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Edição n.º 1311
30/09 a 03/10/2016
 
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30/09/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
20:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 30/09: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.

A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do Hubble.
Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972.
Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Menor estende-se para a esquerda da Estrela Polar após o anoitecer. As duas únicas estrelas brilhantes de Ursa Maior são a Polar, no fim da "pega da frigideira", e Kochab, na borda da "frigideira". Ambas têm magnitude 2. Estão exatamente à mesma altura cerca de meia-hora depois do anoitecer, dependendo da latitude do observador.

Dia 01/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Observações: Lua Nova, pelas 01:11.

Dia 02/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
História: Lançamento da Explorer 14.

Observações: À medida que Deneb substituti Vega como a estrela perto do zénite após o anoitecer (para latitudes médias norte), a ténue constelação de Capricórnio toma o lugar de Sagitário como a constelação zodiacal a sul. Como sempre.

Dia 03/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Ao lusco-fusco, aviste Vénus e uma finíssima Lua Crescente, baixos a oeste-sudoeste. Estão separados por cerca de 4º

 
CURIOSIDADES


Os próximos eclipses solares visíveis de Portugal serão a 21 de agosto de 2017 (parcial) e a 10 de junho de 2021 (parcial). O primeiro começa, infelizmente, muito perto do pôr-do-Sol e o segundo poderá ser visto entre as 09:51 e as 11:10.

 
CURIOSITY DESCOBRE QUE CROSTA DE MARTE CONTRIBUI PARA A SUA ATMOSFERA

O rover Curiosity da NASA encontrou evidências de que a química do material à superfície de Marte contribuiu de forma dinâmica, ao longo do tempo, para a composição da sua atmosfera. É mais um indício de que a história do Planeta Vermelho é mais complexa e interessante do que um simples legado de perda.

Os resultados vêm do instrumento SAM (Sample Analysis at Mars) do rover, que estudou os gases xénon e crípton na atmosfera de Marte. Os dois gases podem ser usados como marcadores para ajudar os cientistas a investigar a evolução e erosão da atmosfera marciana. Grande parte da informação sobre o xénon e crípton da atmosfera de Marte veio de análises de meteoritos marcianos e medições feitas pela missão Viking.

A química que tem lugar no material à superfície de Marte pode explicar por que alguns isótopos específicos de xénon (Xe) e crípton (Kr) são mais abundantes na atmosfera marciana do que o esperado. Os isótopos - variantes que têm números diferentes de neutrões - são formados nestas rochas quebradas e material que constituem o rególito. A química começa quando os raios cósmicos penetram o material à superfície. Se os raios cósmicos atingem um átomo de bário (Ba), este liberta um ou mais dos seus neutrões. Os átomos de xénon podem apanhar alguns destes neutrões - um processo chamado captura de neutrões - para formar os isótopos xénon-124 e xénon-126. Da mesma forma, os átomos de bromo (Br) podem perder alguns dos seus neutrões para o crípton, levando à formação de crípton-80 e crípton-82. Estes isótopos podem entrar na atmosfera quando o material é perturbado por impactos e desgaste e o gás escapa do rególito.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O que descobrimos é que os estudos anteriores do xénon e crípton apenas contavam parte da história," afirma Pamela Conrad, autora principal do estudo e investigadora principal do SAM no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "O SAM está agora a dar-nos o primeiro ponto de referência completo, 'in situ', contra o qual podemos comparar as medições dos meteoritos."

De particular interesse para os cientistas são os rácios de determinados isótopos - ou variações químicas - de xénon e crípton. A equipa do SAM correu uma série de experiências inéditas para medir todos os isótopos de xénon e crípton na atmosfera marciana. As experiências foram descritas num artigo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

A metodologia da equipa é chamada espectrometria de massa estática, e é boa para detetar gases ou isótopos presentes apenas em quantidades vestigiais. Apesar da espectrometria de massa estática não ser uma técnica nova, a sua utilização à superfície de outro planeta é algo que só o SAM conseguiu fazer.

No geral, a análise concorda com os estudos anteriores, mas alguns rácios isotópicos foram um pouco diferentes do esperado. Ao trabalhar numa explicação para essas diferenças subtis, mas importantes, os investigadores perceberam que os neutrões podem ter sido transferidos de um elemento químico para outro dentro do material à superfície. O processo é chamado de captura de neutrões, e explicaria por que alguns isótopos selecionados eram mais abundantes do que anteriormente se pensava ser possível.

O conjunto de instrumentos SAM (Sample Analysis at Mars) do rover Curiosity.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em particular, parece que alguns dos neutrões "entregues" pelo elemento bário foram apanhados pelo xénon para produzir níveis mais elevados do que o esperado dos isótopos xénon-124 e 126. Da mesma forma, o bromo poderá ter "entregue" alguns dos seus neutrões para produzir níveis invulgares de crípton-80 e crípton-82.

Estes isótopos podem ter sido libertados para a atmosfera por impactos à superfície e por gás escapando do rególito - o solo e as rochas quebradas à superfície.

"As medições do SAM fornecem evidências de um processo muito interessante em que a rocha e o material não consolidado à superfície do planeta contribuíram, de forma dinâmica, para a composição isotópica do xénon e do crípton da atmosfera," explica Conrad.

As atmosferas da Terra e de Marte exibem padrões muito diferentes de isótopos de xénon e crípton, particularmente xénon-129. A atmosfera de Marte também tem muito mais deste isótopo do que a da Terra.

"A capacidade única para medir, 'in situ', os seis e nove isótopos diferentes de crípton e xénon, permite com que os cientistas aprofundem as complexas interações entre a atmosfera e a crosta marciana," comenta Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte na sede da NASA em Washington. "A descoberta destas interações, ao longo do tempo, permite-nos obter uma maior compreensão da evolução planetária."

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
28/06/2016 - Descobertas do rover Curiosity apontam para passado marciano mais parecido com a Terra
13/10/2015 - Equipa do rover Curiosity confirma lagos antigos em Marte 
26/05/2015 - Rover Curiosity ajusta percurso montanha acima
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
19/12/2014 - Rover Curiosity encontra química orgânica, passada e presente, em Marte
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Earth and Planetary Science Letters)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
SAM (NASA)
Arquivo de dados do SAM (NASA)
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Wikipedia

 
COLABORAÇÃO "FRONTIER FIELDS": POR ONDE ESPREITAM AS GALÁXIAS PRIMORDIAIS
Esta imagem do enxame galáctico Abell 2744, também chamado Enxame de Pandora, foi obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer. O enxame também está a ser estudado pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Observatório de raios-X Chandra numa colaboração chamada Frontier Fields.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na busca constante pelas primeiras galáxias do Universo, o Telescópio Espacial Spitzer da NASA concluiu as suas observações para a colaboração Frontier Fields. Este projeto ambicioso combinou o poder de todos os três grandes observatórios da NASA - o Spitzer, o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório de raios-X Chandra - para ver para trás no tempo e espaço tanto quanto a tecnologia atual permite.

Mesmo com os melhores telescópios da atualidade, é difícil recolher luz suficiente das primeiras galáxias, localizadas a mais de 13 mil milhões de anos-luz de distância, a fim de aprender o máximo possível sobre elas além da sua distância estimada. Mas os cientistas dispõem de uma ferramenta de proporções cósmicas para ajudar nos seus estudos. A gravidade exercida por gigantescos enxames de galáxias no pano da frente curva e amplia a luz de objetos de fundo mais distantes, com efeito criando lentes de zoom cósmicas. Este fenómeno tem o nome de lente gravitacional.

As observações do programa Frontier Fields usaram as mais fortes lentes de zoom disponíveis visando seis dos mais massivos aglomerados galácticos conhecidos. Essas lentes podem ampliar pequenas galáxias de fundo, no máximo, até um factor de cem. Com os dados do Spitzer, juntamente com os do Chandra e Hubble, os astrónomos vão aprender detalhes sem precedentes sobre as primeiras galáxias.

"O Spitzer terminou as observações do Frontier Fields e estamos muito animados por divulgar todos estes dados à comunidade astronómica," afirma Peter Capak, cientista do Centro de Ciência Spitzer da NASA/JPL em Caltech, Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e líder do projeto Frontier Fields do Spitzer.

Um artigo recentemente publicado na revista Astronomy & Astrophysics divulgou os dados do catálogo completo para dois dos seis enxames galácticos estudados pelo programa Frontier Fields: Abell 2744 - com a alcunha de Enxame de Pandora - e MACS J0416, ambos localizados a aproximadamente 4 mil milhões de anos-luz de distância. Os outros enxames galácticos selecionados para o Frontier Fields são RXC J2248, MACS J1149, MACS J0717 e Abell 370.

Os astrónomos ávidos vão pesquisar os catálogos Frontier Fields em busca dos mais ténues e pequenos objetos ampliados, muitos dos quais devem provar ser as galáxias mais distantes já vislumbradas. A detentora atual do recorde, uma galáxia chamada GN-z11, foi anunciada em março por investigadores do Hubble e está a uma incrível distância de 13,4 mil milhões de anos-luz, apenas algumas centenas de milhões de anos-luz após o Big Bang. A descoberta desta galáxia não necessitou da ajuda de lentes gravitacionais porque é um "outlier" extremamente brilhante para a sua época. Com a ajuda da ampliação fornecida pelas lentes gravitacionais, o projeto Frontier Fields vai permitir com que os investigadores estudem objetos típicos a estas distâncias surpreendentes, pintando um quadro mais preciso e completo das primeiras galáxias do Universo.

Os astrónomos querem compreender como é que estas galáxias primordiais surgiram, como é que a sua massa constituinte se desenvolveu em estrelas e como essas estrelas enriqueceram as galáxias com os elementos químicos fundidos nas suas fornalhas termonucleares. Para aprender mais sobre a origem e evolução das primeiras galáxias, que são muito ténues, os astrónomos precisam de recolher o máximo de luz possível através de uma vasta gama de frequências. Com luz suficiente dessas galáxias, os astrónomos podem realizar espectroscopia e examinar os elementos químicos impressos na luz, obtendo assim detalhes sobre a composição, temperatura e ambiente das estrelas.

"Com a abordagem do Frontier Fields," comenta Capak, "as galáxias mais remotas e fracas tornam-se brilhantes o suficiente para começarmos a dizer algumas coisas específicas sobre elas, como por exemplo as histórias de formação estelar."

Dado que o Universo se expandiu ao longo da sua história de 13,8 mil milhões de anos, a luz de objetos extremamente distantes foi esticada, ou apresenta um desvio para o vermelho, na sua longa viagem até à Terra. A luz visível emitida pelas estrelas nas galáxias de fundo e ampliada pelas lentes gravitacionais tem, portanto, um desvio para o infravermelho. O Spitzer pode usar esta radiação infravermelha para medir os tamanhos da população de estrelas numa galáxia, o que por sua vez nos fornece pistas sobre a massa da galáxia. A combinação da luz vista pelo Spitzer e pelo Hubble permite com que os astrónomos identifiquem galáxias na fronteira do Universo observável.

O Hubble, entretanto, verifica os enxames galácticos do programa no visível e no infravermelho próximo, cuja radiação foi desviada para o ultravioleta durante a sua viagem para a Terra. O Chandra, por sua vez, observa os enxames de galáxias em primeiro plano em raios-X altamente energéticos emitidos por buracos negros e gás quente ambiente. Juntamente com o Spitzer, os telescópios espaciais determinam as massas dos enxames, incluindo o seu conteúdo invisível, mas substancial, de matéria escura. A determinação exata da massa total dos enxames é um passo fundamental na quantificação da ampliação e distorção que produzem sobre as galáxias de fundo que nos interessam. Os resultados recentes em vários comprimentos de onda, no que toca aos enxames MACS J0416 e MACS J0717, foram publicados em outubro de 2015 e fevereiro de 2016. Estes resultados também aproveitaram observações rádio, obtidas com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), de regiões de formação estelar de outra forma escondidas por gás e poeira.

A colaboração Frontier Fields inspirou cientistas envolvidos no esforço à medida que olham em frente para aprofundar cada vez mais o Universo com o Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2018.

"O Frontier Fields tem sido um projeto totalmente liderado pela comunidade, ao contrário dos outros inúmeros projetos desta magnitude," afirma Lisa Storrie-Lombardi do Centro de Ciência Spitzer, também pertencente ao projeto Frontier Fields. "As pessoas juntaram-se e realmente abraçaram o Frontier Fields."

Além dos seis enxames galácticos do Frontier Fields, o Spitzer fez observações de acompanhamento de outros campos ligeiramente menos profundos que o Hubble já vislumbrou, expandindo o número total de regiões cósmicas onde já foram recolhidas observações bastante profundas. Estes campos adicionais servirão ainda como áreas ricas de investigação por parte do Webb e futuros instrumentos.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/03/2016 - Equipa do Hubble quebra recorde de distância cósmica

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG

Programa "Frontier Fields" do Hubble:
ASTRODEEP
STScI
Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Blog

Abell 2744:
Wikipedia

MACS J0416:
Wikipedia

MACS J0717:
Hubble (ESA)
Wikipedia

Abell 370:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional forte (Wikipedia)
Lente gravitacional fraca (Wikipedia)

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro de Ciência Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório de raios-X Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

 
ALMA DESCOBRE CASULO ESTELAR COM QUÍMICA ESTRANHA

Com o auxílio do ALMA, uma equipa de astrónomos japoneses descobriu uma massa densa e quente de moléculas complexas a envolver uma estrela recém-nascida. Este núcleo molecular quente e único é o primeiro do seu tipo a ser detetado fora da Via Láctea e apresenta uma composição molecular muito diferente de objetos semelhantes encontrados na nossa Galáxia — uma pista que aponta para o facto da química que ocorre no Universo poder ser muito mais diversa do que o esperado.

Uma equipa de investigadores japoneses utilizou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma estrela massiva conhecida por ST11 (o nome completo de ST11 é 2MASS J05264658-6848469. Esta jovem estrela de nome estranho está classificada como um "Objeto Estelar Jovem". Embora pareça atualmente uma única estrela, é possível que prove ser um enxame estelar compacto ou um sistema estelar múltiplo. Este objeto foi o alvo de estudo das observações da equipa científica e os resultados obtidos mostraram que ST11 se encontra rodeada por um núcleo molecular quente.), que se situa na nossa galáxia vizinha anã, a Grande Nuvem de Magalhães. Foi detetada radiação emitida por uma variedade de gases moleculares, o que indica que a equipa descobriu uma região concentrada de gás molecular denso relativamente quente em torno da estrela recém-nascida ST11. Esta é a primeira vez que se descobre um núcleo molecular quente fora da Via Láctea.

Esta impressão artística mostra as moléculas descobertas num núcleo molecular quente na Grande Nuvem de Magalhães, com o auxílio do ALMA. Este núcleo é o primeiro deste tipo a ser descoberto fora da Via Láctea e os seus compostos químicos são significativamente diferentes dos encontrados em objetos semelhantes situados na nossa Galáxia.
A figura foi composta a partir de material retirado das seguintes fontes: ESO/M. Kornmesser; NASA, ESA, e S. Beckwith (STScI) e a Equipa do HUDF; NASA/ESA e a Hubble Heritage Team (AURA/STScI)/HEI.
Crédito: FRIS/Universidade Tohoku
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Takashi Shimonishi, astrónomo na Universidade de Tohoku, Japão, e autor principal do artigo científico que descreve estes resultados, reitera: "Esta é a primeira deteção de um núcleo molecular quente extragaláctico, o que demonstra a grande capacidade da nova geração de telescópios no estudo de fenómenos astroquímicos para além da Via Láctea."

As observações ALMA revelaram que este núcleo tem uma composição muito diferente de objetos semelhantes encontrados na Via Láctea. As assinaturas químicas mais proeminentes deste núcleo incluem moléculas familiares, tais como dióxido de enxofre, óxido nítrico e formaldeído — assim como a sempre presente poeira. No entanto, vários compostos orgânicos, incluindo metanol (a mais simples molécula do álcool), aparecem com uma abundância muito baixa neste núcleo molecular quente. Em contraste, núcleos semelhantes observados na Via Láctea apresentam uma grande variedade de moléculas orgânicas complexas, incluindo metanol e etanol.

Esta figura mostra observações do primeiro núcleo quente descoberto fora da Via Láctea, com o auxílio do ALMA, e uma imagem da região do céu no infravermelho.
À esquerda: Distribuições de riscas de emissão molecular do núcleo molecular quente da Grande Nuvem de Magalhães, observadas com o ALMA. Como exemplo mostramos emissões da poeira, do dióxido de enxofre (SO2), do óxido nítrico (NO) e do formaldeído (H2CO).
À direita: Uma imagem infravermelha da região de formação estelar envolvente (baseada em dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA).
Crédito: T. Shimonishi/Tohoku University, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Takashi Shimonishi explica: "As observações sugerem que as composições moleculares da matéria que forma as estrelas e os planetas são muito mais diversas do que esperávamos."

A Grande Nuvem de Magalhães tem uma baixa abundância de elementos, para além do hidrogénio e do hélio. A equipa de investigação sugere que este meio galáctico muito diferente afeta os processos de formação de moléculas que ocorrem em torno da estrela recém-nascida ST11, o que pode explicar as diferenças nas composições químicas observadas.

Não é ainda claro se as moléculas grandes e complexas detetadas na Via Láctea existem também em núcleos moleculares quentes noutras galáxias. As moléculas orgânicas complexas têm especial interesse pois algumas delas estão ligadas a moléculas pré-bióticas que se formam no espaço. Este objeto recém-descoberto numa das galáxias mais próximas de nós é um alvo excelente para estudar este tópico e levanta também outra questão: poderá a diversidade química nas galáxias afetar o desenvolvimento de vida extragaláctica?

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
ScienceDaily
PHYSORG

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

Objeto Estelar Jovem:
ST11 (Simbad)
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Elon Musk, da SpaceX, quer colonizar Marte (SpaceX via YouTube)
Elon Musk, fundador da SpaceX, apresentou na terça-feira os seus planos para colonizar o Planeta Vermelho nos próximos anos. Apresentou um vídeo futurista que ilustra o conceito de um sistema de transporte interplanetário com base em foguetões reutilizáveis. Ver vídeo | Ver conferência de imprensa
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope)
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jeff Dai (TWAN)
 
O FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope) está situado dentro de uma bacia natural na remota e montanhosa província de Guizhou na China. Apelidado Tianyan, ou Olho do Céu, o novo radiotelescópio pode aqui ser visto nesta foto obtida dia 25 de setembro, perto do início da fase de testes das operações. Projetado com uma superfície ativa para apontar e focar, a sua enorme antena está construída com 4450 painéis triangulares individuais. Com 500 metros de diâmetro, o FAST é o maior radiotelescópio do mundo. Vai explorar o Universo no rádio, detetando a emissão do hidrogénio gasoso na Via Láctea e em galáxias distantes, descobrir ténues pulsares galácticos e extragalácticos, e procurar potenciais sinais de rádio emitidos por extraterrestres.
 

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