Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1284
28/06 a 30/06/2016
 
Siga-nos:      
 
EFEMÉRIDES

Dia 28/06: 179.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caem na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Em 2011, o Telescópio Espacial Hubble descobre outra lua em redor de Plutão, temporariamente denominada P4. A descoberta foi novamente verificada no dia 20 de julho do mesmo ano. O nome oficial da lua é agora Cérbero.
Observações: Eclipse de Ganimedes, entre as 18:41 e as 22:05.
Arcturo é a estrela mais brilhante alta a oeste. Vega tem brilho equivalente e está também alta mas a este. A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega, procure a ténue constelação de Coroa Boreal, com a sua única estrela de brilho modesto, Gemma ou Alphecca. A dois-terços do caminho, encontrará a constelação de Hércules.

Dia 29/06: 180.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1818, nascia Angelo Secchi, astrónomo italiano. Foi Diretor do Observatório da Universidade Gregoriana Pontifical durante 28 anos. Foi um pioneiro na espectroscopia astronómica, um dos primeiros cientistas a afirmar autoritariamente que o Sol era uma estrela.
Em 1868, nascia George Hale, astrónomo solar americano.

Foi quem sugeriu a Einstein (após este lhe ter perguntado) que a sua teoria da curvatura da luz devido à gravidade só poderia ser testada durante um eclipse solar total do Sol. 
Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir
Observações: Com o avançar da noite, até a estrela mais baixa do Triângulo de Verão está razoavelmente alta a este. É Altair, a uns bons dois ou três punhos à distância do braço esticado para baixo ou para baixo e para a direita de Vega.
Para a esquerda de Altair está a pequena constelação de Golfinho.

Dia 30/06: 181.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, Albert Einstein publica o artigo "Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento", no qual introduz a relatividade especial.
Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.

Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas da Salyut 1. A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula. Permanecem os únicos humanos a não ter morrido na Terra.
Em 1972, é adicionado o primeiro segundo ao sistema UTC
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.
Observações: Marte estacionário, pelas 09:00. Cessa o seu movimento retrógrado (para oeste) e começa a deslocar-se para este na direção de Saturno e Antares. Vai passar entre os dois a 23 ou 24 de
Vega é a estrela mais brilhante muito alta a este. Mesmo para baixo e para a sua esquerda está uma das melhores estrelas múltiplas do céu: Epsilon Lyrae. Forma um dos cantos de um triângulo quase equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado. Os binóculos resolvem facilmente Epsilon, mas um telescópio superior a 4 polegadas e 100x de ampliação deverá resolver as quatro estrelas dos dois pares. Zeta Lyrae também é um binário binocular; mais difícil, mas facilmente resolvido através um telescópio. Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é mais larga e fácil.

 
CURIOSIDADES


A NASA prolongou a missão do Hubble até 2021.

 
DESCOBERTAS DO ROVER CURIOSITY APONTAM PARA PASSADO MARCIANO MAIS PARECIDO COM A TERRA
Esta cena mostra o rover Curiosity da NASA num local chamado "Windjana", onde o rover descobriu rochas que contêm óxidos de manganês, que requerem água abundante e condições altamente oxidantes. Em frente do rover estão dois buracos da broca de recolha de amostras e várias características escuras que foram limpas de poeira (ver inserções). Estas características são fendas resistentes à erosão que contêm óxidos de manganês. A descoberta destes materiais sugere que a atmosfera marciana já teve abundâncias mais altas de oxigénio do que hoje em dia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Químicos encontrados nas rochas marcianas pelo rover Curiosity da NASA sugerem que o Planeta Vermelho já teve mais oxigénio na sua atmosfera do que tem agora.

Os investigadores encontraram níveis altos de óxidos de manganês por meio de um instrumento que dispara lasers no rover. Esta pista de mais oxigénio na atmosfera primitiva de Marte acrescenta a outros resultados do Curiosity - como evidências de lagos antigos - que revelam quão parecido com a Terra o nosso planeta vizinho já foi.

Esta investigação também acrescenta um contexto importante a outras pistas sobre o oxigénio atmosférico no passado de Marte. Os óxidos de manganês foram descobertos em veias minerais dentro de uma configuração geológica que a missão Curiosity colocou numa linha temporal de antigas condições ambientais e geológicas. A partir desse contexto, o nível mais elevado de oxigénio pode ser ligado a uma altura em que as águas subterrâneas estavam presentes na área de estudo do rover, a Cratera Gale.

"As únicas formas cá na Terra, que sabemos fazerem estes materiais de manganês, envolvem oxigénio atmosférico ou micróbios," afirma Nina Lanza, cientista planetária do Laboratório Nacional de Los Alamos no Novo México. "Agora que vimos óxidos de manganês em Marte, queremos saber como é que se formaram."

Os micróbios parecem um exagero neste ponto, mas a outra alternativa - que a atmosfera marciana continha mais oxigénio no passado do que agora - parece possível, diz Lanza. "Estes materiais ricos em manganês não podem formar-se sem grandes quantidades de água líquida e fortes condições oxidantes. Aqui na Terra, temos muita água, mas os depósitos generalizados de óxidos de manganês só se formaram quando os níveis de oxigénio na nossa atmosfera subiram."

Lanza é a autora principal de um novo artigo sobre os óxidos de manganês publicado na revista Geophysical Research Letters. Ela usou o instrumento ChemCam (Chemistry and Camera) do Curiosity, que dispara pulsos de laser do alto do mastro do rover e observa o espectro dos flashes resultantes de plasma para avaliar a composição química dos alvos.

No registo geológico da Terra, o aparecimento de concentrações altas de minerais ricos em óxidos de manganês marca uma grande mudança na composição da nossa atmosfera, de abundâncias relativamente baixas de oxigénio para a atmosfera rica em oxigénio que vemos hoje. A presença dos mesmos tipos de materiais em Marte sugere que os níveis de oxigénio também subiram aí, antes de descerem para os valores presentes. Se for esse o caso, como é que este ambiente rico em oxigénio se formou?

"O oxigénio na atmosfera marciana pode ter vindo da quebra de água quando o planeta Marte estava a perder o seu campo magnético," comenta Lanza. "Pensa-se que nessa altura da historia de Marte, a água era muito mais abundante." No entanto, sem um campo magnético para proteger a superfície, a radiação ionizante começou a dividir moléculas de água em hidrogénio e oxigénio. Por causa da relativamente baixa gravidade de Marte, o planeta não foi capaz de agarrar os átomos mais leves de hidrogénio, mas os átomos mais pesados de oxigénio ficaram para trás. Grande parte deste oxigénio foi inserido nas rochas, levando ao tom avermelhado que cobre a superfície hoje em dia. Apesar dos famosos óxidos de ferro avermelhados de Marte necessitarem apenas de um ambiente pouco oxidante para se formarem, os óxidos de manganês necessitam de um ambiente fortemente oxidante, mais do que o anteriormente para Marte.

Lanza acrescentou: "É difícil confirmar se este cenário de oxigénio atmosférico de Marte realmente ocorreu. Mas é importante notar que esta ideia representa um desvio no nosso conhecimento de como as atmosferas planetárias podem tornar-se oxigenadas. "O oxigénio atmosférico abundante foi tratado como uma bioassinatura, ou sinal de vida existente, mas este processo não requer vida.

O Curiosity investiga a Cratera Gale desde 2012. Os materiais ricos em manganês que encontrou estão em fendas cheias de minerais situadas em arenitos da região "Kimberley" da cratera. Mas este não é o único lugar onde as altas abundâncias de manganês foram descobertas. O rover Opportunity da NASA, que explora Marte desde 2004, também descobriu recentemente elevados depósitos de manganês a milhares de quilómetros do Curiosity. Isto suporta a ideia de que as condições necessárias para formar esses materiais estavam presentes muito além da Cratera Gale.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/10/2015 - Equipa do rover Curiosity confirma lagos antigos em Marte
26/05/2015 - Rover Curiosity ajusta percurso montanha acima
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
19/12/2014 - Rover Curiosity encontra química orgânica, passada e presente, em Marte
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Geophysical Research Letters
Astronomy
redOrbit
PHYSORG
New Scientist
gizmodo
UPI

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
Facebook
Twitter
Wikipedia

 
HUBBLE CONFIRMA NOVA MANCHA ESCURA EM NEPTUNO
Neptuno e a sua nova mancha escura.
Crédito: NASA, ESA e M. H. Wong e J. Tollefson (UC Berkeley)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas imagens obtidas no dia 16 de maio de 2016, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, confirmam a presença de um vórtice escuro na atmosfera de Neptuno. Apesar de características semelhantes já terem sido vistas durante o "flyby" da Voyager 2 em 1989 e pelo Hubble em 1994, este vórtice é o primeiro observado em Neptuno no século XXI.

A descoberta foi anunciada no dia 17 de maio de 2016, num telegrama eletrónico do Serviço Central de Telegramas Astronómicos, pelo astrónomo Mike Wong, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que liderou a equipa que analisou os dados do Hubble.

Os vórtices escuros de Neptuno são sistemas de alta pressão e são geralmente acompanhados por brilhantes "nuvens companheiras", que são agora também visíveis no planeta distante. As nuvens brilhantes formam-se quando o fluxo de ar ambiente é perturbado e desviado para cima sobre o vórtice escuro, fazendo com que os gases provavelmente congelem em cristais de metano.

"Os vórtices escuros navegam pela atmosfera como enormes montanhas gasosas em forma de lente," explica Wong. "E as nuvens companheiras são parecidas com as nuvens orográficas que aparecem como características em forma de panqueca que persistem sobre montanhas cá na Terra."

A partir de julho de 2015, as nuvens brilhantes foram novamente vistas em Neptuno por vários observadores, desde amadores a astrónomos do Observatório W. M. Keck no Hawaii. Os astrónomos suspeitavam que estas nuvens pudessem ser nuvens companheiras brilhantes que seguiam um vórtice escuro invisível. Os vórtices escuros de Neptuno são normalmente apenas vistos em comprimentos de onda azuis, e só o Hubble tem a alta-resolução necessária para os ver no distante Neptuno.

Esta nova imagem pelo Telescópio Espacial Hubble confirma a presença de um vórtice escuro na atmosfera de Neptuno. A imagem à esquerda, no visível, mostra que a característica escura reside perto e por baixo de uma zona de nuvens brilhantes no hemisfério sul do planeta. A imagem a cores em cima e à direita é uma ampliação da característica complexa. O vórtice é um sistema de alta pressão. A imagem em baixo e à direita mostram que o vórtice é mais facilmente visto em comprimentos de onda azuis.
Crédito: NASA, ESA e M. H. Wong e J. Tollefson (UC Berkeley)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em setembro de 2015, o programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), um projeto a longo prazo do Telescópio Espacial Hubble, que anualmente captura mapas globais dos planetas exteriores, revelou uma mancha escura perto da posição das nuvens brilhantes que haviam sido monitorizadas a partir do solo. Ao verem o vórtice pela segunda vez, as novas imagens do Hubble confirmam que o OPAL realmente detetou uma característica de longa duração. Os novos dados permitiram com que a equipa criasse um mapa de mais alta-resolução do vórtice e das suas redondezas.

Os vórtices escuros de Neptuno têm demonstrado uma diversidade surpreendente ao longo dos anos, em termos de tamanho, forma e estabilidade (serpenteiam em latitude e por vezes aceleram ou desaceleram). Também vêm e vão em escalas de tempo muito mais curtas em comparação com os anticiclones de Júpiter; as grandes tempestades em Júpiter evoluem ao longo de décadas.

De acordo com Joshua Tollefson, doutorando de UC Berkeley, os astrónomos planetários esperam entender melhor como é que os vórtices escuros se formam, o que controla os seus desvios e oscilações, como interagem com o ambiente e como eventualmente se dissipam. A medição da evolução deste novo vértice escuro vai ampliar o conhecimento tanto dos próprios vórtices escuros, como da estrutura e dinâmica da atmosfera circundante.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Telegrama eletrónico (CBAT)
HUBBLESITE
Astronomy
Astrobiology Magazine
SPACE.com
(e) Science News
EarthSky
redOrbit
PHYSORG
Scientific American
New Scientist
Space Daily
COSMOS
National Geographic
The Verge
engadget
AstroPT

Neptuno:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
VÉNUS TEM POTENCIAL - MAS NÃO PARA ÁGUA
A sonda Venus Express da ESA detetou um campo elétrico surpreendentemente forte em Vénus - a primeira vez que um campo elétrico foi medido num planeta. Com um potencial de mais ou menos 10V, é quase cinco vezes maior do que os cientistas esperavam e é suficiente para despojar a atmosfera superior de oxigénio, um dos componentes da água.
Ao contrário da Terra, Vénus não tem um campo magnético significativo para se proteger do vento solar. Quando o campo magnético transportado pelo vento solar encontra Vénus, rodeia a ionosfera do planeta (na imagem em tons alaranjados), puxando as suas partículas.
Enquanto os protões e outros iões (azul na inserção) sentem uma força devido à gravidade do planeta, os eletrões (a vermelho na inserção) são muito mais leves e, consequentemente, são capazes de escapar à atração gravitacional mais facilmente.
À medida que os eletrões sobem na atmosfera e para o espaço, ainda estão ligados aos protões e iões via força eletromagnética, e isto resulta no campo elétrico vertical que é criado acima da atmosfera de Vénus.
A Venus Express detetou o campo magnético em Vénus por trás da linha do terminador, que divide o lado diurno do noturno.
Crédito: ESA, C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Venus Express da ESA pode ter ajudado a explicar a enigmática falta de água em Vénus. O planeta tem um campo elétrico surpreendentemente forte – é a primeira vez que isto foi medido num planeta – o qual é suficiente para despojar a atmosfera superior de oxigénio, um dos componentes da água.

Vénus é muitas vezes chamado de planeta gémeo da Terra, uma vez que o segundo planeta a contar do Sol é apenas ligeiramente mais pequeno que o nosso. Mas a sua atmosfera é bastante diferente, consistindo maioritariamente de dióxido de carbono, com um pouco de azoto e quantidades vestigiais de dióxido de enxofre e outros gases. É muito mais espessa que a Terra, atingindo pressões de mais de 90 vezes a da Terra ao nível do mar, e incrivelmente seco, com uma abundância relativa de água cerca de 100 vezes inferior à da camada gasosa da Terra.

Além disso, Vénus tem agora um efeito de estufa descontrolado e uma temperatura à superfície suficientemente elevada para derreter chumbo. Também, ao contrário do nosso planeta, não possui um significativo campo magnético próprio.

Os cientistas acreditam que Vénus já possuiu grandes quantidades de água na sua superfície há mais de 4 mil milhões de anos atrás. Mas à medida que foi aquecendo, a maior parte da sua água evaporou para a atmosfera, onde poderá ter sido dilacerada pela luz solar e subsequentemente perdida no espaço.

O vento solar – uma poderosa corrente de partículas subatómicas vindas do sol – é um dos culpados, removendo iões de hidrogénio (protões) e iões de oxigénio da atmosfera do planeta e privando-a assim da matéria-prima para fazer água.

Agora, com a ajuda da Venus Express, os cientistas identificaram outra diferença entre os dois planetas: Vénus tem um campo elétrico substancial, com um potencial de cerca de 10 V.

Isto é pelo menos cinco vezes superior ao esperado. Observações anteriores em busca de campos elétricos na Terra e em Marte falharam em fazer uma deteção conclusiva, mas indicam que, a existir, é inferior a 2 V.

"Pensamos que todos os planetas com atmosferas têm um campo elétrico fraco, mas esta é a primeira vez que fomos capazes de detetar um," afirma Glyn Collinson do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, autor principal do estudo.

Em qualquer atmosfera planetária, os protões e outros iões são puxados pela gravidade do planeta. Os eletrões são mais leves e por isso sentem um puxão menor – são capazes de escapar mais facilmente à força gravitacional.

À medida que os eletrões derivam para cima na atmosfera e se afastam no espaço, continuam, no entanto, ligados aos protões positivos e aos iões através da força eletromagnética, e isto resulta num campo elétrico global vertical sendo criado por cima da atmosfera do planeta.

O campo elétrico detetado pela Venus Express é muito mais forte que o esperado e pode fornecer a energia suficiente aos iões de oxigénio para acelerá-los para cima de forma rápida, sendo isto suficiente para escaparem ao puxão gravitacional do planeta.

A descoberta revela assim outro processo, para além da decapagem pelo vento solar, isto poderá contribuir para um baixo conteúdo de água em Vénus.

"O campo elétrico de Vénus é muito mais forte do que alguma vez pudéssemos imaginar e muito poderoso em relação a um ião de oxigénio tão pequeno," acrescenta Glyn.

"No entanto, em termos reais, o poder total é apenas semelhante ao de uma única turbina de vento, e espalha-se por centenas de quilómetros de altitude, assim, como podem imaginar, isto é incrivelmente difícil de medir."

Os cientistas examinaram pacientemente dados recolhidos durante dois anos com um espectrómetro de eletrões, que faz parte do instrumento ASPERA-4 da Venus Express. Encontraram 14 janelas breves de um minuto no momento em que a aeronave estava no local exato e com todas as condições reunidas para a medição de um campo elétrico. Em todas estas ocasiões, observou-se um campo elétrico.

A razão pela qual Vénus tem um campo elétrico muito maior do que o da Terra continua sob investigação. Glyn e os seu colegas suspeitam que a posição do planeta, mais próximo do Sol, possa desempenhar um papel importante.

"Ao estar mais próximo do Sol do que a Terra, Vénus recebe o dobro da luz ultravioleta, resultando num maior número de eletrões livres na atmosfera e, como consequência, pode causar um campo elétrico mais forte por cima do planeta," diz Andrew Coates do Laboratório de Ciência do Espaço Mullard, Reino Unido, investigador principal do espectrofotómetro de eletrões ASPERA-4.

A presença de tal campo em Vénus sugere que as partículas e iões necessários para formar água estão a sair da atmosfera do planeta mais rapidamente do que o esperado. Por outro lado, isto significa que Vénus poderá ter albergado grandes quantidades de água no passado, antes de ter sido quase completamente despojada.

"A água tem um papel-chave na vida como nós a conhecemos na Terra e possivelmente noutros locais do Universo," afirma Håkan Svedhem, cientista do projeto Venus Express da ESA.

"Ao sugerir um mecanismo capaz de privar um planeta próximo da sua estrela-mãe de quase toda a sua água, esta descoberta apela a uma reflexão de como nós definimos um planeta 'habitável', não só no nosso Sistema Solar, mas também no contexto de exoplanetas."

Links:

Cobertura da missão Venus Express pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
22/04/2016 - Experiência final da Venus Express lança luz sobre atmosfera polar de Vénus
19/12/2014 - Venus Express cai suavemente na noite
20/05/2014 - Venus Express prepara-se para dar mergulho atmosférico 
21/06/2013 - Os velozes ventos de Vénus estão ficando mais rápidos
24/09/2010 - Relâmpagos em Vénus semelhantes aos da Terra
31/07/2009 - Descoberta mancha brilhante em Vénus
15/07/2009 - Novo mapa aponta para passado vulcânico e molhado de Vénus
17/05/2008 - Importante molécula descoberta na atmosfera de Vénus
23/02/2008 - A luz e escuridão de Vénus
01/12/2007 - Vénus: irmão gémeo da Terra?
05/09/2007 - 500 dias em Vénus
11/04/2007 - Atmosfera de Vénus é mais caótica do que se pensava
12/05/2006 - Venus Express entra na sua órbita final
14/04/2006 - Venus Express já orbita Vénus
04/04/2006 - Venus Express quase no seu destino
05/08/2005 - Campanha de lançamento da Venus Express começa

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Geophysical Research Letters)
SPACE.com
COSMOS
ScienceDaily
redOrbit
science 2.0
spaceref
BBC News
Gizmodo

Venus Express:
ESA 
NASA
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Makemake tem uma lua (via SwRI)
Uma equipa científica do SwRI descobriu uma lua elusiva e escura em órbita de Makemake, um dos quatro planetas anões localizados na Cintura de Kuiper, na fronteira do Sistema Solar. Ler fonte
     
  Primeiras observações do Centro Galáctico obtidas com o instrumento GRAVITY (via ESO)
Uma equipa europeia de astrónomos usou o novo instrumento GRAVITY montado no VLT do ESO para obter observações do centro da Via Láctea. Estes resultados dão-nos já uma ideia da ciência inovadora que o GRAVITY irá fazer, ao sondar os campos gravitacionais extremamente fortes existentes próximo do buraco negro central supermassivo e ao testar a teoria da relatividade geral de Einstein. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - As Nuvens de Júpiter pela New Horizons
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAAPL da Universidade Johns HopkinsSwRI
 
A sonda New Horizons captou algumas imagens impressionantes de Júpiter a caminho de Plutão. Famoso pela sua Grande Mancha Vermelha, Júpiter é também conhecido por ter bandas regulares e equatoriais, visíveis através de telescópios modestos. A imagem acima, comprimida horizontalmente, foi obtida em 2007 perto do terminador de Júpiter e mostra a grande diversidade de padrões de nuvens do gigante joviano. À esquerda estão nuvens mais próximas do polo sul de Júpiter. Aqui, redemoinhos turbulentos podem ser vistos numa região escura, apelidada de cintura, que rodeia o planeta. Até as regiões mais claras, chamadas zonas, mostram uma tremenda estrutura, completas com padrões complexos de ondas. A energia que impulsiona essas ondas vem certamente de baixo. A New Horizons é a sonda mais veloz jamais lançada, completou com êxito o seu voo rasante por Plutão em 2015 e agora está indo mais longe na direção do objeto da Cintura de Kuiper chamado 2014 MU69. No curto prazo, muitos entusiastas do espaço animadamente aguardam a chegada da Juno a Júpiter na próxima segunda-feira.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.