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Edição n.º 1415
29/09 a 02/10/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 29/09: 272.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1954 é assinada a convenção que estabelece o CERN.
Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.

Marca o recomeço das missões depois do acidente 1986 51-L do vaivém Challenger. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteroide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize.
Observações: À medida que as estrelas começam a surgir ao final do lusco-fusco, procure Altair bem para cima da Lua. Depois do anoitecer, examine o céu cerca de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair em busca da pequena constelação de Golfinho. A uma distância menor, mas para cima de Altair, está a constelação de Flecha, mais pequena e fraca. Binóculos ajudam.

Dia 30/09: 273.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.

A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do Hubble.
Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972.
Observações: Arcturo brilha a oeste por estas noites, descendo pelo céu com o anoitecer. Capella, igualmente brilhante, nasce mais baixa a norte-nordeste, dependendo da latitude do observador (quanto mais para norte estiver, mais alta estará). Ambas têm magnitude 0, tal como Vega perto do zénite.
Lá para as 21:30, Arcturo e Capella encontram-se a alturas idênticas. Por volta desta hora volte-se para sul-sudeste (bem para baixo e para a esquerda da Lua). Aí encontra-se Fomalhaut, quase à mesma altura (um pouco mais alta).

Dia 01/10: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Em 1962, entra em operação o radiotelescópio de 91 metros do NRAO. Este telescópio, que colapsou subitamente no dia 15 de novembro de 1988, era o segundo maior do mundo.
Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Menor estende-se para a esquerda da Estrela Polar após o anoitecer. As duas únicas estrelas brilhantes de Ursa Maior são a Polar, no fim da "pega da frigideira", e Kochab, na borda da "frigideira". Ambas têm magnitude 2. Estão exatamente à mesma altura cerca de meia-hora depois do anoitecer, dependendo da latitude do observador.

Dia 02/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
História: Lançamento da Explorer 14.

Observações: A estrela para baixo da Lua, esta noite, é Fomalhaut, que pertence à constelação de Peixe Austral. Consegue discernir o resto da figura do animal marinho?

 
CURIOSIDADES


Desde Leonardo da Vinci que se sabe que o brilho da Terra ilumina a Lua com um brilho 50 vezes superior ao da Lua Cheia. Isso explica porque é que nos dias logo após a Lua Nova a parte escura da Lua apresenta um brilho acinzentado.

 
ONDAS GRAVITACIONAIS DA FUSÃO DE UM BURACO NEGRO BINÁRIO OBSERVADAS PELO LIGO E PELO VIRGO
Imagem aérea do detetor Virgo.
Crédito: Colaboração Virgo
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A Colaboração Científica LIGO e a colaboração Virgo anunciaram a primeira deteção conjunta de ondas gravitacionais com os detetores LIGO e Virgo. Esta é a quarta deteção anunciada de um sistema composto por dois buracos negros e o primeiro sinal de onda gravitacional significativa registado pelo detetor Virgo, e realça o potencial científico de uma rede de três detetores de ondas gravitacionais.

A observação dos três detetores foi feita no dia 14 de agosto de 2017 às 10:30:43 (UTC). Os dois detetores LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), localizados em Livingston, Louisiana e Hanford, Washington, ambos nos EUA, financiados pelo NSF (National Science Foundation), e o detetor Virgo, localizado perto de Pisa, Itália, detetaram um sinal transiente de onda gravitacional produzido pela coalescência de dois buracos negros de massa estelar.

Um artigo sobre o evento, conhecido como GW170814, foi aceite para publicação na revista Physical Review Letters.

As ondas gravitacionais detetadas - ondulações no espaço e no tempo - foram emitidas durante os momentos finais da fusão de dois buracos negros com massas de mais ou menos 31 e 25 vezes a massa do Sol, localizados a 1,8 mil milhões de anos-luz de distância. O buraco negro daí resultante tem aproximadamente 53 vezes a massa do nosso Sol, o que significa que cerca de 3 massas solares foram convertidas em energia de ondas gravitacionais durante a coalescência.

Este gráfico mostra os dados de cada dos três observatórios. O gráfico mostra o SNR (Signal to Noise Ratio, ou Relação Sinal/Ruído), basicamente quão significante foi a deteção. O do meio mostra o "chilrear" ou mudança de frequência ao longo do tempo. O de baixo mostra a forma de onda.
Crédito: LIGO/Caltech/MIT/LSC
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"Este é apenas o início das observações com a rede do Virgo e dos LIGO, trabalhando juntos," comenta David Shoemaker do MIT, porta-voz da Colaboração Científica LIGO. "Com a próxima campanha de observação, planeada para o outono de 2018, podemos esperar estas deteções semanalmente ou até com mais frequência."

"É maravilhoso ver um primeiro sinal de onda gravitacional com o nosso novo detetor Virgo, apenas duas semanas depois de começar oficialmente a obter dados," comenta Jo van den Brand da Universidade VU de Amesterdão, porta-voz da colaboração Virgo. "É uma grande recompensa após todo o trabalho realizado no projeto Advanced Virgo para atualizar o instrumento ao longo dos últimos seis anos."

"Há pouco mais de ano e meio, o NSF anunciou que o seu observatório de ondas gravitacionais tinha feito a primeira deteção de ondas gravitacionais resultantes da colisão de dois buracos negros numa galáxia a mil milhões de anos-luz de distância," comenta France Córdova, diretora do NSF. "Hoje, estamos satisfeitos por anunciar a primeira descoberta feita em parceria entre o Observatório Virgo e a Colaboração Virgo, a primeira vez que são detetadas ondas gravitacionais por estes observatórios localizados a milhares de quilómetros de distância. Este é um marco emocionante no crescente esforço científico internacional de desvendar os mistérios extraordinários do nosso Universo."

Figura que lista os buracos negros detetados.
Crédito: LIGO/Caltech/Sonoma State (Aurore Simonnet)
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O Advanced LIGO é uma segunda geração de detetor de ondas gravitacionais que consiste de dois interferómetros idênticos em Hanford e Livingston, EUA, e usa interferometria laser de precisão para detetar ondas gravitacionais. Desde o início das observações em setembro de 2015, o Advanced Ligo realizou duas campanhas de observação. A segunda campanha de observação, "O2", teve lugar entre os dias 30 de novembro de 2016 e 25 de agosto de 2017.

O Advanced Virgo é o instrumento de segunda geração construído e operado pela colaboração Virgo para procurar ondas gravitacionais. Com o fim das observações do detetor original em outubro de 2011, começou a integração do detetor Advanced Virgo. Em abril deste ano o detetor avançado começou a trabalhar normalmente.

O detetor Virgo juntou-se à campanha O2 no dia 1 de agosto de 2017 as 10:00 (UTC). A deteção em tempo real de dia 14 de agosto foi desencadeada com dados dos três instrumentos. O Virgo é, de momento, menos sensível que o LIGO, mas dois algoritmos de pesquisa independentes, baseados em toda a informação disponível dos três detetores, demonstrou também a evidência de um sinal nos dados do Virgo.

No geral, o volume do Universo que provavelmente contém a fonte encolheu por mais de um fator de 20 quando passando de uma rede composta por dois detetores para uma rede de três detetores. A região do céu em que GW170814 está localizado tem um tamanho de apenas 60 graus quadrados, mais de 10 vezes mais pequena do que com os dados de apenas os dois interferómetros do LIGO; além disso, a precisão na qual a distância à fonte foi medida beneficia também com a adição do Virgo.

Áreas das fontes de ondas gravitacionais mapeadas pelo céu. Note quão mais pequena é a área para o evento GW170814 - indicando a mais alta precisão atingida na localização com os três detetores.
Crédito: LIGO/Caltech/MIT/Leo Singer (imagem da Via Láctea: Axel Mellinger)
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"Esta precisão aumentada permitirá que toda a comunidade astrofísica eventualmente faça descobertas ainda mais emocionantes, incluindo observações multi-mensageiro," comenta a professora Laura Cadonati, de Georgia Tech, vice-porta-voz do Ligo. "Uma área menor de busca permite observações de acompanhamento com telescópios e satélites à procura de eventos cósmicos capazes de produzir ondas gravitacionais e emissões de luz, como a colisão de estrelas de neutrões."

"À medida que aumentamos o número de observações na rede internacional de ondas gravitacionais, não só melhoramos a localização da fonte, mas também recuperamos informações melhoradas de polarização que fornecem melhores dados sobre a orientação dos objetos em órbita bem como permitem novos testes da teoria de Einstein," comenta Fred Raab, diretor associado do LIGO para as operações de observação.

As instalações eletromagnéticas parceiras do LIGO e VIRGO, espalhadas pelo mundo, não detetaram uma contrapartida do evento GW170814, semelhante às três observações anteriores pelo LIGO das fusões de buracos negros. Os buracos negros produzem ondas gravitacionais, mas não produzem luz.

"Com esta primeira deteção conjunta pelos detetores LIGO e Virgo, demos um passo em frente no cosmos das ondas gravitacionais," afirma David H. Reitze do Caltech, diretor executivo do Laboratório LIGO. "O Virgo traz com ele uma nova e poderosa capacidade para detetar e melhor localizar fontes de ondas gravitacionais, que sem dúvida levará a resultados excitantes e imprevistos no futuro."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/06/2017 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela terceira vez
07/03/2017 - Um novo olhar sobre a natureza da matéria escura
17/06/2016 - LIGO deteta ondas gravitacionais pela segunda vez
26/02/2016 - Buracos negros gémeos do LIGO podem ter nascido de uma única estrela
12/02/2016 - Detetadas ondas gravitacionais 100 anos após a previsão de Einstein

Notícias relacionadas:
LIGO Caltech (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Physical Review Letters
Stream do anúncio da descoberta (Universidade da Flórida via YouTube)
Science
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Science alert
Astronomy Now
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New Scientist
COSMOS
PHYSORG
Discover
ScienceNews
BBC News
ars technica
engadget
The Verge
ZAP.aeiou

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Deteção do LIGO - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
RESOLVENDO O MISTÉRIO DAS LÂMINAS GIGANTES DE GELO EM PLUTÃO

A missão New Horizons da NASA revolucionou o nosso conhecimento de Plutão quando passou pelo mundo distante em julho de 2015. Entre as suas muitas descobertas havia imagens de formações estranhas que se comparavam a gigantes lâminas de facas, cuja origem permanecia um mistério.

Agora, os cientistas apresentaram uma explicação fascinante para este "terreno laminado": as estruturas são feitas quase inteiramente de metano gelado, e provavelmente foram formadas como um tipo específico de erosão que esculpiu as suas superfícies, deixando para trás figuras dramáticas e divisões acentuadas.

O terreno laminado de Plutão, visto pela New Horizons, durante o seu voo rasante de julho de 2015.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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Estes sulcos geológicos irregulares encontram-se às maiores altitudes da superfície de Plutão, perto do seu equador, e podem subir muitas dezenas de metros no céu - tão altos quanto um arranha-céus. São das características mais intrigantes de Plutão, e parece agora que as lâminas estão relacionadas com o clima complexo e a história geológica de Plutão.

Uma equipa liderada pelo membro da New Horizons, Jeffrey Moore, investigador do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia, determinou que a formação deste terreno laminado começa com o congelamento do metano na atmosfera a altitudes extremas em Plutão, da mesma maneira que a geada congela no chão cá da Terra, ou até mesmo num congelador.

"Quando percebemos que este terreno consiste de depósitos altos de gelo de metano, perguntámo-nos porque é que forma todos estes cumes, ao contrário de apenas grandes gotas de gelo no chão", salienta Moore. "Parece que Plutão sofre variação climática e, por vezes, quando Plutão está um pouco mais quente, o metano gelado começa basicamente a 'evaporar-se."

Os cientistas usam o termo "sublimação" para este processo onde o gelo se transforma diretamente em gás, saltando o estado líquido intermédio.

Exemplo dos penitentes no lado sul da planície Chajnantor no Chile. Embora estas formações de gelo atinjam poucos metros de altura, em Plutão o seu terreno alcança muitas dezenas de metros. Ambas as características têm cumes afiados.
Crédito. Wikimedia Commons/ESO
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Podem ser encontradas estruturas semelhantes em campos de neve de alta altitude ao longo do equador da Terra, embora a uma escala muito diferente das lâminas em Plutão. As estruturas terrestres, chamadas penitentes, são formações de neve com apenas alguns metros de altura, com semelhanças impressionantes com o terreno muito maior e mais laminado em Plutão. A sua textura pontiaguda também se forma através da sublimação.

Esta erosão do terreno laminado de Plutão indica que o seu clima sofreu mudanças ao longo de grandes períodos de tempo - uma escala de milhões de anos - que provocam esta atividade geológica em curso. As condições climáticas iniciais permitiram com que o metano congelasse a superfície de alta elevação, mas à medida que o tempo avançava, essas condições mudaram, fazendo com que o gelo se "queimasse" para gás.

Como resultado desta descoberta, sabemos agora que a superfície e o ar de Plutão são, aparentemente, muito mais dinâmicos do que se pensava anteriormente. Os resultados foram publicados na Icarus, uma revista internacional de ciência planetária.

Os mapas acima são dados topográficos (topo) e de composição (baixo) da New Horizons. No mapa topográfico de alta resolução, a região avermelhada em destaque tem alta elevação. O mapa em baixo, que mostra a composição, indica que a mesma região também contém metano, em tons laranja. Podemos ver que as características laranja espalham-se para dados de resolução mais baixa que cobre o resto do globo, o que significa que essas áreas têm, também, uma alta concentração de metano, tendo portanto uma maior elevação.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/LPI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mapeando a superfície de Plutão

A identificação da natureza do exótico terreno laminado também nos leva mais perto de compreender a topografia global de Plutão. A nave New Horizons forneceu dados espetaculares e de alta-resolução de um lado do planeta anão, o chamado hemisfério de encontro, e observou o outro lado de Plutão em menor resolução.

Uma vez que o metano foi agora ligado a altas elevações, os cientistas podem usar dados que indicam onde o metano está presente no globo de Plutão para inferir quais os locais mais elevados. Isto fornece uma oportunidade para mapear as altitudes de algumas partes da superfície de Plutão não captadas em alta resolução, onde os terrenos laminados também parecem existir.

Embora a cobertura detalhada do terreno laminado de Plutão compreenda apenas uma pequena área, os investigadores da NASA e seus colaboradores foram capazes de concluir, a partir de vários tipos de dados, que estes sulcos afiados podem ser uma característica generalizada no chamado "lado distante" de Plutão, ajudando a desenvolver uma melhor compreensão da geografia global do planeta anão, do seu presente e do seu passado.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
27/09/2016 - "Coração" de Plutão lança luz sobre possível oceano subterrâneo
16/09/2016 - Plutão emite raios-X; pinta Caronte de vermelho
05/07/2016 - New Horizons recebe prolongamento da missão, Dawn permanecerá em Ceres
24/06/2016 - Investigação reforça caso para um oceano subsuperficial em Plutão
03/06/2016 - O coração de Plutão: como uma lâmpada de lava cósmica
31/05/2016 - As melhores imagens da superfície de Plutão pela New Horizons
20/05/2016 - Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão
10/05/2016 - Hidra, a lua gelada de Plutão
06/05/2016 - Estudo descobre que a interação de Plutão com o vento solar é única
08/04/2016 - New Horizons preenche lacuna nas observações do ambiente espacial
18/03/2016 - Artigos científicos revelam novos aspetos de Plutão e das suas luas
04/03/2016 - Neva metano nos picos de Plutão
01/03/2016 - Os desfiladeiros gelados do polo norte de Plutão
23/02/2016 - Caronte, a Lua "Hulk" de Plutão: um possível antigo oceano?
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar lonqínguo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Icarus
Formações exóticas de gelo em Plutão (Centro de Pesquisa Ames da NASA via YouTube)
SPACE.com
Universe Today
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Gizmodo

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

Penitentes:
Wikipedia

New Horizons:
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NASA
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PROGENITORA DA SUPERNOVA DE TYCHO NÃO ERA QUENTE NEM LUMINOSA

Uma equipa internacional de cientistas da Universidade de Monash (Melbourne, Austrália), das Universidades de Townson e Pittsburgh (EUA) e do Instituto Max Planck para Astrofísica, lançou nova luz sobre as origens da famosa supernova de Tycho. A investigação, publicada na revista Nature Astronomy, desmantela a visão comum de que a supernova de Tycho teve origem numa anã branca, que acretava lentamente matéria da sua companheira num sistema binário.

As supernovas do Tipo Ia (SNe Ia) servem como "velas padrão" da cosmologia observacional moderna; também desempenham um papel vital na evolução química galáctica. No entanto, a origem dessas gigantescas explosões cósmicas permanece incerta. Embora exista um consenso quase universal de que as SNe Ia sejam resultado da interrupção termonuclear de uma anã branca, composta por carbono e oxigénio, atingindo o limite de massa de Chandrasekhar (cerca de 1,4 vezes a massa do nosso Sol), a natureza exata das suas progenitoras é ainda desconhecida. A anã branca pode estar a acumular gradualmente matéria de uma estrela companheira, alcançando assim o limite de massa de Chandrasekhar, e a partir deste ponto começar a fuga nuclear; ou a explosão nuclear pode ser desencadeada pela fusão de duas anãs brancas num sistema binário compacto. Estes dois cenários diferem dramaticamente ao nível de emissão eletromagnética esperada da progenitora durante os milhões de anos que antecedem a explosão.

O remanescente de supernova de Tycho, visto em raios-X, que mostra a onda de choque em expansão.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/Rutgers/K. Eriksen et al.; ótico: DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma anã branca que acumula material da estrela companheira torna-se uma fonte abundante de raios-X e radiação UV extrema - o canónico cenário de acreção implica uma progenitora quente e luminosa que ioniza todo o gás circundante dentro de um raio de ~10-100 parsecs (cerca de 300 anos-luz), a chamada esfera de Strömgren. Depois da anã branca despoletar a explosão de supernova, a fonte da emissão ionizante desaparece. No entanto, o gás interestelar demora muito tempo para se recombinar e para se tornar novamente neutro - uma nebulosa ionizada continuará a existir em torno da supernova até mais ou menos 100.000 anos após a explosão. Assim, a deteção de pequenas quantidades de gás neutro na vizinhança da supernova pode ajudar os cientistas a colocar restrições apertadas sobre a temperatura e luminosidade da progenitora.

Há 445 anos, Tycho Brahe observou uma nova estelar ("nova estrela") no céu noturno. Mais brilhante que Vénus quando apareceu pela primeira vez, desvaneceu ao longo do ano seguinte. Hoje, sabemos que Tycho tinha observado uma perturbação nuclear de uma anã branca - uma supernova do Tipo Ia. Graças à sua história e proximidade relativa com a Terra, a supernova de Tycho é um dos exemplos mais bem documentados de uma supernova do Tipo Ia.

Impressão de artista de um sistema binário composto por duas anãs brancas.
Crédito: Tod Strohmayer (GSFC), CXC, NASA; ilustração: Dana Berry (CXC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em particular, sabemos, a partir de observações óticas do remanescente de supernova, que hoje ainda se expande para o gás principalmente neutro. Assim, usando o próprio remanescente como uma sonda do seu ambiente, os cientistas puderam excluir progenitoras luminosas e quentes que teriam produzido uma esfera de Strömgren maior que o raio do remanescente atual (~3 parsecs). Isto exclui, conclusivamente, anãs brancas que queimam, estavelmente, combustível nuclear (fontes de raios-X), bem como a emissão de disco de uma anã branca com a massa de Chandrasekhar que acumularia mais de uma massa solar em aproximadamente 100 milhões de anos (novas recorrentes). A ausência de uma circundante esfera de Strömgren é consistente com a fusão de um binário composto por duas anãs brancas, embora outros cenários mais exóticos também sejam possíveis.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/05/2016 - Filme do Chandra captura detritos em expansão de uma explosão estelar
29/04/2011 - Chandra descobre novas evidências sobre origem de supernovas
25/03/2011 - Estrelas e listas em explosão

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Nature Astronomy
PHYSORG
UPI
Gizmodo

Remanescente de supernova de Tycho (SN 1572):
Wikipedia
SolStation.com

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Limite de Chandrasekhar:
Wikipedia

Esfera de Strömgren:
Wikipedia

Tycho Brahe:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Novo estudo pode ajudar a identificar áreas com e sem gelo acessível em Marte (via União Geofísica Americana)
Novos achados revelam depósitos em Marte, interpretados como sendo ricos em água gelada, que podem ter pouco ou nenhum gelo, com base numa análise d dados de radar de Meridiani Planum - uma área no equador do planeta que está a ser explorada pelo rover Curiosity. Ler fonte
     
  O material que obscurece buracos negros supermassivos e sua ligação com as suas galáxias hospedeiras (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
Astrónomos publicaram um artigo dos resultados mais recentes sobre o material que obscurece núcleos galácticos ativos obtidos a partir de observações infravermelhas e em raios-X. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - As Estranhas Estruturas da Nebulosa Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESO/J. Walsh
 
A nebulosa planetária NGC 7009, ou Nebulosa Saturno, emerge da escuridão aparecendo-nos como uma série de bolhas de forma estranha, brilhando em tons de cor de rosa e azul. Esta imagem colorida foi obtida pelo instrumento MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, no âmbito dum estudo que mapeou pela primeira vez a poeira no interior duma nebulosa planetária. O mapa — que nos revela estruturas intricadas na poeira, incluindo conchas, um halo e uma estrutura em forma de onda — ajudará os astrónomos a compreender como é que as nebulosas planetárias desenvolvem estranhas formas e simetrias.
 

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