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Edição n.º 1463
16/03 a 19/03/2018
 
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29/03/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 16/03: 75.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1750, nascia Caroline Herschel, astrónoma e irmã de William Herschel, com quem trabalhou. A sua maior contribuição para a astronomia foi a descoberta de vários cometas e em particular o cometa periódico 35P/Herschel-Rigollet. Foi a primeira mulher a ser remunerada pela sua contribuição à ciência e recebeu vários prémios e honras internacionais.
Em 1918, nascia Frederick Reines, físico americano que recebeu em 1995 o Prémio Nobel da Física pela sua co-deteção do neutrino juntamente com Clyde Cowan. Pode muito bem ser o único cientista na história "tão intimamente ligado à descoberta de uma partícula elementar e consequente investigação das suas propriedades fundamentais".
Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticabilidade dos foguetões e convence Goddard que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua. 

Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts. EUA. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96,6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12,5 metros.
Em 1942, primeiro lançamento de teste do foguetão V-2. Explode na descolagem. 
Em 1966 era lançada a Gemini 8 - o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejetado da Terra aquando do impacto com um objeto do tamanho de Marte.
Em 2005, a sonda Cassini descobre a atmosfera de Encélado.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 00:41 e as 02:55.
Trânsito de Io, entre as 01:45 e as 04:00.
O maior asterismo (padrão informal de estrelas) do céu é o Hexágono de Inverno. Preenche o céu a sul e oeste logo após o anoitecer por estas noites. Comece com a brilhante Sirius em baixo, quase a sul. No sentido dos ponteiros do relógio, marche para cima e para a esquerda até Procyon, depois para cima para Pollux e Castor perto do zénite. Continue agora para baixo e para a direita através de Menkalinan até à brilhante Capella, para baixo e para a esquerda até Aldebarã, na mesma direção até Rigel, o pé de Orionte, e novamente até Sirius.
Betelgeuse brilha dentro do Hexágono, para baixo do centro.

Dia 17/03: 76.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958 era lançada a primeira sonda a energia solar, a Vanguard 1.

Transportava um sensor de medição de temperatura e um transmissor de rádio. O seu sistema de energia parou em 1964, embora se pensasse que continuaria a orbitar a Terra e a transmitir dados durante 1000 anos.
Em 2013, o maior meteorito (desde que a NASA começou a observar a Lua em 2005) atinge a Lua.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 03:59 e as 06:23.
Lua Nova, pelas 13:12.

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento, no Cosmódromo de Plesetsk, matando 50 pessoas.
Em 2011, inserção orbital da sonda MESSENGER em Mercúrio.
Observações: À medida que se aproxima o início da primavera (dia 20 este ano), olhe baixo para este-nordeste e assista ao nascer da "Estrela da Primavera", Arcturo. Encontre a Ursa Maior alta a nordeste e siga a curva da sua "pega" para baixo, um pouco mais que o comprimento da "frigideira", para alcançar a posição de Arcturo.

Dia 19/03: 78.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Plutão era fotografado pela primeira vez. No entanto, não foi identificado como planeta.

Em 2008, GRB 080319B, uma explosão cósmica que se torna no objeto mais distante visível [brevemente] a olho nu.
Observações: Ocultação de Europa, entre as 01:07 e as 03:30.
Ao lusco-fusco, tente avistar os planetas Vénus e Mercúrio, baixos a oeste. É necessário um horizonte desimpedido. Será que também consegue já discernir a finíssima Lua Crescente, para cima e para a esquerda dos dois planetas?

 
CURIOSIDADES


O Data Center da Altice na Covilhã vai tratar parte do gigantesco volume de dados gerados pelas observações do futuro SKA (Square Kilometer Array). Anualmente, o SKA vai gerar duas a três vezes o volume de dados da Google ou do Facebook.

 
NEW HORIZONS ESCOLHE ALCUNHA PARA ALVO DO "FLYBY"

À medida que a New Horizons da NASA continua a explorar o desconhecido, a equipa da missão selecionou uma alcunha altamente apropriada para o seu próximo alvo de voo rasante nos confins do Sistema Solar.

Com input substancial do público, a equipa escolheu "Ultima Thule" para o objeto da Cintura de Kuiper que a sonda New Horizons vai explorar no dia 1 de janeiro de 2019. Oficialmente conhecido como 2014 MU69, o objeto que orbita a mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, será o mundo mais primitivo já observado por qualquer nave espacial - no encontro planetário mais distante da História.

Thule era uma distante ilha mítica a norte na literatura medieval e da cartografia. Ultima Thule significa "para lá de Thule" - para lá das fronteiras do mundo conhecido - simbolizando a exploração da distante Cintura de Kuiper e dos objetos da Cintura de Kuiper pela New Horizons, algo nunca antes feito.

Impressão de artista do encontro da New Horizons d com 2014 MU69, um objeto da Cintura de Kuiper que orbita 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, no dia 1 janeiro de 2019. Com input do público, a equipa selecionou a alcunha "Ultima Thule", o mundo mais primitivo e mais distante já explorado por uma nave espacial.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Steve Gribben
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"MU69 é a próxima Ultima Thule da Humanidade," comenta Alan Stern, investigador principal da New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. "A nossa nave está a dirigir-se para lá dos limites dos mundos conhecidos, será essa a próxima conquista da missão. Uma vez que esta será a exploração mais distante de qualquer objeto espacial da História, gosto de chamar ao nosso objeto de 'flyby' o diminutivo Ultima, simbolizando esta exploração sem paralelo da NASA e da nossa equipa."

À procura de uma alcunha mais inspiradora do que o designador 2014 MU69, pese embora temporária, a NASA e a equipa da New Horizons lançaram a campanha no início de novembro. Hospedado pelo SETI em Mountain View, Califórnia, EUA, e liderada por Mark Showalter, colega do instituto e membro da equipa científica da New Horizons, o concurso online procurou nomeações do público e estipulou que a alcunha seria escolhida entre os principais candidatos a voto.

A campanha popular terminou no dia 6 de dezembro, após uma extensão de cinco dias para acomodar mais votações. A campanha envolveu 115.000 participantes de todo o mundo, que nomearam cerca de 34.000 nomes. Desses, 37 nomes foram a votos e avaliados quanto à popularidade - a lista era constituída por oito nomes sugeridos pela equipa da New Horizons e 29 nomeados pelo público.

A equipa reduziu então a sua seleção aos 29 nomeados publicamente e deu preferência às alcunhas perto do topo das votações. Ultima Thule foi nomeado por cerca de 40 membros do público e um dos mais votados da lista. "Estamos gratos aos que propuseram uma alcunha tão interessante e inspiradora," comenta Showalter. "Merecem crédito por capturar o verdadeiro espírito de exploração que a New Horizons encarna."

O nome foi sugerido para pensar em MU69 como um acompanhamento distante de Plutão, que a New Horizons historicamente e famosamente encontrou em julho de 2015. Outros nomes considerados incluíam Abeona, Pharos, Pangu, Rubicon, Olympus, Pinnacle e Tiramisu. Os números finais estão publicados em: http://frontierworlds.seti.org/.

Depois do voo rasante, a NASA e a equipa da New Horizons vão escolher um nome formal a submeter à União Astronómica Internacional, com base em parte quando se descobrir se MU69 é um único corpo, um binário ou talvez um sistema de objetos múltiplos.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
15/12/2017 - Será que o próximo alvo da New Horizons tem uma lua?
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
27/09/2016 - "Coração" de Plutão lança luz sobre possível oceano subterrâneo
16/09/2016 - Plutão emite raios-X; pinta Caronte de vermelho
05/07/2016 - New Horizons recebe prolongamento da missão, Dawn permanecerá em Ceres
24/06/2016 - Investigação reforça caso para um oceano subsuperficial em Plutão
03/06/2016 - O coração de Plutão: como uma lâmpada de lava cósmica
31/05/2016 - As melhores imagens da superfície de Plutão pela New Horizons
20/05/2016 - Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão
10/05/2016 - Hidra, a lua gelada de Plutão
06/05/2016 - Estudo descobre que a interação de Plutão com o vento solar é única
08/04/2016 - New Horizons preenche lacuna nas observações do ambiente espacial
18/03/2016 - Artigos científicos revelam novos aspetos de Plutão e das suas luas
04/03/2016 - Neva metano nos picos de Plutão
01/03/2016 - Os desfiladeiros gelados do polo norte de Plutão
23/02/2016 - Caronte, a Lua "Hulk" de Plutão: um possível antigo oceano?
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar lonqínguo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto SETI (comunicado de imprensa)
SPACE.com
ScienceNews
Spaceflight Now
EarthSky
Space Daily
Popular Mechanics
PHYSORG

2014 MU69 ("Ultima Thule"):
Wikipedia 
NASA

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Thule:
Wikipedia

 
GRANDE MANCHA VERMELHA DE JÚPITER CRESCE EM ALTURA ENQUANTO DIMINUI DE LARGURA

Apesar de já ter sido colossal o suficiente para engolir três Terras, com espaço de sobra, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter tem vindo a diminuir de tamanho há século e meio. Ninguém tem a certeza por quanto mais tempo a tempestade continuará a contrair ou se desaparecerá completamente.

No entanto, um novo estudo sugere que nem sempre tem sido assim. A tempestade parece ter aumentado em área pelo menos uma vez e está a crescer em altura à medida que fica mais pequena.

"As tempestades são dinâmicas, e é isso que vemos com a Grande Mancha Vermelha. Está constantemente a mudar de tamanho e de forma, e os seus ventos mudam também," comenta Amy Simon, especialista em atmosferas planetárias do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autora principal do novo artigo publicado na revista The Astronomical Journal.

Esta imagem melhorada da Grande Mancha Vermelha de Júpiter foi criada pelo cientista-cidadão Jason Major usando dados da câmara JunoCam a bordo da nave Juno da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Jason Major
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há séculos que observamos Júpiter, mas o primeiro avistamento confirmado da Grande Mancha Vermelha ocorreu em 1831 (os investigadores não têm a certeza se observadores anteriores que viram uma mancha vermelha em Júpiter estavam a olhar para a mesma tempestade).

Observadores interessados têm sido capazes de medir o tamanho e a deriva da Grande Mancha Vermelha acoplando aos seus telescópios oculares com miras. O registo contínuo de pelo menos uma observação deste género, por ano, remonta até 1878.

Simon e colegas aproveitaram este rico arquivo de observações históricas e combinaram-nos com dados de missões da NASA, começando com as duas Voyager em 1979. Em particular, o grupo baseou-se numa série de observações anuais de Júpiter que membros da equipa têm levado a cabo com o Telescópio Espacial Hubble da NASA como parte do projeto OPAL (Outer Planets Atmospheres Legacy). Os cientistas da equipa OPAL pertencem a Goddard, à Universidade da Califórnia em Berkeley e ao JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

A equipa rastreou a evolução da Grande Mancha Vermelha, analisando o seu tamanho, forma, cor e taxa de deriva. Também analisaram as velocidades dos ventos internos da tempestade, quando essa informação estava disponível nos dados das missões.

As novas descobertas indicam que a Grande Mancha Vermelha recentemente começou a dirigir-se para oeste mais depressa do que antes. A tempestade tem permanecido sempre à mesma latitude, mantida ali por correntes de jato a norte e a sul, mas circunda o globo na direção oposta à rotação do planeta (para leste). Historicamente, temos assumido que esta deriva é mais ou menos constante, mas em observações recentes a equipa descobriu que a mancha se desloca muito mais depressa.

O estudo confirma que a tempestade tem vindo a diminuir de tamanho desde 1878 e é grande o suficiente para acomodar, neste ponto, pouco mais que uma Terra. Mas o registo histórico indica que a área cresceu temporariamente na década de 1920.

"Existem evidências nas observações de arquivo de que a Grande Mancha Vermelha cresceu e diminuiu de tamanho ao longo do tempo," afirma Reta Beebe, professora emérita da Universidade Estatal do Novo México em Las Cruces. "No entanto, a tempestade é agora bastante pequena, há muito tempo que cresceu pela última vez."

Tendo em conta que a tempestade tem vindo a contrair-se, os investigadores esperavam que os ventos internos, já bastante potentes, ficassem ainda mais fortes, como uma patinadora no gelo que gira mais rápido quando coloca os braços junto ao corpo.

Em vez de girar mais depressa, a tempestade parece ser forçada a esticar-se. É quase como barro a ser moldado numa roda de oleiro. À medida que a roda gira, o artista pode transformar um pequeno bloco redondo num vaso fino empurrando para dentro com as suas mãos. Quanto mais pequena torna a base, mais alto o vaso fica.

No caso da Grande Mancha Vermelha, a mudança em altura é pequena em relação à área que a tempestade cobre, mas é ainda visível.

A cor da Grande Mancha Vermelha também tem vindo a ficar mais escura, tornando-se intensamente alaranjada desde 2014. Os cientistas não sabem porque é que isso está a acontecer, mas é possível que as substâncias químicas que dão cor à tempestade estejam a ser levadas para mais alto na atmosfera, à medida que a mancha também fica mais esticada. A maiores altitudes, as substâncias químicas são submetidas a mais radiação UV e assumem uma cor mais escura.

De certa forma, o mistério da Grande Mancha Vermelha só parece aprofundar-se à medida que a tempestade icónica se contrai. Os investigadores não sabem se a mancha vai continuar a ficar mais pequena e depois estabilizar, ou se se dissipa completamente.

"Se as tendências que vemos na Grande Mancha Vermelha continuarem, os próximos 5-10 anos podem ser muito interessantes do ponto de vista dinâmico," comenta o coautor Rick Cosentino de Goddard. "Podemos ver mudanças rápidas na aparência física e no comportamento da tempestade, e talvez a mancha vermelha acabe, afinal de contas, por deixar de ser grande."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
The Astronomical Journal
A Grande Mancha Vermelha de Júpiter encolhe e cresce (NASA Goddard via YouTube)
SPACE.com
Astronomy Now
PHYSORG

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Grande Mancha Vermelha de Júpiter (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)

 
HUBBLE ENCONTRA RELÍQUIA GALÁCTICA VIZINHA "PARADA NO TEMPO"

Os astrónomos colocaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA numa missão à maneira do personagem Indiana Jones, a fim de descobrir uma antiga relíquia galáctica no nosso "quintal" cósmico.

O aglomerado muito estranho e raro de estrelas permaneceu essencialmente inalterado nos últimos 10 mil milhões de anos. Esta "ilha" estelar rebelde fornece novos e valiosos conhecimentos sobre a origem e evolução das galáxias há milhares de milhões de anos atrás.

A galáxia, NGC 1277, começou a sua vida há muito tempo com um estrondo, furiosamente produzindo estrelas a um ritmo mil vezes superior ao que vemos hoje na nossa Via Láctea. Mas ficou calma abruptamente à medida que as estrelas envelheciam e se tornavam cada vez mais avermelhadas.

Os resultados foram publicados online na edição de 12 de março da revista científica Nature.

Esta é uma imagem da galáxia NGC 1277 captada pelo Telescópio Espacial Hubble. A galáxia é única na medida em que é considerada uma relíquia em termos do aspeto das galáxias no Universo inicial. A galáxia é composta exclusivamente por estrelas envelhecidas que nasceram há 10 mil milhões de anos. Mas, ao contrário das outras galáxias no Universo local, não sofreu nenhuma nova formação estelar. Os astrónomos apelidam estas galáxias de "vermelhas e mortas", porque as estrelas envelhecem e não existem gerações sucessivas de estrelas mais jovens. O sinal revelador do "desenvolvimento parado" da galáxia reside nos antigos enxames globulares que a rodeiam. Os enxames avermelhados são as evidências mais fortes de que a galáxia parou a sua formação estelar há muito tempo. Caso contrário, existiriam bastantes mais enxames globulares azuis, que estão em grande parte ausentes. A falta de enxames azuis sugere que NGC 1277 nunca cresceu através da fusão com outras galáxias circundantes. [Imagem de fundo] - NGC 1277 vive num ambiente marcadamente diferente. Situa-se perto do centro do enxame galáctico de Perseu, com mais de 1000 galáxias, a 240 milhões de anos-luz de distância. Mas NGC 1277 move-se tão depressa através do enxame, a 3,2 milhões de quilómetros por hora, que não consegue fundir-se com outras galáxias para recolher estrelas ou para puxar gás para alimentar a sua formação estelar. Além disso, perto do centro do enxame galáctico, o gás intergaláctico é tão quente que não consegue arrefecer para condensar e formar estrelas.
Crédito: NASA, ESA e M. Beasley (Instituto de Astrofísica das Canárias)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Embora o Hubble tenha visto galáxias "vermelhas e mortas" no início do Universo, nunca tinham sido encontradas conclusivamente nas proximidades. Devido à imensa distância das primeiras galáxias, são apenas pontos vermelhos nas imagens de céu profundo do Hubble. NGC 1277 proporciona uma oportunidade única para ver uma destas galáxias de perto. "Podemos explorar estas galáxias originais em grande detalhe e investigar as condições do Universo primitivo," afirma Ignacio Trujillo, do Instituto de Astrofísica das Canárias na Universidade de La Laguna, Espanha.

Os investigadores descobriram que a relíquia galáctica tem o dobro das estrelas da nossa Via Láctea mas, fisicamente, corresponde a um-quarto do tamanho da nossa Galáxia. Essencialmente, NGC 1277 encontra-se num estado de "desenvolvimento parado". Talvez, como todas as galáxias, começou como um objeto compacto mas não conseguiu acumular mais material para crescer em tamanho e formar uma magnífica galáxia em forma de moinho de vento.

Os cientistas dizem que aproximadamente uma em cada 1000 galáxias massivas devem ser relíquias galácticas como NGC 1277. Não ficaram surpresos ao encontrá-la, mas simplesmente consideram que estava no lugar certo à hora certa para evoluir - ou melhor, não evoluir - do modo como evoluiu.

Esta é uma comparação que mostra a localização das estrelas vermelhas e das estrelas azuis que dominam os enxames globulares nas galáxias NGC 1277 e NGC 1278. Mostra que NGC 1277 é dominada por enxames globulares antigos e vermelhos. Isto é evidência de que a galáxia NGC 1277 parou de fazer estrelas novas há milhares de milhões de anos atrás, em comparação com NGC 1278, que tem mais enxames estelares jovens e azulados.
Crédito: NASA, ESA e Z. Levay (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O sinal revelador do estado da galáxia reside nos antigos enxames globulares que a rodeiam. As galáxias massivas tendem a ter enxames globulares tanto pobres em metais (parecendo azuis) como ricos em metais (aparecendo vermelhos). Pensa-se que os enxames avermelhados se formem à medida que a galáxia se forma, enquanto os enxames azulados são trazidos por satélites mais pequenas engolidas pela galáxia central. No entanto, NGC 1277 não tem praticamente enxames globulares azulados. "Há muito tempo que estudo os enxames globulares em galáxias e esta é a primeira vez que vejo isto," comenta Michael Beasley, também do Instituto de Astrofísica das Canárias.

Os enxames avermelhados são as evidências mais fortes de que a galáxia parou a sua formação estelar há muito tempo. No entanto, a falta de enxames azuis sugere que NGC 1277 nunca cresceu através da fusão com outras galáxias circundantes.

Em contraste, a nossa Via Láctea contém aproximadamente 180 enxames globulares azuis e vermelhos. Isto deve-se em parte ao facto de que a nossa Via Láctea continua a canibalizar galáxias que passam demasiado perto no nosso Grupo Local de algumas dúzias de galáxias pequenas.

Esta é uma imagem da galáxia NGC 1277 captada pelo Telescópio Espacial Hubble. A galáxia é única na medida em que é considerada uma relíquia em termos do aspeto das galáxias no Universo inicial. A galáxia é composta exclusivamente por estrelas envelhecidas que nasceram há 10 mil milhões de anos. Mas, ao contrário das outras galáxias no Universo local, não sofreu nenhuma nova formação estelar. Os astrónomos apelidam estas galáxias de "vermelhas e mortas", porque as estrelas envelhecem e não existem gerações sucessivas de estrelas mais jovens. O sinal revelador do "desenvolvimento parado" da galáxia reside nos antigos enxames globulares que a rodeiam. Os enxames avermelhados são as evidências mais fortes de que a galáxia parou a sua formação estelar há muito tempo. Caso contrário, existiriam bastantes mais enxames globulares azuis, que estão em grande parte ausentes. A falta de enxames azuis sugere que NGC 1277 nunca cresceu através da fusão com outras galáxias circundantes. [Imagem de fundo] - NGC 1277 vive num ambiente marcadamente diferente. Situa-se perto do centro do enxame galáctico de Perseu, com mais de 1000 galáxias, a 240 milhões de anos-luz de distância. Mas NGC 1277 move-se tão depressa através do enxame, a 3,2 milhões de quilómetros por hora, que não consegue fundir-se com outras galáxias para recolher estrelas ou para puxar gás para alimentar a sua formação estelar. Além disso, perto do centro do enxame galáctico, o gás intergaláctico é tão quente que não consegue arrefecer para condensar e formar estrelas.
Crédito: NASA, ESA e M. Beasley (Instituto de Astrofísica das Canárias)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

NGC 1277 vive num ambiente marcadamente diferente. Situa-se perto do centro do enxame galáctico de Perseu, com mais de 1000 galáxias, a 240 milhões de anos-luz de distância. Mas NGC 1277 move-se tão depressa através do enxame, a 3,2 milhões de quilómetros por hora, que não consegue fundir-se com outras galáxias para recolher estrelas ou para puxar gás para alimentar a sua formação estelar. Além disso, perto do centro do enxame galáctico, o gás intergaláctico é tão quente que não consegue arrefecer para condensar e formar estrelas.

A equipa começou a procurar galáxias em "desenvolvimento parado" no levantamento SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e encontrou 50 galáxias compactas massivas. Usando uma técnica semelhante, mas numa amostra diferente, NGC 1277 foi identificada como única, pois possui um buraco negro central que é muito mais massivo do que deveria ser para uma galáxia desse tamanho. Isto reforça o cenário de que o buraco negro supermassivo e o centro denso da galáxia cresceram simultaneamente, mas a população estelar da galáxia parou de crescer e de se expandir porque não tinha material do exterior.

"Eu não acreditei inicialmente na hipótese de galáxia antiga, mas finalmente fiquei surpreso porque não é assim tão comum encontrar o que prevemos na astronomia," acrescentou Beasley. "Normalmente, o Universo surge sempre com mais surpresas do que aquelas que podemos imaginar."

A equipa tem outras 10 candidatas galácticas para analisar a diferentes graus de "desenvolvimento parado."

O futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA (com lançamento previsto para 2019) permitirá aos astrónomos medir os movimentos dos enxames globulares em NGC 1277. Isto proporcionará a primeira oportunidade de medir a quantidade de matéria escura que a galáxia primordial contém.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
"Zoom" até NGC 1277 (NASA via YouTube)
Hubblesite
SPACE.com
EurekAlert!
ScienceDaily
Inverse
Astronomy Now
spaceref
UPI
PHYSORG
Sábado
ZAP.aeiou

NGC 1277:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Nave Kepler tem reservatório de combustível quase gasto (via NASA)
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Observações de Ceres detetaram variações recentes à sua superfície, revelando que o único planeta anão no Sistema Solar interior é um corpo dinâmico que continua a evoluir e a mudar. Ler fonte
     
  Astrónomos descobrem que galáxias giram "com a precisão de um relógio" (via ICRAR)
Os astrónomos descobriram que todas as galáxias giram aproximadamente uma vez a cada mil milhões de anos. Independentemente do seu tamanho. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cabeça de Cavalo: Uma Vista Mais Ampla
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Composição e Processamento: Robert Gendler; Dados de imagem: ESOVISTAHLAEquipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA)
 
Para criar esta ampla perspetiva da paisagem interestelar em torno da famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo, foram combinados dados de imagem do massivo telescópio terrestre VISTA e do Telescópio Espacial Hubble. Capturada em comprimentos de onda do infravermelho próximo, a empoeirada nuvem molecular da região espalha-se pela cena que cobre um ângulo correspondente a cerca de dois-terços do tamanho da Lua Cheia no céu. Da esquerda para a direita, a imagem abrange um pouco mais de 10 anos-luz à distância estimada de 1600 anos-luz da Cabeça de Cavalo. Também conhecida como Barnard 33, a ainda reconhecível Nebulosa Cabeça de Cavalo está em cima e à direita, o brilho no infravermelho próximo de um pilar empoeirado coberto com estrelas recém-nascidas. Para baixo e para a esquerda, a brilhante nebulosa de reflexão NGC 2023 é ela própria o ambiente iluminado de uma estrela jovem e quente. Nuvens obscurantes por baixo da base da Cabeça de Cavalo e nos arredores de NGC 2023 mostram a emissão reveladora de jatos energéticos com uma tonalidade vermelha escura, conhecidos como objetos Herbig-Haro, também associados com estrelas recém-nascidas.
 

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