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Edição n.º 1203
18/09 a 21/09/2015
 
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18/09/15 - SESSÃO ASTRONÓMICA NOTURNA
20:00 – 22:00 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

28/09/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 18/09: 261.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a Vanguard 3 é lançada para órbita terrestre.
Em 1977, a Voyager 1 tira a primeira fotografia da Terra e da Lua juntas. 
Em 1980, a Soyuz 38 transporta 2 cosmonautas (1 cubano) para a estação espacial Salyut 6.
Em 2013, lançamento da Cygnus Orb-D1.

Observações: Ao anoitecer, observe o céu a sudoeste à procura de Saturno, que está perto da Lua Crescente. Para a sua esquerda estão Antares e as estrelas de cabeça e garras de Escorpião.

Dia 19/09: 262.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite, o Ofeq 1.

Observações: A Lua Crescente, ao lusco-fusco, forma hoje um triângulo com Antares (para baixo) e Saturno (para a direita).

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernova.

Observações: A Lua continua a sua viagem pelo céu. Desta vez, está entre as constelação de Escorpião e Sagitário.

Dia 21/09: 264.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio
Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de pó e gás (até à data).

Em 2003 termina a missão da Galileu, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 09:59.

 
CURIOSIDADES


A SOHO (Solar and Heliospheric Observatory), lançada em 1995 para estudar o Sol, descobriu finalmente o seu 3000.º cometa, reforçando o título de maior caçador de cometas da História.

 
PLUTÃO DESLUMBRA EM ESPETACULAR NOVO PANORAMA RETROILUMINADO

As imagens mais recentes da sonda New Horizons da NASA chocaram os cientistas - não só pelas suas vistas deslumbrantes das majestosas montanhas de Plutão, pelos fluxos de azoto congelado e por assombrosas neblinas de baixa altitude, mas também pela sua estranhamente familiar aparência ártica.

As montanhas majestosas, planícies geladas e neblinas de Plutão: apenas 15 minutos depois da sua maior aproximação de passado dia 14 de julho de 2015, a sonda New Horizons olhou para trás em direção ao Sol e capturou esta imagem do aproximar do pôr-do-Sol perto de montanhas e planícíes geladas que se estendem para lá do horizonte de Plutão. A área lisa da planície Sputnik Planum (direita) é flanqueada a oeste (esquerda) por montanhas com até 3500 metros de altura, incluindo o informalmente denominado Norgay Montes no pano da frente e Hillary Montes na linha do horizonte. Para a direita, a este de Sputnik, terreno mais rugoso é cortado por glaciares. A retroiluminação destaca mais de uma dúzia de camadas na ténue mas larga atmosfera de Plutão. A imagem foi obtida a uma distância de 18.000 km de Plutão; a cena mede 1250 km de largura.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta nova imagem do crescente de Plutão - obtida pelo instrumento MVIC (wide-angle Ralph/Multispectral Visual Imaging Camera) no dia 14 de julho e enviada para a Terra no dia 13 de setembro - fornece um olhar oblíquo das paisagens plutonianas com iluminação dramática do Sol. Destaca espetacularmente os terrenos variados e a atmosfera estendida de Plutão. A cena mede 1250 km de largura.

Um olhar mais de perto: apenas 15 minutos depois da sua maior aproximação de passado dia 14 de julho de 2015, a sonda New Horizons olhou para trás em direção ao Sol e capturou esta imagem do aproximar do pôr-do-Sol perto de montanhas e planícíes geladas que se estendem para lá do horizonte de Plutão. A área lisa da planície Sputnik Planum (direita) é flanqueada a oeste (esquerda) por montanhas com até 3500 metros de altura, incluindo o informalmente denominado Norgay Montes no pano da frente e Hillary Montes na linha do horizonte. Para a direita, a este de Sputnik, terreno mais rugoso é cortado por glaciares. A retroiluminação destaca mais de uma dúzia de camadas na ténue mas larga atmosfera de Plutão. A imagem foi obtida a uma distância de 18.000 km de Plutão; a cena mede 380 km de largura.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esta imagem faz realmente parecer que estamos lá, em Plutão, explorando a paisagem por nós próprios," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, Colorado, EUA. "Mas esta imagem é também uma mina de ouro científica, revelando novos detalhes sobre a atmosfera, montanhas, glaciares e planícies de Plutão."

Neblina ou nevoeiro quase à superfície de Plutão: nesta pequena secção da maior imagem crescente de Plutão, obtida pela New Horizons apenas 15 minutos depois da maior aproximação de dia 14 de julho, o pôr-do-Sol ilumina nevoeiro ou neblina quase à superfície, que é cortada por sombras paralelas em muitos cumes locais e pequenas montanhas. A imagem foi obtida a uma distância de 18.000 km e a cena mede 185 km de largura.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Devido à sua favorável luz de fundo e alta resolução, esta imagem do MVIC também revela novos detalhes de neblinas através da ténue mas larga atmosfera de azoto (ou nitrogénio) de Plutão. A imagem mostra mais de uma dúzia de finas camadas desde o chão até pelo menos 100 km acima da superfície. Além disso, revela pelo menos uma névoa de baixa altitude, parecida com nevoeiro, iluminada pelo pôr-do-Sol contra o lado escuro de Plutão, arranhada por sombras de montanhas próximas.

Além de serem visualmente impressionantes, estas neblinas baixas sugerem mudanças meteorológicas, de dia para dia, em Plutão, tal como na Terra," comenta Will Grundy, líder da equipa de composição da New Horizons e do Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona.

Combinada com outras imagens transferidas recentemente, esta nova foto também fornece evidências para um ciclo "hidrológico" notavelmente parecido com o da Terra, mas em Plutão - envolvendo gelos macios e exóticos, incluindo azoto em vez de água gelada.

O "coração de Plutão": Sputnik Planum é o nome informal da região lisa à esquerda desta composição criada com várias imagens obtidas pela New Horizons. A região à direita pode estar coberta por gelos de azoto (ou nitrogénio) que foram transportados através da atmosfera desde a superfície de Sputnik Planum, e depositados nestes planaltos. A caixa mostra a localização das imagens glaciares mostradas abaixo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As áreas brilhantes a este da vasta planície gelada informalmente chamada Sputnik Planum parecem ter sido cobertas por estes gelos, que podem ter evaporado da superfície de Sputnik e sido depositadas para leste. O novo panorama do Ralph também revela glaciares que correm novamente para Sputnik Planum a partir desta região coberta; estas características são parecidas com os fluxos gelados nas margens de calotas de gelo na Gronelândia e na Antártida.

Glaciares em Plutão: gelo (provavelmente nitrogénio gelado) que parece ter sido acumulado nos planaltos do lado direito desta imagem com 630 km de largura foi trazido até Sputnik Planum desde as montanhas, através de vales com 3 a 8 km de largura indicados pelas setas vermelhas. A frente do fluxo gelado move-se para Sputnik Planum e é destacada pelas setas azuis. A origem dos sulcos e fossas no lado direito permanece incerta.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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"Nós não esperávamos encontrar indícios de um ciclo glacial à base de azoto em Plutão, operando nas condições frias do Sistema Solar exterior," afirma Alan Howard, membro da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging) da missão e da Universidade de Virginia em Charlottesville. "Impulsionado pela fraca luz solar, este será diretamente comparável com o ciclo hidrológico que alimenta calotas de gelo na Terra, onde a água é evaporada dos oceanos, cai como neve e regressa aos mares através do fluxo glacial."

"Plutão é surpreendentemente parecido com a Terra neste aspeto," acrescenta Stern," e ninguém previu isso."

Vales e glaciares intricados em Plutão: a imagem cobre a mesma região da imagem anterior, mas é re-projetada a partir da imagem oblíqua e retroiluminada do crescente de Plutão. A retroiluminação realça as complexas linhas de fluxo nos glaciares. A frente do fluxo gelado move-se para Sputnik Planum e é destacada pelas setas azuis. A origem dos sulcos e fossas no lado direito da imagem permanece incerta.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto SETI
Astronomy
Universe Today
SPACE.com
NewScientist
PHYSORG
Discovery News
BBC News
The Verge

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
EXPLICADO O ESTRANHO SINAL DE BURACOS NEGROS EM COLISÃO

Emaranhados pela gravidade e destinados a uma fusão, dois candidatos a buraco negro numa galáxia distante parecem estar numa dança intricada. Investigadores usando dados do GALEX (Galaxy Evolution Explorer) e do Telescópio Espacial Hubble obtiveram a confirmação mais convincente, até agora, para a existência de buracos negros em fusão e encontraram novos detalhes sobre o seu estranho e cíclico sinal de luz.

Os candidatos a buraco negro, com o nome PG 1302-102, foram identificados pela primeira vez no início deste ano usando telescópios terrestres. Estes buracos negros são o par orbital mais íntimo já detetado até agora, com uma separação não muito maior que o diâmetro do nosso Sistema Solar. Espera-se que colidam e entrem em fusão daqui a menos de um milhão de anos, provocando uma explosão titânica equivalente a 100 milhões de supernovas.

Os cientistas estão a estudar este par para melhor compreender como as galáxias e os buracos negros gigantes nos seus núcleos se fundem - uma ocorrência comum no Universo jovem. Mas apesar da frequência desses eventos, são difíceis de detetar e confirmar.

Esta simulação ajuda a explicar o estranho sinal de luz que se pensa estar a vir de um par coeso de buracos negros em fusão, PG 1302-1202, localizado a 3,5 mil milhões de anos-luz de distância.
Crédito: Universidade de Columbia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

PG 1302-102 é um de apenas um punhado de bons candidatos a buraco negro duplo. Foi descoberto e anunciado no início deste ano por investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA, depois de terem examinado um estranho sinal de luz proveniente do centro de uma galáxia. Os investigadores, que usaram telescópios do CRTS (Catalina Real-Time Transient Survey), demonstraram que o sinal varia provavelmente devido ao movimento de dois buracos negros, que giram um em torno do outro a cada cinco anos. Embora os buracos negros, propriamente ditos, não emitam luz, o material em torno deles emite.

No novo estudo, publicado ontem na revista Nature, os cientistas encontraram mais evidências para suportar e confirmar a dança íntima destes buracos negros. Usando dados ultravioletas do GALEX e do Hubble, foram capazes de acompanhar as mudanças nos padrões de luz do sistema ao longo dos últimos 20 anos.

"Tivemos a sorte de ter dados do GALEX para estudar," afirma David Schiminovich, coautor do artigo e da Universidade de Columbia em Nova Iorque. "Voltámo-nos para os arquivos do GALEX e descobrimos que o objeto tinha sido observado seis vezes."

O Hubble observa no visível e noutros comprimentos de onda, particularmente o ultravioleta. Curiosamente, também já tinha observado o objeto no passado.

A luz ultravioleta foi importante para testar uma previsão de como os buracos negros geram um padrão cíclico de luz. A ideia é que um dos buracos negros do par está a emitir mais luz - está a devorar mais matéria do que o outro e este processo aquece a matéria e emite luz energética. À medida que este buraco negro orbita o seu parceiro a cada cinco anos, a sua luz muda e parece aumentar de brilho quando se dirige na nossa direção.

"É como se uma lâmpada de 60 watts de repente se transformasse numa de 100 watts," explica Daniel D'Orazio, autor principal do estudo da Universidade de Columbia. "À medida que o buraco negro se desloca na direção contrária à nossa, a lâmpada de 60 watts transforma-se numa de 20 watts."

O que está a provocar estas mudanças na luz? Um conjunto de alterações tem a ver com o efeito do "desvio para o azul", no qual a luz é espremida para comprimentos mais curtos à medida que viaja na nossa direção, do mesmo modo que a sirene de uma ambulância apita em frequências mais altas quando se dirige na nossa direção. Outra razão tem a ver com a enorme velocidade do buraco negro.

O buraco negro mais brilhante, na verdade, está a viajar quase a 7% da velocidade da luz -- por outras palavras, muito depressa. Embora o buraco negro demore cinco anos a orbitar o companheiro, está a viajar distância enormes. Seria como se um buraco negro desse a volta ao nosso Sistema Solar estando à distância da Nuvem de Oort, em apenas cinco anos. A velocidades tão elevadas como esta, conhecidas como velocidades relativistas, a luz torna-se mais brilhante.

D'Orazio e colegas modelaram este efeito com base num artigo anterior e previram o seu aspeto no ultravioleta. Determinaram que, se o aumento e a diminuição periódica de brilho, anteriormente vista no visível, fosse, de facto, devido a um efeito de reforço relativista, então o mesmo comportamento periódico deveria estar presente em comprimentos de onda ultravioleta, mas ampliados 2,5 vezes. A luz ultravioleta do GALEX e do Hubble coincidiu, de facto, com as suas previsões.

"Estamos fortalecendo as nossas ideias sobre o que está a acontecer neste sistema e começando a compreendê-lo melhor," comenta Zoltán Haiman, coautor que concebeu o projeto, também da Universidade de Columbia.

Os resultados vão também ajudar os investigadores a compreender como encontrar buracos negros em fusão ainda mais íntimos, o que alguns consideram como o Santo Graal da física e a busca por ondas gravitacionais. Prevê-se que, nos momentos derradeiros que antecedem a união final entre dois buracos negros, quando giram muito próximos entre si como patinadores numa "espiral da morte", criem ondulações no espaço e no tempo. Chamadas ondas gravitacionais, cuja existência decorre da teoria da gravidade de Albert Einstein publicada há 100 anos atrás, contêm pistas sobre o tecido do nosso Universo.

Os resultados também são uma porta de entrada para a compreensão de outros buracos negros em fusão pelo Universo, uma população que só agora começa a abrir mão dos seus segredos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
Sky & Telescope
AstronomyNow
PHYSORG

PG 1302-102:
Wikipedia

GALEX:
Página principal
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

CRTS:
Caltech
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia

 
CASSINI DESCOBRE OCEANO GLOBAL EM ENCÉLADO

Uma nova pesquisa, usando dados da missão Cassini da NASA, confirma a existência de um oceano global por baixo da crosta gelada da lua geologicamente ativa de Saturno, Encélado.

Os investigadores descobriram que a oscilação muito ligeira da lua, à medida que orbita Saturno, só pode ser explicada se a sua concha exterior não estiver congelada ao interior, o que significa que um oceano global deve estar presente.

A descoberta implica que a pulverização fina de vapor de água, partículas de gelo e moléculas orgânicas simples que a Cassini observou, proveniente de fraturas perto do polo sul, está sendo alimentada por este vasto reservatório de água líquida. A pesquisa foi apresentada esta semana num artigo online da revista Icarus.

A análise anterior dos dados da Cassini já tinham sugerido a presença de um corpo de água, ou mar, por baixo da região polar sul da lua. No entanto, os dados de gravidade recolhidos durante os vários "flybys" da sonda sobre a região polar sul dão suporte à possibilidade deste mar ser global. Os novos resultados - derivados usando uma linha independente de evidências com base nas imagens da Cassini - confirmam que este é o caso.

Ilustração do interior de Encélado, que mostra um oceano global de água líquida entre o seu núcleo rochoso e a crosta gelada. A espessura das camadas não está à escala.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este é um problema complexo que exigiu anos de observações e cálculos que envolvem um conjunto diversificado de disciplinas, mas estamos confiantes que finalmente acertámos," afirma Peter Thomas, membro da equipa de imagem da Cassini e da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, autor principal do artigo.

Os cientistas da Cassini analisaram mais de sete anos de imagens de Encélado recolhidas pela Cassini, que orbita Saturno desde meados de 2004. Mapearam cuidadosamente as posições de características em Encélado - principalmente crateras - em centenas de imagens, a fim de medir alterações na rotação da lua com extrema precisão.

Como resultado, descobriram que Encélado tem uma pequena, mas mensurável, oscilação à medida que orbita Saturno. Tendo em conta que a lua gelada não é perfeitamente esférica - e que se desloca mais rapidamente e mais lentamente em diferentes porções da sua órbita em redor de Saturno - o planeta gigante oscila lentamente Encélado para trás e para a frente enquanto gira.

A equipa juntou as suas medições da oscilação, também chamada libração, a modelos diferentes do interior de Encélado, incluindo aqueles em que a lua está congelada desde a superfície até ao núcleo.

"Se a superfície e o núcleo estivessem ligados de forma rígida, o núcleo daria tanto peso morto que a oscilação seria muito mais pequena do que a observada," explica Matthew Tiscareno, cientista da Cassini e do Instituto SETI em Mountain View, no estado americano da Califórnia, coautor do artigo. "Isto prova que deve haver uma camada global líquida que separa a superfície do núcleo," comenta.

Os mecanismos que impedem o oceano de Encélado de congelar permanecem um mistério. Thomas e colegas sugerem algumas ideias para estudos futuros que podem ajudar a resolver a questão, incluindo a possibilidade que forças de maré surpreendentes, devido à gravidade de Saturno, podem estar a gerar muito mais calor do que se pensava dentro de Encélado.

"Este é um grande passo em frente no que respeita à nossa compreensão desta lua e demonstra o tipo de descobertas que podemos fazer com missões orbitais e de longa duração a outros planetas," observa Carolyn Porco, líder da equipa de imagem da Cassini, do SSI (Space Science Institute) em Boulder, Colorado e professora visitante da Universidade da Califórnia em Berkeley. "A Cassini tem sido exemplar a este respeito."

O desvendar da história de Encélado é um dos grandes triunfos da longa missão da Cassini em Saturno. Os cientistas detetaram pela primeira vez sinais da pluma gelada da lua no início de 2005 e seguiram-se, então, uma série de descobertas sobre o material expelido das fraturas quentes perto do polo sul. Anunciaram fortes evidências de um mar regional em 2014 e, mais recentemente, em 2015, divulgaram resultados que sugerem a existência de atividade hidrotermal no fundo do oceano.

A Cassini está programada para fazer uma passagem rasante por Encélado no dia 28 de outubro, no mergulho mais profundo de sempre através da pluma ativa de material gelado. A sonda vai passar a apenas 49 km da superfície da lua.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/03/2015 - Cassini sugere atividade hidrotermal no oceano de Encélado
04/04/2014 - Encélado tem um mar subterrâneo
24/06/2011 - Cassini captura spray oceânico em lua de Saturno
08/03/2011 - Cassini descobre que Encélado é um verdadeiro poço de energia
26/02/2010 - Cassini descobre pletora de plumas e zonas quentes em Encélado
26/06/2009 - Descoberta de sais pela Cassini aponta para oceano por baixo de Encélado
24/07/2009 - Lua de Saturno mostra evidências de amónia
29/11/2008 - Jactos de Encélado - molhados ou apenas selvagens?
26/08/2008 - Cassini observa fonte dos jactos em Encélado
13/08/2008 - Cassini revisita lua gelada de Saturno
09/08/2008 - Cassini prepara-se para passar novamente por Encélado
29/03/2008 - Cassini prova material orgânico de Encélado
15/03/2008 - Cassini voa pelas plumas de Encélado
14/03/2007 - Um começo quente pode explicar os geysers de Encélado
10/03/2006 - Cassini encontra sinais de água líquida em lua de Saturno
02/12/2005 - Vulcões de gelo em Encélado

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
Instituto SETI (comunicado de imprensa)
Icarus
Astronomy
SPACE.com
Scientific American
ScienceDaily
Astrobiology Magazine
EarthSky
PHYSORG
Popular Science
National Geographic
Discovery News
Popular Mechanics
BBC News
Forbes
UPI
The Verge
Diário de Notícias
Público

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  As luas de Plutão têm uma rotação caótica porquê? A UA descobriu a resposta (via Universidade de Aveiro)
Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram o porquê da "rotação caótica" de 4 das 5 luas de Plutão. Os culpados são o sistema duplo Plutão-Caronte. Ler fonte
     
  LRO descobre que a influência da Terra "massaja" a Lua (via NASA)
De acordo com novos resultados da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, a1 gravidade da Terra influenciou a orientação de milhares de falhas que formam a superfície lunar à medida que o nosso satélite encolhe. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Aurora Espiral por Cima da Islândia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Davide Necchi
 
Mas o que é que aconteceu com o céu? Auroras! Capturada no final do mês passado, esta aurora por cima de céus islandeses teve um grande brilho e um rápido desenvolvimento. A aurora foi o resultado de uma tempestade solar, partículas altamente energéticas expelidas do Sol que poucos dias depois colidiram e atravessaram a magnetosfera protetora da Terra. Apesar do padrão espiral ser facilmente discernível, os seres humanos criativos poderão imaginar o brilho atmosférico como uma aparição de inúmeros ícones comuns. No pano da frente da imagem está o Rio Ölfusá e as luzes que iluminam a ponte de Selfoss. Para lá das nuvens baixas está uma Lua quase Cheia. A vivacidade do Sol (e, consequentemente, as auroras na Terra) está a diminuir lentamente à medida que a nossa estrela emerge do máximo solar de atividade à superfície e evolui para um período historicamente mais calmo do seu ciclo de 11 anos. Na verdade, os astrónomos solares estão à espera de ver se o próximo mínimo solar será tão invulgarmente calmo como o anterior, onde por vezes passavam-se meses sem quaisquer manchas solares discerníveis ou outros fenómenos solares ativos.
 

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