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Edição n.º 1255
18/03 a 21/03/2016
 
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25/03/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 18/03: 78.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento, no Cosmódromo de Plesetsk, matando 50 pessoas.
Em 2011, inserção orbital da sonda MESSENGER em Mercúrio.
Observações: Esta é a altura do ano em que Orionte desce a sudoeste depois do anoitecer, com a sua Cintura quase na horizontal. Mas a que horas é que está mesmo na horizontal? Depende da sua localização e da sua latitude. Consegue determinar a hora precisa deste evento?

Dia 19/03: 79.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Plutão era fotografado pela primeira vez. No entanto, não foi identificado como planeta.

Em 2008, GRB 080319B, uma explosão cósmica que se torna no objecto mais distante visível [brevemente] a olho nu.
Observações: Olhe para baixo e para a esquerda da Lua esta noite em busca de Régulo. A "foice" de Leão, um ponto de interrogação ao contrário, sobe para a esquerda desta área. Bem mais para baixo encontra-se o planeta Júpiter.

Dia 20/03: 80.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lectures apresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de Novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).

Em 2015, um eclipse solar, o equinócio e uma super-Lua ocorrem no mesmo dia.
Observações: Equinócio da Primavera, pelas 04:30.

Dia 21/03: 81.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1768, nascia Jean-Baptiste Joseph Fourier, matemático e físico francês, conhecido por ter iniciado a investigação das séries de Fourier e das suas aplicações para problemas como a transferência de calor e vibrações.

Fourier é também considerado o descobridor do efeito de estufa.
Em 1905, Albert Einstein publica a sua teoria sobre a relatividade especial.
Em 1927, nascia Halton Arp, astrónomo americano conhecido pelo seu Atlas de Galáxias Peculiares de 1966, que contém muitos exemplos de galáxias em interação e em fusão. 
Em 1965, a NASA lança a Ranger 9, a última numa série de sondas lunares não tripuladas.
Observações: Depois do anoitecer, olhe para este-sudeste à procura da Lua. O ponto brilhante para a sua esquerda é o planeta Júpiter. Os dois astros estarão separados por menos de 3º durante o resto da noite.

 
CURIOSIDADES


Os astronautas relatam a experiência de ver "flashes" de luz quando estão no espaço, mesmo quando os seus olhos estão fechados. São os raios cósmicos. Os raios cósmicos que passam pela Terra são absorvidos pela nossa atmosfera. Mas sem esta camada protetora, os astronautas em órbita podem "ver coisas que não estão lá".

 
ARTIGOS CIENTÍFICOS REVELAM NOVOS ASPETOS DE PLUTÃO E DAS SUAS LUAS
Esta imagem das camadas de neblina no limbo de Plutão, obtida pelo instrumento MVIC (Ralph/Multispectral Visible Imaging Camera) a bordo da sonda New Horizons da NASA. Podem ser vistas cerca de 20 camadas; estas extendem-se tipicamente até centenas de quilómetros, mas não estritamente paralelas à superfície. Por exemplo, os cientistas notam que uma camada de neblina mais ou menos 5 km acima da superfície (área em baixo e à esquerda na imagem), que desce até à sperfície à direita.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há um ano atrás, Plutão era apenas um pontinho brilhante nas câmaras a bordo da sonda New Horizons da NASA, não muito diferente do seu aspeto telescópico desde que Clyde Tombaugh descobriu o então nono planeta em 1930.

Mas esta semana, na revista Science, cientistas da New Horizons divulgam o primeiro conjunto compreensivo de artigos que descrevem os resultados da passagem por Plutão do verão passado. "Estes cinco documentos detalhados transformam completamente a nossa visão de Plutão - revelando que o antigo planeta é um mundo com geologia ativa e diversa, química superficial exótica, uma atmosfera complexa, uma interação misteriosa com o Sol e um sistema intrigante de pequenas luas," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado.

Imagens captadas pela New Horizons da região informalmente denominada Sputnik Planum (topo) e da região informalmente chamada Vulcan Planum em Caronte (baixo). Ambas as escalas medem 32 km de comprimento: a iluminação vem da esquerda. As brilhantes planícies de azoto gelado são definidas por uma rede vales cruzados. Esta observação foi obtida pelo instrumento MVIC (Ralph/Multispectral Visible Imaging Camera) a uma resolução de 320 metros por pixel. A imagem de Vulcan Planum no painel de baixo inclui o fosso montanhoso Clarke Mons mesmo acima do centro da imagem. As planícies ricas em água gelada exibem uma variedade de texturas superficiais, de suaves e sulcadas à esquerda, até rugosa e acidentada à direita. Esta observação foi obtida pelo LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) a uma resolução de 160 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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Após uma viagem de 9,5 anos e 4,82 mi milhões de quilómetros - lançada mais depressa e mais longe do que qualquer outra sonda para atingir o seu objetivo principal - a New Horizons passou por Plutão no dia 14 de julho de 2015. Os sete instrumentos científicos da New Horizons recolheram 50 gigabits (6,25 gigabytes) de dados digitais.

As primeiras imagens revelaram uma grande característica em forma de coração esculpida à superfície de Plutão, dizendo aos cientistas que este "novo" tipo de mundo planetário - o maior, o mais brilhante e o primeiro a ser explorado da distante "terceira zona" do nosso Sistema Solar conhecida como Cintura de Kuiper - seria ainda mais interessante e intrigante do que os modelos previam.

Os artigos recém-publicados confirmam isso mesmo.

"A observação de Plutão e Caronte de perto levou-nos a reavaliar completamente que tipo de atividade geológica pode ser sustentada em corpos planetários isolados nesta distante região do Sistema Solar, mundos que anteriormente se pensava serem relíquias pouco alteradas desde a formação da Cintura de Kuiper," afirma Jeff Moore, autor principal do artigo de geologia do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia.

Os cientistas que estudam a composição de Plutão dizem que a diversidade da sua paisagem resulta de eras de interação entre o metano altamente volátil e móvel, gelos de azoto e monóxido de carbono com água gelada inerte e resistente. "Vemos variações na distribuição dos gelos voláteis de Plutão que apontam para ciclos fascinantes de evaporação e condensação," afirma Will Grundy do Observatório Lowell, em Flagstaff, Arizona, autor principal do artigo sobre a composição. "Estes ciclos são muito mais ricos do que os da Terra, onde há basicamente apenas um material que se condensa e evapora - água. Em Plutão, existem pelo menos três materiais, e enquanto estes interagem de formas que ainda não compreendemos totalmente, vemos definitivamente os seus efeitos em toda a superfície de Plutão."

Esta imagem em cores falsas da diversidade superficial de Plutão foi criada juntando imagens a cores obtidas pelo instrumento MVIC (Ralph/Multispectral Visible Imaging Camera - 650 metros por pixel) com imagens do LORRI (Long Range Reconnaissance Imager - 230 metros por pixel). Em baixo e à direita, terreno antigo e altamente craterado é revestido com "tholins" escuros e avermelhados. Em cima e à direita, gelos voláteis que enchem a região chamada informalmente de Sputnik Planum modificaram a superfície, criando um caos de montanhas. Os gelos voláteis também ocupam algumas crateras vizinhas, e nalgumas áreas o gelo volátil é crivado com poços de sublimação. À esquerda, e em toda a parte inferior da cena, os depósitos de metano gelado cinza-brancos modificam cumes tectónicos, os limites das crateras e as encostas voltadas para norte. A cena nesta imagem mede 420 km de comprimento e 225 km de altura; o norte está para cima e para a esquerda.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
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Acima da superfície, os cientistas descobriram que a atmosfera de Plutão contém neblinas em camadas e é mais fria e compacta do que se esperava. Isto afeta o modo como a atmosfera superior de Plutão é perdida para o espaço e como interage com o fluxo de partículas carregadas do Sol conhecido como vento solar. "Nós descobrimos que as estimativas pré-New Horizons sobrestimaram em muito a perda de material da atmosfera de Plutão," afirma Fran Bagenal, da Universidade do Colorado, Boulder, autora principal dos artigos de partículas e plasma. "O pensamento era que a atmosfera de Plutão escapava como um cometa, mas na verdade escapa a um ritmo muito mais parecido com o da atmosfera da Terra."

Randy Gladstone, do SwRI em San Antonio é o autor principal do artigo científico sobre as descobertas atmosféricas. Ele salienta, "nós também descobrimos que o metano, não o azoto, é o principal gás que escapa de Plutão. Isto é muito surpreendente, dado que perto da superfície de Plutão a atmosfera é mais de 99% azoto."

Os cientistas também estão a analisar as primeiras imagens de perto das pequenas luas Estige, Nix, Cérbero e Hidra. Descobertas entre 2005 e 2012, as quatro luas variam, em diâmetro, entre os 40 km para Nix e Hidra até 10 km para Estige e Cérbero. Os cientistas da missão observaram ainda que os pequenos satélites têm velocidades de rotação anómalas e orientações polares uniformemente invulgares, bem como superfícies geladas com brilhos e cores distintamente diferentes das de Plutão e Caronte.

Encontraram evidências de que algumas das luas resultaram da fusão de corpos ainda mais pequenos, e que as suas superfícies têm pelo menos 4 mil milhões de anos. "Estes dois últimos resultados reforçam a hipótese de que as luas pequenas foram formadas na sequência de uma colisão que produziu o sistema binário Plutão-Caronte," afirma Hal Weaver, cientista do projeto New Horizons do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano de Maryland, e autor principal do artigo científico sobre as pequenas luas de Plutão.

Cerca de metade dos dados recolhidos durante o "flyby" da New Horizons já foram transmitidos - a partir de distâncias onde os sinais de rádio, à velocidade da luz, levam quase cinco horas a chegar à Terra - e espera-se que os dados sejam todos enviados até ao final de 2016.

"É por isto que exploramos," afirma Curt Niebur, cientista do programa New Horizons na sede da NASA em Washington. "As muitas descobertas da New Horizons representam o melhor da humanidade e inspiram-nos a continuar a viagem de exploração ao Sistema Solar e mais longe."

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/03/2016 - Neva metano nos picos de Plutão
01/03/2016 - Os desfiladeiros gelados do polo norte de Plutão
23/02/2016 - Caronte, a Lua "Hulk" de Plutão: um possível antigo oceano?
09/02/2016 - As misteriosas colinas flutuantes de Plutão
22/12/2015 - Novas descobertas da New Horizons moldam o conhecimento de Plutão e das suas luas
08/12/2015 - New Horizons transmite as primeiras das melhores imagens de Plutão
10/11/2015 - Quatro meses depois da passagem por Plutão, continuam as descobertas da New Horizons
20/10/2015 - Novas imagens de Plutão e Caronte
09/10/2015 - New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão
02/10/2015 - Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta
25/09/2015 - Plutão continua a impressionar
18/09/2015 - Plutão deslumbra em espetacular novo panorama retroiluminado
11/09/2015 - Novas imagens de Plutão pela New Horizons: é complicado
08/09/2015 - New Horizons começou fase intensiva de envio dos dados
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA - 2 (comunicado de imprensa)
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Sistema de Plutão:
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UMA FONTE QUE ACELERA RAIOS CÓSMICOS GALÁCTICOS ATÉ NÍVEIS SEM PRECEDENTES FOI DESCOBERTA NO CENTRO DA VIA LÁCTEA

Há já mais de dez anos que o observatório H.E.S.S. na Namíbia, dirigido por uma colaboração internacional de 42 instituições em 12 países, tem vindo a mapear o centro da nossa Galáxia em raios-gama altamente energéticos. Estes raios-gama são produzidos por raios cósmicos oriundos da região mais interna da Galáxia. Uma análise detalhada dos dados mais recentes do H.E.S.S., publicados na edição de 16 de março da revista Nature, revela pela primeira vez uma fonte desta radiação cósmica em energias nunca antes observadas na Via Láctea: o buraco negro supermassivo no centro da Galáxia, que provavelmente acelera os raios cósmicos até energias 100 vezes superiores àquelas obtidas no maior acelerador de partículas da Terra, o LHC no CERN.

A Terra é constantemente bombardeada por partículas de alta-energia (protões, eletrões e núcleos atómicos) de origem cósmica, partículas que compõem a chamada "radiação cósmica". Estes "raios cósmicos" são eletricamente carregados e são, portanto, fortemente desviados pelos campos magnéticos interestelares que permeiam a nossa Galáxia. O seu percurso através do cosmos é randomizado por estes desvios, o que torna impossível a identificação direta das fontes astrofísicas responsáveis pela sua produção. Assim, durante mais de um século, a origem dos raios cósmicos continua a ser um dos mistérios mais duradouros da ciência.

Impressão de artista de nuvens moleculares gigantes que rodeiam o Centro Galáctico, bombardeadas por protões altamente energéticos acelerados na vizinhança do buraco negro central, que subsequentemente brilham em raios-gama.
Crédito: Dr. Mark A. Garlick / Colaboração H.E.S.S.
 

Felizmente, os raios cósmicos interagem com a luz e o gás na vizinhança das suas fontes, produzindo raios-gama. Estes raios-gama viajam em linhas retas e não são desviados pelos campos magnéticos, podendo, portanto, ser traçados até à sua origem. Quando um raio-gama altamente energético atinge a Terra, interage com uma molécula na atmosfera superior, produzindo uma chuva de partículas secundárias que emitem um curto pulso de "luz de Cherenkov". Ao detetar estes flashes de luz usando telescópios equipados com grandes espelhos, foto-detetores sensíveis e eletrónica topo-de-gama, foram identificadas, ao longo das três últimas décadas, mais de 100 fontes de raios-gama. O observatório H.E.S.S. (High Energy Stereoscopic System) na Namíbia representa a última geração destas redes de telescópios. É operado por cientistas de 42 instituições em 12 países, com contribuições principais de MPIK Heidelberg, Alemanha, CEA e CNRS, França.

Hoje sabemos que os raios cósmicos com energias até cerca de 100 TeV (tera eletrão-volt) são produzidos na nossa Galáxia por objetos como remanescentes de supernovas e nebulosas alimentadas por ventos de pulsares. Os argumentos teóricos e as medições diretas dos raios cósmicos que alcançam a Terra indicam, no entanto, que as fábricas de raios cósmicos na nossa Galáxia devem ser capazes de fornecer partículas com, pelo menos, até 1 PeV (peta eletrão-volt). Apesar de muitos aceleradores multi-TeV terem sido descobertos nos últimos anos, até agora a procura das fontes dos raios cósmicos galácticos mais energéticos foi infrutífera.

Observações detalhadas do Centro Galáctico, feitas pelo H.E.S.S. ao longo dos últimos 10 anos, e publicadas anteontem na revista Nature, finalmente fornecem indicações diretas da aceleração de raios cósmicos até níveis PeV. Durante os primeiros três anos de observações, o H.E.S.S. descobriu uma fonte muito poderosa de raios-gama na região do Centro Galáctico, bem como emissão difusa de raios-gama das nuvens moleculares gigantes que o rodeiam numa zona com aproximadamente 500 anos-luz de diâmetro. Estas nuvens moleculares são bombardeadas por raios cósmicos que se deslocam quase à velocidade da luz, que produzem raios-gama através das suas interações com a matéria nas nuvens. Uma notavelmente boa coincidência espacial entre os raios-gama observados e a densidade de material nas nuvens indica a presença de um ou mais aceleradores de raios cósmicos nessa região. No entanto, a natureza da fonte permanecia um mistério.

Impressão de artista de nuvens moleculares gigantes que rodeiam o Centro Galáctico, bombardeadas por protões altamente energéticos acelerados na vizinhança do buraco negro central, que subsequentemente brilham em raios-gama.
Crédito: Dr. Mark A. Garlick / Colaboração H.E.S.S.
 

Observações mais profundas obtidas pelo H.E.S.S. entre 2004 e 2013 lançaram nova luz sobre os processos que alimentam os raios cósmicos na região. De acordo com Aion Viana (MPIK, Heidelberg), "a quantidade sem precedentes de dados e o progresso feito nas metodologias permite-nos medir simultaneamente a distribuição espacial e a energia dos raios cósmicos." Com estas medições únicas, os cientistas do H.E.S.S. conseguiram, pela primeira vez, identificar a origem destas partículas: "algures entre os 33 anos-luz centrais da Via Láctea, existe uma fonte astrofísica capaz de acelerar protões para energias de aproximadamente 1 PeV, continuamente, durante pelo menos 1000 anos," explica Emmanuel Moulin (CEA, Saclay). Numa analogia com o "Tevatron", o primeiro acelerador de partículas construído pelo Homem que alcançou energias de 1 TeV, esta nova classe de acelerador cósmico foi apelidada de "Pevatron". "Com o H.E.S.S., somos agora capazes de rastrear a propagação dos protões PeV na região central da Galáxia," acrescenta Stefano Gabici (CNRS, Paris).

O centro da nossa Galáxia é o lar de muitos objetos capazes de produzir raios cósmicos altamente energéticos, incluindo, em particular, um remanescente de supernova, uma nebulosa alimentada por ventos de um pulsar e um enxame compacto de estrelas massivas. No entanto, "o buraco negro supermassivo localizado no centro da Galáxia, chamado Sgr A*, é a fonte mais plausível dos protões PeV," afirma Felix Aharonian (MPIK, Heidelberg e DIAS, Dublin), acrescentando que "várias possíveis regiões de aceleração podem ser consideradas, quer na proximidade imediata do buraco negro, quer mais longe, onde uma fração do material que cai para o buraco negro é expelido de volta para o ambiente, iniciando-se assim a aceleração de partículas."

A medição H.E.S.S. dos raios-gama pode ser usada para inferir o espetro dos protões que foram acelerados pelo buraco negro central - revelando que Sgr A* está provavelmente a acelerar protões para energias a níveis PeV. Atualmente, estes protões não conseguem explicar o fluxo total de raios cósmicos detetados na Terra. "Se, no entanto, o nosso buraco negro central tivesse sido mais ativo no passado", argumentam os cientistas, "então poderia ser realmente responsável pela maior parte dos raios cósmicos galácticos que são observados hoje na Terra". A ser verdade, isso poderia influenciar o debate de um século sobre a origem destas partículas enigmáticas.

Links:

Notícias relacionadas:
CNRS (comunicado de imprensa)
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COSMOS

Raios cósmicos:
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Sagitário A*:
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Buraco negro supermassivo:
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H.E.S.S.:
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DESCOBERTAS VARIAÇÕES INESPERADAS NAS MANCHAS BRILHANTES DE CERES

Observações obtidas com o espectrógrafo HARPS no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, revelaram variações inesperadas nas manchas brilhantes do planeta anão Ceres. Embora Ceres pareça pouco mais que um ponto de luz quando visto a partir da Terra, estudos detalhados da sua radiação mostram não apenas as variações esperadas nas manchas devido à rotação de Ceres, mas também que estas estruturas se tornam mais luminosas durante o dia, entre outras variações. Estas observações sugerem que o material destas manchas é volátil e evapora-se com o calor da luz solar.

Ceres é o maior corpo da cintura de asteroides situada entre Marte e Júpiter e o único objeto deste tipo classificado como planeta anão. A sonda Dawn da NASA está em órbita de Ceres há mais de um ano e mapeou a sua superfície com grande detalhe. Uma das maiores surpresas foi a descoberta de manchas muito brilhantes, que refletem muito mais radiação do que o seu meio envolvente muito mais escuro. A mais proeminente destas manchas situa-se no interior da cratera Occator e sugere que Ceres pode ser um mundo muito mais ativo do que a maioria dos seus vizinhos asteroides.

Esta impressão artística baseia-se num mapa detalhado da superfície compilado a partir de imagens obtidas pela sonda Dawn da NASA, em órbita do planeta anão Ceres. O vídeo mostra as manchas de material muito brilhante situadas na cratera de Occator e noutros lados. Novas observações obtidas com o espectrógrafo HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, em La Silla, no Chile, revelaram variações diárias inesperadas nestas estruturas, sugerindo que variam sob a influência da luz solar à medida que Ceres roda.
Crédito: ESO/L.Calçada/NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/Steve Albers/N. Risinger (skysurvey.org)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas observações muito precisas obtidas com o espectrógrafo HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, em La Silla, no Chile, detetaram não apenas o movimento destas manchas devido à rotação de Ceres em torno do seu eixo, mas também descobriram variações adicionais inesperadas que sugerem que o material das manchas é volátil e evapora-se com a luz do Sol.

O autor principal deste novo estudo, Paolo Molaro do INAF - Observatório Astronómico de Trieste, explica: "Assim que a sonda Dawn revelou a presença de misteriosas manchas brilhantes na superfície de Ceres, pensei imediatamente nos possíveis efeitos que podiam ser medidos a partir da Terra. À medida que Ceres roda, as manchas aproximam-se da Terra e depois afastam-se outra vez, o que afeta o espectro da radiação solar refletida que chega à Terra."

Ceres faz uma rotação em torno de si mesmo a cada 9 horas e os cálculos mostram que o efeito devido ao movimento das manchas, quando estas se aproximam e afastam da Terra, causado por esta rotação é muito baixo, da ordem dos 20 km por hora. No entanto, este movimento é suficientemente elevado para poder ser medido por efeito Doppler com instrumentos de alta precisão como o HARPS.

A equipa observou Ceres com o HARPS durante pouco mais de duas noites em julho e agosto de 2015. "O resultado foi surpreendente," acrescenta Antonino Lanza, do INAF - Observatório Astrofísico de Catania e coautor do estudo. "Encontrámos efetivamente as variações no espectro que esperávamos devido à rotação de Ceres, mas mais do que isso, encontrámos também outras variações consideráveis de noite para noite."

Esta imagem, que foi obtida pela sonda Dawn da NASA, em órbita do planeta anão Ceres, mostra as manchas de material muito brilhante situadas na cratera de Occator e noutros lados. Novas observações obtidas com o espectrógrafo HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, em La Silla, no Chile, revelaram variações diárias inesperadas nestas estruturas, sugerindo que variam sob a influência da luz solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa concluiu que as variações observadas podem ser devidas à presença de substâncias voláteis que se evaporam sob a ação da radiação solar. Quando as manchas no interior da cratera Occator estão no lado iluminado pelo Sol, formam plumas que refletem a radiação solar de modo muito eficaz. Estas plumas evaporam-se depois rapidamente, perdem refletividade e produzem as variações observadas. Este efeito, no entanto, varia de noite para noite, dando origem a padrões aleatórios adicionais, tanto para escalas de tempo curtas como para escalas de tempo mais longas.

Se esta interpretação se confirmar, Ceres parece ser muito diferente de Vesta e de outros asteroides principais da cintura de asteroides. Apesar de estar relativamente isolado, o objeto parece ser internamente ativo. Sabe-se que Ceres é rico em água, mas não é claro se este facto está relacionado com as manchas brilhantes. A fonte de energia que origina esta perda contínua de material da superfície também é desconhecida.

A sonda Dawn continua a estudar Ceres e o comportamento das suas misteriosas manchas. Observações feitas a partir do solo com o HARPS e outros instrumentos poderão continuar mesmo após o final da missão espacial.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Astronomy
Astronomy Now
SPACE.com
EarthSky
PHYSORG
(e) Science News
Scientific American
Discovery News
UPI
gizmodo

Ceres:
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
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Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

ESO:
Página oficial
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  VLA mostra estágios iniciais de formação planetária (via NRAO)
Novas imagens de uma estrela jovem, obtidas com o VLA, revelam o que cientistas pensam ser os primeiros estágios iniciais na formação de planetas. Os cientistas usaram o VLA para ver detalhes sem precedentes da região interior de um disco de poeira em redor da estrela, a cerca de 450 anos-luz da Terra. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cometa Próximo e Grande Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Justin Tilbrook (Astronomical Society of South Australia
 
Ostentando uma cabeleira surpreendentemente brilhante e esverdeada, o Cometa 252P/Linear posa ao lado da Grande Nuvem de Magalhães nesta paisagem estelar do hemisfério sul. A pilha de exposições foi capturada no dia 16 de março em Penwortham, no sul da Austrália. Reconhecido como um cometa periódico da família de Júpiter, 252P/Linear passará perto do nosso planeta no dia 21 de março, a uns meros 5,3 milhões de quilómetros de distância. Este valor é cerca de 14 vezes a distância Terra-Lua. De facto, é um dos dois cometas que farão abordagens incrivelmente próximas durante os próximos dias - o muito mais fraco Cometa Pan-STARRS (P/2016 BA14) passará a 3,5 milhões de quilómetros (9 vezes a distância Terra-Lua) no dia 22 de março. Os dois cometas têm órbitas extremamente parecidas, sugerindo que podem ser originalmente parte do mesmo cometa. Varrendo rapidamente através do céu por causa da sua proximidade com a Terra, ambos os cometas vão em breve mover-se para os céus do Norte.
 

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