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Edição n.º 1487
08/06 a 11/06/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/06: 159.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1625 nascia Giovanni Cassini

Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9 (USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante bem alta a este após o anoitecer. Logo para baixo e para a esquerda está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, a Dupla-Dupla. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, quase a largura do polegar à distância do braço esticado. Os binóculos resolvem facilmente Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com 100x de ampliação deverá resolver os componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta Lyrae é também uma estrela dupla para binóculos; bem mais difícil, mas ainda observável em qualquer telescópio.
Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é um par muito mais largo e fácil. Note as suas cores.

Dia 09/06: 160.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.

Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes - morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 00:28 e as 02:43.
Eclipse de Io, entre as 21:36 e as 23:53.

Dia 10/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, lançamento do Explorer 49, que foi colocado em órbita lunar e tinha o objetivo de recolher medições dos planetas, do Sol e da Galáxia no rádio.
Em 2003 era lançado o rover Spirit, começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em março de 2010.

Observações: Durante grande parte da primavera a latitudes médias norte, a Via Láctea situa-se logo fora de vista para baixo do horizonte. Mas olhe para este agora. A rica área da Via Láctea em Cefeu-Cisne-Águia sobe a este por estas noites, cada vez mais cedo e cada vez mais alto com o passar das semanas. Pista para os céus poluídos: a Via Láctea passa pelo Triângulo de Verão.

Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol. 
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias. 
Observações: Vénus forma uma linha reta com Pollux e Castor, estrelas de Gémeos, situadas para a sua direita perto do horizonte a oeste-noroeste.
Nesta altura do ano começamos a ver a cabeça de Escorpião acima do horizonte imediatamente após o pôr-do-sol, o que permite observar os enxames mais fáceis desta constelação - M4 (enxame globular), M6 (enxame aberto) e M7 (enxame aberto) - ainda cedo na noite.

 
CURIOSIDADES

Pode agradecer à Lua pelo aumento da duração do dia. Um novo estudo que reconstruiu a história profunda da relação do nosso planeta com a Lua mostra que há 1,4 mil milhões de anos, um dia na Terra tinha a duração de pouco mais de 18 horas. Isto em parte porque a Lua estava mais perto e mudou o modo como a Terra girava em torno de si própria. Atualmente, a Lua afasta-se da Terra a 3,82 centímetros por ano.
 
NASA ENCONTRA MATERIAL ORGÂNICO ANTIGO, METANO MISTERIOSO EM MARTE
Este auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity da NASA mostra o veículo no local onde perfurou uma rocha apelidada "Buckskin" nas partes mais baixas do Monte Sharp.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O rover Curiosity da NASA encontrou novas evidências preservadas em rochas de Marte que sugerem que o planeta poderia ter suportado vida antiga, bem como novas evidências na atmosfera marciana que estão relacionadas com a procura por vida atual no Planeta Vermelho. Embora não sejam necessariamente evidências de vida propriamente dita, estes achados são um bom sinal para futuras missões que vão explorar a superfície e subsuperfície do planeta.

As novas descobertas - moléculas orgânicas "resistentes" em rochas sedimentares com 3 mil milhões de anos perto da superfície, bem como variações sazonais nos níveis de metano na atmosfera - aparecem na edição de 8 de junho da revista científica Science.

As moléculas orgânicas contêm carbono e hidrogénio e também podem incluir oxigénio, azoto e outros elementos. Embora regularmente associadas com vida, as moléculas orgânicas também podem ser formadas por processos não biológicos e não são necessariamente indicadoras de vida.

"Com estas novas descobertas, Marte está a dizer-nos para manter o curso e continuar à procura de evidências de vida," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington, EUA. "Estou confiante de que as nossas missões contínuas e planeadas vão desvendar ainda mais descobertas de tirar o fôlego no Planeta Vermelho."

"O Curiosity não determinou a origem das moléculas orgânicas," disse Jen Eigenbrode, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autora principal de um dos dois novos artigos científicos. "Se contém um registo de vida antiga, se era alimento para vida, ou se existiu na ausência de vida, a matéria orgânica nos materiais marcianos contém pistas químicas para as condições e processos planetários."

Embora a superfície de Marte seja hoje inóspita, existem evidências claras de que, no passado distante, o clima marciano permitiu que a água líquida - um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos - se acumulasse à superfície. Os dados do Curiosity revelam que há milhares de milhões de anos, o lago no interior da Cratera gale continha todos os ingredientes necessários para a vida, incluindo blocos de construção química e fontes de energia.

"A superfície marciana está exposta à radiação do espaço. Tanto a radiação como os produtos químicos quebram a matéria orgânica," realça Eigenbrode. "Encontrar moléculas orgânicas antigas nos cinco primeiros centímetros de rocha que foi depositada quando Marte podia ter sido habitável, é um bom presságio para nós aprendermos a história das moléculas orgânicas em Marte com futuras missões que vão aprofundar o tema."

Libertação Sazonal de Metano

No segundo artigo, os cientistas descrevem a descoberta de variações sazonais do metano na atmosfera marciana ao longo de quase três anos marcianos, equivalentes a quase seis anos terrestres. Esta variação foi detetada pelo conjunto de instrumentos SAM (Sample Analysis at Mars) do Curiosity.

A química da rocha-água pode ter produzido o metano, mas os cientistas não podem descartar a possibilidade de origens biológicas. O metano já havia sido detetado na atmosfera de Marte em plumas grandes e imprevisíveis. Este novo resultado mostra que os baixos níveis de metano dentro da Cratera Gale atingem repetidamente e a cada ano o pico nos meses quentes de verão e caem no inverno.

"Esta é a primeira vez que vemos algo repetível na história do metano, por isso dá-nos algum entendimento sobre o elemento químico em Marte," comenta Chris Webster do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, autor principal do segundo artigo científico. "Tudo isto é possível devido à longevidade do Curiosity. A longa duração permitiu-nos ver os padrões nesta 'respiração' sazonal."

Encontrando Moléculas Orgânicas

Para identificar material orgânico no solo marciano, o Curiosity perfurou rochas sedimentares conhecidas em quatro áreas da Cratera Gale. Estas rochas formaram-se gradualmente há milhares de milhões de anos a partir das lamas que se acumularam no fundo do antigo lago. As amostras rochosas foram analisadas pelo SAM, que usa um forno para as aquecer (a 500º C) a fim de libertar moléculas orgânicas da rocha em pó.

O SAM mediu pequenas moléculas orgânicas libertadas das amostras - fragmentos de moléculas orgânicas maiores que não vaporizam facilmente. Alguns desses fragmentos contêm enxofre, que pode ter ajudado a preservá-las da mesma forma que o enxofre é usado para tornar os pneus dos automóveis mais duráveis, indica Eigenbrode.

Os resultados também indicam concentrações de carbono orgânico na ordem das 10 partes por milhão ou mais. Este valor está próximo da quantidade observada em meteoritos marcianos e é cerca de 100 vezes maior do que as deteções anteriores de carbono orgânico à superfície de Marte. Algumas das moléculas identificadas incluem tiofenos, benzeno, tolueno e pequenas cadeias de carbono, como propano ou buteno.

Em 2013, o SAM detetou algumas moléculas orgânicas contendo cloro em rochas no ponto mais profundo da cratera. Esta nova descoberta baseia-se no inventário de moléculas detetadas nos antigos sedimentos de lagos em Marte e ajuda a explicar porque foram preservadas.

Encontrar metano na atmosfera e carbono antigo preservado na superfície dá aos cientistas confiança de que o rover Mars 2020 da NASA e o rover ExoMars da ESA encontrem ainda mais compostos orgânicos, tanto à superfície como logo abaixo.

Estes resultados também informam as decisões dos cientistas enquanto trabalham para encontrar respostas a perguntas sobre a possibilidade de vida em Marte.

"Existem sinais de vida em Marte?" pergunta Michael Meyer, cientista chefe do Programa de Exploração de Marte da NASA, na sede da agência espacial. "Não sabemos, mas estes resultados dizem-nos que estamos no caminho certo."

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/03/2018 - Rover Curiosity celebra 2000 sols
09/05/2017 - Rover Curiosity recolhe amostras de dunas marcianas
07/02/2017 - Rover Curiosity intensifica paradoxo do passado de Marte 
07/10/2016 - Curiosity começa próximo capítulo marciano 
30/09/2016 - Curiosity descobre que crosta de Marte contribui para a sua atmosfera 
28/06/2016 - Descobertas do rover Curiosity apontam para passado marciano mais parecido com a Terra
13/10/2015 - Equipa do rover Curiosity confirma lagos antigos em Marte 
26/05/2015 - Rover Curiosity ajusta percurso montanha acima
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
19/12/2014 - Rover Curiosity encontra química orgânica, passada e presente, em Marte
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Science)
Artigo científico - 2 (Science)
Science
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
ScienceNews
Popular Science
PHYSORG
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Rover Curiosity (MSL):
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ExoMars 2020:
ESA
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ExoMars TGO:
ESA
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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A GRAVIDADE COLETIVA, NÃO O PLANETA NOVE, PODE EXPLICAR AS ÓRBITAS DE "OBJETOS ISOLADOS"

De acordo com um novo estudo, interações parecidas com as dos carrinhos de choque, nas orlas do nosso Sistema Solar - e não um misterioso Planeta Nove - podem explicar a dinâmica de corpos estranhos chamados "objetos isolados".

A professora assistente Ann-Marie Madigan da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e sua equipa de investigadores, desenvolveram uma nova teoria para a existência de objetos esquisitos como Sedna - um planeta menor gelado que orbita o Sol a uma distância de quase 12,8 mil milhões de quilómetros. Os cientistas têm tentado explicar por que Sedna e um punhado de outros corpos àquela distância pareciam separados do resto do Sistema Solar.

Uma teoria sugere um novo planeta, ainda invisível, à espreita para lá de Neptuno, que pode ter empurrado as órbitas destes objetos isolados.

Mas Madigan e colegas calcularam que as órbitas de Sedna e de outros objetos semelhantes podem resultar da "luta" gravitacional entre estes corpos e detritos espaciais no Sistema Solar exterior.

Impressão de artista de Sedna, que em imagens de telescópios tem um tom avermelhado.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Existem muitos destes corpos por aí. O que é que a sua gravidade coletiva faz?" comenta Madigan. "Podemos resolver muitos desses problemas apenas levando em conta esta questão."

Os cientistas apresentaram os seus achados numa conferência de imprensa da 232.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que se realizou entre os dias 3 e 7 de junho em Denver, no estado norte-americano do Colorado.

O projeto debruça-se sobre o Sistema Solar exterior, um local ocupado por planetas menores, como Plutão, luas geladas e outros detritos espaciais.

É também um lugar invulgar, gravitacionalmente falando. "Assim que nos afastamos para lá de Neptuno, as coisas não fazem sentido, o que é realmente emocionante," realça Madigan.

Entre as coisas que não fazem sentido: Sedna. Este planeta menor demora mais de 11.000 anos para completar uma órbita em torno do Sol e é um pouco mais pequeno que Plutão. Ao contrário do nono planeta original, Sedna e outros objetos isolados completam órbitas enormes e excêntricas que os mantêm bem longe dos gigantes planetários como Júpiter ou Neptuno. Como lá chegaram permanece um mistério.

Entra aqui o hipotético Planeta Nove. Os astrónomos têm vindo a procurar um planeta como este, que teria cerca de 10 vezes o tamanho da Terra, há já aproximadamente dois anos, mas ainda não o localizaram com telescópios.

A equipa de Madigan originalmente não pretendia procurar outra explicação para estas órbitas. Ao invés, Jacob Fleisig, estudante de astrofísica da mesma universidade norte-americana, estava a desenvolver simulações de computador para explorar a dinâmica dos objetos isolados.

"Ele veio ao meu escritório um dia e disse, 'estou a ver aqui algumas coisas muito interessantes,'" lembrou Madigan.

Fleisig havia calculado que as órbitas de objetos gelados para lá de Neptuno orbitam o Sol como os ponteiros de um relógio. Algumas dessas órbitas, como as de asteroides, movem-se como o ponteiro dos minutos, ou relativamente depressa e em conjunto. Outras, como as órbitas de objetos maiores como Sedna, movem-se mais devagar. Correspondem ao nosso ponteiro da hora. Eventualmente, esses ponteiros encontram-se.

"Vemos um amontoado de órbitas de objetos mais pequenos num lado do Sol," comenta Fleisig, autor principal do novo estudo. "Estas órbitas 'colidem' com o corpo maior, e o que acontece é que essas interações mudam a sua órbita de uma forma oval para uma forma mais circular."

Por outras palavras, a órbita de Sedna passa de normal para isolada, inteiramente por causa dessas interações a pequena escala. As descobertas da equipa também estão de acordo com observações recentes. Uma investigação de 2012 observou que quanto maior é um objeto isolado, mais distante a sua órbita se torna do Sol - exatamente o que os cálculos de Fleisig mostraram. Alexander Zderic, estudante da Universidade do Colorado em Boulder, é também coautor do novo estudo.

As descobertas podem fornecer novas pistas sobre outro fenómeno: a extinção dos dinossauros. À medida que os detritos espaciais interagem no Sistema Solar exterior, as órbitas destes objetos estreitam-se e alargam-se num ciclo de repetição. Este ciclo pode acabar por disparar cometas em direção ao Sistema Solar interior - inclusive na direção da Terra - numa escala previsível de tempo.

"Embora não possamos dizer que este padrão matou os dinossauros," realça Fleisig, "é tentador."

Madigan acrescentou que a órbita de Sedna é mais um exemplo de quão interessante o Sistema Solar exterior se tornou.

"A imagem que temos do Sistema Solar exterior nos livros didáticos pode ter que mudar," salienta. "Existem por lá mais coisas do que pensávamos, o que é muito excitante."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/07/2017 - Novas evidências em suporte da hipótese do Planeta Nove
04/04/2017 - Estão a ser investigados quatro objetos desconhecidos na pesquisa pelo Planeta Nove
24/02/2017 - Novos dados sobre dois asteroides distantes dão pistas sobre possível "Planeta Nove"
21/10/2016 - Inclinação curiosa do Sol atribuída ao Planeta Nove
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Notícias relacionadas:
Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
Nature
SPACE.com
Astronomy Now
Science alert
PHYSORG
Popular Mechanics
Forbes

Objetos isolados:
Wikipedia

Planeta Nove:
Wikipedia

Sedna:
NASA
Wikipedia
Página de Mike Brown

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
OS ENXAMES GLOBULARES PODEM SER 4 MIL MILHÕES DE ANOS MAIS JOVENS DO QUE SE PENSAVA

Segundo uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Warwick, os enxames globulares podem ser até 4 mil milhões de anos mais jovens do que se pensava.

Compostos por centenas de milhares de estrelas densamente agrupadas numa esfera compacta, os aglomerados globulares eram considerados quase tão antigos quanto o próprio Universo - mas, graças a modelos de investigação recentemente desenvolvidos, foi demonstrado que podem ter 9 mil milhões de anos em vez de 13 mil milhões.

A descoberta põe em questão as teorias atuais sobre como as galáxias, incluindo a Via Láctea, foram formadas, pois os enxames globulares eram considerados quase tão antigos quanto o próprio Universo. Pensa-se que existam, só na nossa Galáxia, entre 150 e 180 enxames globulares.

Projetados para reconsiderar a evolução das estelas, os novos modelos BPASS (Binary Population and Spectral Synthesis) levam em conta os detalhes da evolução de estrelas binárias dentro do enxame globular e são usados para explorar as cores da luz das antigas populações de estrelas duplas - bem como os traços de elementos químicos vistos nos seus espectros.

Evolução de um sistema binário no interior de um enxame globular.
Crédito: Mark A. Garlick/Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O processo evolucionário vê duas estrelas a interagir num sistema binário, onde uma se expande para gigante enquanto a força gravitacional da estrela mais pequena remove a sua atmosfera, composta por hidrogénio e hélio, entre outros elementos. Pensa-se que estas estrelas se formaram ao mesmo tempo que o próprio enxame.

Usando os modelos BPASS e calculando a idade dos sistemas estelares binários, os cientistas foram capazes de demonstrar que o enxame globular do qual fazem parte não era tão antigo quanto outros modelos sugeriram.

Os modelos BPASS, desenvolvidos em colaboração com o Dr. JJ Eldridge da Universidade de Auckland, já se haviam mostrado eficazes na exploração das propriedades de populações estelares jovens em ambientes que vão desde a nossa Via Láctea até ao limite do Universo.

Discutindo os modelos BPASS e as suas descobertas, a Dra. Elizabeth Stanway, do Grupo de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Warwick, investigadora principal destes achados, comenta:

"A determinação das idades das estrelas esteve sempre dependente da comparação das observações com os modelos que encapsulam a nossa compreensão de como as estrelas se formam e evoluem. Essa compreensão tem mudado ao longo do tempo e estamos cada vez mais conscientes dos efeitos da multiplicidade estelar - as interações entre as estrelas e as suas companheiras binárias e terciárias."

A Dra. Stanway sugere que as descobertas deste estudo apontam para novas avenidas de investigação sobre como as galáxias massivas e as estrelas aí contidas se formam:

"É importante notar que ainda há muito trabalho a fazer - em particular, olhar para os sistemas muito próximos, onde podemos resolver estrelas individuais em vez de apenas considerar a luz integrada de um enxame - mas este é um resultado interessante e intrigante.

"A ser verdade, muda a nossa imagem dos estágios iniciais da evolução das galáxias e o local onde as estrelas que acabaram nas galáxias massivas de hoje, como a Via Láctea, podem ter-se formado. O nosso objetivo é continuar esta investigação, explorando tanto as melhorias na modelagem como as previsões observáveis que delas podem surgir."

O artigo científico foi aceite para publicação pela revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
EarthSky
PHYSORG

Modelos BPASS:
Universidade de Warwick
Universidade de Auckland

Formação estelar:
Wikipedia

Sistemas binários:
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

 
ALMA E VLT DESCOBREM DEMASIADAS ESTRELAS MASSIVAS EM GALÁXIAS COM FORMAÇÃO ESTELAR EXPLOSIVA, TANTO PRÓXIMAS COMO LONGÍNQUAS
Esta imagem artística mostra uma galáxia poeirenta no Universo distante que está a formar estrelas a uma taxa muito mais elevada do que a da nossa Via Láctea. Novos dados obtidos com o ALMA permitiram aos cientistas observar para além do véu de poeira e ver algo anteriormente inacessível - que estas galáxias com formação estelar explosiva possuem um excesso de estrelas massivas quando comparadas com galáxias mais calmas.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do ALMA e do VLT, os astrónomos descobriram que, tanto galáxias com formação estelar explosiva do Universo primordial, como uma região de formação estelar situada numa galáxia próxima, contêm uma proporção de estrelas massivas muito maior do que a encontrada em galáxias mais calmas. Esta descoberta desafia as atuais teorias de evolução galáctica, alterando o nosso conhecimento da história da formação estelar cósmica e da formação contínua de elementos químicos.

No intuito de estudar o Universo longínquo, uma equipa de cientistas liderada pelo astrónomo Zhi-Yu Zhang, da Universidade de Edimburgo, utilizou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para investigar a proporção de estrelas massivas em quatro galáxias distantes ricas em gás com formação estelar explosiva.

As galáxias com formação estelar explosiva são galáxias que estão a sofrer um episódio de formação estelar muito intensa. A taxa à qual se formam novas estrelas pode bem ser superior a 100 vezes a taxa de formação estelar da nossa galáxia, a Via Láctea. Neste tipo de galáxias, as estrelas massivas produzem radiação ionizante, fluxos estelares e explosões de supernova, fenómenos que influenciam de forma bastante significativa a evolução química e dinâmica do meio que as rodeia. O estudo da distribuição de massa das estrelas nestas galáxias ajuda-nos a compreender melhor não só sobre a sua própria evolução, mas também a evolução do Universo, de modo geral.

As galáxias do Universo distante são observadas durante a sua juventude e por isso apresentam histórias de formação estelar relativamente curtas e rotineiras, o que as torna um laboratório ideal para estudar as épocas mais precoces da formação estelar. No entanto, estes objetos encontram-se muitas vezes obscurecidos por poeira, o que impede a correcta interpretação das observações.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Observamos estas galáxias quando o Universo era muito mais jovem do que atualmente, o que significa que, muito provavelmente, estes objetos bebés ainda não sofreram muitos episódios de formação estelar anteriores. Se não fosse este o caso, os resultados poderiam estar comprometidos.

Zhang e a sua equipa desenvolveram uma nova técnica — semelhante à datação por carbono radioativo (também conhecida por datação por carbono-14) — para medir as abundâncias de diferentes tipos de monóxido de carbono em quatro galáxias muito distantes envoltas em poeira e com formação estelar explosiva. A equipa observou a razão entre dois tipos de monóxido de carbono que contêm diferentes isótopos.

"Os isótopos de carbono e de oxigénio têm origens diferentes", explica Zhang. "O 18O é mais produzido em estrelas massivas e o 13C é mais produzido em estrelas de massa pequena ou intermédia." Graças à nova técnica, a equipa foi capaz de observar para além da poeira destas galáxias e determinar pela primeira vez a massa das suas estrelas.

Este tipo de galáxia está tipicamente a formar estrelas a uma taxa tão elevada que os astrónomos se referem a elas como "tendo formação estelar explosiva". Estes objetos podem formar até 1000 vezes mais estrelas por ano do que, por exemplo, a Via Láctea. Graças às capacidades únicas do ALMA, os astrónomos conseguiram medir a proporção de estrelas de elevada massa neste tipo de galáxias.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A massa de uma estrela é o fator mais importante para determinar a sua evolução. As estrelas massivas brilham intensamente e têm vidas curtas, enquanto que as estrelas menos massivas, como o Sol, brilham de forma mais modesta durante milhares de milhões de anos. Assim, ao sabermos as proporções de estrelas com massas diferentes que se formam nas galáxias, podemos compreender melhor a formação e evolução das galáxias ao longo da história do Universo, o que, por sua vez, nos dá informações valiosas sobre os elementos químicos disponíveis para formar novas estrelas e planetas e, por fim, o número de "sementes" de buracos negros que podem coalescer para formar os buracos negros supermassivos que vemos no centro de muitas galáxias.

A coautora do trabalho, Donatella Romano do INAF-Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço em Bolonha, explica o que a equipa descobriu: "A razão de 18O para 13C medida foi cerca de 10 vezes maior nestas galáxias com formação estelar explosiva existentes no Universo primordial do que em galáxias como a Via Láctea, o que significa que existe uma proporção muito maior de estrelas massivas no interior destas galáxias."

Esta imagem mostra quatro galáxias distantes com formação estelar explosiva, observadas pelo ALMA. As imagens de cima mostram o 13C emitido por cada galáxia e as de baixo mostram a sua emissão de C18O. A razão destes dois isotopólogos permitiu aos astrónomos determinar que estas galáxias apresentam um excesso de estrelas massivas.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Zhang et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estes resultados obtidos com o ALMA são corroborados por outra descoberta no Universo local. Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o intuito de investigar a distribuição geral de idades estelares e massas iniciais, uma equipa liderada por Fabian Schneider, da Universidade de Oxford, obteve medições espectroscópicas de 800 estrelas situadas na enorme região de formação estelar 30 Doradus, na Grande Nuvem de Magalhães.

Schneider explica: "Descobrimos cerca de 30% mais estrelas com massas superiores a 30 vezes a do Sol do que o esperado e cerca de 70% mais do que as esperadas com massas superiores a 60 massas solares. Os nossos resultados desafiam o limite anteriormente previsto de 150 massas solares para a massa inicial máxima das estrelas e sugerem ainda que as estrelas se podem formar com massas superiores a 300 massas solares!"

Rob Ivison, coautor do novo artigo científico baseado nos dados ALMA, conclui: "Os nossos resultados levam-nos a questionar a nossa compreensão da história cósmica. Os astrónomos que constroem modelos do Universo têm que voltar ao ponto de partida e usar modelos ainda mais sofisticados."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/01/2018 - "Pesagem" de estrelas massivas em galáxia vizinha revela excesso de "pesos-pesados"

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
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Crédito: NASAJunoSwRIMSSS; Composição: David Marriott
 
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