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Edição n.º 982
02/08 a 05/08/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/08: 214.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Valery Bykovsky, cosmonauta soviético que voou em três missões espaciais: Vostok 5, Soyuz 22 e Soyuz 31.

Detém ainda o recorde de maior tempo passado no espaço, sozinho: cinco dias em órbita, a bordo da Vostok 5 em 1963.
Observações: À medida que o Verão começa a desvanecer, a Ursa Maior pendura-se diagonalmente na parede do céu a Noroeste após o anoitecer. Está mais ou menos à mesma altura que Arcturo, brilhando para a esquerda a Oeste.

Dia 03/08: 215.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.

Em 1999, o asteróide 1566 Icarus passava à distância mínima da Terra de 0,651 UA.
Observações: Antes do amanhecer de Sábado, a Lua encontra-se um pouco para cima e para a direita de Júpiter, Marte e Mercúrio, baixos a Este-Nordeste.

Dia 04/08: 216.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2007, a NASA lançava a sonda espacial Phoenix, cujo objectivo era procurar moléculas de água no Pólo Norte de Marte.

Observações: Ao amanhecer de hoje a Lua, mais fina, está para baixo de Júpiter e Marte.

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864 Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II.).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969 a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3518 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973 é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de Março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, a quebra do cometa Linear 1999/S4 é capturada pelo Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Vega e Lira brilham alto à noite para observadores a latitudes médias Norte. Conhece os dois objectos de Messier de Lira? A Nebulosa do Anel, M57, é bastante conhecida e fácil de encontrar. Mas e o enxame M56?

 
CURIOSIDADES


Encelado tem um diâmetro de apenas 500 km. A imagem compara o tamanho da lua com a Grã-Bretanha.

 
CASSINI REVELA FORÇAS QUE CONTROLAM JACTOS DE LUA DE SATURNO

De acordo com dados obtidos pela sonda Cassini da NASA, a intensidade dos jactos de água gelada e partículas orgânicas disparadas para fora da lua de Saturno, Encelado, depende da proximidade da lua com o planeta dos anéis.

A descoberta acrescenta às evidências de que um reservatório de água no estado líquido ou um oceano se esconde sob a superfície gelada da lua. Esta é a primeira observação clara de que a brilhante pluma que emana do Pólo Sul de Encelado varia de modo previsível. Os resultados foram publicados na edição desta semana da revista Nature.

"Os jactos de Encelado, aparentemente, funcionam como uma mangueira ajustável num jardim," afirma Matt Hedman, autor principal do artigo e cientista da equipa da Cassini, com base na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. "A boca está quase fechada quando Encelado está mais próximo de Saturno e mais aberta quando a lua está mais distante. Pensamos que isto tem a ver com o modo como Saturno aperta e solta a lua com a sua gravidade."

Este conjunto de imagens obtidas pela sonda Cassini mostram como a atracção gravitacional de Saturno afecta os jactos oriundos da lua Encelado.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Cornell/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Cassini, em órbita de Saturno desde 2004, descobriu os jactos que formam a pluma em 2005. A água gelada e as partículas orgânicas espirram por várias fendas estreitas apelidadas de "listras de tigre".

"A forma como os jactos reagem tão receptivamente a mudanças das tensões sobre Encelado sugere que têm origem num grande corpo de água líquida," afirma Christophe Sotin, co-autor e membro da equipa da Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "A água líquida é fundamental para o desenvolvimento da vida na Terra, por isso estas descobertas aguçam o apetite de saber se existe vida em todos os lugares onde a água esteja presente no estado líquido."

Durante anos os cientistas colocaram a hipótese dos jactos provavelmente variarem com o tempo, mas ninguém tinha sido capaz de mostrar que mudavam num padrão reconhecível. Hedman e colegas foram capazes de ver as mudanças ao examinar dados infravermelhos da pluma como um todo, obtidos pelo espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho da Cassini (VIMS), e estudando os dados recolhidos durante um longo período de tempo.

Os cientistas da Cassini usaram imagens como esta para ajudar a identificar as fontes dos jactos individuais que expelem partículas de gelo, vapor de água e compostos orgânicos da superfície da lua de Saturno, Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
 

O instrumento VIMS, que permite a análise de uma vasta gama de dados, incluindo a composição de hidrocarbonetos na superfície de outra lua saturniana, Titã, e dos sinais sismológicos das vibrações de Saturno nos seus anéis, recolheu mais de 200 imagens da pluma de Encelado entre 2005 e 2012.

Estes dados mostram que a pluma estava mais fraca quando a lua se encontrava no ponto mais próximo da sua órbita em torno de Saturno. A pluma gradualmente aumentou de brilho até que Encelado estava no ponto mais distante, onde era três a quatro vezes mais brilhante que a detecção mais fraca. Isto é comparável à deslocação de um corredor escuro até um quarto bem iluminado.

Plumas dramáticas, tanto grande como pequenas, esguicham água gelada a partir de muitos locais ao longo das famosas "listras de tigre" perto do Pólo Sul de Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
 

Acrescentando os dados do brilho a modelos anteriores de como Saturno aperta Encelado, os cientistas deduziram que o aperto gravitacional mais forte, perto do planeta, reduz a abertura das listras de tigre e a quantidade de material pulverizado. Eles acham que o relaxamento da gravidade de Saturno, mais longe do planeta, permite com que as listras de tigre fiquem mais abertas e que o spray escape em maiores quantidades.

"O tempo que a Cassini tem passado em torno de Saturno mostrou-nos quão activos e caleidoscópicos são o planeta, os seus anéis e as suas luas," afirma Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL. "Percorremos um longo caminho desde que a aparência plácida de Saturno foi pela primeira vez espiada por Galileu através do seu telescópio. Nós esperamos aprender mais sobre as forças que aqui actuam como um microcosmo de como o nosso Sistema Solar se formou."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
29/07/2011 - Chuva de Saturno cai da lua Encelado
24/06/2011 - Cassini captura spray oceânico em lua de Saturno
08/03/2011 - Cassini descobre que Encelado é um verdadeiro poço de energia
26/02/2010 - Cassini descobre pletora de plumas e zonas quentes em Encelado
24/07/2009 - Lua de Saturno mostra evidências de amónia
26/06/2009 - Descoberta de sais pela Cassini aponta para oceano por baixo de Encelado
29/11/2008 - Jactos de Encelado - molhados ou apenas selvagens?
16/08/2008 - Cassini observa fonte dos jactos em Encelado
13/08/2008 - Cassini revisita lua gelada de Saturno
09/08/2008 - Cassini prepara-se para passar novamente por Encelado
29/03/2008 - Cassini prova material orgânico de Encelado
15/03/2008 - Cassini voa pelas plumas de Encelado
14/03/2007 - Um começo quente pode explicar os geysers de Encelado
10/03/2006 - Cassini encontra sinais de água líquida em lua de Saturno
09/12/2005 - Lua activa de Saturno entusiasma astrónomos
02/12/2005 - Vulcões de gelo em Encelado
18/03/2005 - Cassini descobre atmosfera em Encelado
15/03/2005 - Imagens mais recentes do sistema saturniano

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG
ScienceNews
ScienceDaily
ars technica

Encelado:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
CHANDRA VÊ PLANETA ECLIPSANTE PELA PRIMEIRA VEZ EM RAIOS-X

Pela primeira vez desde que os exoplanetas, ou planetas em torno de estrelas que não o Sol, começaram a ser descobertos há quase 20 anos atrás, observações de raios-X detectaram um exoplaneta que passa em frente da sua estrela-mãe.

Um alinhamento vantajoso de um planeta e da sua estrela-mãe no sistema HD 189733, que está a 63 anos-luz da Terra, permitiu com que o Observatório de raios-X Chandra da NASA e o Observatório XMM-Newton da ESA observassem uma queda na intensidade de raios-X à medida que o planeta transitava a estrela.

"Milhares de candidatos a planeta foram vistos a transitar mas apenas no visível," afirma Katja Poppenhaeger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) em Cambridge, no estado americano de Massachusetts, que liderou um novo estudo que será publicado na edição de 10 de Agosto da revista Astrophysical Journal. "É importante sermos finalmente capazes de estudar em raios-X porque revela novas informações acerca das propriedades de um exoplaneta."

Usando o Chandra e o XMM-Newton, astrónomos detectaram um exoplaneta passando em frente da sua estrela pela primeira vez em raios-X. Esta impressão de artista mostra HD 189733b, um "Júpiter quente" que completa uma revolução a cada 2,2 dias. A ilustração também revela a presença de uma ténue companheira vermelha no sistema.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/SAO/K. Poppenhaeger et al; ilustração: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa usou o Chandra para observar seis trânsitos e dados de uma observação do XMM-Newton.

O planeta, conhecido como HD 189733b, é um "Júpiter quente", o que significa que é similar em tamanho com Júpiter, mas numa órbita muito próxima à sua estrela. HD 189733b está mais de 30 vezes mais perto da sua estrela-mãe do que a Terra está do Sol. Completa uma órbita a cada 2,2 dias.

HD 189733b é o Júpiter quente mais próximo da Terra, o que o torna num alvo preferencial para astrónomos que querem aprender mais sobre este tipo de planeta extrasolar e sobre a sua atmosfera. Usaram o telescópio Kepler da NASA para o estudar em comprimentos de onda ópticos, e o Telescópio Hubble para confirmar que tem cor azul como resultado da dispersão preferencial da luz azul por partículas de silicato na sua atmosfera.

O estudo com o Chandra e o XMM-Newton revelou pistas do tamanho da atmosfera do planeta. O observatório viu que a quantidade de radiação diminuía durante os trânsitos. A diminuição de raios-X foi três vezes maior do que a correspondente diminuição no visível.

"Os dados em raios-X sugerem que existem camadas espessas na atmosfera do planeta que são transparentes à luz óptica, mas opacas a raios-X, afirma o co-autor Jurgen Schmitt do Observatório de Hamburgo, Alemanha. "No entanto, precisamos de mais dados para confirmar esta ideia."

Os investigadores estão também aprendendo como o planeta e a estrela se podem afectar um ao outro.

Os astrónomos já sabem há cerca de uma década que a radiação ultravioleta e em raios-X da estrela principal em HD 189733 está a evaporar a atmosfera de HD 189733b com o passar do tempo. Os autores estimam que está a perder entre 100 e 600 milhões de quilogramas de massa por segundo. A atmosfera de HD 189733b parece diminuir entre 25 e 65% mais depressa do que seria se a atmosfera do planeta fosse mais pequena.

"A grande atmosfera deste planeta torna-o num alvo maior de radiação altamente energética oriunda da sua estrela, por isso ocorre mais evaporação," afirma o co-autor Scott Wolk, também do CfA.

A estrela principal em HD 189733 tem também uma ténue companheira vermelha, detectada pela primeira vez em raios-X com o Chandra. As estrelas provavelmente formaram-se ao mesmo tempo, mas a estrela principal parece ser entre 3 e 3,5 mil milhões de anos mais jovem que a sua companheira porque gira mais rápido, apresenta níveis mais elevados de actividade magnética e é cerca de 30 vezes mais brilhante em raios-X do que a sua companheira.

"Esta estrela não parece ter a idade que tem, e ter um grande planeta como 'filho' pode ser a explicação," afirma Poppenhaeger. "É possível que este Júpiter quente mantenha a alta rotação e a alta actividade magnética da estrela devido às forças de maré, o que a leva a comportar-se como uma estrela muito mais jovem."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
16/07/2013 - Hubble descobre um planeta realmente azul
05/02/2010 - Nova técnica para detectar planetas extrasolares "tipo-Terra"
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter-quente" extrasolar
03/12/2008 - Hubble descobre dióxido de carbono num planeta extrasolar
22/03/2008 - Detectada a primeira molécula orgânica num planeta extrasolar
13/02/2008 - Detectadas moléculas orgânicas pela primeira vez num planeta extrasolar
14/07/2007 - Descoberta água em planeta extrasolar
11/10/2005 - O melhor trânsito exoplanetário até agora


Notícias relacionadas:
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
SPACE.com
Astronomy
redOrbit
Sky & Telescope
science 2.0
Universe Today
Discovery News
ars technica

HD 189733b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Lua por Cima de Andrómeda
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam Block e Tim Puckett
 
A grande galáxia espiral de Andrómeda (também conhecida como M31), a apenas 2,5 milhões de anos-luz de distância, é a espiral mais próxima da nossa Via Láctea. Andrómeda é visível a olho nu como uma pequena mancha, ténue e desfocada, mas dado que o seu brilho é tão baixo, os observadores casuais do céu não conseguem apreciar o impressionante tamanho da galáxia no céu do planeta Terra. Esta divertida composição compara o tamanho angular da galáxia vizinha com uma visão celeste mais brilhante e familiar. Aqui, uma exposição profunda de Andrómeda traça os lindos enxames estelares azuis nos braços espirais bem para lá do seu núcleo amarelado, é combinada com uma imagem típica de uma Lua quase Cheia. À mesma escala angular, a Lua cobre cerca de 1/2 grau no céu, enquanto a Galáxia de Andrómeda tem claramente várias vezes esse tamanho. A exposição profunda de M31 também inclui dois satélites galácticos brilhantes, M32 e M110.
 

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