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Edição n.º 1385
16/06 a 19/06/2017
 
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30/06/17 - DIA DO ASTEROIDE - OBSERVAÇÃO NOTURNA
20:30 - Palestra e sessão de observação às estrelas comemorativa do dia do asteroide. No dia em que se comemora o Dia Internacional do Asteroide, promovido pela ONU, o Centro Ciência Viva do Algarve promove uma palestra com observação astronómica noturna com telescópio para toda a Família (dependente de meteorologia favorável). Este evento encontra-se inserido na Noite Europeia dos Investigadores e é completamente gratuito mediante inscrição.
Local: CCVAlg
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 16/06: 167.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático soviético, conhecido pela sua teoria da expansão do Universo, regida por um conjunto de equações por ele desenvolvidas, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado norte-americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.

O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteroide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias.
Observações: Depois do anoitecer, Altair já brilha a este. À distância de um dedo para cima ou para cima e para a sua esquerda encontra-se Tarazed (Gamma Aquilae), uma gigante laranja. Altair encontra-se a 17 anos-luz; Tarazed está a 460.

Dia 17/06: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteroide Hagar (682).
Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, ao fim de 17 dias, quebra o anterior recorde (com cinco anos) de mais tempo passado no espaço.
Em 1985, lançamento da missão STS-51-G.

A bordo seguia o sultão Salman Al Saud da Arábia Saudita, o primeiro árabe, muçulmano e primeiro membro de uma família real no espaço.
Observações: Neptuno estacionário, pelas 00:00.
Lua em Quarto Minguante, pelas 12:33.

Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges de Canterbury assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.

Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano. 
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.  
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Observações: Olhe bem alto a nordeste em busca da Ursa Maior, apoiada na sua "pega". A estrela do meio da "pega" é Mizar, acompanhada da pequena Alcor mesmo ao lado. De que lado de Mizar deve procurar Alcor? Como sempre, no lado virado para Vega! Que brilha agora a este-nordeste.

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).

Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6.
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Será que consegue observar o grande enxame estelar de Cabeleira de Berenice? Será que é a poluição luminosa que o esconde, ou não sabe exatamente onde procurar? Está atualmente a oeste depois do anoitecer; procure a cerca de 40% do caminho entre Denébola (cauda de Leão) e o fim da "pega" da "frigideira" de Ursa Maior. Os seus membros mais brilhantes formam um Y invertido. O enxame mede mais ou menos 5º em largura - um brilho grande mas ténue que pode ser observado, no mínimo, com um céu moderadamente escuro. As suas estrelas dispersas preenchem quase um campo de visão binocular.

 
CURIOSIDADES


Embora não exista um limite definido, considera-se que uma estrela, para poder formar, uma supernova terá que ter mais que 8 massas solares.

 
EQUIPA DA NEW HORIZONS EXAMINA NOVOS DADOS DO PRÓXIMO ALVO DA SONDA

Foi a campanha de observação de uma ocultação estelar mais tecnicamente desafiadora e complexa já tentada: pelo menos 54 equipas, com dúzias de telescópios espalhados por dois continentes, posicionados para capturar um vislumbre raro e de dois segundos de um pequeno e distante objeto da cintura de Kuiper a passar em frente de uma estrela. E não era um qualquer KBO - é o próximo alvo da missão New Horizons da NASA.

Paul Maley e Ted Blank, ambos da IOTA (International Occultation Timing Association), observam a ocultação do objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, na madrugada de dia 3 de junho de 2017, a partir do deserto de Karoo perto de Vosburg, África do Sul. O campo de visão do alvo - que continha tanto Plutão como MU69 - encontra-se na porção da Via Láctea vista aqui, na direção da constelação de Sagitário. Eles posicionaram o telescópio próximo de um pequena igreja, protegendo-o dos ventos que podiam surgir durante essa fria noite de inverno. A sonda New Horizons da NASA vai passar por MU69 no dia de 1 de janeiro de 2019.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Henry Throop
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Durante a noite de 2 para 3 de junho, cerca de duas dúzias de membros da equipa da New Horizons e outros observadores da Argentina e da África do Sul esperavam capturar a fugaz sombra de 2014 MU69, que a nave New Horizons irá explorar num voo rasante no dia de Ano Novo de 2019.

"As estrelas alinharam-se para esta campanha de observação, que foi habilmente implementada pela equipa," afirma Adriana Ocampo, do programa New Horizons na sede da NASA em Washington, DC. "É incrível como a astronomia clássica - desde pequenos telescópios até alguns dos mais avançados observatórios da Terra - está a ajudar a New Horizons a planear o seu próximo 'flyby', e mostra quão verdadeiramente global é a exploração espacial."

Todas as 54 equipas telescópicas recolheram dados, relata Alan Stern, investigador principal, acrescentando que os cientistas já começaram a estudar esses dados quando voltaram para casa na semana passada.

Na Argentina, o cientista da New Horizons, Alex Parker, recolheu dados da ocultação estelar de 2014 MU69.
Crédito: Kai Getrost
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"Muita coisa tinha que correr bem para executarmos corretamente uma campanha de observação tão grande," explica Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "O objetivo principal dessas observações era procurar perigos; o segundo era tentar vislumbrar a ocultação estelar do próprio MU69, a fim de determinar o seu tamanho com precisão. O estudo das dúzias de conjuntos de dados destes dois objetivos vai demorar algumas semanas."

Posicionamento quase perfeito

Marc Buie, coinvestigador da New Horizons, no SwRI, que liderou a campanha, enfatizou que os dados da missão Gaia da ESA e do Telescópio Espacial Hubble foram fundamentais para o planeamento das observações. "Sem o Gaia e o Hubble, duvido que pudéssemos ter tido um nível tão alto de sucesso," concorda Stern, "o Gaia e o Hubble foram cruciais para esse sucesso e agradecemos a ambos."

A combinação das posições estelares do Gaia com as imagens do Hubble forneceu a informação necessária para prever o caminho estreito da sombra de MU69 pela Terra. "Os dados estelares do Gaia foram críticos nesta operação," afirma Buie. "Sem eles, não havia maneira de prever um percurso tão preciso."

Percurso projetado da sombra da ocultação estelar de 2014 MU69, no dia 10 de julho (esquerda) e no dia 17 de julho.
Crédito: Larry Wasserman/Observatório Lowell
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Observando no ar e no solo

A New Horizons tem mais duas chances para observar ocultações estelares de MU69 este verão, no dia 10 de julho e no dia 17 de julho. No dia 10 de julho, a equipa irá utilizar o poderoso telescópio aéreo de 2,5 metros (100 polegadas) do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA; o ponto de vista do avião, acima das nuvens, irá remover o mau tempo como obstáculo à observação e o SOFIA poderá fornecer dados melhores do que os telescópios mais pequenos utilizados na ocultação que já teve lugar. No ar, o SOFIA fornecerá o melhor ponto de vantagem para observar a ocultação de dia 10 de julho, uma vez que a sombra cai no meio do Oceano Pacífico.

No dia 17 de julho, os membros da equipa da New Horizons vão novamente utilizar duas dúzias de pequenos telescópios móveis (40 centímetros em diâmetro) nas terras no extremo sul da Patagónia, Argentina, para observar o terceiro e último evento, que proporciona uma estrela muito mais brilhante para estudar, ainda mais profundamente, quaisquer detritos em torno de MU69.

Quatro membros da equipa de observação da África do Sul vislumbram o céu à espera do início da ocultação estelar de 2014 MU69, na madrugada de dia 3 de junho de 2017. O campo de visão do alvo estava em frente da Via Láctea, vista aqui a partir do seu local de observação no deserto de Karoo perto de Vosburg, África do Sul. Usaram telescópios portáteis para observar o evento, à medida que MU69, um pequeno objeto da Cintura de Kuiper e o próximo alvo da missão New Horizons da NASA, passava em frente de uma estrela distante.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Henry Throop
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Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
27/09/2016 - "Coração" de Plutão lança luz sobre possível oceano subterrâneo
16/09/2016 - Plutão emite raios-X; pinta Caronte de vermelho
05/07/2016 - New Horizons recebe prolongamento da missão, Dawn permanecerá em Ceres
24/06/2016 - Investigação reforça caso para um oceano subsuperficial em Plutão
03/06/2016 - O coração de Plutão: como uma lâmpada de lava cósmica
31/05/2016 - As melhores imagens da superfície de Plutão pela New Horizons
20/05/2016 - Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão
10/05/2016 - Hidra, a lua gelada de Plutão
06/05/2016 - Estudo descobre que a interação de Plutão com o vento solar é única
08/04/2016 - New Horizons preenche lacuna nas observações do ambiente espacial
18/03/2016 - Artigos científicos revelam novos aspetos de Plutão e das suas luas
04/03/2016 - Neva metano nos picos de Plutão
01/03/2016 - Os desfiladeiros gelados do polo norte de Plutão
23/02/2016 - Caronte, a Lua "Hulk" de Plutão: um possível antigo oceano?
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar lonqínguo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope

2014 MU69:
Wikipedia 
NASA

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

SOFIA:
NASA
USRA
DLR
Wikipedia

 
NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE TODAS AS ESTRELAS NASCEM AOS PARES

Será que o nosso Sol teve um gémeo quando nasceu há 4,5 mil milhões de anos?

Quase de certeza que sim - embora não tenha sido um gémeo idêntico. E, segundo uma nova análise por um físico teórico da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e por uma radioastrónoma do Observatório Astrofísico do Smithsonian da Universidade de Harvard, tal como a nossa estrela-mãe, também todas as outras estrelas parecidas com o Sol no Universo.

Muitas estrelas têm companheiras, incluindo a nossa vizinha mais próxima, Alpha Centauri, um sistema triplo. Os astrónomos há muito que procuram uma explicação. Será que os sistemas binários e triplos nascem dessa maneira? Será que uma estrela capturou outra? Será que as estrelas duplas por vezes se separam e se tornam estrelas individuais?

Os astrónomos até procuraram uma companheira do nosso Sol, uma estrela a que apelidaram Némesis porque era suposto ter pontapeado um asteroide até à órbita da Terra, asteroide este que colidiu com o nosso planeta e exterminou os dinossauros. Nunca a encontrámos.

A nova asserção baseia-se num levantamento, no rádio, de uma nuvem molecular gigante repleta de estrelas recém-formadas na direção da constelação de Perseu e num modelo matemático que pode explicar as observações de Perseu somente se todas as estrelas parecidas com o Sol nascerem com uma companheira.

Imagem rádio de um sistema binário muito jovem, com menos de 1 milhão de anos, formado no interior de um núcleo denso (contorno oval) na nuvem molecular de Perseu. Todas as estrelas nascem, provavelmente, como binários em núcleos densos.
Crédito: SCUBA-2, Sarah Sadavoy, CfA
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"Estamos a dizer que sim, provavelmente existiu uma estrela Némesis há muito tempo atrás," comenta o coautor Steven Stahler, astrónomo da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

"Executámos uma série de modelos estatísticos para ver se podíamos explicar as populações relativas de jovens estrelas individuais e duplas de todas as separações na nuvem molecular de Perseu, e o único modelo que consegue reproduzir os dados é aquele no qual todas as estrelas formaram inicialmente binários largos. Estes sistemas, então, ou diminuíram de separação ou separaram-se num espaço de um milhão de anos."

Neste estudo, "largo" significa que as duas estrelas estão separadas por mais de 500 UA (unidade astronómica, onde 1 UA é a distância média entre o Sol e a Terra, cerca de 150 milhões de quilómetros). Uma companheira larga do nosso Sol estaria 17 vezes mais distante do Sol do que o seu planeta mais distante da atualidade, Neptuno.

Com base neste modelo, o gémeo do Sol provavelmente escapou e misturou-se com todas as outras estrelas na nossa região da Via Láctea, para nunca mais ser visto.

"A ideia de que muitas das estrelas se formam em pares já tinha sido sugerida antes, mas a questão era: quantas?" afirma a autora principal Sarah Sadavoy, cientista do Hubble da NASA e do Observatório Astrofísico do Smithsonian. "Com base no nosso modelo simples, afirmamos que quase todas as estrelas se formam com companheiras. A nuvem de Perseu é geralmente considerada uma típica região de formação de estrelas de baixa massa, mas é necessário verificar o nosso modelo noutras nuvens."

A ideia de que todas as estrelas nascem em "ninhadas" tem implicações para além da formação estelar, incluindo as próprias origens das galáxias, comenta Stahler.

Stahler e Sadavoy divulgaram os seus achados no passado mês de abril no servidor arXiv. O artigo foi aceite para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Imagem rádio de um sistema estelar triplo em formação num disco de poeira situado na nuvem molecular de Perseu, obtida pelo ALMA no Chile.
Crédito: Bill Saxton, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), NRAO/AUI/NSF
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As estrelas nasceram em "núcleos densos"

Os astrónomos especulam sobre as origens dos sistemas binários e múltiplos há já centenas de anos e, nos últimos anos, criaram simulações de computador do colapso de massas de gás para compreender como é que se podem condensar, sob a gravidade, para formar estrelas. Também simularam a interação de muitas estrelas jovens recentemente libertadas das suas nuvens gasosas. Há alguns anos, uma dessas simulações de computador, por Pavel Kroupa da Universidade de Bona, Alemanha, levou-o a concluir que todas as estrelas nasciam como binárias.

No entanto, as evidências diretas permanecem escassas. À medida que os astrónomos procuram estrelas cada vez mais jovens, encontram uma proporção maior de binários, mas o porquê ainda é um mistério.

"O cerne da questão é que nunca ninguém tinha olhado antes, de forma sistemática, para a relação entre as estrelas jovens e as nuvens que as formam," salienta Stahler. "O nosso trabalho é um passo em frente na compreensão de como os binários se formam e também no papel que os binários desempenham na evolução estelar precoce. Pensamos agora que a maioria das estrelas, que são bastante semelhantes ao nosso próprio Sol, formam-se em sistemas binários. Acho que temos as evidências mais fortes, até à data, para tal afirmação."

Segundo Stahler, os astrónomos já sabem há várias décadas que as estrelas nascem dentro de casulos em forma de ovo chamados núcleos densos, espalhados por imensas nuvens frias de hidrogénio molecular, o berçário das jovens estrelas. Através de um telescópio ótico, estas nuvens parecem buracos no céu estrelado, porque a poeira que acompanha o gás bloqueia a luz tanto das estrelas no seu interior como das estrelas no plano de fundo. As nuvens podem, no entanto, ser estudadas por radiotelescópios, dado que os frios grãos de poeira no seu interior emitem radiação nestas frequências e as ondas de rádio não são bloqueadas pela poeira.

A nuvem molecular de Perseu é um desses berçários estelares, localizada a cerca de 600 anos-luz da Terra e mede aproximadamente 50 anos-luz de diâmetro. O ano passado, uma equipa de astrónomos completou um estudo com o VLA (Very Large Array), uma rede de radiotelescópios no estado norte-americano do Novo México, para observar a formação de estrelas dentro da nuvem. Com o nome VANDAM, foi o primeiro levantamento completo de todas as estrelas jovens numa nuvem molecular, isto é, estrelas com menos de 4 milhões de anos, incluindo estrelas individuais e múltiplas com separações até mais ou menos 15 UA. Este levantamento catalogou todas as estrelas múltiplas com uma separação aproximadamente equivalente ao raio da órbita de Úrano - 19 UA - do nosso Sistema Solar.

Esta imagem infravermelha captada pelo Telescópio Espacial Hubble contém um objeto brilhante em forma de ventoinha (em baixo à direita), que se pensa ser um sistema binário que emite pulsos de luz à medida que as duas estrelas interagem. O sistema binário primitivo está localizado na região IC 348 da nuvem molecular de Perseu e foi incluído no estudo pela equipa de Berkeley/Harvard.
Crédito: NASA, ESA e J. Muzerolle, STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Stahler ouviu falar do levantamento depois de abordar Sadavoy, membro da equipa VANDAM, pedindo a sua ajuda para observar estrelas jovens dentro de núcleos densos. O levantamento VANDAM produziu um censo de todas as estrelas da Classe 0 - aquelas com menos de 500.000 anos - e da Classe I - aquelas entre 500.000 e 1 milhão de anos. Ambos os tipos de estrelas são tão jovens que ainda não queimam hidrogénio para produzir energia.

Sadavoy pegou nos resultados do VANDAM e combinou-os com observações adicionais que revelam os casulos em forma de ovo ao redor das estrelas jovens. Estas observações adicionais provêm do Levantamento Gould Belt com a câmara SCUBA-2 acoplada ao Telescópio James Clerk maxwell no Hawaii. Ao combinar estes dois conjuntos de dados, Sadavoy foi capaz de produzir um censo robusto das populações binárias e individuais em Perseu, totalizando 55 estrelas jovens em 24 sistemas múltiplos, todos binários à exceção de cinco, e 45 sistemas individuais.

Usando estes dados, Sadavoy e Stahler descobriram que todos os sistemas binários amplamente separados - aqueles com estrelas separadas por mais de 500 UA - eram sistemas muito jovens, contendo duas estrelas de Classe 0. Estes sistemas também tendem a estar alinhados com o eixo longo do núcleo denso em forma de ovo. As estrelas binárias ligeiramente mais velhas, de Classe I, estavam mais próximas umas das outras, muitas separadas por cerca de 200 UA, e não apresentavam a tendência para se alinhar com o eixo longo do ovo.

"Isto não tinha sido visto antes ou sequer testado, e é superinteressante," comenta Sadavoy. "Nós ainda não sabemos exatamente o que significa, mas não é aleatório e deve dizer algo sobre a forma como os binários largos se formam."

Uma nuvem molecular escura, Barnard 68, está repleta de gás e poeira que bloqueia a luz das estrelas que se formam no interior e a luz das estrelas e galáxias no plano de fundo. Este e outros berçários estelares, como a nuvem molecular de Perseu, só podem ser estudados no rádio.
Crédito: Equipa FORS, VLT, ESO
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Os núcleos em forma de ovo colapsam em dois centros

Stahler e Sadavoy modelaram matematicamente vários cenários para explicar esta distribuição estelar, assumindo a formação típica, a separação e os tempos de encolhimento orbital. Eles concluíram que a única maneira de explicar as observações passa por assumir que todas as estrelas com massas parecidas à do Sol começam como binários largos de Classe 0 em núcleos densos em forma de ovo, e que aproximadamente 60% dos sistemas duplos se separam ao longo do tempo. O resto encolhe para formar binários íntimos.

"À medida que o ovo contrai, a sua parte mais densa é no meio e isso forma duas concentrações de densidade ao longo do eixo," explica. "Estes centros de maior densidade, em algum ponto, colapsam sobre si mesmos graças à sua autogravidade e formam estrelas de Classe 0."

"Na nossa perspetiva, as estrelas individuais de baixa massa, parecidas com o Sol, não são primordiais," acrescenta Stahler. "São o resultado da dissolução de binários."

A sua teoria implica que cada núcleo denso, que tipicamente corresponde a algumas massas solares, converte duas vezes mais material em estrelas do que se pensava anteriormente.

Stahler há já mais de 20 anos que pede aos radioastrónomos para compararem núcleos densos com as suas jovens estrelas embebidas, a fim de testar as teorias de formação de estrelas binárias. Os novos dados e o novo modelo são um começo, diz, mas é necessário mais trabalho para entender a física por trás.

Tais estudos podem vir em breve, porque as capacidades do agora atualizado VLA e do ALMA no Chile, além do levantamento com o SCUBA-2 no Hawaii, "estão finalmente a fornecer-nos os dados e as estatísticas que precisamos. Isto vai mudar a nossa compreensão dos núcleos densos e das estrelas embebidas no seu interior," conclui Sadavoy.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Berkeley (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
SPACE.com
Universe Today
EarthSky
PHYSORG
Science alert
engadget

Sistemas estelares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Nuvem molecular de Perseu:
Wikipedia

Levantamento VANDAM:
Página oficial

Levantamento Gould Belt:
Página oficial
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

James Clerk Maxwell Telescope:
Página oficial
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
JÚPITER É PROVAVELMENTE O PLANETA MAIS ANTIGO DO SISTEMA SOLAR
Júpiter não só é o maior planeta do Sistema Solar, como é também o mais antigo.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um grupo internacional de cientistas descobriu que Júpiter é o planeta mais antigo do nosso Sistema Solar.

Ao estudar isótopos de tungsténio e molibdénio em meteoritos ferrosos, a equipa constituída por cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, no estado norte-americano da Califórnia, e do Instituto de Planetologia da Universidade de Monastério, Alemanha, descobriu que os meteoritos são compostos por dois reservatórios nebulosos, geneticamente distintos, que coexistiram, mas permaneceram separados entre 1 e 3-4 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

"O mecanismo mais plausível para esta separação eficiente é a formação de Júpiter, abrindo um intervalo no disco de acreção e impedindo a troca de material entre os dois reservatórios," comenta Thomas Kruijer, autor principal do artigo publicado na edição de 12 de junho da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Anteriormente da Universidade de Monastério, Kruijer está agora no laboratório norte-americano. "Júpiter é o planeta mais antigo do Sistema Solar e o seu núcleo sólido formou-se bem antes do gás da nebulosa solar se dissipar, o que é consistente com o modelo de acreção do núcleo para a formação do planeta gigante."

Júpiter é o planeta mais massivo do Sistema Solar e a sua presença teve um efeito imenso sobre a dinâmica do disco de acreção solar. A determinação da idade de Júpiter é fundamental para compreender como é que o Sistema Solar evoluiu em direção à sua arquitetura atual. Embora os modelos prevejam que Júpiter se tenha formado relativamente cedo, até agora, a sua formação nunca tinha sido datada.

"Não temos amostras de Júpiter, em contraste com outros corpos como a Terra, Marte, a Lua e asteroides," explica Kruijer. "No nosso estudo, usámos assinaturas isotópicas de meteoritos (que são derivados dos asteroides) para inferir a idade de Júpiter."

A equipa mostrou, através de análises isotópicas de meteoritos, que o núcleo sólido de Júpiter se formou apenas cerca de 1 milhão de anos após o início da história do Sistema Solar, tornando-o o planeta mais antigo. Através da sua rápida formação, Júpiter agiu como uma barreira efetiva contra o transporte interno de material no disco, potencialmente explicando porque é que o nosso Sistema Solar não possui nenhuma super-Terra (um exoplaneta com uma massa superior à da Terra).

A equipa descobriu que o núcleo de Júpiter cresceu até 20 massas terrestres em apenas 1 milhão de anos, seguido de um crescimento mais prolongado até 50 massas terrestres até pelo menos 3-4 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

As teorias anteriores propuseram que os gigantes gasosos como Júpiter e Saturno envolviam o crescimento de grandes núcleos sólidos entre mais ou menos 10 a 20 massas terrestres, seguido da acumulação de gás sobre esses núcleos. Assim, a conclusão foi que os núcleos dos gigantes gasosos devem ter-se formado antes da dissipação da nebulosa solar - o disco circunstelar de gás e poeira que rodeava o jovem Sol -, o que provavelmente ocorreu entre 1 e 10 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

No trabalho, a equipa confirmou as teorias anteriores, mas foi capaz de datar Júpiter com muito maior precisão, até 1 milhão de anos usando as assinaturas isotópicas dos meteoritos.

Embora esta rápida acreção dos núcleos tenha sido já modelada, não era possível datar a sua formação.

"As nossas medições mostram que o crescimento de Júpiter pode ser datado usando o património genético distinto e os tempos de formação dos meteoritos", salienta Kruijer.

A maioria dos meteoritos deriva de pequenos corpos localizados na cintura de asteroides principal entre Marte e Júpiter. Originalmente, estes corpos provavelmente formaram-se numa banda muito maior de distâncias heliocêntricas, como sugerido pelas distintas composições químicas e isotópicas dos meteoritos e pelos modelos dinâmicos, indicando que a influência gravitacional dos gigantes gasosos levou à dispersão de corpos pequenos na cintura de asteroides.

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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M89: Galáxia Elíptica com Conchas e Plumas Exteriores
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