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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1918  
  26/07 a 28/07/2022  
     
 

A Astrofesta deste ano ocorre em Sagres, Vila do Bispo, nos dias 5, 6 e 7 de agosto 2022 e é organizada pelo Centro Ciência Viva de Constância em parceria com os três Centros Ciência Viva Centro Ciência Viva de LagosCentro Ciência Viva Tavira e o Centro Ciência Viva do Algarve.

O tema será "Os céus de Magalhães, 500 anos depois da primeira viagem de circun-navegação".

Consulte a programação

 
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
29/07/2022, 22:00 - Data esgotada - lista de espera
17/08/2022, 21:30 - Data esgotada - lista de espera
30/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação da Lua em Tavira
(não é necessário inscrição)
Local: Praça da República
05/08/2022, 21:30
06/09/2022, 21:00

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Observação astronómica no Castelo de Paderne
29/07/2022, 21:15 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica no Miradouro da Praia da Marinha (Lagoa)
10/08/2022, 21:15 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica no Vale do Álamo (Penina)
17/08/2022, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica no Miradouro do Alto da Ameixeira (S. Brás de Alportel)
19/08/2022, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Observação astronómica na praia dos Salgados (Galé/Albufeira)
21/08/2022, 20:45 - Data esgotada - lista de espera

Observação astronómica junto ao moinho de maré da Quinta de Marim (Olhão)
30/08/2022, 20:00 - Data esgotada - lista de espera

Lua durante o dia no Centro Náutico da Praia de Faro
(não é necessário inscrição)
Data:
02/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Lua durante o dia no Parque Municipal de Loulé
(não é necessário inscrição)
Data:
03/09/2022
Horários: 17:30, 17:45, 18:00, 18:15 e 18:45

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 26/07: 207.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.

Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
Observações: Arcturo domina o céu alto a oeste depois do cair da noite. Aviste a Ursa Maior para a sua direita, a noroeste. É uma laranja gigante de População II, com cerca de 7 mil milhões de anos, mais antiga que o Sistema Solar, correndo pela nossa parte do espaço numa trajetória que indica que veio de outra galáxia: uma galáxia anã que caiu para a Via Láctea e que se fundiu com ela.

Dia 27/07: 208.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.

Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
Observações: Provavelmente já sabe que a "curva" da "pega" da "frigideira" da Ursa Maior "arqueia" para Arcturo. Mas o arco da "pega" propriamente dito, que se estende para incluir o lado adjacente da "frigideira" de Ursa Maior, guia para outro marco celeste. Razoavelmente perto do foco desse arco maior (o centro do círculo de que o arco faria parte) está a estrela Cor Caroli, ou Alpha Canum Venaticorum, de terceira magnitude. É uma bonita estrela dupla para telescópios pequenos: de cores branca e pálido amarelo esbranquiçado, com uma generosa separação de 23 segundos de arco.

Dia 28/07: 209.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).

Foi também diretor do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana.
Observações: Lua Nova, pelas 18:55.

 
 
   
O Sol "envelhece" depressa alguns asteroides

Os cientistas da missão OSIRIS-REx da NASA aprenderam recentemente que a regeneração da superfície ocorre muito mais rapidamente nos asteroides do que na Terra. Ao analisar as fraturas rochosas no asteroide Bennu a partir de imagens de alta resolução obtidas pela nave espacial OSIRIS-REx, a equipa descobriu que o calor do Sol fratura rochas em Bennu em apenas 10.000 a 100.000 anos. Esta informação vai ajudar os astrónomos a estimar quanto tempo as rochas levam, em asteroides como Bennu, a decompor-se em partículas mais pequenas, que podem ser ejetadas para o espaço ou permanecer na superfície do asteroide.

Dezenas de milhares de anos podem parecer muito tempo, mas "pensámos que a regeneração da superfície dos asteroides levava alguns milhões de anos", disse Marco Delbo, cientista sénior da Université Côte d'Azur, CNRS, do Observatoire de la Côte d'Azur, Laboratoire Lagrange, Nice, França, e autor principal de um artigo científico publicado em junho de 2022 na revista Nature Geoscience. "Ficámos surpreendidos ao saber que o processo de envelhecimento e meteorologia dos asteroides acontece tão rapidamente, em termos geológicos".

 
A PolyCam a bordo da OSIRIS-REx da NASA forneceu imagens microscópicas, e de alta resolução, da superfície do asteróide Bennu. Isto tornou possível aos investigadores mapear mais de 1500 fraturas de rocha. Consulte aqui a versão sem o realce a vermelho.
Créditos: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

Embora deslizamentos de terra, vulcões e terramotos possam mudar a superfície da Terra rapidamente, normalmente as mudanças são graduais. A água, o vento e as mudanças de temperatura decompõem lentamente as camadas rochosas, criando novas superfícies ao longo de milhões de anos. Por exemplo, se estivéssemos no famoso Grand Canyon, veríamos camadas rochosas distintas; as camadas superiores tendem a ser mais jovens, com cerca de 270 milhões de anos, e as camadas na base do desfiladeiro são as mais antigas, com cerca de 1,8 mil milhões de anos. O rio Colorado tem vindo a esculpir rochas no Grand Canyon há 5 ou 6 milhões de anos.

As rápidas mudanças de temperatura em Bennu criam stress interno que fraturam e quebram rochas, semelhante ao modo como um vidro frio se parte debaixo de água quente. O Sol nasce a cada 4,3 horas em Bennu. No equador, as máximas diurnas podem atingir quase 127º C, e as mínimas noturnas caem para cerca de -23º C.

Os cientistas da OSIRIS-REx detetaram fissuras nas rochas em imagens de naves espaciais a partir dos primeiros levantamentos do asteroide. As fraturas pareciam apontar na mesma direção, "uma assinatura distinta de que os choques de temperatura entre o dia e a noite poderiam ser a causa", disse Delbo.

Delbo e colegas mediram à mão o comprimento e os ângulos de mais de 1500 fraturas em imagens da OSIRIS-REx: algumas mais pequenas do que uma raquete de ténis, outras mais longas do que um campo de ténis. Descobriram que as fraturas estão predominantemente alinhadas na direção noroeste-sudeste, indicando que foram provocadas pelo Sol, que se mostra aqui como sendo a força primária a mudar a paisagem de Bennu.

"Se os deslizamentos de terra ou impactos se deslocassem mais rapidamente do que as rochas se partissem, as fraturas apontariam em direções aleatórias", disse Delbo.

Os cientistas utilizaram um modelo de computador e as suas medições de fraturas para calcular o período de 10.000 a 100.000 anos para que as fraturas térmicas se propaguem e quebrem rochas.

"As fraturas térmicas em Bennu são bastante semelhantes ao que encontramos na Terra e em Marte em termos da sua formação", disse Christophe Matonti, coautor do artigo na Université Côte d’Azur, CNRS, Observatoire de la Côte d’Azur, Géoazur, Sophia-Antipolis, Valbonne, França. "É fascinante ver que podem existir e são semelhantes em condições físicas muito 'exóticas' [baixa gravidade, sem atmosfera], mesmo em comparação com Marte".

"Há que ter em mente que a topografia de Bennu é jovem, mas as rochas nos asteroides ainda têm milhares de milhões de anos e contêm informações valiosas sobre o início do Sistema Solar", disse Jason Dworkin, cientistas do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

A OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) está a caminho de enviar uma amostra de Bennu à Terra, com data de chegada prevista para 24 de setembro de 2023. "Poderemos aprender mais detalhes sobre a idade da superfície quando formos capazes de estudar diretamente a amostra", disse Dworkin.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Geoscience)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
29/04/2022 - NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteroide
08/10/2021 - As rochas altamente porosas são responsáveis pela superfície surpreendentemente irregular de Bennu
13/08/2021 - OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Asteroide Bennu:
NASA
NASA - 2 
Wikipedia

OSIRIS-REx:
Página oficial
NASA
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Porque é que Júpiter não tem anéis como os de Saturno?

Por ser maior, Júpiter deveria ter anéis maiores e mais espetaculares do que Saturno. Mas uma nova investigação mostra que as grandes luas de Júpiter impedem essa visão de iluminar o céu noturno.

"Há muito que me incomoda porque é que Júpiter não tem anéis ainda mais espetaculares que envergonhariam Saturno", disse o astrofísico Stephen Kane, da Universidade da Califórnia em Riverside, que liderou a investigação.

"Se Júpiter os tivesse, eles parecer-nos-iam ainda mais brilhantes, porque o planeta está muito mais próximo que Saturno". Kane também tinha dúvidas sobre se Júpiter já teve anéis fantásticos e os perdeu. É possível que as estruturas dos anéis sejam temporárias.

 
Impressão de artista de Júpiter com anéis que rivalizam os de Saturno.
Crédito: Stephen Kane/UCR
 

Para compreender a razão pela qual Júpiter tem atualmente a aparência que tem, Kane e o seu aluno Zhexing Li correram uma simulação dinâmica contabilizando as órbitas das quatro luas principais de Júpiter, bem como a órbita do próprio planeta, e informações sobre o tempo que leva a formar os anéis. Os seus resultados serão publicados em breve na revista The Planetary Science Journal.

Os anéis de Saturno são em grande parte feitos de gelo, parte do qual pode ter vindo de cometas, que também são em grande parte feitos de gelo. Se as luas forem suficientemente massivas, a sua gravidade pode atirar o gelo para fora de uma órbita de um planeta, ou mudar a órbita do gelo o suficiente para que este colida com as luas.

"Descobrimos que as luas galileanas de Júpiter, uma das quais é a maior lua do nosso Sistema Solar, destruiriam muito rapidamente quaisquer grandes anéis que se pudessem formar", disse Kane. Como resultado, é improvável que Júpiter tivesse grandes anéis em qualquer ponto do seu passado.

"Os planetas gigantes formam luas massivas, o que os impede de ter anéis substanciais", disse Kane.

Todos os quatro planetas gigantes no nosso Sistema Solar - Saturno, Neptuno, Úrano e também Júpiter - têm, de facto, anéis. Contudo, tanto os anéis de Neptuno como de Júpiter são tão frágeis que são difíceis de ver com os instrumentos tradicionais de observação.

 
As luas galileanas de Júpiter.
Crédito: NASA
 

Coincidentemente, algumas das imagens recentes do novo Telescópio Espacial James Webb incluíram imagens de Júpiter, nas quais os anéis ténues são visíveis.

"Não sabíamos que estes anéis efémeros existiam até a nave espacial Voyager ter por lá passado, porque não os podíamos ver", disse Kane.

Úrano tem anéis que não são tão grandes, mas que são mais substanciais do que os de Saturno. Kane pretende fazer simulações das condições em Úrano para ver qual poderá ser a vida útil dos anéis daquele planeta.

Alguns astrónomos acreditam que Úrano está inclinado para o lado como resultado de uma colisão que o planeta teve com outro corpo celeste. Os seus anéis podem ser os remanescentes desse impacto.

Para além da sua beleza, os anéis ajudam os astrónomos a compreender a história de um planeta, porque oferecem evidências de colisões com luas ou cometas que podem ter acontecido no passado. A forma e tamanho dos anéis, bem como a composição do material, fornece uma indicação do tipo de evento que os formou.

"Para nós astrónomos, eles são os 'salpicos de sangue' nas paredes de uma cena de um crime. Quando olhamos para os anéis dos planetas gigantes, é evidência de que algo catastrófico aconteceu para colocar ali esse material", disse Kane.

// Universidade da Califórnia, Riverside (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia
Anéis de Júpiter (Wikipedia)

Saturno:
Solarviews
Wikipedia
Anéis de Saturno (Wikipedia)

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Anéis de Úrano (Wikipedia)

Neptuno:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Anéis de Neptuno (Wikipedia)

 
   
Buraco negro supermassivo influencia formação estelar

Uma equipa europeia de astrónomos liderada pela professora Kalliopi Dasyra da Universidade Nacional Capodistriana de Atenas, Grécia, sob a participação do Dr. Thomas Bisbas, Universidade de Colónia, modelou várias linhas de emissão em observações do ALMA (Atacama Large Millimeter Array) e VLT (Very Large Telescope) para medir a pressão do gás tanto em nuvens com impacto de um jato como em nuvens ambientes. Com estas medições sem precedentes, publicadas recentemente na revista Nature Astronomy, descobriram que os jatos alteram significativamente a pressão interna e externa das nuvens moleculares no seu trajeto. Dependendo de qual das duas pressões muda mais, tanto a compressão das nuvens como o desencadeamento de formação estelar e a dissipação das nuvens e o atraso da formação de estrelas são possíveis na mesma galáxia. "Os nossos resultados mostram que os buracos negros supermassivos, mesmo estando localizados nos centros das galáxias, podem afetar a formação estelar de uma forma galáctica", disse a professora Dasyra, acrescentando que "o estudo do impacto das mudanças de pressão na estabilidade das nuvens foi a chave para o sucesso deste projeto. Uma vez que poucas estrelas se formam realmente num vento, é normalmente muito difícil detetar o seu sinal juntamente com o sinal de todas as outras estrelas na galáxia que hospeda o vento".

 

Os mapas de pressão de IC 5063. O painel esquerdo mostra a pressão interna das nuvens moleculares medida a partir das linhas de emissão de CO e HCO+. O painel direito mostra a pressão do meio ionizado medida a partir das linhas de emissão de enxofre e azoto ionizados. Esta pressão é considerada externa às nuvens moleculares. As cruzes ainalam a posição do núcleo no rádio e as linhas brancas jato, tal como traçado pelo instrumento WFPC2 (Wide Field Planetetary Camera 2) do Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: Dasyra et al., 2022

 

Pensa-se que os buracos negros supermassivos se encontram nos centros da maioria das galáxias do nosso Universo. Quando as partículas que estavam a cair para estes buracos negros são aprisionadas por campos magnéticos, podem ser ejetadas para fora e viajar para longe dentro das galáxias sob a forma de enormes e poderosos jatos de plasma. Estes jatos são muitas vezes perpendiculares aos discos galácticos. Em IC 5063, porém, uma galáxia a 156 milhões de anos-luz de distância, os jatos propagam-se efetivamente dentro do disco, interagindo com nuvens de gás molecular frio e denso. A partir desta interação, teoriza-se que seja possível a compressão das nuvens impactadas por jatos, levando a instabilidades gravitacionais e eventualmente à formação estelar devido à condensação do gás.

Para a experiência, a equipa utilizou a emissão de monóxido de carbono (CO) e do catião formil (HCO+), fornecidas pelo ALMA, e a emissão do enxofre ionizado e azoto ionizado fornecidas pelo VLT. Utilizaram depois algoritmos astroquímicos avançados e inovadores para identificar as condições ambientais no fluxo exterior e no meio envolvente. Estas condições ambientais contêm informações sobre a força da radiação ultravioleta das estrelas, o ritmo a que as partículas carregadas relativistas ionizam o gás e a energia mecânica depositada sobre o gás pelos jatos. A determinação destas condições revelou as densidades e temperaturas do gás descritivas das diferentes partes desta galáxia, que foram depois utilizadas para fornecer pressões.

"Realizámos muitos milhares de simulações astroquímicas para cobrir uma vasta gama de possibilidades que podem existir em IC 5063", disse o coautor Dr. Thomas Bisbas, da Universidade de Colónia e antigo investigador do Observatório Nacional de Atenas. Uma parte desafiante do trabalho foi identificar meticulosamente o maior número possível de restrições físicas à gama examinada que cada parâmetro podia ter. "Desta forma, pudemos obter a combinação ótima de parâmetros físicos de nuvens em diferentes locais da galáxia", disse o coautor Georgios Filippos Paraschos, estudante de doutoramento do Instituto Max Planck para Radioastronomia em Bona e antigo estudante de mestrado na Universidade Nacional Capodistriana de Atenas.

De facto, as pressões não foram medidas apenas para alguns locais em IC 5063. Em vez disso, foram criados mapas deste e de outros parâmetros no centro desta galáxia. Estes mapas permitiram aos autores visualizar como as propriedades do gás transitam de um local para outro por causa da passagem do jato. A equipa está atualmente ansiosa pelo próximo grande passo deste projeto: utilizar o Telescópio Espacial James Webb para mais investigações sobre a pressão nas camadas exteriores das nuvens, como sondado pelo quente H2. "Estamos verdadeiramente entusiasmados com a obtenção de dados do JWST", disse a professora Dasyra, "uma vez que vão permitir estudar a interação entre o jato e a nuvem com uma resolução bastante requintada".

// Universidade de Colónia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Saiba mais

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

IC 5063:
Simbad

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Galáxia Espiral M74: Uma Vista Mais Nítida
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESACSASTScI; Processamento: Robert Eder
 
A linda galáxia espiral Messier 74 (também conhecida como NGC 628) situa-se a cerca de 32 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Peixes. Um universo insular com cerca de 100 mil milhões de estrelas e dois braços espirais proeminentes, M74 há muito que é admirada pelos astrónomos como um exemplo perfeito de uma grandiosa galáxia espiral. A região central de M74 é trazida para um foco espantoso e nítido nesta imagem recentemente processada utilizando dados publicamente disponíveis do Telescópio Espacial James Webb. A combinação colorida de conjuntos de dados de imagem é de dois dos instrumentos NIRCam e MIRI do Webb, operando em comprimentos de onda infravermelhos médios e próximos. Revela estrelas mais frias e estruturas empoeiradas na majestosa galáxia espiral apenas sugeridas em vistas anteriores obtidas a partir do espaço.
 
   
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