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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 295
3 de Janeiro de 2007
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RETROSPECTIVA ASTRONÓMICA DE 2006

O ano de 2006 foi o ano dos perdidos e achados. O Sistema Solar perdeu o seu nono planeta e a NASA perdeu a sua preciosa sonda marciana, há anos em funcionamento, mas os cientistas descobriram boas provas da matéria escura, sinais de água líquida em Marte na actualidade, e um planeta apenas umas poucas vezes mais massivo que a Terra em torno de outra estrela.


A cápsula que contém amostras do Cometa Wild 2.
Crédito: NASA
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O ano começou com o espectacular regresso à Terra, a 15 de Janeiro, da missão Stardust, que levou anos a viajar até e desde o cometa Wild 2, com o objectivo de recolher amostras para serem examinadas em laboratório.

Análises das amostras levaram à surpreendente descoberta que embora os cometas se tenham formado no frio Sistema Solar exterior, alguns dos seus blocos devem ter sido transportados desde aí até muito perto do Sol, devido a parecerem ter sido aquecidos acima dos 1000ºC.

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Noutras notícias cometárias este ano, a próxima passagem de um cometa em desintegração pela Terra em Abril, deu aos astrónomos uma visão rara do que poderá ser um desfecho comum para cometas.


A primeira imagem de uma observação de 3 dias com o Hubble, tirada a 18 de Abril de 2006, que mostra a fragmentação do fragmento B do cometa 73P.
Crédito: NASA, ESA, H. Weaver (APL/JHU), M. Mutchler e Z. Levay (STScI)
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Há quem diga que Plutão é apenas um cometa que cresceu mais do que devia, e a União Astronómica Internacional controversamente votou a redefinição do termo "planeta" de uma maneira que exclui Plutão, relegando o antigo nono planeta para uma segunda classe de "planetas anãos".


Plutão é similar em tamanho a outros objectos na sua vizinhança, por isso foi demovido de planeta.
Crédito: NASA/JPL

A demoção de Plutão foi parcialmente originada pela anterior confirmação que pelo menos um objecto nos distantes confins do Sistema Solar é maior que Plutão. Ao início denominado Xena, ou "décimo planeta", foi-lhe dado o nome oficial Eris, nome da deusa grega da discórdia.

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No meio de toda esta controvérsia, a sonda New Horizons continuou a sua viagem até ao encontro planeado, em 2015, com Plutão.

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A sonda da NASA, Cassini, continou a deslumbrar os cientistas e o público em geral com a sua investigação de Saturno e das suas luas. Cerca de 100 lagos de metano líquido ou etano, ou ambos, foram revelados na maior lua de Saturno, Titã, o que o torna apenas o segundo corpo - depois da Terra - que se sabe ter superfícies líquidas alimentadas pela chuva e por rios. Vastos campos de dunas foram também revelados na superfície de Titã, provavelmente feitas de partículas de hidrocarbonetos.


Imagem dos anéis de Saturno obtida pela sonda Cassini.
Crédito: Cassini/NASA/ESA
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A Cassini também descobriu uma tempestade rodopiando no pólo Sul de Saturno, algo reminiscente a um furacão, um ténue novo anel em torno do planeta, e ondas num anel já conhecido, talvez resultante de uma fractura de um cometa ou asteróide nos anos 80.

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Impressão de artista da inserção orbital da Venus Express.
Crédito: ESA / AOES Medialab
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Uma nova fase na exploração de Vénus começou com a chegada em órbita da sonda europeia, Venus Express, que depressa enviou imagens de uma curiosa estrutura em vortex duplo nas nuvens acima do pólo Sul do planeta. Também salientou pistas que a superfície de Vénus pode ser mais antiga do que anteriormente se pensava, preservando um registo muito mais longo da sua história.

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Impressão de artista da SMART-1
Crédito: ESA

A sonda da ESA, SMART-1, completou a sua missão de observação lunar num impacto deliberado com a superfície da Lua, autodestruíndo-se num "flash" de luz e produzindo uma pequena cratera.

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Uma frota de sondas robóticas em Marte proporcionou muitas novas descobertas este ano. Uma nova sonda, a Mars Reconnaissance Orbiter, alcançou órbita em Marte, e começou a enviar espantosas imagens da superfície marciana, incluindo um retrato do rover Opportunity perto da cratera Victória e uma visão de dunas gravadas com "gullies".


Impressão de artista da inserção oribtal da MRO em Marte a 10 de Março de 2006.
Crédito: NASA/JPL
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Mas a NASA também sofreu desapontamentos este anos em Marte, com o desaparecimento da sua sonda de 10 anos, a Mars Global Surveyor. Antes de desaparecer, no entanto, enviou imagens que motram sugestivas mudanças de correntes de água líquida em "gullies" que estava a estudar.

Estudos de radar sugerem que existe muita água presa na forma de gelo e enterrada debaixo da superfície, perto do pólo Sul do planeta.

Outras pesquisas sugerem também que estranhos "geysers" de areia entram em erupção em Marte, e que poeira tóxica chove na sua superfície.

Os imparáveis rovers da NASA, Spirit e Opportunity, ultrapassaram a marca dos 1000 dias marcianos em 2006, embora originalmente tenham sido desenhados para durar apenas 90 dias no Planeta Vermelho.

Uma das rodas do Spirit parou permanentemente, mas até isso levou a uma nova descoberta, ao estudar um dos seus rastos no solo marciano, o que revelou uma enterrada camada de sulfatos, ainda mais outra prova da presença passada de água no Planeta Vermelho.


Mapa do progresso do rover Opportunity na direcção da cratera Victória.
Crédito: OSU Mapping, GIS Laboratory
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Enquanto esteve estacionado durante seis meses, o tempo do longo Inverno marciano, o rover Spirit criou o panorama mais detalhado alguma vez feito do planeta. A Opportunity finalmente alcançou a cratera de 800 metros, Victória, enviando também algumas imagens, e estava à procura de um bom local de entrada na cratera quando o ano acabou.

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Duas novas missões de observação do Sol foram lançadas em 2006, a missão STEREO da NASA (Solar Terrestrial Relations Observatory) e a Hinode da JAXA (anteriormente conhecida como Solar-B), que já enviou alguns resultados iniciais, incluindo vídeos de "loops" de plasma na atmosfera do Sol.


Impressão de artista das sondas gémeas STEREO.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory
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Também houveram muitas novas descobertas de planetas para lá do nosso Sistema Solar. Os astrónomos encontraram o planeta mais pequeno até agora, em torno de uma estrela normal, com apenas 3 a 11 vezes a massa da Terra. Também descobriram alguns factos estranhos, incluindo um planeta esponjoso com uma densidade menor que uma rolha, dois objectos com a massa de planetas, orbitando-se um ao outro em vez de uma estrela, e discos poeirentos em torno de duas estrelas hipergigantes, sugerindo que os planetas se podem formar mesmo neste turbulento ambiente perto destes monstruosos sóis.


Um par de objectos de massa planetária orbitam-se um ao outro, cada rodeado por um disco de poeira.
Crédito: ESO
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Para lá da nossa Galáxia, evoluíu o nosso conhecimento das explosões de raios-gama (GRB's) - as explosões mais poderosas do Universo. Análises de um incomum GRB, com o número de catálogo 060218, sugeriram que não foi alimentado pelo colapso de uma estrela e posterior formação de um buraco negro - que se pensava ser o caso para a maioria dos longos GRB's observados - mas poderá ter sido o colapso de uma estrela menos massiva que ao invés formou uma estrela de neutrões altamente magnetizada.

E dois outros GRB's detectados em Maio e Junho poderão ter resultado de um processo totalmente desconhecido.


O Universo a uma maior escala fez também manchetes este ano. Os físicos John Mather e George Smoot receberam o prémio Nobel pelo seu trabalho com o satélite COBE, que detectou as primeiras variações na radiação cósmica de fundo, o que resta do Big Bang.

Cientistas viram também os efeitos gravitavionais isolados da matéria escura pela primeira vez, ao estudar uma região do espaço onde uma colossal colisão entre enxames de galáxias a separou da matéria comum, resultados estes que foram prova mais que suficiente para a existência da matéria escura.

Claro, cientistas levantaram outros argumentos contra a matéria escura, dizendo que teorias modificadas da gravitação poderiam explicar as observações astronómicas.

Um estudo da mais distante supernova alguma vez vista revelou algumas preciosas novas informações acerca da energia escura, a força misteriosa que está a acelerar a expansão do Universo e cujas propriedades a tornam bastante difícil de estudar.

As novas observações mostraram que a energia escura já existe há pelo menos 9 mil milhões de anos e que a sua força não pode ter variado muito durante esse tempo.


De entre as coisas mais bizarras anunciadas este ano, os cientistas propuseram construír uma nave que transportaria um sistema solar em miniatura para testar subtis efeitos gravitacionais devidos a extra dimensões escondidas, e uma equipa de astrónomos sugeriu observações de um quasar indicando que era alimentado por um bola exótica de plasma chamada MECO, em vez de um buraco negro.


O futuro também promete. O Observatório Europeu do Sul aprovou planos para construír um gigante telescópio de 42 metros, no infravermelho e no visível, quatro vezes maior que qualquer outro telescópio existente que observa nesses comprimentos de onda.


A NASA anunciou que enviaria uma missão espacial até ao Telescópio Espacial Hubble em 2008 para prolongar a vida do venerado observatório e instalar outros instrumentos mais poderosos. O Hubble recuperou duas vezes em 2006, de falhas temporárias da sua câmara principal.


O Telescópio Espacial Hubble, visto do vaivém Discovery, durante a segunda missão de reparação, STS-82.
Crédito: NASA/JPL, STS-82
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  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Luz de estrelas distantes - Crédito: NASA/JPL-Caltech/A. Kashlinsky (GSFC) et al.
Como terão sido as primeiras estrelas? Ninguém sabe ainda com certeza. O nosso Sol não é uma estrela de primeira geração. Nem é de segunda geração. As primeiras estrelas a aparecer no Universo provavelmente vieram e foram há cerca de 13 mil milhões de anos atrás. No entanto, através de observações de céu bastante profundo, com o Telescópio Espacial Spitzer no infravermelho, foi possível detectar um difuso brilho, possivelmente de estrelas de primeira geração, centenas de vezes mais massivas que o nosso Sol. A imagem do lado mostra a radiação infravermelha com zonas brilhantes que poderão ter sido originárias de enxames destes antigos objectos. As áreas a cinzento mostram lugares onde estrelas no pano da frente, estrelas da nossa Via Láctea, foram digitalmente removidas.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 03/01: 3º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e Deep Space 2.
Em 2000, flyby da sonda Galileu pela lua de Júpiter, Europa. A sonda passou a uma altitude de 351 km.
Observações: Lua Cheia, por volta das 13:57.
A Terra encontra-se no periélio, o ponto da sua órbita mais próximo do Sol (apenas 3% mais perto que o afélio em Julho).

Dia 04/01: 4º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, estes foram possivelmente os dias mais importantes da história da Astronomia. Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.

Dia 05/01: 5º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5. Chega a Vénus em 16 de Maio de 1969. Depois, antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Observações: A Lua, Saturno e Régulo formam uma linha no céu a Este esta noite.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Em 1965, durante o primeiro passeio espacial, o astronauta Edward White da Gemini 4 perdeu uma luva. Durante um mês, a luva ficou em órbita a uma velocidade de 28 000 km/h, tornando-se na peça de vestuário mais perigosa da Humanidade.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
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