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Edição n.º 1304
06/09 a 08/09/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/09: 250.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1892, nascia Edward Victor Appleton, físico inglês que em 1947 ganhou o Prémio Nobel da Física ao provar a existência da ionosfera em 1924.
Em 1899, era fundada a Sociedade Astronómica e Astrofísica da América, agora com o nome Sociedade Astronómica Americana.
Em 1997 era descoberta a primeira lua irregular de ÚranoCaliban, por Brett J. Galdman (Instituto Canadiano para a Astrofísica Teórica), Philip D. Nicholson (Universidade de Cornell), Joseph A. Burns (Universidade de Cornell) e JJ Kavelaars (Universidade McMaster). 

Estavam usando o telescópio Hale de 5 metros do monte PalomarÚrano tem 27 luas conhecidas.
Observações: À medida que o verão chega ao fim, Vega torna-se a estrela do zénite por volta do fim do lusco-fusco (para observadores a latitudes médias norte). E Arcturo, de brilho idêntico, brilha moderadamente baixa a oeste.

Dia 07/09: 251.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1914, nascia James Van Allen, cientista americano, instrumental no estabelecimento do campo da pesquisa magnetosférica no espaço.

As cinturas de Van Allen têm o seu nome.
Em 1995, lançamento da missão STS-69 do vaivém espacial Endeavour. Foi o 100.º voo espacial bem sucedido da NASA.
Observações: Marte, Saturno e a Lua perfazem uma linha quase reta, baixo a sudoeste após o anoitecer.

Dia 08/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos. 

Em 1967, lançamento da sonda Surveyor 5. Aterrou no Mar da Tranquilidade 3 dias depois e enviou mais de 19.000 imagens para a Terra. 
Em 1999, passagem mais próxima do asteroide 699 Hela pela Terra (0,644 UA). 
Em 2000, lançamento da missão STS-106 do vaivém Atlantis
Em 2004, a sonda Genesis da NASA colide com a Terra quando o seu pára-quedas falha em abrir.
Observações: Reparou que desde ontem, a Lua está bastante mais perto de Saturno? E Marte encontra-se para a esquerda deste par.

 
CURIOSIDADES


Com base no nosso conhecimento atual, o asteroide Bennu tem uma probabilidade estimada em 0,071% de atingir a Terra no final do século XXII.

 
PHILAE FOI ENCONTRADO!
O veículo de aterragem Philae foi identificado em imagens da câmara OSIRIS obtidas no dia 2 de setembro de 2016 a 2,7 km da superfície.
O corpo de 1 metro do Philae, e 2 das suas 3 pernas, podem ser vistos na imagem à direita. A imagens constitutem prova da orientação do Philae.
Uma imagem da câmara de navegação da Rosetta, obtida no dia 16 de abril de 2015 (topo à direita), tem o local do Philae marcado para contexto.
Crédito: imagem principal e inserção do "lander" - ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; contexto - ESA/Rosetta/NavCam
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A menos de um mês do final da missão, a câmara de alta-resolução da Rosetta revelou o veículo de aterragem Philae alojado numa fenda escura do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.

As imagens foram obtidas no dia 2 de setembro pela câmara OSIRIS, enquanto o orbitador passava a 2,7 km da superfície e mostram claramente o corpo principal do "lander", juntamente com duas das suas três pernas.

As imagens também fornecem provas da orientação do Philae, tornando-se claro por que as comunicações eram tão difíceis de estabelecer após a aterragem de dia 12 de novembro de 2014.

"Com apenas um mês de missão, estamos tão felizes por finalmente termos conseguido fotografar o Philae, e por vê-lo em tão grande detalhe," comenta Cecilia Tubiana da equipa da câmara OSIRIS, a primeira pessoa a ver as imagens quando foram transmitidas anteontem pela Rosetta.

Ampliação do Philae, fotografado pela câmara de ângulo estreito OSIRIS da Rosetta no dia 2 de setembro de 2016 a uma distância de 2,7 km.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

"Depois de meses de trabalho, com o foco e as evidências apontando cada vez mais para este candidato, estou muito emocionado e feliz por finalmente termos esta tão importante imagem do Philae estacionado em Abydos," afirma Laurence O'Rourke da ESA, que tem coordenado os esforços de busca ao longo dos últimos meses na ESA, com as equipas da OSIRIS e SONC/CNES.

O Philae foi visto pela última vez quando aterrou em Agilkia, saltou e depois voou por mais duas horas antes de acabar por pousar num local mais tarde chamado Abydos, no lóbulo mais pequeno do cometa.

Ao fim de três dias, a bateria primária do Philae ficou sem energia e o "lander" entrou em modo de hibernação, apenas para acordar novamente e comunicar brevemente com a Rosetta em junho e julho de 2015, à medida que o cometa se aproximava do Sol e mais energia ficava disponível.

No entanto, até hoje, a localização precisa do Philae era desconhecida. Os dados de rádio colocavam a sua localização até uma área com apenas algumas dezenas de metros, mas um número de objetos candidatos potenciais, identificados em imagens de relativa baixa-resolução e obtidas a distâncias maiores, impediam com que pudessem ser analisados em detalhe. Até recentemente.

Imagem de ângulo estreito obtida pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 2 de setembro de 2016 a uma distância de 2,7 km, na qual o Philae foi identificado definitivamente. A imagem foi processada para ajustar o gama dinâmica a fim de ver o Philae, mantendo os detalhes da superfície do cometa. O Philae está localizado no lado direito da imagem, pouco acima do centro.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A maioria dos candidatos pôde ser descartado graças a análises de imagem e a outras técnicas, mas as evidências continuaram a crescer no que toca a um alvo em particular, que foi agora confirmado nas imagens sem precedentes da superfície do cometa.

A 2,7 km, a resolução da câmara de ângulo estreito OSIRIS ronda os 5 cm/pixel, suficiente para revelar características do corpo de 1 metro do Philae e das suas pernas, como se vê nestas fotos.

"Esta descoberta notável vem no final de uma longa e meticulosa busca," realça Patrick Martin, Gerente da Missão Rosetta da ESA. "Estávamos começando a pensar que o Philae permaneceria perdido para sempre. É incrível termos capturado estas imagens na hora final."

"Esta notícia maravilhosa significa que temos agora a informação necessária para colocar em contexto apropriado os 3 dias de dados científicos do Philae, agora que sabemos onde realmente está!" comenta Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

Podem ver-se um número de características do Philae na imagem obtida pela câmara OSIRIS a bordo da Roseteta, imagem esta captada no dia 2 de setembro de 2016.
As imagens foram obtidas a uma distância de 2,7 km e têm uma escala de aproximadamente 5 cm/pixel. A imagem mostra o corpo principal do Philae e duas das três pernas.
Também foram identificados alguns dos instrumentos do Philae, incluindo uma das câmaras panorâmicas CIVA, a broca SD2 e o SESAME-DIM (Surface Electric Sounding and Acoustic Monitoring Experiment Dust Impact Monitor).
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Agora que a busca pelo Philae está terminada, sentimo-nos preparados para a aterragem da Rosetta e estamos ansiosos por capturar imagens ainda mais detalhadas do local de pouso final da Rosetta," acrescenta Holger Sierks, investigador principal da câmara OSIRIS.

A descoberta surge a menos de um mês da descida final da Rosetta até à superfície do cometa. No dia 30 de setembro, o orbitador será enviado numa última missão, só de ida, para investigar o cometa bem de perto, incluindo os poços abertos na região Ma'at, onde se espera que as observações críticas ajudem a revelar os segredos da estrutura interior do corpo.

Serão disponibilizadas em breve mais informações que levaram à descoberta do Philae, bem como imagens adicionais.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/09/2016 - Imagiologia da pequena poeira do cometa em 3D
02/08/2016 - Como os cometas nascem
01/07/2016 - Ajuste final da Rosetta para 30 de setembro
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
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NASA PREPARA-SE PARA LANÇAR A SUA PRIMEIRA MISSÃO DE RECOLHA E ENVIO DE AMOSTRAS DE UM ASTEROIDE
A OSIRIS-REx vai viajar até ao asteroide próximo da Tera, Bennu, numa missão de recolha e envio de amostras.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A NASA está a preparar o lançamento da primeira missão a enviar uma amostra de um asteroide para a Terra. A missão irá ajudar os cientistas a investigar como é que os planetas se formam e como a vida começou, bem como melhorar a nossa compreensão dos asteroides que podem colidir com a Terra.

A nave OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) vai viajar para o asteroide Bennu, perto da Terra, e recolher uma amostra para estudo intensivo. Tem lançamento previsto para as 00:05 de sexta-feira, dia 9 de setembro, a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida.

"Esta missão exemplifica a busca da nossa nação em ir corajosamente estudar o nosso Sistema Solar e além, de melhor entender o Universo e o nosso lugar nele," afirma Geoff Yoder, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da agência em Washington. "A ciência da NASA é o maior mecanismo de descoberta científica do planeta e a OSIRIS-REx simboliza o nosso objetivo de inovar, explorar, descobrir e inspirar."

A nave que, totalmente abastecida, pesa 2110 kg, será lançada a bordo de um foguetão Atlas V 411 durante uma janela de lançamento de 34 dias que começará no dia 9, e alcançará o seu alvo em 2018. Após um estudo detalhado do asteroide Bennu, a fim de o caracterizar e de localizar os locais de recolha mais promissores, a OSIRIS-REx irá recolher entre 60 e 2000 gramas de material com o seu braço robótico e enviar a amostra para a Terra através de uma cápsula em 2023.

"O lançamento da OSIRIS-REx é o começo de uma viagem de sete anos para recolher e entregar amostras pristinas do asteroide Bennu," afirma Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade do Arizona em Tucson. "A equipa construiu uma nave espacial incrível e estamos tem equipados para investigar o asteroide Bennu com o nosso tesouro científico."

A OSIRIS-REX em primeiro plano, à espera da encapsulação.
Crédito: NASA/Glenn Benson
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A OSIRIS-REX tem cinco instrumentos para explorar Bennu:

  • OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) - um sistema que consiste de três câmaras fornecidas pela Universidade do Arizona, em Tucson, que vão observar Bennu e fornecer imagens globais, dos locais de recolha de amostras e testemunhar o evento;
  • OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter) - um instrumento LIDAR (Light Detection and Ranging) fornecido pela Agência Espacial Canadiana que será usado para medir a distância entre a sonda e superfície do asteroide e mapear a sua forma;
  • OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer) - um instrumento fornecido pela Universidade Estatal do Arizona em Tempe que irá investigar as abundâncias minerais e fornecer informações de temperatura com observações no espectro infravermelho termal;
  • OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) - um instrumento fornecido pelo Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, desenhado para medir a radiação visível e infravermelha do asteroide Bennu a fim de identificar material mineral e orgânico;
  • REXIS (Regolith X-ray Imaging Spectrometer) - uma experiência de estudante fornecida pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology, Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e pela Universidade de Harvard em Cambridge, que irá observar o espectro de raios-X a fim de identificar elementos químicos à superfície e suas abundâncias.

Adicionalmente, a nave tem dois sistemas que permitirão a recolha e envio de amostras:

  • TAGSAM (Touch-And-Go Sample Acquisition Mechanism) - um braço robótico articular com uma cabeça de recolha de amostras, fornecido pela LMSS (Lockheed Martin Space Systems) em Denver;
  • SRC (OSIRIS-REx Sample Return Capsule) - uma cápsula com um escudo térmico e para-quedas na qual a nave irá entregar as amostras para a Terra, fornecida pela Lockheed Martin.

"O nosso lançamento é o culminar de uma tremenda quantidade de esforço por uma equipa extremamente dedicada de cientistas, engenheiros, técnicos, pessoal de finanças e de apoio," comenta Mike Donnelly, gerente do projeto OSIRIS-REx em Goddard. "Estou muito orgulhoso desta equipa e estamos ansiosos para dar início à jornada da missão até ao asteroide Bennu e regresso."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Colorado em Boulder
Universidade do Arizona
"Rendezvous" com um asteroide (Universidade do Colorado em Boulder via YouTube)
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OSIRIS-REx:
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Asteroide Bennu:
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O POLO NORTE DE JÚPITER É DIFERENTE DE TUDO O QUE JÁ VIMOS NO SISTEMA SOLAR
A sonda Juno da NASA capturou esta imagem do polo norte de Júpiter cerca de duas horas antes da maior aproximação de dia 27 de agosto de 2016.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Juno da NASA transmitiu as primeiras imagens do polo norte de Júpiter, obtidas durante o primeiro voo rasante pelo planeta com os seus instrumentos ligados. As imagens mostram sistemas de tempestades e atividade meteorológica diferente de tudo visto anteriormente em qualquer outro dos gigantes gasosos do Sistema Solar.

A Juno executou com sucesso o primeiro de 36 voos rasantes no dia 27 de agosto, quando a nave espacial passou a 4200 km das rodopiantes nuvens de Júpiter. O download dos seis megabytes de dados, recolhidos durante o trânsito de seis horas, que cobrem desde o polo norte de Júpiter até ao polo sul, levou dia e meio. Embora a análise desta primeira recolha de dados esteja ainda em curso, já se fizeram algumas descobertas únicas.

"O primeiro vislumbre do polo norte de Júpiter e é diferente de tudo o que já vimos ou fotografámos antes," afirma Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute), San Antonio, Texas, EUA. "É mais azulado do que outras partes do planeta e existem muitas tempestades. Não há nenhum sinal de bandas latitudinais nem das cinturas a que estamos habituados - esta imagem é dificilmente reconhecível como Júpiter. Vemos sinais de que as nuvens têm sombras, possivelmente indicando que estão a uma altitude superior a outras características."

A Juno encontrava-se a 78.000 km acima do topo das nuvens polares de Júpiter quando captou esta imagem, que mostra tempestades e características meteorológicas diferentes de tudo o já visto no Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma das descobertas mais notáveis destas primeiras imagens, de sempre, dos polos norte e sul de Júpiter, é algo que a câmara JunoCam não viu.

"Saturno tem um hexágono no polo norte," comenta Bolton. "Não há nada em Júpiter que se assemelhe a isso. O maior planeta do Sistema Solar é verdadeiramente único. Temos mais 36 'flybys' para estudar o quão único realmente é."

Além das fotografias da JunoCam durante a passagem rasante, todos os oito instrumentos científicos recolheram dados. O JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper), fornecido pela Agência Espacial Italiana, obteve algumas espetaculares imagens infravermelhas das regiões polares norte e sul de Júpiter.

"O JIRAM observa por baixo da 'pele' de Júpiter, dando-nos os nossos primeiros vislumbres infravermelhos do planeta," comenta Alberto Adriani, coinvestigador do JIRAM no Instituto de Astrofísica e Planetologia Espacial, Roma. "Estas primeiras imagens infravermelhas das regiões polares norte e sul de Júpiter estão a revelar pontos amenos e quentes nunca antes vistos. E apesar de já sabermos que as primeiras imagens infravermelhas do polo sul de Júpiter iam revelar a aurora austral do planeta, ficámos espantados ao vê-la pela primeira vez. Nenhum outro instrumento, na Terra ou no espaço, foi capaz de ver as auroras no sul do planeta. Agora, com o JIRAM, vemos que parece ser muito brilhante e bem estruturada. O alto nível de detalhe nas imagens vai dizer-nos mais sobre a morfologia e dinâmica das auroras."

Esta imagem infravermelha pela Juno fornece uma vista sem precedentes da aurora austral de Júpiter. Estas perspetivas não são possíveis da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Entre os conjuntos de dados mais únicos recolhidos pela Juno durante a sua primeira "varredura" científica por Júpiter, estavam os dados recolhidos pela Radio and Plasma Wave Sensor (Waves), que registou transmissões fantasmagóricas emanadas acima do planeta. Estas emissões de rádio de Júpiter já são conhecidas desde a década de 1950, mas nunca tinham sido analisadas a partir de um ponto de vista tão íntimo.

"Júpiter está a falar-nos de uma forma como só os mundos gigantes e gasosos conseguem," comenta Bill Kurth, coinvestigador do instrumento e da Universidade de Iowa, em Iowa City. "A experiência detetou a assinatura da emissão de partículas energéticas que geram as auroras enormes que circundam o polo norte de Júpiter. Estas emissões são as mais fortes do Sistema Solar. Vamos agora tentar descobrir a origem dos eletrões que as geram."

Links:

Cobertura da missão Juno pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/08/2016 - Juno completa com sucesso "flyby" por Júpiter
05/07/2016 - Juno está em órbita do poderoso Júpiter
21/06/2016 - Sonda Juno prestes a chegar ao ambiente de radiação mais perigoso do Sistema Solar
02/08/2011 - Juno mostra campo magnético de Júpiter em HD 
09/04/2010 - NASA começa a construir nova sonda para visitar Júpiter
26/11/2008 - Juno, a próxima missão a Júpiter

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Juno "ouve" as auroras de Júpiter (NASA/JPL via YouTube)
O brilho infravermelho de Júpiter (NASA/JPL via YouTube)
Astronomy
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Missão Juno:
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Júpiter:
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NOVAS PESQUISAS REVELAM ATIVIDADE GEOLÓGICA E GELO DE CERES
A montanha solitária de Ceres, Ahuna Mons, vista aqui numa perspetiva simulada. A elevação foi exagerada por um factor de dois. A vista foi feita usando imagens melhoradas da missão Dawn da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma solitária montanha com 5 km de altura em Ceres tem provavelmente origem vulcânica, e o planeta anão poderá ter uma fraca atmosfera temporária. Estas são apenas duas das muitas novas informações sobre Ceres obtidas pela missão Dawn da NASA e publicadas a semana passada na revista Science.

"A Dawn revelou que Ceres é um mundo diverso que claramente teve atividade geológica no seu passado recente," afirma Chris Russell, investigador principal da missão Dawn, na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Uma Atmosfera Temporária

Uma descoberta surpreendente no artigo liderado por Russell: a Dawn poderá ter detetado uma fraca e temporária atmosfera. O instrumento GRaND (Gamma Ray and Neutron Detector) da Dawn observou evidências de que Ceres tinha acelerado eletrões do vento solar até energias muito altas ao longo de um período de aproximadamente seis dias. Em teoria, a interação entre as partículas energéticas do vento solar e as moléculas atmosféricas podem explicar as observações do GRaND.

Uma atmosfera temporária seria consistente com o vapor de água que o Observatório Espacial Herschel detetou em Ceres em 2012-2013. Os eletrões que o GRaND detetou podem ter sido produzidos pelo vento solar que atingia as moléculas de água que o Herschel observou, mas os cientistas também estão à procura de explicações alternativas.

"Estamos muito animados por acompanhar este e outros achados sobre este mundo fascinante," comenta Russell.

A pequena mas brilhantes cratera Oxo (10 km em diâmetro) pode ser aqui vista perspetiva simulada. A elevação foi exagerada por um factor de dois. A elevação foi exagerada por um factor de dois. A vista foi feita usando imagens melhoradas da missão Dawn da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ahuna Mons é um Criovulcão

De acordo com uma nova análise liderada por Ottaviano Ruesch do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, Ahuna Mons é uma cúpula vulcânica diferente de qualquer outra avistada no Sistema Solar. Ruesch e colegas estudaram modelos de formação de cúpulas vulcânicas, mapas de terreno em 3D e imagens da Dawn, bem como características geológicas análogas noutros locais do nosso Sistema Solar. Isto levou à conclusão de que a montanha solitária é provavelmente vulcânica em natureza. Especificamente, será um criovulcão - um vulcão que irrompe um líquido feito de materiais voláteis tais como água, em vez silicatos. "Este é o único exemplo conhecido de um criovulcão que potencialmente se formou a partir de uma mistura salgada de 'lama', e que se formou no passado geológico recente," realça Ruesch.

Ceres: Entre um Lugar Rochoso e Gelado

Apesar de Ahuna Mons poder ter expelido água líquida no passado, a Dawn detetou água no presente, como descrito num estudo liderado por Jean-Philippe Combe do Instituto Bear Fight, em Winthrop, Washington, EUA. Combe e colegas usaram o espectrómetro VIR (visible and infrared mapping spectrometer) a bordo da Dawn para detetar provável água gelada na Cratera Oxo, uma pequena mas brilhante depressão inclinada a latitudes médias em Ceres.

A água gelada exposta é rara em Ceres, mas a baixa densidade do planeta anão, os fluxos gerados por impactos e a própria existência de Ahuna Mons sugerem que a crosta de Ceres contém um componente significativo de água gelada. Isto é consistente com um estudo de Ceres sobre diversas características geológicas liderado por Harald Hiesinger da Westfälische Wilhelms-Universität em Münster, Alemanha. A diversidade das características geológicas de Ceres é ainda mais explorada num estudo liderado por Debra Buczkowski do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

As crateras de impacto são claramente a característica geológica mais abundante em Ceres, e as suas diferentes formas ajudam a contar a história complexa do passado de Ceres. As crateras que são aproximadamente poligonais - isto é, formas delimitadas por linhas retas - sugerem que a crosta de Ceres é altamente fraturada. Em adição, várias crateras Cereanas têm padrões de fraturas visíveis nas suas bases.

Algumas, como a pequena Oxo, têm terraços, enquanto outras, como a grande Cratera Urvara (com 170 km de diâmetro), têm picos centrais. Existem crateras com características parecidas com fluxos e crateras que marcam outras crateras, bem como cadeias de crateras pequenas. Ceres tem várias áreas brilhantes, as mais refletivas localizadas na Cratera Occator. As formas de algumas crateras podem indicar água gelada no subsolo.

As formas das várias crateras do planeta anão são consistentes com uma camada externa, não pura de gelo ou rocha, mas uma mistura de ambos - uma conclusão refletida em outras análises. Os cientistas também calcularam a proporção da profundidade de várias crateras em relação aos diâmetros e descobriram que deverá ter ocorrido uma determinada quantidade de relaxamento. Adicionalmente, existem mais crateras no hemisfério norte de Ceres do que no sul, onde as grandes crateras Urvara e Yalode são as características dominantes.

"A distribuição desigual de crateras indica que a crosta não é uniforme e que Ceres atravessou uma evolução geológica complexa," acrescenta Hiesinger.

Distribuição de Materiais à Superfície

Quais são os materiais rochosos da crosta de Ceres? Um estudo liderado por Eleonora Ammannito da Universidade da Califórnia em Los Angeles, divulga que por todo o planeta anão encontram-se minerais argilosos chamados filossilicatos. Estes filossilicatos são ricos em magnésio e têm também algum amónio embebido na sua estrutura cristalina. A sua distribuição ao longo da crosta do planeta anão indica que o material à superfície de Ceres foi alterado por um processo global que envolveu água.

Embora os filossilicatos de Ceres sejam de composição uniforme, existem diferenças importantes na abundância destes materiais à superfície. Por exemplo, os filossilicatos são especialmente prevalentes na região em redor da lisa cratera Keran, parecida com uma "panqueca" (280 km em diâmetro) e menos prevalentes na Cratera Yalode (260 km em diâmetro), que tem áreas tanto de terreno liso como rugoso em seu redor. Dado que Kerwan e Yalode têm tamanhos parecidos, isto poderá significar que a composição do material no qual colidiram pode ser diferente. As crateras Dantu e Haulani foram ambas formadas recentemente, em termos geológicos, mas também parecem ter composições diferentes.

"Através da comparação de crateras como Dantu e Haulani descobrimos que as suas diferentes misturas de materiais podem estender-se para baixo da superfície durante quilómetros, ou até dezenas de quilómetros no caso da maior Dantu," comenta Ammannito.

Olhando Mais Alto

Agora no prolongamento da sua missão, a nave Dawn transmitiu um tesouro de imagens e outros dados a partir da sua altitude recente de 385 km acima da superfície de Ceres, o que é mais perto de Ceres do que a Estação Espacial Internacional em relação à Terra. A sonda aumentou a sua altitude no passado dia 2 de setembro, à medida que os cientistas consideram questões que podem ser examinadas de mais alto.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
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13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
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NASA -2 (comunicado de imprensa)
Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)
Um jovem criovulcão em Ceres (NASA Goddard via YouTube)
Science
Science - Russell et al.
Science - Ruesch et al.
Science - Combe et al.
Science - Hiesinger et al.
Science - Ammanito et al.
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