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Edição n.º 1125
19/12 a 22/12/2014
 
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26/12/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/12: 353.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada, regressava à Terra. 

Observações: Já alguma tentou "apanhar" o nascimento de Sirius? Se tiver acesso a um horizonte desimpedido a Este-Sudeste, observe Sirius a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo da Cintura de Orionte. Nasce por volta das 20:13 (hora de Portugal), dependendo da sua localização. Quando uma estrela está muito baixa, tende a piscar muito lentamente e normalmente em cores muito vívidas. Sirius é brilhante o suficiente para mostrar muito bem estes efeitos.

Dia 20/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson

Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador de Astronomia da História.
Observações: Se há alguma constelação que todos devíamos conhecer durante esta altura do ano, é Orionte, que sobe a Este-Sudeste. Como sempre, quando Orionte sobe, a sua cintura composta por três estrelas, no meio da constelação, encontra-se quase na vertical. Mostre Orionte a quem quiser esta semana e eles sabê-la-ão para o resto das suas vidas.

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. Anders, James A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objectivo a alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Observações: Solstício de Inverno. Hoje é o dia mais pequeno do ano para o Hemisfério Norte, e o dia mais longo para o Hemisfério Sul. Começa o Inverno no Norte e o Verão no Sul.
Ganimedes eclipsa parcialmente Io, entre as 04:12 e as 04:24

Dia 22/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, o asteróide 323 Brucia torna-se no primeiro asteróide descoberto usando astrofotografia.
Observações: Lua Nova, pelas 01:37.
Trânsito de Calisto, entre as 00:28 e as 05:24.

 
CURIOSIDADES


A NASA está a convidar o público em geral a dar nome a cinco crateras na superfície de Mercúrio, através de um concurso. As pessoas podem submeter o nome de um artista, escritor ou compositor, famoso durante mais de 50 anos e falecido há pelo menos 3. As regras foram estabelecidas pela União Astronómica Internacional. O concurso começou no dia 15 de Dezembro e termina dia 15 de Janeiro. Consulte mais informações e participe aqui.

 
ROVER CURIOSITY ENCONTRA QUÍMICA ORGÂNICA, PASSADA E PRESENTE, EM MARTE
Esta imagem ilustra possíveis métodos para o aparecimento de metano na atmosfera de Marte (fontes) e subsequente remoção. O rover Curiosity detectou flutuações na concentração de metano na atmosfera, o que implica que ambos os tipos de actividade ocorrem actualmente em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SAM-GSFC/Univ. de Michigan
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O rover Curiosity da NASA mediu um aumento de dez vezes no metano, um composto orgânico, na atmosfera em seu redor e detectou outras moléculas orgânicas numa amostra de rocha em pó recolhida pela broca do laboratório robótico.

"Este aumento temporário do metano - acentuadamente para cima e seguidamente uma diminuição - diz-nos que deve haver uma fonte relativamente localizada," afirma Sushil Atreya da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, EUA, também da equipa científica do rover. "Existem muitas fontes possíveis, biológicas ou não-biológicas, como a interacção de água e rocha."

Os investigadores usaram o laboratório SAM (Sample Analysis at Mars) a bordo do Curiosity uma dúzia de vezes ao longo de um período de 20 meses para farejar metano na atmosfera. Durante dois destes meses, no final de 2013 e no início de 2014, quatro medições registaram uma média de sete partes por milhar de milhão. Antes e depois, as leituras tinham em média apenas um-décimo desse nível.

O rover Curiosity perfurou este alvo rochoso, "Cumberland", durante o 279.º dia marciano, ou sol, da missão em Marte (19 de Maio de 2013) e recolheu uma amostra de material do seu interior.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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O Curiosity também detectou diferentes químicos orgânicos marcianos em pó perfurado de uma rocha chamada Cumberland, a primeira detecção definitiva de compostos orgânicos em materiais da superfície de Marte. Estes químicos orgânicos ou formaram-se em Marte ou foram entregues por meteoritos.

As moléculas orgânicas, que contêm carbono e normalmente hidrogénio, são blocos químicos de construção da vida, embora possam existir sem a presença de vida. As descobertas do Curiosity, através da análise de amostras da atmosfera e de pó de rocha, não revelam se Marte já abrigou micróbios vivos, mas os resultados lançam luz sobre os processos químicos e modernos de um planeta Marte activo e sobre condições favoráveis à vida no passado.

"Vamos continuar a trabalhar para resolver os quebra-cabeças que estes resultados indicam," afirma John Grotzinger, cientista do projecto Curiosity e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena, EUA. "Será que podemos aprender mais sobre a química activa que provoca estas flutuações de metano na atmosfera? Será que podemos escolher alvos rochosos onde estão preservados compostos orgânicos identificáveis?"

Este gráfico mostra um aumento na abundância de metano na atmosfera de Marte em redor do Curiosity, detectado por uma série de medições feitas com o laboratório SAM a bordo do rover.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Os investigadores trabalharam muitos meses para determinar se qualquer um dos materiais orgânicos detectados na amostra de Cumberland era verdadeiramente marciano. O laboratório SAM do Curiosity detectou, em várias amostras, alguns compostos orgânicos que foram, na verdade, transportados desde a Terra pelo rover. No entanto, inúmeros testes e análises deram confiança na detecção de compostos orgânicos marcianos.

A identificação de quais as moléculas orgânicas marcianas, em específico, é complicada devido à presença de minerais de perclorato nas rochas e solos marcianos. Quando aquecidos dentro do SAM, os percloratos alteram as estruturas dos compostos orgânicos, e assim sendo as identidades destes químicos marcianos na rocha permanecem incertas.

Esta ilustração mostra algumas razões porque encontrar compostos orgânicos em Marte é difícil. Os químicos orgânicos produzidos em Marte ou entregues em Marte enfrentam vários métodos possíveis de transformação ou de destruição.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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"Esta primeira confirmação de carbono orgânico numa rocha em Marte é muito promissora," afirma Roger Summons, cientista da missão Curiosity e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, EUA. "Os compostos orgânicos são importantes porque podem dizer-nos mais sobre as vias químicas a partir das quais se formaram e foram preservados. Por sua vez, informa-nos sobre as diferenças Terra-Marte e se os ambientes representados pelas rochas sedimentares na Cratera Gale em particular foram mais ou menos favoráveis para a acumulação de materiais orgânicos. O desafio agora é encontrar outras rochas no Monte Sharp que podem ter inventários orgânicos diferentes e mais extensos."

Os investigadores também relataram que o estudo da água marciana pelo Curiosity, presa em minerais na rocha Cumberland há mais de 3 mil milhões de anos atrás, indica que o planeta perdeu grande parte da sua água antes da formação do leito do lago e continuou a perder grandes quantidades depois.

O SAM analisou isótopos de hidrogénio em moléculas de água presas numa amostra rochosa durante milhares de milhões de anos e libertadas quando o laboratório a aqueceu, gerando informações sobre a história da água marciana. A proporção de um isótopo de hidrogénio mais pesado, deutério, em relação ao isótopo de hidrogénio mais comum, pode fornecer uma assinatura para comparação entre diferentes fases da história de um planeta.

Os dados presentes neste gráfico são exemplos do laboratório SAM da detecção de compostos orgânicos numa amostra da rocha com o nome "Cumberland", recolhida pela broca do rover Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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"É deveras interessante que as nossas medições de gases extraídos de rochas antigas pelo Curiosity, nos digam mais sobre a perda de água de Marte," afirma Paul Mahaffy, investigador principal do SAM, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, e autor principal de um artigo publicado esta semana na revista Science.

A proporção de deutério para hidrogénio mudou porque o hidrogénio mais leve escapa da atmosfera superior de Marte muito mais facilmente do que o deutério mais pesado. A fim de voltar atrás no tempo e ver como o rácio deutério-hidrogénio na água marciana mudou, os investigadores podem olhar para a relação na água da atmosfera actual e na água presa em rochas em diferentes momentos da história do planeta.

Os meteoritos marcianos encontrados na Terra fornecem também alguma informação, mas este registo tem lacunas. Não temos meteoritos marcianos com aproximadamente a mesma idade da rocha estudada em Marte, que se formou, segundo as medições do Curiosity, há 3,9-4,6 mil milhões de anos.

Este gráfico compara a quantidade do composto orgânico chamado clorobenzeno, detectado na amostra da rocha "Cumberland", com outras amostras estudadas pelo rover Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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A proporção que o Curiosity encontrou na amostra de Cumberland é cerca de metade daquela no vapor de água na atmosfera actual de Marte, sugerindo que grande parte da perda de água do planeta ocorreu antes da formação da rocha. O rácio medido é cerca de três vezes superior ao do reservatório original de água marciana - com base no pressuposto de que este reservatório tinha uma proporção semelhante àquela medida nos oceanos da Terra. Isto sugere, igualmente, que muito da água original de Marte se perdeu antes da formação da rocha.

O Curiosity é um dos elementos da investigação marciana em curso pela NASA em preparação para uma missão humana a Marte na década de 2030. Os resultados da detecção do metano e da química orgânica de Marte numa rocha pelo rover Curiosity foram discutidos numa conferência da União Geofísica Americana em São Francisco.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Vídeo da conferência de imprensa das descobertas (via UStream)
Artigo científico (Science)
Artigo científico - 2 (Science)
Science News (NASA Science)
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Rover Curiosity (MSL):
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Marte:
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VENUS EXPRESS CAI SUAVEMENTE NA NOITE
Visualização da manobra de travagem da Venus Express
Crédito: ESA-C. Carreau
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A missão Venus Express da ESA terminou a sua empreitada de oito anos depois de ter excedido largamente o seu tempo de vida. A nave queimou o propulsor que lhe restava durante uma série de manobras para subir a sua órbita após a travagem aerodinâmica de baixa altitude que realizou no início deste ano.

Desde que chegou a Vénus, em 2006, a Venus Express tem estado numa órbita elíptica de 24 horas, passando a 66 mil quilómetros acima do Pólo Sul do planeta, no seu ponto mais distante, e a 200 quilómetros acima do Pólo Norte no seu ponto mais próximo. A missão tem realizado estudos detalhados do planeta Vénus e da sua atmosfera.

Mas depois de oito anos em órbita e com o seu propulsor a esgotar, a Venus Express teve a tarefa, em meados de 2014, de realizar uma ousada travagem aerodinâmica, durante a qual a nave mergulhou progressivamente na atmosfera de Venus, na sua abordagem mais próxima ao planeta.

Normalmente, a Venus Express deveria realizar rotinas de queima de propulsor para garantir que a nave não chegava muito perto de Vénus e corria o risco de se perder na atmosfera do planeta. Mas neste caso a aventura tinha como objectivo o oposto, ou seja, reduzir a altitude da nave e permitir a exploração de regiões anteriormente desconhecidas da atmosfera de Vénus.

A campanha também proporcionou uma experiência importante para futuras missões - a travagem aerodinâmica pode ser usada para entrar na órbita de planetas com atmosferas sem ter de se transportar tanto propulsor.

Entre Maio e Junho de 2014, o ponto mais baixo da órbita foi sendo gradualmente reduzido até cerca de 130-135 quilómetros, sendo que a parte mais importante da manobra de travagem foi realizada entre 18 de Junho e 11 de Julho.

Depois de ter passado esse mês a "surfar" a baixas altitudes dentro e fora da atmosfera, a nave aumentou novamente o ponto mais baixo da sua órbita realizando uma série de 15 pequenas queimas de propulsor, regressando a 26 de Julho aos 460 quilómetros, com um período orbital de pouco mais de 22 horas.

Travagem da Venus Express.
Crédito: ESA-C. Carreau
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A missão depois continuou numa fase científica pouco intensa, enquanto a nave se voltou a aproximar gradualmente de Vénus de forma natural devido à gravidade.

Considerando a hipótese de que ainda poderia haver algum propulsor remanescente, decidiu-se corrigir esta queda natural da órbita da nave com uma nova série de manobras de subida, realizadas entre 23-30 de Novembro, numa tentativa de prolongar a missão até 2015.

Mas a 28 de Novembro perdeu-se o contacto com a Venus Express. Desde essa altura, as ligações de telemetria e telecomando têm sido parcialmente restabelecidas, mas de forma muito instável e com informações limitadas.

"As informações disponíveis mostram que a nave perdeu o controlo provavelmente devido a problemas de propulsão durante as manobras de aumento de altitude", diz Patrick Martin, gestor da ESA da missão Venus Express.

"Provavelmente, a Venus Express esgotou o propulsor que lhe restava a meio das manobras realizadas em Novembro."

Ao contrário dos carros e dos aviões, as naves espaciais não têm indicadores de combustível. Assim, é difícil de prever - especialmente depois de muito tempo no espaço - até quando dura o propulsor de qualquer satélite. Por isso, não se podia ter previsto o fim, mas por outro lado este não foi completamente inesperado.

Sem propulsor não é possível controlar a altitude da nave e orientá-la a em direcção à Terra para manter as comunicações. Também é impossível subir mais a sua altitude, o que significa que a Venus Express irá naturalmente afundar-se mais na atmosfera durante as próximas semanas.

"Depois de mais de oito anos na órbita de Vénus, sabíamos que a nossa nave estava esgotada", diz Adam Williams, gestor de operações da ESA.

"Era de esperar que o resto do propulsor se esgotasse durante este período, mas estamos satisfeitos por ter sido todo gasto até a última gota."

"Durante sua missão a Vénus, a nave realizou um estudo abrangente da ionosfera e da atmosfera do planeta e permitiu-nos tirar conclusões importantes sobre a superfície deste", diz Håkan Svedhem, cientista da ESA do projeto Venus Express.

Vénus tem uma temperatura superficial de mais de 450°C, muito mais quente do que um forno de cozinha normal e a sua atmosfera é extremamente densa, uma mistura asfixiante de gases nocivos.

Um dos pontos de destaque da missão é a tentadora pista de que o planeta pode ser ainda hoje geologicamente activo. Um estudo descobriu inúmeros fluxos de lava que devem ter sido criados há mais de 2,5 milhões de anos - ainda ontem em escalas de tempo geológicas - e provavelmente até muito menos do que isso.

Será que Vénus tem atividade vulcânica?
Crédito: ESA/AOES
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De facto, as medidas de dióxido de enxofre na atmosfera superior demonstraram grandes variações no decurso da missão. Embora algumas características da circulação atmosférica possam produzir resultados semelhantes, este é o argumento mais convincente até agora da existência de vulcanismo activo.

Mesmo sendo hoje a superfície de Vénus extremamente inóspita, uma recolha da quantidade de hidrogénio e de deutério na atmosfera do planeta sugere que a atmosfera de Vénus já teve muita água, a qual já desapareceu quase toda, e que até, possivelmente, teve oceanos como a Terra.

Além disso, tal como a Terra, Vénus continua a perder partes de sua atmosfera superior para o espaço: a Venus Express mediu duas vezes mais átomos de hidrogénio do que átomos de oxigénio em fuga da atmosfera. Dado que a água é feita de dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio, a fuga observada indica que a água está a ser partida na atmosfera.

Nos estudos sobre a atmosfera em "super-rotação" de Vénus - a qual serpenteia o planeta em apenas quatro dias terrestres, muito mais rápido do que os 243 dias que Vénus leva para completar uma rotação em torno do seu eixo - também apareceram algumas surpresas curiosas. Ao estudar os ventos, seguindo o percurso de nuvens por imagens, foi observado que a velocidade média do vento aumentou de cerca de 300 quilómetros por hora até 400 quilómetros por hora durante um período de seis anos terrestres.

Ao mesmo tempo, um estudo independente descobriu que a rotação do planeta tinha abrandado 6,5 minutos desde que, há 20 anos, a Magalhães da NASA a tinha medido antes de terminar a sua missão a Vénus de cinco anos. Mas ainda não se sabe se há uma relação directa entre as velocidades do vento crescentes e o decréscimo da rotação.

"Embora a fase científica da missão tenha acabado, os dados recolhidos irão manter a comunidade científica ocupada durante muitos anos", acrescenta Håkan.

"A Venus Express faz parte da nossa família de naves em órbita desde que foi lançada, em 2005", afirma Paolo Ferri, chefe de operações da missão da ESA.

"Tem sido uma experiência emocionante operar este veículo espacial maravilhoso na atmosfera de Vénus. O sucesso científico da missão é uma grande recompensa para o trabalho das equipas operacionais e torna-nos mais orgulhosos do que tristes neste momento de despedida."

"Se estamos tristes por a missão ter terminado, estamos ainda assim felizes ao pensarmos no grande sucesso da Venus Express como parte do programa de ciência planetária da ESA e estamos confiantes de que os seus dados serão uma importante herança durante algum tempo", acrescenta Martin Kessler, chefe de operações científicas da ESA.

"A missão continuou por muito mais tempo do que tinha sido planeado e vai agora terminar num momento de glória."

"A Venus Express foi um elemento importante do programa científico da ESA e, apesar da missão ter terminado, a comunidade de ciência planetária mundial vai continuar a beneficiar de mais de oito anos de dados e grandes descobertas da Venus Express, que irão alimentar o conhecimento sobre os planetas terrestres e a sua evolução", diz Alvaro Giménez, director de Ciência e Exploração Robótica da ESA.

Links:

Cobertura da missão Venus Express pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
20/05/2014 - Venus Express prepara-se para dar mergulho atmosférico
21/06/2013 - Os velozes ventos de Vénus estão ficando mais rápidos
24/09/2010 - Relâmpagos em Vénus semelhantes aos da Terra
31/07/2009 - Descoberta mancha brilhante em Vénus
15/07/2009 - Novo mapa aponta para passado vulcânico e molhado de Vénus
17/05/2008 - Importante molécula descoberta na atmosfera de Vénus
23/02/2008 - A luz e escuridão de Vénus
01/12/2007 - Vénus: irmão gémeo da Terra?
05/09/2007 - 500 dias em Vénus
11/04/2007 - Atmosfera de Vénus é mais caótica do que se pensava
12/05/2006 - Venus Express entra na sua órbita final
14/04/2006 - Venus Express já orbita Vénus
04/04/2006 - Venus Express quase no seu destino
05/08/2005 - Campanha de lançamento da Venus Express começa

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
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Astronomy
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UPI

Venus Express:
ESA 
NASA
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

 
MAVEN IDENTIFICA ELOS DA CADEIA QUE LEVA A PERDA ATMOSFÉRICA

As primeiras descobertas da sonda marciana mais recente da NASA estão a começar a revelar características-chave acerca da perda da atmosfera do planeta para o espaço ao longo do tempo.

As descobertas estão entre os primeiros dados da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA, que entrou na sua fase científica no dia 16 de Novembro. As observações revelam um novo processo pelo qual o vento solar pode penetrar profundamente numa atmosfera planetária. Incluem as primeiras medições compreensivas da composição da atmosfera superior de Marte e da ionosfera electricamente carregada. Os resultados também fornecem uma visão sem precedentes dos iões à medida que ganham a energia que os leva a escapar da atmosfera.

"Estamos começando a ver os elos de uma cadeia que tem início em processos alimentados pelo Sol, que agem sobre o gás na atmosfera superior e levam à perda atmosférica," afirma Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. "Ao longo de toda a missão, seremos capazes de completar este quadro e realmente compreender os processos pelos quais a atmosfera mudou ao longo do tempo."

A missão MAVEN da NASA está a observar a atmosfera superior de Marte para ajudar a compreender a mudança climática no planeta. A MAVEN entrou na sua fase científica no dia 16 de Novembro de 2014.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em cada órbita em torno de Marte, a MAVEN mergulha na ionosfera - a camada de iões e electrões que se estende entre os 120 e os 480 km acima da superfície. Esta camada serve como uma espécie de escudo em redor do planeta, desviando o vento solar, um fluxo intenso de partículas quentes e altamente energéticas do Sol.

Os cientistas há muito que pensavam que as medições do vento solar podiam ser feitas apenas antes que estas partículas atingissem a fonteira invisível da ionosfera. O instrumento SWIA (Solar Wind Ion Analyzer) da MAVEN, no entanto, descobriu um fluxo de partículas do vento solar que não são desviadas, mas penetram profundamente na atmosfera superior e ionosfera de Marte.

As interacções na atmosfera superior parecem transformar este fluxo de iões numa forma neutra que pode penetrar até altitudes surpreendentemente baixas. Nas profundezas da ionosfera, o fluxo emerge, quase como o mágico Houdini, novamente numa forma iónica. O reaparecimento destes iões, que retêm as características do vento solar original, fornece uma nova maneira de seguir as propriedades do vento solar e pode tornar mais fácil ligar directamente a origem da perda atmosférica com a actividade na atmosfera superior e ionosfera.

O instrumento NGIMS (Neutral Gas and Ion Mass Spectrometer) da MAVEN está a explorar a natureza do reservatório a partir do qual os gases escapam através da realização da primeira análise abrangente da composição da atmosfera superior e ionosfera. Estes estudos vão ajudar os investigadores a fazer ligações entre a atmosfera inferior, que controla o clima, e a atmosfera superior, onde a perda está a ocorrer.

O instrumento mediu as abundâncias de muitos gases em formas iónicas e neutras, revelando uma estrutura bem definida na atmosfera superior e ionosfera, em contraste com a atmosfera inferior, onde os gases estão bem misturados. As variações nestas abundâncias ao longo do tempo vão fornecer novas informações sobre a física e a química da região e já forneceram evidências de "meteorologia" significativa na atmosfera superior que não tinha sido medida em detalhe anteriormente.

Novas informações sobre o modo como os gases deixam a atmosfera estão sendo recolhidas pelo instrumento STATIC (Suprathermal and Thermal Ion Composition). Poucas horas após ter sido ligado em Marte, o STATIC detectou a "pluma polar" de iões que escapa de Marte. Esta medição é importante na determinação da taxa de perda atmosférica.

A sonda MAVEN detectou uma pluma de iões que escapam do pólo de Marte. Ainda não se sabe quais os processos físicos que despoletam o escape.
Crédito: Equipa científica da MAVEN
 

À medida que o satélite mergulha na atmosfera, o STATIC identifica a ionosfera fria à maior aproximação e, posteriormente, mede o aquecimento deste gás carregado para velocidades de escape quando a MAVEN sobe em altitude. Os iões energéticos, em última análise, libertam-se da gravidade do planeta quando se movem ao longo de uma pluma que se estende atrás de Marte.

A sonda MAVEN e os seus instrumentos têm toda a capacidade técnica proposta em 2007 e estão a caminho de completar a sua missão científica primária. A equipa da MAVEN colocou a nave em órbita de Marte dentro do tempo previsto, lançando a nave exactamente no dia projectado pela equipa 5 anos antes. O projecto MAVEN também ficou bem abaixo do orçamento estabelecido pela NASA em 2010.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
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Astronomy
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MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7331 e Além
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tony Hallas
 
A grande e bela galáxia espiral NGC 7331 é muitas vezes apontada como análoga à nossa própria Via Láctea. A cerca de 50 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Pégaso, NGC 7331 foi reconhecida ao início como uma nebulosa espiral e é na realidade uma das galáxias mais brilhantes não incluídas no famoso catálogo do astrónomo do século XVIII, Charles Messier. Tendo em conta que o disco da galáxia está inclinado para o nosso ponto de vista, as exposições telescópicas muitas vezes resultam numa imagem que evoca uma forte sensação de profundidade. O efeito é ainda mais reforçado nesta imagem nítida, obtida através de um pequeno telescópio, pelas galáxias que se encontram para lá do lindo universo-ilha. As mais proeminentes galáxias de fundo medem cerca de um-décimo do tamanho aparente de NGC 7331 e assim encontram-se cerca de dez vezes mais distantes. O seu alinhamento próximo no céu com NGC 7331 ocorre apenas por acaso. Visto aqui através de nuvens ténues de poeira situadas um pouco acima doo plano da Via Láctea, este agrupamento visual de galáxias é conhecido como o Grupo Deer Lick.
 

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