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Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1793  
  14/05 a 17/05/2021  
     
 
 

Excessos de velocidade?

Das raríssimas vezes que vemos Mercúrio no céu confundímo-lo com uma estrela... Desta vez, tentaremos provar que não é uma estrela!

O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.

Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.

Público-alvo: Jovens e Adultos
Preço: 30€ (5 sessões)

Data: 18 de maio de 2021
Hora: 21:30 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 14/05: 134.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1674, nascia Peder Horrebow, astrónomo holandês que inventou um método de determinar a latitude de um local a partir das estrelas, agora conhecido como Método Horrebow-Talcott.
Em 1861, um meteorito condrito de 859 gramas atinge a Terra perto de Barcelona e é apelidado de meteorito Canellas.
Em 1973, lançamento da primeira estação espacial americana, a Skylab.

É a última descolagem do foguetão Saturno V.
Em 2010, lançamento da missão STS-132 do vaivém espacial Atlantis, com o objetivo de fornecer o primeiro módulo russo da ISS via vaivém - o Rassvet.
Observações: Ao início do cair da noite, aviste a Lua Crescente a oeste-noroeste. Para cima e para a sua esquerda está o pequeno planeta Marte. Mais ou menos à mesma distância, mas para baixo e para a direita do nosso satélite natural, está Mercúrio, e para baixo e para a esquerda da Lua Betelgeuse, a última estrela brilhante de Orionte a despedir-se com o progredir da primavera.

Dia 15/05: 135.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de março mas rejeitou a ideia após ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.

É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888. 
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografiamagnetismo,
piezoelectricidade e radioatividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com a sua mulher (Marie Curie) e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Em 1997, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-84 para atracar com a estação espacial russa, Mir.
Observações: A Lua Crescente brilha perto do ténue e distante planeta Marte, que está praticamente do lado oposto da sua órbita [a partir da posição da Terra]. Marte está atualmente a 18 minutos-luz de distância, em comparação com os 1,3 segundos-luz do nosso satélite natural.
Em maio três estrelas de magnitude zero brilham depois do anoitecer: Arcturo bem alta a sudeste, Vega muito mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Parecem tão brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa do que o Sol, e porque estão todas relativamente perto: 37,25 e 42 anos-luz, respetivamente.

Dia 16/05: 136.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.

É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour.
Observações: A viagem da Lua pelo céu levou-a agora para o outro "lado" de Marte, planeta este que está para baixo e para a direita do nosso satélite natural, ambos na direção da constelação de Gémeos.

Dia 17/05: 137.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891. 

Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 um cometa foi descoberto em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão.
Observações: Mercúrio na sua maior elongação este, 22º, pelas 06:00.
A Lua encontra-se para a direita do enxame aberto M44 (Presépio). Consegue ver as estrelas por entre o luar? Binóculos ajudam.

 
 
   
Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência

O rover Perseverance da NASA tem estado ocupado a servir de estação base de comunicações para o helicóptero Ingenuity e a documentar os voos históricos do veículo aéreo. Mas o rover também tem estado concentrado a focar os seus instrumentos científicos nas rochas que estão no chão da Cratera Jezero.

As informações que fornecerem vão ajudar os cientistas a criar uma linha temporal de quando um antigo lago se formou aí, quando secou e quando os sedimentos começaram a acumular-se no delta que se formou na cratera há muito tempo atrás. A compreensão desta linha temporal deverá ajudar a datar as amostras de rochas - a serem recolhidas posteriormente na missão - que podem preservar um registo de micróbios antigos.

 
O rover Perseverance da NASA usou a sua câmara dupla Mastcam-Z para capturar esta imagem de "Santa Cruz", uma colina dentro da Cratera Jezero, no dia 29 de abril de 2021, o seu 68.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

Uma câmara chamada WATSON na extremidade do braço robótico do rover tirou fotos detalhadas das rochas. Um par de câmaras com zoom, que compõem o instrumento Mastcam-Z na "cabeça" do rover, também examinou o terreno. E um instrumento laser denominado SuperCam atingiu algumas das rochas para detetar a sua composição química. Estes e outros instrumentos permitem que os cientistas aprendam mais sobre a Cratera Jezero e se concentrem em áreas que gostariam de estudar em maior detalhe.

Uma questão importante que os cientistas querem responder: se estas rochas são sedimentares (como o arenito) ou ígneas (formadas por atividade vulcânica). Cada tipo de rocha conta com um tipo diferente de história. Algumas rochas sedimentares - formadas na presença de água a partir de fragmentos de rochas como areia e argilas - são mais adequadas para preservar bioassinatruras ou sinais de vida passada. As rochas ígneas, por outro lado, são relógios geológicos mais precisos que permitem que os cientistas criem uma linha temporal precisa de como uma área se formou.

Um fator complexo é que as rochas em torno do Perseverance sofreram erosão pelo vento ao longo do tempo e estão cobertas com areia e poeira mais jovens. Na Terra, um geólogo pode simplesmente ir lá e abrir uma amostra de rocha para ter uma melhor ideia das suas origens. "Quando olhamos dentro de uma rocha, é aí que vemos a história," disse Ken Farley do Caltech, cientista do projeto Perseverance.

 
O rover Perseverance da NASA viu estas rochas com o Mastcam-Z no dia 27 de abril de 2021.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

Embora o Perseverance não tenha um martelo, tem outras maneiras de ultrapassar milénios de poeira. Quando os cientistas encontram um local particularmente atraente, podem estender o braço do rover e usar um abrasivo para moer e aplainar a superfície de uma rocha, revelando a sua estrutura e composição internas. Depois, a equipa recolhe informações químicas e mineralógicas mais detalhadas usando instrumentos no braço como o PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) e o SHERLOC (Scanning for Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals).

"Quanto mais rochas estudarmos, mais conseguimos saber," disse Farley.

E quanto mais a equipa sabe, melhores amostras podem recolher com a broca no braço do rover. As melhores serão armazenadas em tubos especiais e depositados em coleções à superfície do planeta para eventual envio à Terra.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance da NASA move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
29/05/2020 - O detetive a bordo do rover Perseverance
19/11/2019 - Rover Mars 2020 vai procurar fósseis microscópicos
15/02/2019 - Sonda MAVEN vai diminuir a sua órbita em preparação para o rover 2020 da NASA
15/05/2018 - NASA planeia levar um helicóptero até Marte
29/05/2018 - Rochas marcianas podem conter sinais de vida

Marte:
CCVAlg - Astronomia
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Cratera Jezero:
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Rover Perseverance:
NASA
NASA - 2
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Helicóptero Ingenuity:
NASA
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À medida que a Voyager 1 estuda o espaço interestelar, as suas medições de densidade "levantam ondas"

Até recentemente, todas as naves espaciais da história haviam feito todas as suas medições dentro da nossa heliosfera, a bolha magnética inflada pelo nosso Sol. Mas no dia 25 de agosto de 2012, a Voyager 1 da NASA fez algo diferente. Ao cruzar a fronteira da heliosfera, tornou-se o primeiro objeto feito pela humanidade a entrar - e medir - o espaço interestelar. Agora, oito anos na sua jornada interestelar, os dados da Voyager 1 estão a produzir novas informações sobre esta nova fronteira.

Se a nossa heliosfera for um navio a navegar por águas interestelares, a Voyager 1 é um bote salva-vidas recém-lançado do convés, determinado a pesquisar as correntes. Por enquanto, quaisquer águas agitadas que sente são principalmente o rastro da nossa heliosfera. Mas, mais longe, vai sentir as agitações de fontes mais profundas no cosmos. Eventualmente, a presença da nossa heliosfera desaparecerá completamente das suas medições.

 
Esta impressão de artista mostra uma das sondas Voyager da NASA a entrar no espaço interestelar, ou o espaço entre as estrelas. Esta região é dominada por plasma expelido durante a morte de estrelas gigantes há milhões de anos. O plasma mais quente e mais esparso preenche o ambiente dentro da nossa bolha solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Temos algumas ideias sobre o quão longe a Voyager precisará de chegar para começar a ver águas interestelares mais puras, por assim dizer," disse Stella Ocker, estudante de doutoramento da Universidade de Cornell em Ithaca, no estado norte-americano de Nova Iorque, e o mais novo membro da equipa da Voyager. "Mas não temos a certeza de quando vamos chegar a esse ponto."

O novo estudo de Ocker, publicado na passada segunda-feira na revista Nature Astronomy, relata o que pode ser a primeira medição contínua da densidade do material no espaço interestelar. "Esta deteção fornece-nos uma nova maneira de medir a densidade do espaço interestelar e abre um novo caminho para explorarmos a estrutura do meio interestelar muito próximo," disse Ocker.

Quando imaginamos o material entre as estrelas - os astrónomos chamam-no de "meio interestelar", uma sopa difusa de partículas e radiação - podemos imaginar um ambiente calmo, silencioso e sereno. Isso seria um erro.

"Usei a frase 'meio interestelar quiescente' - mas podemos encontrar muito lugares que não são particularmente tranquilos," disse Jim Cordes, físico espacial de Cornell e coautor do artigo.

Tal como o oceano, o meio interestelar está cheio de ondas turbulentas. As maiores vêm da rotação da nossa Galáxia, à medida que o espaço se espalha e cria ondulações com dezenas de anos-luz de diâmetro. Ondas mais pequenas (embora ainda gigantescas) surgem de explosões de supernova, estendendo-se por milhares de milhões de quilómetros de ponta a ponta. As ondulações mais pequenas são geralmente do nosso próprio Sol, já que erupções solares enviam ondas de choque através do espaço que permeiam o revestimento da nossa heliosfera.

Estas ondas em quebra revelam pistas sobre a densidade do meio interestelar - um valor que afeta a nossa compreensão da forma da nossa heliosfera, o modo como as estrelas se formam e até mesmo a nossa própria localização na Via Láctea. À medida que estas ondas reverberam pelo espaço, vibram os eletrões em redor, que ressoam em frequências características, dependendo de quão amontoados estão. Quanto mais alto o tom desse zumbido, maior a densidade dos eletrões. O PWS (Plasma Wave Subsystem) da Voyager 1 – um instrumento em forma de "orelhas de coelho" que inclui duas antenas que se esticam 10 metros atrás da sonda - foi construído para ouvir esse "som".

 
Ilustração da sonda Voyager da NASA que mostra as antenas usadas pelo PWS (Plasma Wave Subsystem) e por outros instrumentos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Em novembro de 2012, três meses após sair da heliosfera, a Voyager 1 ouviu sons interestelares pela primeira vez. Seis meses depois, apareceu outro "assobio" - desta vez mais alto e ainda mais agudo. O meio interestelar parecia estar a ficar mais espesso, e depressa.

Estes assobios momentâneos continuam em intervalos irregulares nos dados atuais da Voyager. São uma excelente maneira de estudar a densidade do meio interestelar, mas requerem um pouco de paciência.

"Só têm sido vistos cerca de uma vez por ano, de modo que depender deste tipo de eventos fortuitos significa que o nosso mapa da densidade do espaço interestelar fica um tanto ou quanto esparso," disse Ocker.

Ocker decidiu encontrar uma medição contínua da densidade do meio interestelar para preencher as lacunas - uma que não dependesse das ondas de choque ocasionais que se propagavam do Sol. Depois de filtrar os dados da Voyager 1, à procura de sinais fracos, mas consistentes, encontrou um candidato promissor. Começou a ganhar força em 2017, mais ou menos aquando de outro assobio.

"É praticamente um único tom," disse Ocker. "E, com o tempo, vemos mudanças - mas a forma como a frequência se move diz-nos como a densidade está a mudar."

 
 
Olhando para os sinais apenas um pouco acima do ruído, Ocker descobriu um sinal fraco mas contínuo - visível como a fina linha vermelha - ligando eventos de oscilação de plasma mais fortes nos dados do PWS da Voyager 1. O gráfico azul mostra apenas os sinais fortes.
Crédito: PWS da Voyager 1 da NASA/Stella Ocker
 

Ocker chama ao novo sinal de emissão de onda de plasma e, também, parece rastrear a densidade do espaço interestelar. Quando os assobios abruptos apareceram nos dados, o tom da emissão sobe e desce com eles. O sinal também se assemelha a um observado na atmosfera superior da Terra, que é conhecido por rastrear a densidade de eletrões.

"Isto é realmente empolgante, porque somos capazes de amostrar regularmente a densidade ao longo de um trecho muito longo do espaço, o trecho mais longo que temos até agora," disse Ocker. "Isto fornece-nos o mapa mais completo da densidade e do meio interestelar visto pela Voyager."

Com base no sinal, a densidade de eletrões em torno da Voyager 1 começou a aumentar em 2013 e atingiu os seus níveis atuais em 2015, um aumento de densidade de aproximadamente 40 vezes. A nave espacial parece estar numa gama de densidade semelhante, com algumas flutuações, em todo o conjunto de dados que analisaram, que terminou no início de 2020.

Ocker e colegas estão atualmente a tentar desenvolver um modelo físico de como a emissão das ondas de plasma é produzida, que será a chave para a sua interpretação. Entretanto, o PWS da Voyager 1 continua a enviar dados de cada vez mais longe de casa, onde cada nova descoberta tem o potencial de nos fazer reimaginar o nosso lugar no cosmos.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Voyager captura sons do espaço interestelar (NASA JPL via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
24/03/2020 - Reimaginando a heliosfera, a bolha protetora do nosso Sistema Solar
08/11/2019 - Voyager 2 ilumina fronteira do espaço interestelar
12/07/2019 - Um novo plano para manter vivos os exploradores mais antigos da NASA
05/04/2019 - A viagem ao espaço interestelar
11/12/2018 - Voyager 2 entra no espaço interestelar
09/10/2018 - Voyager 2 pode estar perto de alcançar o espaço interestelar
05/09/2017 - O legado das missões Voyager
04/08/2017 - Após 40 anos, sondas Voyager ainda querem alcançar as estrelas
17/01/2017 - Hubble fornece roteiro interestelar da viagem galáctica das Voyager
06/03/2015 - Estudo descobre dois jatos de vento solar na heliosfera
17/09/2013 - Como é que sabemos que a Voyager alcançou o espaço interestelar? 
13/09/2013 - É oficial: Voyager 1 deixa Sistema Solar e entra no espaço interestelar
16/08/2013 - Novo estudo argumenta que Voyager 1 já saiu do Sistema Solar 
02/07/2013 - Voyager 1 explora fronteira final da nossa "bolha solar"
04/12/2012 - Voyager 1 da NASA encontra nova região no espaço profundo
09/10/2012 - Voyager 1 pode já ter deixado o Sistema Solar
19/06/2012 - Dados da Voyager 1 apontam para futuro interestelar
02/12/2011 - Sondas Voyager detectam radiação Lyman-Alpha da Via Láctea
10/06/2011 - Uma grande surpresa no limite do Sistema Solar
11/03/2011 - Voyager 1 procura resposta que sopra ao vento
25/11/2009 - Resolvido mistério nos confins do Sistema Solar
12/12/2007 - Sistema Solar é "esborrachado"
27/05/2005 - Voyager alcança fronteira do Sistema Solar

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Espaço interestelar:
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Heliosfera:
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
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Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)
Documentário "Voyager - Journey to the Stars" (SpaceRip via YouTube)

 
   
OSIRIS-REx despede-se de Bennu

Depois de quase cinco anos no espaço, a sonda OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer) da NASA está a regressar à Terra com uma abundância de rochas e poeira do asteroide Bennu.

Na passada segunda-feira, dia 10 de maio, pelas 21:23 (hora portuguesa), a nave espacial disparou os seus motores principais a todo o vapor durante sete minutos - a sua manobra mais significativa desde que chegou a Bennu em 2018. Esta queima empurrou a sonda para longe do asteroide quase a 1000 km/h, colocando-a numa viagem de 2,5 anos em direção à Terra.

 
Esta imagem do asteroide Bennu mostra partículas expelidas da sua superfície no dia 19 de janeiro de 2019. Foi criada combinando duas imagens obtidas pela sonda OSIRIS-REx da NASA. Também foram aplicadas outras técnicas de processamento de imagem, como corte e ajustamento do briho e contraste de cada imagem.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona/Lockheed Martin
 

Depois de orbitar o Sol duas vezes, a sonda OSIRIS-REx deverá alcançar a Terra no dia 23 de setembro de 2023. À chegada, a cápsula que contém pedaços de Bennu separar-se-á do resto da nave espacial e entrará na atmosfera da Terra. A cápsula vai cair de paraquedas no campo de Testes e Treino no Deserto do Utah, EUA, onde os cientistas estarão à espera para a recuperar.

Depois de libertar a cápsula de amostragem, a OSIRIS-REx terá concluído a sua missão principal. Acionará os seus motores para passar pela Terra em segurança, colocando-a numa trajetória para orbitar o Sol dentro da órbita de Vénus.

"Os muitos feitos da OSIRIS-REx demonstraram a forma ousada e inovadora de como a exploração se desenvolve em tempo real," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado para ciência na sede da NASA. "A equipa aceitou o desafio e agora temos amostras primordiais do nosso Sistema Solar a viajar para a Terra, onde muitas gerações de investigadores poderão desvendar os seus segredos."

Para realizar o plano plurianual da missão, uma dúzia de engenheiros de navegação fizeram cálculos e escreveram um código de computador para instruir a nave espacial de quando e como se afastar de Bennu. Depois de partir de Bennu, trazer as amostras à Terra em segurança é o próximo objetivo crítico da equipa. Isto inclui o planeamento de manobras futuras para manter a nave no percurso ideal ao longo da sua viagem.

"Toda a nossa mentalidade tem sido: 'Onde estamos no espaço em relação a Bennu?'", disse Mike Moreau, gestor adjunto do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Agora a nossa mentalidade mudou para 'Onde está a nave espacial em relação à Terra?'"

As câmaras de navegação que ajudaram a orientar a sonda em relação a Bennu foram desligadas no dia 9 de abril, depois de capturar as suas últimas imagens do asteroide. Com Bennu no espelho retrovisor, os engenheiros estão a usar a rede global de antenas de comunicação DSN (Deep Space Network) da NASA para orientar a OSIRIS-REx, enviando-lhe sinais de rádio. Ao medir a frequência das ondas enviadas pela sonda, os engenheiros podem saber a velocidade da OSIRIS-REx. Os engenheiros medem quanto tempo leva para os sinais de rádio chegarem da sonda à Terra e determinam assim a sua localização.

Excedendo as expetativas da missão

A data de partida de 10 de maio foi cronometrada precisamente com base no alinhamento de Bennu com a Terra. O objetivo da manobra de retorno é colocar a nave a cerca de 10.000 quilómetros da Terra em setembro de 2023. Embora a OSIRIS-REx ainda tenha bastante combustível, a equipa está a tentar preservar o máximo possível para uma potencial missão estendida a outro asteroide após fazer retornar a cápsula de amostras à Terra. A equipa vai investigar a viabilidade de tal missão este verão.

A trajetória da nave espacial será determinada principalmente pela gravidade do Sol, mas os engenheiros vão precisar de fazer pequenos ajustes ocasionais por meio de queimas de motor.

"Precisamos de fazer correções regulares para aproximar a trajetória cada vez mais da atmosfera da Terra para a libertação da cápsula, e para contabilizar os pequenos erros que podem ter-se acumulado desde a última queima," disse Peter Antreasian, líder de navegação da OSIRIS-REx na KinetX Aerospace, com sede em Simi Valley, Califórnia.

A equipa vai realizar ajustes de percurso algumas semanas antes da reentrada na Terra a fim de direcionar com precisão a localização e o ângulo para a libertação da cápsula de amostras na atmosfera da Terra. Uma chegada com um ângulo muito baixo pode fazer com que a cápsula "salte" para fora da atmosfera como um seixo que saltita num lago; um ângulo muito alto e a cápsula pode queimar-se devido ao atrito e ao calor da atmosfera. Se a OSIRIS-REx não conseguir libertar a cápsula, a equipa tem um plano de reserva para a desviar da Terra e tentar novamente em 2025.

"Há muita emoção na equipa devido à partida," disse Moreau. "Penso que todos têm uma sensação de dever cumprido, pois enfrentámos todas estas tarefas assustadoras e conseguimos cumprir todos os objetivos que nos foram pedidos. Mas também há alguma nostalgia e deceção porque esta parte da missão está a chegar ao fim."

A OSIRIS-REx superou muitas expetativas. Mais recentemente, no meio de uma pandemia global, a equipa executou perfeitamente a operação mais crítica da missão, recolhendo mais de 60 gramas de solo da superfície de Bennu.

Antes da recolha de amostras, uma série de surpresas manteve a equipa alerta. Por exemplo, uma semana após a nave espacial entrar na sua primeira órbita em torno de Bennu, no dia 31 de dezembro de 2018, a equipa percebeu que o asteroide estava a libertar pequenos pedaços de rocha para o espaço.

"Tivemos que lutar para verificar se as pequenas partículas ejetadas da superfície não representavam um perigo para a nave espacial," disse Moreau.

Após a chegada ao asteroide, os membros da equipa também ficaram surpresos ao descobrir que Bennu está repleto de pedregulhos.

"Realmente tínhamos esta ideia de que estávamos a chegar a um asteroide com uma superfície mais ou menos lisa," disse Heather Enos, investigadora principal adjunta da OSIRIS-REx, da Universidade do Arizona em Tucson. "A realidade foi um grande choque."

Para superar a superfície extremamente acidentada e inesperada de Bennu, os engenheiros tiveram que desenvolver rapidamente uma técnica de navegação mais precisa a fim de ter como alvo áreas mais pequenas do que o esperado para a recolha de amostras.

A missão OSIRIS-REx foi fundamental para confirmar e refutar várias descobertas científicas. Entre as confirmadas estava uma técnica que usava observações da Terra para prever que os minerais no asteroide seriam ricos em carbono e mostrariam sinais de água primordial. Uma descoberta que provou estar errada foi a de que Bennu teria uma superfície lisa, que os cientistas haviam previsto medindo quanto calor irradiava da sua superfície.

Os cientistas vão usar as informações recolhidas de Bennu para refinar modelos teóricos e melhorar as previsões futuras.

"Esta missão enfatiza porque temos que fazer ciência e exploração de várias maneiras - tanto da Terra como de perto, no espaço - porque as suposições e os modelos são apenas isso," disse Enos.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Lockheed Martin (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

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  Misturando estrelas massivas (via UC Santa Barbara)
Os astrónomos normalmente referem-se às estrelas massivas como as fábricas químicas do Universo. Geralmente terminam as suas vidas em espetaculares supernovas, eventos que produzem muitos dos elementos da tabela periódica. O modo como os núcleos elementares se misturam dentro destas estrelas enormes tem um grande impacto na nossa compreensão da sua evolução antes da explosão. Também representa a maior incerteza para os cientistas que estudam a sua estrutura e evolução. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - O Cometa, a Baleia e o Taco de Hóquei
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Observatório Grand MesaTerry Hancock / Tom Masterson
 
Mais próximo do Sol no dia 1 de março, e mais próximo da Terra no dia 23 de abril, este Cometa ATLAS (C/2020 R4) mostra uma ténue cabeleira esverdeada e uma cauda curta neste lindo campo de visão telescópico. Capturado na sua posição a 5 de maio, o cometa estava dentro dos limites da constelação norte de Cães de Caça, e perto da linha de visão de intrigantes galáxias de fundo popularmente conhecidas como a Baleia e o Taco de Hóquei. Cetácea em aparência, mas do tamanho da Via Láctea, NGC 4631 é uma galáxia espiral vista de lado no canto superior direito, a cerca de 25 milhões de anos-luz de distância. NGC 4656/7 apresenta a forma de bastão dobrado de galáxias em interação abaixo e à esquerda de NGC 4631. Na verdade, as distorções e as correntes misturadas de gás detetadas noutros comprimentos de onda sugerem que a Baleia cósmica e o Taco de Hóquei tiveram encontros próximos uma com a outra no seu passado distante. Já de saída e apenas mais ou menos a 7 minutos-luz da Terra, este Cometa ATLAS deverá revisitar o Sistema Solar interior daqui a quase 1000 anos.
 
   
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