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Edição n.º 1285
01/07 a 04/07/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,2 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Em 2013, descoberta da lua S/2004 N 1 de Neptuno
Observações: O seu céu é escuro o suficiente para ver o enxame estelar de Cabeleira de Berenice a olho nu? Mesmo logo após o anoitecer, aviste Júpiter a oeste. O enxame está 25º para cima. Os seus membros mais brilhantes formam um Y invertido. O enxame mede cerca de 5º - é grande mas tem um brilho fraco num céu verdadeiramente escuro. Quase que preenche o campo de visão de uns binóculos.
Ocultação de Io, entre as 22:37 e as 00:56 (já de dia 2).
Ecipse de Io, entre as 23:47 e as 02:06 (já de dia 2).

Dia 02/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, os satélites de raios-gama Vela 3 e 4, lançados com a intenção de detetar explosões de bombas nucleares, tornam-se famosos pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objetivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Em 2013, a União Astronómica Internacional dá os nomes Cérbero e Estige à 4.ª e 5.ª luas de Plutão, respetivamente.
Observações: Trânsito de Io, entre as 19:44 e as 22:06.
Caso tenha acesso a um céu escuro, a Via Láctea forma agora um arco magnífico por todo o céu a este depois do anoitecer. Vai desde Cassiopeia a norte-nordeste, passa por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, e desce pelo "Bule de Chá" de Sagitário a sul.

Dia 03/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: A estrela mais brilhante a este nestas noites é Vega. Para a sua esquerda e para baixo, temos Deneb. Mais para a direita encontra-se Altair. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão.

Dia 04/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Ficou visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
Observações: Lua Nova, pelas 12:01.

 
CURIOSIDADES


A chegada da sonda Juno a Júpiter será anunciada por um simples "beep" com a duração de 3 segundos.

 
AJUSTE FINAL DA ROSETTA PARA 30 DE SETEMBRO
A Rosetta aproxima-se do seu cometa.
Crédito: sonda - ESA/ATG medialab; imagem do cometa - ESA/Rosetta/NavCam
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Rosetta está prestes a completar a sua missão numa descida controlada à superfície do seu cometa no dia 30 de setembro.

A missão está a chegar ao fim como resultado do aumento da distância da aeronave do Sol e da Terra. Vai em direção à órbita de Júpiter, resultando numa significante redução da energia solar necessária para manobrar a aeronave e os seus instrumentos, e uma redução na largura de banda disponível para descarregar dados científicos.

Combinado com uma aeronave envelhecida e uma carga que suportou o ambiente hostil do espaço por mais de 12 anos – para além de dois anos perto de um cometa empoeirado – isto significa que a Rosetta está a chegar ao fim da sua vida natural.

Ao contrário do sucedido em 2011, quando a Rosetta foi colocada em hibernação durante 31 meses na parte mais distante da sua jornada, desta vez circula ao lado do cometa. A distância máxima do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko ao Sol (mais de 850 milhões de km) é mais do que a Rosetta tinha alguma vez viajado. Como resultado, não há energia suficiente no ponto mais distante que garanta que os aquecedores da Rosetta sejam capazes de a manter quente o suficiente para sobreviver.

A localização da Rosetta em relação ao Sol e a vários planetas do Sistema Solar no dia 30 de setembro de 2016. Neste dia, a Rosetta estará a cerca de 573 milhões de quilómetros do Sol e a 720 milhões de quilómetros da Terra. O sinal da Rosetta levará cerca de 40 minutos a chegar ao nosso planeta.
Além disso, a partir de 1 outubro, as equipas também esperariam comunicações reduzidas devido a "conjunção". Isto é, o cometa e a aeronave estarão por trás do Sol a partir da perspetiva da Terra - outro fator que contribuiu para a conclusão da missão nesta altura.
Crédito: ESA
 

Ao invés de arriscar uma hibernação mais longa da qual é provável que não sobrevivesse, e depois de consultar a equipa científica da Rosetta em 2014, foi decidido que a Rosetta seguiria o seu módulo de aterragem Philae, aterrando no cometa.

As horas finais de descida permitirão que a Rosetta faça medições únicas, incluindo imagens de alta resolução, dinamizando o retorno científico da Rosetta com dados muito valiosos realizáveis somente através deste desenlace sem igual.

As comunicações irão cessar, no entanto, assim que o satélite atinja a superfície, e as suas operações terminarão então.

"Estamos a tentar comprimir o máximo de observações possível antes que se esgote a energia solar," diz Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA. "O dia 30 de setembro marcará o fim das operações da aeronave, mas o início da fase onde o total foco das equipas recairá na ciência. Foi para isso que a missão Rosetta foi lançada, e temos muitos anos de trabalho à nossa frente, através da análise dos seus dados."

Durante a descida final da Rosetta, a aeronave vai fotografar a superfície do cometa em alta-resolução a poucas centenas de metros.
Esta imagem da câmara OSIRIS foi obtida no dia 28 de maio de 2016, quando a sonda estava a 5 km da superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A escala é de 0,13 m/pixel.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os operadores da Rosetta começarão a alterar a trajetória em agosto antes do grande final, de tal modo que uma série de órbitas elípticas a irá levar progressivamente mais perto do cometa no seu ponto mais próximo.

"O planeamento desta fase é na verdade muito mais complexo do que o da aterragem do Philae," diz Sylvain Lodiot, gerente de operações da aeronave Rosetta da ESA. "As últimas semanas serão particularmente desafiantes porque voaremos órbitas excêntricas à volta do cometa – em muitos aspetos isto será mais arriscado do que a própria descida final."

"Quanto mais perto do cometa, maior a influência da sua gravidade não-uniforme, obrigando-nos a ter mais controlo sobre a trajetória e, portanto, mais manobras – os círculos de planeamento terão de ser executados em prazos muito mais curtos."

Um número de dedicadas manobras nos últimos dias da missão irão ser concluídas com uma mudança da trajetória final a uma distância de cerca de 20 km cerca de 20 minutos antes do impacto, colocando a aeronave na sua descida final.

A região alvo para o impacto da Rosetta está ainda em discussão, à medida que os operadores da aeronave e os cientistas examinam as várias compensações envolvidas, com várias trajetórias diferentes a serem examinadas.

Em termos gerais, contudo, espera-se que o impacto aconteça a cerca de 50 cm/s, mais ou menos metade da velocidade de aterragem do Philae em novembro de 2014.

Os comandos enviados uns dias antes assegurarão automaticamente que tanto o transmissor como todas as unidades de altitude, controlo de órbita e instrumentos serão desligados aquando do impacto, para preencher os requisitos de eliminação da aeronave.

A Rosetta enfrenta um ambiente poeirento como este todos os dias perto do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
A imagem foi obtida pela câmara OSIRIS no dia 1 de junho de 2016, quando a aeronave estava a 20 km do centro do cometa. A escala é de 0,36 m/pixel no cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em qualquer caso, a antena de alto-ganho provavelmente não apontará para a Terra após o impacto, fazendo qualquer potencial comunicação virtualmente impossível.

Entretanto, a ciência continuará como normal, embora ainda existam muitos riscos adiante. No passado mês, a aeronave entrou em "modo de segurança" quando se encontrava a 5 km do cometa como resultado da poeira atrapalhar o sistema de navegação. A Rosetta recuperou, mas a equipa da missão não pode descartar que isto possa voltar a acontecer antes do final planeado da missão.

"Apesar de que faremos o melhor possível para manter até lá a Rosetta em segurança, sabemos por experiência própria de há quase dois anos no cometa que as coisas podem não correr como planeado. Como sempre, temos de estar preparados para o inesperável," acautela Patrick Martin, gerente da missão da Rosetta da ESA.

"Este é o último desafio para as nossas equipas e para a aeronave, e será a maneira apropriada para terminar a incrível e bem-sucedida missão Rosetta."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Blog da Rosetta
PHYSORG
BBC News
Gizmodo

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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ATIVIDADE HIDROTERMAL RECENTE PODERÁ EXPLICAR A ÁREA MAIS BRILHANTE DE CERES
O centro da misteriosa Cratera Occator em Ceres é a área mais brilhante do planeta anão. A inserção é uma perspetiva que mostra novos dados da característica: o vermelho significa uma abundância alta de carbonatos, enquanto o cinzento indica uma abundância baixa de carbonatos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/ASI/INAF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com um novo estudo por cientistas da missão Dawn da NASA, a área mais brilhante de Ceres, localizada na misteriosa Cratera Occator, tem a mais alta concentração de minerais de carbonato já alguma vez encontrada fora da Terra. O estudo, publicado online na revista Nature, é um de dois novos artigos científicos sobre a composição de Ceres.

"Esta é a primeira vez que vemos este tipo de material noutras partes do Sistema Solar em tão grandes quantidades," afirma Maria Cristina De Sanctis, autora e investigadora principal do espectrómetro de mapeamento visível e infravermelho da Dawn.

Com cerca de 80 milhões de anos, Occator é considerada uma cratera jovem. Mede 92 km de largura e tem um fosso central com aproximadamente 10 km de largura. Uma estrutura de cúpula no centro, coberta por um material altamente refletor, tem fraturas radiais e concêntricas sobre e em torno dela.

O estudo de De Sanctis conclui que o mineral dominante nesta área brilhante é o carbonato de sódio, uma espécie de sal encontrado na Terra em ambientes hidrotermais. Este material parece ter vindo do interior de Ceres, porque um asteroide impactante não o pode ter entregue. A ressurgência deste material sugere que as temperaturas no interior de Ceres são mais quentes do que se pensava anteriormente. O impacto de um asteroide em Ceres pode ter ajudado a trazer este material desde o interior até à superfície, mas os investigadores pensam que um processo interno também poderá ter desempenhado aqui um papel.

Mais intrigante, os resultados sugerem que poderá ter existido água líquida por baixo da superfície de Ceres até há relativamente pouco tempo (em termos geológicos). Os sais podem ser remanescentes de um oceano, ou corpos localizados de água, que chegaram à superfície e, em seguida, congelaram há milhões de anos atrás.

"Os minerais que encontrámos na brilhante região central de Occator requerem uma alteração pela água," explica De Sanctis. "Os carbonatos suportam a ideia que Ceres teve atividade hidrotermal interior, que empurrou esses materiais para a superfície dentro de Occator."

A Cratera Occator mede 92 km em diâmetro, com um fosso central de 10 km. Esta imagem realça diferenças subtis de cor à superfície de Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI/LPI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O espectrómetro da Dawn examina como os vários comprimentos de onda da luz solar são refletidos pela superfície de Ceres. Isto permite com que os cientistas identifiquem minerais que, provavelmente, produzem esses sinais. Os novos resultados vêm do mapeamento infravermelho, que examina Ceres em comprimentos de onda demasiado longos para o olho humano poder ver.

No ano passado, num estudo da Nature, a equipa de De Sanctis divulgou que a superfície de Ceres continha filossilicatos de amoníaco, ou argilas com amoníaco. Dado que o amoníaco é abundante no Sistema Solar exterior, esta descoberta introduziu a ideia de que Ceres pode ter-se formado perto da órbita de Neptuno e ter migrado para o interior. Alternativamente, Ceres pode ter sido formado mais próximo da sua posição atual entre Marte e Júpiter, mas com material acumulado do Sistema Solar exterior.

Os novos resultados também relatam a descoberta de sais portadores de amoníaco - cloreto de amónio e/ou bicarbonato de amónio - na Cratera Occator. O carbonato reforça ainda mais a ligação de Ceres com mundos gelados no Sistema Solar exterior. O amoníaco, além do carbonato de sódio e do bicarbonato de sódio descobertos em Occator, foi detetado nas plumas de Encélado, uma lua gelada de Saturno conhecida pelos seus geysers expelidos através de fissuras à superfície. Estes materiais tornam Ceres interessante para o estudo da astrobiologia.

"Temos que investigar se as muitas outras áreas brilhantes de Ceres também contêm estes carbonatos," comenta De Sanctis.

Um estudo separado da Nature, em 2015 e por cientistas da câmara de enquadramento da Dawn, colocou a hipótese que as áreas brilhantes contêm um tipo diferente de sal: sulfato de magnésio. Mas os novos resultados sugerem que o carbonato de sódio é o componente mais provável.

"É incrível o quanto temos sido capazes de aprender sobre o interior de Ceres a partir das observações das suas propriedades químicas e geofísicas pela Dawn. Esperamos mais descobertas à medida que 'minamos' esta arca do tesouro de dados," afirma Carol Raymond, vice-investigadora principal da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Os membros da equipa científica da Dawn também publicaram um novo estudo sobre a composição da camada exterior de Ceres na Nature Geoscience, com base em imagens da câmara de enquadramento da Dawn. Este estudo, conduzido por Michael Bland do USGS (U.S. Geological Survey) em Flagstaff, Arizona, anuncia que a maioria das grandes crateras de Ceres têm mais de 2 km de profundidade em relação ao terreno circundante, o que significa que não se deformaram muito ao longo de milhares de milhões de anos. Estas profundidades significativas sugerem que a subsuperfície de Ceres não é mais do que 40% em volume de gelo, e que o resto poderá ser uma mistura de rocha e materiais de baixa densidade como sais ou compostos químicos chamados clatratos. A aparência de algumas crateras rasas sugere que podem haver variações no conteúdo de gelo e rocha do subsolo.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature
Nature Geoscience
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Scientific American
Gizmodo

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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