Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1312
04/10 a 06/10/2016
 
Siga-nos:      
 

07/10/16 - DETEÇÃO REMOTA DE SATÉLITES ARTIFICAIS ORBITAND A TERRA
19:30 - Esta iniciativa está integrada na Semana Mundial do Espaço 2016, dedicada à Deteção Remota levada a cabo pelos satélites artificiais orbitando a Terra. Nesta atividade iremos ficar à espera e observar (à vista desarmada, ou binóculos) alguns destes satélites, tentando prever a sua passagem e identificá-los.
Local: CCVAlg
Preço: atividade gratuita mas sujeita a inscrições
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

28/10/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável). Este mês iremos tratar da mudança de hora sob o pont de vista astronómico.
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 04/10: 278.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3(missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Ao anoitecer, a Lua encontra-se entre Vénus, para baixo e para a direita, e o par Saturno-Antares para a esquerda. Antares brilha 6º por baixo de Saturno.

Dia 05/10: 279.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1958, nasce Neil deGrasse Tyson, astrofísico, cosmólogo, autor e comunicador científico americano.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orionte. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: Esta noite a Lua forma o canto direito de um triângulo com Saturno e Antares mais para baixo.
Depois do anoitecer, olhe mesmo acima do horizonte a nordeste - bem para baixo da alta Cassiopeia - em busca do nascer de Capella. A hora do seu nascer, e quão alto a encontrará, depende da latitude do observador. Quando mais para norte estiver, mas cedo e mais alta.

Dia 06/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1903, nascia Ernest Walton, físico irlandês que ganhou o prémio Nobel por ter sido a primeira pessoa na história a dividir artificialmente o átomo, dando início à era nuclear.
Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASAUlysses, a partir do vaivém Discovery. Em fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.

Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol.
Observações: A Lua forma o topo de uma linha curva vertical com Saturno e Antares.
Bem para a sua esquerda brilha Marte. Esta noite Marte passa apenas 0,2º para baixo da estrela do topo do "Bule de Chá" de Sagitário, Lambda Sagittarii. A estrela, de magnitude 2,8, é uma dúzia de vezes mais ténue que Marte, que tem magnitude 0.1.

 
CURIOSIDADES


A maior lua do Sistema Solar é Ganimedes (2634 km de raio, satélite de Júpiter), seguida de Titã (2576 km de raio, satélite de Saturno) e de Calisto (2410 km de raio, satélite de Júpiter).

 
FERMI DESCOBRE BINÁRIO RECORDISTA EM GALÁXIA VIZINHA

Usando dados do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA e de outras instalações, uma equipa internacional de cientistas encontrou o primeiro binário de raios-gama noutra galáxia e o mais luminoso já observado. O sistema duplo, apelidado LMC P3, contém uma estrela massiva e um núcleo estelar esmagado que interagem para produzir uma inundação cíclica de raios-gama, a forma mais energética de luz.

"O Fermi detetou apenas cinco destes sistemas na nossa própria Galáxia, de modo que avistar um tão luminoso e distante é algo muito emocionante," afirma Robin Corbet do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Os binários de raios-gama têm muito valor porque o fluxo de raios-gama muda significativamente durante cada órbita e às vezes em escalas mais longas de tempo. Esta variação permite-nos estudar em detalhe muitos dos processos de emissão comuns a outras fontes de raios."

Estes sistemas raros contêm ou uma estrela de neutrões ou um buraco negro e irradiam a maior parte da sua energia na forma de raios-gama. Notavelmente, LMC P3 é o sistema mais luminoso conhecido em raios-gama, ondas de rádio e no visível, e é apenas o segundo descoberto com o Fermi.

O artigo científico que descreve a descoberta foi publicado na edição de 1 de outubro da revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

As observações do LAT (Large Area Telescope) do Fermi (linha magenta) mostram que os raios-gama de LMC P3 sobem e descem ao longo de 10,3 dias. Pensa-se que a companheira seja uma estrela de neutrões. As ilustrações do topo mostram como a mudança na posição da estrela de neutrões está relacionada com o ciclo de raios-gama.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

LMC P3 está situado dentro dos escombros em expansão de uma explosão de supernova localizada na Grande Nuvem de Magalhães (GNM), uma pequena galáxia vizinha a cerca de 163.000 anos-luz de distância. Em 2012, cientistas que usavam o Observatório de raios-X Chandra da NASA descobriram uma forte fonte de raios-X dentro do remanescente de supernova e mostraram que orbitava uma estrela jovem e quente com muitas vezes a massa do Sol. Os investigadores concluíram que o objeto compacto ou era uma estrela de neutrões ou um buraco negro e classificaram o sistema como um binário de raios-X de alta massa (em inglês, high mass X-ray binary, ou HMXB).

Em 2015, a equipa de Corbet começou a procurar novos binários de raios-gama em dados do Fermi, procurando as mudanças periódicas características destes sistemas. Os cientistas descobriram uma mudança cíclica de 10,3 dias centrada perto de uma das várias fontes pontuais de raios-gama recentemente identificadas na GNM. Uma delas, chamada P3, não estava ligada a objetos vistos em quaisquer outros comprimentos de ondas, mas estava localizada perto do HMXB. Seriam o mesmo objeto?

Para resolver a questão, a equipa de Corbet observou o binário em raios-X usando o satélite Swift da NASA, em comprimentos de onda de rádio com o ATCA (Australia Telescope Compact Array), perto de Narrabri, Austrália, e no visível usando o Telescópio SOAR (Southern Astrophysical Research) de 4,1 metros em Cerro Pachón, Chile e o telescópio de 1,9 metros do SAAO (South African Astronomical Observatory), perto da Cidade do Cabo, África do Sul.

As observações do Swift revelam claramente o mesmo ciclo de emissão com a duração de 10,3 dias visto em raios-gama pelo Fermi. Também indicam que a emissão mais brilhante de raios-X ocorre no momento oposto ao do pico de raios-gama, isto é, quando um atinge o máximo, o outro atinge o mínimo. Os dados de rádio exibem o mesmo período de relação fora-de-fase com o pico de raios-gama, confirmando que LMC P3 é, de facto, o mesmo sistema investigado pelo Chandra.

"As observações óticas mostram mudanças devido ao movimento orbital do binário, mas dado que não sabemos como a órbita está inclinada no que toca à nossa linha de visão, só podemos estimar as massas individuais," afirma Jay Strader, membro da equipa e astrofísico da Universidade Estatal do Michigan em East Lansing. "A estrela tem entre 25 e 40 vezes a massa do Sol e se estamos a ver o sistema num ângulo intermédio entre o visto de lado e o visto de cima, o que parece ser mais provável, a sua companheira é uma estrela de neutrões com o dobro da massa do Sol." Se, no entanto, vemos o binário quase de lado, então a companheira deverá ser significativamente mais massiva e, portanto, um buraco negro.

Ambos os objetos formam-se quando uma estrela gigante fica sem combustível, colapsa sob o seu próprio peso e explode como uma supernova. O núcleo esmagado da estrela pode tornar-se numa estrela de neutrões, com a massa de meio milhão de Terras espremida numa bola não muito maior que uma cidade. Ou pode ser ainda mais espremida num buraco negro, com um campo gravitacional tão forte que nem a luz lhe consegue escapar.

LMC P3 (no círculo) está localizado no remanescente de supernova DEM L241 situado na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia vizinha a 163.000 anos-luz de distância. O sistema é o primeiro binários de raios-gama descoberto noutra galáxia e o mais luminoso conhecido em raios-gama, raios-X, no rádio e no visível.
Crédito: NOAO/CTIO/MCELS, DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A superfície da estrela no coração de LMC P3 tem uma temperatura que excede os 33.000 graus Celsius, mais de seis vezes a temperatura à superfície do Sol. A estrela é tão luminosa que a pressão da luz que emite, na verdade, empurra material para fora da superfície, criando fluxos de partículas com velocidades de vários milhões de quilómetros por hora.

Nos binários de raios-gama, pensa-se que a companheira compacta produza um "vento" próprio, constituído por eletrões acelerados até perto da velocidade da luz. Os fluxos em interação produzem raios-X e ondas de rádio em toda a órbita, mas estas emissões são detetadas mais fortemente quando a companheira compacta percorre a parte da sua órbita mais próxima da Terra.

O vento de eletrões também emite raios-gama, mas através de um mecanismo diferente, no qual a luz da estrela colide com eletrões altamente energéticos e recebe um impulso nos níveis de raios-gama. Com o nome de Espalhamento Compton Inverso, este processo produz mais raios-gama quando a companheira compacta passa perto da estrela no lado mais distante da sua órbita visto da nossa perspetiva.

Antes do lançamento do Fermi, pensava-se que os binários de raios-gama seriam mais numerosos do que acabaram por ser. Estão catalogados centenas de HMXBs e pensa-se que estes sistemas tenham origem em binários de raios-gama na sequência da supernova que formou o objeto compacto.

"É certamente uma surpresa detetar um binário de raios-gama noutra galáxia antes de encontrarmos mais destes na nossa," comenta Guillaume Dubus, membro da equipa e do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, França. "Uma possibilidade é que os binários de raios-gama que o Fermi detetou são casos raros onde uma supernova formou uma estrela de neutrões com uma rotação excecionalmente rápida, o que aumentaria a produção de partículas aceleradas e de raios-gama."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal
Artigo científico (arXiv.org)
Animação do sistema binário (NASA Goddard via YouTube)
SPACE.com
Science alert
PHYSORG

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

ATCA:
Página principal
Wikipedia

Telescópio SOAR:
Página principal
Wikipedia

SAAO:
Página principal
Wikipedia

 
MISSÃO CONCLUÍDA: VIAGEM DA ROSETTA TERMINA COM UMA OUSADA DESCIDA AO COMETA
A última imagem do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, obtida pela câmara OSIRIS da Rosetta pouco antes do impacto, a uma altitude estimada de 20 metros acima da superfície.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

A histórica missão Rosetta da ESA concluiu como planeado, com um impacto controlado sobre o cometa que estava a investigar há mais de dois anos.

A confirmação do fim da missão chegou ao centro de controlo da ESA em Darmstadt, Alemanha, às 12:19 (hora portuguesa) de sexta-feira, com a perda do sinal da Rosetta no momento do impacto.

A Rosetta realizou a sua manobra final na noite antes, às 21:50, definindo a sua rota de colisão com o cometa a uma altitude de cerca de 19 km. A Rosetta tinha como alvo uma região no pequeno lobo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, perto de uma região de fossos ativos na região de Ma'at.

A descida deu à Rosetta a oportunidade de estudar o gás, a poeira e o ambiente de plasma do cometa muito perto da sua superfície, bem como obter várias imagens de alta resolução.

Os fossos são de particular interesse porque desempenham um papel importante na atividade do cometa. Fornecem também uma janela única para os seus blocos de construção internos.

As informações recolhidas na descida para esta fascinante região foram devolvidas à Terra antes do impacto. Já não é possível comunicar com a sonda espacial.

"A Rosetta entrou mais uma vez para os livros de história", diz Johann-Dietrich Wörner, Diretor Geral da ESA. "Hoje celebramos o sucesso de uma missão inédita, que superou todos os nossos sonhos e expectativas, e que continua o legado da ESA de 'primeiros' em cometas."

Sequência de imagens capturadas pela Rosetta durante a sua descida até à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

"Graças a um enorme esforço internacional de longas décadas, conseguimos, com a nossa missão, levar um laboratório de ciência de classe mundial para um cometa para estudar a sua evolução ao longo do tempo, algo que nenhuma outra missão a um cometa se aventurou a fazer", observa Álvaro Giménez, Diretor de Ciência da ESA.

"A Rosetta já estava em papel mesmo antes da primeira missão de espaço profundo da ESA, Giotto, ter obtido a primeira imagem do núcleo de um cometa, quando passou ao lado de Halley em 1986.

"A missão atravessou carreiras inteiras, e os dados obtidos irão manter ocupadas gerações de cientistas por décadas vindouras."

"Além de ser um triunfo científico e técnico, a incrível viagem da Rosetta e do seu módulo de aterragem Philae também capturou a imaginação do mundo, envolvendo novas audiências muito além da comunidade científica. Foi emocionante ter toda a gente a bordo", acrescenta Mark McCaughrean, conselheiro científico sénior da ESA.

Desde o seu lançamento em 2004, a Rosetta está agora na sua sexta órbita em torno do Sol. A sua viagem de quase 8 milhões de quilómetros incluiu três voos rasantes à Terra e um a Marte, e dois encontros com asteroides.

A sonda passou 31 meses em hibernação no espaço profundo na parte mais distante da sua viagem, antes de acordar em janeiro de 2014 e, finalmente, chegar ao cometa em agosto de 2014.

Depois de se tornar a primeira sonda espacial a orbitar um cometa, e a primeira a utilizar um módulo de aterragem, Philae, em novembro de 2014, a Rosetta continuou a acompanhar a evolução do cometa durante a sua abordagem mais próximo do Sol e mais além.

O módulo Philae em segurança à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, como estas duas primeiras imagens do instrumento CIVA confirmam. Pode ser visto um dos três pés do "lander". Mosaico obtido em novembro de 2014.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CIVA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Operámos no ambiente inóspito do cometa durante 786 dias, fizemos uma série de sobrevoos dramáticos perto da sua superfície, sobrevivemos a várias explosões inesperadas do cometa, e recuperámos de dois 'modos de segurança' da sonda espacial", diz o gerente de operações Sylvain Lodiot.

"As operações nesta fase final desafiaram-nos mais do que nunca, mas é um final apropriado para a incrível aventura da Rosetta ao seguir o seu módulo de aterragem até o cometa."

A decisão de terminar a missão na superfície é o resultado da Rosetta e do cometa saírem novamente para além da órbita de Júpiter. Mais longe do Sol do que alguma vez viajou a Rosetta, haveria pouca energia para a sonda funcionar.

Os operadores da missão foram também confrontados com um período de um mês de duração iminente quando o Sol está perto da linha-de-visão entre a Terra e a Rosetta, ou seja, a comunicação com a sonda ter-se-ia tornado cada vez mais difícil.

"Com a decisão de levar a Rosetta para a superfície do cometa, impulsionámos o retorno científico da missão com esta última e única operação", diz o gerente da missão Patrick Martin.

"É um final agridoce, mas no final a mecânica do Sistema Solar estava simplesmente contra nós: o destino de Rosetta foi criado há muito tempo. Mas as suas excelentes proezas permanecerão agora para a posteridade e serão utilizadas pela próxima geração de jovens cientistas e engenheiros em todo o mundo".

Apesar do lado operacional da missão ter sido concluído, a análise científica vai continuar por muitos anos vindouros.

Muitas descobertas surpreendentes já foram feitas durante a missão, não menos importante, a curiosa forma do cometa que se tornou evidente durante a aproximação da Rosetta em julho e agosto de 2014. Os cientistas acreditam agora que os dois lobos do cometa se formaram de forma independente, juntando-se numa colisão a baixa velocidade nos primeiros dias do Sistema Solar.

Atividade cometária entre 31 de janeiro de 25 de março de 2015.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A monitorização a longo prazo também mostrou o quão importante é a forma do cometa ao influenciar as suas estações, ao mover a poeira por toda a sua superfície, e para explicar as variações medidas na densidade e composição do coma, a "atmosfera" do cometa.

Alguns dos resultados mais inesperados e importantes estão relacionados com os gases que fluem do núcleo do cometa, incluindo a descoberta do oxigénio molecular e azoto, e a água com um "sabor" diferente ao dos oceanos da Terra.

Juntos, esses resultados apontam para que o cometa tenha nascido numa região muito fria da nebulosa protoplanetária, quando o Sistema Solar ainda se estava a formar, há mais de 4,5 mil milhões de anos atrás.

Embora pareça que o impacto de cometas como o da Rosetta possa não ter entregado muita da água terrestre como se pensava anteriormente, uma outra questão muito esperada era se eles poderiam ter trazido ingredientes considerados fundamentais para a origem da vida.

A Rosetta não dececionou ao detetar o aminoácido glicina, que é comumente encontrado em proteínas e fósforo, um componente chave do ADN e membranas celulares. Numerosos compostos orgânicos foram também detetados pela Rosetta a partir da sua órbita, e também pelo Philae "in situ" à superfície.

No geral, os resultados obtidos pela Rosetta, até agora, retratam os cometas como sobras antigas da formação inicial do Sistema Solar, em vez de fragmentos de colisões mais tardias entre corpos maiores, dando uma visão sem precedentes sobre o que os blocos de construção dos planetas podem ter sido há 4,6 mil milhões de anos atrás.

"Assim como a 'Pedra de Rosetta', após a qual esta missão foi nomeada, foi fundamental para compreender a linguagem antiga e a história, o vasto tesouro de dados da sonda espacial Rosetta está a mudar a nossa visão sobre a forma como os cometas e o Sistema Solar se formaram", diz o cientista do projeto Matt Taylor.

"Inevitavelmente, agora temos novos mistérios para resolver. O cometa não desvendou ainda todos os seus segredos, e há com certeza muitas surpresas escondidas neste incrível arquivo. Então, não vá a lugar nenhum - nós estamos apenas a começar".

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/09/2016 - Fogo-de-artifício de verão no cometa da Rosetta
13/09/2016 - A descida da Rosetta até ao cometa
06/09/2016 - Philae foi encontrado!
02/09/2016 - Imagiologia da pequena poeira do cometa em 3D
02/08/2016 - Como os cometas nascem
01/07/2016 - Ajuste final da Rosetta para 30 de setembro
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
A descida da Rosetta (ESA)
A hora final da Rosetta (ESA)
Era Uma Vez... Missão Completa (ESA)
NASA
The Planetary Society
Science
Nature
Sky & Telescope
SPACE.com
SPACE.com - 2
Universe Today
AstronomyNow
redOrbit
Space Daily
ScienceDaily
Popular Science
Scientific American
PHYSORG
New Scientist
Discover
COSMOS
National Geographic
UPI
TIME
euronews
BBC News
CNN
The Verge
gizmodo
engadget
Wired
ars technica
RTP
SIC Notícias
tvi24
TSF
Rádio Renascença
Expresso
Jornal de Notícias
Diário de Notícias
Correio da Manhã
diáriodigital
Observador
AstroPT

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
Twitter
Facebook
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Sonda MAVEN celebra um ano marciano de ciência (via NASA)
Lançada no dia 18 de novembro de 2013, entrou em órbita de Marte no dia 21 de setembro de 2014. Aqui ficam as descobertas e resultados científicos da missão até agora. Ler fonte
     
  Lua de Saturno, Dione, poderá ter um oceano subterrâneo (via Observatório Real da Bélgica)
De acordo com novos dados da missão Cassini a Saturno, a lua Dione poderá albergar um oceano subsuperficial. Já se sabe que duas outras luas de Saturno, Titã e Encelado, têm oceanos globais por baixo das suas crostas geladas, mas um novo estudo sugere a existência de um oceano desse género também em Dione. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - LDN 1251
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Lynn Hilborn
 
Em LDN 1251 (Lynds Dark Nebula), estão a formar-se estrelas. A cerca de 1000 anos-luz de distância, a poeirenta nuvem molecular faz parte de um complexo de nebulosas escuras mapeadas na direção da região de Cefeu, vagueando acima do plano da nossa Via Láctea. Por todo o espectro, as explorações astronómicas das nuvens interestelares revelam choques e fluxos energéticos associados com estrelas recém-nascidas, incluindo o brilho avermelhado revelador de objetos Herbig-Haro nesta nítida imagem. Também podem ser avistadas na cena distantes galáxias de fundo, visualmente enterradas por trás da região poeirenta. O campo profundo cobre cerca de duas Luas Cheias no céu, ou 17 anos-luz à distância estimada de LDN 1251.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.