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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1625  
  04/10 a 07/10/2019  
     
 

05/10/19 - Observação da Lua
20:00-21:00 - No âmbito da Semana Mundial do Espaço que decorre de 4 a 10 de outubro e da Noite Internacional de Observação da Lua promovida pela NASA - National Aeronautics and Space Administration, o Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar uma sessão de observação da Lua na Praça da República. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras com auxílio de telescópio. Esta atividade é gratuita. Participe!
Local: Praça da República, Tavira
Informações:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt

 
     
 
10/10/19 - Palestra + Observação noturna com telescópio
20:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Adultos: 2€ | Jovens: 1€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt
 
     
 
Efemérides

Dia 04/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 20:09 e as 23:10.
A Lua brilha esta noite entre Júpiter e Saturno.

Dia 05/10: 278.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1958, nasce Neil deGrasse Tyson, astrofísico, cosmólogo, autor e comunicador científico americano.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orionte. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atração gravitacional das outras estrelas.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 17:47.
Esta noite a Lua brilha ao pé de Saturno, que está apenas 1,7º para cima e para a esquerda do nosso satélite natural. Mas Saturno está 3800 vezes mais distante. Um telescópio mostra a sua maior lua, Titã, um pontinho laranja de magnitude 8,7 a quatro diâmetros anulares para este de Saturno. E, no entanto, Titã tem metade do diâmetro da Lua.

Dia 06/10: 279.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1903, nascia Ernest Walton, físico irlandês que ganhou o prémio Nobel por ter sido a primeira pessoa na história a dividir artificialmente o átomo, dando início à era nuclear.
Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASAUlysses, a partir do vaivém Discovery. Em fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.

Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 20:12 e as 22:54.
A Lua já se afastou de Saturno, está agora para a sua esquerda e para a esquerda do "Bule de Chá" de Sagitário.

Dia 07/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascia Niels Bohr, físico que fez contribuições fundamentais na compreensão da estrutura atómica e da mecânica quântica, pela qual ganhou o prémio Nobel da Física.

Em 1958, o programa de voo espacial tripulado dos EUA muda de nome, para Projeto Mercury
Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.
Em 2008, o asteroide 2008 TC3 colide com a Terra, por cima do Sudão. É a primeira vez que se determina, antecipadamente, a colisão de um asteroide com o nosso planeta.
Observações: Ocultação de Io, entre as 18:57 e as 21:16.
Saturno na sua quadratura este, pelas 20:09.
Eclipse de Io, entre as 20:06 e as 22:25.

 
     
 
Curiosidades


O maior buraco negro conhecido encontra-se no quasar TON 618. Tem o equivalente a 66 mil milhões de massas solares.

 
 
   
Novos compostos orgânicos descobertos nos grãos de gelo de Encélado
 
Nesta imagem obtida pela sonda Cassini da NASA em 2007, as plumas de Encélado são claramente visíveis. A lua está quase em frente do Sol, da perspetiva da Cassini.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Novos tipos de compostos orgânicos, os ingredientes dos aminoácidos, foram detetados nas plumas expelida da lua de Saturno, Encélado. As descobertas são o resultado da análise profunda e contínua dos dados da missão Cassini da NASA.

Poderosas fontes hidrotermais ejetam material do núcleo de Encélado, que se mistura com a água do imenso oceano subterrâneo da lua antes de ser libertado para o espaço como vapor de água e grãos de gelo. As moléculas recém-descobertas, condensadas nos grãos gelados, foram determinadas como compostos contendo azoto e oxigénio.

Na Terra, compostos semelhantes fazem parte das reações químicas que produzem aminoácidos, os blocos de construção da vida. As fontes hidrotermais no fundo do oceano fornecem a energia que alimenta as reações. Os cientistas pensam que as fontes hidrotermais de Encélado possam operar da mesma maneira, fornecendo energia que leva à produção de aminoácidos.

 

Esta ilustração mostra o processo dos compostos orgânicos a fazer o caminho para grãos de gelo emitidos nas plumas da lua de Saturno, Encélado, onde foram detetados pela sonda Cassini da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

 

"Se as condições forem as ideais, estas moléculas vindas do oceano profundo de Encélado podem estar no mesmo caminho de reação que vemos aqui na Terra. Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas a descoberta de moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do quebra-cabeças," disse Nozair Khawaja, que liderou a equipa de investigação. As suas descobertas foram publicadas na edição de dia 2 de outubro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Embora a missão da Cassini tenha terminado em setembro de 2017, os dados que forneceu serão minados durante décadas. A equipa de Khawaja usou dados do instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer) da sonda, que detetou grãos de gelo emitidos de Encélado para o anel E de Saturno.

Os cientistas usaram as medições do espectrómetro de massa do CDA para determinar a composição do material orgânico nos grãos.

Os compostos orgânicos identificados dissolveram-se no oceano de Encélado e depois evaporaram-se da superfície da água antes de condensar e congelar em grãos de gelo dentro das fissuras da crosta da lua, descobriram os cientistas. Soprados para o espaço com a pluma crescente emitida por estas fissuras, os grãos de gelo foram então analisados pelo CDA da Cassini.

As novas descobertas complementam a descoberta da equipa, no ano passado, de grandes moléculas orgânicas complexas e insolúveis que se pensa flutuarem à superfície do oceano de Encélado. A equipa aprofundou este trabalho para descobrir quais os ingredientes, dissolvidos no oceano, necessários para os processos hidrotermais que estimulariam a formação de aminoácidos.

"Aqui estamos a descobrir blocos orgânicos menores e solúveis - potenciais percursores de aminoácidos e outros ingredientes necessários para a vida na Terra," disse o coautor Jon Hillier.

"Este trabalho mostra que o oceano de Encélado possui blocos de construção reativos em abundância, e é outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado," acrescentou o coautor Frank Postberg.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


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Saturno:
Solarviews
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Cassini:
Página oficial (NASA)
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InSight "ouve" sons peculiares em Marte
 
Nuvens flutuam por cima do sismómetro coberto por uma cúpula, sismómetro este conhecido como SEIS, pertencente ao módulo InSight da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Aproxime o seu ouvido do chão marciano e será recompensado com uma sinfonia de sons. Verdade, precisaria de ter uma audição sobre-humana, mas o módulo InSight da NASA vem equipado com um "ouvido" muito especial.

O sismómetro requintadamente sensível do "lander", de nome SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), pode captar vibrações tão subtis quanto uma brisa. O instrumento foi fornecido pela agência espacial francesa, CNES (Centre National d'Études Spatiales) e seus parceiros.

O SEIS foi projetado para ouvir sismos marcianos. Os cientistas querem estudar como as ondas sísmicas destes terremotos se movem pelo interior do planeta, revelando pela primeira vez a estrutura interna profunda de Marte.

Mas depois do sismómetro ter sido implantado à superfície pelo braço robótico do InSight, Marte parecia tímido. Só produziu o seu primeiro tremor no passado mês de abril, e este primeiro sismo acabou sendo estranho. Tinha um sinal sísmico surpreendentemente alto em comparação com os que a equipa científica ouviu desde então. Dos mais de 100 eventos detetados até ao momento, cerca de 21 são fortemente considerados abalos de terra. Os restantes podem também sê-lo, mas a equipa científica não descartou outras causas.

Sismos

Ponha auscultadores para ouvir dois dos sismos mais representativos detetados pelo SEIS. Estes ocorreram no dia 22 de maio de 2019 (o 173.º dia marciano, ou sol, da missão) e no dia 25 de julho de 2019 (Sol 235). Muito abaixo do alcance da audição humana, estas amostras sonoras do SEIS tiveram que ser aceleradas e ligeiramente processadas para serem ouvidas através de auscultadores. Ambas foram registadas pelos "sensores de banda muito larga" no SEIS, que são mais sensíveis em frequências mais baixas do que os seus sensores de curto período.

O sismo do Sol 173 tem uma magnitude de 3,7; o do Sol 235 de 3,3.

https://soundcloud.com/nasa/quake-sol-173
https://soundcloud.com/nasa/quake-sol-235

Cada abalo é um estrondo subtil. O sismo do Sol 235 torna-se particularmente pesado no que toca a graves no final do evento. Ambos sugerem que a crosta marciana é como uma mistura da crosta da Terra e da Lua. As fissuras na crosta da Terra fecham-se com o tempo, à medida que a água as enche com novos minerais. Isto permite que as ondas sonoras continuem ininterruptamente à medida que passam por fissuras antigas. Crostas mais secas como a da Lua permanecem fraturadas após os impactos, espalhando ondas sonoras durante dezenas de minutos, em vez de permitir que viajem em linha reta. Marte, com a sua superfície craterada, é um pouco mais parecido com a Lua, com ondas sísmicas que "tocam" por um minuto ou mais, enquanto os sismos da Terra podem ir e vir em segundos.

Sons mecânicos e rajadas de vento

O SEIS não tem problemas em identificar terremotos mais silenciosos, mas o seu ouvido sensível significa que os cientistas têm muitos outros ruídos para filtrar. Com o tempo, a equipa aprendeu a reconhecer os diferentes sons. E embora alguns sejam mais difíceis do que outros, para aqueles que trabalham com o módulo todos estes sons realçam a presença do InSight em Marte.

"Tem sido emocionante, especialmente no início, ao ouvir as primeiras vibrações do módulo de aterragem," disse Constantinos Charalambous, membro da equipa científica do InSight no Imperial College London que trabalha com os sensores SP. "Estamos a imaginar o que realmente está a acontecer em Marte enquanto o InSight permanece à superfície do planeta."

Charalambous e Nobuaki Fuji do Institut de Physique du Globe de Paris forneceram as amostras áudio para este comunicado, incluindo a amostra mais abaixo, que também é melhor ouvida com auscultadores e que captura a variedade de sons ouvidos.

No dia 6 de março de 2019, uma câmara no braço robótico do InSight estava a estudar a superfície em frente do "lander". Cada movimento do braço produz o que para o SEIS é um ruído agudo.

As rajadas de vento também podem criar ruído. A equipa está sempre à caça de sismos, mas descobriram que o crepúsculo é dos melhores momentos para o fazer. Durante o dia, a luz do Sol aquece o ar e cria mais interferência do que à noite.

A noite também é quando os sons peculiares que a equipa do InSight apelidou de "dinks and donks" se tornam mais predominantes. A equipa sabe que são provenientes de partes delicadas do sismómetro, expandindo-se e contraindo umas contra as outras e pensa que a perda de calor possa ser o fator, semelhante à forma como um motor de um carro faz sons depois de desligado e começa a arrefecer.

Podemos ouvir vários destes sons "dinks and donks" no próximo conjunto de sons, gravados logo após o pôr-do-Sol de dia 16 de julho de 2019 (Sol 226). Ouça com atenção e também poderá discernir um assobio misterioso que a equipa acha que pode ser provocado por interferência nos componentes eletrónicos do sismómetro.

https://soundcloud.com/nasa/dinks-and-donks-sample

O que é que estes sons lhe fazem lembrar? Uma sala cheia de relógios de pêndulo? Uma banda marciana de jazz?

// NASA (comunicado de imprensa)
// Ouça o InSight a trabalhar em Marte (NASA JPL via YouTube)

 


Saiba mais

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05/07/2019 - InSight da NASA destapa a "toupeira"
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08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
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Marte:
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As "sementes" dos buracos negros, desaparecidas do jardim cósmico
 
Os buracos negros supermassivos no coração de galáxias em fusão aproximam-se cada vez mais um do outro até que se fundem, libertando quantidades gigantescas de energia. O processo pode explicar como é que os buracos negros atingem tamanhos tão grandes.
Crédito: NASA
 

No vasto jardim do Universo, os buracos negros mais pesados cresceram a partir de sementes. Alimentados pelo gás e poeira que consumiram, ou pela fusão com outros objetos densos, estas sementes cresceram em tamanho e massa para formar os centros das galáxias como a nossa Via Láctea. Mas, ao contrário do reino das plantas, as sementes dos buracos negros gigantes devem ter sido buracos negros também. E ninguém encontrou estas sementes - ainda.

Uma ideia é que os buracos negros supermassivos - o equivalente em massa a centenas de milhares a milhares de milhões de sóis - cresceram a partir de uma população de buracos negros mais pequenos que nunca foram vistos. Este grupo elusivo, os "buracos negros de massa intermédia", teriam entre 100 e 100.000 vezes a massa da nossa estrela-mãe. Entre as centenas de buracos negros encontrados até agora, existem muitos relativamente pequenos, mas nenhum com certeza no "deserto" intermédio da gama de massas.

Os cientistas estão a trabalhar com poderosos telescópios espaciais da NASA, além de outros observatórios, para rastrear objetos distantes que se encaixam na descrição destas entidades exóticas. Já encontraram dezenas de possíveis candidatos e estão a trabalhar para confirmá-los como buracos negros. Mas, mesmo que o façam, isto abre um novo mistério: como é que os buracos negros de massa intermédia se formaram?

"O que é fascinante, e a razão de se gastar tanto tempo a encontrar estes buracos negros de massa intermédia, é porque lançam luz sobre os processos que aconteceram no início do Universo, sobre as massas destes buracos negros relíquias, e sobre novos mecanismos de formação de buracos negros que ainda não conhecemos," disse Fiona Harrison, professora de física no Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e investigadora principal da missão NuSTAR da NASA.

Os buracos negros

Um buraco negro é um objeto extremamente denso no espaço, do qual nenhuma luz consegue escapar. Quando o material cai num buraco negro, não tem como sair. E quanto mais um buraco negro come, mais cresce em massa e tamanho.

Os buracos negros mais pequenos são chamados de "massa estelar", entre 1 e 100 vezes a massa do Sol. Formam-se quando as estrelas explodem em processos violentos chamados supernovas.

Os buracos negros supermassivos, por outro lado, são as âncoras centrais de galáxias grandes - por exemplo, o nosso Sol e todas as outras estrelas da Via Láctea orbitam um buraco negro chamado Sagitário A* com aproximadamente 4,1 milhões de massas solares. Um buraco negro ainda mais massivo - com uns incríveis 6,5 mil milhões de vezes a massa do Sol - serve como peça central da galáxia Messier 87 (M87). O buraco negro supermassivo de M87 aparece na famosa imagem do EHT (Event Horizon Telescope), mostrando um buraco negro e a sua "sombra" pela primeira vez. Esta sombra é provocada pelo horizonte de eventos, o ponto de não retorno do buraco negro, curvando e capturando a luz com a sua forte gravidade.

Os buracos negros supermassivos tendem a ter discos de material em seu redor chamados "discos de acreção", feitos de partículas extremamente quentes e altamente energéticas que brilham à medida que se aproximam do horizonte de eventos - a região de não retorno do buraco negro. Aqueles que fazem os seus discos brilhar intensamente, porque comem muito, são chamados "núcleos galácticos ativos".

A densidade de matéria necessária para criar um buraco negro é incompreensível. Para fazer um buraco negro com 50 vezes a massa do Sol, precisaríamos de colocar o equivalente a 50 sóis numa bola com menos de 300 km de diâmetro. Mas, no caso do buraco negro supermassivo de M87, é como se 6,5 mil milhões de sóis fossem comprimidos numa bola maior que a órbita de Plutão. Em ambos os casos, a densidade é tão alta que o material original deve desmoronar numa singularidade - um rasgo no tecido do espaço-tempo.

A chave para o mistério das origens dos buracos negros é o limite físico de quão depressa podem crescer. Até os monstros gigantes nos centros das galáxias têm limites para os seus frenesins alimentícios, porque uma certa quantidade de material é repelido pela radiação altamente energética proveniente de partículas quentes perto do horizonte de eventos. Só a comer material circundante, um buraco negro de baixa massa pode duplicar a sua massa em 30 milhões de anos, por exemplo.

"Se começarmos com uma massa de 50 sóis, não podemos simplesmente aumentá-la para mil milhões ao longo de mil milhões de anos," disse Igor Chilingarian, astrofísico do Observatório Astrofísico do Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, e da Universidade Estatal de Moscovo. Mas, "como sabemos, existem buracos negros supermassivos menos de mil milhões de anos após a formação do Universo."

 
Impressão de artista que mostra um dos buracos negros supermassivos mais primitivos conhecidos (ponto negro central) no núcleo de uma galáxia jovem e rica em estrelas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Como fazer um buraco negro que não podemos ver

No início da história do Universo, a semente de um buraco negro de massa intermédia pode ter sido formada a partir do colapso de uma grande nuvem de densa de gás ou de uma explosão de supernova. As primeiras estrelas que explodiram no Universo tinham hidrogénio e hélio puros nas suas camadas exteriores, com elementos mais pesados concentrados no núcleo. Esta é uma receita para um buraco negro muito mais massivo do que as estrelas explosivas modernas, que estão "poluídas" com elementos pesados nas suas camadas exteriores e, portanto, perdem mais massa através dos seus ventos estelares.

"Se estamos a formar buracos negros com 100 massas solares no início do Universo, alguns deles devem fundir-se, mas então basicamente devíamos produzir uma gama completa de massas, e alguns deles ainda devem andar por aí," comentou Tod Strohmayer, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, Greenbelt, Maryland. "Então, onde é que estão, se realmente se formaram?"

Uma pista de que os buracos negros de massa intermédia ainda podem realmente estar por aí veio do LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) da NSF, uma colaboração entre o Caltech e o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Os detetores do LIGO, em combinação com uma instalação europeia chamada Virgo, estão a encontrar muitas fusões diferentes de buracos negros através de ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais.

Em 2016, o LIGO anunciou uma das descobertas científicas mais importantes dos últimos 50 anos: a primeira deteção de ondas gravitacionais. Especificamente, os detetores localizados em Livingston, Louisiana, e Hanford, Washington, captaram o sinal de dois buracos negros em fusão. As massas destes buracos negros - 29 e 36 vezes a massa do Sol, respetivamente - surpreenderam os cientistas. Embora estes ainda não sejam tecnicamente de massa intermédia, são grandes o suficiente para levantar sobrancelhas.

É possível que todos os buracos negros de massa intermédia já se tenham fundido, mas também que a tecnologia não tenha sido aperfeiçoada para os localizar.

 
Uma galáxia chamada ESO 243-49, é o lar de um objeto extremamente brilhante chamado HLX-1. Salientado na imagem, HLX-1 é o exemplo mais provável de um buraco negro na gama intermédia de massas que os cientistas já encontraram.
Crédito: NASA; ESA; e S. Farrell, Instituto para Astronomia de Sydney, Universidade de Sydney
 

Então, onde é que estão?

É complicado procurar buracos negros no "deserto" da massa intermédia porque os próprios buracos negros não emitem luz. No entanto, os cientistas podem procurar sinais indicadores específicos usando telescópios sofisticados e outros instrumentos. Por exemplo, dado que o fluxo de matéria para um buraco negro não é constante, a massa agregada de material consumido provoca certas variações na emissão de luz no ambiente. Tais mudanças podem ser vistas mais rapidamente em buracos negros mais pequenos do que em buracos negros maiores.

"Numa escala de horas, podemos fazer a campanha observacional que, para os núcleos galácticos ativos, leva meses," disse Chilingarian.

O candidato mais promissor a buraco negro de massa intermédia tem o nome HLX-1, com uma massa de cerca de 20.000 vezes a do Sol. HLX-1 significa "Hyper-Luminous X-ray source 1" e a sua produção energética é muito maior que a de estrelas parecidas com o Sol. Foi descoberto em 2009 pelo astrónomo australiano Sean Farrell, usando o telescópio espacial XMM-Newton da ESA. Um estudo de 2012, usando os telescópios espaciais Hubble e Swift da NASA, encontrou sugestões de um enxame de jovens estrelas azuis em órbita deste objeto. Pode ter sido o centro de uma galáxia anã engolida pela galáxia maior ESO 243-49. Muitos cientistas consideram HLX-1 um buraco negro de massa intermédia já provado, disse Harrison.

"As cores da luz de raios-X que emite, e o modo como se comporta, são muito semelhantes a um buraco negro," acrescentou Harrison. "Muitas pessoas, incluindo o meu grupo, têm programas para encontrar coisas que se parecem com HLX-1, mas até agora nenhum é consistente. Mas a caça continua."

Objetos menos brilhantes que podem ser buracos negros de massa intermédia são chamadas fontes de raios-X ultraluminosas, ou ULXs ("ultraluminous X-ray sources"). Uma ULX cintilante chamada NGC 5048 X-1 tem sido especialmente interessante para os cientistas que procuram buracos negros de massa intermédia. Mas os observatórios de raios-X NuSTAR e Chandra da NASA surpreenderam os cientistas ao revelar que muitas ULXs não são buracos negros - são pulsares, remanescentes estelares extremamente densos que parecem pulsar como faróis.

M82 X-1, a fonte de raios-X mais brilhante na galáxia M82, é outro objeto muito brilhante que parece piscar em escalas de tempo consistentes com um buraco negro de massa intermédia. Estas mudanças no brilho estão ligadas com a massa do buraco negro e são provocadas por material em órbita perto da região interior do disco de acreção. Um estudo de 2014 analisou variações específicas na luz de raios-X e estimou que M82 X-1 tem uma massa equivalente a 400 sóis. Os cientistas usaram dados de arquivo do satélite RXTE (Rossi X-ray Timing Explorer) da NASA para estudar estas variações de brilho em raios-X.

Mais recentemente, os cientistas investigaram um grupo maior de possíveis buracos negros de massa intermédia. Em 2018, Chilingarian e colegas descreveram uma amostra de 10 candidatos reanalisando dados óticos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e comparando as perspetivas iniciais com dados de raios-X do Chandra e do XMM-Newton. Agora estão a utilizar telescópios terrestres no Chile e no Arizona. Mar Mezcua do Instituto de Ciências Espaciais da Espanha liderou um estudo separado em 2018, também com o Chandra, encontrando 40 buracos negros crescentes em galáxias anãs que podem estar nesta faixa especial de massa intermédia. Mas Mezcua e colaboradores argumentam que estes buracos negros se formaram originalmente no colapso de nuvens gigantes, não em explosões estelares.

 
Esta imagem, obtida com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostra a região central da galáxia NGC 1313. Esta galáxia é o lar da fonte ultraluminosa de raios-X NGC 1313 X-1, que os astrónomos agora determinaram ser um candidato a buraco negro de massa intermédia. NGC 1313 tem 50.000 anos-luz de diâmetro e está a aproximadamente 14 milhões de anos-luz da Via Láctea na direção da constelação do hemisfério sul de Retículo.
Crédito: ESO
 

O que aí vem

As galáxias anãs são lugares interessantes para continuar esta procura porque, em teoria, sistemas estelares mais pequenos podem hospedar buracos negros de massa muito menor do que os encontrados nos centros de galáxias maiores como a nossa.

Os cientistas também estão a procurá-los em enxames globulares - concentrações esféricas de estrelas localizadas nos arredores da Via Láctea e de outras galáxias - pela mesma razão.

"Podem lá haver buracos negros desta categoria, em galáxias desta categoria, mas se não estiverem a acretar muita matéria, poderá ser difícil observá-los," disse Strohmayer.

Os caçadores de buracos negros de massa intermédia aguardam ansiosamente o lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, que estudará as primeiras galáxias da Universo. O Webb vai ajudar os astrónomos a descobrir o que surgiu primeiro - a galáxia ou o seu buraco negro central - e como esse buraco negro pode ter sido produzido. Em combinação com observações de raios-X, os dados infravermelhos do Webb serão importantes para identificar alguns dos candidatos mais antigos a buraco negro.

Outra nova ferramenta lançada em julho pela agência espacial russa Roscosmos chama-se Spectrum X-Gamma, uma espaçonave que varre o céu em raios-X e transporta um instrumento com espelhos desenvolvidos e contruídos em parceria com o Centro de Voo Espacial Marshall da NASA, em Huntsville, estado norte-americano do Alabama. As informações de ondas gravitacionais da colaboração LIGO-Virgo também vão ajudar na busca, assim como a missão planeada LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da ESA.

Esta frota de novos instrumentos e tecnologias, além das atuais, vai ajudar os astrónomos à medida que continuam a vasculhar o jardim cósmico em busca das sementes de buracos negros e galáxias como a nossa.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
13/09/2019 - Buraco negro de massa intermédia lança estrela pela Via Láctea
05/03/2019 - Encontrado buraco negro de massa intermédia perto do Centro Galáctico
17/08/2018 - Encontrando buracos negros de massa intermédia
22/06/2018 - Cientistas captam as melhores evidências de um tipo de buraco negro raro
14/02/2017 - Buraco negro de massa intermédia no centro de um enxame globular gigante
07/10/2016 - Telescópios de raios-X encontram evidências de buraco negro errante
10/10/2014 - NuSTAR descobre estrela morta excepcionalmente brilhante
10/01/2014 - Morte por buraco negro numa galáxia anã?
17/02/2012 - Buraco negro raro sobrevive destruição de galáxia
03/07/2009 - Astrónomos descobrem classe média de buracos negros

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo de M87:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Fontes Ultraluminosas de raios-X (ULX, "ultraluminous X-ray sources"):
Wikipedia

HLX-1:
Wikipedia

M82 X-1:
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

EHT (Event Horizon Telescope):
Página oficial
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

RXTE:
Página principal
NASA
Wikipedia

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

Spectrum X-Gamma:
Wikipedia

LISA:
Página oficial
ESA
NASA
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - As Nuvens de Hidrogénio de M33
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados da imagem - Telescópio Subaru (NAOJ), Telescópio Espacial Hubble - Processamento - Robert Gendler; Dados adicionais: BYU, Robert Gendler, Johannes Schedler, Adam Block; Direitos de autor: Robert Gendler, Telescópio Subaru, NAOJ
 
A esplêndida galáxia espiral M33 parece ter mais do que a sua quota parte de hidrogénio gasoso brilhante. Membro proeminente do grupo local de galáxias, M33 é também conhecida como Galáxia do Triângulo e está situada a cerca de 3 milhões de anos-luz de distância. Os aproximadamente 30.000 anos-luz interiores da galáxia podem ser aqui vistos neste magnífico mosaico composto por 25 painéis. Com base em dados obtidos por telescópios terrestres e espaciais, este retrato de M33 mostra as suas nuvens avermelhadas de hidrogénio ionizado ou regiões HII. Espalhadas por entre os braços espirais que serpenteiam em direção ao núcleo, as gigantes regiões HII de M33 são alguns dos maiores berçários estelares conhecidos, locais de formação de estrelas com vida curta, mas muito massivas. A intensa radiação ultravioleta das estrelas massivas e luminosas ioniza o hidrogénio gasoso em redor e, por fim, produz o brilho vermelho característico. Para melhorar esta imagem, foram usados dados de banda larga para produzir uma vista a cores da galáxia, combinados com dados de banda estreita obtidos através de um filtro de hidrogénio-alfa. Esse filtro transmite a luz da linha de emissão mais forte do hidrogénio visível.
 
   
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