite)

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópios Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Os asteroides foram os principais abastecedores de água da Lua (via Instituto de Física e Tecnologia de Moscovo)
Os reservatórios de água descobertos na Lua são o resultado dos asteroides que agiram como veículos abastecedores, não os cometas como se pensava anteriormente. Usando simulações de computador, cientistas descobriram que um grande asteroide pode entregar mais água à superfície lunar do que o total de todos os cometas durante um período de mil milhões de anos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Eclipse nos Céus do Sul
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (Observatório Las Campanas)
 
Este panorama impressionante dos céus do Sul foi obtido durante a noite colorida de 27/28 de setembro a partir do Observatório Las Campanas. Um brilho difuso e faixas escuras da Via Láctea central pairam sobre as cúpulas dos telescópios gémeos Magalhães de 6,5 metros. Mas aquilo que mais atrai é o brilho avermelhado da Lua. Imerso na sombra da Terra durante o muito antecipado eclipse lunar total durante o perigeu, a superfície da Lua reflete a luz do nascer e pôr-do-Sol espalhada e refratada até à umbra do planeta em forma de cone. Juntamente com o tom dramático da Lua eclipsada, outras cores dessa noite capturadas com a câmara digital sensível incluem os tons avermelhados e esverdeados do brilho do ar atmosférico. Os observadores também podem avistar a Galáxia de Andrómeda por baixo da Lua, vista como uma mancha pequena através do brilho avermelhado do ar atmosférico e das luzes ao longo do horizonte. As Nuvens de Magalhães, galáxias satélites da Via Láctea, encontram-se na parte esquerda do panorama completo.
 

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