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Edição n.º 1400
08/08 a 10/08/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1576, é colocada a pedra angular do observatório Uraniborg de Tycho Brahe, em Ven, Dinamarca.

Em 1977, a estação soviética Salyut 5 arde na atmosfera. Lançada no dia 22 de junho de 1976, a estação esteve tripulada durante 67 dias. 
Em 1989 era lançada a missão STS-28, a quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano.
Em 2001, lançamento da sonda Genesis, a primeira missão de recolha de material desde o programa Apollo, a primeira a enviar material desde para lá da órbita da Lua (amostras de vento solar).
Observações: Trânsito de Europa, entre as 19:02 e as 21:41.
A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste após o lusco-fusco. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita para encontrar a Estrela Polar (não muito brilhante) brilhando, como sempre, a norte. A Estrela Polar é a extremidade da "pega da frigideira" de Ursa Menor. As únicas outras partes da constelação, de brilho igualmente modesto - são as duas estrelas que formam a outra extremidade da frigideira. Nestas noites de agosto encontra-a para cima e para a esquerda da Polar. São chamadas as Guardiãs do Polo, pois circulam em torno da Polar ao longo da noite e ao longo do ano.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 21:21 e as 23:53.

Dia 09/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de março de 1974 o "orbiter"/"lander" falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se, assim, solar. 

Em 1976, lançamento da soviética Luna 24, a última missão do programa Luna e a terceira a enviar amostras lunares. A cápsula aterrou na Terra no dia 22 de agosto do mesmo ano.
Observações: A Lua sobe a este pouco depois do anoitecer. Para cima e para a sua esquerda encontra-se o Grande Quadrado de Pégaso, apoiado num canto.
A Lua encontra-se a menos de 2º de Neptuno.

Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviassem foguetões à Lua já na década de 1920.

Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus
Em 1992, lançamento do KITSAT-A, também conhecido como Uribyol (que significa "a nossa estrela"), o satélite da Coreia do Sul.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta ativo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço.
Observações: O "W" da constelação de Cassiopeia, inclinada um pouco, brilha a nordeste estas noites. O seu lado direito é o mais brilhante. Observe a constelação a nascer e a subir pelo céu ao longo da noite e ao longo dos próximos meses.

 
CURIOSIDADES


O elemento hélio recebeu este nome por ter sido descoberto por espectroscopia no espectro da coroa solar durante um eclipse de Sol em 1868. Hélio deriva de Helios, a palavra grega para Sol. Este elemento só foi descoberto na Terra em 1881.

 
COLABORAÇÃO DARK ENERGY SURVEY REVELA MEDIÇÃO MAIS PRECISA DA ESTRUTURA DA MATÉRIA ESCURA NO UNIVERSO
Mapa da matéria escura feito a partir de medições de lentes gravitacionais de 26 milhões de galáxias na colaboração DES. O mapa cobre cerca de 1/30 do céu e abrange vários milhares de milhões de anos-luz em dimensão. As regiões vermelhas têm mais matéria escura do que a média, as regiões azuis menos matéria escura.
Crédito: Chihway Chang, do Instituto Kavli para Física Cosmológica, da Universidade de Chicago e da colaboração DES
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Imagine que planta uma única semente e, com grande precisão, consegue prever a altura exata da árvore a partir da qual ela cresce. Agora imagine que viaja para o futuro e tira fotografias que provam que estava certo.

Se pensarmos na semente como o Universo primitivo, e na árvore como o Universo de hoje em dia, temos uma ideia do que a colaboração DES (Dark Energy Survey) acabou de fazer. Numa apresentação da Divisão de Partículas e Campos da Sociedade Física Americana no Laboratório Nacional do Acelerador Fermi do Departamento de Energia dos EUA, cientistas da colaboração DES revelaram a medição mais precisa, alguma vez feita, da atual estrutura em larga escala do Universo.

Estas medições da quantidade e distribuição da matéria escura no cosmos atual foram feitas com uma precisão tal que, pela primeira vez, rivaliza com as inferências do Universo inicial pelo observatório espacial Planck da ESA. O novo resultado da DES (a árvore, na metáfora acima) está perto das "previsões" feitas a partir das medições do Planck no passado distante (a semente), permitindo com que os cientistas saibam mais sobre as formas como o Universo evoluiu ao longo de 14 mil milhões de anos.

"Este resultado é mais que excitante," comenta Scott Dodelson do Fermilab, um dos principais cientistas deste resultado. "Pela primeira vez, somos capazes de ver a atual estrutura do Universo com a mesma clareza com que podemos ver a sua infância, e podemos seguir os 'fios condutores' de uma para a outra, confirmando muitas previsões ao longo do caminho."

Composição das estrelas por cima do Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile.
Crédito: Reidar Hahn/Fermilab
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Mais notavelmente, este resultado suporta a teoria de que 26% do Universo está sob a forma da misteriosa matéria escura e que o espaço está preenchido por uma energia escura igualmente invisível, que está a acelerar a expansão do Universo e perfaz 70%.

Paradoxalmente, é mais fácil medir a distribuição a larga escala do Universo no seu passado distante do que na atualidade. Nos primeiros 400.000 anos após o Big Bang, o Universo estava preenchido por um gás incandescente, cuja luz sobrevive ainda hoje em dia. O mapa desta radiação cósmica de fundo em micro-ondas, pelo Planck, dá-nos um instantâneo do Universo naquela época primordial. Desde então, a gravidade da matéria escura aglomerou a matéria e tornou o Universo mais "grumoso" com o passar do tempo. Mas a energia escura tem lutado contra isto, afastando a matéria. Usando o mapa do Planck como um começo, os cosmólogos podem calcular com precisão como é que esta batalha se desenvolve ao longo de 14 mil milhões de anos.

"As medições da colaboração DES, quando comparadas com o mapa do Planck, suportam a versão mais simples da teoria da matéria escura/energia escura," comenta Joe Zuntz, da Universidade de Edimburgo, que trabalhou na análise. "O momento em que nos apercebemos que a nossa medição coincidia com o resultado do Planck até 93% foi emocionante para a toda a colaboração."

O instrumento principal da DES foi a câmara DEC (Dark Energy Camera) de 570 megapixéis, uma das mais poderosas atualmente em existência, capaz de captar imagens digitais da luz de galáxias a oito mil milhões de anos-luz da Terra. A câmara foi contruída e testada no Fermilab, o laboratório principal da colaboração DES, e está acoplada ao Telescópio Blanco de 4 metros do NSF (National Science Foundation), parte do Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile, uma divisão do NOAO (National Optical Astronomy Observatory). Os dados da DES são processados pelo Centro Nacional para Aplicações de Supercomputação da Universidade de Illinois em Urbana-Campaign, EUA.

Os cientistas da DES estão a usar a câmara para mapear um-oitavo do céu em detalhes sem precedentes ao longo de cinco anos. O quinto ano de observações começa neste mês de agosto. Os novos resultados, divulgados a semana passada, foram recolhidos apenas durante o primeiro ano do levantamento, que cobre 1/30 do céu.

Esta imagem de NGC 1398 foi captada com a câmara DEC. Esta galáxia está localizada no enxame da Fornalha, a cerca de 65 milhões de anos-luz da Terra. Mede 135.000 anos-luz em diâmetro, um pouco maior que a Via Láctea, e contém mais de mil milhões de estrelas.
Crédito: Dark Energy Survey
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"É incrível que a equipa tenha conseguido atingir esta precisão apenas no primeiro ano do seu levantamento," comenta Nigel Sharp, Diretor do Programa do NSF. "Agora que as suas técnicas de análise estão desenvolvidas e testadas, aguardamos com ansiosa antecipação os resultados inovadores à medida que a pesquisa continua."

Os cientistas da colaboração DES usaram dois métodos para medir a matéria escura. Primeiro, criaram mapas das posições das galáxias como se tratasse de marcos e, em segundo lugar, mediram com precisão as formas de 26 milhões de galáxias para mapear diretamente os padrões da matéria escura ao longo de milhares de milhões de anos-luz, usando uma técnica chamada lente gravitacional.

Para fazer estas medições ultraprecisas, a equipa da DES desenvolveu novos métodos de detetar pequenas distorções devidas ao efeito de lente nas imagens das galáxias, um efeito invisível ao olho humano, permitindo avanços revolucionários na compreensão desses sinais cósmicos. No processo, criaram o maior guia para avistar a matéria escura no cosmos alguma vez já desenhado. O novo mapa da matéria escura tem 10 vezes o tamanho do divulgado em 2015 pela DES e, eventualmente, será três vezes maior do que é agora.

"É um enorme esforço de equipa e o culminar de anos de trabalho focado," comenta Erin Sheldon, física do Laboratório Nacional Brookhaven do Departamento de Energia dos EUA, que codesenvolveu o novo método para detetar distorções de lente.

"A colaboração DES já forneceu algumas descobertas e medições notáveis e mal ainda começaram a vasculhar os seus dados," comenta Nigel Lockyer, Diretor do Fermilab. "Estes resultados topo-de-gama indiciam os grandes passos que a DES fará para entender a energia escura ao longo dos próximos anos."

Links:

Notícias relacionadas:
Fermilab (comunicado de imprensa)
SLAC - National Accelerator Laboratory (comunicado de imprensa)
Artigos científicos do 1.º ano da DES
Science alert
Space Daily
Scientific American
Astronomy Now
ScienceDaily
PHYSORG
BBC News
engadget

Matéria escura:
Wikipedia

Energia escura:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Colaboração DES:
Página principal
Wikipedia

Telescópio Blanco:
NOAO
Wikipedia

 
PRÓXIMO ALVO DA NEW HORIZONS ACABA DE FICAR MUITO MAIS INTERESSANTE

Será que o próximo alvo da sonda New Horizons da NASA é na realidade dois alvos?

Os cientistas da New Horizons procuram responder a essa pergunta enquanto analisam novos dados do distante objeto da Cintura de Kuiper 2014 MU69, objeto este que a nave espacial vai visitar no dia 1 de janeiro de 2019. Esse voo rasante será o mais distante da história da exploração espacial, a mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão.

Impressão de artista do objeto da Cintura de Kuiper 2014 MU69, o próximo alvo da missão New Horizons da NASA. Esta imagem de um binário tem por base observações telescópicas feitas na Patagónia, Argentina, no dia 17 de julho de 2017, quando MU69 passou em frente de uma estrela. Os cientistas da New Horizons teorizam que poderá ser um único corpo com um grande bocado em falta, ou dois corpos perto um do outro ou até mesmo tocando-se.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Alex Parker
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta relíquia do Sistema Solar, que está a mais de 6,5 mil milhões de quilómetros da Terra, passou em frente de uma estrela no dia 17 de julho de 2017. Vários telescópios da equipa da New Horizons, situados numa parte remota da Patagónia, Argentina, estavam no lugar certo, no momento certo, para avistar a sua sombra fugaz - um evento conhecido como ocultação - e foram capazes de obter dados importantes para ajudar os planeadores da missão a melhor determinar a trajetória da sonda e a compreender o tamanho, forma, órbita e ambiente em redor de MU69.

Com base nestas novas observações de ocultação, os membros da equipa dizem que MU69 pode não ser um objeto esférico solitário, mas suspeitam que poderá ser um "esferoide prolato extremo" - pense numa bola de râguebi ainda mais esticada - ou até mesmo um binário. A forma estranha tem colocado os cientistas a pensar que dois corpos podem estar a orbitar muito perto um do outro ou até mesmo a tocar-se - o que é conhecido como binário próximo ou de contacto - ou que talvez estejam a observar um único corpo com um grande pedaço em falta. O tamanho de MU69 ou dos seus componentes também pode ser determinado a partir destes dados. Parece não ter mais do que 30 km de comprimento, ou, se for um binário, cada corpo terá entre 15 e 20 km em diâmetro.

Segunda impressão de artista do objeto da Cintura de Kuiper 2014 MU69, o próximo alvo da missão New Horizons da NASA. Os cientistas da New Horizons teorizam que poderá ser um único corpo com um grande bocado em falta, ou dois corpos perto um do outro ou até mesmo tocando-se.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Alex Parker
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Este novo achado é simplesmente espetacular. A forma de MU69 é realmente sedutora e poderá significar outro 'primeiro' para a New Horizons - um objeto binário na Cintura de Kuiper," comenta Alan Stern, investigador da missão principal do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Eu não poderia estar mais feliz com os resultados da ocultação, que prometem uma bonança científica para o 'flyby'."

A ocultação estelar de dia 17 de julho que recolheu estes dados foi a terceira de um conjunto histórico de três ambiciosas observações para a New Horizons. A equipa usou os dados do Telescópio Espacial Hubble e do satélite Gaia da ESA para calcular e determinar os locais onde MU69 lançaria sombra à superfície da Terra. "Ambos estes satélites espaciais foram cruciais para o sucesso de toda a campanha de ocultação," acrescenta Stern.

Marc Buie, coinvestigador da New Horizons que liderou a campanha de observação, salientou: "Estes resultados emocionantes e intrigantes já foram fundamentais para o planeamento da nossa missão, mas também aumentam os mistérios em torno deste alvo, que a New Horizons vai encontrar daqui a menos de 17 meses."

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
27/09/2016 - "Coração" de Plutão lança luz sobre possível oceano subterrâneo
16/09/2016 - Plutão emite raios-X; pinta Caronte de vermelho
05/07/2016 - New Horizons recebe prolongamento da missão, Dawn permanecerá em Ceres
24/06/2016 - Investigação reforça caso para um oceano subsuperficial em Plutão
03/06/2016 - O coração de Plutão: como uma lâmpada de lava cósmica
31/05/2016 - As melhores imagens da superfície de Plutão pela New Horizons
20/05/2016 - Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão
10/05/2016 - Hidra, a lua gelada de Plutão
06/05/2016 - Estudo descobre que a interação de Plutão com o vento solar é única
08/04/2016 - New Horizons preenche lacuna nas observações do ambiente espacial
18/03/2016 - Artigos científicos revelam novos aspetos de Plutão e das suas luas
04/03/2016 - Neva metano nos picos de Plutão
01/03/2016 - Os desfiladeiros gelados do polo norte de Plutão
23/02/2016 - Caronte, a Lua "Hulk" de Plutão: um possível antigo oceano?
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar lonqínguo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
Astronomy
Scientific American
SPACE.com
COSMOS
The Verge

2014 MU69:
Wikipedia 
NASA

New Horizons:
Página oficial
NASA
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Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
OBSERVAÇÕES AO LUSCO-FUSCO REVELAM TEMPESTADE ENORME EM NEPTUNO
Enquanto observava Neptuno ao amanhecer com o Telescópio Keck, o estudante Ned Molter descobriu um sistema de tempestades invulgarmente brilhante e quase circular perto do equador do planeta, uma região onde os astrónomos nunca tinham visto uma nuvem brilhante. O centro do complexo de tempestades mede cerca de 9000 km de comprimento, cerca de 3/4 do tamanho da Terra, ou 1/3 do raio de Neptuno.
Crédito: N. Molter/I. de Pater, UC Berkeley/C. Alvarez, Observatório W. M. Keck
 

O nascer e o pôr-do-Sol são suficientes para deslumbrar a maioria de nós, mas para os astrónomos, o amanhecer e o crepúsculo são um desperdício de bom tempo de observação. Eles querem um céu verdadeiramente escuro.

Mas não Ned Molter, estudante de astronomia da UC Berkeley. Ele quis mostrar que alguns objetos brilhantes também podem ser estudados durante o lusco-fusco, enquanto outros astrónomos olham para o relógio, e rapidamente descobriu uma nova característica em Neptuno: um sistema de tempestades quase do tamanho da Terra.

"Ver uma tempestade tão brilhante, a uma latitude tão baixa, é extremamente surpreendente," comenta Molter, que avistou o sistema perto do equador de Neptuno durante um teste ao lusco-fusco utilizando o Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii. "Normalmente, esta área é verdadeiramente calma e só vemos nuvens brilhantes a bandas de latitude média, de modo que encontrar uma nuvem tão enorme situada no equador é espetacular."

Este enorme sistema de tempestades, encontrado numa região onde nenhuma nuvem brilhante tinha sido avistada antes, mede cerca de 9000 quilómetros em comprimento, ou um-terço do raio de Neptuno, abrangendo pelo menos 30 graus tanto em latitude como em longitude. Molter observou o aumento de brilho entre 26 de junho e 2 de julho.

"Historicamente, já têm sido avistadas nuvens muito brilhantes, ocasionalmente, em Neptuno, mas normalmente em latitudes mais próximas dos polos, cerca de 15 a 60 graus norte ou sul," realça Imke de Pater, professora de astronomia da UC Berkeley e conselheira de Molter. "Nunca antes uma nuvem tinha sido observada tão perto do equador, nem assim tão brilhante."

Ao início, de Pater pensava que era o mesmo complexo de nuvens avistado pelo Telescópio Espacial Hubble em 1994, depois da icónica Grande Mancha Escura, fotografada pela Voyager 2 em 1989, ter desaparecido. Mas de Pater diz que as medições da sua posição não coincidem, sinalizando que este complexo de nuvens é diferente do que o Hubble viu pela primeira vez há mais de duas décadas.

Vórtices escuros, de alta pressão, ancorados nas profundezas da atmosfera de Neptuno, podem ser os responsáveis pela gigantesca cobertura de nuvens. À medida que os gases sobem no vórtice, arrefecem. Quando a sua temperatura cai abaixo da temperatura de condensação de um gás condensável, esse gás condensa e forma nuvens, como a água na Terra. Em Neptuno, espera-se a formação de nuvens de metano.

Imagens de Neptuno captadas durante observações ao lusco-fusco revelaram um sistema de tempestades extremamente grande e brilhante perto do equador do planeta, uma região onde os astrónomos nunca tinham visto uma nuvem brilhante. O centro do complexo de tempestades mede cerca de 9000 km de comprimento, cerca de 3/4 do tamanho da Terra, ou 1/3 do raio de Neptuno. A tempestade aumentou consideravelmente de brilho entre 26 de junho e 2 de julho.
Crédito: N. Molter/I. de Pater, UC Berkeley/C. Alvarez, Observatório W. M. Keck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tal como todos os planetas, os ventos na atmosfera de Neptuno variam drasticamente com a latitude, de modo que se houver um grande sistema de nuvens brilhantes a abranger muitas latitudes, algo deverá estar a mantê-lo unido, como um vórtice escuro. Caso contrário, as nuvens separar-se-iam.

"Este grande vórtice está localizado numa região onde o ar, em geral, está a descer em vez de subir," comenta de Pater. "Além disso, um vórtice de longa duração, situado no equador, será difícil de explicar fisicamente."

Se não estiver ligado a um vórtice, o sistema poderá ser uma grande nuvem convectiva, semelhante àquelas vistas ocasionalmente noutros planetas como a grande tempestade em Saturno, detetada em 2010. Embora também seria de esperar que a tempestade ficasse consideravelmente "manchada" após uma semana.

"Isto mostra que existem mudanças extremamente drásticas na dinâmica atmosférica de Neptuno, e talvez este seja um evento climático sazonal que ocorre a cada poucas décadas," realça de Pater.

Neptuno é o mais planeta mais "ventoso" do Sistema Solar - os ventos mais velozes observados, no equador, atingiram uns violentos 1400 km/h. Colocando este valor em perspetiva: um furacão de Categoria 5 tem velocidades de vento na ordem dos 250 km/h. Neptuno orbita o Sol a cada 160 anos e uma estação tem a duração aproximada de 40 anos.

A descoberta do misterioso complexo de nuvens equatoriais em Neptuno foi possível graças a um novo programa do Keck, que permite que estudantes universitários e investigadores trabalhem com o telescópio, enquanto contribuem para o Observatório e para a sua comunidade científica.

Molter é um de oito estudantes aceites no programa este ano. A sua tarefa durante a sua estadia de seis semanas no Observatório, era desenvolver um método mais eficiente de observação ao crepúsculo, fazendo uso do tempo que, de outra forma, não seria usado. A maioria dos observadores da comunidade do Keck debruça-se sobre o céu noturno e não consegue observar os seus alvos durante o lusco-fusco.

Links:

Notícias relacionadas:
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
PHYSORG
National Geographic
EurekAlert!
UPI
Gizmodo

Neptuno:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Professor de Stanford cria eclipse artifical para fotografar exoplanetas (via Universidade de Stanford)
Na nossa caça por planetas parecidos com a Terra e vida extraterrestre, encontrámos milhares de exoplanetas em órbita de outras estrelas que não o Sol. O problema é que a maioria destes planetas foram detetados através de métodos indiretos. Os telescópios atuais não conseguem observar planetas parecidos com a Terra porque estão demasiado perto das estrelas que orbitam, estrelas estas cerca de 10 mil milhões de vezes mais brilhantes do que os planetas que as rodeiam. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Via Láctea e Explosão de Meteoro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: André van der Hoeven
 
No próximo fim-de-semana a chuva de meteoros das Perseidas atinge o seu pico. Grãos gelados de rocha vão atravessar o céu enquanto se evaporam durante a entrada na atmosfera terrestre. Estes grãos foram libertados do Cometa Swift-Tuttle. As Perseidas resultam do cruzamento anual da Terra pela órbita do Cometa Swift-Tuttle, e são normalmente a chuva de meteoros mais ativa do ano. Embora seja difícil prever o nível de atividade de qualquer chuva de meteoros, com um céu escuro e limpo um observador poderá ver até um meteoro por minuto. As Perseidas deste ano atingem o pico quase uma semana depois da Lua Cheia, de modo que alguns meteoros ténues podem perder-se por entre o brilho do luar. No geral, as chuvas de meteoros são melhor disfrutadas numa posição relaxante, longe das luzes. A imagem em destaque é a da explosão de um meteoro, capturada durante as Perseidas de 2015 por cima dos céus da Áustria, ao lado da banda central da nossa Galáxia, a Via Láctea.
 

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