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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1893  
  29/04 a 02/05/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Entre Eclipses
Data: 12 de maio de 2022
Hora: 20:30-22:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Estamos numa altura do ano propícia à ocorrência de eclipses! Vamos explicar o porquê disto, e falar no eclipse lunar que aí vem. Após a apresentação, e se a meteorologia for favorável, iremos observar o céu com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 29/04: 119.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1715, John Flamsteed observa Úrano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1872, nascia Forest Ray Moulton, astrónomo americano que, juntamente com Thomas Chamberlin, formulou a hipótese planetesimal Chamberlin-Moulton, que dizia que os planetas coalesceram a partir de corpos mais pequenos que chamaram planetesimais. A sua hipótese necessitava da passagem de uma outra estrela para despoletar esta condensação, um conceito que já caiu em desuso. Moulton também propôs que alguns dos satélites de Júpiter eram planetesimais capturados. Esta teoria foi bem aceite pelos astrónomos, bem como o termo planetesimal. 
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484).
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide Libya (1268).
Em 1985, lançamento da missão STS-51-B, do vaivém espacial Challenger
Em 1998 são realizadas as primeiras cirurgias bem-sucedidas no espaço, usando como pacientes ratinhos com três semanas a bordo do vaivém espacial Columbia, na missão STS-90.
Observações: Olhe para norte ao cair da noite, para bem alto, e encontrará as estrelas-guia, o fim da "frigideira" de Ursa Maior, no meridiano apontando para a Polar mais abaixo. Das estrelas-guia até à Polar vão cerca de três punhos à distância do braço esticado.

Dia 30/04: 120.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1913, Neujmin e Belyavskij descobrem os asteroides Sulamitis (752) e Tiflis (753).
Em 1935, C. Jackson descobre os asteroides Magoeba (1355) e Numidia (1368).
Observações: Conjunção Vénus-Júpiter. Regule o alarme para acordar ainda de noite e observar estes planetas ainda baixos a sudeste, cerca de 60 a 45 minutos antes do nascer-do-Sol. Vénus e Júpiter, os dois objetos astronómicos mais brilhantes após o Sol e a Lua, estão espetacularmente próximos um do outro no céu! No domingo ainda estão bastante perto um do outro, mas agora Júpiter está para cima e para a direita de Vénus.
Lua Nova, pelas 21:28.

Dia 01/05: 121.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação de Lobo (Lupus).

Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida. É o segundo satélite de Neptuno a ser descoberto e o terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta.
Observações:
Não se esqueça de continuar a observar a conjunção entre Vénus e Júpiter, bem baixos a sudeste antes do nascer-do-Sol. É uma boa oportunidade fotográfica!

Dia 02/05: 122.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Embora já estejamos em maio, Sirius ainda brilha baixa a oeste-sudoeste ao final do lusco-fusco. Põe-se pouco tempo depois. Durante quanto mais tempo conseguiremos ver Sirius? Por outras palavras, quando será o seu "pôr heliacal", a partir da posição do observador?

 
     
 
Curiosidades


A OSIRIS-REx não foi a única missão da NASA a receber extensões. As missões MAVEN, InSight, LRO, o rover Curiosity, a New Horizons, a Mars Odyssey e a MRO também receberam.

 
 
   
Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance

O helicóptero marciano Ingenuity da NASA inspecionou recentemente tanto o paraquedas que ajudou o Perseverance a pousar em Marte, como a concha em forma de cone que protegeu o veículo no espaço profundo e durante a sua descida ardente em direção à superfície marciana de dia 18 de fevereiro de 2021. Os engenheiros do programa MSR (Mars Sample Return) pediram se o Ingenuity podia fornecer-lhes esta perspetiva. O que daí resultou foram 10 imagens aéreas a cores obtidas dia 19 de abril durante o 26.º voo do Ingenuity.

 
Esta imagem da cápsula e do paraquedas do Perseverance foi recolhida pelo helicóptero Ingenuity da NASA durante o seu 26.º voo a 19 de abril de 2022. As imagens obtidas durante o voo podem fornecer uma visão do desempenho dos componentes durante a entrada, descida e aterragem do rover no dia 18 de fevereiro de 2021.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"A NASA alargou as operações de voo do Ingenuity para realizar voos pioneiros como este", disse Teddy Tzanetos, líder da equipa do Ingenuity no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Sempre que estamos no ar, o Ingenuity cobre novos terrenos e fornece uma perspetiva que nenhuma missão planetária anterior poderia alcançar. O pedido de reconhecimento do MSR é um exemplo perfeito da utilidade das plataformas aéreas em Marte."

A entrada, descida e aterragem em Marte é rápida e stressante, não só para os engenheiros cá na Terra, mas também para o veículo que suporta as forças gravitacionais, altas temperaturas e outros extremos que vêm com a entrada na atmosfera de Marte a quase 20.000 km/h. O paraquedas e a cápsula tinham sido previamente fotografados à distância pelo rover Perseverance.

Mas as imagens recolhidas pelo helicóptero (de uma perspetiva aérea e mais próxima) fornecem mais pormenores. As imagens têm o potencial de ajudar a garantir aterragens mais seguras para futuras naves espaciais como o "lander" do programa MSR, que faz parte de uma campanha multimissão que traria as amostras de rochas, atmosfera e sedimentos marcianos obtidos pelo Perseverance à Terra para análises detalhadas.

"O Perseverance teve a melhor aterragem marciana documentada da história, com câmaras a mostrar tudo, desde a inflação do paraquedas até ao pouso," dise Ian Clark do JPL, antigo engenheiro de sistemas do Perseverance e agora líder da fase de ascensão do MSR. "Mas as imagens do Ingenuity oferecem um ponto de vista diferente. Se reforçarem que os nossos sistemas funcionaram como pensamos que funcionaram ou fornecerem até mesmo um conjunto de dados de engenharia que possamos utilizar para o planeamento da MSR, será espantoso. E se não, as imagens continuam a ser fenomenais e inspiradoras."

 
Esta imagem da concha traseira e do paraquedas supersónico do rover Perseverance da NASA foi capturada pela helicóptero marciano Ingenuity da agência espacial durante o seu 26.º voo em Marte a 19 de abril de 2022.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Nas imagens da concha e do campo de detritos que resultou do seu impacto com a superfície a cerca de 126 km/h, o revestimento protetor da cápsula parece ter permanecido intacto durante a entrada atmosférica em Marte. Muitas das 80 linhas de suspensão de alta resistência que a ligam ao paraquedas são visíveis e também parecem intactas. Espalhado e coberto de poeira, pode ser visto apenas cerca de um-terço do paraquedas laranja e branco - com cerca de 21,5 metros de largura, foi o maior de sempre já utilizado em Marte -, mas não mostra sinais de danos causados pelo fluxo de ar supersónico durante a inflação. Serão necessárias várias semanas de análise para um veredicto mais final.

Manobras do Voo 26

O voo de 159 segundos do Ingenuity começou às 11:37 da manhã, hora local de Marte, de 19 de abril, no aniversário do seu primeiro voo. Voando 8 metros acima do solo, o Ingenuity viajou 192 metros para sudeste e tirou a sua primeira fotografia. O helicóptero depois dirigiu-se para sudoeste e depois para noroeste, tirando imagens em locais pré-planeados ao longo da rota. Uma vez recolhidas 10 imagens na sua memória flash, o Ingenuity dirigiu-se para oeste 75 metros e pousou. Distância total percorrida: 360 metros. Com a conclusão do Voo 26, o veículo aéreo registou mais de 49 minutos de voo e viajou 6,2 quilómetros.

 
A concha do Perseverance, o paraquedas supersónico e o campo de destroços associado são vistos espalhados pela superfície marciana nesta imagem capturada pelo helicóptero marciano Ingenuity da NASA durante o seu 26.º voo a 19 de abril de 2022.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Para conseguirmos as fotos que precisávamos, o Ingenutiy fez muitas manobras, mas estávamos confiantes porque também houveram manobras nos voos 10, 12 e 13," disse Håvard Grip, piloto chefe do Ingenuity no JPL. "O nosso local de aterragem preparou-nos bem para fotografar uma área de interesse para a equipa científica do Perseverance no Voo 27, perto do cume 'Séítah'".

A nova área de operações no delta seco do rio da Cratera Jezero marca uma partida dramática do terreno modesto e relativamente plano que o Ingenuity tem sobrevoado desde o seu primeiro voo. Com vários quilómetros de largura, o delta formou-se onde um antigo rio se uniu ao lago da Cratera Jezero. Subindo mais de 40 metros acima do chão da cratera e cheio de falésias irregulares, superfícies angulares, rochas salientes e bolsas de areia, o delta parece guardar muitas revelações geológicas - talvez até evidências de que a vida microscópica existia em Marte há milhares de milhões de anos.

Ao chegar ao delta, as primeiras ordens do Ingenuity podem ser ajudar a determinar qual dos dois canais secos do rio o Perseverance deve subir para alcançar o topo do delta. Juntamente com a assistência no planeamento das rotas, os dados fornecidos pelo helicóptero vão ajudar a equipa do Perseverance a avaliar potenciais alvos científicos. O Ingenuity pode até ser chamado a fotografar características geológicas demasiado afastadas para o rover alcançar ou a explorar zonas e locais de aterragem à superfície onde os tubos das amostras podem ser depositados para o programa MSR.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Cratera Jezero:
Wikipedia

Rover Perseverance:
NASA
NASA - 2
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Wikipedia

Helicóptero Ingenuity:
NASA
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Observações do Hubble utilizadas para responder a perguntas-chave sobre exoplanetas

Observações de arquivo de 25 Júpiteres quentes, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, foram analisadas por uma equipa internacional de astrónomos, permitindo-lhes responder a cinco questões em aberto importantes para a nossa compreensão das atmosferas exoplanetárias. Entre outros achados, a equipa descobriu que a presença de óxidos e hidretos metálicos nas atmosferas exoplanetárias mais quentes estava claramente correlacionada com o facto de as atmosferas estarem termicamente invertidas.

 
Observações de arquivo de 25 Júpiteres quentes pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foram analisadas por uma equipa internacional de astrónomos, permitindo-lhes responder a cinco questões em aberto importantes para a nossa compreensão das atmosferas exoplanetárias. Entre outros achados, a equipa descobriu que a presença de óxidos e hidretos metálicos nas atmosferas exoplanetárias mais quentes estava claramente correlacionada com o facto de as atmosferas estarem termicamente invertidas.
Crédito: ESA/Hubble, N. Bartmann
 

O campo da ciência exoplanetária há muito que mudou o seu foco de apenas deteção para a caracterização, embora esta caracterização continue a ser extremamente desafiante. Até agora, a maior parte da investigação sobre a caracterização tem sido direcionada para a modelagem, ou estudos centrados num ou em alguns exoplanetas. Este novo trabalho, liderado por investigadores da UCL (University College London), utilizou a maior quantidade de dados de arquivo alguma vez examinados num único levantamento de atmosferas exoplanetárias para analisar as atmosferas de 25 exoplanetas. A maioria dos dados provém de observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. O autor principal, Quentin Changeat, explica: "O Hubble permitiu a caracterização aprofundada de 25 exoplanetas e a quantidade de informação que aprendemos sobre a sua química e formação - graças a uma década de intensas campanhas de observação - é incrível."

A equipa científica procurou encontrar respostas a cinco questões em aberto sobre atmosferas exoplanetárias - um objetivo ambicioso que conseguiram alcançar. As suas perguntas estudaram o que o H- (o H- é um ião negativo de hidrogénio que foi formado pela dissociação de uma molécula como o H2 (hidrogénio) ou H2O (água). Estas moléculas separam-se a temperaturas muito elevadas, a mais de 2227º C) e certos metais nos podem dizer sobre a química e circulação das atmosferas exoplanetárias e sobre a formação planetária. Escolheram investigar uma vasta gama de Júpiteres quentes, com a intenção de identificar tendências dentro da sua população de amostras que possam fornecer uma visão mais geral das atmosferas exoplanetárias. O colíder do estudo, Billy Edwards da UCL e do CEA (Commissariat à l'énergie atomique et aux énergies alternatives) disse: "O nosso estudo marca um ponto de viragem para o campo: estamos agora a passar da caracterização de atmosferas exoplanetárias individuais para a caracterização de populações atmosféricas."

A fim de investigar a sua amostra de 25 exoplanetas, a equipa reanalisou uma enorme quantidade de dados de arquivo, consistindo em 600 horas de observações do Hubble, que complementaram com mais de 400 horas de observações pelo Telescópio Espacial Spitzer. Os seus dados continham eclipses para todos os 25 exoplanetas e trânsitos para 17 deles. Um eclipse ocorre quando um exoplaneta passa atrás da sua estrela do ponto de vista da Terra, e um trânsito ocorre quando um planeta passa em frente da sua estrela. Tanto os dados dos eclipses como os dados dos trânsitos podem fornecer informações cruciais sobre a atmosfera de um exoplaneta.

O levantamento em grande escala produziu resultados, com a equipa capaz de identificar algumas tendências e correlações claras entre as composições atmosféricas e o comportamento observado. Algumas das suas principais descobertas relacionavam-se com a presença ou ausência de inversões térmicas (uma inversão térmica é um fenómeno natural onde a atmosfera de um planeta ou exoplaneta não arrefece de forma estável com o aumento da altitude, mas em vez disso inverte do arrefecimento para o aquecimento a uma altitude mais elevada. Pensa-se que as inversões térmicas ocorrem devido à presença de certas espécies metálicas na atmosfera. Por exemplo, a atmosfera da Terra tem uma inversão atmosférica que se deve à presença do ozono (O3)) nas atmosferas da sua amostra de exoplanetas. Constataram que quase todos os exoplanetas com atmosfera termicamente invertida eram extremamente quentes, com temperaturas superiores a 2000 Kelvin. É importante notar que isto é suficientemente quente para que as espécies metálicas TiO (óxido de titânio), VO (óxido de vanádio) e FeH (hidreto de ferro) sejam estáveis numa atmosfera. Dos exoplanetas com inversões térmicas, verificou-se que quase todos tinham H-, TiO, VO ou FeH nas suas atmosferas.

É sempre um desafio tirar inferências de tais resultados, porque a correlação não implica necessariamente causalidade. No entanto, a equipa foi capaz de propor um argumento convincente para que a presença de H-, TiO, VO ou FeH pudesse levar a uma inversão térmica - nomeadamente que todas estas espécies metálicas absorvem muito eficazmente a luz estelar. Pode ser que as atmosferas exoplanetárias suficientemente quentes para sustentar estes elementos tendam a ser termicamente invertidas, pois absorvem tanta luz estelar que as suas atmosferas superiores aquecem ainda mais. Por outro lado, a equipa também descobriu que os Júpiteres quentes mais frios (com temperaturas inferiores a 2000 K e, portanto, sem H-, TiO, VO ou FeH nas suas atmosferas) quase nunca tiveram atmosferas termicamente invertidas.

Um aspeto significativo desta investigação foi que a equipa conseguiu utilizar uma grande amostra de exoplanetas e uma quantidade extremamente grande de dados para determinar tendências, que podem ser utilizadas para prever o comportamento noutros exoplanetas. Isto é extremamente útil, porque proporciona uma visão de como os planetas se podem formar e também porque permite que outros astrónomos planeiem mais eficazmente observações futuras. Inversamente, se um artigo científico se debruçar num único exoplaneta em grande detalhe, embora isso seja valioso, é muito mais difícil extrapolar tendências a partir dele. Uma melhor compreensão das populações de exoplanetas poderia também aproximar-nos da resolução de mistérios em aberto sobre o nosso próprio Sistema Solar. Changeat acrescenta: "Muitas questões como as origens da água na Terra, a formação da Lua e as diferentes histórias evolutivas da Terra e de Marte, ainda estão por resolver apesar da nossa capacidade em obter medições in-situ. Grandes estudos populacionais de exoplanetas, como o que aqui apresentamos, visam a compreensão desses processos gerais."

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// UCL (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// NVIDIA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Supplement Series)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Hubble ajuda a responder a perguntas-chave sobre exoplanetas (HubbleESA via YouTube)
// Hubblecast 121: o que podemos aprender sobre trânsitos exoplanetários? (HubbleESA via YouTube)

 


Saiba mais

Júpiter quente:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópio Espacial Spitzer:
Caltech
NASA
Centro Científico Spitzer 
Wikipedia

 
   
NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteroide

A nave espacial OSIRIS-REx da NASA vai passar pela Terra para entregar uma amostra do asteroide Bennu no dia 24 de setembro de 2023. Mas depois disso, não termina o que tem a fazer.

A NASA alargou a missão liderada pela Universidade do Arizona, que passará a chamar-se OSIRIS-APEX, para estudar o asteroide Apophis durante 18 meses, asteroide este que está perto da Terra. O Apophis fará uma passagem próxima pelo nosso planeta em 2029.

 
Impressão de artista da nave espacial OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores perto da superfície do asteroide Apophis.
Crédito: Heather Roper
 

A Universidade do Arizona vai continuar a liderar a missão, que fará a sua primeira manobra em direção ao asteroide Apophis 30 dias após a nave espacial OSIRIS-REx entregar a amostra que recolheu de Bennu em outubro de 2020. Nesse momento, a equipa original da missão vai dividir-se - a equipa de análise da amostra irá estudar a amostra de Bennu, enquanto a equipa da sonda e dos instrumentos transita para a missão OSIRIS-APEX, abreviatura para OSIRIS-Apophis Explorer.

O professor de Ciências Planetárias Dante Lauretta vai continuar a ser o principal investigador da OSIRIS-REx durante os dois anos restantes da fase de entrega de amostras da missão. A professora assistente de Ciências Planetárias e a investigadora principal adjunta da OSIRIS-REx, Dani DellaGiustina, tornar-se-á então a investigadora principal da OSIRIS-APEX. A extensão acrescenta outros 200 milhões de dólares ao custo da missão.

A equipa da missão fez uma busca exaustiva de potenciais alvos asteroidais. A nave espacial OSIRIS-REx foi construída para o que se chama de missão de rendez-vous, ou seja, em vez de fazer uma única passagem por um objeto e de rapidamente capturar imagens e recolher dados, foi concebida para se aproximar e permanecer com o objeto. DellaGiustina disse: "a nossa nave espacial, nisso, é realmente fenomenal."

"Apophis é um dos asteroides mais infames," disse DellaGiustina. "Quando foi descoberto pela primeira vez em 2004, houve a preocupação de que iria colidir com a Terra em 2029 durante a sua aproximação. Esse risco foi anulado após observações subsequentes, mas será a distância mais pequena que um asteroide deste tamanho estará nos cerca de 50 anos em que já seguimos asteroides, ou até nos próximos 100 anos no que toca aos asteroides que descobrimos até agora. Vai passar a menos de um-décimo da distância entre a Terra e a Lua durante o encontro de 2029. As pessoas na Europa e em África poderão vê-lo a olho nu, tal é a sua pequena distância à Terra. Ficámos entusiasmados por descobrir que a missão tinha sido prolongada."

 
O cientista de imagem Dathon Golish criou esta imagem simulada da visão do asteroide Apophis na câmara APEX, com base num modelo produzido por Marina Brozović e colegas do JPL.
Crédito: Universidade do Arizona/JPL/Arecibo
 

A OSIRIS-REx foi lançada em 2016 para recolher uma amostra do asteroide Bennu que vai ajudar os cientistas a aprender mais sobre a formação do Sistema Solar e da Terra como um planeta habitável. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a recolher e a entregar uma amostra de um asteroide próximo da Terra.

A OSIRIS-APEX não vai recolher uma amostra, mas quando alcançar o Apophis, vai estudá-lo durante 18 meses e recolher dados ao longo do percurso. Fará também uma manobra semelhante à que fez durante a recolha de amostras em Bennu, aproximando-se da sua superfície e disparando os seus propulsores. Este evento vai expor o subsolo do asteroide, para permitir aos cientistas da missão aprenderem mais sobre as propriedades materiais do asteroide.

Os cientistas também querem estudar como o asteroide será fisicamente afetado pela atração gravitacional da Terra, à medida que se aproxima em 2029.

Querem também aprender mais sobre a composição do asteroide. O Apophis tem aproximadamente o mesmo tamanho de Bennu - mais de 300 metros na sua linha mais longa - mas difere no que toca ao seu tipo espectral. Bennu é um asteroide do tipo B ligado aos meteoritos condritos carbonáceos, enquanto que Apophis é um asteroide do tipo S ligado aos meteoritos condritos comuns.

"A missão OSIRIS-REx já alcançou tantos feitos e estou orgulhoso por continuar a ensinar-nos sobre as origens do nosso Sistema Solar," disse o presidente da Universidade do Arizona, Robert C. Robbins. "A extensão da missão OSIRIS-APEX mantém a Universidade do Arizona na liderança como uma das principais instituições do mundo a estudar pequenos corpos com naves espaciais e demonstra novamente a nossa incrível capacidade nas ciências espaciais."

DellaGiustina está também entusiasmada com o facto de a missão proporcionar uma excelente oportunidade para os cientistas em início de carreira obterem desenvolvimento profissional. Os veteranos da OSIRIS-REx vão trabalhar de perto com estes cientistas em início de carreira como mentores nas fases iniciais da missão. Quando a sonda chegar a Apophis, a próxima geração vai assumir papéis de liderança na OSIRIS-APEX.

"A OSIRIS-APEX é uma manifestação de um objetivo central da nossa missão de impulsionar a próxima geração de líderes na exploração espacial. Não podia estar mais orgulhoso da Dani e da sua equipa APEX," disse Lauretta. "A Dani começou a trabalhar connosco em 2005, como estudante. Vê-la assumir a liderança da missão ao asteroide Apophis demonstra as excelentes oportunidades educacionais na Universidade do Arizona."

// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
08/10/2021 - As rochas altamente porosas são responsáveis pela superfície surpreendentemente irregular de Bennu
13/08/2021 - OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Asteroide Apophis:
NASA
Wikipedia

Asteroide Bennu:
NASA
NASA - 2 
Wikipedia

OSIRIS-REx:
Página oficial
NASA
Facebook
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YouTube
Instagram
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Pode o "esquema" da vida ter sido gerado em asteroides? (via NASA)
Utilizando novas análises, os cientistas acabam de encontrar as duas últimas das cinco unidades informativas de ADN e ARN que ainda não tinham sido descobertas em amostras de meteoritos. Embora seja improvável que o ADN possa ser formado num meteorito, esta descoberta demonstra que estas partes genéticas estão disponíveis para entrega e poderiam ter contribuído para o desenvolvimento das moléculas instrucionais no início da Terra. A descoberta, por uma equipa internacional com investigadores da NASA, fornece mais evidências de que as reações químicas nos asteroides podem fazer alguns dos ingredientes da vida, que poderiam ter sido entregues à Terra antiga por impactos de meteoritos ou talvez pela queda de poeira. Ler fonte
     
  Glaciares de dióxido de carbono estão a mover-se no polo sul de Marte (via PSI)
Glaciares de dióxido de carbono estão em movimento, criando depósitos com quilómetros de espessura hoje em dia na região polar sul de Marte, algo que pode acontecer há já mais de 600.000 anos. Ler fonte
     
  Cientistas encontram gás elusivo escondido à vista de todos (via Observatório ALMA)
Os cientistas descobriram que as galáxias pós-"starburst" condensam o seu gás em vez de o expulsarem, o que leva à pergunta: o que as impede de formar estrelas? Pensava-se anteriormente que as galáxias pós-"starburst" espalhavam todo o seu gás e poeira - o combustível necessário para criar novas estrelas - em violentas explosões de energia e a uma velocidade extraordinária. Novos dados do ALMA revelam que estas galáxias não espalham todo o seu combustível de formação estelar. Ao invés, estas galáxias adormecidas agarram e comprimem grandes quantidades de gás altamente concentrado e turbulento após o seu suposto fim. Mas ao contrário do esperado, não estão a utilizá-lo para formar estrelas. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Sombra de Lua em Júpiter
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; Processamento e Licença: Thomas Thomopoulos
 
O que é aquela grande mancha escura em Júpiter? É a sombra de Io, uma das maiores luas de Júpiter. Quando as luas de Júpiter se cruzam entre o gigante joviano e o Sol, criam sombras tal como quando a Lua da Terra se cruza entre a Terra e o Sol. Também como na Terra, se estivéssemos na escura sombra provocada sobre Júpiter, veríamos uma lua a eclipsar completamente o Sol. Ao contrário da Terra, as sombras das luas ocorrem na maior parte dos dias em Júpiter - o que é mais invulgar é que uma nave espacial estava perto o suficiente para obter uma imagem de alta resolução de um eclipse. Essa sonda, a Juno, estava a passar tão perto de Júpiter no final de fevereiro que as nuvens próximas e a sombra escura do eclipse parecem relativamente grandes. A Juno tem feito muitas descobertas sobre o maior planeta do nosso Sistema Solar, incluindo, recentemente, auroras circulares em rápida expansão.
 
   
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