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Edição n.º 1159
17/04 a 20/04/2015
 
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24/04/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar actual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua.
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.

Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 19:35 e as 22:35.
Trânsito da sombra de Calisto, entre as 22:07 e as 03:09 (já de dia 18).

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1955, falecia Albert Einstein.

Observações: Lua Nova, pelas 19:58.
Esta noite temos dois eventos invulgares: Calisto oculta parcialmente Io, entre as 00:44 e as 00:51, e Calisto oculta Ganimedes, entre as 02:28 e as 02:37.

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.

Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e co-descobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes. 
Observações: À medida que o dia dá lugar à noite, procure Polllux e Castor bem altos a oeste, alinhados quase horizontalmente. Estão bem para baixo e para a direita de Júpiter. Pollux e Castor (as cabeças dos Gémeos) formam o topo do enorme Arco de Primavera. As duas pontas do Arco são Procyon para baixo e para a esquerda, e Capella para baixo e para a direita.

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Ocultação de Io, entre as 00:32 e as 02:54.
Eclipse de Io, entre as 01:47 e as 04:09.
Consegue já avistar a finíssima Lua, muito baixa a oeste ao lusco-fusco? Está para baixo de Vénus.
Trânsito de Io, entre as 21:39 e as 00:01 (já de dia 21).
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:54 e as 01:16 (já de dia 21).

 
CURIOSIDADES


A cerca de 150 milhões de quilómetros, a luz do Sol demora aproximadamente 8 minutos a chegar à Terra.

 
PRIMEIROS SINAIS DE MATÉRIA ESCURA A AUTO-INTERAGIR?

Podemos ter observado pela primeira vez matéria escura a interagir com matéria escura de uma maneira diferente do que através da força da gravidade. Observações de galáxias em colisão obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO deram-nos as primeiras pistas intrigantes acerca da natureza desta misteriosa componente do Universo.

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT do ESO, no Chile, e de imagens do Hubble, o telescópio espacial, uma equipa de astrónomos estudou a colisão simultânea de quatro galáxias do enxame de galáxias Abell 3827. A equipa pôde traçar onde é que a massa se encontra no sistema e comparar a distribuição de matéria escura com as posições das galáxias luminosas.

Embora a matéria escura não possa ser observada, a equipa pôde deduzir a sua localização usando uma técnica chamada lente gravitacional. A colisão ocorreu por mero acaso mesmo em frente de uma fonte muito mais distante, sem relação nenhuma com estes objetos. A massa da matéria escura em torno das galáxias em colisão distorceu imenso o espaço-tempo, fazendo desviar o caminho percorrido pelos raios de luz emitidos pela galáxia distante que se encontra no campo de fundo - e distorcendo por isso a sua imagem em características formas de arcos.

Esta imagem obtida com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o rico enxame de galáxias Abell 3827. As estranhas estruturas a azul que rodeiam as galáxias centrais são imagens afectadas por efeito de lente gravitacional de uma galáxia muito mais distante que se encontra por detrás do enxame. Observações das quatro galáxias centrais em fusão deram-nos pistas de que a matéria escura em torno de uma delas não se move com a galáxia, possivelmente implicando que estão a ocorrer interacções de natureza desconhecida entre a matéria escura.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O que sabemos atualmente é que as galáxias existem no seio de nodos de matéria escura. Sem o efeito confinante da gravidade da matéria escura, galáxias como a Via Láctea desfazer-se-iam à medida que rodassem. Para que tal não aconteça, 85% da massa do Universo deve existir sob a forma de matéria escura, no entanto a sua verdadeira natureza permanece ainda um mistério.

Neste estudo, os astrónomos observaram as quatro galáxias a colidir e descobriram que um dos nodos de matéria escura parece estar a ficar para trás da galáxia que rodeia. A matéria escura encontra-se atualmente 5000 anos-luz (50.000 biliões de quilómetros) atrás da galáxia - a sonda espacial Voyager da NASA levaria 90 milhões de anos a chegar a uma tal distância da Via Láctea.

Um desvio entre a matéria escura e a sua galáxia associada é algo que se prevê que possa acontecer durante colisões se a matéria escura interagir consigo própria, mesmo que de forma ligeira, através de forças que não a gravidade. No entanto, nunca se observou anteriormente matéria escura a interagir de outro modo sem ser por ação da força da gravidade.

O autor principal do estudo, Richard Massey da Universidade de Durham, explica: "Pensávamos que a matéria escura estava apenas ali, não interagindo de outra forma que não fosse pelo efeito da gravidade. No entanto, se a matéria escura está a ficar lentamente atrasada durante esta colisão, isto pode ser a primeira evidência de uma física rica no sector escuro, ou seja, no Universo escondido que nos rodeia."

Os investigadores dizem que precisam de investigar outros efeitos que poderiam também dar origem a este atraso. Terão que ser feitas observações semelhantes de outras galáxias e simulações de computador de colisões de galáxias.

Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o enxame de galáxias rico Abell 3827. As estranhas estruturas a azul que rodeiam as galáxias centrais são imagens afectadas por efeito de lente gravitacional de uma galáxia muito mais distante que se encontra por detrás do enxame. As linhas de contorno azuis mostram a distribuição de matéria escura no enxame. O nodo de matéria escura da galáxia à esquerda encontra-se significativamente deslocado relativamente à posição da galáxia propriamente dita, possivelmente indicando que estão a ocorrer interações de natureza desconhecida entre a matéria-escura.
Crédito: ESO/R. Massey
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Liliya Williams, membro da equipa da Universidade de Minnesota, acrescenta: "Sabemos que a matéria escura existe devido ao modo como interage gravitacionalmente, ajudando a moldar o Universo, mas sabemos ainda muito pouco sobre o que é que ela realmente é. As nossas observações sugerem que a matéria escura pode interagir através de forças sem ser a gravidade, o que significa que poderemos excluir algumas teorias chave sobre a sua natureza."

Este resultado vem no seguimento de um resultado recente desta equipa, que observou 72 colisões de enxames de galáxias e descobriu que a matéria escura interage muito pouco consigo própria. O novo trabalho, no entanto, diz respeito ao movimento das galáxias individuais, em vez de tratar dos enxames de galáxias como um todo. Os investigadores dizem que a colisão entre estas galáxias poderia ter durado mais tempo do que as colisões observadas no estudo anterior - permitindo que os efeitos de mesmo uma força de atrito minúscula crescessem com o tempo, dando origem a um desvio passível de ser medido.

Em conjunto, estes dois resultados limitam o comportamento da matéria escura pela primeira vez - ou seja, a matéria escura interage mais do que "isto", mas menos do que "aquilo". Massey acrescenta: "Estamos finalmente a chegar à matéria escura, vindos de cima e de baixo - ou seja, vamos confinando o nosso conhecimento nas duas direções."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Science
Astronomy
SPACE.com
AstronomyNow
science 2.0
PHYSORG
ScienceNews
Discovery News
National Geographic
BBC News
AstroPT

ESO 146-5:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
ROSETTA E PHILAE DESCOBREM QUE COMETA NÃO É MAGNETIZADO
Dados complementares recolhidos pela sonda Rosetta e pelo "lander" Philae, usados para investigar as propriedades magnéticas do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. As imagens à esquerda mostram as posições do magnetómetros da sonda e do "lander", respetivamente. O gráfico à direita mostra os dados recolhidos pelo instrumentos. Note que para ver melhor a natureza complementar dos dois conjuntos de dados, os dados da Rosetta foram movidos até 10 nT (nanotesla). Os dados cobrem o período imediatamente antes do segundo pouso do Philae às 17:25 GMT (hora do módulo) do dia 12 de novembro de 2014. O primeiro pouso foi registado ás 15:34 GMT, a colisão às 16:20 GMT e o pouso final às 17:31 GMT.
Crédito: ESA/dados: Auster et al. (2015)/Sonda: ESA/ATG medialab
(clique na imagem paraa ver versão maior)
 

Medições feitas pela Rosetta e pelo Philae, durante as várias aterragens do módulo no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mostram que o núcleo do cometa não é magnetizado.

O estudo das propriedades de um cometa pode fornecer pistas sobre o papel desempenhado pelos campos magnéticos na formação dos corpos do Sistema Solar há quase 4,6 mil milhões de anos atrás. O Sistema Solar jovem não era mais do que um disco rodopiante de gás e poeira mas, no espaço de apenas alguns milhões de anos, o Sol nasceu no seu centro e o material restante formou os asteroides, cometas, luas e planetas.

A poeira continha uma fração significativa de ferro, parte sob a forma de magnetite. De facto, grãos milimétricos de materiais magnéticos já foram encontrados em meteoritos, indicando a sua presença no início do Sistema Solar.

Isto leva os cientistas a pensar que os campos magnéticos, espalhados pelo disco protoplanetário, podem ter desempenhado um papel importante na movimentação dos materiais à medida que se juntavam para formar corpos maiores.

Mas ainda não sabemos com clareza a importância dos campos magnéticos cruciais neste processo de acreção, à medida que os blocos de construção cresciam até vários centímetros, metros e dezenas de metros, antes de a gravidade começar a dominar quando atingiram escalas de centenas de metros ou quilómetros.

Algumas teorias sobre a agregação de partículas magnéticas e não-magnéticas de poeira mostram que os objetos maiores daí resultantes podem também permanecer magnetizados, permitindo com que sejam influenciados pelos campos magnéticos do disco protoplanetário.

Mas, tendo em conta que os cometas contêm alguns dos materiais mais pristinos do Sistema Solar, são equivalentes a um laboratório natural que permite investigar se estes corpos maiores podem ter permanecido magnetizados.

No entanto, a deteção do campo magnético dos cometas tem provado ser difícil em missões anteriores, pois normalmente são apenas passagens rasantes e relativamente distantes dos núcleos cometários.

Graças à proximidade da sonda Rosetta da ESA ao Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, e às medições ainda mais íntimas e à superfície do "lander" Philae, temos agora a primeira investigação detalhada das propriedades magnéticas do núcleo de um cometa.

Reconstruíndo a trajetória do Philae.
Crédito: ESA/Dados: Auster et al. (2015)/Imagem do cometa: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O instrumento de medição do campo magnético do Philae tem o nome ROMAP (Rosetta Lander Magnetometer and Plasma Monitor) e a Rosetta transporta um magnetómetro como parte do conjunto de sensores RPC (Rosetta Plasma Consortium), chamado RPC-MAG.

As mudanças no campo magnético que rodeia a Rosetta permitiram com que o RPC-MAG detetasse o momento em que o Philae libertou-se da sonda na manhã de 12 de novembro de 2014.

Ao sentir variações periódicas no campo magnético externo medido e movimentos no seu braço de lançamento, o ROMAP foi capaz de detetar os eventos de pouso e determinar a orientação do Philae durante as horas seguintes. Combinadas com informações da experiência CONSERT, que forneceu uma estimativa da posição do pouso final, com informações dos tempos, com imagens da câmara OSIRIS da Rosetta, com suposições sobre a gravidade do cometa e com medições da sua forma, os cientistas conseguiram determinar a trajetória do Philae.

As equipas da missão descobriram logo que o Philae não só pousou uma vez em Agilkia, mas que entrou em contato com a superfície do cometa quatro vezes - incluindo um raspão com uma característica à superfície que o enviou em direção ao local de pouso final em Abydos.

Esta trajetória complexa acabou por ser cientificamente benéfica à equipa do ROMAP.

"O voo não planeado pela superfície, na verdade, significa que pudemos recolher medições precisas do campo magnético com o Philae nos quatro pontos de contato e a uma variedade de alturas acima da superfície," afirma Hans-Ulrich Auster, coinvestigador principal do ROMAP e autor principal dos resultados publicados na revista Science e apresentados na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências em Viena, Áustria.

Dados do campo magnético recolhidos pelo instrumento ROMAP do Philae imediatamente antes (topo) e depois (em baixo) da colisão com um penhasco às 16:20 GMT do dia 12 de novembro de 2014 (hora da sonda), entre o primeiro e o segundo pouso. A altura acima da superfície corresponde ao eixo das abcissas (x) e a força do campo magnético ao eixo das ordenadas (y). Assim sendo, o tempo decorre da esquerda para a direita para a subida (em baixo), mas da direita para a esquerda para a descida (topo). As medições (cruzes) são comparadas com um modelo hipotético (linha sólida) assumindo uma superfície ligeiramente magnetizada. Também incluida, a força e variação do campo externo, nomeadamente a influência do campo magnético interplanetário do vento solar perto do núcleo do cometa. A distância superiores a 10 metros, o campo é muito fraco, deixando apenas o campo externo. Mas mais perto da superfície, o próprio campo magnético do cometa deveria aumentar e dominar. Não é isto que vemos, sugerindo que a escalas superiores a um metro (a resolução do instrumento), o cometa não é magnetizado.
Crédito: ESA/Dados: Auster et al. (2015)/Imagem do cometa: ESA/Rosetta/NAVCAM - CC BY-SA IGO 3.0
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As múltiplas descidas e subidas significam que a equipa pôde comparar medições feitas nas viagens em direção ao cometa, na direção oposta a cada dos pontos de contato e à medida que voava acima da superfície.

O ROMAP mediu um campo magnético durante estas sequências, mas descobriu que a sua força não depende da altura ou posição do Philae acima da superfície. Isto não é consistente com a suposição de ser o próprio núcleo do cometa o responsável por esse campo.

"Se a superfície fosse magnetizada, teríamos visto um claro aumento nas leituras do campo magnético à medida que nos aproximávamos cada vez mais da superfície," explica Hans-Ulrich. "Mas tal não foi o caso em qualquer um dos locais visitados, por isso concluímos que o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko é um objeto incrivelmente não-magnético."

Ao invés, o campo magnético medido é consistente com um campo magnético externo, nomeadamente a influência do campo magnético interplanetário do vento solar perto do núcleo do cometa. Esta conclusão foi confirmada pelo facto de que as variações no campo, medidas pelo Philae, coincidem intimamente com aquelas observadas ao mesmo tempo pela Rosetta.

"Durante a aterragem do Philae, a Rosetta estava a cerca de 17 km da superfície, e conseguimos obter leituras complementares do campo magnético que excluem quaisquer anomalias magnéticas locais nos materiais de superfície do cometa," explica Karl-Heinz Glassmeier, investigador principal do RPC-MAG a bordo da sonda e coautor do artigo científico.

No geral, os dados mostram que o cometa tem um campo magnético de menos de 2 nT (nanotesla) à superfície cometária e em vários locais, com um momento magnético específico de < 3,1 x 10-5 Am2/kg, valores inferiores aos conhecidos para o material lunar e meteoritos medidos na Terra.

Se grandes pedaços de material à superfície do 67P/C-G fossem magnetizados, o ROMAP teria registado variações adicionais no sinal à medida que o Philae voava sobre eles.

"Se qualquer material é magnetizado, deve ser a escalas inferiores a um metro, abaixo da resolução espacial das nossas medições. E se o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko é representativo de todos os núcleos cometários, então isso sugere que as forças magnéticas não são suscetíveis de ter desempenhado um papel na acumulação dos blocos de construção planetária maiores que um metro em tamanho," conclui Hans-Ulrich.

"É ótimo ver a natureza complementar das medições da Rosetta e do Philae, trabalhando em conjunto para responder a esta questão simples mas importante de saber se o cometa é magnetizado," conclui Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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DADOS METEOROLÓGICOS DO CURIOSITY REFORÇAM EXISTÊNCIA DE SALMOURA

As condições meteorológicas e do solo marciano medidas pelo rover Curiosity, em conjunto com um tipo de sal encontrado à superfície, podem sugerir a existência de salmoura durante algumas noites.

Os percloratos identificados no solo marciano pela missão Curiosity, e anteriormente pelo módulo de aterragem Phoenix, têm propriedades de absorção de vapor de água da atmosfera e baixam a temperatura de solidificação da água. Este tem sido, desde há anos, o mecanismo proposto para a possível existência de salmouras momentâneas a latitudes mais altas em Marte, apesar das atuais condições frias e secas do Planeta Vermelho.

Os novos cálculos têm por base dados de temperatura e humidade recolhidos durante mais de um ano marciano pelo Curiosity. Indicam que as condições no local quase-equatorial do rover são favoráveis à formação de pequenas quantidades de água salgada durante algumas noites do ano, secando novamente durante o nascer-do-Sol. As condições deverão ser ainda mais favoráveis a latitudes maiores, onde as temperaturas mais frias e mais vapor de água podem resultar numa maior humidade relativa mais frequente.

"A água líquida é um requisito para a vida como a conhecemos, e um alvo das missões de exploração de Marte," afirma o autor principal do estudo, Javier Martin-Torres do Conselho Espanhol de Investigação e da Universidade de Tecnologia de Lulea, Suécia, membro da equipa científica do Curiosity. "As condições perto da superfície atual de Marte são pouco favoráveis à vida microbiana como a conhecemos, mas a possibilidade de salmoura em Marte tem implicações mais amplas para a habitabilidade e para os processos geológicos relacionados com a água."

Os dados meteorológicos do artigo publicado na revista Nature Geosciences foram recolhidos pelo instrumento REMS (Rover Environmental Monitoring Station) do Curiosity, construído pela Espanha, e inclui um sensor de humidade relativa e um sensor de temperatura do solo. O projeto MSL (Mars Science Laboratory) da NASA está a usar o Curiosity para investigar tanto as condições ambientais do passado de Marte como as condições atuais da região da Cratera Gale. O trabalho também se baseia em medições do hidrogénio no solo recolhidas pelo instrumento DAN (Dynamic Albedo of Neutrons) do rover, construído pela agência espacial da Rússia.

O instrumento REMS (Rover Environmental Monitoring Station) do rover Curiosity inclui um sensor de temperatura e um sensor de humidade, montados no mastro do rover. Um dos pequenos braços do REMS pode ser aqui visto à esquerda do mastro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós não detetámos salmouras, mas o cálculo da possibilidade da sua existência na Cratera Gale, durante algumas noites, atesta o valor das medições constantes e ao longo de todo o ano, medições estas que o REMS está a fornecer," comenta Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, um dos coautores do artigo.

A missão do Curiosity é a primeira a medir a humidade relativa na atmosfera marciana perto da superfície e a temperatura do solo a todos os momentos do dia e durante todas as estações do ano marciano. A humidade relativa depende da temperatura do ar, bem como da quantidade de vapor de água aí presente. As medições da humidade relativa recolhidas pelo Curiosity variam desde os cerca de 5% durante as tardes de verão até aos 100% nas noites de outono e inverno.

O ar que preenche poros no solo interage com o ar mesmo acima do solo. Quando a sua humidade relativa ultrapassa um determinado nível, os sais podem absorver as moléculas de água para se tornarem dissolvidas em líquido, um processo chamado deliquescência. Os sais de perclorato são especialmente bons a fazer isto. Dado que os percloratos já foram identificados tanto em locais perto do polos como em locais perto do equador, podem muito bem estar presentes em solos por todo o planeta.

Nos últimos anos, os investigadores têm usado a câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA para documentar inúmeros locais em Marte onde surgem fluxos escuros em encostas que crescem durante as estações mais quentes. Estas características são chamadas RSL (recurring slope lineae). A hipótese principal para a sua formação envolve salmouras formadas por deliquescência.

"A Cratera Gale é um dos locais menos prováveis em Marte para a existência de condições para a formação de salmoura, em comparação com locais a latitudes maiores ou com mais sombreamento. Assim sendo, se a salmoura lá existir, fortalece o caso que esta pode formar-se e até persistir em muitos outros locais, talvez o suficiente para explicar a atividade de RSL," afirma Alfred McEwen, investigador principal da câmara HiRISE e da Universidade do Arizona, Tucson, EUA, também coautor do novo artigo.

Nos 12 meses que se seguiram à aterragem de agosto de 2012, o Curiosity encontrou evidências de leitos antigos (rios e lagos) com mais de 3 mil milhões de anos, que forneciam condições favoráveis para a vida microbiana. Agora, o rover está a examinar uma montanha em camadas dentro da Cratera Gale em busca de evidências de como essas condições ambientais passadas poderão ter evoluído.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
19/12/2014 - Rover Curiosity encontra química orgânica, passada e presente, em Marte
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Niels Bohr
Nature Geoscience
Astronomy
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Pilares de Poeira das Montanhas Místicas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Arquivo do HubbleNASAESA; Processamento e direitos de autor: David Forteza
 
Na Nebulosa Carina ocorre uma luta entre estrelas e poeira, e as estrelas estão a ganhar. Mais precisamente, a luz e ventos energéticos de estrelas recém-formadas estão a evaporar e a dispersar os berçários estelares poeirentos a partir dos quais se formaram. Localizados na Nebulosa Carina e conhecidos informalmente como Montanhas Místicas, a aparência destes pilares é dominada por poeira escura, apesar de serem compostos principalmente por hidrogénio gasoso. Os pilares de poeira como estes são na realidade muito mais finos que o ar e aparecem apenas como "montanhas" devido às relativamente pequenas quantidades de poeira interestelar opaca. A cerca de 7500 anos-luz de distância, a imagem em destaque foi capturada pelo Telescópio Espacial Hubble, digitalmente reprocessada por um amador, e realça uma região interior de Carina que se estende por mais ou menos 3 anos-luz. Daqui a a alguns milhões de anos, as estrelas vão provavelmente ganhar completamente e toda a montanha de poeira será destruída.
 

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