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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #1715  
  14/08 a 17/08/2020  
     
     
 
Astronomia no Verão CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

14/08 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar, encontro às 20:30 no cais de embarque junto à Porta Nova (cais das portas do mar) na muralha Villa Adentro (parte antiga da cidade de Faro); atividade com custo (atividade realizada pelo CCVAlg)

18/08 - Santa Rita - Vila Nova de Cacela, a partir das 22:00, junto à Aldeia de Santa Rita, Vila Nova de Cacela (atividade realizada pelo CCVTavira)

19/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)

22/08 - Portela, São Brás de Alportel, a partir das 21:30, junto ao Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)

23/08 - Albufeira, Praia dos Salgados, a partir das 21:00, junto ao estacionamento da Praia dos Salgados (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Aldeia da Rocha Amarela, Esteval dos Mouros - Alte, Loulé, a partir das 20:30, no entroncamento à entrada de Esteval dos Mouros (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Castro Marim, a partir das 21:30, no parque de estacionamento do Agrupamento de Escolas de Castro Marim (atividade realizada pelo CCVTavira)

(obrigatório utilizar equipamento de proteção individual - máscara ou viseira - e seguir as instruções de higienização e distanciamento social; número limitado de presenças nas atividades seguindo as atuais regras de segurança da DGS; todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição obrigatória)

 
     
 
Efemérides

Dia 14/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no estado do Missouri, EUA.

Observações: Agosto é a altura ideal para observar a Via Láctea! Depois do cair da noite, a Via Láctea estende-se para cima a partir do sul (onde corre entre a cauda de Escorpião e o "bule de chá" de Sagitário), para cima e para a esquerda através de Águia e através do Triângulo de Verão muito altos a este, descendo agora através de Cassiopeia até Perseu que sobe baixo a norte-nordeste.

Dia 15/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o The Big Ear, um radiotelescópio operado pela Universidade Estatal do Ohio, como parte do projeto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projeto.

Em 2006, a sonda Voyager 1, o mais distante objeto feito pelo Homem, alcança as 100 UA do Sol. Isto significa que a sonda, lançada no dia 20 de agosto de 1977, estava 100 vezes mais distante do Sol que a Terra.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 00:27 e as 03:58.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 03:24 e as 07:02.
Trânsito de Io, entre as 04:22 e as 06:41.
Trânsito da sombra de Io, entre as 05:07 e as 07:26.
Antes do amanhecer, a Lua e Vénus formam um bonito par subindo a este. O planeta Vénus é o ponto brilhante por baixo do nosso satélite natural. Brilham nos pés de Gémeos. Orionte está para a direita. Castor e Pollux para baixo e para a esquerda.

Dia 16/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, além de Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade Johns Hopkins.
Observações: Ocultação de Io, entre as 01:29 e as 03:51.
Eclipse de Io, entre as 02:14 e as 04:36.
Note, pouco antes do amanhecer, que a Lua se moveu em comparação com a posição em que estava ontem. Agora, está entre Vénus (para a direita) e Pollux (esquerda).
Trânsito de Io, entre as 22:49 e as 01:08 (já de dia 17).

Dia 17/08: 230.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877, Asaph Hall descobria Fobos, a maior e mais interior lua de Marte.
Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA em atingir órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra. 
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo de Baikonur. Chega a Vénus no dia 15 de dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir da superfície de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte". 
Em 1999 a sonda Cassini passava pela Terra (1166 km), sobre o lado este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus novamente, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional a fim da sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20.000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: Mercúrio em conjunção superior, pelas 16:00.
Ocultação de Io, entre as 19:56 e as 22:18.

 
     
 
Curiosidades


Sabia que o seu bronzeado não pode só ser atribuído ao Sol? Dos fotões que chegam à Terra, a cada segundo, por metro quadrado: 1x10^21 vêm do Sol, 3x10^20 são refletidos e espalhados pelo céu, 1x10^14 são refletidos por poeira no Sistema Solar e 1x10^10 são emitidos por fontes extra-galácticas. Adicionalmente, 1x10^16 fotões são remanescentes do Big Bang, só que estes não contribuem para o bronzeado.

 
 
   
ALMA observa a galáxia mais distante parecida com a Via Láctea
 
Com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia muito distante e consequentemente muito jovem, bastante parecida com a nossa Via Láctea. Esta galáxia, SPT0418-47, sofre do efeito de lente gravitacional devido à existência de uma galáxia mais próxima de nós alinhada com ela, aparecendo-nos no céu como um anel de luz quase perfeito.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Rizzo et al.
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) do qual o ESO é parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia muito distante e consequentemente muito jovem, bastante parecida com a nossa Via Láctea. A galáxia encontra-se tão afastada que a sua luz demorou mais de 12 mil milhões de anos a chegar até nós. Estamos por isso a observá-la tal como era quando o Universo tinha apenas 1,4 mil milhões de anos. Surpreendentemente, esta galáxia mostra-se também pouco caótica, o que contradiz as teorias que apontam para que todas as galáxias no Universo primordial sejam turbulentas e instáveis. Esta descoberta inesperada desafia a nossa compreensão de como é que as galáxias se formam, dando-nos pistas sobre o passado do nosso Universo.

"Este resultado constitui um enorme avanço na área da formação de galáxias, mostrando que as estruturas que observamos em galáxias espirais próximas e na nossa própria Via Láctea já existiam há 12 mil milhões de anos atrás," disse Francesca Rizzo, estudante de doutoramento no Instituto Max Planck de Astrofísica, Alemanha, e líder deste trabalho de investigação publicado anteontem na revista Nature. Apesar de não apresentar braços em espiral, a galáxia que os astrónomos estudaram (SPT0418-47) possui, no entanto e pelo menos, duas estruturas típicas da nossa Via Láctea: um disco em rotação e um bojo — um enorme grupo de estrelas aglomeradas de forma muito compacta em torno do centro galáctico. Trata-se da primeira vez que um bojo é visto tão cedo na história do Universo, fazendo de SPT0418-47 a galáxia semelhante à Via Láctea mais distante observada até à data.

"A grande surpresa foi descobrir que esta galáxia é de facto muito semelhante a galáxias próximas, contrariamente a todas as expetativas baseadas em modelos e observações anteriores menos detalhadas," diz o coautor Fillippo Fraternali do Instituto Astronómico Kapteyn da Universidade de Groningen, Holanda. No Universo primordial, as galáxias jovens estão ainda no processo de formação, por isso os investigadores esperavam que se mostrassem caóticas e sem estruturas distintas típicas de galáxias mais maduras como a Via Láctea.

 
Com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia muito distante e consequentemente muito jovem, bastante parecida com a nossa Via Láctea. Esta galáxia, SPT0418-47, sofre do efeito de lente gravitacional devido à existência de uma galáxia mais próxima de nós alinhada com ela, aparecendo-nos no céu como um anel de luz quase perfeito. A equipa de investigadores reconstruiu a verdadeira forma da galáxia longínqua, que podemos ver nesta imagem, e o movimento do seu gás a partir dos dados ALMA, usando uma nova técnica de modelo de computador.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Rizzo et al.
 

É fundamental estudar galáxias distantes como SPT0418-47 para compreendermos como é que as galáxias se formam e evoluem. Esta galáxia encontra-se tão afastada de nós que a observamos quando o Universo tinha apenas 10% da sua idade atual, ou seja, a sua luz demorou 12 mil milhões de anos a chegar à Terra. Ao estudar este objeto, estamos a olhar para trás no tempo, para uma época em que estas galáxias bebés começavam a desenvolver-se.

Uma vez que estas galáxias se encontram tão distantes, obter observações detalhadas, mesmo com os telescópios mais potentes, é quase impossível já que nos aparecem muito pequenas e ténues. A equipa superou este obstáculo ao usar uma galáxia próxima como uma lente poderosa — um efeito conhecido por lente gravitacional — o que permitiu ao ALMA observar um passado distante com um detalhe sem precedentes. Neste efeito, a atração gravitacional da galáxia próxima distorce e curva a luz da galáxia distante, fazendo com que esta nos apareça deformada, mas bastante ampliada.

A galáxia longínqua gravitacionalmente distorcida e ampliada aparece-nos sob a forma de um anel de luz quase perfeito situado em torno da galáxia próxima, o que ocorre devido ao alinhamento quase exato entre estes dois objetos. A equipa de investigadores reconstruiu a verdadeira forma da galáxia longínqua e o movimento do seu gás a partir dos dados ALMA, usando uma nova técnica de modelo de computador. "Quando vi pela primeira vez a imagem reconstruída de SPT0418-47 quase que não podia acreditar: era como uma arca do tesouro a abrir-se," comenta Rizzo.

"O que descobrimos era bastante intrigante; apesar de estar a formar estrelas a uma taxa elevada e, consequentemente, ser um local de processos altamente energéticos, SPT0418-47 é a galáxia de disco mais bem ordenada que alguma vez observámos no Universo primordial," explica a coautora Simona Vegetti, também do Instituto Max Planck de Astrofísica. "Este resultado é bastante inesperado e tem implicações importantes na forma como pensamos que as galáxias evoluem." Contudo, os astrónomos referem que, apesar de SPT0418-47 ter um disco e outras estruturas semelhantes às galáxias espirais que vemos atualmente, esta galáxia evoluirá muito provavelmente para uma galáxia muito diferente da Via Láctea, juntando-se à classe das galáxias elípticas, outro tipo de galáxias que, juntamente com as espirais, existe no Universo atual.

 
Com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia muito distante e consequentemente muito jovem, bastante parecida com a nossa Via Láctea. Esta galáxia, SPT0418-47, sofre do efeito de lente gravitacional devido à existência de uma galáxia mais próxima de nós alinhada com ela, aparecendo-nos no céu como um anel de luz quase perfeito (à esquerda). A equipa de investigadores reconstruiu a verdadeira forma da galáxia longínqua e o movimento do seu gás (à direita) a partir dos dados ALMA, usando uma nova técnica de modelo de computador. As observações indicam que SPT0418-47 é uma galáxia de disco com um bojo central, estando a matéria a rodar em torno do seu centro. O gás que se afasta de nós está assinalado a vermelho, enquanto o gás que se aproxima do observador está a azul.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Rizzo et al.
 

Esta descoberta inesperada sugere que o Universo primordial pode não ser tão caótico como se pensava, levantando muitas questões sobre como é que uma galáxia tão bem ordenada se pode ter formada tão cedo após o Big Bang. Esta descoberta do ALMA vem no seguimento de uma descoberta anterior anunciada em maio de um disco massivo em rotação observado a uma distância semelhante. SPT0418-47 observa-se, no entanto, com muito mais detalhe, graças ao efeito de lente gravitacional, e possui um bojo juntamente com o disco, o que a torna muito mais similar à nossa Via Láctea atual do que o objeto estudado anteriormente.

Estudos futuros, incluindo com o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, tentarão descobrir quão típicas são estas galáxias de disco "bebés" e se são normalmente menos caóticas do que o previsto, o que abrirá novos caminhos que permitirão aos astrónomos descobrir como é que as galáxias evoluem.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)
// ESOcast 228: ALMA observa a galáxia mais distante parecida com a Via Láctea (ESO via YouTube)

 


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Mistério resolvido: áreas brilhantes de Ceres vêm de água salgada por baixo
 
Imagens da Cratera Occator, vista em cores falsas, reunidas para criar esta animação.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MMPS/DLR/IDA
 

A sonda Dawn da NASA deu aos cientistas vistas extraordinárias do planeta anão Ceres, que fica na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter. Quando a missão terminou em outubro de 2018, o orbitador encontrava-se a menos de 35 km da superfície, revelando detalhes nítidos das misteriosas regiões brilhantes pelas quais Ceres ficou conhecido.

Os cientistas descobriram que as áreas brilhantes eram depósitos constituídos principalmente de carbonato de sódio - um composto de sódio, carbono e oxigénio. Provavelmente tiveram origem num líquido que se infiltrou até à superfície e se evaporou, deixando para trás uma crosta altamente refletiva de sal. Mas o que ainda não haviam determinado era a origem desse líquido.

Analisando dados recolhidos perto do final da missão, os cientistas da Dawn concluíram que o líquido veio de um reservatório profundo de salmoura, ou água enriquecida com sal. Ao estudar a gravidade de Ceres, os cientistas aprenderam mais sobre a estrutura interna do planeta anão e foram capazes de determinar que o reservatório de salmoura tem cerca de 40 km de profundidade e centenas de quilómetros de largura.

Ceres não beneficia do aquecimento interno gerado por interações gravitacionais com um grande planeta, como é caso de algumas luas geladas do Sistema Solar exterior. Mas a nova investigação, que se concentra na Cratera Occator de Ceres (com 92 km de diâmetro) - o lar das áreas brilhantes mais extensas - confirma que Ceres é um mundo rico em água como estes outros corpos gelados.

 
Este mosaico usa cores falsas para realçar a salmoura exposta recentemente, líquidos salgados, que foram empurrados de um reservatório subterrâneo por baixo da crosta de Ceres. Nesta imagem de uma região da Cratera Occator, aparece avermelhada.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
 

As descobertas, que também revelam a extensão da atividade geológica na Cratera Occator, foram publicadas numa coleção especial de artigos das revistas Nature Astronomy, Nature Geoscience e Nature Communications no passado dia 10 de agosto.

"A Dawn alcançou muito mais do que esperávamos quando embarcou na sua extraordinária expedição extraterrestre," disse Marc Rayman, diretor da missão no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Estas novas e empolgantes descobertas no final da sua longa e produtiva missão são um tributo maravilhoso a este notável explorador interplanetário."

 
Este mosaico da Cratera Occator de Ceres é composto por imagens capturadas pela missão Dawn da NASA durante a sua segunda missão estendida, em 2018. Regiões brilhantes e montes (no plano da frente) foram formados pela libertação de líquidos salgados enquanto o chão rico em água de Occator congelava depois do impacto que criou a cratera há aproximadamente 20 milhões de anos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/USRA/LPI
 

Resolvendo o mistério brilhante

Muito antes da Dawn chegar a Ceres em 2015, os cientistas notaram regiões brilhantes difusas com telescópios, mas a sua natureza era desconhecida. A partir de órbita, a Dawn capturou imagens de duas áreas distintas e altamente refletivas dentro da Cratera Occator, que foram posteriormente designadas Cerealia Facula e Vinalia Faculae ("Faculae" quer dizer áreas brilhantes).

Os cientistas sabiam que os micrometeoritos atingem frequentemente a superfície de Ceres, alterando-a e deixando detritos. Com o tempo, esse tipo de ação deve escurecer estas áreas brilhantes. Portanto, o seu brilho indica que provavelmente são jovens. Tentar entender a origem das áreas e como o material pode ser tão novo, foi o foco principal da missão estendida final da Dawn, de 2017 a 2018.

A investigação não só confirmou que as regiões brilhantes são jovens - algumas com menos de 2 milhões de anos; também descobriu que a atividade geológica que conduz estes depósitos pode estar ainda a ocorrer. Esta conclusão dependia de uma descoberta científica: compostos de sal (cloreto de sódio quimicamente ligado com água e cloreto de amónio) concentrados em Cerealia Facula.

À superfície de Ceres, os sais contendo água desidratam rapidamente, em centenas de anos. Mas as medições da Dawn mostram que ainda têm água, de modo que os fluídos devem ter chegado à superfície muito recentemente. Isto é evidência da presença de líquido por baixo da região da Cratera Occator e da transferência contínua de material do interior profundo para a superfície.

Os cientistas descobriram duas vias principais que permitem que os líquidos cheguem à superfície. "Para o grande depósito em Cerealia Facula, a maior parte dos sais foi fornecida por uma área 'lamacenta' logo abaixo da superfície que foi derretida pelo calor do impacto que formou a cratera há aproximadamente 20 milhões de anos," disse Carol Raymond, investigadora principal da Dawn. "O calor do impacto diminuiu após alguns milhões de anos; no entanto, o impacto também criou grandes fraturas que podem atingir o reservatório antigo e profundo, permitindo que a salmoura continuasse a infiltrar-se até à superfície."

Geologia ativa: recente e invulgar

No nosso Sistema Solar, a atividade geológica gelada ocorre principalmente nas luas geladas, onde é impulsionada pelas suas interações gravitacionais com os planetas. Mas este não é o caso com o movimento de salmouras até à superfície de Ceres, sugerindo que outros grandes corpos ricos em gelo, que não são luas, também podem estar ativos.

Algumas evidências de líquidos recentes na Cratera Occator vêm de depósitos brilhantes, mas outras pistas vêm de uma variedade de colinas cónicas interessantes que fazem lembrar os pingos, pequenas montanhas de gelo nas regiões polares formadas por água gelada subterrânea pressurizada. Tais características foram encontradas em Marte, mas a sua descoberta em Ceres assinala a primeira vez que foram observadas num planeta anão.

Numa escala maior, os cientistas foram capazes de mapear a densidade da estrutura da crosta de Ceres em função da profundidade - a primeira vez que tal acontece para um corpo planetário rico em gelo. Usando medições de gravidade, descobriram que a densidade crustal de Ceres aumenta significativamente com a profundidade, muito além do simples efeito de pressão. Os investigadores inferiram que, ao mesmo tempo que o reservatório de Ceres congela, o sal e a lama incorporam-se na parte inferior da crosta.

A Dawn é a única nave espacial a orbitar dois destinos extraterrestres - Ceres e o asteroide gigante Vesta - graças ao seu sistema eficiente de propulsão iónica. Quando a Dawn usou todo o seu combustível, hidrazina, para um sistema que controla a sua orientação, não foi capaz de apontar para a Terra para comunicações nem apontar os seus painéis solares para o Sol a fim de produzir energia elétrica. Dado que se descobriu que Ceres tem materiais orgânicos à superfície e líquido subterrâneo, as regras de proteção planetária exigiram que a Dawn fosse colocada numa órbita de longa duração que a impedisse de colidir com o planeta anão durante décadas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #2 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #3 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #4 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #5 (Nature Communications)
// Artigo científico #6 (Nature Communications)
// Artigo científico #7 (Nature Geoscience)

 


Saiba mais

Cobertura da missão Dawn pelo CCVAlg - Astronomia:
06/11/2018 - Missão Dawn chega ao fim
14/09/2018 - O legado da sonda Dawn, perto do fim da missão
16/06/2018 - Matéria orgânica em Ceres pode ser mais abundante do que se pensava inicialmente
15/12/2017 - Áreas brilhantes em Ceres sugerem atividade geológica
14/11/2017 - Dawn explora a evolução do interior de Ceres
31/10/2017 - Dawn encontra possíveis restos de um antigo oceano em Ceres
24/03/2017 - Gelo nas crateras permanentemente à sombra de Ceres ligado ao passado da inclinação axial
07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
21/02/2017 - Dawn descobre evidências de materiais orgânicos em Ceres
20/12/2016 - Onde está o gelo de Ceres? Novos achados da Dawn
05/08/2016 - O que está dentro de Ceres? Novas descobertas a partir de dados de gravidade
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides 

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TESS completa a sua missão principal
 
O TESS da NASA, visto aqui nesta impressão de artista, identifica exoplanetas em órbita das estrelas mais brilhantes e próximas. Isto permite com que telescópios terrestres e o futuro Telescópio Espacial James Webb façam observações de acompanhamento a fim de caracterizar as suas atmosferas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

No dia 4 de julho, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA completou a sua missão principal, observando cerca de 75% do céu estrelado como parte de um levantamento de dois anos. Ao capturar este mosaico gigante, o TESS encontrou 66 novos exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar, bem como cerca de 2100 candidatos que os astrónomos estão a trabalhar para confirmar.

"O TESS está a produzir um 'dilúvio' de observações de alta qualidade, fornecendo dados valiosos numa ampla gama de tópicos científicos," disse Patricia Boyd, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Já é um sucesso estrondoso, mesmo antes de entrar na sua missão estendida."

O TESS monitoriza faixas do céu com 24 por 96 graus, chamadas sectores, durante cerca de um mês, usando as suas quatro câmaras. A missão passou o seu primeiro ano observando 13 sectores que abrangem o céu do hemisfério sul e depois passou mais um ano a observar o céu do hemisfério norte.

Agora na sua missão estendida, o TESS voltou-se para retomar a observação do hemisfério sul. Além disso, a equipa do TESS introduziu melhorias na maneira como o satélite recolhe e processa dados. As suas câmaras capturam agora uma imagem completa a cada 10 minutos, três vezes mais depressa do que durante a missão principal. Um novo modo rápido permite que o brilho de milhares de estrelas seja medido a cada 20 segundos, juntamente com o método anterior de recolher estas observações de dezenas de milhares de estrelas a cada dois minutos. As medições mais rápidas vão permitir que o TESS resolva com mais eficácia as mudanças de brilho provocadas por oscilações estelares e capture proeminências explosivas de estrelas ativas com mais detalhes.

Estas mudanças permanecerão em vigor durante a missão estendida, que será dada como concluída em setembro de 2022. Depois de passar um ano a observar o céu do hemisfério, o TESS passará outros 15 meses a recolher observações adicionais do hemisfério Norte e a pesquisar áreas ao longo da eclíptica - o plano da órbita da Terra em torno do Sol - que o satélite ainda não fotografou.

O TESS procura trânsitos, o escurecimento revelador de uma estrela provocada quando um planeta em órbita passa em frente dela a partir do nosso ponto de vista. Entre as mais recentes descobertas planetárias da missão está o seu primeiro mundo do tamanho da Terra, de nome TOI 700 d, localizado na zona habitável da sua estrela, a gama de distâncias em que as condições podem ser as ideais para permitir água líquida à superfície. O TESS revelou um planeta recém-formado em torno da jovem estrela AU Microscopii e encontrou um mundo do tamanho de Neptuno em órbita de dois sóis.

Além das suas descobertas planetárias, o TESS observou o surto de um cometa no nosso Sistema Solar, bem como os de inúmeras estrelas. O satélite descobriu eclipses inesperados num sistema estelar binário bem conhecido, resolveu um mistério sobre uma classe de estrelas pulsantes e explorou um mundo que passa por estações moduladas pela sua estrela. Ainda mais notável, o TESS observou um buraco negro numa galáxia distante despedaçar uma estrela parecida com o Sol.

Missões com a do TESS ajudam a contribuir para o campo da astrobiologia, a pesquisa interdisciplinar sobre as variáveis e condições de mundos distantes que poderiam abrigar vida como a conhecemos, e que forma essa vida poderia assumir.

// NASA (comunicado de imprensa)
// TESS completa a sua missão principal (NASA Goddard via YouTube)


Saiba mais

Cobertura da missão do TESS pelo CCVAlg - Astronomia:
30/03/2018 - NASA prepara o lançamento da próxima missão a procurar novos mundos
17/04/2018 - Estamos sozinhos? O novo caçador de planetas da NASA tem como objetivo descobrir
20/04/2018 - Caçador de planetas da NASA a caminho de órbita
22/05/2018 - Novo caçador de planetas da NASA passa pela Lua e obtém imagem inicial de testes
11/01/2019 - TESS da NASA descobre novos exoplanetas, "apanha" distantes supernovas
02/04/2019 - Fluxo de dados da missão TESS leva à descoberta de um planeta do tamanho de Saturno
19/04/2019 - TESS descobre o seu primeiro planeta do tamanho da Terra
11/06/2019 - Missão espacial TESS descobre cinco estrelas raras
02/07/2019 - TESS encontra o seu exoplaneta mais pequeno até agora
23/07/2019 - Observação de supernova, a primeira do seu tipo, usando um satélite da NASA
30/07/2019 - Missão TESS completa primeiro ano de observações, vira-se para o céu do hemisfério norte
02/08/2019 - Astrónomos encontram sistema exoplanetário próximo com um mundo habitável
02/08/2019 - TESS da NASA marca "hat trick" com 3 novos mundos
23/08/2019 - Exoplaneta rochoso e do tamanho da Terra não tem atmosfera
01/10/2019 - Missão TESS da NASA avista o seu primeiro buraco negro destruidor de estrelas
29/10/2019 - Os meus três "sóis"
01/11/2019 - Missão espacial TESS revela planeta improvável
08/11/2019 - TESS apresenta panorama do céu do hemisfério sul
10/01/2020 - TESS encontra o seu primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável
21/01/2020 - TESS determina idade de antiga colisão com a Via Láctea
31/01/2020 - Como os modelos climáticos da Terra ajudam os cientistas a imaginar vida em mundos inimagináveis
05/05/2020 - Este planeta superquente não tem céus azuis
19/05/2020 - TESS da NASA permite estudo inovador de pulsações estelares confusas
26/06/2020 - TESS e Spitzer descobrem um mundo em órbita de jovem estrela única
03/07/2020 - Primeiro núcleo exoplanetário exposto permite vislumbrar outros mundos
03/07/2020 - TESS da NASA fornece novas ideias sobre um mundo ultra-quente
24/07/2020 - Redescoberta de mundo "perdido" é um passo em frente para encontrar planetas habitáveis

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

TOI 700:
Wikipedia
TOI 700 b (Exoplanet.eu)
TOI 700 c (Exoplanet.eu)
TOI 700 d (Exoplanet.eu)
TOI 700 d (Wikipedia)

AU Mic:
Wikipedia
AU Mic b (Exoplanet.eu)

 
   
Também em destaque
  Explicando glaciares de metano e azoto sólido em Plutão (via ANSTO)
Os cientistas relataram, pela primeira vez, como o azoto e o metano sólido crescem em resposta a mudanças de temperatura e resolveram uma ambiguidade histórica no que toca à estrutura do azoto. A investigação também fornece evidências de mudanças inesperadas na orientação dos grãos de metano e azoto sólido após o aquecimento, que indicou que os grãos podem estar a crescer. O estudo foi inspirado pela missão New Horizons, que passou por Plutão há cinco anos, descobrindo glaciares de azoto e metano sólido à superfície do planeta anão. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - As Caudas em Mudança do Cometa NEOWISE
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ignacio Llorens
 
Fique de olho na cauda de iões do Cometa NEOWISE. Uma história desta cauda é a trilha da Terra. Como acontece com todos os cometas, a cauda azul de iões aponta sempre para longe do Sol. Mas, à medida que o Cometa C/2020 F3 (NEOWISE) dava a volta ao Sol, a sua cauda iónica apontava em direções ligeiramente diferentes. Isto ocorre porque entre 17 de julho e 25 de julho, quando as exposições foram obtidas, a Terra moveu-se visivelmente na sua órbita em torno do Sol. Mas o movimento da Terra fez o Sol parecer mover-se no céu. Portanto, embora não possamos ver diretamente o Sol nas imagens, as direções da cauda de iões revelam esta aparente mudança solar. O movimento aparente do Sol está na eclíptica, o plano comum onde todos os planetas orbitam. A composição de cinco imagens aqui em destaque foi meticulosamente montada para colocar com precisão cada imagem do cometa - e as cinco posições solares extrapoladas - numa única imagem de primeiro plano da Montanha Turó de l'Home, a norte de Barcelona, Espanha. O Cometa NEOWISE já não é o mais impressionante objeto a olho nu que era no mês passado, mas ainda pode ser encontrado com um pequeno telescópio enquanto regressa ao Sistema Solar exterior.
 
   
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