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Edição n.º 913
04/12 a 06/12/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/12: 339.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento da missão Gemini 7.

Frank Borman e James A. Lovell Jr.completam um voo de 14 dias, ao todo 220 órbitas. A missão tinha dois objectivos: estudar os efeitos a longo-prazo do voo espacial e fazer o "rendezvous" com a Gemini 6
Em 1978, a sonda americana Pioneer/Venus torna-se na primeira a orbitar Vénus.
Em 1996, é lançada a Mars Pathfinder.
Em 1998, é lançado o módulo Unity, o segundo módulo da Estação Espacial Internacional.
Observações: Algures entre as 19 e as 20 horas, a brilhante Vega descendo a Noroeste e a igualmente brilhante Capella subindo a Nordeste, estarão exactamente à mesma altura. Consegue medir com precisão a hora deste evento?

Dia 05/12: 340.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, a primeira fotografia (galáxia NGC 1232 em Erídano) tirada com o telescópio Keck é publicada no Los Angeles Times.

Em 2001, é lançada a missão Expedition 4, rumo à ISS.
Observações: A partir das 03:10, Europa desaparece por trás de Júpiter. Volta a reaparecer no lado oposto do planeta a partir das 05:40.

Dia 06/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.

Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte.
Observações: A partir das 02:20 (de dia 5 para 6), Ganimedes desaparece em frente de Júpiter e volta a reaparecer no lado oposto do planeta a partir das 04:25. Entre as 02:40 e as 04:45, é possível observar telescopicamente a sombra do satélite na atmosfera do gigante.
Lua em Quarto Minguante, pelas 15:31.

A partir das 22:15, Europa desaparece em frente de Júpiter e volta a reaparecer no lado oposto do planeta a partir das 00:40, já de dia 7. Entre as 22:25 e as 00:50 (de dia 7), é possível observar telescopicamente a sombra do satélite na atmosfera do gigante.

 
CURIOSIDADES


Algumas galáxias com núcleos galácticos activos apresentam jactos emitidos a velocidades próximas da luz, que devido à geometria do movimento relativo em relação à Terra parecem ter velocidades supralumínicas. Veja um exemplo aqui.

 
ROVER DA NASA COMPLETA PRIMEIRA ANÁLISE DE SOLO MARCIANO

O rover Curiosity da NASA usou a sua gama completa de instrumentos para analisar solo marciano pela primeira vez, e encontrou uma química complexa. Água e substâncias que contêm enxofre e cloro, entre outros ingredientes, foram detectados em amostras recolhidas pelo braço robótico do Curiosity e depositadas num laboratório analítico dentro do veículo.

A detecção das substâncias durante esta fase inicial da missão demonstra a capacidade do laboratório para analisar amostras diversas de solo e de rochas ao longo dos próximos dois anos. Os cientistas também têm verificado as capacidades dos instrumentos do rover.

O Curiosity é o primeiro rover marciano capaz de escavar o solo e depositar amostras em instrumentos analíticos. A amostra específica de solo é poeira e areia soprada pelo vento e depositada num local apelidado de "Rocknest". O local fica numa parte relativamente plana da Cratera Gale, ainda a quilómetros de distância do destino principal do rover, a encosta do Monte Sharp. O laboratório do rover inclui o instrumento SAM (Sample Analysis at Mars) e o CheMin (Chemistry and Mineralogy). O SAM utilizou três métodos para analisar gases emitidos a partir da areia quando esta foi aquecida num pequeno forno. Uma classe de substâncias que o SAM procura são compostos orgânicos - químicos que contêm carbono, que podem ser ingredientes para a vida.

Imagem da terceira e quarta trincheira feita pela pá de 4 centímetros do rover Curiosity em Outubro de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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"Nós não temos nenhuma detecção definitiva de material orgânico em Marte neste momento, mas vamos continuar a procurar nos diversos ambientes da Cratera Gale," afirma Paul Mahaffy, investigador principal do SAM no Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland.

O instrumento APXS do Curiosity e a câmara MAHLI (Mars Hand Lens Imager) no braço do rover confirmaram que Rocknest tem uma composição química e aparência semelhante a locais visitados anteriormente pelos rovers da NASA Pathfinder, Spirit e Opportunity.

A equipa do Curiosity seleccionou Rocknest como o primeiro local de recolha de amostras porque tem partículas finas de areia, adequadas para as superfícies interiores das câmaras de manuseio do braço robótico. A areia sofreu vibrações dentro das mesmas para remover resíduos da Terra. As ampliações de Rocknest pelo MAHLI mostram uma crosta revestida de pó com a espessura de um ou dois grãos de areia, cobrindo areia mais fina e escura.

O rover Curiosity fotografou-se a ele próprio numa área chamada "Rocknest", no 84.º dia marciano, ou sol, da missão (31 de Outubro de 2012).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/IRAP
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"A areia espalhada pelo vento em Marte parece mais escura na superfície," afirma Ken Edgett, investigador principal do MAHLI, do MSSS (Malin Space Science Systems) em San Diego. "Esta é uma deriva que teve tempo para estar inactiva, deixando a crosta formar-se e poeira acumular-se sobre ela."

O estudo de amostras de Rocknest pelo CheMin descobriu que a composição é de cerca de metade de comuns minerais vulcânicos e a outra metade de minerais não-cristalinos como vidro. O SAM adicionou informações sobre os ingredientes presentes em concentrações muito mais baixas e sobre os rácios dos isótopos. Os isótopos são formas diferentes do mesmo elemento e podem fornecer pistas sobre mudanças ambientais. A água vista pelo SAM não significa que o local estava molhado. As moléculas de água ligadas a grãos de areia ou poeira não são incomuns, mas a quantidade vista foi maior do que o previsto.

O SAM identificou provisoriamente oxigénio e o composto de cloro, perclorato. Este é um produto químico previamente encontrado no solo ártico marciano pelo "lander" Phoenix. As reacções com outros químicos aquecidos no SAM formaram o composto clorato de metano - um carbono orgânico detectado pelo instrumento. O cloro tem origem marciana, mas é possível que o carbono seja de origem terrestre, transportado pelo Curiosity e detectado graças à alta sensibilidade do SAM.

Estas imagens mostram a variedade de solos descobertos nos vários locais de aterragem em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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"Nós usámos quase todas as partes da nossa carga científica para examinar esta zona de solo," afirma John Grotzinger, cientista do projecto Curiosity do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena. "As sinergias dos instrumentos e a riqueza dos conjuntos de dados prometem grandes descobertas no destino principal da missão do Curiosity, o Monte Sharp."

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
SPACE.com
New Scientist
New Scientist - 2
Sky & Telescope
Universe Today
The Planetary Society
COSMOS
Science
Nature
redOrbit
National Geographic
Discovery News
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Público

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
VOYAGER 1 DA NASA ENCONTRA NOVA REGIÃO NO ESPAÇO PROFUNDO

A sonda Voyager 1 da NASA entrou numa nova região nos confins do nosso Sistema Solar que os cientistas sentem é a área final que a nave tem de atravessar antes de atingir o espaço interestelar.

Os cientistas referem-se a esta nova região como uma autoestrada magnética para partículas carregadas porque as linhas do campo magnético do Sol ligam-se às linhas do campo magnético interestelar. Esta ligação permite com que as partículas carregadas de menor energia, originárias de dentro da nossa heliosfera - ou a bolha de partículas carregadas que o Sol expele à sua volta - se afastem e faz com que as partículas mais energéticas do exterior se aproximem. Antes de entrar nesta região, as partículas carregadas "saltaram" em todas as direcções, como se estivessem presas em estradas locais dentro da heliosfera.

A equipa da Voyager infere que esta região está ainda dentro da nossa bolha solar porque a direcção do campo magnético não mudou. A direcção dessas linhas magnéticas está prevista mudar quando a Voyager romper através do espaço interestelar. Os novos resultados foram descritos na reunião da União Geofísica Americana que teve lugar ontem (Segunda-feira) em São Francisco, EUA.

Esta imagem mostra a Voyager 1 a explorar uma nova região no nosso Sistema Solar a que os cientistas chamam de "autoestrada magnética".
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Embora a Voyager 1 ainda esteja dentro do ambiente do Sol, já podemos saborear o lado de fora, porque as partículas estão saindo e entrando nesta autoestrada magnética," afirma Edward Stone, cientista do projecto Voyager do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA. "Acreditamos que esta é a última etapa da nossa viagem até ao espaço interestelar. O nosso melhor palpite é que ainda falta alguns meses ou anos. A nova região não é o que esperávamos, mas temos vindo a esperar o inesperado da Voyager."

Desde Dezembro de 2004, quando a Voyager cruzou um ponto no espaço chamado de choque de terminação, que a sonda tem vindo a explorar a camada exterior da heliosfera. Nesta região, o fluxo de partículas carregadas do Sol, conhecido como vento solar, abranda subitamente desde velocidades supersónicas e torna-se turbulento. O ambiente em redor da Voyager 1 tem sido consistente durante cerca de cinco anos e meio. A sonda então detectou que a velocidade do vento solar na direcção exterior diminuiu para zero.

A intensidade do campo magnético também começou a aumentar nessa altura.

Os dados da Voyager obtidos por dois instrumentos a bordo que medem partículas carregadas mostraram que a nave entrou nesta autoestrada magnética pela primeira vez a 28 de Julho de 2012. A região declinava e corria em direcção da Voyager 1 várias vezes. A sonda entrou de novo nesta região a 25 de Agosto e o ambiente tem-se mantido estável desde então.

Esta impressão de artista mostra como a Voyager 1 é banhada por vento solar do hemisfério Sul que flui para Norte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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"Se estivéssemos a julgar apenas pelos dados de partículas carregadas, teria pensado que estávamos fora da heliosfera," afirma Stamatios Krimigis, investigador principal do instrumento de partículas carregadas de baixa energia, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, no estado americano do Maryland. "Mas precisamos olhar para o que todos os instrumentos nos dizem e só o tempo vai dizer se as nossas interpretações sobre esta fronteira estão correctas."

Os dados da sonda revelaram que o campo magnético tornou-se mais forte de cada vez que a Voyager entrava nesta região da autoestrada; no entanto, a direcão das linhas do campo magnético não mudou.

"Estamos numa região magnética diferente de qualquer outra onde já estivemos - cerca de 10 vezes mais intensa do que antes do choque de terminação - mas os dados do campo magnético não mostram nenhuma indicação de que estamos no espaço interestelar," afirma Leonard Burlaga, membro da equipa do magnetómetro da Voyager do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "Os dados do campo magnético acabaram por ser a chave para identificar quando cruzámos o choque de terminação. E esperamos que estes dados nos digam quando alcançarmos o espaço interestelar."

A Voyager 1 e 2 foram lançadas com 16 dias de diferença em 1977. Pelo menos uma das naves visitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. A Voyager 1 é o mais distante objecto feito pelo Homem, a cerca de 18 mil milhões de quilómetros do Sol. O sinal da Voyager 1 leva aproximadamente 17 horas a viajar até à Terra. A Voyager 2, a nave espacial há mais tempo em operação contínua, está a cerca de 15 mil milhões de quilómetros do Sol. Embora a Voyager 2 tenha passado por mudanças semelhantes às da Voyager 1, as mudanças são muito mais graduais. Os cientistas acham que a Voyager 2 ainda não chegou a esta autoestrada magnética.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2012/10/09 - Voyager 1 pode já ter deixado o Sistema Solar
2012/06/19 - Dados da Voyager 1 apontam para futuro interestelar
2011/12/02 - Sondas Voyager detectam radiação Lyman-Alpha da Via Láctea
2011/06/10 - Uma grande surpresa no limite do Sistema Solar
2011/03/11 - Voyager 1 procura resposta que sopra ao vento
2009/12/25 - Resolvido mistério nos confins do Sistema Solar
2007/12/12 - Sistema Solar é "esborrachado"
2005/05/27 - Voyager alcança fronteira do Sistema Solar

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
Spaceflight Now
Scientific American
Discovery News
ars technica
redOrbit

Sonda Voyager 1:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
MESSENGER DESCOBRE NOVAS EVIDÊNCIAS DE ÁGUA GELADA NOS PÓLOS DE MERCÚRIO

Novas observações pela sonda MESSENGER providenciam apoio convincente para a hipótese de longa-data que Mercúrio contém água gelada em abundância e outros materiais voláteis congelados nas suas crateras polares permanentemente à sombra.

Três linhas independentes sustentam esta conclusão: as primeiras medições do excesso de hidrogénio no pólo norte de Mercúrio com o espectrómetro de neutrões da MESSENGER, as primeiras medições da reflectância dos depósitos polares de Mercúrio em comprimentos de onda próximos do infravermelho com o seu altímetro laser (MLA, Mercury Laser Altimeter), e os primeiros modelos detalhados das temperaturas à superfície e à sub-superfície das regiões polares norte que utilizam topografia real da superfície de Mercúrio estudada pelo MLA. As conclusões foram publicadas online na revista Science Express.

Dada a sua proximidade com o Sol, Mercúrio parece ser um local improvável para encontrar gelo. Mas a inclinação do eixo de rotação de Mercúrio é quase zero - menos de um grau - por isso existem zonas nos pólos do planeta que nunca vêm a luz solar. Os cientistas sugeriram há décadas atrás que poderia haver água gelada e outros compostos voláteis congelados presos nos pólos de Mercúrio.

Região polar norte de Mercúrio obtida pelo Observatório Arecibo.
Crédito: Centro Nacional de Astronomia e Ionosfera
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A ideia recebeu um impulso em 1991, quando o radiotelescópio de Arecibo em Porto Rico detectou manchas invulgarmente brilhantes através de radar nos pólos de Mercúrio, manchas que reflectiam ondas de rádio como seria de esperar se houvesse água gelada. Muitas destas manchas correspondiam à posição de grandes crateras de impacto mapeadas pela sonda Mariner 10 na década de 1970. Mas dado que a Mariner mapeou menos de 50% do planeta, os cientistas planetários não tinham um diagrama completo dos pólos para comparar com as imagens.

Isso mudou com a chegada da MESSENGER a Mercúrio no ano passado. As imagens obtidas em 2011 pelo instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) a bordo da sonda confirmaram que as características brilhantes em radar nos pólos norte e sul de Mercúrio estavam dentro das regiões à sombra da superfície de Mercúrio, resultados que são consistentes com a hipótese de água gelada.

Agora, os novos dados da MESSENGER indicam fortemente que a água gelada é o constituinte principal dos depósitos no pólo norte de Mercúrio, que o gelo está exposto à superfície no mais frio dos referidos depósitos, mas que o gelo está enterrado sob um material excepcionalmente escuro na maior parte dos depósitos, áreas onde as temperaturas são um pouco quentes para o gelo ficar estável à própria superfície.

Mosaico de imagens do pólo norte de Mercúrio obtidas pela sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie de Washington/Centro Nacional de Astronomia e Ionosfera, Observatório de Arecibo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda MESSENGER usa espectroscopia de neutrões para medir as concentrações médias de hidrogénio dentro das regiões brilhantes [em radar] de Mercúrio. As concentrações de água gelada são obtidas a partir das medições do hidrogénio. "Os dados indicam que os depósitos, brilhantes no radar, contêm, em média, uma camada rica em hidrogénio com uma espessura superior a dezenas de centímetros por baixo de uma camada superficial de 10 a 20 centímetros, menos rica em hidrogénio," escreve David Lawrence, cientista da MESSENGER, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e autor principal de um dos artigos. "A camada enterrada tem um teor de hidrogénio consistente com água gelada quase pura."

Os dados do MLA da MESSENGER - que já disparou mais de 10 milhões de pulsos laser para Mercúrio para obter mapas detalhados da topografia planetária - corroboram os resultados de radar e as medições do espectrómetro de neutrões da região polar de Mercúrio, esclarece Gregory Neumann do Centro Aeroespacial Goddard da NASA. Num segundo artigo, Neumann e colegas relatam que as primeiras medições das regiões polar norte à sombra pelo MLA revelaram depósitos irregulares, escuros e brilhantes, em comprimentos de onda perto do infravermelho.

"Estas anomalias de reflectância estão concentradas na direcção dos pólos e estão espacialmente colocadas em áreas de alto retroespalhamento de radar, postuladas como o resultado de água gelada perto da superfície," escreve Neumann. "A correlação da reflectância observada com as temperaturas modeladas indica que as regiões opticamente brilhantes são consistentes com água gelada à superfície."

Crateras polares permanentemente à sombra.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie de Washington/Centro Nacional de Astronomia e Ionosfera, Observatório de Arecibo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O MLA também registou manchas escuras com uma menor reflectância, de acordo com a teoria de que o gelo nessas áreas está coberto por uma camada de isolamento térmico. Neumann sugere que os impactos de cometas ou asteróides ricos em materiais voláteis poderiam ter fornecido tanto os depósitos escuros como os brilhantes, uma descoberta confirmada num terceiro artigo científico liderado por David Paige, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, EUA.

Paige e colegas forneceram os primeiros modelos detalhados das temperaturas à superfície e à sub-superfície das regiões polares norte de Mercúrio, que utilizam a topografia real da superfície do planeta medida pelo MLA. As medições "mostram que a distribuição espacial das regiões de alto retroespalhamento por radar coincide com a distribuição prevista da água gelada termicamente estável," escreve.

De acordo com Paige, o material escuro é provavelmente uma mistura de compostos orgânicos complexos entregues a Mercúrio por impactos de cometas e asteróides ricos em materiais voláteis, os mesmos objectos que provavelmente distribuíram água ao planeta mais interior do Sistema Solar. O material orgânico pode ter sido obscurecido pela dura radiação à superfície de Mercúrio, mesmo em áreas permanentemente à sombra.

Este material escuro e isolante é um novo problema para a história, afirma Sean Solomon do Observatório Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, investigador principal da missão MESSENGER. "Por mais de 20 anos o júri tem deliberado sobre se o planeta mais próximo do Sol contém água gelada em abundância nas suas regiões polares permanentemente à sombra. A MESSENGER fornece um veredicto unânime e afirmativo."

"Mas as novas observações também levantam novas questões," realça Solomon. "Será que os materiais escuros nos depósitos polares consistem principalmente de compostos orgânicos? Por que tipo de reacções químicas passaram estes materiais? Será que existem regiões sobre ou dentro de Mercúrio que podem ter água líquida e compostos orgânicos? Só com a exploração contínua de Mercúrio podemos esperar fazer progressos sobre estas novas questões."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2012/03/27 - Sonda MESSENGER fornece novos dados sobre Mercúrio
2011/06/17 - Sonda MESSENGER fornece novos dados sobre Mercúrio
2011/03/15 - Sonda MESSENGER prepara-se para entrar em órbita de Mercúrio
2008/10/08 - MESSENGER envia imagens de um Mercúio nunca antes visto
2008/10/04 - MESSENGER regressa a Mercúrio
2008/07/05 - Superfície de Mercúrio dominada por actividade vulcânica 
2008/02/06 - Os mistérios de Mercúrio, velhos e novos
2008/01/26 - Mercúrio visto pela sonda MESSENGER 
2008/01/16 - Sonda MESSENGER passa por Mercúrio 
2008/01/12 - Sonda MESSENGER fará histórico voo rasante por Mercúrio
2005/06/07 - MESSENGER fotografa Terra e Lua
2004/04/03 - MESSENGER com destino a Mercúrio

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Science Express (requer subscrição)
Science Express - 2 (requer subscrição)
Science Express - 3 (requer subscrição)
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Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Até anãs castanhas podem ter planetas rochosos (via ESO)
Utilizando o ALMA, os astrónomos descobriram pela primeira vez que a região exterior de um disco de poeira em torno de uma anã castanha, contém grãos sólidos com tamanhos da ordem do milímetro, comparáveis aos encontrados em discos mais densos situados em torno de estrelas recém-nascidas. Ler fonte
     
  Encontrados vulcões venusianos em flagrante? (via ESA)
Seis eanos de observações pela sonda Venus Express da ESA mostraram grandes mudanças no teor de dióxido de enxofre da atmosfera do planeta, e uma intrigante e possível explicação são as erupções vulcânicas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - No Centro do Vórtice do Pólo Norte de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
 
O que está acontecendo no pólo norte de Saturno? Um vórtice de estranhas e complexas nuvens. O centro deste vórtice foi fotografado em detalhes sem precedentes a semana passada pela sonda Cassini em órbita de Saturno. Estas nuvens estão no centro do invulgar e hexagonal sistema de nuvens que circundam o pólo norte de Saturno. O pólo norte de Saturno mudou para a luz solar há apenas uns anos atrás, com a Cassini obtendo apenas imagens infravermelhas da região anteriormente à sombra. A imagem acima não foi processada e está sendo preparada para o anúncio em 2013. Esta e outras imagens da região foi recentemente compiladas num filme. Os cientistas planetários vão certamente continuar a estudar esta rara formação de nuvens por mais algum tempo.
 

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