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Edição n.º 1437
15/12 a 18/12/2017
 
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29/12/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 15/12: 349.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, nascia Henri Becquerel, físico que, juntamente com Marie e Pierre Curie, recebeu o prémio Nobel da Física pela sua descoberta da radioatividade. A unidade SI da radioativade, o becquerel (Bq), tem o seu nome.
Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao polo sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos polos). 
Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra.

Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados da superfície de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu para-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados. 
Em 1984 era lançada a Vega 1 (missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).
Observações: À medida que o Triângulo de Verão se "afunda" a oeste, Altair é a primeira estrela a desaparecer por trás do horizonte. Comece avistando Vega a noroeste à hora de jantar. A estrela mais brilhante para cima de Vega é Deneb. Altair, a terceira estrela do Triângulo, está para a esquerda e um pouco para baixo de Vega. Até que horas consegue avistar o todo do Triângulo?

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1917 nascia Arthur C. Clarke, proponente de longa data das viagens espaciais, autor, futurista, inventor, explorador dos oceanos e apresentador de televisão.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 1969 nascia Adam Riess, astrofísico americano, que partilhou com Saul Perlmutter e Brian P. Schmidt, em 2011, o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Em 2015, o Hubble divulga a imagem da primeira explosão, prevista, de uma supernova.
Observações: Ao amanhecer, olhe baixo a sudeste em busca da fina Lua Minguante. Forma o fim de uma linha diagonal com Júpiter, Marte e Espiga, linha esta que se prolonga para cima e para a direita do nosso satélite natural.

Dia 17/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, os EUA lançam com sucesso o primeiro missil balístico intercontinental Atlas em Cabo Canaveral, Flórida.

Em 2003, voo 11P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.
Observações: Já observou o nascer de Sirius? Encontre um horizonte desimpedido a este-sudeste e observe Sirius a surgir por cima do horizonte a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo da cintura vertical de Orionte. Sirius nasce entre as 20 e as 20:30, dependendo da localização do observador.
Quando uma estrela está muito baixa, tende a piscar muito lentamente e amíude com cores vívidas. Sirius é brilhante o suficiente para mostrar eficazmente estes efeitos, especialmente com binóculos.

Dia 18/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1856 nascia J. J. Thomson, físico inglês, conhecido pela descoberta do eletrão e pela invenção do espectrómetro de massa.
Em 1958, lançamento do Projecto SCORE, o primeiro satélite de comunicações.
Em 1966, Richard Walker descobre a lua de Saturno, Epimeteu, que depois esteve "perdida" durante 12 anos.

Em 1973, é lançada a Soyuz 13, tripulada pelos cosmonautas Valentin Lebedev e Pyotr Klimuk, de Baikonur, União Soviética.
Em 1999, a NASA lança para órbita a plataforma Terra, transportando cinco instrumentos de observação terrestre: o ASTERCERESMISR,
MODIS e MOPITT
Em 2001, a aventureira sonda da NASA, Deep Space 1, desliga os seus motores iónicos e a missão chega ao fim.
Observações: Lua Nova, pelas 06:30.
O enxame das Plêiades brilha muito alto a sudeste depois da hora de jantar. Quantas estrelas deste enxame aberto consegue contar à vista desarmada? Demore o tempo que quiser e continue à procura. A maioria das pessoas consegue contar 6. Com boa visão, um céu escuro e olhos bem adaptados, talvez consiga chegar às 8 ou 9.

 
CURIOSIDADES


A nuvem de Oort é considerada o limite exterior do Sistema Solar, encontrando-se algures entre 50.000 e 200.000 UA (0,8 e 3,2 anos-luz) do Sol. Pensa-se que os cometas de longo período têm origem na nuvem de Oort. Jan Oort considerou que seria uma nuvem pois os cometas de longo período não possuem qualquer direção privilegiada para a sua órbita.

 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DADOS DA NASA USADOS PARA DESCOBRIR OITAVO PLANETA EM TORNO DE ESTRELA DISTANTE
Com a descoberta de um oitavo planeta, o sistema Kepler-90 é o primeiro a empatar com o nosso Sistema no que toca ao maior número de planetas.
Crédito: NASA/Wendy Stenzel
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com a recente descoberta de um oitavo planeta em órbita de Kepler-90, uma estrela parecida com o Sol a 2545 anos-luz da Terra, o nosso Sistema Solar está agora empatado no que toca ao maior número de planetas em torno de uma única estrela. O planeta foi descoberto em dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA.

O recém-descoberto Kepler-90i - um planeta quente e rochoso que completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira a cada 14,4 dias - foi encontrado usando aprendizagem de máquina da Google. A aprendizagem de máquina é uma abordagem da inteligência artificial na qual os computadores "aprendem". Neste caso, os computadores aprenderam a identificar planetas ao encontrar casos, nos dados do Kepler, onde o telescópio registou sinais de planetas para lá do nosso Sistema Solar, conhecidos como exoplanetas.

"Tal como pensávamos, existem descobertas emocionantes à espreita nos nossos dados de arquivo do Kepler, à espera da ferramenta ou da tecnologia certa para os encontrar," comenta Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA em Washington. "Este achado mostra que os nossos dados serão um tesouro disponível para os inovadores investigadores durante anos."

A descoberta ocorreu depois dos investigadores Christopher Shallue e Andrew Vanderburg terem treinado um computador para aprender a identificar exoplanetas nas leituras de luz registadas pelo Kepler - as minúsculas mudanças no brilho captado quando um planeta passava em frente, ou transitava, uma estrela. Inspirados pela maneira como os neurónios se ligam no cérebro humano, esta "rede neuronal" artificial vasculhou dados do Kepler e encontrou fracos sinais de trânsito de um oitavo planeta previamente perdido em órbita de Kepler-90, na direção da constelação de Dragão.

Os planetas Kepler-90 têm uma configuração similar à do nosso Sistema Solar, em que os planetas mais pequenos podem ser encontrados mais perto da estrela, e os planetas maiores podem ser encontrados mais longe. No nosso Sistema Solar, este padrão é regularmente visto como evidência de que os planetas exteriores se formaram numa região mais fria do sistema solar, onde a água gelada pode permanecer no estado sólido e aglomerar-se para formar planetas maiores e maiores. O padrão que vemos em Kepler-90 pode ser evidência do mesmo processo.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Wendy Stenzel
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Embora a aprendizagem de máquina já tenha sido usada anteriormente em pesquisas da base de dados do Kepler, esta investigação demonstra que as redes neuronais são uma ferramenta promissora para encontrar alguns dos sinais mais fracos de mundos distantes.

Outros sistemas planetários são provavelmente mais promissores para a vida do que Kepler-90. Cerca de 30% maior do que a Terra, Kepler-90i está tão perto da sua estrela que se pensa que a temperatura média da superfície exceda os 426º C, parecida com a temperatura diurna de Mercúrio. O seu planeta mais exterior, Kepler-90h, orbita a uma distância parecida à da Terra em relação ao Sol.

"O sistema estelar Kepler-90 é como uma mini-versão do nosso Sistema Solar. Temos planetas pequenos no interior e planetas grandes no exterior, mas tudo está agrupado mais intimamente," afirma Vanderburg, astrónomo da Universidade do Texas em Austin e da NASA.

Shallue, um engenheiro sénior de software da equipa de investigação Google AI, teve a ideia de aplicar uma rede neuronal aos dados do Kepler. Ele interessou-se pela descoberta de exoplanetas depois de aprender que a astronomia, tal como outros ramos da Ciência, está rapidamente sendo inundada de dados à medida que a tecnologia para a recolha de dados espaciais avança.

"No meu tempo livre, comecei a pesquisar 'encontrar exoplanetas com grandes conjuntos de dados' e descobri mais sobre a missão Kepler e sobre o enorme conjunto de dados disponíveis," comenta Shallue. "A aprendizagem de máquina realmente brilha em situações onde existem tantos dados que os humanos não conseguem procurar por eles próprios."

Kepler-90 é uma estrela parecida com o Sol, mas todos os seus oito planetas estão agrupados numa distância equivalente à da Terra em relação ao Sol. Os planetas interiores têm órbitas extremamente íntima com um "ano" em Kepler-90i durando apenas 14,4 dias. Em comparação, a órbita de Mercúrio corresponde a 88 dias. Consequentemente, Kepler-90i tem uma temperatura superficial média de 426º C e não é provavelmente um bom lugar para a vida como a conhecemos. A estrutura do sistema Kepler-90 aponta para que os oito planetas se tenham formado mais distantes, como os planetas do Sistema Solar, e de algum modo migraram para as órbitas que vemos hoje.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Wendy Stenzel
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Os quatro anos de dados do Kepler consistem em mais de 35.000 possíveis sinais planetários. Os testes automatizados, e por vezes os olhos humanos, são usados para verificar os sinais mais promissores nos dados. No entanto, os sinais mais fracos geralmente perdem-se usando estes métodos. Shallue e Vanderburg pensaram que podiam haver descobertas exoplanetárias mais interessantes à espreita nos dados.

Primeiro, treinaram a rede neuronal para identificar exoplanetas em trânsito usando um conjunto de 15.000 sinais previamente examinados do catálogo de exoplanetas do Kepler. No conjunto de testes, a rede neuronal identificou corretamente planetas verdadeiros e falsos positivos 96% do tempo. Então, tendo a rede neuronal "aprendido" a detetar o padrão de um trânsito exoplanetário, os investigadores dirigiram o seu modelo para procurar sinais mais fracos em 670 sistemas estelares que já possuíam múltiplos planetas conhecidos. A suposição era que os sistemas multiplanetários seriam os melhores lugares para procurar mais exoplanetas.

"Nós temos muitos falsos positivos de planetas, mas também potencialmente mais planetas verdadeiros," explica Vanderburg. "É como peneirar rochas para encontrar joias. Se tivermos uma peneira mais fina, apanhamos mais rochas, mas também mais joias."

Esta figura mostra o número de sistemas com um, dois, três planetas, etc. Cada ponto representa um sistema planetário conhecido. Nós conhecemos mais de 2000 sistemas com um planeta e progressivamente menos sistemas com muitos planetas. Com a descoberta de Kepler-90i ficamos a conhecer o primeiro sistema exoplanetário com oito planetas, e é um indício de que mais sistemas populados estão por vir.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Wendy Stenzel e Universidade do Texas em Austin/Andrew Vanderburg
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Kepler-90i não é única joia que esta rede neuronal descobriu. No sistema Kepler-80, encontraram um sexto planeta. Este, Kepler-80g, com o tamanho da Terra, e quatro dos seus planetas vizinhos, formam o que se chama de cadeia ressonante - onde os planetas estão bloqueados pela sua gravidade mútua numa dança orbital rítmica. O resultado é um sistema extremamente estável, semelhante aos sete planetas do sistema TRAPPIST-1.

O artigo científico que divulga estes achados foi aceite para publicação na revista The Astronomical Journal. Shallue e Vanderburg planeiam aplicar a sua rede neuronal ao conjunto completo das mais de 150.000 estrelas estudadas pelo Kepler.

O Kepler produziu um conjunto de dados sem precedentes para a caça exoplanetária. Depois de olhar para uma zona do espaço durante quatro anos, o telescópio está agora a operar numa missão estendida e muda de campo de visão a cada 80 dias.

"Estes resultados demonstram o valor duradouro da missão do Kepler," comenta Jessie Dotson, cientista do projeto Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley. "Novas maneiras de ver os dados - como esta investigação em fase inicial de aplicar algoritmos de aprendizagem de máquina - prometem continuar a produzir avanços significativos na nossa compreensão dos sistemas planetários em torno de outras estrelas. Tenho a certeza que há mais novidades nos dados à esperam que as pessoas os encontrem."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório McDonald - Universidade do Texas (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Reddit AMA com a equipa de investigadores
Inteligência Artificial e Kepler-90i (NASA via YouTube)
SPACE.com
PHYSORG
New Scientist
Inverse
Metro
BBC News
The Verge
UPI
Gizmodo

Kepler-90:
Wikipedia
Kepler-90i (Wikipedia)

Kepler-80:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Descobertas planetárias do Kepler

 
ÁREAS BRILHANTES EM CERES SUGEREM ATIVIDADE GEOLÓGICA

Se pudéssemos viajar a bordo da sonda Dawn da NASA, a superfície do planeta anão Ceres teria um aspeto bastante escuro, mas com notáveis exceções. Estas exceções são as centenas de áreas brilhantes que se destacam em imagens que a Dawn já transmitiu. Agora, os cientistas têm uma melhor ideia de como estas áreas refletivas se formaram e como mudaram ao longo do tempo - processos indicativos de um mundo ativo e em evolução.

"Os misteriosos pontos brilhantes em Ceres, que muito cativaram tanto a equipa científica da Dawn como o público, revelam evidências do oceano subsuperficial passado de Ceres e indicam que, longe de ser um mundo morto, Ceres é surpreendentemente ativo. Os processos geológicos criaram estas áreas brilhantes e podem ainda hoje mudar o rosto de Ceres," comenta Carol Raymond, vice investigadora principal da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Raymond e colegas apresentaram os últimos resultados sobre as áreas brilhantes na reunião da União Geofísica Americana no passado dia 12 de dezembro em Nova Orleães.

Tipos Diferentes de Áreas Brilhantes

Desde que a Dawn alcançou a órbita em torno de Ceres em março de 2015 que os cientistas localizaram mais de 300 áreas brilhantes no planeta anão. Um novo estudo publicado na revista Icarus, liderado por Nathan Stein, investigador doutorado no Caltech, Pasadena, Califórnia, divide as características de Ceres em quatro categorias.

As áreas brilhantes na Cratera Occator - Cerealia Facula no centro e Vinalia Faculae para o lado - são exemplos de material brilhante encontrado no chão de crateras em Ceres. Esta é uma perspetiva simulada.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
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O primeiro grupo de áreas brilhantes contém o material mais refletivo em Ceres, que é encontrado no chão de crateras. Os exemplos mais icónicos estão na Cratera Occator, que hospeda duas proeminentes áreas brilhantes. Cerealia Facula, no centro da cratera, é composta por material brilhante que cobre um poço com 10 km de diâmetro, dentro do qual fica uma pequena cúpula. Para este do centro está uma coleção de características ligeiramente menos refletivas e mais difusas de nome Vinalia Faculae. Todo o material brilhante na Cratera Occator é feito de material rico em sal, que provavelmente já esteve misturado em água. Embora Cerealia Facula seja a área mais brilhante de Ceres, seria semelhante a neve suja para o olho humano.

Mais comummente, na segunda categoria, material brilhante é encontrado nas orlas das crateras, criando riscas em direção à base. Os corpos de impacto provavelmente expuseram o material brilhante que já estava na subsuperfície ou que já se tinha formado durante um evento de impacto prévio.

Separadamente, na terceira categoria, o material brilhante pode ser encontrado no material expelido quando as crateras foram formadas.

A montanha Ahuna Mons obtém a sua própria quarta categoria - a única instância em Ceres onde o material brilhante não está relacionado com qualquer cratera de impacto. Este provável criovulcão, um vulcão formado pela acumulação gradual de materiais gelados, espessos e que fluem lentamente, tem proeminentes linhas brilhantes nos seus flancos.

Ao longo de centenas de milhões de anos, o material brilhante misturou-se com o material escuro que forma a maior parte da superfície de Ceres, bem como com os detritos expelidos durante os impactos. Isto significa que há milhares de milhões de anos, quando Ceres sofreu mais impactos, a superfície do planeta anão era provavelmente salpicada por milhares de áreas brilhantes.

"Investigações anteriores mostraram que o material brilhante é composto por sais e nós pensamos que a atividade do fluido subterrâneo os transportaram até à superfície para formar algumas das zonas brilhantes," explica Stein.

A Cratera Oxo é única devido à "queda" relativamente grande na sua orla.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
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O Caso de Occator

Porque é que as diferentes áreas brilhantes de Occator parecem tão distintas entre si? Lynnae Quick, geóloga planetária do Instituto Smithsonian em Washington, tem vindo a debruçar-se sobre esta questão.

A principal explicação para o que aconteceu em Occator é que poderá ter tido, pelo menos no passado recente, um reservatório de água salgada por baixo. Vinalia Faculae, a região brilhante e difusa para nordeste da cúpula central da cratera, poderá ter-se formado a partir de um fluido conduzido à superfície por uma pequena quantidade de gás, semelhante a champanhe que sai da garrafa quando a rolha salta.

A Cratera Haulani em Ceres, com um diâmetro de 34 km, mostra evidências de deslizamentos na orla.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
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No caso de Vinalia Faculae, o gás dissolvido pode ter sido uma substância volátil como vapor de água, dióxido de carbono, metano ou amónia. A água salgada rica em voláteis pode ter sido trazida para perto da superfície de Ceres através de fraturas que se ligavam ao reservatório salgado por baixo de Occator. A pressão mais baixa na superfície de Ceres teria feito com que o fluido fervesse como vapor. Onde as fraturas atingiram a superfície, este vapor podia escapar energeticamente, transportando com ele gelo e partículas de sal e depositando-as à superfície.

Cerealia Facula pode ter-se formado num processo ligeiramente diferente, dado que é mais elevada e mais brilhante do que Vinalia Faculae. O material em Cerealia pode ter sido mais como uma lava gelada, penetrando as fraturas e inundando a área para formar uma cúpula. Fases intermitentes de ebulição, semelhantes ao que aconteceu aquando da formação de Vinalia Faculae, podem ter ocorrido durante este processo, espalhando a superfície com gelo e partículas de sal que formaram a zona brilhante de Cerealia.

A montanha solitária de Ceres, Ahuna Mons, pode ser aqui vista nesta perspetiva simulada. A elevação foi exagerada por um factor de dois. A imagem foi criada usando imagens melhoradas obtidas pela sonda Dawn da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
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As análises de Quick não dependem do impacto inicial que formou Occator. No entanto, o pensamento atual entre os cientistas da Dawn é que quando um grande corpo colidiu com Ceres, escavando a cratera com 92 km de diâmetro, o impacto poderá também ter produzido fraturas através das quais o líquido surgiu mais tarde.

"Nós também vemos fraturas noutros corpos do Sistema Solar, como em Europa, a lua gelada de Júpiter," acrescenta Quick. "Estas fraturas em Europa são mais abrangentes do que as que vemos em Occator. No entanto, os processos relacionados com reservatórios líquidos que podem existir sob as fraturas de Europa, hoje, podem ser usadas como uma comparação para o que pode ter acontecido em Occator no passado."

Este mapa da missão Dawn da NASA mostra as posições de material brilhante no planeta anão Ceres. Existem mais de 300 áreas brilhantes, chamadas "faculae", em Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI/Caltech
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À medida que a Dawn continua a fase final da sua missão, em que desce a altitudes mais baixas do que nunca, os cientistas vão continuar a aprender mais sobre as origens deste material brilhante em Ceres e sobre as origens das características enigmáticas em Occator.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/11/2017 - Dawn explora a evolução do interior de Ceres
31/10/2017 - Dawn encontra possíveis restos de um antigo oceano em Ceres
24/03/2017 - Gelo nas crateras permanentemente à sombra de Ceres ligado ao passado da inclinação axial
07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
21/02/2017 - Dawn descobre evidências de materiais orgânicos em Ceres
20/12/2016 - Onde está o gelo de Ceres? Novos achados da Dawn
05/08/2016 - O que está dentro de Ceres? Novas descobertas a partir de dados de gravidade
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Icarus (PDF)
SPACE.com
spaceref
Space Daily
PHYSORG

Ceres:
Wikipedia
Faculae (Wikipedia)

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
SERÁ QUE O PRÓXIMO ALVO DA NEW HORIZONS TEM UMA LUA?
Impressão de artista de 2014 MU69 (assumindo uma forma de amendoim) e de uma pequena lua.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas já estavam entusiasmados por ter aprendido este verão que o próximo alvo rasante da New Horizons - um objeto da Cintura de Kuiper a mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão - pode ou ter a forma de um amendoim ou até mesmo ser dois objetos em órbita um do outro. Agora, novos dados sugerem que 2014 MU69 pode ter companhia orbital: uma pequena lua.

Esta é a teoria mais recente da equipa da New Horizons da NASA, à medida que continua a analisar dados telescópicos do alvo para o "flyby" do Dia de Ano Novo de 2019. "Nós realmente só saberemos o aspeto de MU69 quando passarmos lá perto, até só podemos entendê-lo completamente depois do encontro," afirma Marc Buie, membro da equipa científica da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, que forneceu uma atualização sobre a análise de MU69 na passada segunda-feira na Reunião de Outono da União Geofísica Americana em Nova Orleães. "Mas, mesmo de longe, quanto mais o examinamos, mais interessante e surpreendente este pequeno mundo se torna."

Os dados que levaram a estas pistas sobre a natureza de MU69 foram recolhidos ao longo de seis semanas em junho e julho, quando a equipa fez três tentativas para colocar telescópios na estreita sombra de MU69 quando este passava em frente de uma estrela. O reconhecimento mais valioso ocorreu no dia 17 de julho, quando cinco telescópios montados pela equipa da New Horizons na Argentina estiveram no lugar certo, no momento certo, para captar essa sombra fugaz - um evento conhecido como ocultação - e capturar dados importantes sobre o tamanho, forma e órbita de MU69. Esses dados levantaram a possibilidade de MU69 ser dois objetos de tamanho semelhante, o que conhecemos como binário.

A perspetiva de que MU69 possa ter uma lua surgiu de dados recolhidos durante uma ocultação diferente no dia 10 de julho, pelo observatório aéreo SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA. Focado na localização esperada de MU69 enquanto voava sobre o Oceano Pacífico, o SOFIA detetou o que parecia ser uma queda muito curta na luz da estrela. Buie disse que uma análise mais aprofundada desses dados, incluindo a sincronização com cálculos da órbita de MU69 fornecidos pela missão Gaia da ESA, abre a possibilidade que o "blip" detetado pelo SOFIA possa ser outro objeto em torno de MU69.

 
Em três ocasiões nos passados meses de junho e julho, os membros da equipa da missão New Horizons tentaram rastrear um pequeno objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, enquanto este passava em frente de uma estrela - um evento conhecido como ocultação. As linhas coloridas assinalam o percurso da estrela visto a partir dos diferentes telescópios a cada dia; os espaços em branco nessas linhas indicam os poucos segundos em que MU69 bloqueou a luz da estrela. Os cientistas estão a usar estas observações para formar uma imagem de MU69 e de quaisquer corpos companheiros.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/James Tuttle Keane
(clique nas imagens para ver versões maiores)
 

"Um binário com uma lua mais pequena também pode ajudar a explicar as mudanças que vimos na posição de MU69 durante estas várias ocultações," acrescenta Buie. "É tudo muito sugestivo, mas é outro passo no nosso trabalho para obter uma imagem clara de MU69 antes da passagem rasante da New Horizons, daqui a pouco mais de um ano."

"Esse 'flyby' será o mais distante da história da exploração espacial. O antigo objeto da Cintura de Kuiper conhecido como MU69, descoberto em 2014, está a mais de 6,5 mil milhões de quilómetros da Terra. Parece não ter mais que 30 km em comprimento ou, caso seja um binário, cada corpo terá entre 15 e 20 km em diâmetro. Tal como outros objetos da Cintura de Kuiper, MU69 fornece um olhar de perto sobre os restos do antigo processo de construção planetária, mundos pequenos que contêm pistas críticas para a formação do Sistema Solar exterior.

"O esforço de ocultação que Marc Buie e sua equipa lideraram para a New Horizons tem sido inestimável para o abrir dos nossos olhos às possibilidades muito reais de que MU69 é muito mais complexo do que suspeitávamos e para as muitas surpresas que detém quando por lá passarmos na Véspera e no Dia de Ano Novo de 2019," realça Alan Stern, investigador principal da New Horizons, também do SwRI. "Quanto mais aprendemos sobre ele, mais forte se torna o fascínio da sua exploração. É fantástico!"

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
27/09/2016 - "Coração" de Plutão lança luz sobre possível oceano subterrâneo
16/09/2016 - Plutão emite raios-X; pinta Caronte de vermelho
05/07/2016 - New Horizons recebe prolongamento da missão, Dawn permanecerá em Ceres
24/06/2016 - Investigação reforça caso para um oceano subsuperficial em Plutão
03/06/2016 - O coração de Plutão: como uma lâmpada de lava cósmica
31/05/2016 - As melhores imagens da superfície de Plutão pela New Horizons
20/05/2016 - Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão
10/05/2016 - Hidra, a lua gelada de Plutão
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Notícias relacionadas:
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Sky & Telescope
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Destaques do Céu de Inverno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Universe2go.com
 
O que há de novo no céu deste inverno? O gráfico em destaque fornece alguns destaques para o hemisfério norte do planeta Terra. Semelhante à face de um relógio centrado em baixo, os eventos iniciais do céu de inverno desviam-se para a esquerda, enquanto os eventos do final de inverno estão projetados para a direita. Os objetos relativamente perto da Terra estão ilustrados, em geral, mais perto da figura desenhada com o telescópio no centro inferior - embora quase tudo aqui indicado possa ser visto sem recorrer a um telescópio. Os destaques do céu deste inverno incluem a chuva de meteoros das Geminídeas, que atingiu o pico esta semana, a constelação de Orionte tornando-se notável no céu noturno, e muitos planetas visíveis antes do nascer-do-Sol em fevereiro. Como é verdade para todas as estações, a Estação Espacial Internacional (ISS) pode por vezes ser encontrada a vaguear pelo céu se soubermos exatamente quando e onde procurar.
 

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