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Edição n.º 1326
22/11 a 24/11/2016
 
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25/11/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/11: 327.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 nasce Chad Trujillo, codescobridor do planeta anão Éris.

Observações: O Outono já vai a dois-terços, de modo que Capella brilha a nordeste assim que as estrelas começam a aparecer. Com o avançar da noite, olhe para a sua direita, cerca de três punhos à distância do braço esticado, em busca do pequeno enxame das Plêiades.

Dia 23/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1972, a União Soviética faz a sua tentativa final de lançar com sucesso o foguetão N1
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Em 2015, o veículo espacial New Shepard da Blue Origin torna-se no primeiro foguetão a ser lançado com sucesso para o espaço e a regressar à Terra, numa aterragem controlada e vertical.

Observações: A Galáxia de Andrómeda (M31) e o Enxame Duplo de Perseu são dois dos mais famosos objetos de céu profundo do céu. Estão ambos catalogados como tendo magnitude 4 e num bom céu podemos vê-los a olho nu. Estão separados por apenas 22º, muito altos a este durante estas noites - para a direita de Cassiopeia e para baixo e mais perto de Cassiopeia, respetivamente.

Dia 24/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639 (calendário juliano), Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: Já parece que o Sol se põe tão cedo quanto possível? Tem razão! Ainda estamos a um mês do solstício de inverno - mas o Sol põe-se mais cedo por volta de 7 de dezembro para latitudes perto de 40º N, e atualmente estamos a apenas 3 minutos dessa hora.
Antes do amanhecer de sexta-feira, olhe para sudeste em busca da Lua, que forma um triângulo alto (9º) com Júpiter e com Espiga.

 
CURIOSIDADES


O Sol produz tanta energia que, a cada segundo, o seu núcleo liberta o equivalente a 100 mil milhões de bombas nucleares

 
SURPRESAS GELADAS NO COMETA DA ROSETTA

No ano passado, à medida que o cometa da Rosetta se aproximava do seu período mais ativo, a sonda avistou dióxido de carbono gelado - nunca antes visto num cometa - seguido pelo aparecimento de duas áreas invulgarmente grandes de água gelada.

A camada gelada de dióxido de carbono cobria uma área comparável a um campo de futebol, enquanto as duas zonas de água gelada eram maiores do que uma piscina olímpica e muito maiores do que quaisquer outros sinais de gelo avistados anteriormente no cometa.

As três camadas geladas foram descobertas todas na mesma região, no hemisfério sul do cometa.

Devido a uma combinação da forma complexa do cometa, ao seu trajeto alongado em redor do Sol e à inclinação substancial da sua rotação, as estações são desiguais nos dois hemisférios do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, que tem dois lóbulos.

Quando a Rosetta aí chegou em agosto de 2014, o hemisfério norte ainda estava passando pelo seu verão de 5,5 anos, enquanto no hemisfério sul era inverno e grande parte estava envolto em escuridão.

No final de março de 2015, o espectrómetro VIRTIS da Rosetta detetou uma grande área de dióxido de carbono gelado em Anhur, uma região no hemisfério sul do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Esta é a primeira deteção de dióxido de carbono sólido num cometa.
A área de 80x60 m - quase do tamanho de um campo de futebol - foi observada em dois dias consecutivos. No entanto, quando a equipa observou a mesma zona três semanas depois, tinha desaparecido.
Acima temos imagens e espectros do cometa obtidos pelo VIRTIS nos dias 21 e 22 de março de 2015, com a assinatura inconfundível do dióxido de carbono gelado: uma série de três linhas de absorção a comprimentos de onda que rondam os 2 micrómetros, e duas linhas de absorção adicionais a 2,7 e 2,78 micrómetros. Estas características não estão presentes no espectro da água gelada.
A análise dos dados revela que a camada com 9 cm de espessura tem uma pequena percentagem de dióxido de carbono gelado combinado com uma mistura mais escura de poeira e material orgânico. Os dados sugerem que os grãos de gelo e material mais escuro estão separados na mistura.
Imagens posteriores e espectros, obtidos pelo VIRTIS nos dias 12-13 de abril, mostram que a assinatura do dióxido de carbono gelado tinha desaparecido.
Crédito: dados - ESA/Rosetta/VIRTIS/INAF-IAPS/Obs. de Paris-Lesia/DLR; G. Filacchione et al.; Science 10.1126/science.aag3161 (2016); imagem de contexto - ESA/Rosetta/NavCam
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No entanto, pouco antes da maior aproximação do cometa ao Sol em agosto de 2015, as estações mudaram e o hemisfério sul sofreu um breve mais intenso verão, expondo esta região novamente à luz solar.

No primeiro semestre de 2015, à medida que o cometa se tornava mais ativo, a Rosetta observou vapor de água e outros gases libertados pelo núcleo, levantando a sua cobertura poeirenta e revelando alguns dos segredos gelados do cometa.

Em particular, em duas ocasiões no final de março de 2015, o espectrómetro VIRTIS da Rosetta encontrou uma grande zona de dióxido de carbono gelado na região Anhur, no hemisfério sul do cometa.

Esta é a primeira deteção de dióxido de carbono sólido num cometa, embora não seja invulgar no Sistema Solar - por exemplo, é abundante nas calotes polares de Marte.

"Sabemos que os cometas contêm dióxido de carbono que, depois da água, é um dos elementos mais abundantes das atmosferas cometárias, mas é extremamente difícil de observar no estado sólido à superfície," explica Gianrico Filacchione do INAF-IAPS (Instituto de Astrofísica e Planetologia Espacial) em Itália, que liderou o estudo.

No ambiente do cometa, o dióxido de carbono congela a -193ºC, muito abaixo da temperatura em que a água se transforma em gelo. Acima dessa temperatura, muda diretamente do estado sólido para o estado gasoso, dificultando a sua deteção à superfície sob a forma de gelo.

Em contraste, já se descobriu água gelada em vários cometas e a Rosetta detetou muitas áreas pequenas em várias regiões.

"Esperávamos encontrar sinais de dióxido de carbono gelado e já estávamos à procura há algum tempo, mas foi definitivamente uma surpresa quando, finalmente, detetámos a sua assinatura inconfundível," acrescenta Gianrico.

A área, que albergava apenas uma pequena percentagem de dióxido de carbono gelado combinado com uma mistura mais escura de poeira e material orgânico, foi observada em março duramte dois dias consecutivo. Tiveram sorte na descoberta: quando a equipa observou a região novamente cerca de três semanas depois, tinha desaparecido.

Assumindo que todo o gelo foi transformado em gás, os cientistas estimaram que a zona de 80x60 metros continha cerca de 57 kg de dióxido de carbono, correspondendo a uma camada com 9 cm de espessura. A sua presença à superfície é provavelmente um caso isolado e raro, dado que a maioria do dióxido de carbono gelado está confinado às camadas mais profundas do núcleo.

No final de abril de 2015, a câmara OSIRIS da Rosetta detetou duas áreas invulgarmente grandes de água gelada no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, entre as regiões sul de Anhur e Bes.
O gráfico mostra a aparência das duas zonas (indicadas como A e B), que aí persistiram durante cerca de 10 dias antes de desaparecem completamente.
As duas áreas ricas em gelo mediam mais ou menos 30x40 m cada uma - maiores do que uma piscina olímpica - e eram muito maiores do que outras áreas idênticas de gelo exposta, anteriormente avistadas no cometa.
Continham aproximadamentre 20-30% de água gelada misturada com material mais escuro, formando uma camada de gelo com até 30 cm de espessura. A área de água gelada A estava provavelmente por baixo da camada de dióxido de carbono gelado revelada pelo instrumento VIRTIS da Rosetta cerca de um mês antes.
Este achado faz parte de um estudo mais abrangente das variações sazonais e diárias da cor da superfície bom base em imagens do OSIRIS e obtidas durante toda a missão.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para a Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; S. Fornasier et al., Science 10.1126/science.aag2671 (2016)
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Gianrico e colaboradores pensam que a área gelada remonta a alguns anos atrás, quando o cometa ainda se encontrava nos confins frios do Sistema Solar exterior e no hemisfério sul ainda era inverno longo. Nessa época, parte do dióxido de carbono, ainda libertado do interior do núcleo, condensava-se à superfície, onde permanecia congelado durante muito tempo, só se tornando em vapor quando a temperatura local finalmente subiu novamente em abril de 2015.

Isto revela um ciclo sazonal de dióxido de carbono gelado, que se desenrola ao longo dos 6,5 anos da órbita do cometa, ao contrário do ciclo diário de água gelada, também avistado pelo VIRTIS logo após a chegada da Rosetta.

Curiosamente, pouco depois do dióxido de carbono gelado ter desaparecido, a câmara OSIRIS da Rosetta detetou duas áreas invulgarmente grandes de água gelada na mesma zona, entre as regiões sul de Anhur e Bes.

"Já tínhamos visto muitas áreas expostas de água gelada em várias regiões do cometa, mas as novas deteções são muito maiores, cada medindo cerca de 30x40 m, e aí persistiram por mais ou menos 10 dias antes de desaparecem completamente," comenta Sonia Fornasier do LESIA-Observatório de Paris e da Universidade Paris Diderot, França, cientista principal do estudo que se focou nas variações sazonais e diárias da cor da superfície.

Estas áreas ricas em gelo aparecem como zonas muito brilhantes da superfície do cometa que refletem luz mais azul em comparação com os arredores mais avermelhados. Os cientistas experimentaram misturas de poeiras e água gelada para mostrar que, à medida que a concentração de gelo aumenta, a luz refletida torna-se gradualmente mais azulada até chegar a um ponto em que quantidades iguais de luz são refletidas em todas as cores.

As duas áreas recentemente detetadas contêm 20-30% de água gelada misturada com material mais escuro, formando uma camada de gelo sólido com até 30 cm de espessura. Uma delas provavelmente espreitava por baixo da camada de dióxido de carbono gelado revelada pelo VIRTIS cerca de um mês antes.

"Numa escala global, também descobrimos que toda a superfície do cometa ficou cada vez mais azul à medida que se aproximava do Sol e que a intensa atividade levantava grandes quantidades de poeira, expondo mais do terreno por baixo, rico em gelo," explica Sonia.

À medida que o cometa se afastava do Sol, os cientistas observaram a cor geral da superfície do cometa a tornar-se, novamente e gradualmente, mais vermelha.

A cor da luz visível refletida pelo Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko no dia 1 de agosto de 2014 (esquerda), pouco antes da chegada da Rosetta ao cometa, e um ano depois, no dia 30 de agosto de 2015, pouco depois da maior aproximação do cometa ao Sol. Os mapas são derivados da comparação de imagens obtidas a comprimentos de onda entre 535 e 882 nm com a câmara OSIRIS da Rosetta.
Numa escala global, toda a superfície do cometa tornou-se gradualmente mais azulada à medida que este se aproximava do Sol, e gradualmente mais vermelha quando se movia novamente para longe da nossa estrela. As cores mais azuladas são indicativas de porções da superfície mais ricas em água gelada.
À medida que o cometa se aproximava do Sol e a sua atividade aumentava, a libertação de vapor de água e outros gases expelia grandes quantidades de poeira, expondo mais do terreno rico em gelo por baixo.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para a Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; S. Fornasier et al., Science 10.1126/science.aag2671 (2016)
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Também revelaram variações locais de cor, indicativas do ciclo diário de água gelada. Transformando-se rapidamente em vapor de água quando exposta à luz solar durante o dia local, condensava-se novamente em camadas finas de gelo à medida que a temperatura diminuía após o pôr-do-Sol, apenas para vaporizar novamente no dia seguinte.

A distribuição de água gelada por baixo da superfície empoeirada do cometa parece amplamente difundida, mas não uniformemente, com pequenas zonas salpicando o núcleo, aparecendo e desaparecendo como resultado da atividade do cometa.

Ocasionalmente, são também reveladas porções maiores e mais espessas de gelo, que remontam a uma anterior aproximação ao Sol.

"Estes dois estudos do conteúdo gelado do cometa estão a revelar novos detalhes sobre a composição e história do núcleo," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

"Apesar da parte de voo da missão ter terminado, a exploração científica da enorme quantidade de dados recolhidos pela Rosetta continua."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
15/11/2016 - Forma do Cometa 67P/C-G é bastante mais jovem do que se pensava
04/10/2016 - Missão concluída: viagem da Rosetta termina com uma ousada descida ao cometa
27/09/2016 - Fogo-de-artifício de verão no cometa da Rosetta
13/09/2016 - A descida da Rosetta até ao cometa
06/09/2016 - Philae foi encontrado!
02/09/2016 - Imagiologia da pequena poeira do cometa em 3D
02/08/2016 - Como os cometas nascem
01/07/2016 - Ajuste final da Rosetta para 30 de setembro
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico - G. Filachione et al (Science)
Artigo científico - S. Fornasier et al (Science)
COSMOS
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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NOVA SONDA DA ESA PREPARA-SE PARA A PRIMEIRA CIÊNCIA
Impressão de artista do TGO ExoMars 2016 em Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
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A sonda ExoMars está a preparar-se para fazer as suas primeiras observações científicas em Marte durante duas órbitas ao planeta, a partir desta semana.

O orbitador "Trace Gas Orbiter", ou TGO, um esforço conjunto entre a ESA e a Roscosmos, chegou a Marte a 19 de outubro. Entrou em órbita, como planeado, por um caminho altamente elíptico que o leva de 230 a 310 km acima da superfície para cerca de 98.000 km a cada 4,2 dias.

A principal missão científica só começará quando atingir uma órbita quase circular, cerca de 400 km acima da superfície do planeta, após um ano de "aerotravagem" - usando a atmosfera para travar gradualmente e alterar a sua órbita. As operações científicas devem começar em pleno em março de 2018.

Mas na próxima semana as equipas científicas terão a oportunidade de calibrar os seus instrumentos e fazer as primeiras observações-teste, agora que a aeronave está realmente em Marte.

Na verdade, o detetor de neutrões tem estado ativo em grande parte da fase de cruzeiro do TGO para Marte e, atualmente, está a recolher dados para continuar a calibrar o fluxo de fundo e verificar que nada mudou depois do módulo Schiaparelli se ter desprendido da aeronave.

Medirá o fluxo de neutrões da superfície marciana, criado pelo impacto dos raios cósmicos. A maneira pela qual são emitidos e a sua velocidade ao chegar ao TGO dirá aos cientistas sobre a composição da camada superficial.

Impressão de artista da sonda TGO com os seus instrumentos científicos legendados.
ACS (Atmospheric Chemistry Suite) é um conjunto de três espectrómetros infravermelhos que vão investigar a química, os aeorsóis e a estrutura da atmosfera. O ACS vai complementar o NOMAD, estendendo a cobertura até comprimentos de onda infravermelhos.
CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) é uma câmara de alta resolução (5 m por pixel) que vai obter imagens a cores e estéreo da superfície, cobrindo uma vasta região. Vai fornecer contextos geológicos e dinâmicos para as fontes de gases vestigiais detetados pelo NOMAD e ACS.
FREND (Fine Resolution Epithermal Neutron Detector) é um detetor de neutrões que vai mapear o hidrogénio à superfície até um metro de profundidade, revelando depósitos de água gelada perto da superfície. O mapeamento da água gelada à subsuperfície será até 10 vezes melhor do que as medições existentes.
NOMAD (Nadir and Occultaion for Mars Discovery) combina três espectrómetros, dois infravermelhos e um ultravioleta, que vão realizar a identificação orbital altamente sensível de componentes atmosféricos, incluindo metano e outras substâncias, tanto via ocultação solar como observações diretas da luz refletida em observações do nadir.
Crédito: ESA/ATG medialab
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Em particular, uma vez que mesmo pequenas quantidades de hidrogénio podem causar uma mudança na velocidade do neutrão, o sensor será capaz de procurar locais onde gelo ou água poderão existir, entre 1-2 m no topo do planeta.

Os outros três instrumentos da sonda têm um número de observações-teste programadas durante 20-28 de novembro.

Durante a missão científica primária, dois pacotes de instrumentos farão medições complementares para fazer um inventário detalhado da atmosfera, particularmente daqueles gases que estão presentes apenas em quantidades vestigiais.

De particular interesse é o metano, que na Terra é produzido principalmente por atividade biológica ou processos geológicos, como algumas reações hidrotermais.

As medições serão realizadas de diferentes modos: apontando para o Sol através da atmosfera, no horizonte à luz solar dispersa pela atmosfera, e olhando para baixo para a luz solar refletida da superfície. Ao analisar como a luz solar é influenciada, os cientistas podem analisar os constituintes atmosféricos.

A sonda TGO obteve a sua imagem de Marte no dia 13 de junho de 2016 como parte do seu extenso comissionamento de instrumento a caminho do Planeta Vermelho.
A distância até Marte nesse dia era de 41 milhões de quilómetros, dando à imagem uma resolução de 460 km/pixel. O planeta tem aproximadamente 34 segundos de arco em diâmetro a essa distância. A região Tharsis de Marte, lar dos maiores vulcões do planeta, está orientada para a sonda na imagem.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/CaSSIS/UniBE
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Nas próximas órbitas há somente oportunidades para apontar para o horizonte ou diretamente na superfície. Isso permitirá às equipas científicas verificar a pontaria do seu instrumento para melhor se preparar para futuras medições.

Existe a possibilidade de que eles possam detetar alguma luz natural noturna - uma emissão de luz na atmosfera superior produzida quando os átomos interrompidos pelo vento solar se recombinam para formar moléculas, libertando energia sob a forma de luz.

Durante a segunda órbita, os cientistas também planearam observações de Fobos, a maior e mais íntima das duas luas do planeta.

Finalmente, a câmara fará as suas primeiras imagens-teste em Marte na próxima semana. Em cada uma das duas órbitas, irá primeiro apontar às estrelas para se calibrar para a medição da reflexão da superfície do planeta.

Depois apontará para Marte.

Dada a atual órbita elíptica, a aeronave estará mais próxima e mais distante do planeta, do que durante a sua principal missão científica.

Mais próximo do planeta, viajará mais rápido sobre a superfície do que na sua órbita circular final, o que apresenta alguns desafios no momento em que as imagens devem ser tiradas.

O instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) é a câmara de alta resolução a bordo da sonda TGO. É capaz de obter imagens a cores e estéreo de características à superfície, possivelmente associadas com fontes de gases vestigiais a fim de melhor entender a gama de processos que podem estar relacionados com a emissão desses gases.
Esta imagem mostra o princípio da obtenção de imagens estéreo usando o CaSSIS. Capta uma imagem olhando ligeiramente para a frente, e depois a câmara roda para olhar para "trás" para captar a segunda parte da imagem, a fim de ver a mesma região da superfície a partir de dois ângulos diferentes. Combinando o par de imagens, podemos obter informações sobre as alturas relativas das características à superfície.
Crédito: Universidade de Berna
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A câmara foi desenhada para capturar pares estéreo: capta uma imagem olhando ligeiramente para frente e, em seguida, a câmara é girada para olhar para trás para captar a segunda parte da imagem, a fim de ver a mesma região da superfície a partir de dois ângulos diferentes. Ao combinar o par de imagens, pode-se obter informações sobre as alturas relativas das características de superfície.

Esta semana, a equipa da câmara verificará o tempo interno para ajudar os comandos do programa para futuras observações científicas específicas. A alta velocidade e a alteração da altitude da órbita elíptica tornarão a reconstrução estéreo um desafio, mas a equipa será capaz de testar o mecanismo de rotação estéreo e os vários filtros diferentes de câmara, assim como compensar a orientação da nave espacial em relação à pista terrestre.

Não há alvos de imagem específicos em mente, embora perto da aproximação mais próxima da primeira órbita, a sonda voará sobre a região de Noctis Labyrinthus e tentará obter um par estéreo. Na segunda órbita, tem a oportunidade de capturar imagens de Fobos.

Em última análise, a câmara será usada para a imagem e análise de recursos que podem estar relacionados com as fontes de gases vestigiais e fossas, para ajudar a compreender melhor a gama de processos que podem estar a produzir os gases. As imagens também serão usadas para observar futuros locais de aterragem.

"Estamos animados por finalmente ver os instrumentos a funcionar no ambiente para o qual foram concebidos e ver os primeiros dados provenientes de Marte", diz Håkan Svedhem, cientista do projecto TGO da ESA.

Após este breve período de demonstração de instrumentos científicos, que também serve como um teste para a retransmissão desses dados de volta à Terra, juntamente com dados dos rovers Curiosity e Opportunity da NASA, o foco volta às operações e às preparações necessárias para a aerotravagem no próximo ano.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/11/2016 - Local da colisão do Schiaparelli a cores
01/11/2016 - Imagens detalhadas do Schiaparelli e da sua maquinaria de descida em Marte
25/10/2016 - MRO observa local de atereragem do Schiaparelli
21/10/2016 - ExoMars 2016 - TGO em órbita de Marte; destino do Schiaparelli ainda por apurar
18/10/2016 - ExoMars preparada para o Planeta Vermelho
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
PHYSORG

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

"Lander" Schiaparelli:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Desvendada gravidade de Saturno graças a imagens de satélites (via Universidade Queen Mary, Londres)
Cientistas descobriram flutuações minúsculas no campo gravitacional de Saturno usando milhares de imagens das luas do planeta obtidas pela sonda Cassini. Os resultados ajudam a fornecer uma melhor compreensão da estrutura interna do planeta e o que está no centro de Saturno - ou se um grande núcleo rochoso ou se a sua densidade é muito inferior. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - IC 5070: Um Pelicano Poeirento no Cisne
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Steve Richards (Observatório Chanctonbury)
 
O padrão reconhecível da Nebulosa do Pelicano voa a quase 2000 anos-luz de distância na constelação de alto voo de Cisne. Também conhecida como IC 5070, esta nuvem interestelar de gás e poeira está, apropriadamente, ao largo da "costa leste" da Nebulosa da América do Norte (NGC 7000), outra nebulosa de emissão de aparência surpreendentemente familiar em Cisne. Tanto a Nebulosa do Pelicano como a Nebulosa da América do Norte fazem parte da mesma grande e complexa região de formação estelar, quase tão próximas quanto a mais famosa Nebulosa de Orionte. A partir do nosso ponto de vista, as escuras nuvens de poeira (canto superior esquerdo) ajudam a definir o olho do Pelicano e o seu longo bico, enquanto uma frente brilhante de gás ionizado sugere a forma curva da cabeça e do pescoço. Esta impressionante imagem a cores utiliza dados de banda estreita que captam a emissão dos átomos de hidrogénio e oxigénio na nuvem cósmica. A cena abrange cerca de 30 anos-luz à distância estimada da Nebulosa do Pelicano.
 

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