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Edição n.º 1333
16/12 a 19/12/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 16/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 1969 nascia Adam Riess, astrofísico americano, que partilhou com Saul Perlmutter e Brian P. Schmidt, em 2011, o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Em 2015, o Hubble divulga a imagem da primeira explosão, prevista, de uma supernova.
Observações:

Dia 17/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, os EUA lançam com sucesso o primeiro missil balístico intercontinental Atlas em Cabo Canaveral, Flórida.

Em 2003, voo 11P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.
Observações:

Dia 18/12: 353.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1856 nascia J. J. Thomson, físico inglês, conhecido pela descoberta do eletrão e pela invenção do espectrómetro de massa.
Em 1958, lançamento do Projecto SCORE, o primeiro satélite de comunicações.
Em 1966, Richard Walker descobre a lua de Saturno, Epimeteu, que depois esteve "perdida" durante 12 anos.

Em 1973, é lançada a Soyuz 13, tripulada pelos cosmonautas Valentin Lebedev e Pyotr Klimuk, de Baikonur, União Soviética.
Em 1999, a NASA lança para órbita a plataforma Terra, transportando cinco instrumentos de observação terrestre: o ASTERCERESMISR,
MODIS e MOPITT
Em 2001, a aventureira sonda da NASA, Deep Space 1, desliga os seus motores iónicos e a missão chega ao fim.
Observações:

Dia 19/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852 nascia Albert A. Michelson, físico americano conhecido pelo seu trabalho na medição da velocidade da luz e especialmente pela experiência Michelson-Morley.
Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada, regressava à Terra. 

Em 2014, a sonda europeia Gaia é lançada para o espaço.
Observações:

 
CURIOSIDADES


Sabia que o mergulho dramático da Rosetta em direção ao Cometa 67P/C-G foi o "livestream" mais visto de 2016? Os representantes da plataforma Livestream, uma companhia de transmissões online de vídeo em direto, divulgou que o evento atraiu mais de 4,1 milhões de visitantes. A conferência de imprensa sobre a separação do "lander" ExoMars, menos de um mês depois (16 de outubro), atraiu quase 2,8 milhões de espetadores, ficando em 4.º lugar da lista.

 
ÚLTIMAS PALAVRAS DA ROSETTA: CIÊNCIA QUE DESCE ATÉ UM COMETA
As "pegadas" das imagens obtidas pela câmara OSIRIS da Rosetta durante a descida até à superfície do cometa. Um dos focos primários foi o poço de nome Deir el-Medina, indicado pelo número de "pegadas" azuis. O rasto de quadrados vermelhos e alaranjados refletem a mudança na orientação da câmara até ao ponto de impacto, subsequentemente apelidado de Sais. A imagem final foi captada a 20 metros da superfície, e o ponto de pouso ficou-se a apenas 33 metros do centro da elipse de aterragem prevista.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Rosetta da ESA completou a sua incrível missão no dia 30 de setembro, recolhendo imagens e dados sem precedentes até ao momento do contacto com a superfície do cometa.

O sinal da Rosetta desapareceu dos ecrãs no controle da missão da ESA às 11:19:37 GMT, confirmando que a nave havia chegado à superfície do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, desligando-se cerca de 40 minutos antes e a 720 milhões de quilómetros da Terra.

Uma das últimas informações recebidas da Rosetta foi enviada pelos seus seguidores estelares de navegação: um relatório de um "objeto grande" no campo de visão - o horizonte do cometa.

A reconstrução da descida final mostrou que a sonda atingiu gentilmente a superfície a apenas 33 metros do alvo previsto.

A precisão destacou, mais uma vez, o excelente trabalho dos especialistas em dinâmica de voo que apoiaram toda a missão.

O local, no interior de um antigo poço na região Ma'at, na "cabeça" do cometa, foi apelidado de Sais, em honra à cidade onde a Pedra de Rosetta estava originalmente localizada.

Foram obtidas várias imagens do poço vizinho, capturando detalhes incríveis das suas paredes em camadas que serão usadas para ajudar a decifrar a história geológica do cometa.

A última imagem do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, obtida pela câmara OSIRIS da Rosetta pouco antes do impacto, a uma altitude estimada de 20 metros acima da superfície. Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
 

A imagem final foi obtida a cerca de 20 metros do ponto de impacto. Além disso, uma série de instrumentos de análise de poeira, gás e plasma da Rosetta recolheram dados.

Observou-se que a pressão do fluxo de gás do cometa aumentava à medida que a superfície se aproximava. Os rastreamentos revelaram temperaturas entre cerca de -190ºC e os -110ºC até alguns centímetros abaixo da superfície. A variação foi provavelmente devida a sombras e à topografia local à medida que a Rosetta voava acima da superfície.

Uma última medição da emissão de vapor de água foi obtida no dia 27 de setembro, estimando que o cometa estava a emitir o equivalente a duas colheres de sopa de água por segundo. Durante o seu período mais ativo de agosto de 2015, as estimativas encontravam-se na ordem das duas banheiras de água por segundo.

As primeiras indicações das leituras espectrais mostram que não existem diferenças significativas na composição superficial a altas resoluções obtidas até ao núcleo e não houve nenhuma indicação óbvia de pequenos remendos gelados perto do local de pouso.

O ponto planeado de impacto da Rosetta, em Ma'at, visto em contexto com o primeiro e último pouso do Philae. Todos os três locais são no "lóbulo" mais pequeno do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
As inserções mostram ampliações dos três sítios. O primeiro pouso do Philae em Agilkia foi captado pela câmara ROLIS do veículo de descida; a imagem aqui foi obtida a partir de uma altura de apenas 9 metros acima da superfície no dia 12 de novembro de 2014 e tem uma resolução de 0,95 cm/pixel. A imagem do pouso final do Philae, conhecido como Abydos, foi obtido pela câmara CIVA do "lander" no dia 13 de novembro de 2014; a imagem é um mosaico de duas imagens e inclui um dos pés do veículo.
Crédito: CIVA - ESA/Rosetta/Philae/CIVA; NAVCAM - ESA/Rosetta/NAVCAM; OSIRIS - ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; ROLIS - ESA/Rosetta/Philae/ROLIS/DLR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As medições também sugerem um aumento nos grãos de poeira muito pequenos - possivelmente cerca de um milionésimo de um milímetro - perto da superfície.

A última observação da cabeleira de gás em redor do cometa foi obtida no dia anterior à descida final. Ainda era expelido dióxido de carbono, a uma maior distância do Sol do que quando o cometa se aproximava.

Reinaram condições estáveis durante as medições finais de vento solar e do campo magnético interplanetário, fornecendo valores de fundo "silenciosos" que serão importantes para calibração.

Densidades decrescentes do plasma cometário foram observadas a cerca de 2 km acima da superfície, sem a deteção óbvia de desgaseificação local das fissuras em Ma'at.

As medições do campo magnético, até uns estimados 11 metros acima da superfície, confirmam as observações anteriores do cometa como um corpo não-magnético.

Impressão de artista da Rosetta pouco antes de atingir a superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko no dia 30 de setembro de 2016.
Crédito: ESA/ATG medialab
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Não foram recolhidas nenhumas partículas grandes de poeira durante a descida, um resultado interessante. As primeiras impressões são que a produção observada de vapor de água era demasiado baixa para levantar grãos de poeira acima de um tamanho detetável a partir da superfície.

"É ótimo termos estas primeiras informações do último conjunto de dados da Rosetta," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA. "As operações já terminaram há mais de dois meses, e as equipas dos instrumentos estão muito focadas na análise dos seus enormes conjuntos de dados recolhidos durante os mais de dois anos que a Rosetta passou em órbita do cometa."

"Os dados deste período serão disponibilizados eventualmente nos nossos arquivos, da mesma forma que todos os dados da Rosetta."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
22/11/2016 - Surpresas geladas no cometa da Rosetta
15/11/2016 - Forma do Cometa 67P/C-G é bastante mais jovem do que se pensava
04/10/2016 - Missão concluída: viagem da Rosetta termina com uma ousada descida ao cometa
27/09/2016 - Fogo-de-artifício de verão no cometa da Rosetta
13/09/2016 - A descida da Rosetta até ao cometa
06/09/2016 - Philae foi encontrado!
02/09/2016 - Imagiologia da pequena poeira do cometa em 3D
02/08/2016 - Como os cometas nascem
01/07/2016 - Ajuste final da Rosetta para 30 de setembro
31/05/2016 - Cometa da Rosetta contém ingredientes da vida
12/04/2016 - O cometa que muda de cor
16/02/2016 - Philae enfrenta hibernação eterna
15/01/2016 - Confirma-se que gelo exposto à superfície do cometa da Rosetta é água
03/11/2015 - Resultados da missão Rosetta antes do periélio
30/10/2015 - Primeira deteção de oxigénio molecular num cometa
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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Wikipedia

 
"ENSOPADO" DE INGREDIENTES EM ROCHAS MARCIANAS É UM BOM INDICADOR DE HABITABILIDADE

O rover Curiosity da NASA está a escalar uma montanha marciana em camadas e a encontrar evidências de como os lagos antigos e ambientes subterrâneos húmidos mudaram, há milhares de milhões de anos atrás, criando ambientes químicos mais diversos que afetaram a sua capacidade para albergar vida microbiana.

A hematita, minerais argilosos e o boro estão entre os ingredientes mais abundantes em camadas monte acima, em comparação com camadas mais velhas e mais baixas examinadas anteriormente na missão. Os cientistas estão a discutir o que estas e outras variações dizem sobre as condições sob as quais os sedimentos foram inicialmente depositados, e sobre como a água subterrânea, que se movimentou mais tarde através das camadas acumuladas, alterou e transportou ingredientes.

Os efeitos deste movimento de águas subterrâneas são mais evidentes em veias minerais. Estas veias formaram-se onde fissuras nas camadas foram preenchidas com químicos dissolvidos em águas subterrâneas. A água, juntamente com o seu conteúdo dissolvido, também interagiu com a matriz rochosa que rodeia as veias, alterando tanto a química da rocha como a da água.

"Há tanta variabilidade na composição a diferentes elevações, atingimos o jackpot," comenta John Grotzinger, do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Ele e outros membros da equipa científica do Curiosity apresentaram uma atualização da missão na passada terça-feira, 13 de dezembro, em São Francisco durante a reunião de outono da União Geofísica Americana. À medida que o rover examina camadas cada vez mais altas e jovens do Monte Sharp, os investigadores ficam impressionados com a complexidade dos ambientes de lagos aquando dos depósitos de sedimentos argilosos, e também com a complexidade das interações das águas subterrâneas após esses sedimentos serem enterrados.

 
Este par de ilustrações mostra o mesmo local da Cratera Gale em dois pontos temporais diferentes: agora e há milhares de milhões de anos atrás. A água que se movia por baixo do solo, bem como água à superfície em rios e lagos, forneceu condições favoráveis para a vida microbiana, caso Marte já alguma vez albergou vida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique nas imagens para ver versões maiores)
 

"Reator Químico"

"Uma bacia sedimentar como esta é um reator químico," afirma Grotzinger. "Os elementos reorganizam-se. Formam-se novos minerais e os antigos dissolvem-se. Os eletrões são redistribuídos. Na Terra, estas reações sustentam a vida."

Ainda não sabemos se a vida já existiu em Marte. Nenhuma prova convincente foi encontrada até agora. Quando o rover Curiosity aterrou na Cratera Gale em 2012, o objetivo principal da missão era determinar se a área alguma vez proporcionou um ambiente favorável aos micróbios.

O apelo principal da cratera, para os cientistas, são as camadas geológicas expostas na porção inferior do seu monte central, o Monte Sharp. Estas exposições fornecem acesso a rochas que possuem um registo das condições ambientais de muitos estágios da história marciana, sendo cada camada mais jovem do que a que está por baixo. A missão teve sucesso logo no seu primeiro ano, descobrindo que o ambiente de um antigo lago marciano tinha todos os ingredientes químicos essenciais necessários para a vida, além de energia química disponível para a vida. Agora, o rover está a subir aos poucos o Monte Sharp a fim de investigar como é que as condições ambientais passadas mudaram ao longo do tempo.

"Estamos já nas camadas que foram a razão principal para que a Cratera Gale fosse a escolhida como local de aterragem," afirma Joy Crips, cientista e vice-gerente do projeto do Curiosity no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Agora estamos a usar uma estratégia de perfuração de amostras em intervalos regulares à medida que o rover escala o Monte Sharp. Anteriormente, escolhemos alvos de perfuração com base nas características espectrais de cada local. Agora que estamos a subir continuamente as camadas basais e espessas da montanha, uma série de perfurações vão criar uma imagem completa."

Quatro locais recentes de perfuração, de "Oudam" no passado mês de junho, até "Sebina" em outubro, estão espaçados cerca de 25 metros em elevação, cada. Este padrão elevatório permite com que a equipa científica recolha amostras progressivamente mais jovens que revelam a história ambiental passada do Monte Sharp.

Ambientes em Alteração

Uma pista para as mudanças nas condições ambientais é o mineral hematite. Substituiu magnetite menos oxidado como o óxido de ferro mais dominante nas rochas que o Curiosity perfurou recentemente, em comparação com o local onde o rover encontrou pela primeira vez sedimentos de lagos. "Ambas as amostras são lamas secas depositadas no chão de um lago, mas o mineral hematite pode sugerir condições mais quentes, ou uma maior interação entre a atmosfera e os sedimentos," comenta Thomas Bristow do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. Ele ajuda a operar o laboratório CheMin (Chemistry and Mineralogy) a bordo do rover, que identifica minerais em amostras recolhidas.

A reatividade química ocorre num gradiente de força dos ingredientes químicos para doar ou receber eletrões. A transferência de eletrões, devido a este gradiente, pode fornecer energia para a vida. Um aumento de hematite, em relação à magnetite, indica uma alteração ambiental mais forte na direção que puxa eletrões, provocando um maior grau de oxidação no ferro.

Outro ingrediente que tem vindo a aumentar com as medições recentes do Curiosity é o elemento boro, que o instrumento a laser ChemCam (Chemistry and Camera) do Curiosity tem detetado dentro de veias minerais principalmente compostas por sulfato de cálcio. "Nenhuma missão anterior tinha detetado boro em Marte," realça Patrick Gasda do Laboratório Nacional de Los Alamos do Departamento de Energia dos EUA, no estado norte-americano do Novo México. "Estamos a ver um aumento acentuado de boro nas veias minerais estudadas ao longo dos últimos meses." O instrumento é bastante sensível; mesmo a este nível, o boro compõe somente mais ou menos um-décimo de 1% da composição da rocha.

O primeiro plano desta cena captada pela Mastcam do rover Curiosity mostra rochas de tom roxo perto da posição do rover no final de 2016. A distância média inclui destino futuros do rover. As variações na cor das rochas realçam a diversidade de composição na parte inferior do Monte Sharp.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Sistema Dinâmico"

O boro é famosamente associado com locais áridos onde a água se evaporou. No entanto, as implicações ambientais da menor quantidade de boro, encontrada pelo Curiosity, são menos diretas do que as do aumento da hematita.

Os cientistas estão a considerar pelo menos duas possibilidades para a fonte de boro que a água subterrânea deixou para trás nas veias. Talvez a evaporação de um lago tenha formado um depósito contendo boro numa camada sobreposta, ainda não alcançada pelo Curiosity, e seguidamente a água mais tarde redissolveu o boro e transportou-o para baixo até camadas mais antigas através de uma rede de fissuras, onde se acumulou juntamente com outros minerais. Ou talvez alterações químicas nos depósitos argilosos, como evidenciadas pelo aumento de hematita, tenham afetado o modo como a água subterrânea pegou e largou o boro dentro dos sedimentos locais.

"As variações nestes minerais e elementos indicam um sistema dinâmico," afirma Grotzinger. "Eles interagem com a água subterrânea bem como com águas à superfície. A água influencia a química das argilas, mas a composição da água também muda. Estamos a ver complexidade química que indica uma história longa e interativa com a água. Quanto mais complicada é a química, melhor é para a habitabilidade. O boro, a hematita e os minerais argilosos sublinham a mobilidade de elementos e eletrões, e isso é bom para a vida."

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
07/10/2016 - Curiosity começa próximo capítulo marciano
30/09/2016 - Curiosity descobre que crosta de Marte contribui para a sua atmosfera 
28/06/2016 - Descobertas do rover Curiosity apontam para passado marciano mais parecido com a Terra
13/10/2015 - Equipa do rover Curiosity confirma lagos antigos em Marte 
26/05/2015 - Rover Curiosity ajusta percurso montanha acima
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
19/12/2014 - Rover Curiosity encontra química orgânica, passada e presente, em Marte
12/12/2014 - Rover Curiosity encontra pistas de como a água ajudou a moldar a paisagem marciana
07/11/2014 - Rover Curiosity encontra correspondência de minerais
12/09/2014 - Rover Curiosity chega ao Monte Sharp
24/06/2014 - Curiosity celebra primeiro ano marciano com sucessos da missão
24/12/2013 - Equipa do Curiosity verifica desgaste das rodas, actualiza software
10/12/2013 - Resultados do Curiosity incluem primeira medição de idade em Marte e ajudam à exploração humana
27/09/2013 - Resultados científicos do local de aterragem do Curiosity
27/09/2013 - Curiosity analisa rochas em ponto de paragem
20/09/2013 - Curiosity não detecta metano em Marte
06/08/2013 - Primeiro aniversário do Curiosity em Marte
23/07/2013 - Artigos relatam pistas do passado atmosférico de Marte
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
SPACE.com
Discover
PHYSORG
Reuters
Forbes
Popular Mechanics
ars technica
The Verge

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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Rover Curiosity (MSL):
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ALMA ENCONTRA EVIDÊNCIAS CONVINCENTES DE DOIS PLANETAS RECÉM-NASCIDOS EM REDOR DE JOVEM ESTRELA
Imagem ALMA do disco protoplanetário que rodeia a jovem estrela HD 163296. Novas observações sugerem que os dois planetas, cada com mais ou menos o tamanho de Saturno, estão em órbita da estrela. Estes planetas, que ainda não se formaram completamente, revelaram-se pela dupla impressão que deixam nas porções de gás e poeira no disco protoplanetário da estrela.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); A. Isella; B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos sabem agora que a nossa Galáxia está repleta de planetas, desde mundos rochosos do tamanho da Terra até gigantes gasosos maiores que Júpiter. Quase todos esses exoplanetas foram descobertos em órbita de estrelas maduras com um sistema planetário completamente evoluído.

Novas observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) contêm evidências convincentes de que dois planetas recém-nascidos, cada um do tamanho de Saturno, estão em órbita de uma jovem estrela de nome HD 163296. Estes planetas, que ainda não estão completamente formados, revelaram-se pela dupla impressão que deixam nas porções de gás e poeira do disco protoplanetário da estrela.

As observações anteriores de outros sistemas estelares jovens ajudaram a reformular a nossa compreensão da formação de planetas. Por exemplo, as imagens ALMA de HL Tauri e TW Hydrae revelaram lacunas impressionantes e estruturas anulares proeminentes nos discos empoeirados das estrelas. Estas características podem ser os primeiros sinais tentadores do nascimento de planetas. Surpreendentemente, estes sinais aparecem em redor de estrelas muito mais jovens do que os astrónomos achavam ser possível, sugerindo que a formação planetária pode ter início logo após a formação de um disco protoplanetário.

"O ALMA mostrou-nos imagens surpreendentes e nunca antes vistas de anéis e lacunas em redor de estrelas jovens que podem ser as características da formação de planetas. No entanto, como estávamos apenas a olhar para a poeira nos discos com detalhe suficiente, não tínhamos a certeza do que criava essas características," comenta Andrea Isella, astrónoma da Universidade Rice em Houston, no estado norte-americano do Texas e autora principal de um artigo publicado na revista Physical Review Letters.

Composição do disco protoplanetário em redor da jovem estrela HD 163296. A área interior, avermelhada, mostra a poeira do disco protoplanetário. O mais largo e azulado disco é o gás monóxido de carbono no sistema. O ALMA observou que nas duas divisões exteriores, há uma diminuição significativa na concentração de monóxido de carbono, sugerindo que dois planetas estão aí a formar-se.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); A. Isella; B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)
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Ao estudar HD 163296, a equipa de investigação usou o ALMA para traçar, pela primeira vez, a distribuição tanto dos componentes de poeira como do gás monóxido de carbono (CO) no disco com aproximadamente o mesmo nível de detalhe.

Estas observações revelaram três lacunas distintas no disco protoplanetário de HD 163296. A primeira divisão está localizada aproximadamente a 60 UA (Unidades Astronómicas - 1 UA é a distância média entre a Terra e o Sol) da estrela central, mais ou menos equivalente à distância entre o Sol e Neptuno. As outras duas lacunas estão a 100 UA e a 160 UA da estrela central, equivalente a uma distância bem superior à Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar, a região de corpos gelados além da órbita de Neptuno.

Usando a capacidade do ALMA em detetar o ténue "brilho" de comprimento de onda milimétrico emitido por moléculas de gás, Isella e a sua equipa descobriram que existe também um mergulho apreciável na quantidade de CO nas duas divisões exteriores da poeira.

Através da observação das mesmas características tanto nos componentes gasosos como nos componentes poeirentos do disco, os astrónomos pensam que encontraram evidências convincentes para a existência de dois planetas a coalescer incrivelmente longe da estrela central.

Impressão de artista do disco protoplanetário em redor da jovem estrela HD 163296. Através do estudo dos perfis da poeira (tom castanho) e do gás monóxido de carbono (tom azul) do disco, os astrónomos descobriram evidências tentadores da formação de dois planetas nas lacunas exteriores.
Crédito: B. Saxton, NRAO/AUI/NSF
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Na lacuna mais próxima da estrela, a equipa encontrou pouca ou nenhuma diferença na concentração do gás monóxido de carbono em comparação com o disco empoeirado circundante. Isto significa que a lacuna mais interior poderá ter sido produzida por algo que não seja um planeta emergente.

"A poeira e o gás comportam-se de forma muito diferente em redor de estrelas jovens," acrescenta Isella. "Sabemos, por exemplo, que existem certos processos químicos e físicos que podem produzir estruturas anulares na poeira como as vistas anteriormente. Nós certamente pensamos que estas estruturas podem ser o resultado de um planeta nascente através da poeira, mas simplesmente não podemos excluir outras possíveis explicações. As nossas novas observações fornecem evidências intrigantes de que planetas estão, de facto, a formar-se em torno desta estrela jovem."

HD 163296 tem cerca de 5 milhões de anos e mais ou menos o dobro da massa do Sol. Está localizada a aproximadamente 400 anos-luz da Terra na direção da constelação de Sagitário.

Links:

Notícias relacionadas:
ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade Rice (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Physical Review Letters
Vídeo da divulgação da descoberta (NRAO Outreach via vimeo)
Astronomy Now
Space Daily
PHYSORG

HD 163296:
SIMBAD
Catálogo de Discos Circunestelares

Discos protoplanetários:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - De Gaivota até Sirius
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