Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo Data: 10 de novembro de 2022 Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt) Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.
Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 06:37.
A Lua está para baixo de Saturno no céu. Bem para baixo e para a esquerda deste par, está Fomalhaut.
Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea.
Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí. Observações: Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste por estas noites. Vire-se para oeste e olhe para cima. Localizada a 25 anos-luz de distância, Vega é uma estrela do tipo A, maior e mais quente do que o Sol, que vemos quase de frente (o seu polo está quase na nossa direção).
Dia 03/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.
Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio. Observações: Eis chegados a novembro, e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste. Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"?
O que está a ver é o resultado do nascer-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual.
Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana a semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".
Os cientistas escolheram as primeiras amostras marcianas dignas de viajarem para a Terra
As primeiras amostras marcianas a serem enviadas para a Terra serão provenientes da Cratera Jezero, onde o rover Perseverance tem explorado o chão da cratera e o antigo delta na vizinhança. A localização da cache inicial de amostras, chamada "Three Forks", é plana e livre de obstáculos - um local ideal para a aterragem e operações de recolha pela campanha MSR (Mars Sample Return).
A campanha MSR é constituída por várias missões que vão enviar para a Terra as primeiras amostras cientificamente selecionadas da superfície de outro planeta. O primeiro passo da campanha já está em curso - desde que o Perseverance aterrou na Cratera Jezero em 2021, o rover já explorou mais de 13 quilómetros e recolheu 14 amostras de rochas e ar marciano.
A região "Three Forks", no chão da Cratera Jezero, onde irão depositadas as primeiras amostras marcianas que vão viajar para a Terra num futuro próximo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/USGS
O plano é largar 10 tubos de amostragem em "Three Forks".
"Nunca antes uma coleção de amostras de outro planeta foi recolhida e colocada para envio à Terra", diz Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA para a ciência.
"A NASA e a ESA reviram o local proposto e as amostras de Marte que serão colocadas neste local já no próximo mês. Quando esse primeiro tubo estiver à superfície, será um momento histórico na exploração espacial", acrescenta Thomas.
Ambas as agências aprovaram planos para dar início ao estabelecimento de um depósito de amostras à superfície de Marte e para completar a operação até ao início de 2023.
"A escolha do primeiro depósito em Marte torna esta campanha de exploração muito real e tangível. Agora temos um lugar para revisitar com amostras à nossa espera", diz David Parker, diretor de Exploração Humana e Robótica da ESA.
"O facto de conseguirmos implementar este plano no início da missão é uma prova da competência da equipa internacional de engenheiros e cientistas que trabalham para a campanha MSR", acrescenta.
Ponto de vista do rover Perseverance da região denominada "Three Forks". A imagem foi obtida no dia 29 de agosto de 2022.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Novos planos para o futuro
A Europa está a explorar Marte de mãos dadas com a NASA. Os próximos passos para enviar amostras de Marte para a Terra em 2033 foram acordados em julho, após uma revisão da campanha por um conselho independente.
No dia 19 de outubro, as agências espaciais aprovaram o plano de depositar a primeira cache de amostras à superfície.
Uma reconfiguração da campanha inclui agora dois helicópteros de recuperação de amostras em vez de um rover adicional. Uma recente avaliação da fiabilidade do Perseverance e da sua esperança de vida aumentou a confiança de que o rover será capaz de entregar amostras ao SRL (Sample Retrieval Lander) da NASA em 2030.
Até o primeiro depósito ser estabelecido, o Perseverance está a recolher duas amostras de cada rocha marciana - uma a ser deixada à superfície como parte do depósito de amostras, e uma segunda que é mantida dentro da barriga do rover para ser diretamente transferida para o SRL.
A ESA dará assistência robótica com o STA (Sample Transfer Arm). O braço robótico de 2,5 metros vai recolher os tubos cheios de material precioso de Marte e transferi-los-á para um foguetão para lançamento até órbita marciana.
No caso do Perseverance não ser capaz de trazer os tubos de amostragem para o braço robótico da ESA em 2030, então dois pequenos helicópteros libertados pelo "lander" irão buscá-los.
"O primeiro depósito de amostras marcianas pode ser considerado como um grande passo de mitigação de riscos para a campanha MSR", assinala David.
O europeu ERO (Earth Return Orbiter) será então a primeira nave espacial interplanetária a capturar amostras em órbita marciana e a fazer uma viagem de regresso à Terra.
Esta ilustração mostra os vários robôs que vão trabalhar em conjunto para transportar para a Terra amostras de rocha e solo recolhidas da superfície marciana pelo rover Perseverance da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Diversidade marciana
Os cientistas europeus fazem parte de uma equipa internacional que dá conselhos sobre as amostras a escolher para o envio e os melhores métodos de análise a utilizar quando chegarem à Terra.
A comunidade científica concluiu que as rochas ígneas e sedimentares encontradas até agora constituem um caso cientificamente convincente para a viagem.
Os cientistas estão muito entusiasmados com a diversidade da recolha de amostras e com a complexidade das amostras individuais. "Trazer estas amostras para os nossos laboratórios permitir-nos-ia alcançar uma ciência revolucionária e compreender a área específica de Jezero", diz Gerhard Kminek, cientista líder da MSR na ESA.
As primeiras 14 amostras já recolhidas pelo rover Perseverance em Marte e respetivas origens na Cratera Jezero.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/MSSS
"Poderíamos também aprender mais sobre as condições ambientais em Marte numa altura em que a vida emergiu na Terra e talvez no Planeta Vermelho", acrescenta Gerhard.
O trabalho do Perseverance está longe de estar concluído após o seu primeiro depósito de amostras. A seguir, o Perseverance seguirá até ao topo do delta para recolher muitas mais amostras de rocha e poeira marciana.
"Lander" InSight deteta impressionante impacto de meteoroide em Marte
O "lander" InSight da NASA registou um sismo marciano de magnitude 4 no passado dia 24 de dezembro, mas os cientistas só mais tarde descobriram a causa desse sismo: o impacto de um meteoroide, estimado como um dos maiores vistos em Marte desde que a NASA começou a explorar o cosmos. Além disso, a colisão com a superfície escavou pedaços de gelo do tamanho de pedregulhos mais perto do equador marciano do que alguma vez foi encontrado - uma descoberta com implicações para os planos futuros da NASA de enviar astronautas para o Planeta Vermelho.
Os cientistas determinaram que o sismo resultou do impacto de um meteoroide quando olharam para o antes e depois em imagens da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA e avistaram uma nova cratera. Fornecendo uma rara oportunidade de ver como um grande impacto abalou o chão em Marte, o evento e os seus efeitos foram detalhados em dois artigos científicos publicados dia 27 de outubro na revista Science.
Blocos de gelo do tamanho de pedregulhos podem ser vistos em torno da orla de uma cratera de impacto em Marte, nesta imagem capturada pela câmara HiRISE a bordo da sonda MRO da NASA. A cratera foi formada no dia 24 de dezembro de 2021 pelo impacto de um meteoroide na região chamada Amazonis Planitia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
Estima-se que o meteoroide tenha tido entre 5 a 12 metros - suficientemente pequeno para ter ardido na atmosfera terrestre, mas não na fina atmosfera de Marte, que tem apenas 1% da sua densidade. O impacto, numa região chamada Amazonis Planitia, escavou uma cratera com cerca de 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade. Alguns dos detritos ejetados pelo impacto voaram até 37 quilómetros de distância.
Com imagens e dados sísmicos documentando o evento, pensa-se que esta é uma das maiores crateras cuja formação foi já testemunhada no Sistema Solar. Existem muitas crateras maiores no Planeta Vermelho, mas são significativamente mais velhas e são anteriores a qualquer missão marciana.
"A descoberta de um impacto fresco deste tamanho não tem precedentes", disse Ingrid Daubar da Universidade Brown, que lidera o Grupo de Trabalho de Ciência de Impacto do InSight. "É um momento emocionante na história geológica - e conseguimos testemunhá-lo".
O módulo InSight tem visto a sua energia diminuir drasticamente nos últimos meses devido à acumulação de poeira nos seus painéis solares. Espera-se agora que o "lander" seja desligado nas próximas seis semanas, pondo fim à ciência da missão.
O InSight está a estudar a crosta, o manto e o núcleo do planeta. As ondas sísmicas são fundamentais para a missão e revelaram o tamanho, profundidade e composição das camadas interiores de Marte. Desde que aterrou em novembro de 2018, o InSight detetou 1318 sismos marcianos, incluindo vários provocados por impactos de meteoroides mais pequenos.
Mas o sismo resultante do impacto de dezembro passado foi o primeiro observado a ter ondas superficiais - uma espécie de onda sísmica que ondula ao longo do topo da crosta de um planeta. O segundo dos dois artigos científicos relacionados com o grande impacto descreve como os cientistas utilizam estas ondas para estudar a estrutura da crosta de Marte.
Caçadores de crateras
No final de 2021, os cientistas da missão InSight informaram o resto da equipa que tinham detetado um grande sismo marciano no dia 24 de dezembro. A cratera foi descoberta pela primeira vez no dia 11 de fevereiro de 2022 por cientistas que trabalhavam no MSSS (Malin Space Science Systems), que construiu e opera duas câmaras a bordo da MRO. A CTX (Context Camera) fornece imagens a preto e branco, de média resolução, enquanto a MARCI (Mars Color Imager) produz diariamente mapas de todo o planeta, permitindo aos cientistas seguir as mudanças climáticas em grande escala, como a recente tempestade regional de poeira que diminuiu ainda mais a energia solar do InSight.
Esta cratera de impacto foi descoberta usando a câmara CTX (Context Camera) a preto e branco a bordo da sonda MRO da NASA. Observe a imagem antes e a imagem depois do impacto, que ocorreu no dia 24 de dezembro de 2021 numa região chamada Amazonis Planitia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
A zona do impacto era visível nos dados MARCI e isso permitiu à equipa fixar um período de 24 horas dentro do qual este ocorreu. Estas observações correlacionaram-se com o epicentro sísmico, demonstrando conclusivamente que o impacto de um meteoroide provocou o grande sismo de dia 24 de dezembro.
"A imagem do impacto era diferente de qualquer outra que já tinha visto antes, com a cratera massiva, o gelo exposto e a dramática zona de explosão preservada na poeira marciana", disse Liliya Posiolova, que lidera o Grupo de Ciência e Operações Orbitais no MSSS. "Não pude deixar de imaginar como devia ter sido testemunhar o impacto, a explosão atmosférica e os detritos ejetados a quilómetros de distância".
A determinação do ritmo a que as crateras são formadas em Marte é crucial para refinar a linha temporal geológica do planeta. Em superfícies mais antigas, como em Marte ou na Lua, existem mais crateras do que na Terra; no nosso planeta, os processos tectónicos e de erosão apagam características mais antigas da superfície.
As novas crateras também expõem materiais situados abaixo da superfície. Neste caso, grandes pedaços de gelo espalhados pelo impacto foram vistos pela câmara a cores HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment) da MRO.
O gelo subterrâneo será um recurso vital para os astronautas, que poderão utilizá-lo para uma variedade de necessidades, incluindo água potável, agricultura e combustível para foguetões. O gelo enterrado nunca tinha sido visto tão perto do equador marciano que, como a parte mais quente de Marte, é um local apelativo para os astronautas.
Vestígios de um antigo oceano descobertos em Marte
Um conjunto recentemente divulgado de mapas topográficos fornece novas evidências para um antigo oceano no norte de Marte. Os mapas oferecem o caso mais forte de que o planeta outrora teve uma subida do nível do mar consistente com um prolongado clima quente e húmido, e não a paisagem dura e gelada que existe hoje em dia.
"O que nos vem imediatamente à mente como um dos pontos mais importantes aqui é que a existência de um oceano deste tamanho significa um potencial de vida mais elevado", disse Benjamin Cardenas, professor assistente de geocências da Universidade Estatal da Pensilvânia e autor principal do estudo recentemente publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets. "Diz-nos também mais sobre o clima antigo e a sua evolução. Com base nestas descobertas, sabemos que deve ter havido um período que era suficientemente quente e a atmosfera era suficientemente espessa para suportar tanta água líquida de uma só vez".
Composta recorrendo a 28 exposições individuais, esta imagem pelo rover Curiosity da NASA foi capturada depois do veículo subir a encosta íngreme de uma característica geológica chamada "Greenheugh Pediment". Ao longe, no topo da imagem, está o chão da Cratera Gale, que está perto de uma região chamada Aeolis Dorsa, que os investigadores pensam ter sido outrora um oceano gigantesco.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Há muito que se debate, na comunidade científica, se Marte já teve um oceano no seu hemisfério norte de baixa elevação, explicou Cardenas. Usando dados topográficos, a equipa de investigação conseguiu mostrar evidências definitivas de uma linha costeira com cerca de 3,5 mil milhões de anos com uma acumulação sedimentar substancial, de pelo menos 900 metros de espessura, que cobre centenas de milhares de quilómetros quadrados.
"A grande novidade que fizemos neste artigo foi pensar em Marte em termos da sua estratigrafia e do seu registo sedimentar", disse Cardenas. "Na Terra, traçamos a história dos cursos de água olhando para os sedimentos que se depositam ao longo do tempo. Chamamos a isso estratigrafia, a ideia de que a água transporta sedimentos e que se podem medir as mudanças na Terra através da compreensão da forma como os sedimentos se acumulam. Foi o que fizemos aqui - mas é Marte".
A equipa utilizou software desenvolvido pelo USGS (United States Geological Survey) para mapear dados da NASA e do instrumento MOLA (Mars Orbiter Laser Altimeter) da sonda Mars Global Surveyor. Descobriram mais de 6500 quilómetros de cristas fluviais e agruparam-nas em 20 sistemas para mostrar que são provavelmente deltas de rios ou canais submarinos, os remanescentes de uma antiga linha costeira marciana.
Elementos de formações rochosas, tais como espessuras do sistema de cristas, elevações, localizações e possíveis direções de fluxo sedimentar ajudaram a equipa a compreender a evolução da paleogeografia da região. Cardenas explicou que a área que antes era oceânica é agora conhecida como Aeolis Dorsa e contém a mais densa coleção de cristas fluviais do planeta.
"As rochas em Aeolis Dorsa capturam algumas informações fascinantes sobre como o oceano era", disse. "Era dinâmico. O nível do mar subiu significativamente. As rochas estavam a ser depositadas ao longo das suas bacias a um ritmo acelerado. Havia muitas mudanças a acontecer aqui".
Cardenas explicou que, na Terra, as antigas bacias sedimentares contêm os registos estratigráficos da evolução do clima e da vida. Se os cientistas quiserem encontrar um registo de vida em Marte, um oceano tão grande como o que outrora cobriu Aeolis Dorsa seria o local mais lógico para começar.
Há muito que se debate, na comunidade científica, se Marte já teve um oceano no seu hemisfério norte de baixa elevação. Usando dados topográficos, a equipa de investigação conseguiu mostrar evidências definitivas de uma linha costeira com cerca de 3,5 mil milhões de anos com uma acumulação sedimentar substancial, de pelo menos 900 metros de espessura, que cobre centenas de milhares de quilómetros quadrados.
Crédito: Benjamin Cardenas/Universidade Estatal da Pensilvânia
"Um grande objetivo das missões dos rovers marcianos é procurar sinais de vida", disse Cardenas. "Têm andado sempre à procura de água, de vestígios de vida. Este é o maior de todos os tempos. É um corpo gigante de água, alimentado por sedimentos provenientes das terras altas, presumivelmente transportando nutrientes. Se houvesse marés no antigo Marte, teriam existido aqui, trazendo suavemente água para dentro e para fora. Este é exatamente o tipo de lugar onde a antiga vida marciana poder ter evoluído".
Cardenas e colegas mapearam o que determinaram serem outros antigos cursos de água em Marte. Um estudo futuro na revista Journal of Sedimentary Research mostra que vários afloramentos visitados pelo rover Curiosity eram provavelmente estratos sedimentares de antigas barras de rios. Outro artigo publicado na Nature Geoscience aplica uma técnica de imagem acústica, usada para ver estratigrafia sob o fundo do mar do Golfo do México, a um modelo de erosão de uma bacia marciana. Os investigadores determinaram que os relevos chamados cristas fluviais, encontradas amplamente em Marte, são provavelmente antigos depósitos fluviais erodidos de grandes bacias semelhantes a Aeolis Dorsa.
"A estratigrafia que estamos aqui a interpretar é bastante semelhante à estratigrafia na Terra", disse Cardenas. "Sim, é uma grande afirmação dizer que descobrimos registos de grandes cursos de água em Marte, mas na realidade, esta é uma estratigrafia relativamente mundana. É geologia dos livros escolares, assim que a reconhecemos pelo que ela é. A parte interessante, claro, é que está em Marte".
ESO captura o fantasma de uma estrela gigante (via ESO)
Uma teia de aranha fantasmagórica, dragões mágicos ou finos traços de fantasmas? O que é que estamos a ver nesta imagem do remanescente da supernova da Vela? Esta bela tapeçaria de cores, que foi capturada com grande detalhe pelo VST (VLT Survey Telescope), instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, mostra os restos fantasmagóricos de uma estrela gigantesca. Ler fonte
Álbum de fotografias - LDN 673: Nuvens Escuras em Águia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Frank Sackenheim, Josef Poepsel, Stefan Binnewies (Equipa do Observatório Capella)
Parte de uma extensão escura que divide o plano apinhado da nossa Galáxia, a Via Láctea, a Fissura de Águia arqueia-se nos céus do planeta Terra perto da brilhante estrela Altair. Em sinistra silhueta contra a fraca luz estelar da Via Láctea, as suas nuvens moleculares poeirentas contêm provavelmente matéria-prima para formar centenas de milhares de estrelas e os astrónomos procuram nas nuvens escuras os sinais indicadores do nascimento estelar. Esta ampliação telescópica olha para a região num complexo fragmentado de nuvens escuras de Águia identificado como LDN 673, estendendo-se por um campo de visão ligeiramente mais largo do que a Lua Cheia. Na cena, indicações visíveis de fluxos energéticos associados a estrelas jovens incluem a pequena nebulosidade vermelha RNO 109 acima e à direita do centro e o objeto Herbig-Haro HH32 abaixo. Estas nuvens escuras podem parecer assustadoras, mas estima-se que estejam a cerca de 600 anos-luz. A essa distância, este campo de visão estende-se por cerca de 7 anos-luz.
Centro Ciência Viva do Algarve
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